1.
O dérbi de Madrid entre o Atlético e o Real teve uma arbitragem polémica, com decisões controversas. O que fez o Comité de Árbitros responsável pela gestão da arbitragem em Espanha? Sem receios da transparência, sem receio das consequências, a bem da verdade desportiva, admitiu os erros e explicou os erros.
2.
Por cá, o Conselho de Arbitragem presidido por Luciano Gonçalves - suspeito de más práticas sob investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público - não explica nada a ninguém, fecha-se cada vez mais sobre si mesmo, recuou na publicação das classificações dos desempenhos dos árbitros, eliminou os programas de explicação de lances polémicos, alimenta continuadamente a suspeição com nomeações absurdas, arbitragens carregadas de erros grotescos e sucessivas VARgonhices na sala de videoarbitragem da Cidade do Futebol.
3.
Que medo têm Luciano Gonçalves e os seus pares de adoptar a transparência nas decisões relacionadas com as nomeações, as classificações, os castigos? Que medo têm da publicação dos áudios do VAR? Que medo têm de tornar as coisas claras e óbvias? O que escondem com tanto segredo e tanta opacidade? Não há como não perguntar: que interesses obscuros defendem?
4.
As principais vítimas desta criminosa opacidade começam por ser os próprios árbitros, nomeada e especialmente aqueles que são sérios e cujos erros são, por consequência, levados também à conta da vigarice, da batota e da corrupção.
5.
A arbitragem vive o seu pior momento desde a implementação do VAR. O que espera o governo para deitar a mão ao problema? Só interessa aos políticos a bizarra centralização de direitos televisivos? A credibilidade do produto que se quer vender não é importante? A verdade desportiva não conta para nada? O futebol e o seu brutal impacto social interessa aos políticos apenas para a ele se associarem quando há vitórias que o povo festeja?
6.
A queda de Luciano Gonçalves é mais do que uma necessidade: é uma urgência! Em nome da credibilidade das competições, isto é, em nome da credibilidade do futebol português. Se não for antes, que a justiça acabe com ele. O mais rapidamente possível!
Jaime Cancella de Abreu, in Facebook

