Pavlidis e Lenglet marcaram num Benfica-Estoril de claro domínio encarnado, com as águias a criarem oportunidades para um resultado mais expressivo antes de segurarem o 2-1 na reta final do embate da 4.ª jornada da Liga Betclic.
Na receção ao Estoril, da 4.ª jornada da Liga Betclic, disputada nesta segunda-feira, 31 de agosto, o Benfica dominou todo o jogo e criou ocasiões suficientes para justificar um resultado mais robusto do que o 2-1 que se registou no final.
De regresso às bancadas do Estádio da Luz em partidas a contar para o Campeonato, o público emocionou-se com um momento especial logo na entrada das duas equipas. Salvador, jovem de 6 anos que sofre de Epidermólise Bolhosa Distrófica Recessiva, pisou o relvado de mão dada com Rafa e fez parte da fotografia do onze encarnado, no qual também marcaram presença Samuel Soares, Bah, Tomás Araújo, Lenglet, Dahl, Barrenechea, Barreiro, Sudakov, Prestianni e Pavlidis.
Com o empurrão dos adeptos a fazer-se sentir desde o apito inicial, as águias assumiram o controlo e começaram cedo a criar perigo. Aos 3', Prestianni arrancou pela esquerda, entrou na área e serviu Sudakov, que viu o seu remate intercetado por Andreou.
Na resposta, aos 6', André Lacximicant conduziu a transição do Estoril e disparou à entrada da área para defesa segura de Samuel Soares.
O Benfica voltou a criar perigo aos 9'. Sudakov colocou a bola na zona de rigor, Ferro aliviou para a entrada da área e Prestianni surgiu a rematar ligeiramente por cima da trave.
Aos 12', a barra impediu a primeira explosão de alegria das bancadas. Na sequência de um novo corte de Ferro, Sudakov rematou de vólei e o esférico ainda sofreu um desvio em Andreou antes de embater em cheio na trave e sair pela linha de fundo. No consequente pontapé de canto, Barreiro caiu no interior da área estorilista após uma disputa com Xeka, mas o árbitro mandou seguir.
Instaladas no meio-campo adversário, as águias tiveram nova oportunidade aos 28'. Prestianni abriu para Bah, que colocou a bola ao jeito de Tomás Araújo. À entrada da área, o central testou a pontaria, mas atirou ao lado.
À passagem da meia hora, Barrenechea caiu no relvado com muitas queixas e Marco Silva foi obrigado a uma substituição forçada. Saído do banco, o reforço João Palhinha entrou aos 31' e fez a estreia oficial pelo Benfica, devidamente assinalada com uma ovação vinda das bancadas.
Assumindo imediatamente um papel de relevo – viria a ser eleito o Man of the Match –, o médio contratado ao Bayern Munique esteve em destaque logo aos 35': fez um passe picado a isolar Bah, que, em boa posição, cabeceou ao lado.
Aos 40', a audácia e a insistência encarnada foram, finalmente, premiadas. Após um primeiro alívio de Sierra a um cruzamento de Prestianni, Dahl rematou na área contra Andreou e a bola sobrou para Pavlidis, que se impôs fisicamente, rodou e rematou colocado para o canto inferior direito. Estava feito o 1-0 através do 11.º golo do avançado grego na temporada 2026/27.
Nos descontos da 1.ª parte, a avalancha das águias tornou-se ainda mais evidente e, aos 45'+3', Bah cruzou tenso para um desvio de cabeça de Rafa, valendo ao Estoril uma defesa a dois tempos de Joel Robles.
No mesmo minuto, surgiu uma das melhores jogadas da etapa inicial. Servido por um grande passe de João Palhinha, Rafa adiantou para Barreiro, que, na área, tocou para Pavlidis. O avançado rodou e rematou prensado em Andreou para uma defesa por instinto de Joel Robles. Na sobra, Pavlidis assistiu Prestianni, que disparou para um bloqueio decisivo de Tsoungui, e a bola ainda sobrou para Barreiro ao segundo poste, sem que o médio conseguisse finalizar.
Logo de seguida, aos 45'+4', uma nova oportunidade flagrante. João Palhinha lançou Rafa, este serviu Pavlidis e, após uma disputa com Ferro, a bola sobrou para Barreiro. Só com Joel Robles pela frente, o internacional luxemburguês rematou rasteiro com o pé esquerdo para uma grande intervenção do guarda-redes adversário.
O intervalo chegava ao Estádio da Luz com um travo de resultado escasso para tudo aquilo que a equipa de Marco Silva tinha produzido ofensivamente.
Durante a pausa, o público teve a oportunidade de homenagear as equipas feminina de andebol e masculina de hóquei em patins, que foram ao relvado exibir os troféus da Supertaça da presente temporada (além da Taça de Portugal da época passada) e do Campeonato Nacional 2025/26, respetivamente.
A 2.ª parte começou com o Benfica novamente por cima e, aos 51', as bancadas explodiram com um golaço. Com espaço, Lenglet avançou desde o meio-campo e, ainda de longe, em posição frontal, rematou forte de pé esquerdo ao ângulo superior esquerdo, fazendo o 2-0. Estreia a marcar, e em grande estilo, do reforço das águias para 2026/27.
Os encarnados não refrearam as suas investidas e construíram uma dupla oportunidade aos 55'. Servido por um cruzamento de Pavlidis, Prestianni rematou forte, de ângulo apertado, para uma defesa difícil de Joel Robles. Na insistência, Sudakov atrasou para Dahl, que também tentou o golo. No entanto, a bola sofreu desvios em Holsgrove e Andreou antes de sair ligeiramente ao lado do poste direito.
Aos 63', Marco Silva promoveu a segunda substituição nas águias, lançando Schjelderup para o lugar de Rafa.
Instalado no meio-campo adversário, o Benfica dispôs de duas oportunidades para ampliar no espaço de poucos segundos. Aos 76', Dahl ganhou a linha do lado direito e cruzou atrasado para João Palhinha, que rematou de primeira para uma defesa apertada de Joel Robles junto ao poste direito.
No minuto seguinte, nova ocasião: após um canto curto, Dahl recebeu fora da área e rematou forte, rasteiro e colocado ao canto inferior direito, obrigando o guarda-redes a uma intervenção exigente pela linha de fundo. No canto que se seguiu, espaço para um lance duvidoso na área do Estoril: Barreiro foi puxado por Sierra e impedido de se fazer ao cruzamento de Sudakov, mas o árbitro não considerou o lance passível de penálti.
Marco Silva continuou a refrescar a equipa e, aos 80', realizou uma tripla alteração: Lukebakio, Gonçalo Moreira e Jhon Durán foram a jogo nos lugares de Prestianni, Sudakov e Pavlidis.
Quando pouco ou nada o fazia prever, o Estoril demonstrou eficácia para se recolocar na discussão do resultado aos 82'. Bah fez um corte à direita da defesa, mas a bola ficou para Medrano, que assistiu Begraoui. Na área, o avançado resistiu à pressão de Lenglet, rodou e rematou colocado para o 2-1.
A vasta maioria dos 63 112 espectadores que estiveram no Estádio da Luz pressentiu a necessidade de entrar em jogo e vestiu a camisola, entoando cânticos de apoio à equipa.
Com o Estoril lançado em busca do empate, as águias cerraram fileiras e não permitiram oportunidades relevantes ao adversário. Nos minutos finais, ainda houve tempo e espaço para fazer a diferença em saídas rápidas. Estas acabaram por resultar numa sucessão de cantos que ajudaram a equipa a manter a bola longe da baliza de Samuel Soares até ao derradeiro apito.
Garantidos mais 3 pontos no Campeonato, equipa e público celebraram o triunfo em plena comunhão, com aplausos dos jogadores em retribuição do apoio incessante.
O Benfica volta a entrar em campo às 18h00 do próximo sábado, 5 de setembro, no reduto do Marítimo, em duelo da 5.ª jornada da Liga Betclic.
SL Benfica
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Os sentimentos são abstratos mas a exibição do novo ai-Jesus dos adeptos encarnados foi bem realista. O grego Pavlidis coloca o Benfica a dançar como Zorba
Samuel Soares (5) — Bem poderia ter levado uma cadeira para assistir ao jogo e poucas vezes precisaria de se ter levantado. Teve uma noite bastante tranquila, dada a inépcia ofensiva do Estoril até à reta final do encontro, momento em que Begraoui o bateu num remate em que não teve qualquer hipótese.
O melhor em campo: João Palhinha (7)
É o novo ai-Jesus dos adeptos benfiquistas, não tivesse ele sido formado no arquirrival e estado no pensamento dos dirigentes do outro lado da Segunda Circular. Mas os sentimentos são abstratos e a exibição de João Palhinha não foi um filme de Buñuel ou um quadro de Salvador Dali, mas sim do realismo que a todos habituou. Portanto, o palco pode ter mudado mas o médio foi de sempre: intenso, físico, líder e organizador. Podem mudar as cores, não muda a atitude. Foi a primeira amostra, mas os tubos de ensaios não partiram na experiência. Não entrou de início mas entrou diretamente para o coração dos seus novos apaixonados. Parece incontestável que está encontrado o titular para a posição 6. O investimento encarnado foi forte, porém, a rentabilidade desportiva será, ao que tudo indica, alto. Mas foi só o primeiro jogo...
Bah (6) — Muita propensão ofensiva a dinamizar o flanco direito, sem demonstrar ter saído de um período de paragem prolongada. Não é um lateral dado a grandes espalhafatos, no entanto, cumpre com eficácia.
Tomás Araújo (5) — Passou ao largo de trabalhos forçados e até deu bons indicações na capacidade de construção. Contudo, falhou no posicionamento no golo canarinho, visto que era o responsável por fechar a marcação a Begraoui.
Lenglet (6) — Ninguém lhe retira o mérito do golo marcado, daqueles para ver e rever incansavelmente. Todavia, a principal missão de um defesa continua a ser defender, e na abordagem a Begraoui demonstrou excessiva brandura. Com maior contundência (e sem arriscar o penálti), poderia ter travado o remate certeiro do franco-argelino.
Dahl (6) — Participou no lance do primeiro golo e soltou-se na fase final do encontro, obrigando Joel Robles a uma grande defesa (77’). Numa altura em que ganha ritmo e confiança, chega El Karouani para aumentar a concorrência. Mas assim é a vida de um futebolista.
Barrenechea (6) — Estava a funcionar como a placa giratória do meio-campo, aplicando variações de jogo interessantes, até ao instante em que sofreu um choque e ficou lesionado. Ainda tentou continuar em sacrifício, mas o corpo cedeu e teve de ser substituído, acabando com o prémio limão pelo azar. Porém, a julgar pela amostra, terá de evoluir bastante para discutir a titularidade.
Leandro Barreiro (5) — Menos intenso do que o habitual e com pouca presença em zonas de finalização. Manteve a entrega exemplar de costume, mas pecou na falta de lucidez. Numa avaliação escolar, não passaria de um 'suficiente'.
Rafa (5) — Sem o espaço habitual na profundidade para explorar as costas da defesa adversária, foi tentando criar perigo, mas desta vez até os passes saíram sem a precisão habitual. Louve-se o empenho, mas a exibição ficou-se por aí.
Sudakov (5) — Continua a acusar um problema já antigo: as ideias são excelentes, mas a execução deixa a desejar. E a prática é o critério da verdade, pouco mais há a dizer sobre a exibição do ucraniano. Nota positiva, ainda assim, para a fluidez que conferiu à circulação de bola, embora longe das imediações da área.
Prestianni (7) — Se a FIFA criou a ‘Lei Prestianni’ por causa do célebre jogo com o Real Madrid, o argentino assina agora uma nova norma no universo encarnado: a da qualidade de jogo constante e tomadas de decisão acertadas, ainda que sem o brilhantismo fulgurante demonstrado frente ao Aarhus.
Pavlidis (7) — Tal como no clássico do cinema 'Zorba, o Grego', em que Anthony Quinn imortalizou uma dança marcante, este Benfica também se exibe ao ritmo da música grega de Vangelis Pavlidis. Trabalha incansavelmente para o coletivo e, quando a equipa entra em apuros, surge o golo do camisola 14 a desbloquear a partida. Já soma 11 tentos esta temporada.
Schjelderup (5) — Colou-se à ala esquerda e teve reduzido impacto na partida. Ofereceu mais vertigem, mas revelou muito menos critério do que Prestianni.
Gonçalo Moreira (4) — Denotou muita vontade, mas faltou-lhe discernimento nos momentos de decisão.
Durán (5) — Bastante rotação e correria, contudo esteve pouco em jogo.
Lukebakio (3) — Uma exibição inconsequente e pontuada por demasiada displicência.
In a Bola









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