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domingo, 22 de fevereiro de 2026

SEM ESPINHAS



Regressos, homenagens, estreias, emoções, golos de levantar o estádio, bom futebol... foi assim o Benfica-AFS, partida da 23.ª jornada da Liga Betclic, onde as águias voaram para um triunfo, por 3-0, que só peca por escasso face ao produzido!
Regresso a casa para as contas da Liga Betclic após a partida a meio da semana com o Real Madrid, e foco total na conquista dos 3 pontos. E foi um início de noite de emoções na Catedral, com vários momentos a reter, para recordar...
Ora, logo à partida, na subida das equipas ao relvado, o pequeno Rodrigo, de 9 anos, autor de um corajoso telefonema para o INEM que resultou no salvamento da mãe e emocionou o País, entrou em campo pela mão de Anísio Cabral. Momento emocionante na Catedral e uma justa homenagem ao pequeno grande herói que adora o Benfica!
E seguiu-se a primeira estreia da noite... a nova camisola adidas do Benfica na época 2025/26, uma peça exclusiva sob a direção criativa de Vhils, e que representa a ligação entre futebol e arte urbana, dois universos profundamente enraizados na cultura de rua.




Com 58 784 adeptos nas bancadas do Estádio da Luz, seguiu-se um regresso e mais uma estreia. É que no onze eleito por José Mourinho (com várias alterações face ao último) – Trubin, Bah, António Silva, Otamendi, José Neto, Barrenechea, Richard Ríos, Sidny, Rafa, Schjelderup e Pavlidis –, Bah tornou a jogar após mais de um ano de paragem devido a uma grave lesão, e José Neto, jovem made in Benfica Campus, debutou como titular na equipa principal do Glorioso.






Apito inicial e primeiros minutos intensos, sem remates às balizas, com as duas equipas a tirarem as medidas uma à outra... mas foi sol de pouca dura, com o primeiro golo da tarde/noite a surgir logo aos 10'.
Lance individual de Schjelderup – que seria eleito o Man of the Match –, remate forte de Pavlidis, defesa incompleta de Adriel e, na recarga, Bah rematou de pé esquerdo para o fundo das redes. Estava feito o 1-0, um ano depois, regresso e logo com um golo... não faltou emoção ao momento!
A partir daqui, em vantagem, só deu Benfica, com as águias a instalarem-se no meio-campo adversário e a carregarem à procura de mais. E esse mais quase chegou aos 16'. Schjelderup, um quebra-cabeças para a defensiva do AFS nesta noite, furou pela área, serviu Pavlidis para um remate cruzado e pleno de intenção, mas Adriel conseguiu a defesa.
Aos 29', mais uma grande defesa. Pavlidis, de cabeça, assistiu Rafa, e o camisola 27, na área, sentou Devenish, mas o forte remate foi desviado por Adriel.
Ora, perante a insistência, o mais desejado acabou mesmo por aparecer, e foi à meia hora de jogo. Lance do coletivo, Richard Ríos serviu Barrenechea, e de pé esquerdo, cruzado, o médio argentino acreditou, disparou e fez o esférico beijar o fundo das malhas. 2-0 na Catedral, justo e merecido!
Os encarnados dominavam, criavam e, aos 35', mais uma grande oportunidade, com Schjelderup e Pavlidis a serem os protagonistas. O norueguês, com um passe a rasgar, isolou o avançado grego, mas Adriel ganhou o duelo.
A carregar, à Benfica, o intervalo não chegaria sem se festejar novamente no Estádio da Luz. Minuto 43, Schjelderup, descaído na esquerda, rematou forte e em arco para Adriel, com frieza, dizer "não" mais uma vez... mas a nega transformou-se no "sim" ao 3-0, ainda no mesmo minuto. Na sequência do lance, Sidny, na direita, recolheu, e, tal canção anunciada, cruzou com régua e esquadro para a letra de Rafa. Uma obra-prima do camisola 27 das águias!
No recolher para os balneários, 3-0, justíssimos, e a deixarem água na boca para a segunda metade.
Reatar e primeira alteração no figurino, com Tomás Araújo a entrar em campo para o lugar do capitão Otamendi.
Aos 49', mais uma grande oportunidade para dilatar, contudo, Richard Ríos, servido por Schjelderup, à frente da baliza, desviou para fora.
O Benfica era dono e senhor das ocorrências, e, aos 67', novo lance de golo cantado – desta feita foi o poste esquerdo da baliza a devolver o esférico rematado por Sidny. Na insistência, e como houve de tudo na Luz, também houve (mais um!) lance polémico. Sidny rematou forte na direção da baliza, a bola levava selo de golo, mas embateu de forma clara no braço de Leonardo Rivas e saiu ao lado. Na análise do VAR, o árbitro recebeu a indicação de que não haveria motivo para pontapé de penálti e mandou seguir👇
Sem esmorecer e na contínua procura das redes adversárias, aos 70', Pavlidis, servido por Sidny, rematou com intenção, mas a redondinha teimou em não entrar.
Seguiram-se mais duas alterações, agora as saídas de Bah e Schjelderup, para as entradas de Ivanovic e Lukebakio, respetivamente. E foi precisamente dos pés de Lukebakio que, aos 81', a bola chegou a Barrenechea, que, com um remate poderoso, obrigou Adriel a trabalhos. Na recarga, Richard Ríos tentou a sorte, mas foi por cima do alvo.






Até ao apito final, mais duas mexidas no xadrez benfiquista: Pavlidis saiu para dar lugar a Anísio Cabral (81') e Rafa foi rendido por Diogo Prioste (86').
Fechada a cortina, triunfo justo do Benfica, por 3-0, e 3 pontos somados numa partida em que foi melhor, mostrou-o, teve coração e o resultado acaba por pecar por escasso face ao produzido. Uma noite bonita na Catedral, com vários momentos de emoção à flor da pele e da relva, com futebol dinâmico, oportunidades, golos e inteligência. A Família Benfiquista reconheceu-o e, no final, viveram-se momentos de enorme simbiose, sinergia e cumplicidade... Juntos, até ao fim!
Vem aí a viagem até ao Santiago Bernabéu, onde os encarnados enfrentam o Real Madrid, para as contas da 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Este jogo está marcado para as 20h00 de quarta-feira, 25 de fevereiro.
Já em março, no dia 2, segunda-feira, regresso à Liga Betclic, com o Benfica a viajar até Barcelos para medir forças com o Gil Vicente. O encontro da 24.ª jornada da competição tem apito inicial agendado para as 20h15.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Jovem lateral de 17 anos fez jogo exemplar e muito competente e influente nos dois meios-campos, com o norueguês a abrir o livro no plano ofensivo. Por ele, os encarnados teriam goleado o Aves SAD.






MELHOR EM CAMPO: Andreas Schjelderup (8)
Se alguém perguntar onde estava escondido este Schjelderup a resposta mais correta é que estava provavelmente tapado pelas dúvidas dos vários técnicos que os treinaram. Foram as constantes saídas do onze, quando parecia arrancar definitivamente para a afirmação, que lhe roubaram o moral que o poderia ter conduzido a este nível mais cedo. Lage devolveu-o ao banco, Mourinho até o teve na lista de saídas. O primeiro e o terceiro golos foram provocados por si, respetivamente quando, primeiro, tentou furar e, depois, obrigou Adriel a uma boa intervenção, e serviu os perdulários Richard Ríos e Pavlidis em mais uma mão-cheia de situações. Aos 35 minutos, assinou um dos melhores momentos da partida quando fez a bola passar entre as pernas de um adversário antes de chegar ao grego.
TRUBIN (5) — Pouco trabalho. Na segunda parte, foi testado na concentração por um cruzamento da esquerda, a que reagiu bem.
BAH (6) — Voltou 378 dias depois de romper o cruzado e, aos dois minutos, já estava a meter o pé numa dividida. O golo, recarga a remate de Pavlidis, é prémio por todo o esforço que fez, durante mais de um ano, para recuperar. Percebe-se que lhe falta ritmo para chamar a si todo o corredor.




ANTÓNIO SILVA (6) — tarde segura, perante um adversário que desde cedo se perdeu em campo e que, quando atacou, nunca levou muitos nem teve grande discernimento. Importante a qualidade do passe para a projeção de Bah pelo corredor. Algumas bolas longas necessárias para a variabilidade do ataque.
OTAMENDI (6) — pouco trabalho, é certo, nem teve de se preocupar em empurrar a equipa para a frente, com as habituais arrancadas, porque a equipa já praticamente só atacava. Devia ter descansado 90 e não 45 minutos.
JOSÉ NETO (7) — começou a todo o gás nas sobreposições a Schjelderup, mostrando um à-vontade pouco habitual para quem tem 17 anos. Com o tempo, geriu mais a projeção, uma vez que também sobre esse lado aparecia por vezes Rafa a reclamar espaço. Duas ou três bolas longas a merecer melhor sorte ou afinação, concentrado e veloz no momento defensivo e influente nos dois meios-campos. Está mais do que pronto para a Liga e, eventualmente, ser titular desta equipa. Mesmo que o Aves SAD seja o último.
ENZO (7) — regressou disposto a morder, como gosta o treinador, procurando o desarme em carrinho e agressividade nos duelos. O passe longo, por vezes, não chegou ao destino, algo que tem de melhorar. Muito bom golo com o pior pé, a fazer a bola passar no meio da floresta de pernas à sua frente antes de bater Adriel. Muito rematador, ameaçou bisar.




RÍOS (6) — está no 2-0, servindo Barrenechea, porém a maior parte das iniciativas não lhe correu bem. Houve mais, mas os exemplos mais claros estão em duas finalizações no segundo tempo, a segunda em fora de jogo, após passes de filigrana de Schjelderup, em que não enquadrou a bola com a baliza.
SIDNY (6) — também assinou uma assistência, para o terceiro das águias, que teve caligrafia especial de Rafa, mas cada vez deixa mais dúvidas sobre o seu possível impacto no conjunto a médio, longo prazo. Melhorou na segunda parte, no entanto, voltou a mostrar dificuldades nos duelos ofensivos, abusou de cruzamentos (quando não há cabeceadores na área) e, apesar de ter chamado a si praticamente todos os livres e cantos, raramente criou situações de finalização. Ainda assim, esteve perto de marcar, ao rematar ao poste. Prestianni, suspenso, não ficou esquecido.
RAFA (6) — ainda tem a justificação da falta de ritmo, mas a sua produção resumiu-se praticamente ao (belo) golo, de letra, que marcou. Tentou ligar-se com Schjelderup (e Neto), o que deu algumas superioridades numéricas sobre a esquerda, mas não criou muitos momentos para si ou para os companheiros.
PAVLIDIS (7) — falhou golos a mais, é certo, alguns cantados, mas a dimensão do seu futebol é muito maior do que isso. Está nos apoios que faz a toda a largura, no que recupera, na forma como provoca o caos na linha defensiva contrária. Baixou no segundo tempo, mas o primeiro foi excelente.
TOMÁS ARAÚJO (6) — a qualidade de sempre com a bola nos pés. Concentrado a defender.
IVANOVIC (5) — entrou com vontade, mas vive um momento em poucas coisas lhe saem bem. Moral em baixo.
LUKEBAKIO (5) — a força de sempre no 1x1, sem grandes oportunidades criadas.
ANÍSIO (-) — nove minutos em que confirmou que atrai a bola, mas ontem não era preciso marcar.
PRIOSTE (-) — quatro minutos em campo.
In a Bola

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