quinta-feira, 23 de novembro de 2017

TUDO ISTO É TRISTE


Das ameaças aos atos, eis que os árbitros avançam para uma ‘greve’ que irá afetar a jornada deste fim-de-semana na antecâmara do clássico FC Porto-Benfica. Cansados dos insultos, das suspeitas e das insinuações, os árbitros decidiram avançar para a decisão mais radical que naturalmente põe em causa a integridade da competição. Ter árbitros de bancada a dirigir jogos de uma liga profissional não é saudável para a credibilidade de qualquer prova.
Aquilo a que se tem assistido nos últimos tempos (agravado por estes dias) indiciava que os árbitros poderiam efetivar a ‘greve’ que deixa as instituições desportivas – clubes, federação, associações, liga - muito mal na fotografia pela simples razão de não terem sido capazes de resolver os seus problemas. O apelo de Fernando Gomes no parlamento caiu em saco roto e nem impeliu o governo a atuar.

A conclusão é triste: parece que tudo se faz para denegrir a imagem do nosso futebol. Que dirá o mundo da bola que há pouco mais de um ano se espantava com Portugal campeão europeu? A imagem fica afetada, prevalecendo os defeitos sobre as imensas virtudes que temos. Às tantas já não sei se o melhor não será mesmo sujeitarmo-nos a tudo isto, batermos no fundo para que a depuração seja total, eliminando-se, em definitivo, os podres que existem.
António Magalhães, in Record
OBS: Enquanto durou o regabofe (5 meses), ninguém tossiu. Passadas 10 h do SLB abrir o bico, foi o dilúvio universal: greves, dispensas, participações, processos disciplinares, acções judiciais...!!! Se existiam dúvidas sobre a existência de 1 polvo encarnado, elas ficam desfeitas. Existe um POLVO, sim, mas a fraga onde se oculta, fica a 300 km de Lx!
E é triste mesmo que tipos como tu com responsabilidades perante os leitores e a opinião pública, só agora saíram da toca como virgens ofendidas, isto sim é triste, é uma vergonha, coisa que não tens na cara . Ainda bem que o Benfica começou a pôr a boca no trombone, assim se vêem os ratos a sair do lamaçal...

SABOR, DECEPÇÃO, HÁBITO


"O futebol foi abrindo noticiários, mas fechando corações. Foi passar a girar à volta do nada e perder a centralidade do jogo.

O saboroso
Começo pelo melhor. Falo do programa da RTP, a 'Grandiosa enciclopédia do Ludopédio'. Semanalmente, aos sábados, desde 2015, é possível ver um programa sobre futebol, é feito com alma, serenidade, conhecimento e sensibilidade. O de sábado passado foi o seu número 100, que, em televisão, significa quase uma eternidade. Tive o gosto e o privilégio de ter sido convidado para participar no centenário, assim fazendo companhia ao moderador Carlos Manuel Albuquerque e aos mestres Rui Miguel Tovar e João Nuno Coelho, que, em conjunto, têm sabido com eloquência e leveza (muito diferente de ligeireza) oferecer-nos uma quase hora semanal de viagem pelo passado do Ludopédio planetário. Verdadeiro serviço público, porque fazendo parte da memória colectiva e transmitindo, com pedagogia e sentido ético, o que representou e pode representar uma actividade sem fronteiras e com presença frequente nas nossas vidas.
Dizia William Faulkner que «o passado não só não passou ainda está para vir». Devo dizer que, no actual momento por que passa o futebol português, bom seria que aquela máxima se lhe pudesse aplicar. O futebol é isso mesmo: ludopédio, quer dizer jogo (prazer) com os pés (mas com cabeça). Ao passar de ludopédio puro, para desporto, depois para espectáculo, em seguida para negócio e, por fim, para uma chamada indústria, o futebol foi abrindo noticiários, mas fechando corações. Foi passar a girar à volta do nada e perder a centralidade do jogo. Foi perder o humano e o simples para glorificar o dinheiro e a iconografia do sucesso. Foi perder a sacralidade do ofício, para absorver a futilidade da aparência.
É também por esta via de reviver com saudade, mas sem saudosismo, o futebol, que vejo e me delicio com o programa, e, assim, me afasto de enxurradas de lixo que nos entram pela casa dentro. Para estas lixeiras, o passado não existe e o futuro pouco importa. Basta a ilusão do presente. Lirismo da minha parte? Talvez sim, mas foi assim que nasci para o futebol entre intrépidas rivalidades e humanas personalidades.
Para quem quiser lavar a alma com consolo e fruir da sabedoria dos protagonistas do programa, só pode pedir «venham mais cem...» (programas). Ou, parafraseando a canção de Zeca Afonso, «venham mais cinco...» (centenários).

O decepcionante
Campeão do Mundo por quatro vezes e finalista por seis ocasiões, fica fora do Mundial-2018, depois de 50 anos ininterruptos de presenças. Pessoalmente, tenho pena. A Itália - mesmo que em crise - faz falta (como também o faz a Holanda).
Porquê, perguntaremos. É certo que na fase de grupos, a Itália só perdeu um dos 12 jogos, precisamente com a Espanha e no play-off com a Suécia só foi batido por um decisivo golo. Mas, há muito se anteviam consequências de uma silenciosa degradação do futebol transalpino. Escrevia o Corriere della Sera no dia seguinte ao da eliminação: «Doente em técnica, finanças e política. Praticantes sem jogo, dirigentes-empresários e jogadores-empresa, pobreza gestionária, liga sem guia». Em Itália, 54,3% dos jogadores da série A não são italianos (creio que em Portugal deverá também andar por esta cifra, senão mesmo maior) e - pasme-se - 30% são estrangeiros no que lá chamam ocampeonato Primavera (mais ou menos equivalente à série A júnior).
Quando olho para jogos do campeonato italiano, verifico a falta de qualidade e inovação na maioria dos estádios, quase sempre maio-vazios. A isso não será certamente alheio o facto de só quatro clubes na série A terem estádio próprio (Juventus, Udinese, Atalanta e Sassuolo) e na série B apenas um (Frosinone)! Aliás, mesmo como produto de exportação, a Série A italiano deixa muito a desejar, se comparada com as Ligas inglesa, espanhola e alemã. Jogos chatos, soporíferos, lentos e pouco entusiásticos. Nos últimos anos e com a excepção da Juventus e, aqui ou acolá, do Nápoles e da Roma, as equipas jogam muito pouco. Veja-se o caso dos clubes de Milão - AC Lilan e Inter - para já não falar da Lazio e Sampdoria, outros reinantes na Europa. Nas competições europeias e nesta década, se exceptuarmos a Juventus duas vezes finalista derrotada na Champions, não há vencedores italianos. E na Liga Europa teríamos de recuar 19 anos para encontrar finalistas transalpinos!

O habitual
Bafejados por um sorteio que lhes permitiu jogar no seu reduto, Benfica, Porto e Sporting seguem em frente na Taça, com mais ou menos dificuldade. O Porto nos magnânimos 7 minutos, o Sporting surpreendentemente a precisar de um magnífico Rui Patrício e sobre o Benfica falarei adiante.
Os oitavos de final apresentam-se matematicamente interessantes: 8 equipas da 1.ª divisão (entre as quais as seis melhores equipas, com a excepção do Sp. Braga), 4 do 2.º escalão e ainda 4 resistentes do 3.º, escalão. O sorteio de hoje será por isso interessante.
O Benfica venceu um histórico da Taça - o Vitória de Setúbal - com uma exibição razoável na primeira parte e medíocre no 2.º tempo. Vá lá saber-se porquê. Como aspectos positivos, o renegado Bruno Varela, o já indiscutível Krovinovic, o regressado Cervi (continuo a não perceber porque não joga mais) e o surpreendente Keaton Parks que me parece um jogador com bom futuro. Negativamente, Samaris faltoso por excesso (merecia, de facto, um amarelo) e Douglas que sendo defesa não sabe sequer defender, ainda que ataque bem.
Mais um jogo muito falado quando à arbitragem. Aliás, os jogos do Benfica, mesmo que iguais aos dos adversários directos, são sempre eleitos para a acidez do costume. Percebe-se o intuito... Vejamos neste caso o que sucedeu. O treinador do Vitória José Couceiro, um homem do futebol que aprecio pela sua serenidade, cultura e sensatez, desta vez falou de um penalty não marcado como não havia falado do mesmo modo quando a sua equipa perdeu em Alvalade com um penalti mais do que discutível. O ambiente que agora se vive no futebol português favorece a facilidade com que se analisam as arbitragens em jogos contra o Benfica. Num ponto, porém, Couceiro tem razão: o da tendência para os clubes menores serem desfavorecidos no tom da arbitragem nos jogos com os grandes. Voltando à Luz, não se pode apenas ver o lance do admissível penalty de Bruno Varela, sem se falar de dois penalties favoráveis ao Benfica (um deles nas barbas do árbitro, sobre Krovinovic) e um fora-de-jogo inacreditavelmente não assinalado que só não deu golo do Vitória porque o guardião encarnado fez uma grande defesa.

Contraluz
- Exemplo I: Gigi Buffon
A poucos jogos de ser o mais internacional do planeta e impossibilitado de fazer o seu sexto Mundial, o guarda-redes da Nazionale e da Juventus mereceria bem mais. Comovido e comovente, Buffon evidenciou a sua classe de jogador e de homem no momento de provável despedida dos grandes palcos com a maglia azurra.
- Exemplo II: Tarantini
Assim é conhecido futebolísticamente Ricardo José Alves Monteiro. Jogador do Rio Ave há muitos anos, terá passado ao lado de uma grande carreira num dos grandes, dado o seu perfil de homem e jogador. Em 14 de Novembro deu uma entrevista em A Bola, reveladora do seu carácter e percurso. Não aturdido pelo fascínio temporário do futebol tratou de cuidar do seu futuro e de investir na sua formação.
- Ausência: Grandes jogadores do Rússia-2018
Para além de Buffon, o Mundial da Rússia não verá jogadores como Gareth Bale (País de Gales), Arjen Robben (Holanda), Alexis Sanches e Arturo Vidal (Chile), Aubameyang (Gabão), Pjanic (Bósnia). E por pouco Messi lá está... enfim, uma camioneta de milhões e o sofá cheio de sonhos.
- Ameaça: «Cristiano Ronaldo quer sair do Real Madrid»
É recorrente. De quando em vez, falso ou verdadeiro, lemos este desejo. Para uma equipa que está a 10 pontos do líder Barcelona, não é a melhor altura para estes estados de alma...
- Paciência: Gonçalo
Tal pai, tal filho. Afirmou que «na Luz há sempre coisa estranhas». Gostava de o ver dizer isso no Dragão..."

Bagão Félix, in A Bola

UM AZAR DO KRALJ


Os suplentes inutilizados Cervi, Jimenez e Zivkovic, Vitória e o LinkedIn e outras considerações de Um Azar do Kralj ao quinto copo de vinho
Entre algumas frases que podiam ser de Pedro Chagas Freitas, a malta do Um Azar do Kralj lembra que Luisão não se pode sentar no banco de suplentes porque os únicos que podem sentar Luisão são os adversários e também que Jardel se juntou ao grupo de jogadores do Benfica com mais golos nesta edição da Champions que Jonas.

BRUNO VARELA


Há ocasiões em que as nossas batalhas representam uma causa maior. O objetivo pouco secreto de Bruno Varela, no fundo o seu combate de uma vida, a ser travado para sempre, pelo menos enquanto jogar de águia ao peito, e muito em especial nesta noite de desfecho previsível em Moscovo, o seu objetivo, dizíamos, era, acima de tudo, não ser ele o principal responsável pela derrota. Isso é aliás um comportamento sintomático de muitos jogadores neste onze. Missão cumprida, Bruno. Missão cumprida, rapazes. Ninguém percebe exatamente porque é que não jogamos uma beata, nem mesmo, ao que parece, o nosso treinador.
ANDRÉ ALMEIDA

Em matéria de profundidade ofensiva, André Almeida calcorreou o terreno de jogo como Pedro Chagas Freitas dá um livro por terminado. Não chega conjugar sujeito com predicado. Em matéria de disciplina defensiva, foi mais um José Sócrates. Uma série de comportamentos indesculpáveis e a sensação de que ainda vamos levar com isto durante bastante tempo. Em suma, se juntarmos as duas esferas de competências em análise, talvez tenhamos um defesa competente, mas não é história que queiramos ver contada em livro, até porque já vimos o filme demasiadas vezes. Curiosamente, esta frase anterior poderia constar de um livro de Pedro Chagas Freitas. Perdoem-me.
LUISÃO

Os adeptos bem podem suplicar por alguns minutos do capitão no banco, mas Rui Vitória já foi muito claro: os únicos que podem sentar Luisão são os adversários.
JARDEL

Ascendeu hoje a um dos clubes mais restritos da história das competições europeias. Juntamente com Seferovic, que marcou na derrota da primeira volta contra o CSKA, Jardel é agora o único futebolista do plantel com mais golos marcados na Champions do que Jonas e menos do que Svilar. É um daqueles golos irregulares que quase valem a pena, não fosse o facto de o termos sofrido.
ELISEU

O quinteto defensivo do Benfica tem o crescendo da pior confissão de sempre por uma ex-namorada apanhada em flagrante a trair-nos.
Bruno Varela: “Calma Vasco, isto não é o que estás a pensar”
André Almeida: “Ok, é mais ou menos o que estás a pensar”
Luisão: “Há mais ou menos dois anos”
Jardel: “Sim, no nosso quarto”
Eliseu: “Não, é filho dele.”
LJUBOMIR FEJSA

Fejsa já tinha avisado que as condições atmosféricas seriam o maior obstáculo, e confirmou-se. Vimos um clima de merda, não apenas ao nível da temperatura do ar e precipitação, como até entre os jogadores. Como sempre, Fejsa foi aquele gajo que no meio de uma tragédia tenta estancar a hemorragia ao ferido mais próximo de si, até perceber que há outros 9 a esvaírem-se em sangue. Que ele consiga manter o sangue frio depois de tudo isto e que este parágrafo seja publicado tal como foi escrito, bom, isso é uma dívida de gratidão que tenho para com o Expresso e a Herdade da Malhadinha Nova.
FILIPE AUGUSTO

É um Marias da Malhadinha 2010. Uma coisa magnífica. É que nem tenho adjetivos. Quem? O Filipe Augusto? Olha que foi um dos mais esclarecidos. É um jogador que tem ali potencial para se tornar uma referência muito importante no meio-campo. Sim, estou a beber sozinho. É o quinto copo, porquê? Deixa-me.
PIZZI

“Entrámos para este jogo com vontade de vencer”
Vá lá, diz a verdade.
“E queríamos ganhar para continuar a sonhar com o apuramento.”
Lol, todos sabemos que isso não iria acontecer. Não mintas.
“As contas estavam complicadas mas matematicamente era possível.”
A sério? Pareces o Rui Vitória.
“Não entrámos bem no jogo, o CSKA marcou um golo e não conseguimos pôr em prática toda a qualidade que este plantel tem, que é muita,”
Eu vou traduzir, Pizzi, mas só porque gosto muito de ti: “Não entrámos bem e saímos pior. Por um lado o CSKA não joga uma beata, por outro nós também não, o que equilibra as coisas. Nós até temos aqui malta que joga à bola, mas é preciso que joguem”
“Mas vamos levantar-nos. Conheço bem este grupo de trabalho.”
Ahahahah!
“Temos uma mentalidade muito forte e já demonstrámos isso. Vamos continuar focados e isso não vai abalar a nossa confiança.”
Mais ou menos. Esta época não temos tido, não demonstrámos, não vamos e já abalou. Enfim. Um abraço, Pizzi. Diz-se que a esperança é a última a morrer. O problema é que só vejo cadáveres à minha volta.
TOTO SALVIO

Exibiu parafusos a mais para o nível a que a equipa se apresentou hoje, e isto não é uma referência às dez placas que têm colocadas no seu corpo.
JONAS

A sua principal intervenção no jogo consistiu em tirar dos pés de Filipe Augusto uma das pouquíssimas oportunidades de golo. Eu vou repetir. Tirou dos pés de Filipe Augusto uma das pouquíssimas oportunidades de golo. Para não dizer a única.
DIOGO GONÇALVES
Voltamos a recorrer a um episódio de Seinfeld, neste caso “The Andrea Doria”. George Costanza descobre um T1 com 35 metros quadrados em Campo de Ourique por apenas 2000€/mês. Porém, se quiser ser ele o inquilino terá que o disputar com um sobrevivente ao naufrágio do SS Andrea Doria. George resolve por isso contar a história da sua vida sem esconder detalhes, na esperança de que aquela formidável combinação de humanidade, misantropia e inaptidão social sejam suficientes para convencer o senhorio. Já o sobrevivente do Andrea Doria limita-se a explicar como foi ser um de 1660 sobreviventes a uma tragédia que fez 46 mortos, e mais não é necessário. Fica ele com a casa. George vocifera: e então? A esmagadora maioria das pessoas sobreviveu! Diogo Gonçalves é um sobrevivente do Andrea Doria. O seu talento, antes mesmo de tocar na bola, é ser um produto da formação. Sempre que aperta corretamente os atacadores, é um talento a quem finalmente demos a devida oportunidade. Sempre que falha um passe, calma, é um talento a quem precisamos de dar tempo. Nesta triste analogia ilustrativa do processo mental de Rui Vitória, Cervi e Zivkovic interpretam o papel de um indivíduo careca com mais de trinta anos, uma série de neuroses e morada fiscal na casa dos pais. SERENITY NOW.
CERVI, JIMENEZ E ZIVKOVIC

Suplentes inutilizados.
RUI VITÓRIA

Sempre que chega à flash interview e à sala de imprensa, prepara mentalmente as frases para que estas fluem com a aparente normalidade de quem percebeu tudo o que aconteceu. Tudo o que vimos, explicar-nos-á, foi uma sequência de acontecimentos lógicos e incontornáveis, designadamente devido a factores vários que tudo fizemos para evitar, até porque o Benfica não é isso e este resultado não espelha o nosso valor e outras banalidades que tais, até uma pessoa ficar suficientemente entontecida ou mudar de canal. Rui Vitória é como todos os candidatos de emprego no LinkedIn. Nunca deram uma resposta idiota numa entrevista de emprego e nunca são contratados. Ainda assim, recusam-se a admitir que o erro seja seu. Resta-lhes levantar a cabeça e pensar na próxima desculpa.

In Tribuna Expresso

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

APOSTAR NA FORMAÇÃO?


Os números falam por si: a última convocatória para as seleções jovens mobilizou 30 jogadores do Benfica (sete nos sub-21; cinco nos sub-20; seis nos sub-19 e 12 nos sub-17). Neste momento, na equipa principal, são titulares dois jogadores da formação (Rúben Dias e Diogo Gonçalves) e ainda três produtos do scouting (Grimaldo assinou no primeiro ano de sénior; André Almeida tinha 20 anos quando foi contratado e, claro, Svilar). Se a isto somarmos a transição de sucesso para a equipa principal de Renato, Guedes, Lindelof, Ederson e Nélson Semedo, temos um retrato de uma estratégia que está a dar frutos.

Do ponto de vista económico, a aposta do Benfica é correta. Um clube português já não pode competir com clubes do norte da Europa. O fosso financeiro agravou-se e jogadores que dão garantias competitivas imediatas deixaram de estar ao alcance dos clubes nacionais. Perante este novo contexto, restam três caminhos: formar localmente, contratar jovens talentos de outras paragens, que demorarão a vingar na equipa titular, ou, alternativamente, ir buscar jogadores já no ocaso da carreira, que podem dar retorno desportivo imediato, mas que são investimentos a fundo perdido.

Além do mais, como demonstram as contas dos clubes – num exercício que gera muita perplexidade –, os únicos casos em que os encaixes correspondem a um valor aproximado ao da venda é, precisamente, quando os jogadores vêm da formação. Nas outras situações, há que amortizar o valor da compra do passe e os anos de contrato cumpridos.
Um clube português, hoje, está obrigado a formar localmente para garantir a sustentabilidade financeira do seu modelo de negócio. Mas, dá-se o caso de o futebol não ser um negócio como os outros. É esse um dos argumentos de Simon Kuper e de Stefan Szymansky no muito recomendável Soccernomics.
Para os autores do livro, o futebol não só é um mau negócio (os clubes apropriam-se de uma percentagem ínfima do valor que geram em entretenimento e a maior parte não gera lucros e não distribui dividendos), como nem sequer é um negócio com dimensão (as receitas do Real Madrid são sensivelmente as mesmas da centésima vigésima empresa finlandesa) e, além do mais, os clubes são frequentemente mal geridos – com contratações baseadas na clubite não há, na verdade, nível de incompetência que não seja tolerado.
Trata-se, é claro, de um extremar de argumentos para sublinhar um paradoxo: quando se procura gerir o futebol como um negócio, não é apenas o sucesso desportivo que fica em risco, também o negócio é afetado.
O que é que isto tem a ver com a aposta na formação? Tudo. O Benfica, se quiser ser sustentável, tem de apostar na formação, da mesma forma que o Benfica, se quiser continuar a vencer, tem de continuar a gastar dinheiro em jogadores feitos, sob pena de deixar de ganhar e, até, da aposta na formação ser ela própria inglória.
Pedro Adão e Silva, in Record

PELO BEM DO FUTEBOL


"Com a visita ao Santa Clara o projecto de combate à manipulação de resultados, ‘Deixa-te de Joguinhos’, que uniu Sindicato, Federação Portuguesa de Futebol e Liga Portugal, cumpriu o objectivo de visitar todos os plantéis das competições profissionais, sensibilizando os jogadores, em especial, para esta realidade dramática no desporto a nível global.
As acções de sensibilização incidiram sobre o modus operandi das organizações criminosas que utilizam o futebol para lucrar indevidamente no mercado das apostas, os factores de risco, as consequências disciplinares e criminais para os agentes envolvidos e os instrumentos para denunciar às autoridades competentes a ocorrência de abordagens. Estamos perante um bom exemplo de cooperação institucional na defesa da modalidade.
Contudo, o Sindicato não esquece o trabalho e o investimento que deve ser feito a montante, continuando a desafiar as instituições que tutelam o futebol português para actuar sobre as situações de fragilidade económica dos jogadores, por incumprimento contratual dos clubes, e sobre um sistema de licenciamento e controlo financeiro eficaz, a fim de diminuir as fragilidades exploradas pelos ‘match-fixers’.
A nível europeu, decorreu na passada sexta-feira mais uma reunião do diálogo social europeu para o sector futebol profissional. O Sindicato integrou a delegação da FIFPro que debateu com representantes de clubes, ECA, EPFL e UEFA, medidas para salvaguardar os direitos laborais dos jogadores, seriamente afectados, em particular na Europa de leste, e os problemas da actual regulamentação de transferências e intermediários. A discussão prossegue, pelo bem do futebol."

TALENTO DESPORTIVO: O SANTO GRAAL DO RECRUTAMENTO!


"No treino desportivo existem duas questões cujas respostas valem 1 milhão de euros: como identificar talento desportivo para uma determinada modalidade e o que fazer com ele?
A identificação de talento desportivo conduz a uma das etapas essenciais no processo de construção de uma equipa, o recrutamento, sendo certo que a falta de critérios e a falta de uma correta identificação de talento pode levar a um recrutamento ineficiente e ineficaz. Se o scouting das equipas de alto rendimento está nos dias de hoje muito facilitado pela tecnologia existente, o mesmo não acontece nas equipas de formação. Nestas, o que fazem a maioria dos treinadores e dirigentes em termos de recrutamento? Duas estratégias recorrentes são a de enviar mensagem a convidar directamente os atletas de outro clube ou utilizar os pais para convencer outros pais de atletas de outro clube a transferir os filhos no ano seguinte. Regista-se uma crescente falta de ética nesta perseguição aos considerados melhores atletas de outros clubes, muito facilitada pela comunicação através das redes sociais.
O que se promete a estes jovens e aos seus pais aquando das tentativas de recrutamento? Melhores condições de treino, melhores treinadores, melhor plano de carreira desportiva? Não! Normalmente o que se oferece é a promessa de ser campeão no ano seguinte.
Urge a definição de regras de actuação e uma reflexão sobre este tema na tentativa de regular ou alertar para este tipo de comportamentos. Ao mesmo tempo, o desafio de estruturar a detecção de talentos deve constituir uma prioridade do IPDJ e das federações, definindo-se uma equipa de especialistas para cada modalidade, necessariamente pequena e de abrangência nacional, que defina critérios de avaliação e que os implemente na prática. A exigência de medalhas olímpicas ou de apuramentos para campeonatos da Europa ou do Mundo deve ser acompanhada de meios mais eficazes para se poder identificar e recrutar os melhores e com maior potencial, pois isso seria um passo gigantesco para o desenvolvimento desportivo.
Na literatura científica existem vários exemplos de bateria de avaliações das qualidades físicas, técnicas, tácticas ou psicológicas para diferentes modalidades. Por exemplo, em modalidades colectivas será tão importante avaliar a capacidade de decisão em jogos reduzidos como avaliar as características biológicas e maturacionais, não excluindo jovens que tenham um desenvolvimento tardio a este nível.
O Instituto de Desporto Australiano tem sido um exemplo mundial na identificação de talento desportivo, tendo criado um sistema online de recrutamento com base na escola. Para além dos atributos físicos e fisiológicos, muitos outros factores são determinantes, como a motivação, determinação, atitude positiva e treinabilidade, i.e., a capacidade de ser treinável, por exemplo. 
Vários estudos indicam que algumas capacidades só se manifestam após um período de treino, pelo que, identificar talento, por si só, não é suficiente. O sucesso de um programa de identificação de talentos, de acordo com a experiência Australiana, é o de proporcionar a esses atletas, o melhor programa de treino e sistema de apoio possíveis, concomitantemente com um plano de carreira adequado. Na elaboração deste percurso desportivo colaboram especialistas de diversas áreas complementares: preparação física, fisiologia, aquisição motora, nutrição, psicologia, fisioterapia, recuperação física e coordenação de carreira atlética e académica.
Podemos concluir que, para todos os níveis de recrutamento, do clube à selecção nacional, a identificação de potenciais valores para uma modalidade desportiva é um passo decisivo, mas saber o que fazer com esses talentos, construindo um percurso de carreira planeado e estruturado, é o que definitivamente marca a diferença em termos de sucesso desportivo."

BENFICA DIZ ADEUS À EUROPA


O Benfica de Rui Vitória foi à Rússia perder com o CSKA (2-0) e já está eliminado das competições europeias. É a pior prestação de sempre de uma equipa portuguesa na Liga dos Campeões, após cinco jornadas disputadas
Estas palavras são de Rui Vitória, antes do jogo (do tudo ou nada) contra o CSKA:
"Estamos de bem com a vida. Quando digo isto, é porque enfrentamos todos os momentos, mais ou menos stressantes, com esta disponibilidade, com esta alegria, com um sorriso na cara. Entendemos que, desta forma, estamos mais próximos de ter um bom rendimento. O grupo é muito unido, há uma amizade muito grande entre os jogadores. Esta boa disposição faz parte da nossa forma de trabalhar. Acreditamos que vir para cada treino com um sorriso na cara e boa disposição é meio caminho andado para ser melhor profissional."
"O Segredo", de Rhonda Byrne, que se tornou um dos livros de autoajuda mais vendidos do mundo, teorizava sobre uma lei da atração, que se baseava mais ou menos no seguinte: tudo o que nos acontece, positivo ou negativo, é atraído por nós.
Ora Rui Vitória, recentemente, vem fazendo todos os (im)possíveis para atrair energia positiva, através do seu discurso, reafirmando a sua "crença" em melhores resultados.
O problema da crença cega é que, frequentemente, esbarra na realidade concreta. Como esta: em cinco jogos na Liga dos Campeões, o Benfica somou cinco derrotas, sofrendo 12 golos e marcando apenas um.
Benfica 1-2 CSKA Moscovo
Basileia 5-0 Benfica
Benfica 0-1 Manchester United
Manchester United 2-0 Benfica
CSKA Moscovo 2-0 Benfica
Benfica - Basileia (5 de dezembro, 19h45)
E isto sendo, recorde-se, um dos cabeças de série da competição.
Mesmo no supostamente mais equilibrado 4-3-3 (por comparação com o habitual 4-4-2), o Benfica raramente conseguiu o que deveria ter feito, já que estava obrigado a ganhar para conseguir continuar na Europa: dominar o jogo e criar oportunidades de golo.

Nem com Fejsa, Felipe Augusto e Pizzi no meio-campo - e Diogo Gonçalves, Jonas e Salvio mais à frente; e Eliseu (Grimaldo não estava bem fisicamente), Jardel, Luisão e André Almeida mais atrás - o Benfica conseguiu ter a bola, parecendo sempre muito desconfortável no jogo.
Bem melhor esteve o CSKA, que logo nos primeiros minutos criou perigo com um remate de Vitinho, após uma combinação com Wernbloom - um trinco adaptado a avançado - à entrada a área.
Aos 13', depois de muita confusão junto à baliza do Benfica, a defesa foi mal ultrapassada quando deixou Schennikov receber a bola sozinho na área (em fora de jogo),entre André Almeida e Luisão, e fazer o 1-0 na cara de Bruno Varela - o titular na ausência dos lesionados Svilar e Júlio César.
Na resposta, o Benfica quase empatou, naquela que foi a única verdadeira oportunidade de golo criada pela equipa de Rui Vitória: após um lançamento para a área, Diogo Gonçalves amorteceu de cabeça para Jonas, mas o avançado, em frente ao guarda-redes Igor Akinfeev, não marcou - e o Benfica ajudou o veterano russo a quebrar uma maldição: sofria golos na Liga dos Campeões há 43 jogos consecutivos, ou seja, cerca de 11 anos (a última vez que não tinha sido batido aconteceu a 1 de novembro de 2006, contra o Arsenal).

Ainda na 1ª parte, o CSKA esteve perto do 2-0, mas Bruno Varela negou o golo a Dzagoev, com uma grande defesa a uma mão, após um remate à entrada da área.
Na 2ª parte, houve um Benfica ligeiramente mais ofensivo - já com Cervi no lugar de Diogo, por troca ao intervalo -, mas sempre sem qualquer fio de jogo digno desse nome - a única exceção esteve numa jogada que culminou num remate fraco de André Almeida.

O CSKA, pelo contrário, manteve o perigo junto à baliza de Varela, especialmente nas transições ofensivas rápidas, através do velocíssimo Vitinha. E foi mesmo o brasileiro de 24 anos a fazer o 2-0, com uma ajuda de Jardel, que desviou o cruzamento/remate do adversário para dentro da baliza do Benfica.
Depois, Rui Vitória voltou ao 4-4-2 - saiu Felipe Augusto e entrou Jiménez - mas os efeitos práticos não foram sentidos. E, por fim, aos 83', foi a vez do treinador experimentar uma defesa a três, substituindo o lateral Eliseu pelo extremo Zivkovic. Novamente, sem qualquer resultado prático.

Ainda com uma jornada por disputar, o Benfica fica assim afastado da Liga dos Campeões e da Liga Europa: é o último classificado do grupo A, sem qualquer ponto conquistado, e fica na história como tendo a pior prestação de uma equipa portuguesa na Champions, após cinco jogos disputados (em seis jogos, a pior é do Sporting de 2000/01, que terminou com dois pontos).
PS: Vou só aqui ressalvar a miserável qualidade de passe da equipa do Benfica, a este nível até mete dó a quaqntidade de passes falhados pelos jogadores encarnados..

UEFA YOUTH LEAGUE: EFICÁCIA DO CSKA DITOU DERROTA DO BENFICA


Os Juniores das águias perderam, por 2-0, na 5.ª jornada da prova, em Moscovo.
Com temperaturas a rondar os 0 graus e um relvado sintético sem as condições desejáveis para o nível que as equipas da UEFA Youth League, apesar de jovens, já exigem, o Benfica perdeu, por 2-0, diante do CSKA Moscovo, na capital da Rússia.
Os encarnados entraram no Estádio Oktyabr com a ambição de somar os três pontos e ficar a depender somente deles para, no Caixa Futebol Campus, no próximo dia 5 de dezembro, garantir frente ao Basileia a passagem à fase seguinte da competição.
Numa primeira sem grandes oportunidades de perigo junto das balizas, foi o Benfica a equipa que teve mais bola e, pontualmente, foi vendo os seus jogadores exibirem alguns pormenores de recorte técnico interessante.

A segunda parte, porém, trouxe um CSKA mais afoito e atrevido. Com uma bola na barra aos 47’, Matskharashvili deu o aviso para aquilo que mais tarde se viria a concretizar. O mesmo jogador, à passagem do minuto 71, aproveitou o passe de Zhironkin após boa jogada individual e inaugurou o marcador: 1-0.
As águias reagiram e ainda beneficiaram de algumas oportunidades para chegar ao empate.
No entanto, foram os russos que voltaram a marcar, por intermédio de Zhironkin, aos 85’, selando assim o resultado final: 2-0.

ANÁLISE IMPRENSA DESPORTIVA SL BENFICA - 22 NOVEMBRO 2017

                                           

PRIMEIRAS PÁGINAS