Para já, o treinador do Benfica conseguiu anular os rivais no confronto direto; se é curto ou não, dependerá da perspetiva de cada um... e do que o FC Porto fizer hoje em Tondela.
José Mourinho não poderia dizer outra coisa tendo em conta que ainda há muitas jornadas pela frente, mas a possibilidade de o Benfica ficar a oito pontos do FC Porto na eventualidade de os dragões vencerem hoje o Tondela deixará as águias a precisar de um deslize alheio monumental para a conquista do título. Acredito no entanto que, com a experiência acumulada em mais de 20 anos de carreira, essa não é, para já, a prioridade do técnico dos encarnados: em primeiro lugar, porque não é algo que depende de terceiros; segundo, porque à medida que o tempo vai passando é notório que o grande objetivo de Mourinho é ganhar tempo, fazer acertos do ponto de vista tático com aqueles que tem e esperar que janeiro lhe traga matéria-prima para começar a construir um Benfica à sua medida.
O que conseguiu, para já, pode ser analisado de duas formas: por um lado estancou feridas, por outro não conseguiu ferir os principais adversários. Analisando os dois confrontos com FC Porto e Sporting, pode dizer-se que o Benfica conseguiu anular os dois rivais, mas não os vergou. Se para um treinador com tanto lastro e objeto de estudo isto poderá parecer pouco, também é justo dizer que está numa luta desigual face a Rui Borges e Francesco Farioli – o tempo (ou a falta dele) é uma variável a ter muito em conta.
Muitos talvez estivessem, a esta hora, à espera de ver uma equipa com mais vertigem, mas isso seria ignorar o que aconteceu nos últimos anos: Mourinho tornou-se um treinador mais prático, em muitos casos trabalhando com menos recursos humanos ou financeiros nas equipas que dirigiu face aos concorrentes internos. No Benfica não se pode dizer que está num clube com menos dinheiro que leões e dragões, mas dirige um plantel mais desequilibrado. E mesmo assim foi a melhor equipa em campo, durante mais tempo, frente ao bicampeão em título.
Isto pode parecer pouco, porque o FC Porto conseguiu-o em Alvalade, mas é na soma de detalhes que José Mourinho tenta erguer alguma coisa minimamente sólida. Como por exemplo a subida de rendimento de Richard Ríos, o travão a movimentos inconsequentes de Dedic e melhor entendimento entre Sudakov e Aursnes.
Tudo isto ainda é curto? É provável, dependendo se o FC Porto realinhar os chacras: o rolo compressor parece estar menos oleado, ainda assim é suficientemente robusto para poder dobrar o ano civil com um estatuto que há muito andava desaparecido na Invicta: aquele que ilumina o caminho.
Fernando Urbano, in a Bola

A tese em cima desta crónica é bastante tola.
ResponderEliminarNão se compra tempo.
O tempo é a variável imutável das leis da física que nos governam. A gestão - em todos os seus aspetos - o que faz é gerir o tempo. Através da atempada e correta aplicação dos recursos, da definição de prioridades, da definição de um rumo e da sua execução com qualidade. No fundo, da “liderança”.
É isto que falta ao Benfica.
Mourinho é o treinador mais caro da história do futebol português. Treina o clube mais rico do futebol português.
Exige-se, obviamente, muito mais do que “ganhar tempo”.
Para isso, haveriam opções muitissimo mais baratas.
Se em Janeiro houver investimento e reforços, faltará depois tempo para esses reforços renderem. Pela lógica… do tempo.
A menos que a expectativa por detrás deste texto seja que “para o ano é que é”.
Se assim for, então exige-se já esse esclarecimento. E a confirmação da continuidade de Mourinho para a próxima época. Que não é uma garantia, em função do seu contrato.