sábado, 25 de março de 2017

“EM CAUSA A VERDADE DESPORTIVA”


O vice-presidente do Benfica Domingos Almeida Lima criticou hoje a “dualidade de critérios” na justiça desportiva, afirmando que a justiça é “célere e penalizadora para com o Benfica e lenta e complacente” com todos os outros.
“Emitimos um comunicado a chamar a atenção para que a justiça seja igual, mas só vemos uma justiça célere e penalizadora para com o Benfica. Com todos os outros. é lenta e complacente, numa espécie de apagão”, disse Domingos Almeida Lima, em Abrantes.
Perante cerca de 400 pessoas, na inauguração das novas instalações da Casa do Benfica de Abrantes, no distrito de Santarém, o dirigente referiu a “indignação” da instituição desportiva e pedido “respeito” pelo clube da Luz.
Domingos Almeida Lima disse que o Benfica já pediu reuniões aos presidentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, e da Liga de clubes (LPFP), Pedro Proença, para expor as "fortes preocupações" do clube sobre a atual situação do futebol português, tendo feito notar que, se a justiça desportiva não for salvaguardada, o Benfica não deixará de "apelar à intervenção do Governo".
O vice-presidente dos ‘encarnados’, que assumiu o papel de Luís Filipe Vieira, que esteve presente, mas não falou, por estar castigado, realçou ainda que, "para os outros, a justiça é muito mais lenta", tendo referido que, esta semana, o Benfica assistiu a “vários episódios sobre os quais não é possível esconder a indignação".
O dirigente lembrou, também, que diversos casos ligados ao futebol “ainda não foram resolvidos pela justiça”, como "invasão de um centro de treinos dos árbitros, insultos, coação, ameaças", face aos quais, vincou, "nada acontece".
"É como que uma espécie de apagão em relação aos demais. Não se conhece uma única decisão, com exceção às que dizem respeito ao Benfica”, disse ainda Domingos Almeida Lima, criticando a diferente celeridade na resolução dos processos entre os três ‘grandes’, fazendo a alusão a processos movidos a gasóleo, para os seus rivais, e outros movidos a gasolina de última geração, para o Benfica.
"E ainda esta manhã lemos", acrescentou, citando um jornal desportivo, "que o processo que envolve o famoso incidente no túnel entre dois presidentes (do Sporting e do Arouca) não deve ser fechado ainda esta época”.
Perante os aplausos de centenas de benfiquistas presentes em Abrantes, o dirigente clamou “mas que vergonha é esta”, tendo observado que a situação vem "na continuidade de processos que envolvem o mesmo clube (referindo-se ao Sporting) e que permanecem sem decisão desde a época passada, perdidos nos confins da Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga (CII), com o risco de serem decididos nas férias".
Para o vice-presidente dos ‘encarnados', a situação "não é admissível", tendo afirmado que "torna-se insustentável disfarçar mais", tendo defendido que "Pedro Proença tem de assumir responsabilidades porque com estes alheamentos sucessivos se prova que os processos, dos rivais, quando chegam à CII, ficam congelados”.
“Se a justiça desportiva não for salvaguardada, o Benfica não deixará de apelar à intervenção do Governo”, insistiu Domingos Almeida Lima.
Num discurso muito incisivo, o dirigente criticou ainda a alegada escolha de Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, como chefe da claque de Portugal.

A EQUIPA DAS ESQUINAS


O grupo contará (hoje), no Estádio da Luz, com elementos de algumas das principais claques legalizadas, sendo lideradas por Fernando Madureira, dos Super Dragões. O apoio tem sido constante desde o Campeonato da Europa e foi formado por iniciativa do departamento de marketing da federação Portuguesa de Futebol ", in O Jogo", 24 março de 2017.
Por ocasião do Campeonato da Europa, o do Éder, e por via da leitura de umas quantas notícias nos jornais, instalou-se, no último verão, a suspeita  de que os serviços dos Super Dragões à causa patriótica incluíam o comércio de bilhetes para os jogos da Seleção, insinuação torpe nunca desmentida pelos serviços competentes da Federação Portuguesa de Futebol. Isto, sendo lamentável, não bastará para justificar, o silêncio do Conselho de Disciplina da FPF e a aparente inoperância do órgão disciplinador perante a suspeita de que os mesmos serviços da mesma claque incluíam no seu rol de atividades patrióticas a invasão, no último inverno, do centro de treinos dos árbitros, na Maia. Já vai para trés meses. Para a moral vigente, sem dúvida que tem mais valor ameaçar cidadãos nos seus locais de trabalho do que em esquinas econsas das nossas cidades e lugarejos.Por mania de embirrar, tudo leva a crer que terá sido esta, entre outras delongas do âmbito disciplinar, a razão pela qual o Benfica apesar de ter sido convidado, não se fez representar na gala das Quinas de Ouro, o que logo lhe valeu mais um processo, não por ter faltado mas pela justificação retórica com que explicou a sua ausência. Foi, na realidade, grande falta de respeito do Benfica pela macacal figura que voltará esta noite ao estádio da Luz na farpela de convidado de honra da FPF - contratado não será, certamente, pois não? - para demonstrar ao vasto público presente nas bancadas como se puxa pela Seleção, essa arte dificílima de levar a cabo já aquele futebolzinho de Cristiano Ronaldo & companhia, na realidade, não entusiasma ninguém.
Está de parabéns portanto, o departamento de marketing da Federação Portuguesa de Futebol que, depois de leitura atenta da autobiografia do líder dos Super Dragões, entendeu ser ele a figura recomendável para consubstanciar os valores da Pátria no apoio à Seleção. Viva, portanto, a equipa das esquinas mais o departamento de marketing! Longa vida, também, ao Conselho de Disciplina! E, já agora, ainda haverá bilhetes?

Leonor Pinhão, in record

CLÁSSICO É (QUASE) DECISIVO


"No último sábado foi incontida a alegria azul e branca com o empate do Benfica em Paços de Ferreira. O raciocínio era simples: 0-0 em Paços é um resultado de equipas que jogam muito pouco, e eles lembram-se. Domingo o FC Porto assumiria a liderança da Liga após 444 dias sem o conseguir. Até o número cabalístico do jejum, fazia, em época de quaresma, antever desfecho bíblico.
As capas dos jornais de domingo não deixavam margem para dúvidas e o Dragão encheu de público para assistir ao feito e ver renascer a fénix. Os adeptos foram premiados com os 90 minutos mais longos e demorados da história do mítico campo azul e branco. Mais de 102 minutos é um bónus de 13% para quem comprou o ingresso. O FC Porto não lidera o campeonato mas lidera o tamanho dos seus jogos, também é um feito que merece destaque.
Voltando à realidade futebolística, uns e outros jogam abaixo do desejo dos seus adeptos. Quer os 94 minutos de Paços de Ferreira, quer os 102 do Dragão ficam aquém das expectativas de ambas as massas adeptas.
A nós benfiquistas, fica a não demonstrada quimera que com 102 minutos conseguiríamos vencer o Paços de Ferreira. Fica também a certeza de que João Carvalho foi o benfiquista mais decisivo desta semana, e seguramente o empréstimo desportivamente mais rentável do futebol encarnado. Esperamos todos fazer melhor no que falta da época, rumo ao proclamado objectivo de vencer o campeonato e a Taça de Portugal. Assim fica mesmo muito decisivo o jogo de dia 1: quem vencer o clássico fica quase campeão.
No fundo termina numa semana de várias galas e com alguns galos, veremos quem canta no fim. Numa semana onde o despedimento de treinadores continua e muitos adeptos perguntam quando começa o despedimento de alguns dirigentes."

Sílvio Cervan, in a bola

PRIMEIRAS PÁGINAS


OS INOCENTES, OS OUTROS E O SILÊNCIO


"Estamos a uma semana e um dia do jogo que pode vir a revelar-se decisivo para a atribuição do título nacional de futebol, num contexto de emoções e declarações muitas vezes para lá do aceitável.
Reconhecida a importância dos 90 minutos que se disputarão na Luz no dia das mentiras, urge fazer, desde já, um alerta: é imperioso que quem de direito não se furte às responsabilidades, criando totais condições de segurança no anfiteatro benfiquista, de forma a que 65 mil adeptos possam conviver, em liberdade, com as emoções próprias do beautiful game.
São por isso totalmente inaceitáveis - e a carecer de resposta à altura por parte de quem tem por mister garantir a legalidade - as declarações do líder da claque do FC Porto, que incentivou comportamentos potencialmente explosivos. «Devido à grande procura para o jogo do próximo dia 1, SLB/Porto (10000) e o nosso clube só ter direito a 3250 bilhetes, peço a todos os portistas que arranjem vias alternativas (casas SLB, red pass, convites) para levarmos a cabo esta invasão!!!»
Sabe-se hoje que não será fácil levar por diante tal plano, em função dos vários filtros que visam garantir a integridade dos ingressos. Mesmo assim, é altamente preocupante que tenha sido lançado um apelo à subversão, susceptível de funcionar como rastilho em barril de pólvora.
Até hoje, o silêncio, quanto a esta matéria, das entidades que devem zelar pelo futebol português, tem sido ensurdecedor. Nem uma palavra de censura, nem uma apelo ao civismo, nem um gesto de revolta. Será assim tão difícil dar um passo em frente?"

José Manuel Delgado, in a bola

O ACÓRDÃO DO TRIBUNAL ARBITRAL DO DESPORTO


"Quem tiver memória deverá certamente recordar-se de um grande espalhafato, feito em torno de um kit, que ainda por cima de denominava Eusébio, o qual desde aí tem gerido a mente de quem se impressiona e vive numa lógica de que tudo o que se insinua é verdade!
Vejamos. Não há muito tempo, mas certamente há alguns anos, quando se imputava uma acção qualquer a alguém, todos diziam que era mentira. Hoje, caímos exactamente no contrário. Presumem-se todos culpados, bastando alguém insinuar alguma coisa.
O processo é o 12/2016. Correi no Tribunal Arbitral do Desporto.
'O Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) é a instância competente para dirimir o litígio objecto do processo em referência, nos termos do preceituado no artigo 4.º, n.ºs 1 e 3, alínea a), da Lei do TAD (aprovada pela Lei n.º 74/2013, de 6 de Setembro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 33/2014, de 16 de Junho).
O Tribunal Arbitral constituído para dirimir o litígio objecto do processo em referência é composto pelo Sr. Dr. José Mário Ferreira de Almeida, árbitro designado pela Recorrente, pelo Sr. Dr. Nuno Albuquerque, árbitro designado pelo Recorrido, pelo Sr. Dr. Luís Miguel Simões Lucas Pires, árbitro designado pela Contra-interessada, e pelo Sr. Dr. Miguel Navarro de Castro, árbitro escolhido pelos árbitros designados pelas partes para presidir aos trabalhos deste Colégio Arbitral'.
A afinal o processo trata de quê?
'A Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD (Recorrente) impugna, por via de recurso, o Acórdão do Pleno da Secção Profissional do Conselho de Discplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), proferido em 01.06.2016 no âmbito do Recurso Hierárquico Impróprio n.º 14-15/16, que negou provimento a anterior recurso apresentado pela aqui recorrente, confirmando o despacho decisório recorrido e que, em consequência, manteve a deliberação de arquivamento proferida pela Comissão de Instrução e Inquéritos (CII) no Processo de Inquérito n.º 0-15/16'.
Portanto, em bom rigor, temos:
- Os inquiridores do processo;
- A Comissão de Instrução e Inquéritos das Competições Profissionais de Futebol.;
- O Pleno do Conselho de Disciplina, ou seja, todos os membros do Conselho de Disciplina;
- E agora  Tribunal Arbitral do Desporto.
Esta decisão do TAD tem um voto de vencido, do árbitro indicado pelo Sporting!
Por isso é que defendo a nomeação de árbitros pelo próprio Tribunal Arbitral, ou então de comum acordo entre as partes. Não se conseguirem desligar de quem os indica é efectivamente complicado.
O Conselho de Disciplina da FPF é constituído por treze (13) elementos.
Assim, a decisão de arquivamento do celebérrimo caso dos vouchers tem os seguintes decisores.
Inquiridores, pelo menos 2, Pleno, ou seja, todos do Conselho de Disciplina, 13 elementos, Tribunal Arbitral do Desporto, mais 3 árbitros, sendo que existe apenas uma pessoa contra, que é - nada mais, nada menos, conforme escrevi - o árbitro indicado pelo Sporting.
Era realmente bom este resultado no campo: 18-1!
Permitam-me transcrever aqui um pedido de produção de prova deduzido pela Sporting SAD, que considero hilariante - 'Oficiar o restaurante Museu da Cerveja para vir juntar aos autos cópia da sua ementa em vigor desde Julho de 2013'.
Sem comentários!
É o que costumamos designar por tiro no pé!
'Aliás não deixa de ser curioso que isso mesmo parece resultar evidente para o Presidente do Conselho de Administração de Demandante e, portanto, seu primeiro legal representante, Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho, pois este agente desportivo, em entrevista ao jornal Expresso, edição de 10/10/2015, afirmou: 'A minha preocupação não é a arbitragem, mas, sim, o comportamento. Uma pequena cortesia? Não tenho problema nenhum. Acho que é corrupção? Também não'. Na questão que se seguiu a estas afirmações, o jornalista perguntou-lhe 'Chega para condicionar os árbitros?', tendo o dirigente respondido: 'Não acho que condicione' (cf. fls. 266 do processo de inquérito).
Sem comentários!
E talvez por isto tudo e mais umas quantas coisas que me dispenso aqui de elencar foi considerado como não provado, em todas as instâncias:
'Não resultou igualmente provado que o SLB tenha, por qualquer meio e forma, directa e/ou indirectamente, expressa e/ou tacitamente, solicitado e/ou sugerido a qualquer arbitro principal, árbitro assistente, observador e delegado da LPFP uma actuação parcial e atentatória do regular decurso dos jogos integrados nas competições desportivas, de forma e beneficiar as suas equipas principal e B e/ou prejudicar as equipas adversárias em algum(ns) jogo(s) concreto(s) por aquelas disputado(s) nas competições nacionais em que participam'.
Por isso é que interessa saber o que foi considerado, evidentemente, como provado:
'c) Aquela oferta é sempre feita ao árbitro principal, árbitros assistentes, 4.ºs árbitros, observadores e delegados da LPFP, no final de todos os mencionados jogos, independentemente das circunstâncias em que os mesmos decorreram, do seu resultado final e do juízo valorativo que os responsáveis do SLB possam fazer da actuação, em especial, das equipas de arbitragem e dos delegados da LPFP;'
'd) No respeitante às equipas de arbitragem a referida oferta é sempre feita na presença dos delegados da LPFP e depois de estes ou de um dos elementos das forças policiais questionarem os árbitros sobre se os elementos do SLB podem aceder ao balneário para a concretizarem;'
't) É prática generalizada dos clubes participantes nas competições nacionais de futebol, no final dos jogos que disputam na condição de visitados, oferecerem lembranças alusivas ao próprio clube e/ou à respectiva região às equipas de arbitragem neles intervenientes'.
O artigo correspondeste do Regulamento Disciplinar diz:
'Com a epígrafe 'Corrupção da equipa de arbitragem', dispõe o artigo 62.º:
'1. O clube que através da oferta de presentes, empréstimos, promessas de recompensa, ou de qualquer outra vantagem patrimonial para qualquer elemento da equipa de arbitragem ou terceiros, directa ou indirectamente, solicitar a esses agentes, expressa ou tacitamente, uma actuação parcial e atentatória do desenvolvimento regular de jogos integrados nas competições desportivas, em especial com o fim de os jogos decorrerem em condições anormais, alterar ou falsear o resultado de jogos ou ser falseado o boletim de jogos, será punido com a sanção de descida de divisão e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 500 UC e o máximo de 2000 UC'. (...)
5. Não cabem nas previsões dos números anteriores as simples ofertas de objectos meramente simbólicos'.
Agora colem os factos que foram dados como provados e os não provados e vejam se o artigo está totalmente preenchido, acrescentando-lhe a intenção de!
Obviamente que não!"

Pragal Colaço, in O Benfica

JOGO LIMPO BENFICA TV HD :: 24 MAR 2017

                                           

sexta-feira, 24 de março de 2017

BARBA & CABELO


O ATLETA


NÃO ASSOBIEM PARA O LADO


"Bem sei que ainda falta uma semana (e mais uns dias) para o Benfica - FC Porto. Mas - nem podia ser de outra forma, tratando-se de encontro decisivo para o título- há muito que o clássico já mexe, em especial nesse universo recente (maravilhoso e perigoso ao mesmo tempo) que são as redes sociais. Desta vez o motivo de discussão entre adeptos de águias e dragões são os bilhetes. Dizem os do FC Porto - de forma mais concreta dizem os elementos da claque Super Dragões, o que torna a situação ainda mais preocupante - já terem em sua posse uns milhares de ingressos comprados a benfiquistas, o que lhes permitirá entrar no Estádio da Luz, está-se a ver que para o meio dos adeptos encarnados, com os riscos que isso representa. Respondeu de pronto o Benfica, garantindo que haverá controlo rigoroso nas entradas: não bastará apresentar bilhete, é preciso validá-lo com o cartão de sócio e, nalguns casos, até com Cartão de Cidadão. O que mostra estar o clube da Luz (e bem) a levar muito a sério a situação.
É o mesmo que se espera das forças que tratarão da segurança nesse dia 1 de Abril. Talvez seja preciso pensar que os planos habituais podem, desta vez, não ser suficientes para garantir que tudo decorra sem problemas. Porque se há mesmo elementos da claque do FC Porto que tenham bilhetes destinados a lugares de benfiquistas, significa que para entrar se misturarão na multidão. E mesmo que não tenham acesso ao interior, é muito possível que a confusão se instale no exterior. E, já se sabe, mais vale prevenir do que remediar. Porque se um Benfica - FC Porto é sempre de risco elevado, este, pelas circunstâncias que o rodeiam - é triste dizer isto, mas é ao ponto a que chegou o futebol português - e pelo que significa para os dois clubes, devia merecer catalogação de risco máximo. Atenção redobrada, portanto."

Ricardo Quaresma, in a bola