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sábado, 17 de fevereiro de 2018

DINÂMICA AVASSALADORA


Da última vez que um Jardel voou desta forma sobre os centrais, Rui Veloso escreveu uma música, com letra de Carlos Tê, e colocou Portugal inteiro a cantar que queria perceber os pássaros.
O que no fundo resume bem a importância que o central brasileiro teve nesta vitória encarnada.
É preciso dizer, antes de mais, que o triunfo do Benfica nunca pareceu estar sequer em causa.

A equipa entrou muito forte no jogo, sim, mas entrou sobretudo competente nas marcações: não deixava o Boavista sair da defesa e com isso criava vagas sucessivas de ataque que tornavam o primeiro golo uma questão de minutos.


Jonas podia ter abreviado a coisa numa grande penalidade que desperdiçou, por falta de Raphael Rossi sobre Cervi, mas pouco depois surgiu Jardel a ganhar nas alturas e a desviar um canto da esquerda, que Ruben Dias encostou ao primeiro poste para golo. Estava aberto o marcador.

Jardel, esse, não deu o trabalho por finalizado e antes do intervalo subiu novamente à área adversária para, na sequência de outro canto batido por Cervi, fazer desta vez ele mesmo o golo.

O brasileiro tornou-se, portanto, peça fundamental nesta vitória, à custa de uma capacidade muito própria de voar sobre os centrais adversários. Merece estes parágrafos e todas as músicas, portanto.

Mas seguindo em frente, é necessário dizer que não deixa de ser curioso que o Benfica tenha mudado tanto e afinal tão pouco. Desde a época passada, e sobretudo com a saída de Mitroglou (que jogava a maior parte das vezes) e de Raul Jimenez (que jogava nas outras ocasiões), a frente de ataque encarnada perdeu capacidade física e, já agora, capacidade no jogo aéreo.
O ataque do Benfica está agora entregue a Zivkovic, Cervi, Pizzi, Rafa e Jonas: quatro jogadores baixinhos e um ponta de lança que também não faz da luta nas alturas a especialidade dele.
Apesar disso, e apesar de ser uma equipa que privilegia o futebol junto à relva, construído por jogadores rápidos e tecnicistas, não deixa de ser curioso que muitas vezes seja pelos ares que este Benfica faz a diferença. O que, lá está, mostra que a equipa mudou tanto, e afinal tão pouco.
De resto, vale a pena lembrar que o Benfica teve um domínio avassalador, sobretudo na primeira parte, mas encontrou dificuldades em criar situações de perigo. No fundo, e para além dos dois golos que surgiram na sequência de bolas paradas, sobrou um penálti falhado por Jonas e um remate de Pizzi a centímetros do poste. A verdade é que era pouco, para tanto futebol que a equipa jogava.
Na segunda parte a toada não se alterou muito. O Boavista conseguiu por fim chegar à baliza de Bruno Varela, é verdade, mas foi o Benfica que continuou a jogar e a criar perigo.
Fez dois golos, um dos quais num autogolo, e criou mais duas ocasiões de perigo: Cervi atirou por cima da barra, Jonas permitiu a defesa de Vagner. O que voltou a ser pouco para tanto futebol.
Mas há noites assim, há noites em que o futebol jogado não encontra correspondências nas ocasiões de perigo construídas. Nessas noites, dá jeito ter um Jardel que sabe voar sobre os centrais como Rui Veloso cantava: a imaginar ser um pássaro. Provavelmente uma águia.

Quanto ao trabalho do árbitro, teve uma actuação miserável para um árbitro com as insígnias da FIFA, Tiago Martins teve demasiados erros e uma dualidade de critérios gritante.

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