domingo, 23 de junho de 2019

PARA UMA ÉTICA PÓS-MODERNA NO FUTEBOL


"Correndo embora uma aragem de inquietação nesta (quase) Republica dos Corvos (lembram-se d’A República dos Corvos do José Cardoso Pires?), desde a Educação e a Saúde até às Forças Armadas e à Segurança Social, no futebol corre dinheiro aos milhões, o que me deixa tenso e retenso de inquietação e surpresa. Talvez só a mim e a muitos poucos mais, pois que não oiço um tropel de vozes guturais, trazidas pelo espanto, ou até pela indignação, a questionar por que, nesta Europa cristã, há tanto dinheiro para umas coisas e falta para outras.
Se aqui estivesse um dos corvos de São Vicente, remataria sempre do mesmo modo: “Deixe lá, isto já não tem conserto e, mais dia menos dia, todos os males da gente têm o mesmo fim”. Mas eu, como o Santo António (não quero comparar-me, em capacidade retórica, a este santo que, exceptuando o padre António Vieira, é incomparável na história da oratória nacional) – mas, como ia dizendo, eu, como o Santo António, não sou pessoa, para deixar azedar, dentro de mim, o que tenho para dizer. Procuro ser educado, polido, cortês, mas não escondo o acordo ou o desacordo, diante dos “vencedores” que fazem a História. Até no tempo do “Dinossauro Excelentíssimo” o fiz, mas com um cuidado tal que chego a ter vergonha das minhas infidelidades à ideologia “estadonovista”. No entanto, é da minha autoria o primeiro livro, editado pela Direcção-Geral dos Desportos, em Junho de 1974, depois da Revolução dos Cravos portanto, intitulado Para uma nova dimensão do desporto onde reuni textos escritos por mim, entre 1964 e 1974. O livro jazia escondido, numa gaveta da secretária do director-geral e esclarecia, no prefácio, que “o título Para uma nova dimensão do desporto quer dar o tom a uma iniludível maneira de ver o desporto (…) como prática medial ao serviço do Homem. Visão, por isso, tributária de uma tomada de posição do autor que, em primeiro lugar, significa ruptura com o complexo ideológico que informa o desporto português”…
Max Weber incitava os seus alunos e os seus inúmeros leitores, em Le Savant et le Politique, a “estarmos à altura do quotidiano”. Ora, o que para mim me parece mais evidente, no mundo de hoje, é a relativização dos valores. E porquê? Faço minhas as palavras de Miguel Real, na sua obra Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa (Quidnovi, Maio de 2008), porque 
1. Nada de exterior e transcendente (Deus, Sociedade, Humanidade, Razão, História, Inconsciente, Classe Social…) é superior e determinante, face à consciência singular do sujeito.
2. Nenhum valor em si e nenhuma escala axiológica encontram legitimação universal, fora da sua instauração epocal, social e histórica, ou seja, civilizacional e, por isso, uma consciência individual pode ou não segui-los, sendo sempre legítima, seja seguindo-os, seja não os seguindo.
3. Nenhum código linguístico e nenhuma substância de linguagem podem dar conta da realidade em si, da sua essência, senão fragmentaria e incompletamente; apenas uma fortíssima linguagem emotiva, exterior à razão, como a poesia, subvertendo as conexões semânticas da língua, nos pode aproximar e revelar a essência do homem e do mundo.
4. Nenhum corpo doutrinal (Filosofia, Teologia, Religião, Ciência, Ideologia…) é intrinsecamente capaz de espelhar com realidade o movimento e a substância do Ser.
5. Finalmente, nenhuma acção colectiva ou individual, nenhuma palavra colectiva ou individual são capazes de preencher, senão ilusória e efemeramente, o vazio de absoluto que se instaurou no coração do homem, nestes momentos terminais de uma civilização que, tendo conhecido o paraíso da crença inocente, se oferece hoje a si próprio o inferno de uma aceleração histórica, tão feita de presente fugaz quanto de um futuro sem sentido” (pp, 377/8).
O relativismo axiológico não significa relativismo epistemológico, mas implantação de um fundo agnosticismo na mais funda raiz do nosso ser. Um relativismo onde o “espírito de geometria” prevalece sobre o “espírito de finura”. Onde a quantidade reina e a demagogia se perfila como um dos fatores essenciais do sucesso do relativismo axiológico.
Aprende-se, na fenomenologia: “Toda a consciência é consciência de alguma coisa”. Ou seja, a consciência procura algo ou alguém que não é ela e, portanto lhe é transcendente (no sentido de exterior). Assim, a consciência define-se como intencionalidade. Por outras palavras: qualquer coisa, qualquer pessoa são “fenómenos” para a consciência. O lema do existencialismo: “a existência precede a essência” é assim explicado, precisado por Sartre: ”significa que o homem primeiro existe, descobre-se, surge no mundo e só depois se define. O homem (…) primeiro não é nada. Será apenas depois e será exactamente o que tiver feito de si próprio”. O sujeito sartriano não possui essência, não possui natureza, todo o seu ser radica na ação, na práxis, na criação. Se bem penso, o espaço onde se situa o pensamento de Sartre é o ético ou moral. Vejamos o que ele nos diz, no L’Existentialisme est un Humanisme: “O homem será, antes do mais, aquilo que projectou ser”. E recorrendo ainda ao mesmo livro: portanto, “o homem está condenado a ser livre”. O ser humano é livre e, se é livre, é responsável. Para mim, em Sartre, o ser humano é um sujeito eminentemente ético, por esta razão óbvia: porque se faz, fazendo. Na motricidade humana, que eu defino como “o movimento intencional e solidário da transcendência”, também o atleta, o bailarino, etc. se fazem, fazendo. E, pela transcendência, são projectos que assumem uma situação, para superá-la, ininterruptamente, até ao Absoluto… sempre desejado e sempre inalcançável! Toda a prática desportiva, designadamente a altamente competitiva, vive em êxtase do possível. Conheci um treinador de futebol que me dizia, com as pupilas a destilarem gotas de malícia: “Um jogador profissional de futebol tem de tê-los no sítio. Caso contrário, tem de mudar de profissão”. E sublinhava: “A coragem é das primeiras qualidades, na alta competição. Vê o Maradona? Faz coisas lindas com a bola. Mas leva porrada e não desiste e não se atemoriza. Sem coragem, ele não faria a maioria dos golos que faz”.
Já aqui lembrei a teoria dos três infinitos de Teilhard de Chardin: existe o infinitamente grande dos espaços siderais. Diante deles, cada um de nós nem um grão de areia parece. Mas também existe o infinitamente pequeno dos micro-organismos, que só máquinas potentíssimas podem descortinar. Mas, além de tudo isto, uma outra grandeza se descobre: o infinitamente complexo da consciência humana, com uma nobreza e uma beleza e uma grandeza moral inimagináveis. “Um único ato de amor, notava, com argúcia, Blaise Pascal, vale mais que o universo físico inteiro”. E eu, na sequência de Pascal e de Teilhard de Chardin, costumo dizer: “vale mais uma lágrima humana do que todas as taças e todos os campeonatos do mundo”. Oxalá João Félix aprenda a ser mais homem, no seu novo clube, o Atlético de Madrid, que dele mais não quer do que fazer dele um grande jogador de futebol. Diego Pablo Simeone, o treinador dos colchoneros, afirmou em entrevista à Imprensa: “Historicamente, o Atlético é uma equipa que compra jogadores jovens, para evoluírem. Como aconteceu com o Oblak que, quando chegou, não era o jogador que é hoje. Do João Félix esperamos que seja um rapaz com talento e que possa absorver as nossas ideias. Estamos a trabalhar, no seio do corpo técnico, para criar, para ele, as situações necessárias à sua evolução como jogador de futebol”. No entanto, também de sólida e solidária afectividade é demasiado importante, na evolução de um jogador profissional de futebol, para ser esquecida. Concordo que o futebol seja, para algumas pessoas, cada vez mais, um jogo de números, centrados que estão na análise estatística. Mas nem o futebol (nem o desporto) é matemática tão-só. O Messi é um exemplo a ponderar. “Parece incrível que, 132 jogos depois, Messi continue sem encontrar lugar na selecção” (Valdano, in A Bola, de 2019/6/22). Por falta de tecnologia, ou de ciência físico-matemática, ou de números?... O ser humano distingue-se, pela sua qualidade. Quantitativamente, é um “bicho fraquinho”."

OBJECTIVIDADE E OUTRAS INVENÇÕES


"A ideia de objectividade é muitas vezes usada para impedir que o outro nos contradiga

Objectividade
1. «A minha análise ao jogo é objectiva», eis o que se ouve. A palavra objectividade não sai do centro da linguagem e das discussões. Palavra que parece ser uma espécie de abracadabra. Ser objectivo tornou-se no objectivo. O objectivo de um analista é ser objectivo.
A objectividade tem vários sentidos: por um lado é aquilo a que se quer chegar (o objectivo) e, portanto, reflecte alguém que vai directo ao assunto.
Por outro lado, pessoa objectiva parece ser aquela que não coloca opiniões pessoais a sujar a limpeza da observação pura, aquela que não é influenciada pelo coração, digamos assim, em fala popular.
Mas sejamos claros: não há análise objectiva de um acontecimento humano; tal como, claro, não há análise objectiva de um jogo. E evidentemente não há opinião objectiva. Opinião objectiva é uma contradição nos termos; é até um paradoxo. Divertido.
Objectividade vem de objecto: é assunto, pois, entre objectos, coisas neutras. Subjectividade vem de subjectam, sujeito.
Um objecto assume a sua objectividade, um sujeito a sua subjectividade. E está bem assim. Objectividade há nas ciências exactas, não nas actividades bem humanas.
Na verdade, a ideia de objectividade é muitas vezes usada para impedir que o outro nos contradiga. Quando alguém afirma, de modo assertivo:
O que eu digo é objectivo,
Está, afinal, no fundo, a afirmar:
o que eu digo é verdadeiro, o que eu digo não pode ser contrariado ou não pode receber contra-argumentos.
Em síntese, quando alguém diz:
a minha opinião é objectiva
está a impedir que o outro continue, está a terminar o diálogo.
Pelo contrário, quem afirma:
O que eu digo é subjectivo
está a assumir que há a possibilidade de contraditório, está a permitir a continuação da conversa.
Historicamente, a objectividade esteve muitas vezes ao lado da violência e das ditaduras políticas porque precisamente não permite o contraditório. O poder usa muito a objectividade.

Cinco minutos
2. Há numa frase brutal do cineasta Godard, um dos gigantes do cinema, que, numa entrevista, quando lhe perguntaram sobre a objectividade ou não dos seus filmes, respondeu:
«Objectividade? Objectividade são 5 minutos para Hitler e cinco minutos para os judeus».
Uma frase terrível que simplesmente está a dizer isto: tudo depende do lado em que estás, tudo depende do ponto de vista humano.
A objectividade não é uma questão que diga respeito aos humanos. Mas apenas às máquinas e aos deuses, bons e maus.

A palavra jornalista
3. A palavra jornalista segundo parece, claro, tem origem no francês. A «palavra anglo-francesa jornal, no século XIV, designava um livro que ficava nas igrejas, no qual se faziam registros dos serviços ali prestados» (Gabriel Perissé). No século XVI, jornal, «era um livro usado no comércio para registro de operações de compra e venda». Mais tarde, jornal recebeu o significado de diário, relato do dia individual.
Neste sentido, um jornalista que trabalhe num jornal semanal ou numa revista mensal pode ser considerado uma contradição e ir contra a velha origem da palavra. Alternativa para jornalista que trabalha com outros tempos que não as vinte e quatro horas: semanista, mensalista, enfim as opções são péssimas. Fiquemos com jornalista.
A jorna é o dia de trabalho. Jornalista, neste sentido, seria aquele que relata o dia de trabalho de outros. Mas não se confunda isso com o homem preguiçoso; o jornalista, etimologicamente, é aquele cujo o trabalho era relatar a jorna; a sua jorna seria o relato da jorna.

O que fazer?
4. Um jornalista deve ser objectivo? Não, um jornalista deve tentar usar a sua subjectividade mais verdadeira. E é só. Um jornalista deve, no fundo, ser um sujeito sério. E isso é já imenso. É o imenso a que um humano pode chegar.
Mas, claro, tudo isto é um pouco subjectivo."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

O CASO YEDLIN


"O Regulamento da FIFA sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores (RSTP) obriga - para além da compensação por formação, em certos casos - ao pagamento de uma taxa ao abrigo do mecanismo de solidariedade, sempre que um jogador é transferido para outro clube antes no final do seu contrato, e essa transferência envolveu a mudança para outra federação.
A Federação dos EUA não implementa, em toda a linha, o RSTP, porquanto é entendido que o mecanismo de solidariedade, tal como ele está previsto nas regras da FIFA, pode colocar em causa as regras da concorrência em vigor nos Estados Unidos, entre outros argumentos.
Assim, quando Yedlin foi transferido dos Seattle Sounders para o Tottenham Hotspur, este último clube contactou o Crossfire Premier - clube onde o jogador tinha treinado enquanto jovem - para lhe pagar o valor correspondente ao mecanismo de solidariedade. O valor acabou por ser entregue à Liga norte-americana - a MLS. O Crossfire levou o caso à Câmara de Resolução de Disputas (DRC) da FIFA, que decidiu recentemente, rejeitando a queixa do clube.
O DRC diz, em primeiro lugar,que o clube tinha direito a receber pagamentos de solidariedade. Porém, rejeita o pedido em que o Tottenham já havia pago o valor total da taxa de transferência à MLS, conforme indicações da própria MLS e da Federação norte-americana, tendo assim agido de boa-fé.
A decisão tem outros elementos relevantes para esta importante discussão sobre a aplicabilidade dos Regulamentos da FIFA pelas várias federações nacionais, podendo fundamentar uma revisão da situação dos pagamentos referentes ao mecanismos de solidariedade nos EUA."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

CAMPEÃS!


FUTEBOL FEMININO: BENFICA É CAMPEÃO DA II DIVISÃO!
FUTEBOL FEMININO
O empate (0-0) com o SC Braga B na 2.ª mão da final não comprometeu as aspirações do Benfica, que soma mais um troféu em época de estreia.
Está alcançado o terceiro objetivo da época de estreia da equipa de futebol feminino do Benfica. Vencida a Taça de Portugal e garantida a subida ao escalão máximo, as encarnadas empataram (0-0), neste domingo, com o SC Braga B, consumando a conquista do título nacional da II Divisão.
Foi com uma vantagem de nove golos (depois do 0-9 na 1.ª mão desta final) que o Benfica – sem Geyse e Tayla, que se encontram ao serviço da seleção brasileira – subiu ao relvado do Estádio da Tapadinha, que, apesar da chuva, se compôs para assistir àquele que foi o encerrar da época com chave de ouro para a formação encarnada.
Ainda antes do apito inicial, oportunidade para homenagear Rilany Silva, que, aos 32 anos, colocou, neste domingo, um ponto final na carreira como futebolista.
Os primeiros 20 minutos de jogo não revelaram grandes oportunidades. Cientes da qualidade do conjunto encarnado, as jogadoras bracarenses iam tentando fazer-se valer de alguma agressividade para travar as investidas adversárias.
O primeiro lance de algum perigo só surgiu aos 21’. Boa iniciativa de Yasmim a ganhar vantagem sobre a esquerda e a rematar para a defesa segura de Babi Marques.
[INTERVALO: 0-0] Após 45 minutos sem oportunidades de golo declaradas, as equipas recolheram ao balneário em igualdade. De um lado um Benfica – que, ao longo da temporada, não teve um único empate – com iniciativa de jogo, ainda que sem dar muito trabalho a Babi Marques; do outro um SC Braga B empenhado na defesa.
No segundo tempo, entrou forte o Benfica, a ameaçar, desde cedo, as redes da baliza de Babi. Aos 57’, esteve muito perto o primeiro golo. Na cobrança de um canto, Yasmim colocou a bola na área, obrigando a guarda-redes bracarense a aplicar-se. O esférico sobrou para Raquel Infante, que, na recarga, desperdiçou com um remate por cima da baliza.
Apesar dos – vários – lances de perigo, parecia faltar inspiração à equipa encarnada, perante um SC Braga B que se mostrou atrevido nos últimos minutos do encontro.
No último dos 4 minutos extra dados pela equipa de arbitragem, Darlene marcou, mas fê-lo numa altura em que a árbitra Sofia Gama já tinha assinalado falta de Evy Pereira sobre Lau Machado.
[RESULTADO FINAL: 0-0] O nulo prevaleceu até ao apito final de Sofia Gama. O Benfica registava o primeiro empate da época e o primeiro jogo a zeros. Um resultado inesperado, mas que não comprometia as aspirações da equipa benfiquista, que soma mais um troféu em época de estreia: o título nacional da II Divisão.
Onze do Benfica: Dani Neuhaus, Daiane Rodrigues, Sílvia Rebelo, Raquel Infante, Yasmim Ribeiro, Pauleta, Patrícia Llanos (71' Carlota Cristo), Ana Vitória (31' Andreia Faria), Diva Meira (31' Rilany Silva), Evy Pereira e Darlene.
Suplentes não utilizadas: Catarina Bajanca, Pipa, Inês Queiroga e Tita.
"Na nova época, os objetivos mantêm-se: ganhar"
Fernando Tavares (vice-presidente do Benfica): “É um sentimento de grande satisfação. A época foi concluída com todos os objetivos cumpridos e agora é começar já a preparar o próximo ano. Os objetivos mantêm-se: ganhar. Tudo faremos para ganhar todas as competições onde estaremos inseridos.”
João Marques (treinador): “É um momento de alegria e satisfação acima de tudo por estas jogadoras e por tudo aquilo que fizeram desde o primeiro dia. Mais do que ninguém, elas merecem. Quero dar também uma palavra de apreço a estes adeptos que nos têm apoiado desde o primeiro momento. Satisfeito pelo nosso Presidente Luís Filipe Vieira me ter dado esta oportunidade de treinar esta equipa. Foi uma honra. Saio desta época com o sentimento de dever cumprido, atingi todas as metas que foram propostas.”
Darlene Sousa (capitã): “É sempre um momento emocionante e feliz estar, mais uma vez, a erguer uma taça importante para o Benfica, agora é descansar. Capitanear esta equipa foi muito bom.”
Sílvia Rebelo (defesa): “É um sentimento de orgulho. Esta equipa merecia por todo o trabalho que fez durante a época, e é também um presente para os nossos adeptos que nunca nos deixaram. Tínhamos noção do valor da nossa equipa, sabíamos o quanto tínhamos trabalhado para estar aqui. Este momento é fantástico.”
Dani Neuhaus (guarda-redes): “É muito bom poder ganhar em casa e mais uma vez frente ao SC Braga B, tem um sabor especial, mas sem dúvida que é um ano para ficar para a história. Só tenho de agradecer ao Benfica pela estrutura que montou, apostou verdadeiramente no futebol feminino. Agradeço também a todos os adeptos, que fazem a diferença. É uma honra vestir esta camisola.”
Carlota Cristo (avançada): “Foi uma época incrível, conseguimos conquistar todos os objetivos. Estamos muito felizes e agora é hora de festejar.”
Yasmim (defesa): “O Benfica é o maior de Portugal. Trabalhámos o ano inteiro para podermos chegar a estes títulos. Queremos agradecer a todos os adeptos que compareceram. Para a próxima época o pensamento continua a ser o mesmo: chegar o mais longe possível e poder ganhar tudo.”
Ana Lopes "Tita" (defesa): “Alegria, orgulho e privilégio. Quero agradecer aos nossos adeptos, que estiveram sempre connosco, sem eles isto não era possível. Somos uma equipa. Não há estrangeiras, somos todas Benfiquistas, acima de tudo. Quem não era ficou a conhecer o valor e a grandeza do Benfica.”

JUVENIS GOLEIAM EM GUIMARÃES


JUVENIS MOSTRAM A SUA FORÇA
FUTEBOL
Já Campeão Nacional, o Benfica goleou na deslocação ao terreno do V. Guimarães na 9.ª jornada da 3.ª fase.
O Campeão Nacional Benfica visitou o Campo n.º 5 do Complexo Desportivo Dr. António Pimenta Machado, na 9.ª jornada da 3.ª fase do Campeonato de Juvenis, e impôs as virtudes do seu futebol, construindo um triunfo por 1-5 perante o Vitória de Guimarães.
Justificando as credenciais conferidas pelo título nacional matematicamente selado no dia 16 de junho – o segundo consecutivo, facto que atribui à equipa benfiquista o estatuto de bicampeã –, as águias venceram sem margem para discussão no terreno do adversário minhoto.

Com 28 golos marcados e apenas seis sofridos na 3.ª fase do Campeonato (de apuramento de campeão), o Benfica tem o melhor ataque e a melhor defesa da competição.
O Campeonato termina no dia 30 de junho (domingo). Na 10.ª jornada, o Benfica recebe o FC Porto às 11h00 no Campo n.º 1 do Caixa Futebol Campus.
CLASSIFICAÇÃO 3.ª FASE – APURAMENTO DE CAMPEÃO
Posição Equipa                   Jogos Pontos Golos
1.º         SL Benfica                9         25      28-6
2.º         FC Porto                   9         18      14-14
3.º         Sporting CP              9         14      19-13
4.º         SC Braga                  9        12       13-16
5.º         CF Os Belenenses   9          4         9-17
6.º         V. Guimarães            9          4        11-28

SONDAGEM: FC PORTO CONDENADO COM JUSTIÇA


CLUBE
Mais de metade dos portugueses inquiridos num estudo do "CM" e da Aximage concorda com a decisão judicial de castigar o clube portuense pela divulgação ilegítima de emails do SL Benfica. Um em cada três portistas aprova o veredicto.
A decisão judicial que condenou o FC Porto por divulgação ilícita de emails do Sport Lisboa e Benfica merece a aprovação de mais de metade dos portugueses inquiridos num estudo do "Correio da Manhã" e da empresa Aximage publicado neste domingo por aquele generalista.
Os resultados desta sondagem são claros: 55% das pessoas a quem foi colocada a questão entende que a condenação do FC Porto e do seu diretor de comunicação, Francisco J. Marques, pelos atos de divulgação ilegítima de emails do SL Benfica configura uma deliberação acertada por parte da Justiça.

SONDAGEM: condenação do FC Porto
FOI JUSTA FOI INJUSTA SEM OPINIÃO
55% 27% 18%
Indo ao detalhe: se os adeptos do Benfica inquiridos são esmagadores no sentido da resposta perante a pergunta sobre o cariz da decisão judicial neste processo (78% aplaudem o veredicto), sobressai também como facto relevante, no contexto da sondagem publicada, que 33% dos adeptos do FC Porto auscultados consideram que foi justa a decisão do juiz. "Ou seja, um em cada três simpatizantes do emblema do Dragão concorda com a condenação", constata-se na notícia do "CM".
POR PREFERÊNCIA CLUBÍSTICA
CLUBE             FOI JUSTA FOI INJUSTA SEM OPINIÃO
Benfica                   78%          11%                11%
FC Porto                 33%          49%               18%
Sporting                  45%          37%               18%
Outro/Nenhum        30%          32%               38%

PRIMEIRAS PÁGINAS


sábado, 22 de junho de 2019

O SARILHO QUE VIEIRA ARRANJOU AOS OUTROS


Se é verdade que um clube estrangeiro bateu os 120 milhões da cláusula do João Félix, se é verdade que o presidente não vendeu o jogador por 1 cêntimo a menos do que estava estipulado, é então caso para se dizer que não havia coisa pior que pudesse ter acontecido aos presidentes dos dois clubes rivais. Agora, e por uma adivinhável questão de autoestima, vão as massas adeptas do Sporting e FC do Porto exigir a Frederico Varandas e a Pinto da Costa que nenhum jogador dos seus seja vendido abaixo da respetiva cláusula de rescisão. Os fãs do Sporting e do FC Porto não vão perdoar descontos forçados pelas circunstâncias que, como é do dmínio público, são dominadas pela lei da oferta e da procura. E, justamente, foi este o sarilho maior que Luís Filipe Vieira arranjou aos seus congéneres de Alvadade e do Dragão. Com que cara enfrentará Frederico Varandas os sócios do Sporting se for forçado, pelas tais circunstâncias, a vender Bruno Fernandes abaixo dos 100 milhões de euros que constam na cláusula de rescisão? E, depois de ver partir Brahimi e Herrera a lucro zero, com que face se apresentará Pinto da Costa perante os sócios do FC Porto se as circunstâncias o obrigarem a vender Alex Telles abaixo dos 40 milhões de euros convencionados na cláusula de rescisão do jogador brasileiro? E até onde irá a paciência dos jogadores cobiçados e dos emblemas que pretendem adquirir os seus serviços? Os 120 milhões que o Benfica se prepara para receber pela transferência de João Félix moem muito o ânimo dos seus rivais diretos porque lhes tornam, pelos próximos tempos, desfavoráveis todas as comparações no negócio de vender jogadores aos estrangeiros. Como se não bastasse, , as ações do clube dispararam na Bolsa de Lisboa, continuando assim este feito mercantil de proporções inauditas a moer o ânimo dos rivais internos do Benfica porque isto também conta. Já para não falar dos 120 milhões propriamente ditos. Michel Platini foi levado para a cadeia a contas com uma suspeita de corrupção na entrega do Mundial de 2022 ao Qatar. Platini é acusado de ter recebido contrapartidas indevidas a troco de votos na candidatura do Qatar. O advogado de Platini é o mesmo advogado de Rui Pinto, o hacker. O mundo é muito pequeno. É a única explicação plausível. O telefonema de presidente do FC Porto para um programa transmitido no Porto Canal onde se debatiam questões prementes do futebol da casa foi um momento bastante constrangedor. Audivelmente abatido, Pinto da Costa exortou os profissionais do canal oficial a não darem importância ao que um determinado jornal - o "Correio da Manhã" - publica sobre o clube e terminou voluntariando-se para ir à CMTV, presume-se, pôr tudo em pratos limpos. É assim, aos ziguezagues, que anda a comunicação do FC  Porto.

Leonor Pinhão, in Record

JOÃO FÉLIX


"Supostamente o presente artigo deveria incidir sobre a parte II da sentença que condenou o Futebol Clube do Porto, a SAD do Futebol Clube do Porto, Futebol Clube do porto Media S.A. e Francisco J. Marques. No entanto, como o artigo é semanal, muitos acontecimentos existiram durante a semana e é impossível por ora, continuar a escrever sobre o tema.
Um dos acontecimentos que se nos atravessou no nosso dia a dia, foi a venda de João Félix ao Atlético de Madrid.
No momento e que escrevo este artigo ainda não está concretizada e transferência de João Félix para o Atlético de Madrid, mas viajemos pelo campo da hipóteses.
O jornal o Record publicou no dia 18/6/2019, (...)
Se analisarmos pela perspectiva dos clubes compradores, quer na internacional, que na nacional os clubes compradores pertencem sempre ao mesmo grupo.
São clubes como Atlético de Madrid, Mónaco, Manchester City, Zenit, PSG, Barcelona e Wolverhampton.
Se a transferência se concretizar, será (?) a 4.ª maior transferência de sempre em termos internacionais e constituirá o dobro da anterior maior transferência nacional, que foi a de Hulk para o Zenit em 2012 por 60 milhões de euros.
Mas este quadro estará certo?
Desde logo não relevamos no presente estudo uma análise criteriosa das comissões envolvidas, dos custos inerentes às transferências, das variáveis potenciais e efectivas de cada transferência, o que em termos reais e concretos poderá influenciar o quatro apresentado.
Mas a verdade é que o quadro retirado do celebérrimo jornal o Record, não está correcto.
Se consultarmos as contas da Porto SAD de 2012/2013, constatamos quanto a Hulk o seguinte:
Alienação dos direitos de inscrição desportiva do jogador Hulk, ao Zenit St. Petersbourg, pelo montante de 40.000.000 de euros, que gerou uma mais valia de, aproximadamente 23.871.000 euros, após dedução: (i) do efeito da actualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas por estas transacções, no montante de, aproximadamente, 2.040.000 Euros; (ii) do valor líquido contabilístico do passe à data da alienação, no montante de, aproximadamente, 16.402.000 euros; e acréscimo (iii) de anulação de prémios de fidelidade e de comissões no montante de, aproximadamente, 2.313.000 euros. Foram 40 milhões ilíquidos e não 60.
Também com referência a James Rodriguez, constatamos nas mesmas contas o seguinte:
Alienação dos direitos do inscrição desportiva do jogador James Rodriguez ao AS Mónaco, pelo montante de 45.000.000 de euros, que gerou uma mais-valia de, aproximadamente, 25.757.000 euros, após dedução: (i) custos com serviços de intermediação no montante de 4.383.238 euros prestados pela entidade Gestifute; (ii) da proporção no valor de venda do passe detidas pela Orel (10%) no montante de 3.945.814 euros; (iii) de responsabilidades com o mecanismo de solidariedade no montante aproximado de 1.158.000 euros; e (iv) do valor líquido contabilístico do passe à data da alienação, no montante de, aproximadamente, 9.755.000 euros. Este está certo.
Mas já com referência a Mangala constatamos na mesmas contas o seguinte:
Alienação dos direitos de inscrição desportiva do jogador Mangala ao Manchester City, pelo montante de 30.503.590 euros, que gerou uma mais-valia de 22.806.942 euros, após dedução do valor global de 11.073.331 euros relativo a: (i) efeito da actualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas por estas transacções; (ii) responsabilidades com o mecanismo de solidariedade; (iii) custos com serviços de intermediação prestados pela Gestifute - Gestão de carreiras de Profissionais Desportivos S.A.; (iv) valores a pagar ao jogador a título de indemnização; (v) do valor líquido contabilístico do passe à data da alienação. Adicionalmente, o clube comprador assumiu a obrigação de pagar directamente à Doyen a proporção que esta entidade detinha sobre os direitos económicos do jogador pelo que o passivo reconhecido na rubrica de 'Outros Credores' em 30 de Junho de 2014, no montante de 3.376.684 euros, foi revertido e reconhecido no cálculo da mais-valia. Está errado!
Já quanto a Witsel consultando o relatório consolidado da Benfica SAD do ano de 2012/2013, verificamos que o mesmo foi efectivamente alienado pelo valor de 40 milhões.
Aqui chegados pergunta-se:
Qual a razão pela qual o jornal o Record inflacionou o valor das vendas de jogadores do Porto?
Mas há algo que é indiscutível. Se a transferência se realizar por 120 milhões, então estamos perante 1/5 do volume de negócios da Liga Portugal.
Impressionante!!

Pragal Colaço, in O Benfica

JOÃO FÉLIX: A NOVELA DO VERÃO


"Contactei a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) por uma questão de segurança e confirmei aquilo que suspeitava: não me será aplicada qualquer coima se o tema desta crónica não for o João Félix. Ao longo das últimas semanas fiquei convencido da existência de uma lei que obrigava os media a analisarem ao pormenor todos os passos dados pelo João, daí o meu receio. Afinal não existe nenhuma lei, é mesmo obsessão. Se as televisões passassem aquele golo no Dragão em loop até seria agradável, mas para ver alguém em tronco nu a bronzear na praia, então prefiro navegar no Instagram. A minha avó já mal se lembra do nome de alguns netos, mas sabe que o João Félix esteve de férias em Ibiza. Esta novela adquiriu uma dimensão descomunal e há quem questione a capacidade do João para ligar com a pressão? Deixemo-nos de brincadeiras. Pressão de quê? Brilhar no relvado? Marcar golos ao SCP com 18 anos e ao FCP com 19 qualquer um faz. Por acaso até nem me estou a lembrar de mais ninguém que tenha conseguido, mas não é assim tão difícil. Pressão senti eu ainda mais novo, que aos 16 tinha de conseguir aceder à galeria de fotografias do telemóvel durante os exames sem os professores darem conta. À hora a que escrevo este artigo ainda não se conhece o futuro do João, mas os adeptos já manifestaram posições diversas. Os benfiquistas estão desanimados pela eventual transferência, os portistas esfregam as mãos de alegria. Ao que parece, o FCP pode amealhar 1,2M com este negócio devido aos direitos de formação. Não é nenhuma fortuna, mas compreendo o entusiasmo: o Herrera e o Brahimi não vão render tanto dinheiro juntos."

Pedro Soares, in O Benfica