quarta-feira, 20 de setembro de 2017

UM GOLO, NÃO A VITÓRIA


As contas do Benfica, já se esperava, foram boas, com um lucro recorde no futebol português. Algo anunciado, após uma temporada em que foram transferidos Gonçalo Guedes, Hélder Costa, Ederson e Lindelöf, entre outros - faltam ainda as vendas de Nélson Semedo e Mitroglou, que só entrarão no final do exercício atual.
Mas há sinais que devem deixar alerta os responsáveis do clube da Luz. Para começar, o facto de o resultado com direitos de atletas ser menos de metade do valor recebido por vendas. Entre gastos associados às vendas de jogadores, entre os quais estão as comissões, e as amortizações e perdas de imparidade (custo atual dos futebolistas contratados) são mais de 60 milhões de euros.

O grande aumento dos custos com pessoal, onde se incluem os salários de jogadores, treinadores e estrutura, é algo que deve ser também olhado com cuidado. No Benfica, esta rubrica passou de 61,5 para 74,7 milhões de euros. Para se ter uma ideia, na época 2015/16, FC Porto chegou aos 75,8 milhões de euros (ainda que sem prémios por vitória na Liga) e anunciou a intenção de reduzir este valor em 20 milhões.
A redução do passivo em pouco mais de 17 milhões de euros acaba, por isso, por ficar algo abaixo das expectativas criadas. É certo que a tendência, pelo desinvestimento na equipa principal neste defeso e pelas vendas já feitas, é manter a redução da dívida nos próximos exercícios. Os adeptos querem festejar golos, mas muito do futuro do Benfica joga-se nestes comunicados à CMVM. Este foi um golo, mas não garante a vitória.

Sérgio Krithinas, in Record

O CAMINHO DA RETOMA


O Benfica apresentou um lucro histórico de 44,5 milhões de euros. É o resultado de um trajeto de sucesso desportivo com tudo aquilo que ele representa: vendas extraordinárias que não deixam de ser acompanhadas de custos elevados. A opção foi claramente assumida por Luís Filipe Vieira. O objetivo é abater o passivo para que o legado seja não apenas títulos e infraestruturas mas também um clube governável. O Benfica segue no caminho da retoma.
No momento em que o Benfica transmitia essa boas novas, a equipa de futebol sentia de perto o desagrado dos adeptos das claques face aos últimos resultados. O episódio não é mais do que o reflexo de um descontentamento generalizado ainda que cruel e desmesurado e por alguns oportunisticamente aproveitado. Para todos, porém, está na hora de retomar o caminho dos êxitos. O próximo ciclo competitivo será determinante para se perceber se o espírito ganhador e de união ainda está presente no balneário de Vitória.

Muitos jornalistas sairam do Record e todos deixaram a sua marca nesta casa. Vanda Cipriano cumpriu ontem o último dia de 21 anos de dedicação a este jornal. Não posso deixar de assinalar a sua saída e através dela homenagear todos os outros. À Vanda desejo as maiores felicidades no novo rumo que dá à sua vida.
António Magalhães, in Record

O VALOR DO DESAFIO


Quando pensamos na situação ideal para desenvolver a nossa máxima performance, há um ponto essencial: o desafio. É uma situação ótima para crescer e evoluir. Então porque é que alguns jogadores aproveitam estas situações para evoluir e outros começam a diminuir os níveis de performance? A resposta é simples: porque uns se focam no benefício que lhes traz essa zona de desafio, enquanto outros colocam a atenção nos problemas que daí podem surgir. Existe uma forma de, perante um novo desafio, continuar a desenvolver e atingir mais e melhores resultados, e passa por uma análise de quatro pilares sobre os quais é necessário atuar.

Forças - Perante um desafio, é essencial fazer uma autoanálise das qualidades e características onde sou bom, do que me distingue dos outros, do que é a minha característica diferenciadora. Poderá ser visão de jogo, inteligência, velocidade ou qualquer outra característica.
Fraquezas - Tenho de ter a capacidade de observar o meu comportamento e perceber quais as situações em que poderia melhorar, onde verifico que há outros jogadores com maiores capacidades, e que eu considere que possa ser treinado.
Oportunidades - Importa olhar para o contexto onde nos inserimos e perceber quais as situações que me colocam em vantagem, o que pode favorecer os meus resultados e potenciar os meus objetivos, o que está à minha volta do qual eu posso tirar partido?
Ameaças - São as situações que me causam desconforto, que reduzem as minhas oportunidades e que eu considero que me podem de certa forma prejudicar. Normalmente os jogadores têm esta parte bem presente e definida - seja o treinador (pela ideia que possuem dele e das suas decisões), do colega que ocupa a mesma posição ou ainda na tendência para se lesionar.
Parte do nosso trabalho passa por transformar todas estas situações em oportunidades. Quando ganhamos clareza sobre estes quatro pilares que influenciam a nossa performance, temos criadas as condições para elaborar um plano de ação que nos permite transformar fraquezas em forças e ameaças em grandes oportunidades. Quando olhamos para um jogador como o Cristiano Ronaldo, conseguimos observar tudo isto em ação: por um lado tem um desafio constante que se chama Messi, o que significa que estas duas forças em ação vão criar a zona de desafio necessária para trabalhar a excelência. Por outro lado, CR7 soube sempre potenciar as suas características diferenciadoras, ao ponto de serem tão exclusivas que dificilmente encontramos outro jogador com o mesmo nível de execução, e também soube minimizar com trabalho as suas fraquezas. Não existe exemplo melhor de um jogador que transforma possíveis ameaças em oportunidades de mostrar a sua genialidade.
Susana Torres, in Record

MAIS UMA CORTINA DE FUMO PARA MAQUILHAR A REALIDADE


Clube intervencionado pela UEFA insiste na coação e nas ameaças. Já o Benfica apresenta resultados financeiros recorde.
No dia em que Grupo Benfica apresentou resultados financeiros recorde, outros, que estão intervencionados pela UEFA devido a descalabro nas suas finanças, procuraram erguer mais uma cortina de fumo, apenas com o intuito de maquilhar a realidade. Mesmo enfrentando uma queixa-crime desencadeada por parte de um conjunto de árbitros – ação que foi pública após a vandalização de mais uma casa de um elemento da classe –, o diretor de comunicação do FC Porto insiste e persiste em manobras e intervenções apenas com um propósito: coagir e ameaçar.
Na noite de terça-feira, vendo-se à sua imagem e replicando práticas há muito conhecidas – Luís Gonçalves, outro responsável portista, ainda na época passada ameaçou Tiago Antunes de descida de divisão, cenário que, curiosa e premonitoriamente, viria a suceder… –, o rival em questão pôs em causa a classificação atribuída a Marco Ferreira no Braga-Benfica disputado a 26 de outubro de 2014, onde este efetuou uma arbitragem que toda a Imprensa rotulou de péssima e com inegável influência no resultado.

Foi, aos olhos de todos, um desempenho horrível, que teve como consequência objetiva e natural uma péssima nota (2 numa escala de 0 a 5).

S.L. Benfica

AS MALEITAS DO BENFICA


"Luís Filipe Vieira produziu, no final de Julho, um conjunto de declarações que, na altura, não foram suficientemente absorvidas pelos adeptos mais arrebatados com a conquista do tetra. E, de facto, nada melhor do que um momento de deslumbramento germinado por uma conquista rara para deixar cair que "o mercado está louco" e o Benfica "não vai parar de vender enquanto não tiver o controlo da dívida". Para que não ficasse réstia de dúvida, o presidente foi ainda mais translúcido: "Podemos hipotecar um título, não podemos hipotecar o futuro". Ao contrário do que tantas vezes acontece no futebol, não foram frases frívolas e meramente panfletárias. Vieira tinha mesmo incorporado que os quase 500 milhões de euros de passivo estavam a transformar-se num cabouco sem fundo e, por isso, demasiado perigoso, principalmente desde o colapso de uma banca que fechou a torneira e passou a reclamar os créditos. E, de facto, se estivéssemos a falar de uma outra qualquer indústria que não o futebol não faltaria quem continuasse a bendizer a SAD pela coragem e desassombro. É verdade que, na altura, ninguém se insurgiu contra um plano que fez com que o Benfica encaixasse mais de 130 milhões de euros e gastasse pouco mais de 8 milhões, o nono investimento mais baixo entre os 32 clubes que se apuraram para a Liga dos Campeões. Mas hoje já não falta quem fustigue o apertar do cinto. Após uma pré-época já de si decepcionante, o empate em Vila do Conde e as duas derrotas frente ao CSKA e ao Boavista roubaram o positivismo mesmo àqueles benfiquistas que, por uma questão de princípio, se recusam a comprar um eletrodoméstico a prestações.
Mas, o que os desconsolados benfiquistas não perceberam é que os resultados negativos não são tanto consequência da redução das verbas disponíveis para contratações, antes de um conjunto de outras opções, algumas ideológicas e provavelmente majoradas por algum deslumbramento e pela sobranceria de quem se achava muito superior à concorrência. Desde logo as baseadas na ideia de que "o Benfica soube ser autossuficiente", um bordão também promovido por Vieira em Julho. O presidente do Benfica acreditou que a ‘fábrica’ do Seixal teria uma capacidade de produção de talentos suficiente para suprir a generalidades das saídas. E que, nas raras vezes em que isso não acontecesse, haveria sempre um ‘scouting’ capaz de descobrir pechinchas à imagem de Lindelöf, Ederson ou Oblak. Mas nenhum clube se mantém competitivo durante muito tempo se forçar a ideia de que é 100% autossustentável e de que consegue renovar-se apenas com jogadores produzidos na sua formação ou, em alternativa, com talentos descobertos ainda com a casca de ovo na cabeça. E forçar não é um excesso linguístico principalmente se levarmos em conta que o Benfica perdeu três titulares do seu quinteto mais recuado. Ora, acontece que foi capaz de encontrar livre no mercado um avançado já suficientemente maduro, rodado na Bundesliga e com o selo de garantia da selecção suíça. Contratar Seferovic era, de facto, uma chance que não podia ser desaproveitada, mesmo levando em conta que o Benfica já tinha avançados para dar e vender. Mesmo a saída de Mitroglou foi compensada com Gabriel Barbosa, alternativa interessante a Jonas. Ora, sabendo-se que os títulos se ganham com avançados e se defendem com defesas, a pergunta que se impõe é porque não houve a mesma diligência nos restantes sectores? Foi temerário sugerir que o treinador iria conseguir que Buta, Kalaica e Varela se transformassem, num estalar de dedos, em réplicas perfeitas de Semedo, Lindelöf ou Ederson. Tão ou mais incompreensível foi o processo de seleção de Hermes e Pedro Pereira, principalmente este, escolha do presidente que obrigou à vinda apressada de um Douglas ainda por estrear. Isto já para não falar no falhanço bizarro da contratação do guarda-redes André Moreira (posteriormente substituído pelo também jovem Svilar). A estrutura extasiou-se com os seus próprios méritos ou foi Rui Vitória que não foi suficientemente reivindicativo? Provavelmente um pouco de tudo.
Mas, atenção, o Benfica continua a ter um plantel com qualidade suficiente para jogar mais e melhor do que vem fazendo, como, de resto, provou em vários períodos da primeira parte no Bessa (deliciosa a sociedade ‘esquerdista’ entre Grimaldo e Zivkovic). Já não há uma diferença tão marcante como no passado recente, principalmente para o Sporting, mas também é na limitação que se releva o mestre. E se, no final da época passada, na hora dos festejos, deixamos aqui isso expresso que o Benfica mantinha deficiências e disfunções (principalmente na construção) que já deviam ter sido resolvidas ou, pelo menos atenuadas no treino, temos agora de acrescentar outras maleitas ao diagnóstico. Porque este Benfica não sabe gerir as vantagens, não sabe mudar o rumo dos jogos e deixa que os mesmos fiquem perigosamente ‘partidos’. E faz substituições que não lembram ao diabo, como aquela de Zivkovic no Bessa. Semear avançados lá na frente qualquer um faz.

Cinco estrelas
Dybala tem talento e golo
Dois "hat tricks" em apenas quatro jornadas não estão ao alcance de qualquer um. Conseguiu-o Dybala, que voltou a brilhar frente ao Sassuolo e já lidera a lista de melhores marcadores do "calcio", com oito golos. O craque da Juve tem um talento inversamente proporcional à estatura.

Quatro estrelas
Falcao continua a responder
Acarinhado por Leonardo Jardim, Falcão continua a responder a quem lhe anunciou a (falsa) decadência: mais dois golos (e uma assistência) frente ao Estrasburgo. Está à frente de Cavanni nos marcadores, com 9 tentos em 6 jogos, marca que já não se via há 40 anos na liga francesa.

Três estrelas
Jota talhado para outros voos
Diogo Jota marcou os dois golos que ajudaram o Worverhampton de Nuno Espírito Santo a bater o N. Forest e a subir à liderança (a par do Leeds). E o L´Equipe, que o incluiu na lista dos melhores 50 sub 21, já diz que o Championship é curto para ele.

Duas estrelas
Vida difícil para André Gomes
André Gomes era desejado por grandes equipas europeias, mas o mercado fechou antes de o médio português conseguir que o Barça o cedesse. Resultado: frente ao Getafe não saiu do "banco"e Valverde nem o convocou para o jogo com o Eibar.

Uma estrela 
O drama de Adrien
Que os jogadores têm de estar cada vez mais vigilantes na gestão do seu futuro prova-o a situação complicada em que continua Adrian Silva. Por 14 segundos não foi inscrito pelo Leicester, que ainda nem lhe deu autorização para treinar. O treinador Craig Shakespear também desespera."

PRIMEIRAS PÁGINAS


terça-feira, 19 de setembro de 2017

O CANDIDATO DE BLOGUE


Rui Gomes da Silva começou a segunda-feira a traçar um cenário apocalíptico sobre o funcionamento do Benfica e acabou o dia a garantir que ainda se vai rir na cara de Guilherme Aguiar e Paulo Andrade quando, no final da temporada, a equipa "conquistar o penta com o Bruno Varela na baliza". Se está tudo assim tão mal, de onde pode vir tanta confiança?
O antigo vice-presidente do Benfica disparou em diversas direções, mas elegeu um alvo preferencial: Rui Costa. Ninguém tem grandes dúvidas, nos corredores da SAD dos encarnados, que as motivações de Gomes da Silva estão exclusivamente relacionadas com a sua própria agenda e com a intenção, sempre mal disfarçada, de um dia ocupar o cargo que hoje pertence a Luís Filipe Vieira. Nesse sentido, terá entendido que chegou a hora de começar a fazer ‘marcações individuais’.

Como já tinha acontecido numa primeira ocasião – quando identificou uma "estrutura aburguesada" – Rui Gomes da Silva voltou a desferir um ataque violento e fê-lo novamente num momento em que a águia está cabisbaixa. O que agora deveria fazer, para não ser acusado de oportunista, era garantir desde já a presença na AG da próxima semana (dia 29). O encontro é para apreciar e votar as contas de 2016/17, mas é seguro que se arranjará tempo para debater questões de superior importância que não devem ficar por blogues e estúdios de televisão.
Nuno Farinha, in Record

BENFICA: CRISE OU CRISE DE SUCESSO?


Colocando as coisas em perspetiva, há boas razões para estarmos otimistas em relação ao momento do Benfica. No passado recente, com Rui Vitória ao comando, já ultrapassámos situações bem mais exigentes e, numa prova longa, cinco pontos são facilmente recuperáveis. E se olharmos um pouco mais para trás, que dizer? O Benfica vivia uma situação catastrófica financeira e desportivamente. Nos últimos anos, o clube entrou numa dinâmica vitoriosa com poucos paralelos na história recente e esta alicerçou-se num modelo de negócio que abre boas perspetivas.

Vista assim, a minicrise que o clube atravessa é uma crise de sucesso. Mais, se pensarmos que basta o regresso ao onze de um par de jogadores (Fejsa e Jardel à cabeça) e a melhoria de forma de jogadores essenciais para a organização ofensiva (sobretudo Pizzi) para o futebol jogado melhorar substancialmente, é até possível dizer que se trata de um mau momento circunstancial e que é em maio, uma vez mais, que se fazem as contas.
Os problemas surgem quando olhamos para o que o Benfica vem fazendo nos últimos quatro jogos como manifestações de problemas anunciados e que não foram resolvidos em tempo útil. Desde logo, o planeamento da temporada. Se há muito que as saídas de Ederson, Lindelöf e Nélson Semedo eram prováveis, continua a ser pouco claro por que razão não se procurou alternativas que dessem garantias, mesmo que com perfil diferente. A opção é tanto mais estranha quanto os jogadores mais promissores da formação que podiam ser aposta jogam do meio-campo para a frente (a exceção é mesmo Rúben Dias). Se a escolha era desinvestir (o que podia ser racional), surpreende, contudo, que tenham saído tantos jogadores da defesa e não se tenha colmatado as perdas no reduto defensivo, enquanto se foram buscar dois atacantes (Seferovic e Gabriel) para o lugar de um (Mitroglou), sendo que o plantel não tinha particulares carências no ataque.
Mas se os equívocos na preparação da época geram ceticismo, há sinais muito preocupantes que ficam dos últimos jogos. É perturbante que, por três vezes, a equipa se tenha visto em vantagem no marcador e que, a partir desse momento, em lugar de matar os jogos, tenha enveredado por uma circulação de bola em toada lenta e inofensiva que deixou o Benfica à mercê de reviravoltas. Foi assim com Portimonense, CSKA e Boavista. Esta opção parece ser um indício de uma falta de confiança que inquieta.
Pior mesmo só a estranha opção tática de, quando a perder, colocar a equipa a jogar num sistema em que se acumulam atacantes, se parte o meio-campo e se baixam extremos, deixando a equipa sem critério ofensivo. Fica sempre a dúvida sobre o que será pior: saber se este sistema é treinado ou se, pelo contrário, é utilizado sem ser treinado e não passa de um regresso ao tradicional "tudo ao molho e fé em deus".
Pedro Adão e Silva, in Record

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"JOGO DUPLO" EM MOVIMENTO


Na semana que passou, após a realização do debate instrutório no processo criminal associado à ‘Operação Jogo Duplo’, todos os arguidos ficaram a saber que enfrentarão julgamento. Será o primeiro em Portugal relacionado com ‘match fixing’ ou manipulação de resultados, uma forma de corrupção que contagiou o desporto a nível mundial. Atualmente são poucos os países sem registo de condenações e ainda menos aqueles que não têm investigações em curso ou processos a correr em Tribunal.

É conhecida a minha posição relativamente a este fenómeno: tolerância zero. Embora continuem a existir fatores de risco em Portugal, quer do lado dos jogadores, quer do lado dos clubes, em especial os que competem na Segunda Liga e no Campeonato de Portugal, o endurecimento das penas aplicáveis e as orientações de política criminal para os próximos anos fazem-me ter confiança num combate efetivo a este flagelo.
Não queremos voltar a ter outro ‘Jogo Duplo’ no desporto português. A proveniência do dinheiro utilizado para corromper os agentes desportivos envolvidos ou os rostos por detrás das organizações criminosas que utilizam o futebol para os seus negócios sujos são, no final do dia, a parte mais difícil da investigação.
Os rostos visíveis pelos piores motivos são os de jogadores, árbitros, treinadores ou dirigentes envolvidos e é para estes que são direcionadas as medidas de natureza disciplinar. Também, por isso, o futebol e os seus agentes devem estar unidos em torno desta causa. Sem a erradicação do ‘match fixing’ não existe competição e a perda de credibilidade será acompanhada do afastamento dos adeptos e da perda investimento. Neste contexto, com salvaguarda do princípio da presunção da inocência, exige-se uma justiça célere e exemplar.
Joaquim Evangelista, in Record