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domingo, 24 de fevereiro de 2013

A QUEDA DE UM GIGANTE DO FUTEBOL FEMININO


A queda de um gigante

Autor: CLÁUDIA MARQUES

 
 
O desporto português atravessa um momento de crise como todos os setores da sociedade portuguesa, contudo, há opções que estão a ser tomadas por alguns clubes que podem levá-los tragicamente em direção ao seu fim.

Normalmente o futebol masculino é a grande prioridade dos principais clubes no nosso país, mas os dirigentes têm de ter consciência que nem sempre é essa a modalidade que dá prestígio e que há valores que não podem ser perdidos.

O 1.º de Dezembro, clube campeão nacional de futebol feminino nas últimas 11 temporadas, está a atravessar um dos piores momentos dos últimos anos. O problema é visível nos resultados da formação agora orientada pela técnica Helena Bento, mas os problemas, que levaram à saída do treinador Nuno Cristóvão, são muito mais profundos.

A aposta na equipa baixou substancialmente. Para começar, não houve a preocupação de colmatar a saída de Nuno Cristóvão, estando o plantel entregue à antiga adjunta, sem tirar o mérito ao trabalho desta. Depois, há todo um conjunto de problemas que levou à saída do treinador e de alguns dirigentes: as jogadoras (e equipa técnica) deixaram de receber as ajudas de custo, as condições de trabalho pioraram (começaram por exemplo a ter de partilhar infraestruturas com outras equipas) e algumas saídas começaram a provocar mossa.

O desporto feminino está em franca expansão no nosso país, com a diminuição dos complexos em praticar futebol ou futsal, modalidades que durante muitos anos foram vistas como somente para rapazes. Esta maior procura tem de ser aproveitada pelos clubes, para ajudarem a modalidade a crescer e não para colocarem em causa o trabalho notável desenvolvido durante anos por pessoas realmente apaixonadas por aquilo que fazem.

O 1.º Dezembro está em risco e é importante que quem pode salvá-lo desperte rapidamente para a realidade. Pois os recordes e os triunfos ficam depressa esquecidos na memória.

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