sábado, 2 de março de 2019

CONVITE AO PRESIDENTE


"Quando li aquele e-mail, até tremi - 'Encarrega-me o presidente Luís Filipe Vieira de o convidar a assistir ao jogo de futebol SL Benfica - Chaves na Tribuna Presidencial do nosso estádio'.
Pensei que tinha sido engano, levei algum tempo a digerir a coisa e aceitei, claro.
Eu, um adepto comum do terceiro anel, que tem a sorte de poder falar sobre o clube do seu coração na BTV, sentado no espaço das velhas glórias, dos actuais e antigos dirigentes, dos homens e das mulheres que fazem o fizeram a história do maior clube português.
Era um convite endereçado aos comentadores do canal de televisão do Glorioso, e foi bom vê-los lá, os que todos os dias defendem e analisam o Benfica à lupa. Cheguei cedo. Estacionei no centro comercial em frente, passei pela roulotte, bebi uma imperial, dei uma volta completa ao estádio, por fora (é quase um ritual), e parei junto à porta 1. Olhei para o bilhete, era ali, na entrada da águia. Estava nervoso, confesso-vos.
Passei o torniquete, subi ao primeiro andar e entrei na Tribuna Presidencial. Sim, aquilo estava mesmo a acontecer.
Caras conhecidas, outras que apenas vi nos relvados, jantar e petiscos, conversas soltas, ambiente descontraído e quase toda a gente a aderir ao pedido de casual chic no dress code.
E lá goleámos mais uma vez. Voltarei à Tribuna Presidencial sempre que for convidado, com todo o gosto, mas quem me tira a bancada tira-me tudo. Não estou a ser ingrato, acreditem. Foi uma honra ter estado ali sentado no jogo com o Chaves, mas lá em cima, seja nas centrais, nos topos ou nas curvas, é que há gritaria, palmas, pés a bater no chão, onda mexicana e graçolas que fazem rir vários sectores da bancada.
Caro presidente, obrigado pelo convite, foi uma noite muito especial. E agora, posso desafiá-lo a vir comigo ao terceiro anel? As bifanas na roulotte são por minha conta."

Ricardo Santos, in O Benfica

JOGO DO TÍTULO?


"Valha isso o que valer, no único clássico com o FC Porto disputado na era Bruno Lage, apesar da derrota, o Benfica não foi em nada inferior ao seu rival, só não ganhando porque o VAR não deixou. 
Não há dois jogos iguais, pelo que nada nos garante que neste sábado o Benfica consiga apresentar-se de modo tão afirmativo como naquela meia-final da Taça da Liga. Na verdade, independentemente daquilo que as equipas produzam em campo, será provavelmente a eficácia de uma e de outra a ditar o resultado, como tantas vezes acontece neste tipo de duelos - esperando-se que a arbitragem desta vez seja bem diferente da de Braga, embora, nesta matéria, o histórico com este adversário nos faça sempre temer o pior.
Benfica e FC Porto chegam a esta jornada como únicos verdadeiros candidatos ao título. Quem vencer sairá na frente para as dez rondas finais, sendo que, em caso de derrota, a distância pontual tornará a vida do Benfica bastante mais complicada. O empate deixa tudo em aberto. E um triunfo pode lançar-nos para o título.
Nas últimas quatro temporadas só perdemos uma vez naquele estádio. Já lá vai o tempo do fantasma das Antas, quando ali começávamos as partidas desde logo diminuídos. Agora não há bolas de golfe que nos impressionem. O tetra deu-nos confiança para nos impormos em qualquer estádio do país, e se não o fizermos desta vez não será certamente devido a qualquer bloqueio psicológico.
Pelo contrário: acredito que os jogadores do Benfica tenham uma vontade enorme de iniciar o jogo, e mostrar que são superiores, que são os melhores, e que merecem ser campeões. E vão fazê-lo."

Luís Fialho, in O Benfica

PRIMEIRAS PÁGINAS


sexta-feira, 1 de março de 2019

BLESSING LUMUENO ANTEVÉ O CLÁSSICO



Do ataque à defesa, não necessariamente por essa ordem: as ideias, as preocupações e as figuras que vão decidir o clássico no Dragão
O treinador Blessing Lumueno faz a antevisão do FC Porto-Benfica (sábado, 20h30,explicando quais os padrões táticos e as figuras individuais que deverão marcar o clássico que pode ser decisivo na luta pelo título


Neste tipo de jogos, é muito difícil perceber quem poderá ter mais sucesso, por normalmente estes serem jogos nos quais as equipas se conhecem bastante bem, e sobretudo pela preponderância da abordagem conservadora na escolha dos onzes iniciais e no ponto de vista estratégico.
Os treinadores procuram não expor as suas equipas no momento ofensivo para evitar ao máximo os contra ataques (atacam com menos unidades e não arriscam sair a jogar em zonas recuadas), assim como procuram ter um aproveitamento grande dos momentos de transição defensiva e de bola parada. Por tal, será difícil de prever um jogo aberto, no qual as duas equipas joguem sem muitos complexos, até pelo que está em causa no jogo: a disputa do primeiro lugar.

Será quase impossível que o FC Porto possa repetir uma exibição como a que fez com o Braga, pela escolha dos jogadores que teve. Foi a melhor exibição individual dos "dragões" em muito tempo e a maior causa disso foi o perfil dos jogadores em campo. Não teve tantos jogadores cuja melhor característica é a força e a velocidade e, por isso, conseguiu em vários momentos ter um futebol bastante agradável.
Assim como será difícil que o Benfica chegue a um número de golos tão alto como nos últimos jogos, porque a equipa só começa a jogar um futebol diferente, de mais passes, quando está confortável no resultado.
Tendo em conta que as duas equipas procuram em primeiro lugar a profundidade (o FC Porto mais vertical, o Benfica mais diagonal), os dois treinadores deverão alinhar estratégias para fazê-lo. Ambos costumam baixar as linhas neste tipo de jogo e definem zonas de pressão mais médias. Colocam-se para não deixar o adversário sair a jogar, mas, caso o consigam, juntam na zona intermédia, para retirar espaço nas costas e entre setores, e só depois pressionam.
Sabendo que nenhuma das equipas tentará arriscar muito na saída de bola, parece-me uma decisão sensata dos treinadores. Há, porém, que pensar em como, depois do ganho da segunda bola, parar a construção da dinâmica do adversário. A variabilidade de jogo surge em transição ou quando as equipas estão confortáveis no marcador; aí, procuram circular a bola por outras zonas e tentar situações para desequilibrar com mais toque curto do que longo.
AS TRÊS PREOCUPAÇÕES DE SÉRGIO CONCEIÇÃO.
1. A forma como o Benfica explora em largura e profundidade o lado contrário de onde a bola está ser jogada, sobretudo com os passes de Gabriel, para depois então colocar as dinâmicas ofensivas em campo (como se vê nas imagens abaixo).
E poderá fazê-lo pressionando Gabriel com a orientação corporal adequada (para fechar a diagonal), não deixando que este tenha tempo e espaço para colocar a bola que Bruno Lage preparou (do lado direito com Pizzi em largura e João Félix a fixar o lateral – do lado esquerdo com Grimaldo em largura e Rafa a fixar o lateral); ou até impedindo que a bola entre em Gabriel, pedindo aos seus jogadores que fechem as linhas de passe para o mesmo (até com acompanhamento individual); a melhor forma seria roubando a bola e dominando o jogo, não dando espaço para que o Benfica possa colocar a dinâmica em prática, sendo que esta solução será sempre muito difícil, uma vez que é impossível dominar e controlar o jogo durante os noventa minutos.
2. A transição ofensiva do Benfica: a forma como Félix e Seferovic se movimentam nesse momento, abrindo primeiro para depois procurarem a profundidade, a rápida chegada de Rafa para conduzir, e Pizzi e Gabriel a lançarem o ataque. A reação à perda será fundamental, bem como as faltas nos momentos em que a equipa não conseguir recuperar logo a seguir à perda.
3. João Félix e Grimaldo: do ponto de vista ofensivo, são os que mais situações diferentes conseguem dar ao jogo do Benfica, pela criatividade.
AS TRÊS PREOCUPAÇÕES DE BRUNO LAGE

1. A forma como irá impedir o FC Porto de explorar a profundidade de forma vertical, não desposicionando os seus defesas, uma vez que está bem trabalhada na equipa de Sérgio Conceição a dinâmica dos movimentos em que o avançado recebe, toca no médio ala que se desmarca em profundidade entre o lateral e o central para obrigar o central a sair, e posteriormente a saída de um cruzamento aproveitando o tempo de ajuste entre a saída do central da posição e a chegada do médio defensivo ou do lateral para ocupar a sua posição em zona de cruzamento.
A dinâmica é já bem conhecida por todos, sendo que os intervenientes vão mudando consoante o primeiro jogador que recebe a bola no último terço. Lage poderá manter a estrutura defensiva o mais estável possível para defender a baliza, evitando ao máximo que o central saia na bola, atraído pelo movimento de quem passa à sua frente. Poderá também optar por pressionar mais alto, orientando a pressão para o lado contrário, não dando tempo e espaço para que o primeiro passe entre.
2. A segunda grande preocupação deverá ser com o comportamento no centro de jogo e na linha defensiva, por forma a retirar o grande aproveitamento que o FC Porto tem tido das situações em que a bola entra, no último terço, do corredor lateral para a cobertura seguido de cruzamento.
Independentemente de ter ou não vantagem numérica ou espacial na área, quando há passe para a cobertura, o FC Porto tenta jogar com o comportamento da linha defensiva (que sobe em caso de passe para trás) de forma a aproveitar o espaço que fica entre o guarda-redes e os defesas, e cruza, normalmente com muito perigo. Será importante para o Benfica ser agressivo na pressão da cobertura que recebe a bola para que o cruzamento saia nas piores condições possíveis, ou não saia de todo. Também deverá ajustar o comportamento da linha defensiva para perceber exatamente o timing em que deve subir para não ser apanhada em contrapé no momento em que estiver a subir depois do passe atrasado.
3. Brahimi e Óliver. Os dois que, do ponto de vista ofensivo, têm o nível de entendimento do jogo e a criatividade dos grandes jogadores. São os grandes responsáveis pelos momentos de génio da equipa de Sérgio Conceição.
AS FIGURAS
No ataque e na defesa, cada equipa tem um elemento que se vai destacando mais do que os outros. E sendo que todos são importantes, e contribuem todos individualmente para o sucesso coletivo do setor e da equipa, há quem, pela personalidade ou pelas características técnicas, se aproxime mais do que o treinador quer.
NO ATAQUE DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO
Há Alex Telles. É o elemento preponderante para as dinâmicas ofensivas que Sérgio Conceição gosta, pela forma como coloca a bola na área. É também o responsável pelas bolas paradas, daí o número altíssimo de assistências que tem. Se o FC Porto é tão temido cada vez que tem um pontapé de canto ou um livre lateral é porque Telles, apesar de não ter grandes preocupações em colocar a bola num colega em particular, executa o cruzamento de forma superior.
Há Brahimi. A criatividade com que passeia entre as linhas adversárias, e o toque de qualidade que tem quando escolhe vir por fora são a arma que torna o jogo do FC Porto diferenciado. É pelas incursões interiores do médio, pela qualidade e velocidade na execução, pela forma como chama os seus colegas para tabelar ou assume sozinho as despesas no momento de desequilibrar o adversário que tem sido ele o melhor médio ala, ou extremo, a jogar em Portugal.
Há Soares - o homem golo. Dentro da área é feroz pelo aproveitamento que faz para finalizar a partir das situações e dos espaços que lhe deixam. Não é jogador para individualmente resolver um lance com a bola controlada, quando tem oposição, e tão pouco é jogador para sair como apoio e decidir e executar com qualidade entre enquadrar os médios ou rodar; mas é o tipo de jogador que não deixa os defesas descansados por saberem que em qualquer erro, em qualquer situação em que apareça para finalizar, ele dirá presente. Não finaliza todas as situações que tem, mas aparece sempre a criar perigo. Tem menos nove jogos que Marega e fez apenas menos um golo, tendo já ultrapassado a sua melhor marca.
NO ATAQUE DO SPORT LISBOA E BENFICA
Há Grimaldo. É o jogador que melhor ataca no Benfica. Com a bola nos seus pés não há pressão que resista, ela está sempre descoberta. É o melhor a encontrar soluções sem tempo e sem espaço, e é o melhor a tirar partido dos seus movimentos e da atração que o adversário tem pela bola para beneficiar os colegas. Não só procura o cruzamento, ou a cobertura, como é o jogador que mais vezes procura, estando no corredor lateral, colocar um colega de frente para a linha defensiva. É o jogador que melhor percebe como tirar partido das situações ofensivas, e como jogar com toda a oposição que enfrenta, por jogar não apenas no centro de jogo mas com o campo todo.
Há Gabriel. O novo responsável pelas operações ofensivas do Benfica, pela qualidade de passe que demonstra. Coloca as bolas com uma precisão assinalável, exatamente onde o treinador lhe pede - das zonas de construção para as de criação. Não tem grande preponderância quando a bola chega ao último terço, ficando mais em controlo e em equilíbrio para fazer variar o jogo, e com a responsabilidade de apertar quando a equipa perde a bola.
Há João Félix. O grande responsável pela expressividade que os resultados da equipa de Bruno Lage têm tido. No jogo anterior, por exemplo, todos os golos têm pormenores deliciosos do miúdo. Mesmo tendo falhado algumas coisas, conseguiu mostrar a qualidade que o diferencia dos demais. A receção no primeiro golo, apesar do passe não ter saído depois; A recarga de primeira, e com o pé não dominante, depois de ter falhado a finalização num primeiro momento; e o passe que deixa Jonas na cara do terceiro golo.
NA DEFESA DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO
Há Felipe. O líder de todo o processo da linha defensiva, como Sérgio Conceição o idealiza. Forte nos duelos e no jogo aéreo. Rápido a recuperar para controlar a profundidade, ou para cobrir um colega que saiu da posição. Impõe-se mais pelo físico e não tanto pela qualidade das ações. Porém, fundamental para liderar a defesa do FC Porto, até pela personalidade forte que demonstra ter mesmo quando comete erros.
Há Danilo. É o elemento que mais falta faz ao modelo do Porto, pela forma conservadora como se coloca em campo. Não tanto pela qualidade posicional, ou pelas qualidades físicas, mas sim porque se resguarda mais por força das suas características, e por ser inteligente o suficiente para perceber as suas limitações. Os espaços que existem hoje entre setores não existem tanto quando Danilo está em campo, porque ele não tem o ímpeto para desequilibrar ofensivamente e ligar-se às jogadas para ser decisivo; assim como também não é dado a pressionar muito alto por ter alguma dificuldade em recuperar defensivamente.
Há Corona. Dos que jogam mais adiantados é o mais preponderante na dinâmica defensiva da equipa, e o que equilibra quando os avançados e o médio mais ofensivo pressionam na saída de bola. É, assim como o outro extremo, o jogador que fecha dentro ao lado do médio defensivo, e divide o espaço entre o corredor central e o lateral. Estando sempre preparado para pressionar de dentro para fora, sendo que quando a bola entra no corredor também continua a pressionar. A sua importância percebe-se na forma como recupera para fechar o corredor em transição defensiva, sobretudo quando a bola sai do lado contrário ao que defende.
NA DEFESA DO SPORT LISBOA E BENFICA
Há Vlachodimos. Apesar de não ser um elemento da linha defensiva, dos cinco mais recuados tem sido o mais importante. Não pela liderança, mas por ser chamado a intervir demasiadas vezes pelas más abordagens individuais e coletivas do sector que está mais próximo dele, e por intervir nessas situações com grande qualidade. Chegará o dia em que Bruno Lage terá a equipa tão bem trabalhada do ponto de vista defensivo, e tão forte do ponto de vista individual, que o guarda-redes terá apenas uma ou duas intervenções importantes na defesa da baliza; e aí se perceberá, pelos pormenores que terá de controlar, mais do que defender a baliza, se é o ideal para uma equipa grande ou não. Para já, tendo em conta o estado da situação, tem sido perfeito.
Há Florentino. Não estando certo que vá ser aposta, é o que melhor capacidade tem para jogar em "modo Fejsa" do ponto de vista defensivo. Em organização defensiva, mas sobretudo em transição. Tem uma leitura do jogo fora do comum e antecipa os lances pela sua intuição de forma fantástica. A agressividade que demonstra no momento em que a equipa perde a bola só é possível ser decisiva e só é possível ter tanto sucesso por estar no sítio certo, na altura indicada, para parar os contra ataques do adversário.
Há João Félix. Lidera a defesa a partir do ataque, não só na forma como pressiona e fecha o médio defensivo adversário, mas também pela forma abnegada como se dá ao jogo. Não é raro vê-lo a aparecer em zonas bem recuadas em situações de organização ou transição defensiva, para ajudar a defender o corredor lateral, ou criar superioridade no corredor central.

DO MALEFÍCIO DO DÍVIDA PARA O BENEFÍCIO DA DÚVIDA...


"Não devia ser surpresa, face ao que se ia percebendo nos últimos tempos de Bruno de Carvalho e por tudo o que foi sendo dito mais recentemente. Mas não deixa de causar impacto saber-se que o Sporting vive dias de grande aperto financeiro, fruto da tempestade perfeita que se abateu sobre o clube.
Nesta conjuntura difícil, os responsáveis leoninos optaram por uma política de transparência, quase que convidando sócios e adeptos a serem parte de uma solução que urge encontrar. Pelo menos, ninguém poderá dizer que desconhecia a gravidade da situação e esse é um passo decisivo para que os problemas sejam encarados de frente.
O retrato financeiro actual do Sporting contrasta com o clima de fuga para a frente de Maio de 2018, quando Bruno de Carvalho estava disposto a pagar cinco milhões de euros por Ricardinho, para reforçar o futsal dos leões. E traduz, com fidelidade, a diferença entre quem governou como se não houvesse amanhã e aqueles que, depois, são obrigados a procurar uma troikaque evite males maiores.
A única notícia verdadeiramente boa para o Sporting, no meio de tanta dificuldade, é que o clube, à beira de completar 113 anos, não está em risco. Com uma base social fortíssima, a que corresponde uma militância responsável, que ficou à vista quer na AG destitutiva, quer nas eleições subsequentes, o Sporting resistirá a este vendaval, sem perder grandeza ou dimensão. Porém, sócios e adeptos devem ter consciência de que nenhuma boa solução será encontrada de um dia para o outro. E que esta gestão, que herdou o malefício da dívida, é credora, no mínimo, do benefício da dúvida."

José Manuel Delgado, in A Bola

SE "SE" PARA "É"


"O Sporting precisa de um fundo de maneio de €65 M no prazo dum ano, €41 M dos quais até 30 de Junho para fazer face a dívidas a fornecedores herdadas da anterior gestão. Os números poderiam não ser muito assustadores se tivermos em conta que em finais de 2015 os leões assinaram um contrato de transmissão televisiva com a NOS, válido a partir de 1 de Julho de 2018 e por fez anos, no valor de €515 M. Mas, caro leitor, já deve ter reparado que há um se na frase anterior. E haverá um se na frase seguinte. Esta verba necessária para as despesas ditas correntes não causaria grande alarme se uma parte das verbas dos direitos televisivos não tivesse sido já antecipada e gasta. Mas foi. E terá de ser mais mais. Os números não seriam tão assustadores se o Sporting tivesse ido à Liga dos Campeões. Mas não foi. Tudo ficará mais fácil se for à Champions de 2019/2020. Mas quase de certeza que não irá. Então, terá de desinvestir no futebol profissional, previsivelmente desfazendo-se dos jogadores mais caros e apostando noutros, mais baratos, que não dão tantas garantias no imediato. Mas tudo seria mais fácil se não tivesse sido deitada uma bomba de napalmsobre a formação leonina nos últimos anos e nas camadas jovens existissem, num futuro não muito longínquo, futebolistas com capacidade para entrarem na primeira equipa com perspectivas de resposta positiva alta. Mas a bomba deixou muito pouco em termos qualitativos. O futuro seria mais fácil se a mensagem não fosse passada para uma massa adepta que está profundamente partida entre os admiradores do regime brunista, os afectos às claques, a maioria de votantes em João Benedito e outros dos camarotes que durante anos gozaram de privilégios sem se saber bem porquê. Mas está. Os ses poderiam ter mudado todas as vidas, pessoais ou institucionais. Mas em Alvalade não se pode viver eternamente num se. Já foi, é assim, assim será. O se só tem duas letras, mas pode ter um milhão de consequências. Boas ou terríveis, como se vê."

Hugo Forte, in A Bola

COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS


"Quando se pretende alterar, ou substituir, uma competição continental ou intercontinental, não podemos deixar de observar o calendário internacional estipulado pela FIFA. Hoje temos cinco datas como referência, e tem que ser a partir daqui que se vai perceber que espaço existe para modificar. Tendo sempre presente que os jogadores são o elemento mais importante do jogo. E que em muitas situações são os mesmos dos grandes clubes e das selecções. No último mundial, 74% dos jogadores presentes jogavam em clubes europeus, e as cinco maiores Ligas (Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França) eram representadas por metade dos jogadores na Rússia. Nas meias-finais 90% dos disponíveis tinham contrato com clubes das 5 principais Ligas. Um dado importante para se perceber como é decisivo gerir os jogadores e as competições. Não podemos pretender que um mundial se jogue todos os anos, como não o podemos substituir por outra prova anualmente. Os campeonatos das confederações também ocupam o seu espaço, como a recente Liga das Nações. Isto, sem contar com a Taça das Confederações e o mundial de clubes, provas em vias de reformulação. O cuidado com que se deve abordar uma reestruturação implica analisar ao detalhe o calendário, ou melhor os diversos calendários, e a carga a que os mais importantes intervenientes estão sujeitos. Aumentar o volume de jogos, ou concentrar muitos jogos num limitado período, tem consequências a avaliar. Torna-se imperioso chamar ao debate especialistas, nomeadamente treinadores, fisiologistas e metodólogos do treino. Não bastam estudos económicos sobre o incremento das receitas, é fundamental criar espaços de excelência que melhorem o quadro actual e sejam estáveis. A Liga das Nações é um exemplo da evolução que se adequa a este processo de crescimento. A componente desportiva sustenta todas as outras."

José Couceiro, in A Bola

JOGO LIMPO - BTV - 01 MARÇO 2019

                                           

“MANTER O EQUILÍBRIO E SERMOS CONSISTENTES”


FUTEBOL
O Benfica enfrenta o FC Porto no Estádio do Dragão e o treinador das águias deu a receita para a conquista dos três pontos.
Bruno Lage, treinador do Benfica, anteviu, em conferência de Imprensa realizada no Caixa Futebol Campus, a partida da 24.ª jornada da Liga NOS diante do FC Porto. O clássico tem o apito inicial marcado para as 20h30 de sábado, no Estádio do Dragão.
Na Taça da Liga, o jogo era a eliminar. Agora não é eliminar, mas é um jogo muito importante. Espera um encontro diferente?
Sim, trata-se de um jogo muito importante, mas não é decisivo. Decisivo é ser regular e nós temos sido nos últimos dois meses, e temos de continuar a ser. Vencemos na primeira volta, ainda com o míster Rui Vitória a liderar, mas não conseguimos ser regulares e por isso é que o adversário está na frente por um ponto. Estamos em contagem decrescente para o fim e há menos pontos em disputa, mas não é decisivo.
Sérgio Conceição lançou um onze provável do Benfica. Que onze considera que o FC Porto vai apresentar? Tem dúvidas em relação a Marega?
Mais importante do que estar aqui a adivinhar o onze, é pensar na dinâmica do FC Porto, independentemente do sistema. Jogou connosco em 4x4x2 na Taça da Liga; no primeiro jogo do campeonato jogou de forma diferente. Tem alternado entre o 4x4x2 e o 4x3x3. A dinâmica é diferente à direita ou à esquerda. Perceber onde o Herrera pode jogar… como segundo médio tem um comportamento, como terceiro médio tem outro. É uma equipa coletivamente muito forte, com uma organização defensiva muito boa e em termos ofensivos também. Tem um ataque à profundidade muito bom, quer por parte dos avançados, quer por parte dos médios. Estamos preparados, temos os vários cenários em mente. Não interessa fazer a previsão de um onze, mas sim analisar as dinâmicas e as alterações feitas ao longo do jogo, porque podem ser determinantes. Há alterações que mexem nas dinâmicas e outras que mexem no sistema.
Que opinião tem de Sérgio Conceição?
Trata-se do Campeão Nacional, e tem uma carreira na 1.ª Divisão e em termos internacionais. Por si só está apresentado. Eu ainda estou a começar.
Sentiu alguma vibração especial nos jogadores?
Diga-me um jogo que não tenha sido decisivo desde a minha entrada? Não há nenhum. É manter o equilíbrio, tentar encontrar o nosso rumo e sermos consistentes porque é isso que nos faz ganhar campeonatos.
Luís Filipe Vieira disse que o Benfica tem hoje uma das equipas mais jovens. Esses jovens estão preparados para a pressão que é jogar no Estádio do Dragão?

Independentemente de jogarmos ou não no Dragão, se contabilizarmos os campeonatos de Iniciados, Juvenis, Juniores e até a equipa B, são jogadores que já defrontaram o FC Porto umas 50 ou 60 vezes. Têm jogos internacionais pelas Seleções Nacionais e pelo Clube. Independentemente de terem 19, 20 ou 21 anos, são jovens com uma maturidade enorme. O que fizemos recentemente na Turquia foi uma boa resposta ao jogo que aí vem. Sinto tudo tranquilo, normal e estão mais do que preparados para jogar este jogo.
As duas equipas vêm de bons resultados. Ainda assim, quem acha que chega mais forte ao clássico?
Ambas as equipas vão jogar para ganhar. Dentro de campo, quem for melhor, ganha os três pontos.
Qual é o maior receio que tem por jogar no Estádio do Dragão?
O receio que tenho de jogar qualquer jogo é sempre o mesmo: não colocarmos em prática o que fazemos no treino. Jogando em casa ou fora, seja qual for o adversário, não colocar em prática o que treinamos é o meu maior receio. Também gosto de falar de treino e vou fazer aqui um parêntesis. Há o treino de aquisição em que estamos a treinar algo para evoluir; outra coisa são as indicações que vamos tendo. Após o último jogo, falei-vos na decisão de colocar o Samaris [a defesa-central com o GD Chaves]. Nunca vamos ter tempo suficiente para treinar, queremos sempre mais para a equipa evoluir. Não tínhamos o Conti, tínhamos um central, temos de tomar decisões e optámos pelo Samaris, pela experiência que tem de jogar a central; depois tivemos de perceber a posição em que jogaria, à direita ou à esquerda, optámos pela esquerda; mantivemos o Conti na convocatória porque do outro lado estão treinadores inteligentes que podem perceber as dinâmicas defensivas. O Rúben Dias é dos melhores no ataque à profundidade. O Samaris como é médio, tem outra forma de atacar a profundidade e ataca logo a bola. Dali, o Chaves teve uma oportunidade. Temos dois jogadores que podem ligar bem nestas circunstâncias, mas para defenderem bem em conjunto é preciso tempo. Acredito que as coisas se constroem e que as equipas e os jogadores evoluem a treinar.
Jardel já está disponível? Vai manter Samaris ou vai fazer regressar o Ferro?
O Jardel não está disponível. Sobre a equipa? Só amanhã.
Marega pode regressar. Considera que, com ele no onze, o FC Porto fica mais previsível ou é mais fácil anular o FC Porto sem Marega?
Se jogar Marega, é um jogador extraordinário no ataque à profundidade, e o FC Porto é muito perigoso nisso; se não, joga Herrera que também é fortíssimo nesse momento. Partem é de posições diferentes. Mais importante é perceber o que vale o FC Porto em termos de jogo coletivo e das suas dinâmicas.

PRIMEIRAS PÁGINAS