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terça-feira, 25 de junho de 2013

LIGA 2014/2015 QUE FORMATO?

Liga

Liga 2014/15 poderá ter seis equipas que não defrontam os grandes (I)

Fórmula está a ser estudada por empresa holandesa

A Liga está a preparar uma proposta de alteração do principal campeonato português em que dezoito clubes participam, mas seis deles nunca jogam com os quatro primeiros classificados.

A proposta é apenas uma das que têm sido apresentadas aos clubes e a diferentes agentes ligados ao futebol, mas é muito provável que chegue à Assembleia Geral do próximo dia 27, onde os quadros competitivos (I e II Liga) serão discutidos e alterados para dar entrada ao Boavista. A mudança terá efeito a partir de 2014/15.

Os dirigentes da Liga pediram ajuda a uma empresa holandesa, a Hypercube, que desenvolveu um modelo que permite medir a influência de cada fórmula de competição em diferentes parâmetros. Presentes em todas as reuniões, os responsáveis da empresa têm procurado evidenciar, para cada tipo de competição, de que forma são influenciadas as assistências nos estádios e as receitas televisivas, além do número de jogos. 

A fórmula inovadora

Alguns dos modelos apresentados são clássicos. Manter o atual, por exemplo, implicaria que três clubes desceriam, para entrarem dois mais o Boavista. Simplesmente colocar 18 clubes teria impacto no número de jogos, com perda de interesse e prejuízo para as equipas que competem na Liga dos Campeões. Reduzir para 14 não ajuda a resolver o problema de base: abrir uma vaga obrigatória para o Boavista, por decisão federativa. 

É neste cenário que aparece a mais arrojada das propostas, com o nome de código de «inovadora».

À partida, a Liga seria dividida em duas metades.

Na primeira jogariam oito clubes, a duas voltas, num total de 14 jornadas.

Na segunda metade jogariam dez clubes, a duas voltas, num total de 18 jornadas. 

Esta primeira competição, de Inverno, terminaria em dezembro.

O vencedor do campeonato a oito ficaria automaticamente apurado para o Play-off final (já lá vamos¿) onde se discutiria o campeão da temporada.

As quatro equipas que chegassem a dezembro no topo continuariam em janeiro na parte de cima da competição, a oito. As outras quatro participantes seriam as melhores classificadas do campeonato a dez, a parte de baixo da I Liga. 

De janeiro a maio, novo campeonato em duas competiçõesparalelas. Uma com oito clubes, a duas voltas, e 14 jornadas. A outra com dez clubes, a duas voltas, no total de 18 jornadas. O vencedor da primeira, a parte de cima da I Liga, disputaria o Play-off com o vencedor de dezembro, para atribuição do título. Haveria também Play-off para o terceiro e quatro lugar e para o quinto e sexto, de forma a atribuir os lugares UEFA. 

No caso de o vencedor de maio ser o mesmo vencedor de dezembro, o título ficará automaticamente atribuído, sem necessidade de Play-off, que poderá ser necessário apenas para atribuir o segundo e terceiro lugares.
Vantagens e desvantagens

Uma das mais evidentes desvantagens deste modelo é explicá-lo aos adeptos. É muito diferente do atual, o que torna tudo mais complexo. Também é questionável que o título de um campeonato seja atribuído num Play-off a duas mãos, embora isso seja comum em outras modalidades. 

Mas a maior desvantagem é para os clubes do fim da tabela. Seis deles terão de viver sem as receitas dos grandes e sem o impacto que é jogar com F.C. Porto, Benfica e Sporting, admitindo que estes três se mantêm sempre entre os quatro melhores. 

Em 2014/15 a organização seria esta: no campeonato de cima estariam os oito melhores de 2013/14. No campeonato de baixo os sete piores, mais o Boavista e dois promovidos da II Liga. Em dezembro será assim, dois mundos separados.

Em janeiro, os quatro últimos da parte de cima descem e sobem os quatro primeiros da parte de baixo. Conclusão: seis equipas só verão os melhores, os que lutam pelo título, os que trazem receita, na televisão. 

De acordo com estimativas realizadas pelos holandeses, a menor probabilidade de jogar pelo menos duas vezes com os clubes de topo é de 34 por cento. No atual modelo é de 100 por cento, para os emblemas da I Liga. 

Apesar deste ponto, os clubes têm aceitado discutir todas as opções, até porque subjacente a este modelo está uma outra revolução: a centralização dos direitos televisivos, o que permitiria distribuir de outra forma as receitas, protegendo quem não joga com os maiores. Um cenário que só será possível se forem quebrados os contratos individuais com a Olivedesportos, algo que tem consumido grande parte da energia do presidente da Liga, Mário Figueiredo. Como este processo se antevê longo e complexo, os clubes serão chamados a decidir agora com base em pressupostos que o tempo poderá nunca confirmar.

A principal vantagem deste modelo é multiplicar o número de jogos entre as melhores equipas, sem com isso as obrigar a competir mais, o que seria prejudicial para o desempenho na UEFA. Salvo algo inesperado, F.C. Porto e Benfica, por exemplo, teriam de competir entre si quatro vezes, podendo ainda encontrar-se no Play-off. Ou seja, seis clássicos por época, em vez de dois, antes de encontrar o campeão. O efeito sobre a assistência nos estádios e a receita de bilheteira é evidente.

Este modelo também anula as zonas mortas. Todos os jogos contam.

Os de cima lutam pelo título, pela Europa e pela manutenção na metade nobre da tabela, a que lhes permite jogar com os grandes.

Os de baixo lutam pela manutenção e pelo acesso à zona dourada. 

Uma vantagem acrescida para o vencedor do campeonato de dezembro: fica a saber que terá acesso direto à Liga dos Campeões na época seguinte, o que lhe poderá permitir retocar o plantel no mercado de Janeiro.

Na II Liga o cenário mais provável nesta altura é dividir a competição em duas zonas geográficas, cada uma com doze clubes. Os seis primeiros de cada zona disputariam depois uma segunda fase em que seriam encontradas as equipas que sobem à divisão maior. 

As reuniões entre a Liga, a Hypercube e os clubes continuarão e o mais certo é no dia 27 de junho a assembleia geral ter para discutir e aprovar diferentes formatos para os campeonatos profissionais, época 2014/15.

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