ESCREVEM OS LEITORES
Autor: DANIEL OLIVEIRA, 23 ANOS, ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO
A 10 de Junho deste ano, Portugal enfrentou a Croácia num amigável realizado na Suíça.
A nossa selecção enfrentou um adversário a meio gás mas bastante competitivo e de qualidade. Foi então um bom teste e uma boa oportunidade para preparar a presença no Mundial. Infelizmente esta não é a visão do nosso Seleccionador Nacional, o qual se focou maioritariamente em dar minutos de jogo aos seus suplentes, não se expondo ao risco, à procura e nem à descoberta.
Paulo Bento concentrou-se em ganhar o jogo quando o objectivo deveria ser ganhar jogadores, explorar opções, observar possíveis talentos e assim preparar o Mundial.
Não me entendam mal, a Selecção Nacional tem de entrar em campo sempre para ganhar, os jogadores têm de fazer de tudo para garantirem a vitória, esta é o principal objectivo de quem joga mas não o de quem selecciona.
Assim, penso que neste jogo Portugal deveria ter explorado alguns dos jogadores que estão a despertar para o topo do futebol português.
O conhecimento, integração e evolução dos jogadores na selecção é feito principalmente nestes jogos mas também nos treinos, o que permite que jogadores convocados não utilizados sejam na mesma testados e integrados.
A abordagem ao jogo deve ter em foco a evolução e expansão da Selecção Nacional mas sem descurar das rotinas e identidade da equipa. Só assim os novos jogadores terão condições para se mostrarem.
Assim, defendo que nos amigáveis se deve manter a titularidade de alguns jogadores chave da Selecção. Refiro-me ao Pepe no centro da defesa, ao Moutinho no miolo do meio campo e ao Cristiano no trio atacante. Deste modo os potenciais jogadores de Selecção iriam poder evoluir em torno dos pilares de cada sector.
Mas esta estratégia não é limitativa e possibilita outras opções: a titularidade poderia ser de Nani e não do Cristiano; um dos laterais habituais poderia manter a titularidade, tendo ele de ser do lado oposto ao do extremo escolhido; e neste caso o Pepe não foi convocado e assim a titularidade teria de ser do Neto, que já fez o suficiente para encostar o B.Alves.
Porém, a Preparação não se baseia somente no aumento e melhoramento do leque e opções, também incide no desenvolvimento de jogadores que já começaram a demonstrar valor no ambiente da Selecção mas que ainda não se impuseram totalmente. Neste caso refiro-me especificamente a jogadores como o Vieirinha e o Neto, os quais se aproximam da titularidade mas que ainda precisam de crescer e ganhar confiança enquanto membros activos da Selecção Nacional.
No entanto, a Preparação não é somente um trabalho sob os jogadores. Também tem incidência na preparação táctica da equipa. O desenvolvimento de uma alternativa táctica deve também ser um dos objectivos na abordagem a estes jogos.
Com Paulo Bento a Selecção Nacional só está preparada para enfrentar os jogos num 4-3-3 de posse e contenção. Essa postura táctica é a abordagem usada contra qualquer tipo de adversário e em qualquer diferente momento do jogo. Quando é exigido que a Selecção recorra a diferentes atitudes tácticas, a equipa não as consegue aplicar eficazmente, pois infelizmente em 3 anos o Seleccionador Nacional não teve interesse em desenvolver um plano alternativo e mais uma vez isso ficou patente neste amigável na Suíça.
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