Chelsea: Muito gasta mas pouco acerta
Quarta-Feira, 22 maio de 2013 | 14:18
O Chelsea transfigurou-se com a chegada de Roman Abramovich, é um dado adquirido. Mas será que os benefícios foram tão grandes cobriram os enganos e desilusões trazidos pelos volutuosos investimentos do milionário russo?
No ano em que entrou, 2003/04, Abramovich comprou uma palete de jogadores do mais credenciado que havia: Crespo, Geremi, Véron, Gallas, Mutu, Makelelé, Scott Parker, Damien Duff, Joe Cole entre outros, craques, maioria internacionais, de provas dadas no universo futebolístico, fazendo brilhar os olhos dos adeptos com futuras conquistas, mas nessa época fracassaram.
Na época seguinte, Abramovich, abriu os cordões à bolsa e contratou mais jogadores e José Mourinho, recém campeão europeu.
José Mourinho limpou o balneário do Chelsea e trouxe consigo Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira do Porto, chegando também Petr Cech, Drogba, Arjen Robben, Kezman, Tiago, Smertin e Jarosik.
Com esta revolução da autoria do “Special One” o Chelsea foi bicampeão inglês, ganhou taças de Inglaterra, da Liga e Supertaças, conquistando um lugar entre a elite da Barclays Premier League.
A estrutura foi-se mantendo durante o mandato de Mourinho e nos anos seguintes, com mais contratações,os fracassos eram consecutivos e o Chelsea só conseguiu voltar a ser campeão com Carlo Ancelotti, em 2009/2010, com novamente um super-plantel, com jogadores consagrados como Michael Essien, Ballack, Andry Shevchenko, Anelka, Deco, Bosingwa, Belletti, Ashley Cole entre outros.
Sendo Campeão Europeu de clubes em 2011/2012, em Munique frente ao Bayern, comandado pelo interino Roberto Di Matteo, Ex jogador do clube.
Mas, nesta história de gastos e sucessos, existe uma particularidade, vejamos:
Com esta aposta toda em jogadores, houve uma posição que criou uma espécie de maldição onde só um jogador se notabilizou, de seu nome, Didier Drogba! Chegaram Kezman, Gudjonhsen, Shevchenko, Crespo e mais caro de todos, El Niño, Fernando Torres! Havendo ainda nomes como Demba Ba, Anelka, Lukaku ,Borini ou Franco Di Santo, que mesmo sem serem flops, (ou estão no plantel ou estão emprestados por serem jovens) não conseguiram a notoriedade do Costa-Marfinense.
Enquanto Drogba se notabilizava com golos atrás de golos de toda a maneira e feitio, dando títulos em catadupa ao conjunto londrino, outros companheiros de setor se eclipsavam, Crespo chegou, viu, marcou alguns golos e seguiu pra Itália emprestado, o ucraniano Shevchenko, bem tentou impor-se na equipa de Mourinho, mas a falta de entrosamento e adaptação e o facto de ter sido uma aposta presidencial e não técnica prejudicou-lhe a vida em Stamford Brigde.
Kezman foi apagão total, vinha de épocas totalmente avassaladoras no PSV Eindhoven, onde fez 105 golos, mas em Londres fez apenas 4 golos, sendo sucessivamente emprestado até acabar a ligação com os “blues”.
Mas o caso mais “sui generis” do rol de extravagâncias atacantes deste magnata soviético, prende-se comos 68 milhões de euros dados por Fernando Tores ao Liverpool.
Torres em 2 épocas e meia, leva o frágil pecúlio de 28 golos! 28 Golos! Um rendimento paupérrimo para as capacidades do internacional espanhol que foram bem visíveis nos tempos do Atlético Madrid e já em Inglaterra ao serviço do Liverpool e também para o dinheiro pago pelos seus préstimos.
Muita tinta já escorreu nos jornais sobre Torres, sobre os golos (ou falta deles) do natural de Fuenlabrada, mas o que é certo é que conseguiu, o que nenhuns dos outros ponta-de-lanças conseguiram em dez anos de Abramovich. Ser campeão europeu de clubes pelo Chelsea, (também Lukaku o foi, mas mal jogou)
Mas agora sem Drogba, depois de flop's como Crespo, Torres ou Kezman, será que o próximo grande predador de área do Chelsea conseguirá fazer esquecer Drobga? Será Falcao, a próxima ave de rapina a voar acutilante e mordazmente sobre o retângulo mágico e trazer consigo sacos e sacos de golos em catadupa para os supporters do Chelsea?
Esperemos para ver, mas fica concluído que tamanho investimento, sem cabeça e misturado com política e conduta obsessiva não funciona. Estragam-se jogadores, dinheiro e clubes.
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