sexta-feira, 30 de agosto de 2019

SEGUNDA BOLA - BTV - 26 AGOSTO 2019

                                           

domingo, 25 de agosto de 2019

PRIMEIRAS PÁGINAS


UM AZAR DO KRALJ


O Benfica foi comido de cebolada, carpaccio, como melão fatiado enfiado goela abaixo. Talvez seja bom chamar o Nhaga (Um Azar do Kralj)
Vasco Mendonça era, até agora, um desconhecido fã de alta culinária. O jogo com o FC Porto de sábado alterou tudo. Esta é a análise amargurada de um benfiquista.
VLACHODIMOS
Fala-se muito do jogo de pés de Vlachodimos, mas fica difícil criticar quando o guarda-redes é um dos jogadores que acerta mais passes. Fora isso, evitou uma goleada.

NUNO TAVARES
Acho que se visse o André Almeida neste momento dava-lhe um abraço e começava a chorar convulsivamente.
RÚBEN DIAS
Ao contrário de Pizzi, apareceu bem na manobra da equipa, mas confundiu-se e assistiu o adversário para o segundo golo. Erros à parte, pareceu dos mais incomodados.
FERRO
A maior parte das pessoas desconhece este facto, mas existem seis variedades de melão. Por exemplo, os benfiquistas são especialistas numa variedade cultivada por sucessivas equipas do FCP ao longo dos últimos anos. Comemo-lo como calha: às fatias, às vezes cortadas em pequenos cubos, outras vezes são-nos enfiadas inteiras pela goela abaixo. Chega a dar a sensação de que apreciamos o fruto, tal é a frequência com que o degustamos.
GRIMALDO
Chegou-se à frente como sério candidato ao lugar de suplente, que até aqui parecia reservado para Nuno Tavares. Agora só falta saber quem será o titular.
FLORENTINO
Acompanhou bem com cebolada.
SAMARIS
Infelizmente foi servido em carpaccio aos centrocampistas e atacantes do FC Porto, que saborearam e pediram para repetir, mesmo sabendo que era só a entrada. Depois admiram-se que o Marega engorde.
PIZZI
Se alguém o vir por favor entre em contacto com os muitos familiares e amigos que desconhecem o seu paradeiro.
RAFA
Caçaram-no e bem. Há que admiti-lo. Foi ver o Pepe já no balneário a tirar fotos com a carcaça do Rafa, qual caçador de espécies supostamente protegidas.
RDT
Eu começaria por alterar o nome da camisola para um simples Raul. O resto logo se vê. Talvez seja necessário voltar a chamar o Nhaga.
SEFEROVIC
Já este nem com um bruxo vai ao sítio.
TAARABT
Até o Taarabt compreenderá que alguma coisa está mal quando ele é o único jogador esclarecido na sua equipa. Esqueçam as bebedeiras. Aqueles pés estão mais do que reabilitados para a sociedade. Neste momento justifica a titularidade.
CHIQUINHO
Entrou para ocupar o espaço entre linhas e dotar a equipa de novas formas de ser comida pelo adversário. Bem, pelo menos foi isso que eu vi. Não obstante, merece mais minutos.
Vinicius
Entrou numa fase da partida em que muitos adeptos já tinham percorrido várias estações da linha azul rumo à depressão que os aguardava no lar, pelo que mais não se podia pedir.
Um Azar do Kralj, in Tribuna Expresso

PORTO VENCE CLÁSSICO NA LUZ


Supondo e ficando-nos, por momentos, no mundo das coisas hipotéticas, ver um treinador a optar por colocar a lateral direito um jogador que, no bilhete de identidade, tem extremo escrito à frente da profissão e, em campo, se comporta como as fintas e o drible fossem um vício irremediável a correr-lhe nas veias e injetar um pouco de parcimónia um veneno, faria-nos pensar em risco. Em que ele se estaria a pôr a jeito para algo correr mal.
É certo, sabido, vulgarizado, há muito tornado lugar-comum e comentado na televisão que, no futebol, é assim: pensar-se que o risco é muito arriscado para quem o comete porque pode gerar consequências más. E, fazendo o fast-forward, seria comum pensar que as hipóteses de consequências boas para o FC Porto aparecerem por o lateral direito ser o extremo Jesús Corona é como se não existissem.
Afinal, é da esquerda do ataque do Benfica, o defendido pelo mexicano mais habituado a atacar e ter que se concentrar sem a bola uns bons 40 metros mais à frente, que ia partir Rafa, o mais perigoso, rápido e vertical extremo em Portugal a conduzir transições em velocidade e sempre rumo à baliza. Projetar Corona como seria inevitável que ele o fizesse era descompensar a equipa, vagar muitos metros de relva, expor o FC Porto a contra-ataques.
Ou, obrigar Rafa a comprometer-se sem a bola e a fixá-lo tão dentro do meio campo do Benfica, a defender, que isso retiraria à equipa mais eficaz do campeonato no ataque à baliza, pós-recuperação de bola, o tipo em quem mais dependem quando o querem fazer.

Foi, sobretudo, este risco a limitar o Benfica durante uma parte. Cada vez que a equipa recuperou bolas - e a maioria apareceu em campo próprio -, Rafa estava perto da área errada, de costas para a certa, quase encostado a Grimaldo e rodeado por jogadores do FC Porto. Nem sempre Danilo ou Uribe compensavam a posição de Corona, à direita, mas quem para lá ia dar a opção lógica de saída rápida para o Benfica era o pouco ágil Seferovic, que Pepe anulava.
Com bola, o par de médios portista mantinha-se ao centro, muitas vezes alinhados, onde centravam as atenções de Florentino e Samaris, davam-lhes referências de pressão e faziam com que eles não virassem a cabeça para verem Romário Baró a pedir a bolas nas suas costas. O ex-júnior das rastas na cabeça fugia, quase sempre, da direita, onde apenas ficava quando o FC Porto defendia em 4-4-2 as poucas posses de bola em que o Benfica foi capaz de tentar sair em ataque calmo e organizado.
Ele deu tabelas ao meio, fartou-se de criar dúvidas aos centrais (entre o ir apertar ou ficar na linha) e recebeu para ligar o jogo a Luis Díaz, que caía sobre o pé trocado de Nuno Tavares enquanto Marega fixava Grimaldo e Zé Luís jogava no espaço entre Ferro e Rúben Dias.
O 1-0 apareceu (22’) porque o segundo central cabeceou contra as costas do primeiro, num canto, e o avançado cabo-verdiano rematou a sobra disparatada. Mas Zé Luís finalizou um contra-ataque contra Vlachodimos depois de Nuno Tavares se condenar a uma perda de bola, por se limitar a uma opção de passe ao receber sempre para o lado do pé preferido. Baró rematou em jeito à entrada da área. Marega tirou dois cruzamentos tensos e rasteiros que ameaçaram.
E o Benfica, não conseguindo sair pela via automática que é Rafa, sofreu com a pressão alta contrária. A construção de Grimaldo não saía, porque essa pressão era muito virada para o obrigar a decidir rápido e tentar levar a bola a ser filtrada pelo outro lado, o mais previsível e fácil de contrariar. A equipa não tinha a bola tempo suficiente para Pizzi ter jogadores perto, para se associar, então batia longo tudo o que lhe chegava. De Tomás aparecia só para ganhar faltas e tempo.
Não rematou à baliza até ao intervalo e o risco do FC Porto, portanto, só tinha consequências más para o Benfica.
A forma de a equipa de Bruno Lage lidar com os problemas ficou condicionada, logo, pela lesão de Samaris, que fez Taarabt ter 45 minutos em que teve, mais de metade do tempo, a sofrer como todos tinham sofrido: Pizzi nunca apareceu no jogo interior e só participava para cruzar a bola, Florentino já nem se virava para o jogo, com bola, quiçá temendo a pressão; e Rafa, mesmo já não acompanhando tanto Corona, só conseguiu arrancar um par de vezes para, nos últimos 30 metros, Pepe o anular com desarmes nas coberturas.
O FC Porto contrariou, ainda com maior sucesso, as saídas de bola do Benfica - Marega a cortar a linha para Grimaldo, Zé Luís a colar-se nas receções de Florentino - e levou o jogo para Nuno Tavares, que somou passes errados e corridas com bola desastradas. Danilo raramente falhou em tudo o que tentou fazer. Uribe acompanhou-o sempre bem na reação às perdas de bola.
Em bloco, os portistas continuaram a anular o Benfica, obrigando-o a ter as bolas longas como primeira solução e não último recurso até à entrada nos últimos 20 minutos, quando o autor do golo e Baró saíram, quem vestia de encarnado apenas vivia da luta pelas segundas bolas a meio campo.
A maneira que o Benfica teve de, também, injetar risco no seu jogo foi avançar a linha defensiva, aproximá-la da linha de metade do campo, deixar o trinco mais na frente dos centrais e deixar os laterais avançarem no campo do FC Porto, em simultâneo. Taarabt fixou-se mais perto de Grimaldo, com quem era mais fácil atrair pressão, evadi-la e variar a bola para fora dali.
O marroquino, mesmo sem o alcance e rapidez em bola longa de Gabriel, foi capaz de colocar a bola em Pizzi com o português mais perto da área. Ele cruzou mais vezes, com mais alvos presentes na área, a presença do Benfica nessas redondezas cresceu, mas sem que alguém ficasse com bolas para rematar. O risco deu-lhes um pouco de avanço territorial, mas houve consequências más, que tem a ver com o facto de ter sido Marega a ficar em campo e não Zé Luís.
O potente e explosivo sprinter, com mais metros entre a linha de quatro do Benfica e Vlachodimos, esperou por bolas para galopar na profundidade. A primeira, dada por Soares, deixou-o com 25 metros de ninguém e cinco segundos à-vontade para correr, espaço e tempo que o deixaram abrandar e não acertar com a bola na baliza. A segunda, vinda de Corona, pediu-lhe para acelerar com Ferro por perto e, tendo que pensar e executar em velocidade, fez o 2-0 bater no poste (86’) antes de entrar.
Ainda faltava o relógio andar, mas, se não acabava com o resultado, o FC Porto fechava a vitória. Antes, já Luis Díaz rematar um míssil em drop, caído da casualidade de um ressalto após uma bola longa. Depois, o Benfica teve o primeiro remate perigoso do jogo, só aos 90’, e ainda teve uma bola dentro da baliza, anulada por fora-de-jogo quando já jogava com menos um - Chiquinho lesionou-se sem mais substituições para Bruno Lage tentar remediar o que não consertou durante hora e meia.
O clássico terminou com um minuto e 30 segundos de posse de bola portista, facto redutor porque foram ene passes trocados já nos descontos, perseguidos por jogadores do Benfica moribundos, mas evidência, também, que serve de prova final de como Sérgio Conceição e o FC Porto controlaram o adversário, anulando o que de mais forte tem.
Eles asfixiaram o raio de ação de Florentino-Samaris, criaram superioridade de números na zona dos médios, retiraram Grimaldo do jogo atacante, absorveram Rafa para o defensivo, obrigaram Nuno Tavares a tocar mais na bola do que desejaria, naquele lado do campo e, depois, envolveram Romário Baró entrelinhas, deram bolas aos avançados e conseguiram que as ações de Luis Díaz, em posse, fossem o colombiano a ir contra só um adversário (e a ganhar quase todos os duelos).
O Benfica não gerou jogo, criou nenhuma oportunidade de golo. A relação entre o que fez em campo e o que isso lhe valeu em hipótese esperadas para marcar, métrica conhecida por expected goals (xG), já não era tão reduzida, em jogos contra o FC Porto, desde o início de 2017/18.
Há muito tempo que o Benfica de Bruno Lage não jogava tão pouco. Há muito que o FC Porto não rendia tanto em clássicos - e uma das explicações deste desbalanço esteve nos proveitos que se podem retirar (e pensar, e valorizar e focar) quando se arrisca.

sábado, 24 de agosto de 2019

INÚTIL INVENTAR FAVORITISMO


"Uma vitória do Benfica era muito boa, para o Sporting mudava a crise de latitude e daria paz para um emblema em depressão

O Benfica venceu no Jamor o Belenenses num jogo tradicionalmente difícil, com uma arbitragem tradicionalmente adversa e um relvado tradicionalmente impraticável. A escorregadela do Rúben não foi suficiente para o Benfica escorregar e a troca de pés do Nuno Tavares não trocou as voltas ao destino de vitória.
Foi uma vitória importante, muito justa dum Benfica que ainda vai melhorar para ficar mais perto das ambições de Bruno Lage. Gostei bastante do jogo contra o Belenenses porque senti o Benfica muito comprometido com a vitória, muito focado no objectivo onde nem os penáltis por marcar e os golos mal anulados desviaram a equipa da rota.
Mais uma bela resposta com a entrada de Chiquinho, hoje não restam dúvidas nos adeptos sobre o acerto e utilidade desta contratação. Ficam os avisos de um campeonato com um início atípico, onde qualquer conclusão arrisca-se a ser precipitada. No nosso futebol, longo prazo tem três dias.
O Benfica - Porto de amanhã não decide nada mas marcará o ambiente futebolístico do próximo mês. Uma vitória do Benfica era muito boa, para o Sporting mudava a crise de latitude e daria paz para um emblema em depressão.
Uma vitória do Porto enchia os Aliados e ninguém notava se houvesse desconto de receitas futuras. Para os adeptos o futebol é momento, para dirigentes competentes tem que ser mais qualquer coisa.
Os adeptos só olham para os números da tabela classificativa, aos dirigentes exige-se que vejam outros números, aqueles que asseguram a continuidade dos emblemas. Um clássico é sempre um jogo de tripla, qualquer resultado é possível e é tarefa inútil inventar favoritismo ou vantagens. Neste momento a única realidade palpável e de relevo são os três pontos a mais na tabela classificativa.
Impossível parece ser a tarefa de Frederico Varandas. Os adeptos pedem-lhe para segurar Bruno Fernandes, mesmo vendendo outros jogadores menos determinantes mas na primeira tentativa do presidente de cumprir este objectivo caem-lhe em cima sem misericórdia.
Nem era suposto ser eu a defender o presidente leonino, mas reconheço que assim é impossível governar uma casa que não aceita governo. Agora é que eu percebo aquela idade antiga que «o Sporting é um clube diferente»."

Sílvio Cervan, in A Bola

PRIMEIRAS PÁGINAS


JOGO LIMPO - BTV - 23 AGOSTO 2019

                                           

1 SEMANA DO MELHOR - BTV - 23 AGOSTO 2019

                                           

AQUECIMENTO - BTV - 22 AGOSTO 2019

                                           

AS LANÇAS APONTADAS - BTV - 21 AGOSTO 2019