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sábado, 31 de janeiro de 2026

HÁ GOLOS QUE NOS SALVAM

 


"A História faz-se de histórias. Daqueles momentos que são indiferentes para alguns e marcantes para outros. Das memórias que ficam guardadas de forma perene ou que, para outros, se desvanecem ao primeiro sono. Das descrições devidamente pormenorizadas — qual ancião da aldeia — ou do template de mensagem que ninguém lê até ao fim. Não é por mal: a História não tem uma versão, tem várias. E é isso que nos torna tão bons contadores como ouvintes.
Foi o amor à História e, sobretudo, às histórias que me levou a estudar essa área. Vivo a minha vida deslumbrado pela forma como cada um conta as suas vivências — e não, não confundo histórias e memórias com factos — e como constrói narrativas emotivas. A História são emoções na primeira pessoa.
Gosto de histórias. Amo o futebol. Não haverá muitas coisas na vida mais especiais do que este mero jogo. Em cada momento, em cada jogo, em cada golo, abre-se um manancial de memórias e emoções. Basta querermos ouvir. O que está por detrás de cada grito? De cada lágrima? De cada suspiro? E amo o bruá coletivo que sussurra mil histórias partilhadas.
Sou um crónico racional-pessimista, e isso é verdadeiramente triste. São demasiados os momentos em que desperdiço a loucura da emoção com medo do que vem depois. E se não dá? E se cai? E se sofremos? E se morremos? Passo a vida a preparar-me para o mal, para que o nim não custe tanto.
Vivo acordado com o Kelvin na cabeça, qual chaga em sangue, para evitar o regresso dos pesadelos. Temo o quase. Mas para cada momento sombrio há sempre uma luz pronta a iluminar. E se for acompanhada por 60 mil companheiros, torna-se garantidamente mais fácil. Ontem, algo mudou em mim. Voltei a acreditar que vale a pena sonhar. Calma, não comprei bilhete para Budapeste. Mas percebi que deixar-me levar pelas emoções, pela loucura, pelo momento pode ser verdadeiramente reparador. E é tão bom estar vivo.
As histórias do golo de Trubin não têm fim. É o pai que leva o filho pela primeira vez à bola. A mãe que leva o avô pela última vez ao estádio. Os emigrantes que voltam a casa. Os amigos que se reencontram no terceiro anel. Os desconhecidos que se abraçam na curva. Os que ficam na roulotte porque o mês é demasiado longo. Os que pedem só mais uma no café. Os que veem a bola sozinhos porque é “uma mania, uma superstição, uma coisa só minha”. Os que reprimem o grito para não acordar o bebé, que amanhã já adormecerá ao som desta bela história de bola.
Tudo são histórias. Todas estão unidas por algo mais especial do que um golo. Um golo nos descontos é uma bênção até para os ateus mais crentes, como eu. É um pacto com Deusébio para vivermos o êxtase emocional como seres divinos. É uma pausa na equação tempo × espaço × vida. É ciência pura embebida em paixão.
O golo do Trubin foi com a cabeça, mas bateu bem forte no coração. Obrigado, futebol. Amanhã voltamos à normalidade mas, por agora, vou só rever o golo pela 135.ª vez."

João Tibério, in Benfica Independente

DIZER BEM NÃO RENDE MUITO, MAS CÁ VAI UMA TENTATIVA

 


Para país que tão maltrata o seu futebol e a si próprio, diria que o comportamento das equipas portuguesas na UEFA não envergonha ninguém. Às vezes não fazia mal um bocadinho de autoestima

A frase mais sábia que ouvi na quinta-feira, depois da épica noite europeia de quarta-feira, saiu da boca de um estimado amigo, jornalista com opinião (não é bem a mesma coisa que influencer, perdão): «Apesar de tão maltratado, o futebol português ainda consegue ter noites como esta.»
Pronto, assim já disse mal de qualquer coisa antes de dizer bem, o que parece ser condição sine qua non, cada vez mais, para captar a atenção do estimado leitor. Acontece que hoje me apetece falar bem de algo, e não está difícil de imaginar de quê.
Mas já lá vamos, que antes ainda se consegue mais uma buchinha de mal dizer, aliás com inteira pertinência: o Sporting viu-se a perder pela segunda vez em Bilbau porque Matheus Reis achou que estava a disputar o campeonato português, no qual um jogador de clube grande que seja duas vezes agarrado ao de leve por um jogador de clube menos grande dá direito a parar, fazer um ar aborrecido e exigir ao árbitro a faltinha da ordem. Na Europa não dá, aprendizagem feita (espera-se, até porque vai dar jeito nos oitavos de final, entre tubarões e peixes de águas profundas).
Benfica e Sporting, na quarta, foram bem seguidos por FC Porto e SC Braga, na quinta, e Portugal acabou por ter uma semana europeia de luxo, que pode muito bem ter valido o acesso, a partir de 2027, de três equipas à UEFA Champions League, onde quase tudo mexe e onde vale realmente a pena andar para compor orçamentos.
Já o tenho afirmado de quando em vez: o futebol português está longe de ser a desgraça que os seus próprios protagonistas parecem querer fazer crer, semana após semana, na lana caprina das questiúnculas locais. Perdem-se em acusações mútuas e mantêm espingardas constantemente dirigidas uns aos outros, a árbitros e a jornalistas. Volta e meia lá vem o argumento de mesa de café: «Depois querem ser competitivos lá fora.»
Pois bem — não só querem como são. Com orçamentos bastante inferiores qualificam-se para os oitavos de final da liga milionária ou batem adversários de outra dimensão pelos golos que são precisos e detalhes de cinema fantástico que correm Mundo. Na liga menos milionária , mas não menos digna, Portugal é o único país com mais que uma equipa apurada diretamente para os oitavos. Para país tão maltratado por si próprio diria,em bom futebolês, que já não é chita...
Alexandre Pereira, in a Bola

NOTAS DE UMA NOITE PERFEITA

 


Mais do que solidariedade coletiva, o explorar de um flanco direito que tinha apenas Carreras contra o resto do mundo ou o golo de Trubin num gesto técnico a fazer lembrar Mário Jardel, existem sete notas a reter nesta noite histórica do Benfica de Mourinho contra o Real Madrid de Arbeloa.

1 - Os colossos não gostam de corajosos. E se há coisa que o Benfica demonstrou ontem foi coragem. Na forma como procurou pressionar alto. Na agressividade com que disputou todos os duelos. Na maneira como não se deixou abater quando esteve em desvantagem. Contra os maiores, a coragem não garante vitórias, mas aproxima das mesmas quem a ousa ter.
2 - Os mais inteligentes devem estar sobre o corredor central. Tomás Araújo, Aursnes, Sudakov e Pavlidis são os cérebros do Benfica dentro de campo. Cada um com as suas especificidades, mas todos complementares. Em comum, além do símbolo que trazem ao peito, a inteligência técnico-táctica ao serviço da equipa. A procura das melhores soluções sempre ao serviço da equipa.
3 - Aursnes no corredor central é um must. Quem diz que o norueguês não é intenso esquece que o futebol não se resume aos kms assinalados no GPS após o final do jogo. A maior e mais importante intensidade é a mental. Aquela que permite ler o jogo, antecipar cenários e tomar boas decisões ainda antes de ter a bola nos pés. No Benfica, e até mesmo em Portugal, é difícil encontrar jogadores mais intensos mentalmente que Aursnes.
4 - O Benfica é muito mais competente ofensivamente quando joga com Sudakov, Schjelderup e Prestianni. O ucraniano, liberto em termos de movimentações, deambula por onde a equipa precisa dele. Surge como ligação, pauta, segura, acelera de acordo com o que o jogo pede. Prestianni continua a ser o agitador de serviço, mas já começa a perceber que nem todas as acções requerem sprints desenfreados. Schjelderup é o que vimos ontem: associação, criatividade no 1 vs 1 em espaço reduzido, presença em zonas de finalização. E pode ser muito mais. Assim tenha quem o entenda e quem lhe dê a confiança necessária
5 - Há lesões e eliminações que vêm por bem. O ditado popular não é esse, mas a verdade é que este Benfica 2.0 já sob as ordens de José Mourinho surge depois das lesões de Lukebakio, Barrenechea e Richard Ríos e após as eliminações na Taça da Liga (Sudakov ainda à esquerda, Barreiro a 10) e da Taça de Portugal. Prestianni e Schjelderup passaram a ser presença mais constante nas alas, Sudakov passou para a zona 10 e Barreiro tornou-se o 8 de ruptura que só poderia ser ao lado de um 8 cerebral que durante vários meses foi o homem dos sete ofícios (Aursnes).
6 - O trabalho supera sempre o talento. O talento de grande parte dos jogadores madridistas é inquestionável. A capacidade individual que quase todos têm para resolver um jogo de um momento para o outro também. Mas quando o adversário se apresenta de forma corajosa e com claras intenções de "matar o jogo", importa que as capacidades volitivas estejam presentes e a 100%. O Benfica foi superior no plano técnico-táctico porque, muito antes da bola começar a rolar, já estava a golear no plano da mentalidade competitiva.
7 - A forma como José Mourinho celebrou o golo de Trubin fez-me lembrar a maneira como festejou o apuramento do seu Inter de Milão para a final da Liga dos Campeões em pleno Camp Nou, depois de eliminar o Barcelona. Nessa época Mourinho foi campeão europeu, tudo aponta para que isso não aconteça em 2025-2026, mas foi bom voltar a ver neste festejo o Mourinho de outros tempos: corajoso, destemido, sedento de vitória, inspirador.
Laurindo Filho, in a Bola

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 31 Janeiro GLORIOSO COM REAL PROBLEMA NO CAMINH...

                            

BENFICA: MOURINHO SOBRE O SEU EIXO

 


Treinador venceu uma noite europeia na Luz, mas sobretudo venceu a batalha interior: a de recentrar convicções, aceitar outro caminho e reconciliar-se com a própria grandeza

Mourinho está de parabéns. Que noite! Que jogo! E não é fácil para ninguém, muito menos para quem já ganhou tanto, ir ao encontro das críticas enquanto, pelo menos, coloca em pausa convicções fortes. Reconhecendo, ainda que sem verbalizá-lo, que há outro caminho. Um talvez mais condizente com a cultura do clube que representa. Mesmo que a atração constante pelo lado estratégico — que lamentou não poder utilizar, devido aos jogadores que tinha disponíveis, na antevisão — o obrigue a luta interior constante, ganhá-la também o colocará mais de acordo com a própria grandeza.
Barreiro deixou de ser 10, a não ser em situações pontuais e estratégicas quando é preciso pressionar mais à frente ou ser mais coeso a defender, o que já é admissível. Assim, também Sudakov pode partir de posicionamento mais central para outros em que consegue desequilibrar com maior facilidade. Não receber a bola de costas, quando a saída é pressionada, é ajuda considerável ao ucraniano e ao processo coletivo. Deixá-lo andar entre linhas é a bolsa de criatividade de que os demais podem beber.
Por sua vez, Schjelderup teve finalmente alguma continuidade sobre a esquerda. E aproveitou-a. Provou que pode ser bastante útil e que precipitados são todos os que têm apontado para o fim da estrada na Luz. Prestianni soma compromisso defensivo à irreverência própria dos quase 20 anos, faltando-lhe apenas golos e assistências para que fique a tiro diante da concorrência com Bruma e Lukebakio, a meu ver muito mais unidimensionais ou até individualistas e a significarem uma inversão na evolução da equipa. Os dois, norueguês e argentino, mostram também que é possível defrontar e derrotar gigantes primeiro com dois extremos, depois com dois franzinos e inseridos num contexto de quatro unidades declaradamente ofensivas.
Mourinho ter-se-á perguntado várias vezes: e quem é que defende? Talvez os ventos das últimas tempestades lhe tenham soprado: «Os outros…»
Além disso, e ainda que não esteja completamente convencido, particularmente quando os adversários tentarem aí estrangular os encarnados, também o duplo-pivot se mostra diferente. Não diria mais complementar, mas pelo menos mais abrangente e dinâmico, mais coeso também e, como tal, mais capaz de suster a frente de ataque.
A noite europeia foi mágica. Épica! Com epicentro na Luz, as réplicas foram arrasadoras em Espanha e sentidas fortemente em Itália e, obviamente, Inglaterra. Aos 90+7', com mais dois em campo, a precisar de um golo, uma falta a meio-campo e os gritos para que a equipa subisse levaram a que Trubin crescesse até à área contrária e, entre a rarefeita defesa madridista, escrevesse história. O triunfo, por ter sido contra quem foi, mas sobretudo por ter sido como foi — sem medo, com o peito inflamado por coragem, e a pensar sobretudo em atacar a baliza de Courtois — tornarão certamente o festejo de Mourinho ainda mais viral do que aquele que deixou rasto em Camp Nou, quando eliminou o Barcelona a não deixar jogar. Para o treinador, que pode achar que a estética pouco interessa, foi excelente. Não há má publicidade, mas nada como um triunfo assim para restaurar a aura perdida de um dos melhores da história. Não mostrou que está vivo: mostrou que está de volta. E isso é muito melhor.
Por muito que ache piada ao discurso humano do técnico, que o torna ainda mais português — a parte das varandas e do suicídio talvez esteja um pouco para lá dos limites do bom senso, porém depois de um jogo daqueles e com a adrenalina no máximo há que entendê-lo —, preocupa-me que continue a jogar para os comentadores, analistas e jornalistas, que sinta que tem algo a provar-lhes a cada jogo, sobretudo quando as críticas são construtivas e não questões pessoais ou até, como sentencia o povo, de inveja do seu sucesso. Tem de provar sim a si próprio que pode realmente transformar o clube, provavelmente sozinho, ocupando também o espaço de uma direção que nunca sabe bem o que fazer.
O Benfica que deixou a Luz depois do jogo com o Real é a primeira grande manifestação de algum tipo de rumo nos últimos tempos. Emocionalmente, pode até significar o restabelecer da ligação neural que sempre Mou criou com os jogadores. Mas o próprio também poderá ajudar. Está mais perto daquele com quem vibrámos no passado quando ao serviço de FC Porto, Chelsea, Inter e Real, do que o outro que voltou à Luz.
Também não posso concordar com os que agora aparecem a reclamar respeito pelo ídolo. Respeitá-lo começa precisamente por não confundir aquele que chegou da Turquia com a grandeza do seu passado, e exigir o que idolatrámos de volta. Bem sei que as muitas lesões condicionaram a mudança de estratégia, porém tem o mérito de não se encolher a um canto em posição fetal e assumir jogar olhos nos olhos. Trazer esse Mourinho de volta, mesmo que seja apenas uma pequena parte dele, justifica tudo o que ouvimos em troca. Todos sentimos gratidão pelo que fez pelo futebol português, no entanto, isso não o torna inimputável.
Claro que o técnico acredita (ou faz passar que acredita) que não mudou nem um pouco. Aliás, avisou que não iria mudar antes de começar a fazê-lo, controlando assim a narrativa. Tê-lo no banco também é isso. Até aquele «Benfica é o meu país, fazer isto com o meu clube...» com que se descaiu junto da imprensa internacional, sabendo que teria impacto por toda a nação benfiquista — como os próprios gostam de se autointitular — que vai capitalizar como ninguém. Muitos adeptos terão esquecido já as Taças, o campeonato e que, mesmo que os encarnados passem o play-off, ainda só fará o mesmo que Lage antes. Pouco interessa, o momento é seu.
Mourinho sabe, como os críticos, que precisa de consistência. Talvez a noite épica seja o mesmo «quase» que bastou a Rui Costa para segurar Lage, mas dificilmente será suficiente para dar os objetivos como cumpridos. O que não é condizente com alguém da sua dimensão. De qualquer forma, se a noite louca da Luz significar mesmo o início de algo grandioso, fica já aqui o meu cumprimento, com a respetiva vénia: bem-vindo de volta, Special One!
Luís Mateus, in a Bola

Tondela x BENFICA | ANTEVISÃO J20

                            

ZONA DRS - EP 36: WELCOME TO SHAKEDOWN WEEK! 🏎️🏁

                             

DAZN EUROPA - Trubin, o herói improvável!

                             

Benfica e Sporting resolvem casos de extremos | MERCADO FLASH

                             

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

BENFICA: A VIDA ESTÁ DIFÍCIL



 Rui Costa tem de ser capaz de fazer aquilo que os adeptos não fazem: planear. Pensar a frio. Projetar o futuro quando o presente está a arder.

A noite da última quarta-feira foi memorável para o Benfica e para todos os benfiquistas. Ficará, certamente, marcada na história como uma das grandes noites europeias. Os jogadores foram enormes. Respeitaram e honraram a camisola do clube.
A realidade pode ser dura. Mas, como já disse anteriormente, por muito dura e difícil que esteja a ser esta época, os jogadores têm sempre de dar o máximo em campo. Na quarta-feira, não foi apenas isso que fizeram, como talvez tenham até excedido esse máximo. Mas se o jogo contra o Real Madrid levou os nossos corações ao céu, a verdade é que não nos deve tirar os pés do chão. E a realidade não é fácil.
A vida está difícil para os benfiquistas. Chegámos a janeiro e, desportivamente, já não há muito com que nos possamos entusiasmar. E quando digo já não há muito, estou a ser generoso. A verdade nua e crua é esta: infelizmente, penso que não haverá nada que se consiga festejar. É duro dizê-lo. Mas é a realidade. E nas Crónicas de Bancada sempre tentei partir daí, da realidade, por mais incómoda que seja.
Difícil para os adeptos, cansados de ver uma época a esvair-se antes do tempo, mas ainda mais difícil para quem dirige o clube. Para Rui Costa, em particular, estes são meses pesados. Não falo apenas das manifestações de descontentamento, mais ou menos organizadas, que surgem sempre quando os resultados falham. Falo de uma pressão mais profunda: a de presidir a um clube que não vive de boas intenções, vive de vitórias.
A vida está difícil para Rui Costa porque, perante maus resultados que seguramente o magoam tanto como a qualquer adepto que sofre na bancada, tem de ser capaz de fazer aquilo que os adeptos não fazem: planear. Pensar a frio. Projetar o futuro quando o presente está a arder. E não é simples. A desilusão pesa. A crítica desgasta. A urgência empurra para decisões rápidas. Mas dirigir um clube como o Benfica obriga a separar emoção de estratégia, ruído de substância, instinto de método.
Há decisões para vários horizontes. Para amanhã. Para daqui a dois anos. Para daqui a uma década. Decisões financeiras, desportivas, infraestruturais. Um clube grande vive permanentemente nessa tensão entre ganhar já e preparar o que vem depois. No Benfica, essa tensão é particularmente cruel, porque o passado não dá tréguas e a história pesa sempre no presente, condicionando escolhas e reduzindo margens de erro.
No longo prazo surge o Benfica District, certamente o projeto mais ambicioso desta Direção. Uma aposta de enorme dimensão, pensada para modernizar, criar e rentabilizar infraestruturas, garantindo sustentabilidade futura. Os erros neste tipo de projetos raramente se veem de imediato. Mas quando aparecem, anos depois, costumam sair caros. Muito caros. Rui Costa começou bem ao tornar o processo o mais participado possível. Apresentou-o em campanha, levou-o à Assembleia Geral, colocou-o a sufrágio, abriu a votação à distância, permitindo que mais sócios interviessem numa decisão estrutural. Isso é positivo. Transparência e participação nunca são excessivas num clube desta grandeza. Mas num projeto desta escala, tão importante como começar bem é acabar melhor ainda.
No médio prazo, houve a negociação dos direitos televisivos para os próximos dois anos. Aqui importa sublinhar um facto: o Benfica garantiu o valor mais alto alguma vez atingido em Portugal neste tipo de contrato. Esteve bem. Houve quem recordasse as declarações de Rui Costa durante a campanha, quando falou na fasquia dos 70 milhões de euros por época. O valor final ficou abaixo. Mas convém não ser ingénuo. Quando se lidera uma negociação deste calibre, não se revela o valor pelo qual se está disposto a aceitar. Inflacionar o valor pretendido faz parte da estratégia. É normal. É correto. Acho que Rui Costa esteve bem.
Resta o curto prazo. E aí já não há espaço para grandes teorias. O curto prazo chama-se próxima época. E a próxima época tem de ter um objetivo claro: ser campeão.
E, para isso, não basta trocar peças. É preciso olhar para o que falhou este ano sem medo de ferir suscetibilidades. Falhou a capacidade de decidir jogos com regularidade, falhou a consistência competitiva, falhou a resposta quando a equipa foi contrariada. E falhou, sobretudo, a sensação de inevitabilidade que um Benfica forte impõe, a ideia de que, mesmo num dia cinzento, a equipa encontra forma de vencer. Essa cultura não nasce do discurso. Nasce de escolhas coerentes, de um balneário alinhado, de liderança técnica respeitada e de um recrutamento que privilegie caráter e rendimento, não apenas potencial de revenda. Se a próxima época é para ganhar, então cada euro tem de ser gasto como se fosse o último e cada minuto de trabalho tem de ter propósito. E quem for escolhido tem de sentir o peso da camisola, não o conforto do contrato.
Na próxima época, o investimento no plantel terá de ser mais contido e mais inteligente. A margem para errar desapareceu. Vai ser necessário ser cirúrgico nas entradas e lúcido nas saídas. Cada contratação terá de contar, não pelo nome, mas pelo impacto.
Esta segunda metade da época tem de servir também como laboratório para o futuro, uma pré-temporada longa feita em competição, onde se percebe quem aguenta a pressão, quem cresce com a responsabilidade e quem apenas sobrevive de episódios. Não é um exercício simpático, mas é indispensável.
Tudo isto terá de ser feito em simultâneo. Com pressão. Com ruído. Com impaciência à volta. Mas é isso que distingue quem lidera de quem apenas reage.
A vida está difícil, sim. Para os benfiquistas que sofrem na bancada. Até para os que escrevem crónicas. E para quem tem a responsabilidade máxima de decidir o rumo do clube. No Benfica nunca foi fácil. Talvez seja precisamente por isso que cada escolha pesa tanto. Porque aqui não basta competir. Aqui queremos ganhar sempre. Sempre.
Hugo Oliveira, in a Bola

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TRUBIN FAZ MILAGRE NA LUZ E O BENFICA VENCE O REAL MADRID APÓS REVIRAVOL...

                              

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

BENFICA 4-2 REAL MADRID!! UMA NOITE EUROPEIA ÉPICA QUE SERÁ RECORDADA DE...

                              

TRUBIN MARCA E BENFICA GOLEIA O REAL MADRID! ESTAMOS NO PLAYOFF!

                              

👉 ISTO NÃO É REAL! 😱 TRUBIN MARCA NO ÚLTIMO SEGUNDO E DÁ O APURAMENTO AO...

                              

Benfica Podcast 580 - Epic

                             

Benfica Crazy Comeback💥 Jose Mourinho Reaction | Thierry Henry, Carraghe...

                              

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 29 Janeiro NOITE E TRUBIN DE SONHO COLOCAM GLOR...

                              

TRUBINADA ÉPICA



Jogo brilhante da equipa de José Mourinho, a começar pelo planeamento do treinador, apura-a para o play-off. Uma vitória com espírito dos anos 60 e lembrar a todos o que é ser, verdadeiramente, Benfica.
ABSOLUMENTE ÉPICO! O Benfica encontrou-se com a História, e honrou Eusébio, Coluna e todos os ases que fizeram deste clube um gigante que olhou os outros de frente e nunca se deve atemorizar perante o desafio, mesmo que ele se chame Real Madrid.
Por uma noite, os benfiquistas revisitaram aquilo que o clube deve sempre ser. Uma equipa tremenda em campo, solidária na missão, uma bancada em apoio a fazer desta Luz um verdadeiro inferno para o colosso espanhol. Quantos podem dizer que ganharam mais vezes ao Real Madrid do que o contrário? Foi isto que pais passaram a filhos, avós a netos. Esta noite, na Luz, cumpriu-se o Benfica! Com muitos heróis, o último deles um improvável ucraniano, enviado para a linha da frente pelo comandante Mourinho para atirar a águia para o play-off da Liga dos Campeões.






O jogo foi incrível. O Benfica pressionou o Real Madrid, criou oportunidades bastantes e o resultado ao intervalo até deixava um sabor agridoce aos encarnados. Venciam por 2-1, mas era manifestamente pouco para aquilo que tinham feito. Ao intervalo, o Benfica era uma equipa que tinha feito quase tudo bem. Desde logo, na estratégia: José Mourinho acertou em tudo. A criação de oportunidades foi tanta que, quando Mbappé fez o 1-0, só podia haver fúria pelos golos falhados e resignação por um destino anunciado, tantas vezes se o viu nesta Champions. Mas este era um Benfica com espírito de 1960. E onde se antevia descrença, viu-se fé, viu-se raça, viu-se muito bom futebol.






Prestianni, Sudakov e Schjelderup dinamizaram o ataque, mas até Barreiro e Dedic perderam ocasiões. Pavlidis também, mas quando chegou à marca de penálti fez o que lhe é normal e meteu a bola no fundo das redes. Em 45 minutos, o Benfica foi mais rápido, mais forte, mais inteligente que o Real Madrid.
É claro que do outro lado estava um clube que está habituado a dar a volta a situações adversas. Há qualquer coisa que faz sempre duvidar do Real Madrid, mas esse é também um mérito deste Benfica. Na reentrada, esperava-se reação madrilena, mas foi Courtois quem salvou o golo de Pavlidis. O Benfica inclinou-se para o golo, continuou a ser ofensivo e chegou ao 3-1 por um Schjelderup de futuro incerto. As estrelas do Real não tinham ponta de brilho no relvado da Luz. Tanto assim era que ninguém notou Mbappé, o francês passou despercebido e reduziu para 3-2. O que se passou entre o golo do gaulês e o apito final foi a criação de um enredo que levou a noite para a História.
Havia golos em todos os lados, o Benfica esteve dentro do play-off, depois saiu, Bellingham atirou ao lado, Sudakov atirou ao lado e começou a aparecer Trubin. Uma defesa aos 77, uma defesa aos 78, Courtois negava o 4-2 a Barreiro.






Havia tática, claro, mas por essa altura só interessava uma coisa: entrar nos 24 primeiros, fosse como fosse. Não havia golo na Luz, mas havia golos por todo o lado. Nenhum interessava ao Benfica a determinado momento, pelo que teriam de ser mesmo as águias a agarrarem o próprio destino.
O Benfica-Real Madrid foi o último jogo da noite, nem todos os jogadores perceberam que necessitavam de mais um golo, mas quando o árbitro apontou uma falta a meio-campo e o Real Madrid ficou reduzido a nove, Trubin vestiu a capa de herói, foi à área adversária e cabeceou a bola para o 4-2 final. O Benfica chegava ao play-off, mas mais do que isso, viveu aquilo que é ser, verdadeiramente, Benfica!
Luís Pedro Ferreira, in a Bola
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Um jogo para a história. Uma grande exibição do Benfica. Encarnados, uns mais inspirados que outros, foram inexcedíveis em entrega e disciplina tática. E que dizer de Anatoly Trubin, que Mourinho mandou disputar a derradeira bola parada na grande áera ‘merengue’? Nunca mais esquecerá o dia 28 de janeiro de 2026. Aliás, não há quem vá esquecer-se do que aconteceu na Luz. Escreveu-se direito por linhas pouco habituais...
Melhor em campo: Anatoly Trubin, 9




Quem é que vai lembrar-se da grande defesa que fez, aos 34 minutos, quando se esticou todo para a esquerda e defendeu um cabeceamento de Asencio que levava o selo de golo? Ou do fantástico passe de 50 metros que fez para Dedic? Ou, ainda, das defesas que realizou a remates de Vinícius (77) e Rodrygo (78)? Ou de não ter tido qualquer hipótese nos dois golos sofridos? Depois da forma como bateu Courtois no golo que qualificou o Benfica para o play-off — salto com o tempo certo, enquadramento perfeito e um gesto técnico, em que rodou o pescoço, para a seguir desferir a cabeçada letal, ao nível dos melhores – Anatoly Trubin entrou na lenda das mágicas noites europeias da Luz e a proeza que alcançou será passada de pais para filhos. Um instante para a eternidade.
6 - Dedic – Na generalidade, fez um bom jogo. Apoiou bem Prestianni, num flanco esquerdo merengue que sofreu com a ausência defensiva de Vinicius, não teve as hesitações atacantes do costume, e portou-se com grande autoridade nos duelos com o internacional ‘canarinho’. Uma nódoa, porém, manchou a exibição do jogador bósnio. Estava desatento a quem tinha nas costas – por sinal Mbapée - e isso custou ao Benfica o primeiro golo do Real Madrid.




7 - Tomás Araújo - Exibição irrepreensível do central encarnado. Concentrado, decidido, com uma mecanização de movimentos de grande nível com Otamendi, Tomás Araújo, por terra e pelo ar, foi um muro que protegeu a baliza de Trubin. Não se aventurou, como é costume, no ataque, o que se compreende.
8 - Otamendi – Impressionante a vitalidade do campeão do Mundo, a quem os anos não pesam nas pernas. Foi o patrão da equipa; sempre que foi preciso, com o árbitro ou com os adversários, mostrar que o Benfica tinha um líder em campo, esteve lá; ganhou todos os duelos em que participou. E ainda foi sobre ele que foi cometida a grande penalidade que deu o segundo golo dos encarnados.
7 - Dahl – Outra boa exibição, muito certo a defender, especialmente nas antecipações — apenas um erro grave, aos 65 minutos, quando fez um passe tonto para dentro que foi intercetado pelos merengues — Samuel Dahl apoiou Schjelderup a atacar e bateu-se bem com Mastuantono e Rodrygo.






8 - Barreiro – A metade inicial da primeira parte não augurou nada de bom: viu um cartão amarelo aos 10 minutos e perdeu uma bola em zona proibida aos 14. A partir daí fez reset, entrou em modo formiguinha, e passou a estar em todo o lado, recuperando bolas e saindo para iniciativas de contra-ataque. Um dos artífices da boa exibição do Benfica.
8 - Aursnes – O sucesso do plano de jogo do Benfica dependia muito do norueguês, e também de Barreiro. Aursnes esteve imperial, sem um momento de desconcentração, sem um momento em que tenha metido o pé sem convicção, sem um momento em que tenha deixado os madridistas jogar entre linhas. A isto ainda somou o início da jogada, após um ‘roubo’ de bola, do 3-1 do Benfica.
8 - Prestianni – Este extremo que o Benfica usou contra o Real Madrid tinha parecenças fisionómicas com aquele que foi utilizado com o Estrela da Amadora, mas revelou-se um jogador completamente diferente. Concentrado, determinado, a saber o que estava a fazer, Prestianni foi um quebra-cabeças para a defesa merengue, e o exemplo acabado de quem não teve medo nenhum de defrontar os espanhóis.
6 - Sudakov - Ninguém pode dizer que não deu tudo o que tinha e que foi útil ao Benfica, respeitando os ditames táticos de Mourinho. Mas ainda teve situações em que definiu mal o último passe . Pena que uma trivela (60 minutos), muito bem pensada, tenha falhado por pouco a baliza de Courtois.






8 - Schjelderup – O melhor jogo que fez de águia ao peito, a sugerir que uma dispensa seria má política, e a pedir continuidade e confiança. Marcou dois belíssimos golos – cabeceamento de cima para baixo e remate cruzado – trabalhou como se não houvesse amanhã defensivamente e mereceu a estrondosa ovação que ouviu quando foi substituído aos 90+3.
8 - Pavlidis – O goleador Trubin tirou-lhe a possibilidade de ser o melhor em campo. Pavlidis fez tudo bem. Muitas vezes de costas para a baliza espanhola, segurou a bola e deixou a equipa subir, fez duas assistências para os golos de Schjelderup e ainda provou que Turim foi um acidente, batendo a bola dos onze metros, sem hipótese para o gigante belga. Pelo tipo de jogador que é, tem tudo para se entender bem com Rafa.
6 - Barrenechea – Foi ocupar o lugar de Barreiro, aos 83 minutos, passando o internacional pelo Luxemburgo para a posição, mais adiantada, do substituído Sudakov. O médio argentino integrou-se bem no plano de jogo, manteve as linhas apertadas, e tapou bem as iniciativas do Real Madrid, especialmente a partir do momento em que os merengues perceberam que estavam fora dos oito primeiros.
5 - João Rego – Fechou o lado esquerdo do ataque do Real Madrid.
5 - António Silva – Foi fazer de terceiro central, já no lavar dos cestos.
5 - Ivanovic – Batalhou nos instantes finais e ainda foi a tempo de dar um abraço a Trubin.
José Manuel Delgado, in a Bola

BENFICA x Real Madrid | RESCALDO J8 LC

                              

🔥 Especial Champions League - Benfica 4 - 2 Real Madrid

                               

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🔴 BENFICA 4-2 REAL MADRID ⚪ (Análise) MILAGRE NA LUZ! TRUBIN MARCA E COL...

                               

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

BENFICA: ÉPICO MESMO



 Era o regresso de Turim, onde o Benfica mesmo perdendo se bateu e discutiu o jogo como lhe competia, com a personalidade que é exigida a um grande clube. Sem conseguir os ambicionados pontos, o caminho era voltar a casa para cumprir a obrigação de vencer na receção ao vizinho Estrela da Amadora. Entre duas montanhas europeias difíceis de escalar, nada como um jogo mais acessível para lavar a alma da equipa e dos adeptos. Vitória clara, consolidada na segunda parte, com momentos felizes e um ambiente propício.

De volta ao campeonato, José Mourinho surpreendeu, e depois percebeu-se, porque já seria a hora de estrear o lateral de apenas 17 anos, Banjaqui. Por um lado, poder integrar mais um jovem de qualidade é sempre positivo e, ao mesmo tempo, permitir a Dedic algum descanso era conveniente. O lateral bósnio vem sendo um dos maiores dinamizadores da equipa quando se trata de atacar, sendo por isso uma arma fundamental para mais logo confrontar Carreras. Ao mesmo tempo, e não menos importante, o confronto com Vinícius Júnior espera-se duro, ou não fosse o internacional brasileiro um dos mais velozes alas do planeta.
Um duplo duelo que se espera interessante e que vai exigir de Dedic uma noite de grande concentração e desgaste. Muita responsabilidade, portanto, ofensiva e defensiva, para o lateral bósnio que, quem sabe, pode vir a significar a diferença neste histórico reencontro.
Noutro âmbito e em época de exageros vários, também linguísticos, vulgariza-se o termo épico, por nada de extraordinário, palavra que deveria estar reservada para momentos distintos e realmente especiais. Isto tudo para dizer que mais épico e perfeito não poderia ser o contexto do golo que fechou a vitória frente ao Estrela. À qualidade da primeira titularidade de Banjaqui, já só faltava mesmo uma assistência, e ela viria nesse inspirado momento. O que dizer do primeiro toque na bola de Anísio na sua inesquecível estreia, de verdadeiro cabeceador, a cruzamento do seu parceiro de carreira? Será que temos finalmente no Benfica um homem de verdadeira dimensão aérea? Promessa boa, mas sem pressa...
Na Luz viveu-se, então, um jogo diferente que trouxe lembranças boas de outros tempos, não pelo especial brilhantismo exibicional, mas pelos vários momentos especiais que proporcionou, um dos quais o regresso de Pavlidis à felicidade. Agora é a vez da Liga dos Campeões cuja qualificação é quase uma miragem, mas é ainda possível, dependendo desde logo deste confronto histórico, de boa memória, para honrar e tentar vencer.
Pela metade
A arbitragem está longe de ser o meu assunto preferido e evito sempre discussões estéreis, que são uma perda de tempo, quase sempre desvirtuadas pela tendência clubística de cada um. Mais uma vez, ninguém nega a grande dificuldade que arbitrar representa, mas também é impossível ignorar o fraco e ultrapassado critério da nossa arbitragem. Não é melhor quem apita mais. Eu sei que é uma ideia básica, mas por vezes quando se é mau de mais, é ao básico que se deve voltar. É uma regra da qual, quer equipas, quer jogadores, também por vezes se devem lembrar.
Quem lidera o jogo é o árbitro e tem a responsabilidade primeira de respeitar o público seja ele qual for, e não é parando o jogo consecutivamente que tal se consegue. Não é só uma opinião, porque são os factos e os números que o confirmam. O número de faltas e cartões ditam o tempo de jogo útil pela metade. A quem ainda tem dúvidas é comparar com outros campeonatos.
O último jogo na Luz é só um exemplo, como muitos outros, em que só se joga uma parte. Não tem a ver com um jogo específico nem com as respetivas equipas, mas com perfil triste e ultrapassado que importa inverter. Se a formação de árbitros é má como parece ser, que cada um dos árbitros tenha personalidade para individualmente fazer a diferença.
Alegria de mais
A emoção e a alegria de um golo decisivo obtido no final de um jogo toldam, por vezes, o discernimento do autor da proeza. É difícil de entender que alguém tire a camisola estando já amarelado, mas não é uma situação única e tendo jogadores mais experientes como intérpretes.
Desta vez aconteceu recentemente a João Fonseca, valoroso central da equipa B do Benfica, marcador do golo da vitória frente ao Chaves, já em tempo de desconto. Ter sido o segundo golo da sua carreira é uma relativa atenuante. Será admissível pela euforia de um goleador novato, mas só uma vez. Agora é fazer mais golos para compensar.
Sonhos
Vivemos tempos de crítica fácil, muita dela emitida por quem inveja o sucesso alheio e por quem gostaria de ter feito carreira, mas pouco sabe do que fala. Muito criticar e pouco valorizar é uma tendência bem lusitana e mais do que nunca atual.
A grande popularidade do futebol também resulta de ter sido jogado um pouco por todos na rua ou na escola, nem que seja a guarda-redes e em balizas de duas pedras. Que saudades dessa infância... O muito tempo que entretanto passou deixa na maioria dos antigos miúdos, agora graúdos ou velhotes, a ideia construída pelos sonhos de criança, que eram melhores com a bola do que na realidade foram. As memórias e os desejos retratam os diferentes caminhos da vida.
Rui Águas, in a Bola