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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ATÉ AO LAVAR DOS CESTOS



 Rafa deixa excelente amostra daquilo que ainda vale e que, acredito, pode representar no desejado reforço do ataque. Rafa ou Sudakov, ou Rafa e Sudakov, é uma questão que agora se coloca.

A muito custo, lá foi cumprida a obrigação semanal do Benfica. Vencer e esperar para ver era um objetivo que parecia acessível, mas que acabaria bem complicado de cumprir. O onze titular trouxe a novidade de Sidny na lateral direita, em função do impedimento físico de Dedic e Banjaqui. A reentrada de Tomás Araújo já era esperada e a escolha de Rafa foi só uma meia surpresa.
A primeira parte seria mais dividida do que se antevia, com o Alverca a ameaçar, conseguindo empatar o jogo e abalar as expectativas benfiquistas quase até final. Schjelderup foi uma das principais unidades do Benfica, pelo muito que criou e pelo golo alcançado que parecia confirmar o favoritismo da equipa. No entanto, o Alverca não esteve de acordo e teve no veloz Chiquinho o grande representante das suas ambições. O ala do Alverca viria a ser um sobressalto frequente para o adaptado Sidny, seu adversário direto.
Na segunda parte, o Benfica partiu com quase tudo à procura do golo. O desejado tudo só chegaria, no entanto, com a entrada de Anísio, que repetiu a proeza à qual só o seu parceiro de escola, Banjaqui, faltou. Antes da entrada do jovem atacante, muito se rematou e falhou. O jovem mágico do Benfica foi herói e, imagino eu, novo recordista mundial. Marcar em dois jogos sem tocar antes na bola só pode ser inédito.
Entretanto, depois de muito tempo sem jogar, Rafa deixa excelente amostra daquilo que ainda vale e que, acredito, pode representar no desejado reforço do ataque. Rafa ou Sudakov, ou Rafa e Sudakov, é uma questão que agora se coloca. Dois jogadores tão valiosos quanto diferentes para Mourinho gerir. Ambos já ocuparam posições mais laterais. Passará por aí uma futura convivência? Soluções e escolhas à parte, agora é esperar, ganhando sempre. Esta é a difícil realidade que importa cumprir. A verdade é que o campeonato se abre quando parecia fechado.
Clássico
A expectativa era elevada em relação ao resultado do clássico e ao que significaria em termos classificativos. O jogo foi fechado, com risco limitado de ambas as equipas até ao primeiro golo. Na ótica do Benfica, as preferências em relação ao que seria um desfecho mais favorável não eram unânimes. O empate final terá sido justo e aceitável. A triste rábula das bolas desaparecidas envergonha quem pretendia modernizar e moralizar (?) o nosso cenário futebolístico, fazendo lembrar velhas estratégias do século passado. Um jogo grande com medidas pequenas.
Variação de posição
A realidade da posição de lateral-direito no Benfica vem sendo entregue a Dedic, talvez a aquisição mais popular da época, e agora a Banjaqui, um jovem que vem respondendo bem às oportunidades. Bah, o anterior titular, continua a sofrer por fora e ainda longe do regresso. Na posição em causa, o jogo com o Alverca trouxe a alternativa de Sidny, a rever, e ainda Aursnes, de regresso pontual (?) à posição, como recurso final.
A propósito de Bah, o Benfica viveu, há cerca de um ano, um duplo abalo que lesionou o seu lateral-direito gravemente e o seu parceiro de infortúnio, Manu Silva, recém-chegado ao clube. O azarado momento afastou os dois jogadores, no intervalo de poucos minutos e com a mesma lesão. Uma macabra coincidência que muito afetou os jogadores em causa, mas que também limitou as opções do plantel então disponíveis.
Atualmente, observa-se um protocolo clínico, que no meu tempo estava longe de existir e que define o tempo obrigatório de recuperação, tendo em conta o tipo de lesões contraídas. Ainda assim, nestas recuperações mais longas e teoricamente semelhantes, o tempo previsto para o regresso é incerto e depende da natureza dos afetados e de alguma sorte, que pode determinar mais ou menos tempo fora de combate. Neste caso, Manu Silva já voltou a jogar, ao contrário de Bah que aguarda ainda por melhores dias. No meu tempo era carne para canhão, bem diferente do cuidado que hoje existe, e os lesionados serviam muitas vezes para a afirmação dos seus recuperadores, sempre apostados em antecipar regressos em tempo recorde.
Sorte e saber
Mourinho, há algumas semanas, revelava a sua estranheza relativamente ao acesso de treinadores desconhecidos aos grandes clubes, sem uma lógica que justifique esse patamar, ao qual deveriam corresponder trajetos de afirmação e mérito no terreno. Faz todo o sentido. Alguns escolhidos, não se sabe quem são nem de onde vieram. Sabemos que as carreiras, melhores ou piores, dos treinadores dependem muito da sua capacidade, mas também, em muitos casos, da qualidade e influência dos seus agentes.
Claro que há quem prove valor e aproveite as oportunidades, mas se não for o caso, haverá sempre uma nova possibilidade, outra e mais outra. Desde logo, por muito bom que um qualquer aspirante a treinador possa ser, ninguém o saberá se não lhe for dada uma possibilidade ou se uma qualquer circunstância não ajudar. Não é propriamente justo, mas é uma realidade difícil de alterar, ainda por cima num meio onde os candidatos são cada vez mais e os clubes não aumentam.
Luís Freire, agora um dos treinadores da FPF, é um exemplo de alguém que subiu por si. Basta olhar para o seu trajeto iniciado nas nossas mais baixas divisões. Sabemos que esta realidade, relacionada com o mérito ou falta dele, não se resume ao futebol, mas a muitas outras atividades.
O sucesso dos jogadores é, ao contrário, mais fiel à justiça. Ninguém faz carreira se não for realmente bom. Os melhores estão nas equipas mais fortes, com poucas variações. O rendimento individual está à vista do público, não depende de terceiros e não é possível esconder.
Rui Águas, in a Bola

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