Intranquilidade, desconfiança e pouca agressividade entraram em campo (e na bancada) perto da meia hora de jogo e foram decisivas para um desfecho pouco menos que inimaginável.
Se calhar o título é exagerado, ainda por cima sabendo nós que o Português é rico em sinónimos, muitos deles bem certeiros. Há «assombro», mas isso deve ser o que sentem os rapazes do Azerbaijão depois de terem operado uma reviravolta a todos os títulos imprevisível, sobretudo se pensarmos que veio de uma desvantagem de dois golos para vencer na Luz.
Existem, emprestando conceitos parecidos ao de escândalo e mais adequados à realidade do Benfica desta terça-feira, palavras como «vergonha», «ultraje» ou «infâmia». Mas na verdade tem de falar-se em «escândalo», não há duas formas de dizê-lo ou escrevê-lo.
Sem desmerecer o que de bom o Qarabag foi capaz de fazer — ninguém vira de 0-2 para 3-2 sem mérito —, foi escandalosa a forma como o Benfica não soube cumprir o que, antes de começar, já parecia tarefa relativamente simples e pouco depois do quarto de hora de jogo afigurava-se absolutamente resolvida, com dois golos sem resposta perante uma equipa meio entontecida pela grandiosidade da Luz, talvez, e naqueles minutos — diga-se a verdade — pela boa e assertiva entrada dos encarnados.
Quem ajuda quem?
Começou, então, a partida de forma bem favorável ao Benfica. Um golo antes da criação de uma oportunidade (resultou de canto e cabeceamento de Barrenechea ao primeiro poste), facilidade em sair da pressão alta que o Qarabag tentava fazer junto à área adversária e de repente, aos 16 minutos, o 2-0 feito, com um misto de boa ideia e sorte de Sudakov a servir Pavlidis. O ucraniano foi a meia surpresa no onze. Jogou bem na primeira parte e desapareceu na segunda, o que talvez seja normal, está a começar a nova etapa. No lance do segundo golo pensou muito bem, executou assim-assim e os centrais azeris atrapalharam-se o suficiente para deixar Pavlidis na cara do golo.
Os centrais não eram azeris, aliás só dois titulares e mais dois suplentes que entraram no Qarabag eram azeris, pelo que é falacioso pensarmos à partida que se tratava de favas contadas (já agora, por curiosidade, no Benfica houve um português titular e outro a entrar). Mas sim, salta à vista que, em condições normais, esta equipa de jogadores habilidosos e descontraídos não pode chegar para um Benfica à sua imagem.
O que acontece, na Luz, é que se vive sobre brasas sem que se perceba exatamente como elas se atearam. Um empate sofrido em casa no último minuto, por força de um erro individual, não justifica tanta intranquilidade. A verdade é que ela existe. E à meia hora, sem que algo o fizesse prever, o Qarabag ganhou um livre a meio do meio campo, a defesa encarnada dormiu e a vantagem ficou reduzida. Começou aí outro jogo.
Um jogo acompanhado por assobios da bancada, desconfiança total dentro e fora de campo, pouca entreajuda e baixíssima intensidade dos encarnados, face a um adversário que começou a perceber que era capaz. Esteve perto de empatar antes do intervalo, o Benfica pouco ou nada corrigiu e com pouco tempo jogado na segunda parte apareceu o 2-2.
Com muito mais precipitação que discernimento, o Benfica foi atrás do 3-2, mas acabou por sofrê-lo. O estado de espírito dos benfiquistas, dentro e fora de campo, repete-se, só ajudou o Qarabag, a quem no final das contas é impossível dizer que não mereceu esta vitória. Mas que foi um escândalo, lá isso foi.
Alexandre Pereira, in a Bola
EQUIPA DO BENFICA
(7) Trubin
Que seria deste Benfica sem um grande guarda-redes? Quase nada. O ucraniano não teve culpa em nenhum dos três golos do Qarabag e fez duas defesas que evitaram que a derrota ganhasse contornos escandalosos. A sorte grande do Benfica teve dois números: 33 e 45. Foram esses os minutos em que o Qarabag esteve muito perto de marcar e Trubin salvou com duas intervenções decisivas. O número 1 ainda viu uma bola bater no poste esquerdo! Quem pensava que teria uma noite tranquila enganou-se. Frente a um adversário de segunda (terceira?) linha europeia, Trubin foi obrigado a estar em alerta máximo. E esteve. Não foi por ele, claramente não foi, que o escândalo caiu no Estádio da Luz.
(6) Dedic – Atacou como se não houvesse amanhã. Sempre perigoso quando, com a bola nos pés, chegava perto da área adversária. Mas foi sol de pouca dura, porque só durou até perto do intervalo. Apanhado pela avalanche ofensiva do Qarabag, foi desaparecendo pouco a pouco, limitando-se a dois ou três cortes.
(3) António Silva – Péssima saída de bola ao minuto 33, quando a tentou colocar em Barrenechea. Kady Borges antecipou-se, ficou isolado frente à baliza e atirou ao poste. O central teve muita sorte e também o azar de Barrenechea ter sido demasiado passivo a atacar a bola. Não voltou a cometer erros tão graves, mas ficou a anos-luz de outras exibições que já fez esta época.
(4) Otamendi – Não está bem. Errou gravemente contra o Santa Clara e, ontem, mesmo sem falhas tão diretas, mostrou que fisicamente não está no ponto. Psicologicamente, também não parece bem. Foi lento e passivo nos três golos do Qarabag, sobretudo no terceiro.
(4) Otamendi – Não está bem. Errou gravemente contra o Santa Clara e, ontem, mesmo sem falhas tão diretas, mostrou que fisicamente não está no ponto. Psicologicamente, também não parece bem. Foi lento e passivo nos três golos do Qarabag, sobretudo no terceiro.
(4) Dahl – Ficou à entrada da área no livre que originou o primeiro golo do Qarabag e, quando a bola lá chegou, limitou-se a marcar Leandro Andrade com os olhos. Sofrível a defender, sofrível a atacar e, pelo que se viu no 1-2, sofrível na entreajuda.
(4) Ríos – Gosta de rematar de meia distância, mas remata quase sempre mal. O golo ainda não chegou. Está longe do rendimento que levou o Benfica a contratá-lo ao Palmeiras. Limita-se a rodar a bola, rodar, rodar, rodar…
(4) Barrenechea – Bom golo logo ao minuto 6, desviando de cabeça um canto de Sudakov. De resto, longe, muito longe mesmo, do fulgor mostrado nos primeiros jogos. Fisicamente, como a maioria dos companheiros, parece demasiado cansado para ser decisivo.
(3) Aursnes – O norueguês não está bem. E já há muito tempo. Bruno Lage continua a mantê-lo como titular, talvez porque os adeptos adoram o 8, mas a verdade é que precisa de descanso: d-e-s-c-a-n-s-o. Saiu apenas a 20 minutos do fim, mas já pedia banco há vários jogos.
(5) Sudakov – O 10 foi titular e começou bem, com o canto que resultou no golo de Barrenechea. Esteve também na génese do golo de Pavlidis, quando tentou colocar a bola no grego, mas foram os defesas Medina e Mustafazade que acabaram por oferecer a oportunidade. Tem grande intimidade com a bola e trata-a bem, mas isso não basta. É preciso correr, lutar e defender. Falta perceber se ainda não está no máximo da forma, se a situação na Ucrânia o afeta ou se, simplesmente, é este o seu perfil: excelente com bola, sofrível sem ela.
(6) Schjelderup – Só lesão ou cansaço explicam por que saiu ao minuto 70. Não deslumbrava, mas era um dos mais perigosos do Benfica quando Bruno Lage, de forma surpreendente, o substituiu: i-n-c-o-m-p-r-e-e-n-s-í-v-e-l.
(5) Pavlidis – Aproveitou a carambola entre Medina e Mustafazade e fez o 2-0. De resto, pouco ou nada a registar. Saiu aos 79 minutos, quando já devia ter saído antes. Fica o golo numa exibição cinzenta.
(5) Prestianni – Irreverente, passou o jogo a tentar encarar os defesas adversários. Mostrou bons pormenores, mas ainda está longe de garantir a titularidade.
(4) Ivanovic – Entrou com o gás todo, quis muito chegar ao golo, quis muito ajudar, mas nada lhe ssiu bem.
(2) Leandro Barreiro – Entrou para fazer o que Ríos já não fazia, mas esteve péssimo no lance do 3-2 final, permitindo a Kashchuk marcar sem oposição.
(2) Henrique Araújo - Teve apenas um lance em que poderia ter criado perigo junto a Kochalski, mas falhou, deixando-se antecipar.
Rogério Azevedo, in a Bola





Um fantoche como treinador.
ResponderEliminarJogadores já parece que estão a fazer de propósito para perder, tantos erros de jogadores supostamente profissionais não é aceitável e a continuarem estes erros grosseiros e falta de atitude tem que existir investigação e consequências.
Suposta direção claramente infestada de elementos prejudiciais, só anormais podiam pensar que vender o Gouveia e Florentino era bom.
Acabou a tolerância seus merdas