sábado, 27 de abril de 2019

FÉLIX E LAGE


"Quem acompanha as camadas jovens benfiquistas não se surpreende com as características de João Félix. A inteligência superlativa, a técnica ímpar, a criatividade reservada e poucos, o repentismo fascinante e o faro apuradíssimo pelo golo há muito que estavam identificados. Faltava somente, até para os mais entusiastas pelo seu potencial, aferir se teria capacidade para, num patamar competitivo mais exigente, continuar a demonstrar o seu raro talento.
Rui Vitória não lhe ficou indiferente, cedo apostando nele. No entanto, por convicção ou cedência ao modelo táctico (4-3-3, com extremos abertos), ou ambas, o anterior técnico benfiquista utilizou Félix quase sempre numa das faixas, geralmente a esquerda e sem a firmeza que a capacidade do jogador já merecia (31 jogos possíveis, 14 utilizado, 5 titular, 3 golos, 1 assistência).
A chegada de Bruno Lage revolucionou o futebol benfiquista, e é impossível dissociar essa mudança da aposta convicta em João Félix. A alteração para o 4-4-2 permitiu o regresso de Félix a uma posição central no sector atacante (ou a crença de Lage em Félix permitiu a alteração do modelo táctico), tendo logo bisado no primeiro desafio da era Lage, cuja chegada conferiu ao prodígio do ataque benfiquista o estatuto de titular, o qual actuou em 25 jogos (24 no onze inicial), fazendo 15 golos e 7 assistências, além de se revelar peça fulcral em toda a dinâmica ofensiva da equipa. Só na Alemanha Félix não jogou na posição em que mais se tem notabilizado. Mas se há alguém autorizado a ter tomado essa decisão, é Lage. Não só por ser o treinador, mas por ser aquele que mais acreditou no 'miúdo' e verdadeiramente o lançou."

João Tomaz, in O Benfica

CARO BRUNO LAGE


"Espero que esteja tudo bem consigo. Comigo está tudo óptimo, em especial graças às alegrias que o Bruno, a sua equipa técnica e os jogadores que convosco trabalham me têm dado. Ainda pensei em fazer uma cartolina e levar para o estádio, mas não tenho grande jeito para colagens, por isso vou aproveitar este espaço no jornal do Glorioso que tenho a honra de preencher quase todas as semanas. Bruno, não lhes ligues, a sério. Nem aos filósofos do futebol e das tácticas, nem aos jornalistas mal-intencionados, nem aos comentadores televisivos que falam de tudo menos de desporto. Não ligue aos ressabiados, aos frustrados e muito menos aos inimigos. Ligue-nos a nós, aos adeptos que acreditam em si e nos seus homens.
A hora da verdade já chegou. Tem acontecido em cada final conquistada neste campeonato onde já ninguém pode esconder a falsidade dos resultados. Olhe para si e para quem tem à sua volta. São vocês os verdadeiros campeões: os que dão espectáculo, que mais golos marcam, que mais gente arrastam, que melhor se portam neste lamaçal em que querem transformar o futebol português.
Neste domingo vamos a Braga. Vamos todos. Vocês no campo, os adeptos nas bancadas, os milhões em casa, pela televisão e agarrados à rádio e à net para saber tudo sobre esta equipa que nos encanta.
Não me interessa quem joga, o Bruno é que sabe. Pode ser um de 18 anos ou um de 30 e tal, português ou sul-americano. Só me interessa a camisola que leva vestida e o símbolo que lá está bordado. Diga-lhes isso, Bruno: nós estamos convosco. Os que interessam estão convosco. Sempre.
Um glorioso abraço!"

Ricardo Santos, in O Benfica

FLORENTINO SEM STRESS LUÍS


"Boa parte do meu percurso escolar decorreu em instituições ligadas à Igreja Católica. Cresci a ouvir falar de Deus, figura omnipresente, mas confesso que sempre me fez imensa confusão compreender como poderia alguém, por mais hábil que fosse, estar em toda a parte em simultâneo. Seria lá isso possível? Como!?
Aprendi o significado do termo, no entanto nunca fiquei totalmente convencido com a hipótese de alguém deter essa inimaginável perícia da omnipresença. Bem, pelo menos até conhecer o Florentino Luís. Só depois de assistir às exibições do Florentino na equipa principal tive a certeza de que as freiras não me andavam a enganar anos a fio: afinal, é mesmo possível alguém aparecer em todo o lado ao mesmo tempo. E esse alguém costuma vestir uma camisola muito bonita com o número 61 nas costas. Durante o jogo com o Marítimo, juro por tudo que vi o Florentino recuperar uma bola junto à área adversária enquanto recebia um passe do Ferro numa saída do Benfica a jogar. Até esfreguei os olhos para perceber se estaria a ver bem, e entretanto o Florentino já tinha coleccionado mais três desarmes e quatro passes certeiros. Há momentos onde nem se dá pela presença dele, mas depressa surge uma perna esticada desde o círculo de meio-campo até à linha lateral a interceptar uma bola, e percebemos que o Cavaleiro Silencioso - tal como Hélder Conduto o baptizou - está mesmo a jogar. No meio deste panorama, o que mais impressiona é a serenidade constante. Eu pareço mais nervoso quando estou deitado no sofá a comer estrelitas do que este puto de 19 anos com a bola nos pés diante de 50 mil pessoas.
O Tino joga com tanto tino, que eu até desatino."

Pedro Soares, in O Benfica

FUTEBOL FEMININO - NOVO E COMPETENTE


"Apesar dos registos que a nossa equipa principal de futebol tem alcançado na segunda fase e, em especial, num momento tão decisivo desta época, a redacção do jornal considerou dever destacar o desempenho da equipa de elite de futebol feminino na presente edição. Também me parece uma decisão muito justa. Justa e oportuna.
Foi no segundo semestre do ano passado que, em resultado de estudos dedicados e competentes, a direcção do Sport Lisboa e Benfica tomara a decisão de empreender a intervenção do Clube nas competições federadas de futebol feminino, nos escalões de seniores, sub-19 e sub-20, além de ter decidido institucionalizar a concomitante actividade de equipas do género feminino nos respectivos escalões principais e de formação, nas cinco mais nobres 'modalidades colectivas de pavilhão' - hóquei em patins, voleibol, andebol, basquetebol e futsal - mantendo também, evidentemente, a presença feminina no atletismo, no judo e no râguebi, assim com em todas as restantes modalidades, escalões e especialidades que já tínhamos em exercício.
No texto que aqui publiquei na derradeira edição do ano do jornal O Benfica, tendo em conta todas essas importantes resoluções dos nossos eleitos, não hesitei em considerar 2018 no Benfica como o decisivo Ano da Mulher.
Dada a natureza e projecção do futebol em Portugal e considerando também o estado de desenvolvimento adquirido no nosso país nas mais recentes duas ou três décadas, por acção de alguns clubes históricos como o Boavista, o União 1.º de Dezembro, ou o Futebol Benfica, entre outros, e nas duas últimas épocas, pelo SC Braga e pelos vizinhos aqui do Campo Grande, era natural que o Benfica não deixasse protelar por mais tempo a sua intervenção no futebol feminino.
No seio da direcção do nosso clube, a tarefa conceptual e as diligências estruturais decorrentes daquela relevante resolução foram cometidas ao vice-presidente Fernando Tavares, que desde cedo apresentou aos seus colegas um modelo em coerência com a política globalmente definida na última década pelo presidente Luís Filipe Vieira, visando a futura autossustentação do projecto.
Nesse sentido, o projecto pressupunha a criação de uma equipa principal desde logo fortalecida por um elenco de grandes jogadas de selecções nacionais portuguesa e estrangeiras, preparada para conquistar, ano a ano, os torneios que disputasse; e que, por outro lado, essa elite de jogadoras viesse a poder contar, em breve, com mais jovens atletas já formadas no seio do nosso Benfica, em dois escalões mais jovens.
Ora, como seria de esperar - em face da brilhante carreira desenvolvida no Campeonato da 2.ª Divisão e da conquista do torneio distrital em sub-17 - o recente apuramento das 'Papolas saltitantes' em Braga, sob as indicações do treinador João Marques, para uma primeira final da Taça de Portugal aponta para o futuro de um grande Benfica em futebol feminino.
Por isso estou seguro de que, perante estes pioneiros e inequívocos sinais de competência num campo com tão indesmentível potencial de incremento, o próprio Sport Lisboa e Benfica não se eximirá a ir ajustando progressiva e devidamente as mais adequadas condições de trabalho e merecidos meios estruturais e logísticos às virtualidades já reveladas pelas meninas do nosso futebol feminino, cuja entrada em cena veio representar um novo patamar de actualização no cumprimento das responsabilidades sociais do Glorioso, no desenvolvimento relacional proposto à mulher benfiquista e também, até, para a afirmação da sociedade desportiva portuguesa."

José Nuno Martins, in O Benfica

JUSTIÇA DESPORTIVA A PASSO DE CARACOL


"Está a decorrer, na Cidade do Futebol, o II Simpósio Legal da Aliança das Associações Europeias de Treinadores (AEFCA), que tem a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANF) como anfitriã.
Embora o tema seja denso, a matéria é de grande relevância para os profissionais do sector, especialmente nestes tempos de globalização. No primeiro painel da sessão, onde participaram Fernando Santos, Carlos Carvalhal e Gianni De Biasi, foram reveladas várias situações de ordem legal que envolveram tão renomados treinadores, que merecem cuidada análise, de olhos postos no que pode ser melhorado em Portugal. Por exemplo, a descrição, por parte de Carlos Carvalhal, de um processo que viveu enquanto treinador do Sheffield Wednesday, mostra como a aplicação da justiça no futebol pode ser realmente célere e eficaz.
O treinador português foi expulso durante um jogo e teve um desentendimento com um steward, o que lhe valeu uma punição, da qual recorreu. Sem entrar em detalhes, aquilo que poderá dizer-se é que o sistema da Football Association conseguiu, em nove dias úteis, proferir a primeira sentença, receber o recurso, criar um tribunal para apreciação do mesmo, ouvir as partes e proferir a decisão final (que acabou por ser favorável a Carlos Carvalhal).
Atrevo-me a dizer que, se o mesmo tivesse acontecido por cá, os passos atrás referidos não teriam demorado nove dias a conhecer trânsito em julgado, mas nove meses...
Não será chegado o momento de se repensar, em Portugal, uma justiça desportiva que se move a passo de caracol?"

José Manuel Delgado, in A Bola

JOGO LIMPO - BTV - 26 ABRIL 2019

                                           

1 SEMANA DO MELHOR - BTV - 26 ABRIL 2019

                                           

PRIMEIRAS PÁGINAS: DEPRESSÃO DOS JUNTA LETRAS


quinta-feira, 25 de abril de 2019

DE FRANKFURT À LUZ


O sonho de um Benfica europeu caiu por terra uma vez mais. Desta feita, aos pés de um Eintracht que foi um justo vencedor, mas que estava perfeitamente ao alcance do Glorioso. Se o desfecho surpreende, não é, aliás, tanto por aquilo que se passou nos 180 minutos que durou o confronto, é por alguma sensação de alívio que pareceu resultar da eliminação. De forma implícita, fica sugerido que, fora da Europa, a equipa ficaria mais liberta e os microciclos de treino tornar-se-iam mais fáceis de gerir. A abordagem estratégica ao jogo na Alemanha e a forma rígida como a equipa ficou presa ao plano de jogo - que claramente não estava a funcionar - foram os primeiros sinais negativos do breve, intenso e muito positivo consulado de Bruno Lage como técnico do Benfica. Mas, acima de tudo, revelam que o plantel não está dimensionado para os confontos europeus. Lage pode responder, com inteira justiça, que não foi, nem responsável pelo planeamento da temporada, nem pela política de contratações e que, mesmo assim, foi capaz de colocar a equipa na rota de um título em que já ninguém acreditava. Quanto à direção, é mais difícil compatibilizar as promessas recorrentes de grandeza europeia com a realidade concreta do plantel. É mais um exemplo em que o realismo discursivo teria sido mais avisado. nessa perspectiva, o primeiro jogo após a saída da Europa era um teste exigente. Mas tornou-se num teste que a equipa soube tornar fácil, ultrapassando-o com distinção e louvor. Após uma primeira parte de grande passividade e marcada a ritmo de pós - Europa, o Benfica percebeu que a única forma de gerir um jogo e um resultado é aumentando a intensidade e procurando marcar mais golos. Agora, o Benfica tem 360 minutos para provar que é capaz de manter o ataque continuado e o ritmo elevado que trouxe a equipa de volta à liderança - e que tornou possível ultrapassar obstáculos que muitos anunciavam instransponíveis, de Alvalade ao Dragão passando por Guimarães. E,  mais importante, que os princípios de jogo que Lage implementou estão consolidados. Contudo, com menos jogos e um leque de jogadores, agora, de novo mais alargado (Jardel e Fejsa, assim como Cervi e Salvio estão de regresso e a recuperar o ritmo), a questão primordial continua a ser encontrar alguém que ofereça ao jogo do Benfica o que Gabriel oferecia. Com Florentino e Samaris, a consistência defensiva não sai afetada, mas fica a faltar a circulação de bola que o brasileiro dava à equipa. Mesmo que em apenas 15 minutos e protegido por um resultado confortável, ontem voltamos a ter indícios de que Taarabt é o jogador com mais semelhanças com o brasileiro. Numa temporada cheia de surpresas, se o marroquino acabar por ser determinante, tornar-se-á difícil qualificar aquilo que Lage alcançou.
Pedro Adão e Silva