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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

GRITANTE ERRO ALHEIO PROPICIOU EMPATE



 A ganhar por 2-0, o Benfica foi penalizado por uma decisão errada da equipa de arbitragem, a qual lançou a reação do Casa Pia, que conseguiu empatar o encontro da 11.ª jornada da Liga Betclic, por 2-2. A contenda realizou-se na noite deste domingo, 9 de novembro, no Estádio da Luz.

Dedic e António Silva – para os lugares do suspenso Otamendi (por acumulação de amarelos) e de Barreiro – foram as novidades no onze titular escalado por José Mourinho, comparativamente ao eleito para enfrentar o Bayer Leverkusen, no desafio anterior.
Assim, Trubin, Dedic, Tomás Araújo, António Silva, Dahl, Barrenechea, Richard Ríos, Lukebakio, Sudakov, Aursnes e Pavlidis formaram a equipa inicial encarnada.
A esmagadora maioria do 1.º tempo foi dominada pelas águias, que criaram várias oportunidades para abanar as redes.




Aos 9', aproveitando as sobras de um cruzamento de Dahl cortado pela defesa oponente, Barrenechea, à entrada da área, descaído sobre a esquerda, rematou rasteiro, tendo a bola desviado em Kaique Lima e embatido no poste esquerdo da baliza.
Pouco depois (12'), à direita da área, Lukebakio fintou Larrazabal, puxou a bola para o pé esquerdo e disparou em arco, por cima.
À terceira, a formação benfiquista não perdoou. No 17.º minuto, à direita, Dedic cruzou para Pavlidis, que, na área, recebeu com o peito e tocou de cabeça para Sudakov. De primeira, em vólei com o pé esquerdo, o internacional ucraniano atirou colocado à esquerda da baliza, abrindo o marcador (1-0). Grande jogada do coletivo vermelho e branco!
Volvidos 10 minutos, o Benfica tornou a chegar à área casapiana com perigo, em dois momentos: Dedic arrancou pela direita e fez o passe a rasgar para Lukebakio, que cruzou rasteiro para a área, onde Pavlidis finalizou, mas foi intercetado por Kaique Lima (27'); e Sudakov, no corredor central, abriu na direita para Dedic, que cruzou rasteiro para remate transviado de Richard Ríos na área, a meias com Sebastián Pérez (29').






A única ocasião dos visitantes na 1.ª metade verificou-se aos 39', quando Livolant surgiu solto de marcação na esquerda da área e atirou para encaixe de Trubin.
As águias ripostaram de imediato (40'), com Lukebakio, servido por uma excelente bola longa de Tomás Araújo e isolado à entrada da área, a disparar para uma boa defesa com os pés de Patrick Sequeira, naquela que foi a última chance da etapa inaugural.
Ao intervalo, destaque para a homenagem prestada à equipa feminina de voleibol do Clube pela conquista da Supertaça, a qual esteve no relvado da Catedral com o troféu.
No regresso dos balneários, Prestianni rendeu Barrenechea, que se sentiu indisposto.
Numa forte entrada na 2.ª parte, os encarnados testaram a atenção de Patrick Sequeira três vezes: o guarda-redes segurou uma tentativa exterior e rasteira de Richard Ríos (46'), e, com dificuldade, sacudiu para canto um remate de Sudakov de fora da área (51') e um tiro em arco de Lukebakio na quina direita da área (57').
No canto consequente do ataque de Lukebakio, foi assinalado penálti para o Benfica, por mão de Larrazabal a desviar um cabeceamento de Richard Ríos, que ganhou nas alturas ao segundo poste. À passagem dos 60', na cobrança do castigo máximo, Pavlidis bateu forte e alto para o centro da baliza, enganando Patrick Sequeira (2-0).
De seguida, aos 62', erradamente, Gustavo Correia apontou para a marca dos 11 metros na área contrária. Livolant rematou à entrada da área, e a bola embateu na barriga de António Silva, resvalando apenas posteriormente para o braço do defesa. Incompreensível como o VAR validou a decisão.
Trubin ainda defendeu a grande penalidade de Cassiano com um voo para o lado direito, mas, na tentativa de aliviar a bola da área encarnada, Tomás Araújo, inadvertidamente, inseriu o esférico na própria baliza (2-1, aos 65').




Apesar do abalo resultante de tão duro golpe, as águias, após deixarem duas ameaças – remates desenquadrados de Sudakov (75') e Prestianni (79') – e já com Barreiro em campo – substituiu Sudakov aos 79' –, voltaram a abanar as redes aos 81'.
Lukebakio bateu um canto à direita para o centro da pequena área, onde Richard Ríos ganhou nas alturas e cabeceou para o segundo poste, e, em cima da linha de golo, Barreiro encostou para dentro da baliza. No entanto, o tento foi invalidado.
"Após revisão VAR, o jogador número 18 encontra-se fora de jogo. Decisão final: anular o golo", anunciou o árbitro. Barreiro estava em posição irregular por 47 centímetros, de acordo com as linhas de fora de jogo.
Aos 87', Tiago Morais ficou com a bola no meio-campo do Benfica, galgou metros e disparou de fora da área para defesa segura de Trubin.




Ivanovic e João Rego entraram, respetivamente, para os lugares Pavlidis e Lukebakio a um minuto do fim do tempo regulamentar (89').
Já no tempo de compensação (90'+1'), na conclusão de uma transição rápida após uma bola ganha no meio-campo, Livolant, à direita, cruzou para a pequena área, onde Trubin defendeu num primeiro momento. Porém, na insistência no mesmo local, Renato Nhaga atirou a contar (2-2).
Com pouco tempo para tentar regressar à dianteira, os anfitriões – com Henrique Araújo na frente a partir dos 90'+5', tendo Richard Ríos, com queixas físicas, abandonado o duelo – ainda tiveram uma situação de finalização, por intermédio de Prestianni (90'+5'), mas o seu tiro saiu por cima do alvo, e o placar não voltou a mexer.
Em virtude da paragem para os compromissos das seleções, o Benfica volta a competir apenas em 21 de novembro (sexta-feira), às 20h30, no Estádio do Restelo, para enfrentar o Atlético CP na 4.ª eliminatória (16 avos de final) da Taça de Portugal.
Sport Lisboa e Benfica
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Tomás no mau e no mau, Sudakov no bom e no bom (as notas do Benfica)
Trubin esteve muito bem a defender o penálti de Cassiano e mal a tentar desfazer o cruzamento que originou o 2-2 final. Criativo subiu de nível relativamente aos últimos jogos, marcou muito bom golo e construiu diversos lances muito interessantes. A noite que Tomás Araújo quererá esquecer...
(7) Sudakov.






Entrou em grande no jogo, fazendo de pé esquerdo o 1-0. A seguir, teve meia dúzia de aberturas muito boas, parecendo estar, fisicamente, melhor do que nos últimos jogos, em que andou sempre muito a passo. Tiraço a abrir a segunda parte, na zona frontal à baliza do Casa Pia, para defesa apertada de Patrick Sequeira. Até a este jogo parecia uma peça ainda fora da engrenagem do Benfica, sem ritmo, sem velocidade, sem impor o seu muito bom futebol; com o Casa Pia, porém, apareceu transfigurado. Com mais ritmo, entrosamento, velocidade e capacidade para ter bola e saber muito bem o que fazer com ela.
(5) Trubin – Podia ter comprado pipocas e comê-las, descansadamente, uma a uma, até ao minuto 39. Aí, teve de se mostrar atento para deter remate frágil de Livolant. Fez uma grande defesa no penálti de Cassiano, esticando o braço direito até ao limite. Nada podia fazer no autogolo de Tomás Araújo. No lance do golo de Nhaga, porém, podia ter feito muito melhor: desviou o cruzamento com ‘mãos de algodão’. Esteve no bom e no mau.
Foto: Sérgio Miguel Santos
// Nacional //
Balde de água gelada na Luz: Casa Pia empata... aos 90+1' (vídeo)
(6) Dedic – Uma coisa é ter adaptados como Tomás Araújo ou Aursnes a lateral-direito; outra é ter Dedic. O bósnio esteve algum tempo parado por lesão, mas regressou com a mesma eletricidade no corpo. Recebia a bola e partia para cima do adversário direto. Tentou uma ou duas vezes sem êxito e, à terceira, preferiu o cruzamento para Pavlidis, lance que originaria o golo de Sudakov. Em cima da meia hora acelerou pelo meio, desequilibrou e serviu Lukebakio, que falhou o cruzamento. Entrou elétrico, mas a corrente foi caindo com o passar dos minutos.
(4) Tomás Araújo – Estava a fazer tudo bem, impedindo que alguns contra-ataques do Casa Pia criassem perigo e lançando, aqui e ali, Lukebakio e Sudakov. Mas estava no local errado no segundo errado quando, após a defesa de Trubin no penálti de Cassiano, introduziu a bola na própria baliza, sem que se perceba bem como ou porquê. Já perto do fim, falhou o corte e ofereceu a bola a Nhaga, que fez o 2-2. Noite ingrata, com dois erros graves, que Tomás quererá esquecer...
(5) António Silva – De regresso ao onze após V. Guimarães e Leverkusen, voltou a usar a braçadeira de capitão pela terceira vez na carreira. Pouco trabalho na primeira hora, mas muito mais a partir daí. Aos 62', alegou que a bola lhe batera apenas na barriga dentro da área; de facto, bateu na barriga e ressaltou para o braço. O árbitro entendeu haver motivo para penálti: Trubin defendeu e Tomás Araújo fez autogolo.
(6) Dahl – Era ele e mais dez, disse Mourinho depois do erro do sueco frente ao Leverkusen. Assim foi. Manteve o registo habitual: mediano a defender e mediano a atacar. No lance do 2-2, deu demasiado espaço ao cruzamento de Nhaga.
(5) Barrenechea – Remata muito, nem sempre bem. Teve um tiraço aos 9’, com a bola a ir ao poste direito após ressalto em José Fonte. Até ao intervalo, quando saiu, limitou-se a fechar bem os espaços.
(5) Ríos – Inúmeros passes na primeira parte, nenhum falhado. A abrir o segundo tempo, remate forte para defesa apertada de Patrick Sequeira. Ganhou no ar o penálti do 2-0. Mas teve tremenda falha na jogada do 2-2, chutando contra Nhaga — sem falta — permitindo o empate final.
(5) Lukebakio – Recebe a bola e cria sempre dúvida nos adversários: vai para dentro para rematar com o esquerdo ou para a linha para cruzar com o direito? Começou mal nos cruzamentos para Pavlidis e Sudakov. Em cima do intervalo teve grande ocasião, isolado, mas rematou contra Patrick Sequeira. Foi desaparecendo ao ritmo do apagão coletivo do Benfica na segunda parte.
(6) Aursnes – 21 jogos do Benfica, todos a titular. Primeiro tempo muito ativo, entrando várias vezes pela esquerda e combinando com Dahl, embora sem grande eficácia. No intervalo passou para o centro e o Benfica começou a perder o controlo do meio-campo. Não foi um grande Aursnes; foi um Aursnes mediano.
(6) Pavlidis – 21 jogos, 21 vezes no onze inicial. Brilhante no lance do 1-0: receção no peito, toque subtil de cabeça e assistência para Sudakov, a sua terceira na Liga. Ao minuto 60, fuzilou de penálti para o 2-0. Muito trabalho frente aos três centrais, com naturais dificuldades, mas a assistência para Sudakov foi soberba.
Pavlidis fez o segundo do Benfica no jogo. Foto: Sérgio Miguel Santos
// Nacional //
Nervos de aço: Pavlidis não treme na conversão de um penálti (vídeo)
(3) Prestianni – Nada lhe saiu bem: remates, passes, cruzamentos. Destaca-se apenas uma trivela bem medida para Lukebakio, mas depois rematou muito mal.
(3) Leandro Barreiro – Entrou e marcou, mas estava fora de jogo quando a bola ressaltou do rosto de Ríos para o seu pé. E foi tudo.
(-) Ivanovic – Nada a assinalar.
(-) João Rego – Nada a assinalar.
José Mourinho, treinador do Benfica, durante o jogo com o Casa Pia - Foto Sérgio Miguel Santos
// Nacional //
Benfica: «É estranho... Árbitro e VAR decidiram reabrir o jogo»
(-) Henrique Araújo – Nada a assinalar.

Rogério Azevedo, in a Bola

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