sábado, 30 de março de 2019

PRIMEIRAS PÁGINAS


JOGO LIMPO - BTV - 29 MARÇO 2019

                                           

1 SEMANA DO MELHOR - BTV - 29 MARÇO 2019

                                           

sexta-feira, 29 de março de 2019

"VÍTOR CATÃO CERTAMENTE PERTENCIA À EQUIPA DO GUARDA ABEL"


"Antigo dirigente reagiu às declarações de Pinto da Costa sobre as alegadas 'artimanhas' do Benfica para vencer fora de campo e recordou os métodos 'pouco ortodoxos' do líder do FC Porto ao longo de várias décadas.

Gaspar Ramos ficou surpreendido com as recentes palavras de Jorge Nuno Pinto da Costa em relação ao Benfica, e em entrevista ao SAPO Desporto recordou alguns episódios pelos quais passou no futebol português enquanto dirigente desportivo.
Recorde-se que o líder do FC Porto acusou recentemente o Benfica de recorrer a 'artimanhas' para vencer fora de campo e deu como exemplo o caso de Inocêncio Calabote. Gaspar Ramos reagiu às declarações de Pinto da Costa e recordou a sua experiência pessoal enquanto dirigente desportivo durante o final da década de 80 e início dos 90s.
"Artimanhas do Benfica? Era o FC Porto que controlava todas as instâncias do futebol desde a arbitragem, conselho de disciplina e conselho de justiça. Tudo isso era controlado, e eu, naquela altura, tive de tomar medidas muito duras junto das próprias instituições para que essas situações pudessem ser moderadas, e só assim pudemos ser campeões porque senão não éramos", começou por dizer Gaspar Ramos antes de comentar o caso recente a envolver o empresário César Boaventura e Vítor Catão, dirigente do São Pedro da Cova.
"Tudo isso foi feito e infelizmente eles [FC Porto] continuam a ter a preocupação de o voltar a fazer. Essa é a razão porque muitas destas coisas estão a acontecer nos termos da maior baixeza. Não é por acaso que um é líder dos Superdragões e está no Canelas, o outro é um sujeito que é dirigente do São Pedro da Cova, e depois vimos o que aconteceu outro dia com as agressões [ao César Boaventura]. E toda esta gente tem ligações às pessoas que lideram o FC Porto, o que não é por acaso", frisou Gaspar Ramos. "Eu vi o vídeo [do Vítor Catão e do César Boaventura], e lamento muito que pessoas como o Vítor Catão ainda persistam no futebol. No meu tempo vivi problemas de coacção terríveis e até lamento hoje que o presidente do FC Porto se tenha esquecido de coisas que certamente orientou no período em que eu fui dirigente no futebol", acrescentou Gaspar Ramos antes de comentar o já célebre vídeo das agressões de Vítor Catão a uma equipa de reportagem da RTP em 1993.
"Sim, constatei essas agressões em 1993 do Vítor Catão, mas certamente não foram apenas essas. Ele certamente pertencia à equipa do guarda Abel entre o final dos anos 80 até ao início da década de noventa e depois continuou até ao Apito Dourado onde essas coisas continuaram sempre", disse ainda Gaspar Ramos para depois criticar a memória selectiva de Pinto da Costa
"Respeito imensas pessoas lá de cima do norte, mas há outras pelas quais tenho uma ideia muito baixa por tudo aquilo que tem sido a sua atitude no futebol, e aquela que ainda vão tomando, esquecendo-se de tudo o que foi feito", disse Gaspar Ramos para depois recordar o clima de terror incutido aos adversários no antigo Estádio das Antas pelo guarda Abel.
"Infelizmente conheci o 'famoso' guarda Abel. Desde agressões que fazia a directores, a coação a jornalistas, a árbitros, tudo isso foi feito nesse tempo. Tudo isso eu denunciei nos próprios órgãos", atirou Gaspar Ramos.
Questionado sobre que tipo de soluções poderá haver para mudar o actual clima de terror e intimidação no futebol português, Gaspar Ramos não tem dúvidas: há 'dinossauros do dirigismo' que já deveriam ter dado o seu lugar a outras pessoas com uma mentalidade diferente.
"O futebol português tem de mudar. Mas a mudança só se faz com a saída de pessoas que não abdicam desses princípios. As pessoas têm de mudar. O grande problema é que eu olho para trás, e quando eu entrei no dirigismo desportivo com pessoas com o Borges Coutinho, Ferreira Queimado, por aí fora, fico com uma saudade enorme de gente desse gabarito. E mesmo em relação ao FC Porto com pessoas como o Américo de Sá e outras pessoas, que tinha uma postura digna ao nível da grandeza do clube, porque o FC Porto é um clube grande que merece o respeito das pessoas, simplesmente não tem pessoas que o dignifiquem", sentenciou Gaspar Ramos."

CATÃO MORREU DE VELHO


"No meio de toda este ataque de suposições infrenes, veio-me à memória Catão, Catão o Velho, o pertinaz advogado que no Senado da Roma Antiga

De vez em quando tenho uma irresistível tendência para supor. Ora bem, num destes mais recentes ataques de suposição supus que me tinham oferecido dinheiro (vá lá, cem mil euros...) para matar alguém, ou para o deixar em coma, já não me recordo. Como não tenho curso de anestesista, não sei como condenar uma pessoa ao coma sem correr o risco de a matar, mas a culpa é minha: tivesse estudado.
Confesso que tenho tanta tendência para o homicídio como para receber cem mil euros: nunca passei por nenhuma dessas experiências. Não é que a verba não desse jeito, mas teria de recusar a oferta por manifesta incompetência no ofício de liquidar terceiros. Suponho, como supus, que por uma questão de solidariedade entre seres vivos, sejam de que raça forem, mesmo que não simpatizasse com a suposta vítima do meu suposto ato, tentaria de alguma forma avisá-la de que podia estar por pouco: recusando eu os cem mil euros, outro os aceitaria de bom grado logo a seguir, continuo eu a supor. Suponho que, no Portugal de hoje, se alguém receber uma proposta deste género tem duas opções: ou dirigir-se ao Ministério Público ou aos estúdios da CMTV, o que, vendo bem, vai dar quase ao mesmo, já que o que entra pela porta do Ministério Público costuma sair pelas janelas da CMTV nas 24 horas seguintes.
No meio de toda este ataque de suposições infrenes, veio-me à memória Catão, Catão o Velho, o pertinaz advogado que no Senado da Roma Antiga repetia até ao exagero da contumácia que as Guerras Púnicas só teriam fim com a destruição da inimiga Cartago. “Carthago delenda est!”
A antiga Roma era dada a assassinatos por dá cá aquela palha e não consta que fosse preciso desembolsar verbas exageradas. Catão o Velho morreu dessa sua tão peculiar característica: a velhice. Lá está, se alguém está a pensar oferecer-me cem mil euros para matar outrem, o mais provável é que a minha putativa vítima também venha a morrer de velha. Questões de feitio."

A JUSTIÇA POPULAR, DE NOVO


Sou sócio do Benfica há quatro décadas e das poucas coisas que tenho certas é que em circunstância alguma abandonarei a minha condição de adepto do Glorioso. Mas a paixão clubística mas não me levará a deitar às malvas fundamentos sacrossantos, nomeadamente aqueles que devem organizar um Estado de direito numa sociedade decente.  Na verdade, é quando o tema é futebol, por definição um território movido a paixões, que os nossos princípios são postos à prova. É por isso que devemos deixar ao futebol o que é do futebol e à Justiça o que é da justiça. Vem isto a propósito da sucessão de declarações lamentáveis que a minha amiga Ana Gomes proferiu este fim de semana em entrevista ao Record, agora a propósito de futebol mas em linha com o que se tem afirmado sobre muitas outras áreas. Quando o tema é Justiça, a Ana tem o condão de nunca acertar. Como todos os portugueses, tenho convicções subjectivas sobre a culpabilidade de muita gente e vivo com inquietação os casos com que a Justiça é passiva ou revela incompetência. Pior mesmo, só a sensação de que, entre nós, o sistema de justiça promove, demasiadas vezes, a culpabilidade na praça pública, não cuidando de produzir prova robusta em tribunal. Infelizmente, em Portugal, temos acumulado demasiados casos em que há mesmo fumo sem fogo - o que aconselha a não partirmos do princípio de que qualquer indício, devidamente promovido na praça pública corresponde a um ilícito criminal. Pois o que a Ana faz, é alcandorar-se a justiceira e cavalgar qualquer presumível  culpabilidade - sem nunca cuidar de perscrutar os factos ou desrespeitar a presunção de inocência-, para logo decretar subjetivamente uma condenação definitiva. Precisamente o que a justiça não deve fazer. Se já é assim em muitas áreas, futebol, e com a alavancagem das redes sociais, torna-se mais fácil fazer regressar tribunais plenários e o conceito de justiça popular ganha novas vestes, mas preserva a sua tenebrosa identidade. Ontem, como hoje, sustenta-se em julgamentos sumários, violação da privacidade, desrespeito pelas garantias processuais e, acima de tudo, sentenças sustentadas nas emoções da turba. Os riscos são, aliás, significativos. Se estivermos dispostos a deixar que a justiça popular trilhe o seu caminho no mundo do futebol, rapidamente lhe iremos escancarar as portas nas outras áreas da nossa sociedade. Convém não tratar as coisas da Justiça como se fosse um dérbi: trincheiras, muita paixão e incapacidade de preservar um chão comum, com regras do jogo partilhadas. Numa - essa sim - notável entrevista ao "Expresso" este fim de semana, o advogado Rui Patrício lembra o óbvio:"O processo penal não serve para punir culpados, mas para averiguar: se há culpados." Nos tempos que correm, essa é que é infelizmente, a afirmação corajosa.

Pedro Adão e Silva

TEORIA E PRÁTICA DA CHATICE TEUTÓNICA


"Para além de ter escrito umas poucas de peças de teatro, um rol inumerável de canções e ter participado, como actor, em filmes como O Nosso Agente em Havana ou A Volta ao Mundo em 80 Dias, Noël Coward era um pândego que afirmava nunca ter posto um trema no primeiro nome: «Por mim, prefiro que me chamem Nool». Contaria mais tarde que a sua carreira tinha tido início ainda na mais tenra infância quando interpretou um pequeno papel numa pantomima ao lado de Gertrude Lawrence: «Deu-me uma laranja, contou-me umas histórias meio porcas e fiquei a amá-la para o resto dos meus dias». Pode muito bem ter sido, mas toda a gente duvidava visto que a sua homossexualidade se tornara assunto público ou, pelo menos, parte daquilo que os londrinos gostam de apelidar de ‘tea-table-chitter-chatter’, isto é, boataria agradável para quem tem vontade de soltar umas risadas escarninhas.
Com o advento da II Grande Guerra, Coward, cujo apelido era, no mínimo, inconveniente num campo de batalha, tornou-se um membro do MI6, o Secret Intelligence Service, e chegou a uma sábia conclusão: «Se a política do Governo de Sua Majestade é a de aborrecer os alemães até à morte, acho que não vamos ter tempo para isso». É provável que o seu corrosivo sentido de humor tenha irritado os alemães pois, para lá do final da guerra, foi encontrado um Livro Negro no qual estavam registados todas as figuras públicas que seriam condenadas à morte no dia em que os nazis invadissem a Grande Ilha e o nome de Noël Coward constava dele. No dia em que tal lista foi tornada pública, Rebecca West, a escritora e jornalista que cobriu o Julgamento de Nuremberga para o The New Yorker, que também constava dela, enviou-lhe um telegrama de profundo e desgostoso snobismo: «My Dear, the people we have been seen dead with!».
Coward tornou-se uma personagem inevitável. Chegou a haver um tempo em que se tropeçava em Noël como quem tropeça em caca de cão na Rua Luís Derouet, a Campo d’Ourique. Luís Derouet também mereceria uma crónica, mas vai ter que ficar para outro dia.
Embora tivesse confessado o seu amor eterno por Gertrude Lawrence desde o episódio da laranja, Noël Coward revelou sentir um profundo «distaste for penetrative sex», sobretudo se praticado com senhoras. No entanto, quando lhe colocaram claramente a questão da sua eventual preferência libidinosa por mamíferos do sexo masculino, respondeu de forma sub-reptícia: «Ainda há uma senhora em Paddington que alimenta a esperança de casar comigo. Não quero, de maneira nenhuma, desapontá-la».
Muito bem, já perceberam que Coward é, para mim, uma figura fascinante à qual não deixarei de voltar quando for conveniente. Mas queria mesmo explicar que, em relação aos alemães, Noël se equivocava bem mais do que em relação à sua lascívia. Quando disse que havia a possibilidade, ainda que teórica, de aborrecer um alemão, ou vários, ou mesmo todos, até à morte, subestimou por completo aquela cativante capacidade que qualquer germânico tem de se aborrecer a si mesmo até à morte.
Provavelmente demasiado ocupado consigo próprio, com truques de espionagem baratos ou com senhoras de Paddington, descurou por completo a existência de uma interessantíssima (pelo menos à escala teutónica) teoria divulgada pelo professor universitário Karl Planck, no final do séc. XIX, num tratado com o nome de Fusslumelei-uber Stauchballspiel und Englische Krankheit, algo que se poderia traduzir assim por alto como A Loucura do Futebol - Sobre o Desagradável Jogo da Bola, Essa Doença Inglesa.
Pois: desta é que nem Coward, com a sua imaginação infinita, estaria à espera. Planck, fundador do Turnen Bewegung (Movimento Ginástica) atacava furiosamente a forma como a juventude alemã estava à beira de ser inoculada pelo malsão vício britânico de dar pontapés numa bola, quando o mais nobre desporto que um filho da Prússia podia praticar, fugindo de vez àquela imagem repugnante de um proletariado mal-nutrido que os ingleses espalhavam pelo universo, era a ginástica. No prefácio do seu livro, o distinto colega Theodor Visher inventou o neologismo Podobootismus - desprezo pela introdução de algo primitivo numa sociedade refinada. Francamente! É de aborrecer um bacilo até à morte!"

"ISTO NÃO É PRESSÃO, É MOTIVAÇÃO"


FUTEBOL
No lançamento da receção ao Tondela, o treinador explicou o estado de espírito do Benfica, líder da Liga NOS, perante as oito finais na competição que o aguardam.
Estar no comando da Liga NOS à entrada das derradeiras oito jornadas, depois da recuperação de terreno empreendida nos últimos quase três meses da competição, é uma "oportunidade única" para o Benfica, que luta desde o primeiro segundo pela Reconquista. É assim que o treinador Bruno Lage lê a realidade.
"Temos de estar no nosso melhor", vincou o técnico das águias em conferência de Imprensa no Caixa Futebol Campus, perspetivando a primeira das finais, com o Tondela (27.ª jornada da Liga NOS), marcada para as 20h30 de sábado no Estádio da Luz.
Como perspetiva este jogo do Benfica com o Tondela e também o seu reencontro com Pepa, treinador do adversário?
Falar do Tondela é começar exatamente pelo reencontro. Até estivemos juntos há pouco tempo porque tirámos o IV Nível na mesma altura. Olhar para a equipa e olhar para o Pepa é quase a mesma coisa. Estamos a falar de uma pessoa que perdeu a oportunidade de fazer uma grande carreira como jogador por vários motivos que ele ao longo da sua vida tem explicado. Depois, agarrou-se às oportunidades que a vida lhe deu. Há cerca de 10 anos, estava nesta casa enquanto treinador adjunto dos Iniciados e fez um percurso brilhante até chegar à I Liga. Esse é o espírito da equipa do Tondela: viver o dia a dia, o jogo a jogo e apresentar-se de peito aberto para agarrar as oportunidades. Vamos sentir isso, porque temos pela frente uma equipa que quer pontuar, está a lutar pela sobrevivência. E lembro-me que na época passada venceu no Estádio da Luz. Encaramos um adversário extremamente difícil pela sua organização, pelo momento que atravessa, a necessitar de pontos. Como sempre, temos de estar no nosso melhor para ganhar os três pontos.
Como está a condição física de João Félix, Seferovic e Jardel? Podem ser opções para o jogo com o Tondela?
Estão a 100 por cento e podem ser todos opção.
A recente paragem para jogos das seleções nacionais foi uma pausa abençoada?
Depende. Para alguns, sim, porque tivemos oportunidade de trabalhar com eles; para outros, nem tanto, porque estiveram fora ao serviço das seleções. O mais importante foi tentarmos recuperar algumas coisas que não temos oportunidade de treinar quando se joga de três em três dias. Também deu oportunidade para um ou outro descansar, recuperar e poder estar mais fresco para estes dois meses de competição que faltam. Foi também uma oportunidade para toda a gente treinar e mostrar serviço. Aproveito para recordar aquilo que foi um dia bonito, uma promessa nossa de abrir o treino, para que as pessoas pudessem ver essencialmente os jogadores. Era importante sentirem a nossa forma de trabalhar, mas acima disso estava a possibilidade de verem a dedicação e o empenho que todos os jogadores colocam no treino.
Fez depender de uma avaliação se Taarabt poderia ter condições de estar na primeira equipa do Benfica e ser opção para a reta final da temporada. Poderá ser útil e utilizado?

No tempo em que estive a treinar a equipa B e ele esteve comigo, vi sempre um indivíduo disposto a dar a volta à sua vida, porque realmente tem perdido imenso tempo. Tem 29 anos e uma carreira brilhante até determinado momento. Depois perdeu imenso tempo com total responsabilidade dele, e ele tem consciência disso. Senti-o a trabalhar diariamente com uma vontade enorme de reencontrar um caminho. Quando surgiu a oportunidade de vir para a equipa A por necessidade, por vezes treinava connosco e eu vi nele uma vontade enorme, dando continuidade ao trabalho feito durante seis meses. Vendo a forma como ele trabalhou, sentimos que tínhamos de dar uma oportunidade. A partir daqui, depende dele. Tem tido algum tempo de jogo na equipa B e as oportunidades dependem dos jogadores. Jogar na equipa A do Benfica é muito fácil, é preciso ter duas coisas: treinar a mil, com uma intensidade muito alta, e ter rendimento quando as oportunidades surgem. As oportunidades só dependem dos jogadores.
No sábado, será adepto do Braga tendo em conta o jogo desta equipa com o FC Porto e a importância que o resultado poderá vir a ter no Campeonato? Outra questão: visto que o Benfica vai defrontar o Sporting no dia 3 de abril na Taça de Portugal, este cenário poderá condicionar as suas escolhas para a partida com o Tondela?
A minha resposta é um duplo não. Adepto do Benfica, e foi a olhar para dentro e para o que podemos fazer em campo que chegámos a esta posição. É a nossa maneira de estar: jogo a jogo, temos três pontos muito importantes para conquistar com o Tondela. Depois disso teremos tempo de preparar o jogo seguinte.
Após a pausa para os desafios das seleções nacionais, o Benfica entra num ciclo de oito jogos até ao fim de abril. Como se gere o plantel do ponto de vista físico, numa altura em que estamos já muito próximos do fim da época e há jogadores com mais de 40 e 50 jogos?
Para explicar ao detalhe tínhamos de estar aqui duas horas. É muito importante, primeiro, perceber o que é um atleta de 20 anos, 25, 30, 35... Segunda condição: as lesões. É muito importante perceber que lesões têm, crónicas ou não, que podem complicar e colocá-los em risco. Por fim, o volume de treino. Temos a capacidade de perceber como é que eles recuperam e depois fazemos a nossa gestão. Durante estes três, quatro dias houve muito isto: a nossa dinâmica de por vezes começar um treino com 22 ou 23 jogadores e terminar com apenas 15 ou 16, porque a gestão é diária. Há dias em que uns terminam mais cedo, no dia seguinte são outros, e eventualmente um ou outro até pode começar mais tarde (é importante não gastar tanta energia, mas pode ser relevante trabalhar determinada situação com a equipa). A gestão é de dia a dia e muito individual, mas nunca abdicando das nossas ideias em termos coletivos. As coisas têm corrido muito bem, no nosso entender.
O Benfica tem pela frente oito finais no Campeonato. Como se gere a pressão de ter de vencer?
Esta posição que alcançámos é uma oportunidade única. Isto não é pressão, é motivação. A pressão que colocamos no nosso trabalho em querer fazer as coisas bem é a nossa maior pressão. Amanhã [sábado] é irmos para dentro de campo, conquistar os três pontos, jogar bem, proporcionar um bom espetáculo, porque recebemos com agrado que o Estádio vai estar lotado. A nossa pressão tem de ser essa: muito focados na tarefa, no que podemos fazer com e sem bola, chegar ao jogo e replicar o que fazemos diariamente no treino.
Samaris jogou pouco no primeiro semestre da época, mas em 2019 tem sido um dos jogadores preponderantes da equipa. Estando ele em final de contrato, pergunto-lhe: gostava de contar com este atleta na próxima época?
É o dia a dia. Não discuto o que aconteceu no passado. Samaris aproveitou a oportunidade e correspondeu. Conto com ele, com Fejsa e Florentino. São três jogadores que podem desempenhar essa posição na perfeição. Samaris também pode jogar como segundo médio (no lugar de Gabriel) e ainda pode ser uma solução como defesa-central, como já aconteceu. O que mais me preocupa é o momento.

PRIMEIRAS PÁGINAS


quinta-feira, 28 de março de 2019

«TODOS QUEREM DERRUBAR O BENFICA, MAS NÃO CONSEGUEM»


O antigo jogador do Benfica José Augusto considera que o FC Porto está a atacar o Benfica e que a estratégia dos dragões é a de derrubar os encarnados.
«Todos os campeonatos têm a sua história. Este terá uma história ainda mais especial, porque todos querem derrubar o Benfica, mas não conseguem. O Benfica é muito grande. Usam todos os meios para tentar uma desmotivação, não apenas nos diretores, mas também na massa associativa. Mas já estamos habituados. Vamos ganhar o campeonato com todo o mérito nas jornadas que faltam», afirmou o antigo internacional português, de 81 anos, no Estádio da Luz, à margem da apresentação do livro 115 Anos Gloriosos.
José Augusto lembra os tempos em que águias e dragões tinham relações cordiais e lamenta a forma como, na opinião do antigo jogador, o FC Porto está a ser gerido.
«Os jornais têm trazido esses elementos. Há elementos que compõem o FC Porto, não do Sporting, que têm usado e abusado. E vão pagar por isso. É uma pena. Benfica e FC Porto, no meu tempo, eram dois clubes que se davam muito bem. Agora não é tanto assim. FC Porto não era gerido assim no meu tempo. Não ganham, mas querem ganhar. Agora que estamos em igualdade pontual, voltaram ao ataque. Mas é um ataque desmobilizador para eles, não para nós», reforçou José Augusto.
Para o antigo jogador, um dos bicampeões nos anos 60, a imagem que está a ser passada é prejudicial para o futebol português. «Estes ataques são prejudiciais para o futebol português, sobretudo para as novas gerações. Todo sabemos o porquê desta situação. Querem ganhar o Campeonato, mas já ganhámos uma série deles e vamos continuar a ganhar. Como homem do futebol, lamento que o futebol português descambe para estas situações», concluiu José Augusto.
Livro comemorativo
José Augusto foi um dos ex-jogadores do Benfica presentes na apresentação do livro 115 Anos Gloriosos, da autoria de João Tomaz e Carlos Louzeiro. Artur Santos foi outro dos ex-jogadores presentes, numa cerimónia que contou com a presença de jogadores e treinadores das modalidades.
«Muitas histórias ficaram por contar, mas é importante para as novas gerações. Este livro não é apenas sobre futebol, mas sim sobre todas as modalidades», afirmou José Augusto.
Alcino António, vice-presidente do Benfica, fez a apresentação do livro e também enviou uma farpa aos dragões: «São 115 anos, não são 120 ou 125…»