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quinta-feira, 12 de julho de 2012

FUTSAL - PAULO FERNANDES;QUEREMOS MANTER CICLO DOURADO EM PORTUGAL


«Queremos manter o ciclo dourado e ganhar tudo em Portugal» - Paulo Fernandes


Já passaram duas semanas desde que o Benfica conquistou o campeonato e alcançou o triplete. Já se apercebeu da importância do feito?
-Tive consciência assim que o quinto jogo terminou. O campeonato era algo que o Benfica perseguia há três anos e, depois de na época anterior termos perdido tudo, esta temporada acabou por ser perfeita. Na gloriosa história do Benfica, o triplete só por uma vez tinha sido alcançado. Igualar esse registo é magnifico e deixa-me tremendamente orgulhoso.
- Já ganhou inúmeros títulos na sua carreira. Este foi o mais saboroso?
-Foi, sem dúvida. Assim que o jogo terminou extravasei a felicidade como nunca o tinha feito. E fi-lo, acima de tudo, porque sei os sacrifícios que todos os que fazem parte deste fantástico grupo passaram. Foi a vitória do sacrifício e isso não tem preço.
- Em 2011 terminou a temporada sem qualquer título, este ano ganhou tudo. O que mudou de uma época para a outra?
-A maior parte das pessoas não tem noção do que é a pressão de estar no Benfica e não ganhar nada. E essa pressão passa para treinadores e jogadores. Não é fácil chegar a um clube e, além de conquistar títulos, operar a renovação do plantel. Foi o que aconteceu no último ano. Mudámos o grupo, jogámos bom futsal, mas nos momentos decisivos fraquejámos. Esta temporada conseguimos criar uma atmosfera de vitórias, capacidade de sofrimento incomum e construímos uma equipa que já sabe o que é ganhar títulos. Sinto que agora estão criadas as condições para garantirmos a hegemonia no futsal nacional.
- Mas como é que o Paulo Fernandes, treinador vindo do Sporting que termina a primeira época no Benfica sem ganhar nada, conquista o apoio dos adeptos?
-Com resultados. É a única forma. A vitória na Supertaça com o Sporting, em agosto, foi o ponto de viragem. Foi o virar da página para mostrarmos que podiam acreditar em nós. Não no Paulo Fernandes, mas em toda a equipa. Mas confesso que se o resultado tivesse sido outro não sei que efeito teria para o resto da temporada.
- Mais tarde ganhou a Taça de Portugal, chegou à final do campeonato, goleou no primeiro jogo mas esteve quase a perder o título. Sentiu isso?
- Acho que todos sentiram isso depois do perdermos o segundo jogo, na Luz. Mas há um ponto de viragem significativo que ocorre no terceiro desafio, que curiosamente até perdemos. Na minha opinião realizámos uma grande partida, mas fomos derrotados. Além disso, o Bebé e o Ricardinho foram expulsos. No final pensei: `E agora?` Fomos para o hotel e disse-lhes que tínhamos de deixar de ser generais e passarmos a ser soldados. A capacidade de sofrimento teria de imperar. E aí houve um click de todos. No quarto jogo tivemos a sorte connosco, ninguém o esconde, mas levámos a decisão para a Luz e, aí, o Sporting só equilibrou o desafio a jogar em 5x4. Sofremos muito mas o título é justíssimo.
- No quarto jogo, o tal em que reconhece alguma sorte, apostou em Vítor Hugo para defender as grandes penalidades. Teve noção do risco dessa aposta?
- Eu tenho uma máxima que utilizo várias vezes na minha vida e no meu trabalho. É sempre preferível uma má decisão do que não tomar qualquer decisão. Pegando nisto, percebi que o Marcão tinha 50 minutos de jogo e a maioria dos atletas do Sporting, que já jogaram com ele no Belenenses, o conhecia. Olhei para o Vítor Hugo, que é muito bom nas grandes penalidades e me dava sinais de querer entrar e ajudar a equipa. Fi-lo em consciência, ganhei a aposta, mas se por algum motivo tivesse corrido mal, então assumiria todas as responsabilidades. Tivemos sorte em levar o jogo para as grandes penalidades, mas aí houve competência da nossa parte. E não me venham com a história da lotaria. Houve mérito, muito mérito.
- Não acha que se falou demasiado nos jogos da final?
- Não queria aprofundar muito essa situação, mas sim, foi o play-off onde houve maior jogo de palavras. Teríamos de ver quem começou o quê, mas o esgrimir de argumentos extra futsal foi sempre da organização diretiva e não técnica. Quero apenas dizer que o quinto jogo, que todos esperavam poder vir a ser uma batalha campal, foi dos derbies mais corretos e fantásticos.
- Mas o Paulo, no final de um jogo, chegou a dizer que o Orlando deveria deixar o futsal.
- Há que perceber o contexto. O que disse foi que o Orlando Duarte se queixava dos árbitros sempre que perdia. Nunca foi capaz de assumir a responsabilidade nas derrotas. Depois de se desculpar com os árbitros, ameaçava deixar o futsal. Acho que é uma falta de respeito para com os adversários. Até pode não lhes reconhecer os méritos, mas pelo menos remeta-se ao silêncio. Tenho um grande respeito pelo Orlando, reconheço que foi importante no meu processo de crescimento enquanto treinador, mas não lhe dá o direito de querer ganhar a todo o custo, pisando e repisando todos os que lhe aparecem à frente.
- Renovou por mais dois anos. Quando foi informado da intenção do clube em mantê-lo na estrutura?
- Ao contrário do que foi especulado, praticamente desde a final da Taça de Portugal. Tive uma conversa com os responsáveis pelo futsal, que me transmitiram tranquilidade e me garantiram a continuidade. Este é um lugar apetecível e independentemente de ter havido muitas ofertas de outros treinadores, muitas delas até bem elaboradas, acabei por sentir sempre a confiança do clube.
- Tem noção de que se cumprir a totalidade do contrato fará um ciclo de quatro épocas à frente do Benfica, caso único na história do clube?
- Não penso nisso. Entrego-me às causas. O reconhecimento que procuro é, além dos títulos, perceber que os jogadores estão contentes com o meu trabalho. Isso é o mais gratificante. E depois a Direção analisa se devo continuar ou não. Não estou agarrado aos dois anos de contrato. Há um projeto que me foi apresentado, terminámos um ciclo, vamos à procura de outro.
- E nesse novo ciclo é obrigatória conquistar a Taça UEFA?
- Não! Vamos lutar por esse título com todas as armas, mas como já disse anteriormente o que pretendemos é cimentar a hegemonia nacional. O objetivo é igualar o sucesso desta época. Agora todos sabem que a vitória é mais saborosa que a derrota e o que querem daqui para a frente. No novo ano queremos manter o ciclo dourado e ganhar tudo em Portugal.
- Serão necessárias grandes alterações à estrutura do plantel?
- Uma ou outra alteração pontual. Se tiver de começar com os mesmos, fico contente com isso. Mas temos jogadores referenciados e na altura certa serão dados a conhecer.
- O Benfica tem três guarda-redes no plantel, todos de valor similar. Há espaço para todos?
- Não é fácil gerir esta situação. Mas jogaram os três durante a época e foi sempre uma dor de cabeça saudável. Tive sempre a certeza de que não seria pela baliza que o Benfica iria perder.
- Mas vai manter os três?
- Haverá, com certeza, negociações, até porque dois deles terminam contrato [n.d.r. Bebé e Vítor Hugo]. Daí sairá uma decisão.
- Na próxima época, a luta resumir-se-á a Benfica e Sporting?
- Isto resume-se a Benfica e Sporting porque são os clubes que mais investem na modalidade. Enquanto não existirem outros que o façam, dificilmente as grandes decisões passarão por outras equipas.

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