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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

BENFICA PERDE SUPERTAÇA

 


O Benfica tinha contas a ajustar com o Torreense, que, em maio, tinha escrito a letras douradas novo capítulo da sua história ao conquistar a primeira Taça de Portugal diante das águias (2-1, após prolongamento) e, esta tarde, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, as encarnadas não podiam ter tido melhor entrada.

Ivan Baptista estreou-se no comando técnico do Benfica apresentando um sistema de jogo diferente do habitual, um 4x3x3 com Lúcia Alves a extrema direita e Nycole Raysla no meio-campo, ao lado de Gasper e Beatriz Cameirão e logo após o pontapé de saída, cumpridos 30 segundos, já se gritava golo nas bancadas. Lúcia Alves desmarcou Raysla, que rematou cruzado, e Diana Silva, que trocou o Sporting pelo Benfica, aproveitou a espécie de cruzamento para se estrear a marcar, num lance que ainda merecer análise do VAR, mas estava dentro da legalidade.



ASSIM VIMOS O JOGO
Certo é que a equipa de Torres Vedras não se acanhou, fez peito à pressão alta das encarnadas, cresceu e instalou-se no meio-campo, espaço onde as adversárias marcavam passo, e após punhado de remates à baliza de Pauels, surgiu o empate na sequência de canto batido na direita, com a bola a cair ao segundo poste, após alívio da defesa. Galvanizaram-se as do Oeste, que tomaram as rédeas do jogo e fizeram o Benfica passar um mau bocado.
Nas bancadas, com cerca de quatro mil adeptos, estava o selecionador Francisco Neto que, de certo, tirou notas positivas de jogadoras que pode chamar aos próximos compromissos da equipa das quinas, principalmente em lances de bola parada, em que azuis-grenás criaram calafrios às águias e chegaram à reviravolta no marcador após livre direto eximiamente cobrado por Paloma, obrigando Pauels a intervenção incompleta e, na recarga, a camisola 4 faturou.
Ao cair do pano para o intervalo, Lúcia Alves festejou, mas o VAR indicou fora de jogo a Diana Silva.
A segunda parte não foi tão bem jogada, com as de Torres Vedras a acusarem pernas pesadas, o Benfica explorou bem a velocidade de Martín-Prieto e ainda foi pedido um penálti, mas chamada pelo VAR Catarina Campos considerou que houve falta de Moller antes de uma suposta mão na bola e assinalou livre. O Torreense foi buscar forças onde parecia já não ter e voltou a fazer história diante do Benfica e levou opara casa a sua primeira Supertaça.




DECLARAÇÕES
Ivan Baptista (treinador do Benfica): "Começámos bem, acho que a equipa entrou muito ligada no jogo, o golo apareceu bastante cedo. Tivemos oportunidades para dilatar o resultado, para ficarmos com um resultado tranquilo. Não o conseguimos, depois, com algumas carambolas, com bolas longas, com lançamentos, cantos, livres, o Torreense acabou por conseguir ver-se na frente do marcador. E com mérito, porque foi melhor do que nós nesse momento do jogo, dos esquemas táticos e das bolas paradas, onde temos a nossa responsabilidade, temos de ser melhores. Fora isso, acho que o Benfica procurou impor o seu jogo, procurou tentar ser protagonista, procurou não ser figurante e procurou, acima de tudo, promover o futebol feminino. Hoje não conseguimos sair daqui com o objetivo que queríamos, que era a vitória. Certos do ponto em que estamos a nível do projeto, são sete semanas de trabalho. Acho que para o tempo de trabalho que temos juntos, são sete semanas com algumas jogadoras, muitas chegaram há uma semana, outras chegaram há duas, três. Tendo em conta tudo isso, acho que já se viu muito daquilo que o Benfica e do que esta equipa feminina quer trazer para o jogo e quer praticar. Por isso, muita confiança naquilo que é o futuro. Certos também que saímos daqui tristes por não termos conquistado um troféu, que era um dos objetivos também da época. [Critina Prieto de início no banco de suplentes] É uma opção técnica. Eu, para justificar a Prieto, tinha de justificar todas as outras que não iniciaram, todas as outras que não foram convocadas. Respeitamos muito aquelas que iniciam e todas as que não iniciam, mas também é preciso ter noção de que nem todas chegaram na mesma altura da pré-época. A Prieto teve uma época desgastante na época passada, foi à final do Europeu, chegou mais tarde à equipa. Ainda assim, acho que quando entrou acrescentou muito. E é um bocadinho isto, as estratégias passam por aí também e foi uma opção técnica. [Peso da derrota na Supertaça no resto da época] Certamente o terá hoje. Amanhã temos de limpar a cabeça porque daqui a uma semana temos um jogo da 1.ª jornada já com o Racing Power e temos de entrar da melhor maneira na Liga. Por isso hoje, certamente, tem o seu peso. Não queríamos sair daqui com uma derrota, saímos daqui com o resultado que não queríamos. Ninguém sai daqui feliz, por isso o peso que tem, tem de ser hoje. Temos de olhar para aquilo quando podemos evoluir, que é certo que ainda podemos evoluir, mas a partir de amanhã o foco já tem de estar no Campeonato."

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