sábado, 11 de abril de 2026

Antevisão | SL Benfica vs. CD Nacional

               

BENFICA-IMPRENSA 11 Abril TOMÁS SERÁ O NOVO PATRÃO DA EQUIPA E GLORIOSO REPUDIA CENTRALIZAÇÃO! 🦅🔴

               

JOLIVEIRA10 ESCOLHE OS REFORÇOS QUE QUER NO BENFICA!!

               

BENFICA QUER APANHAR O NOVO MATIC PARA DAR A MOURINHO!

               

JOLIVEIRA10 FAZ TIERLIST DO BENFICA E DIZ QUEM DEVE SAIR DO CLUBE!!!

              

REVOLUÇÃO NO MEIO CAMPO DO BENFICA: OS JOGADORES QUE PODEM SAIR E AQUELES QUE PODEM ENTRAR!

              

sexta-feira, 10 de abril de 2026

"O BENFICA NÃO PRECISA DA CENTRALIZAÇÃO"



 Em entrevista exclusiva à BTV, Nuno Catarino, CFO do Clube, garantiu que na atual conjuntura da negociação dos direitos televisivos ninguém ficará satisfeito com o resultado final em 2028.

Nesta sexta-feira, 10 de abril, dia em que o Sport Lisboa e Benfica divulgou os resultados relativos ao primeiro semestre do exercício de 2025/26, Nuno Catarino abordou diversos temas da atualidade económica e financeira do Clube em entrevista exclusiva à BTV.
O CFO do Clube considerou "bastante bom" o lucro anunciado de 29 milhões de euros, destacando os "números sem paralelo" das receitas de quotização e de merchandising.
Na mesma entrevista, e no âmbito do conjunto de reuniões institucionais com as diferentes forças políticas representadas na Assembleia da República, Nuno Catarino reforçou a posição do Benfica sobre a negociação da centralização dos direitos televisivos, garantindo que o Clube não precisa desta para valorizar o produto que comercializa e sublinhando que, na atual conjuntura, "ninguém ficará satisfeito" com o resultado final em 2028.
O dirigente das águias também abordou outros assuntos, como o custo da Assembleia Geral Eleitoral de novembro de 2025, o empréstimo obrigacionista recentemente lançado pela Benfica SAD e o ponto de situação do Benfica District.
Começo por lhe perguntar que balanço faz destes resultados? O que destaca de mais importante nas contas do Clube anunciadas nesta sexta-feira, e que apresentam um lucro de 29 milhões de euros?
Começo pela parte final, pelo lucro de 29 milhões de euros. Sendo um lucro consolidado, que é uma linguagem que temos de começar a introduzir no léxico dos Benfiquistas, porque a partir deste ano as contas vão ser apresentadas tanto numa perspetiva individual como consolidada, apesar de no passado já termos dado números em consolidado, mas, neste, temos umas normas contabilísticas para o individual, temos o IFRS para o consolidado. Isto são outras nuances, mas para nos habituarmos. Temos, de facto, um resultado de 29 milhões de euros, em que eu destacaria aqui duas componentes. Temos cerca de 6,7 milhões de euros, que é um bocadinho o resultado a que nós chamamos o resultado recorrente do Clube. É a forma como nós, internamente, olhamos para o Clube, ou seja, sem algumas operações extraordinárias que possam ter ocorrido e que ainda ocorrem dentro da esfera do Clube. Mas, sobretudo, sem olhar para o que é o negócio do futebol, que esse teve um resultado líquido de 40 milhões de euros. Depois, o Clube faz a apropriação desse resultado na justa proporção das ações que tem e isso resulta no tal resultado de 29 milhões de euros. O resultado de 29 milhões de euros é obviamente bastante bom. Mas eu gostaria de ressaltar esta parte de estarmos a falar de um aumento de 6% no resultado recorrente operacional do Clube, que aumenta para os tais 6,7 milhões de euros, que eu acho que – se queremos ver o Clube sem o futebol, porque o futebol podemos sempre vê-lo à parte, olhando para a SAD – é talvez a maneira em que se pode ter mais granularidade e melhor entendimento do que estamos aqui a falar.
A que é que se devem estes resultados? O que teve mais impacto?
Aqui, na parte dos resultados dos 6,7 milhões de euros, temos um crescimento. Basicamente, o Clube tem três grandes linhas de receita, depois tem mais do que isso, mas, pronto, três grandes. Temos a quotização. Tivemos uma performance muito boa da quotização, da entrada de novos sócios. A quotização está a crescer. Semestre sobre semestre, cresceu 12%, que é um número que não tem paralelo, tirando algumas grandes campanhas há muito tempo da entrada de novos sócios. Temos visto a dinâmica dos novos sócios. Obviamente, as eleições e o interesse que houve nas eleições ajudaram a que este número tenha crescido. Também aproveito para dizer que não tem baixado desde então, por isso, mantém-se bastante forte. Mas, no futuro, será natural que cresça um bocadinho menos. Eu acho que tem estas duas componentes. É uma área em que nós temos bastante cuidado, também investimos bastante na recuperação de sócios, em falar com as pessoas, arranjar formas, porque às vezes as pessoas têm dificuldades de arranjar alternativas para que elas possam pagar as quotas, porque as quotas são obrigatórias, não há isenção de pagamento. Fazemos muito trabalho e isso tem-nos dado um crescimento bastante saudável. Neste ano temos um muito bom crescimento e, obviamente por essa posição, um novo recorde a nível de quotização. Quando olhamos para patrocínios, também há um ligeiro crescimento. É uma linha de negócios um bocadinho menor do que as outras. Em termos de merchandising, também tivemos um novo semestre recorde de crescimento. Também temos feito bastantes investimentos no merchandising, até de abertura de lojas, de crescimento do digital, e isso tudo está a ser refletido. E, por fim, temos a única linha de receita que decresce, que tem que ver com os royalties da marca, que o Clube recebe por via da SAD. Isso tem que ver com o facto de, sobretudo, o mercado de transferências de há dois anos, em termos de vendas, ter sido mais volumoso do que o mercado do ano passado. Como há uma percentagem sobre as vendas que o Clube recebe por via de royalties, esse valor baixou. Mas é esse efeito. Apesar dessa baixa, a receita total do Clube sobe 3% e novamente para um patamar recorde histórico. Em paralelo com este crescimento da receita, temos o crescimento dos custos operacionais nos 2%, ou seja, temos um crescimento de custos abaixo da inflação, na prática. Crescimento da receita acima da inflação e acima dos custos, os custos um bocadinho abaixo da inflação, o que dá um crescimento muito saudável daquilo que chamamos de resultado recorrente de cerca de 6%.
Tocou aqui na questão das eleições de 2025. Quanto custaram as eleições do Clube?
A organização das eleições – e é um número que está aqui, está no relatório anual, porque as eleições já aconteceram, já sabemos exatamente quanto é que elas custaram – tiveram um custo total de 3,2 milhões de euros. Ou seja, é um resultado que nós, no resultado operacional recorrente, não o consideramos, porque não há eleições todos os anos, mas tem, obviamente, impacto depois, na tradução para o resultado líquido, porque isso é um custo de exercício. Mas foi de 3,2 milhões de euros. Eu recordo que, no plano orçamental inicial, tínhamos orçamentado um custo de 550 mil euros para as eleições. Isto é uma grande diferença, de 550 mil euros para 3,2 milhões de euros, e é importante explicar porque é que isso acontece. Acontece por duas ou três razões óbvias. Quando fizemos uma orçamentação de 550 mil euros, assumimos um pressuposto de umas eleições que seriam certificadas, mas, como era possível, desde que não houvesse oposição de todas as listas ao voto eletrónico, assumimos uma opção mais económica de poder fazer o voto eletrónico, como já se tinha feito no passado, já para o estrangeiro. Mas também tínhamos aqui um pressuposto, porque também nunca tinha acontecido uma 2.ª volta. Quer dizer, não íamos orçamentar já uma 2.ª volta, que não duplica, mas quase duplica. Ou seja, há aqui dois elementos. O que aconteceu foi que, a partir do momento em que caiu essa opção [do voto eletrónico] – e isso foi uma decisão das listas, os serviços só têm de a executar –, tivemos de alargar o número de locais de votação, para se votar no estrangeiro. Foi toda uma operação que foi, de facto, muito pesada. Houve uma altura em que as estimativas de custo já estavam nos 4/5 milhões de euros, mas conseguimos negociar muita coisa no momento e conseguimos fechar nos 3,2 milhões de euros.
Face a estes resultados, uma não presença do Benfica na Liga dos Campeões pode colocar sobre grande pressão as contas do Benfica? Que estratégia tem o Benfica, se isso, porventura, acontecer?
Como é uma pergunta que corresponde à SAD, e estamos até no momento de empréstimo obrigacionista, eu tenho a obrigação de declinar responder à pergunta. Vou tentar responder de uma forma mais indireta, quer dizer, não é a primeira vez que isso acontece na história. Para já, o cenário, obviamente, é de chegarmos à Liga dos Campeões. Esse é o cenário central e é sempre para isso que trabalhamos. Nalguma eventualidade, eu acredito, muito remota, de ser algo diferente – também já aconteceu no Benfica no passado, e acontece em muitos outros clubes –, tem de se fazer os ajustamentos necessários para garantir o equilíbrio económico-financeiro e desportivo do Benfica. Mas estaremos cá para fazer esse trabalho.
O Benfica lançou, há poucos dias, um empréstimo obrigacionista de 40 milhões de euros. Qual é o propósito desta operação?
Esta operação enquadra-se naquilo que é a estratégia de financiamento da SAD. Até há bem pouco tempo, a SAD tinha feito recorrentemente empréstimos anuais de três anos, ou seja, três linhas que renovavam todos os anos, porque o prazo é de três anos. Nós alterámos a estratégia no ano passado, fizemos aqui um alongamento de prazos. No ano passado, fizemos uma emissão de quatro anos, neste ano estamos a fazer uma emissão de cinco anos.
Porquê? É a primeira vez?
Exato, e eu vou responder. Este motivo tem duas origens, duas razões principais. Em boa verdade, reduzem-se os custos – porque cada emissão tem os seus custos. Fazendo emissões mais longas, acabamos por diluir o custo dessa própria emissão e temos de ir menos vezes ao mercado para fazer novas emissões. Mas também para os nossos investidores e do entendimento que temos do que pedem, eles também têm os seus próprios custos. Muitos deles o que fazem é: há um empréstimo que vence em maio, têm de oferecer para trocar agora, ou comprar para depois receber daqui a um tempo, que são as duas opções que os investidores têm, e isto também tem um custo de transação para a maioria dos nossos investidores, que são relativamente estáveis. Gostam do risco Benfica, o nosso cupão reflete, de facto, um risco percebido e entendido pelos investidores como bastante moderado. É isso que traduz o cupão, por isso achámos que esta questão de expandir faz parte da nossa estratégia. Por isso, hoje em dia não temos, nem teremos em 2028, nem teremos em 2030, empréstimos a vencer. Ou seja, vamos de facto espaçar isto no tempo.
A ideia deste empréstimo é também atacar o mercado no final da temporada?
Novamente, não queria falar muito sobre o tema, mas os empréstimos obrigacionistas não servem para isso. De facto, o mercado analisa-se, o mercado de entradas com o mercado de saídas, o ajustamento da equipa faz-se aí. Isto tem muito que ver com a estratégia de longo prazo de financiamento da sociedade, que é igual à de muitas outras sociedades. Se alguém for consultar, quase todas as empresas têm empréstimos obrigacionistas de todas as formas e feitios, e as que não têm, têm outros formatos de financiamento que se equivalem aos empréstimos obrigacionistas. Isto tem que ver com a atividade de uma empresa que tem 650 milhões no consolidado, de balanço, tem toda a sua atividade, e tem obviamente necessidades de financiamento, que se faz, no caso do Benfica, com uma parcela importante via empréstimos obrigacionistas.
Como é que avalia a dívida do Benfica, numa ótica de SAD e não de Clube?
A dívida do Benfica, olhando aos últimos 18 meses, tem estado bastante estável. Estou a falar de dívida líquida, porque agora fazemos uma emissão, temporariamente sobe a dívida bruta, daqui a um mês reduz a dívida bruta outra vez. Temos de levar sempre a dívida versus o dinheiro que temos em disponibilidade. E a nossa perspetiva é ter uma situação estável, com momentos de decréscimo, mas é essa a perspetiva que temos sempre, e quando não haja projetos estruturantes que se possam fazer; aí, teremos de ver outras alternativas de financiamento, ancoradas no próprio projeto, por isso é que se chama project finance e não enterprise finance, como é o caso destes empréstimos obrigacionistas.
Podemos, portanto, assumir que a situação económica do Benfica é favorável? Quais são os objetivos para o próximo ano?
Sobre os objetivos para o próximo ano também não posso falar, porque decorre do empréstimo obrigacionista. Mas os objetivos de longo prazo do Benfica mantêm-se. Nós queremos crescer, temos um plano para crescer a receita para 500 milhões, a receita total do Clube, isto muito pelo crescimento do que chamamos de receita recorrente do Clube, para reduzir o peso, o volume e as necessidades de vendas dos jogadores. É essa a estratégia desde há um ano, pelo menos. O desenvolvimento de uma empresa a cinco anos, que é do que estamos a falar, faz-se também de saltos. Há momentos em que há saltos. Quando for feito o Benfica District, haverá um salto. Quando se faz uma renovação de um grande contrato, faz-se outro salto. Não é um processo linear, digamos assim, de crescimento da atividade, mas temos as várias iniciativas bastante bem elencadas. Sabemos quando podemos esperá-las e acontecerá esta evolução a médio prazo.
Além das contas do Clube, há outros temas que despertam a atenção dos Benfiquistas. Como é que está o projeto do Benfica District? Quando é que podem arrancar as obras? Já há alguma previsão?
Respondendo à parte das obras, e tentei também explicar isso quando foi a Assembleia Geral que aprovou o projeto do Benfica District, não são previsíveis obras de monta, ou de alguma forma, no prazo de um ano. Estamos sempre a falar a um ano de distância para haver obras, tanto que a próxima época desportiva e as seguintes dentro do estádio ocorrerão com toda a normalidade. A partir do próximo ano, haverá algumas disrupções na envolvente do estádio, porque isso decorre das obras. Mas, obras, obras, daqui a um ano estará a perguntar-me em que mês é que vão começar as obras, mas não é previsível. Estamos numa fase ainda de licenciamento. Houve a aprovação do projeto no nível de abstração que foi apresentado aos sócios, ou seja, o projeto macro. Estamos em conversações com a Câmara, que é a entidade licenciadora em várias dimensões. Neste momento estamos a falar com quase todos os departamentos, empresas municipais, e está-se a fazer esse trabalho de campo. Esperamos ter uma resposta para o licenciamento nos próximos meses. A partir daí, talharemos ainda mais os projetos, traremos a bordo potenciais operadores que explorem alguns dos diferentes espaços, também no modelo que procurámos explicar nas assembleias explicativas e na Assembleia Geral. E, depois, talvez daqui a 9 meses, teremos o project finance, digamos assim, aí, sim, bastante bem definido. O projeto concreto, que está aprovado, terá sempre variações versus o que está previsto, e vamos fazendo os ajustamentos, e, aí, seguirá o processo, o projeto, de forma normal. Este é o plano, e não mudou de há quatro meses para agora.
Portanto, mais novidades no primeiro semestre do próximo ano.
Sim, se as pessoas quiserem ver coisas acontecer de facto, sim. Entretanto, as novidades serão anunciadas, à medida que a evolução do projeto for acontecendo.
Mas vai afetar a vertente desportiva?
A vertente de estádio, não, porque as obras são na vertente fora do estádio, e temos de pensar como é que fazemos os acessos. Haverá algumas condicionantes de acessos, mas estamos a falar muito disso. No que decorre da exploração, ou das atividades das modalidades, e de algumas atividades que ocorrem na parte de fora, haverá, obviamente, mudanças. Estamos a procurar espaços para que as nossas equipas possam jogar, estamos a arranjar alternativas, e vai haver duas épocas com alguma convulsão, que é a parte em que se está a reconstruir, para melhor, toda a parte desportiva. Aí, sim, haverá impacto, como também já explicámos. Mas tem sido um bocadinho isto: o Benfica vai sempre jogar no seu estádio, as pessoas vão poder sempre vir ver o seu jogo do futebol masculino, vamos também voltar a ter jogos do futebol feminino – e teremos seguramente cada vez mais. Isso decorre normalmente, a atividade dentro do estádio. Cá fora, teremos condicionantes.
Entretanto, o Benfica tem-se reunido nestes últimos dias com vários grupos parlamentares, na Assembleia da República. Qual tem sido a reação dos partidos às preocupações demonstradas pelo Benfica, nomeadamente no que diz respeito à centralização dos direitos televisivos?
Há um nível de conhecimento dos dossiês que é bastante significativo. Estamos a falar com os mais altos representantes dos partidos no Parlamento, que trouxeram os seus especialistas no tema, e sabemos que há bastante conhecimento técnico acumulado. Isso é de salutar. Fomos ter uma conversa produtiva, apresentámos um conjunto de preocupações, também detalhámos um bocadinho o que entendemos ser a especificidade do futebol português, que faz com que o nosso projeto não possa ser um copy-paste de outro projeto. Explicámos também que houve um decreto-lei que foi feito num contexto que já não é o de hoje. A forma como se consome e como se vê o produto já é muito diferente do que era há 10 anos, e o decreto de há cinco anos era baseado no que se fazia há 10 anos. Por isso, há aqui um desligamento, quase, da realidade do decreto-lei. E o decreto-lei, na prática, traz o formato de centralização Big Bang: há um dia maravilhoso em que aparece um mundo novo. Acho que todos já percebemos que não é isso que vai acontecer. E tinha obviamente um pressuposto que era: devolver 300 milhões de euros, que dava para acomodar algum crescimento para o Benfica, um maior crescimento para clubes mais pequenos, algum crescimento para os outros dois grandes, para o SC Braga, para todas as equipas. Ou seja, estávamos num mundo de maravilhas há cinco anos. Acho que todos já perceberam que isso não vai acontecer. Nós não temos estado só a lamentar-nos da situação. Tivemos a oportunidade de fazer propostas concretas, que também temos discutido no meio – com os operadores, nas reuniões da Liga...
Quais são essas propostas?
A primeira coisa é: o Benfica não precisa da centralização para valorizar o produto que comercializa. O Benfica não precisa. Ainda agora foi ao mercado, em condições que já não eram muito fáceis pelo facto de só poder vender um produto para dois anos, quando toda a gente procura um produto a cinco anos, ou a 10 anos. É inaudito ir ao mercado para vender um produto desportivo a 2 anos, porque não há tempo suficiente para um operador, que queira inovar, fazer inovações suficientes no produto para ter resultados. Apesar disso, tivemos um resultado muito melhor do que qualquer pessoa no meio esperava, e muitas pessoas tiveram de engolir algumas coisas que disseram no passado, porque o resultado do Benfica foi superior àquilo que tinha antes, num contexto que eu já defini como adverso, com o qual todos concordamos. Mas, pronto, há esta questão: o Benfica não precisa da centralização. Ponto prévio. Obviamente, estamos num contexto de futebol português e não somos inconscientes. Se há alguma coisa de que não nos podem acusar é de não ouvir as preocupações dos outros, não ter atenção. Nós entendemos que, pelo mesmo problema que o Benfica tinha – mas o Benfica conseguiu negociar, outros não conseguem... –, há clubes que já nem contrato têm. Estão a pedir, estão de mão estendida a pedir contratos muito mais baixos para preencher o gap até 2028. E, quando se chegar a 2028, também não têm uma solução. O que temos dito é que fazem sentido duas coisas na centralização: um adiamento do que está feito para dar tempo para fazer o trabalho de casa, que não foi feito até agora, e repensar um pouco o modelo, mas, sobretudo para estes clubes, que façam uma centralização voluntária, ou seja, se juntem, e isso faz todo o sentido. Juntarem-se 10, 20, 30, quem se quiser juntar. Empacotam o seu produto, tentam vender o seu produto no mercado e temos aqui uma centralização voluntária de quem precisa deste formato como está aqui. Se eu acho que podíamos fazer muito melhor como indústria e valorizar o produto de maneira diferente, acho que sim, mas para isso era preciso ter feito um trabalho de campo que também não foi feito nos últimos cinco anos. Estou no Benfica há um ano e meio, mas vi o que dissemos antes. Dissemos sempre o mesmo: há trabalho que é preciso ser feito para valorizar o produto. Não se valoriza um produto onde os nossos jogadores se equipam em balneários... as pessoas não veem, mas não há condições. Em que filmamos para bancadas que estão interditas por razões de segurança, bancadas que não existem... Nem vou elaborar... Um produto em que não conseguimos sequer ainda fazer um investimento em tecnologia semiautomática do fora de jogo, o que faz com que a gente fique ali às vezes três minutos à espera que aconteça a decisão de um fora de jogo. Estamos a falar de investimentos, mas depois também não estamos a falar assim de tanto dinheiro. E o Benfica tem feito investimentos. Aliás, está aqui a Benfica TV, ainda há pouco tempo estivemos a discutir alguns investimentos que vamos fazer na Benfica TV. Temos investido na Benfica TV durante 15 anos. Sentimos que o Benfica faz investimentos, tenta melhorar o produto, vende o produto, até de uma forma diferente dos outros. E não é só a questão de distribuir na Benfica TV, também a forma como vendemos publicidade é diferente. Os outros venderam a publicidade a alguém para vender por eles, e nós vendemos diretamente. Há aqui vários temas em que sentimos que fazemos um esforço para ir mais além. Por isso é que nós dizemos que não precisamos, para comercializar isto melhor, para extrair mais valor do produto. Outros clubes beneficiavam de ter escala, não tenho a maior dúvida. Então, façamos este modelo, de geometria variável, em que cada um faz o que é melhor para si. Alguns deles, é juntarem-se, achamos que faz todo o sentido. Até já se devia ter começado esse processo antes.
Foram também abordados outros temas nestas reuniões parlamentares, mas a expectativa é que realmente se tomem medidas. Ficou com a sensação de que se poderá retirar resultados positivos?
Não há ninguém que tenha uma varinha mágica para resolver um problema que não foi trabalhado. Voltamos ao problema inicial. Foram conversas muito produtivas, onde fomos bastante claros. Fomos bastante bem recebidos, há o reconhecimento também de que a própria indústria tem de fazer o seu trabalho, é sempre uma questão de responsabilização, mas acho que estas conversas foram muito importantes. Há uma coisa que nós temos dito: da forma como as coisas estão hoje, ninguém vai gostar do resultado final em 2028. Se não alterarmos a forma como as coisas estão a ser feitas... Há algumas exceções, de algumas SAD que têm contextos muito específicos, em que de facto hoje não recebem nada, e, se passarem a receber alguma coisa, vão ficar naturalmente contentes. Em Portugal, o futebol movimenta bastante volume e bastante atenção, mas não nos podemos esquecer que o grosso das modalidades acaba por ser financiado por clubes que assentam em futebol. Todos nós ficamos orgulhosos quando vão atletas nossos aos Jogos Olímpicos. Os atletas do Benfica que vão lá, vão com a camisola de Portugal, tiram fotografias com a camisola de Portugal. No final do dia, se a gente quiser tirar uma fotografia com a camisola do Benfica – porque apesar de tudo somos nós que lhes pegamos o salário –, temos de ir quase para o lado para o fazer. O Benfica tem esta missão social, isto não existe em mais lado nenhum no mundo, e voltamos aqui à questão de: não nos façam copy-paste de outros mercados. Ainda por cima outros mercados que já estão a correr mal... e basta olhar para a Holanda, que é sempre o exemplo dado: estamos a falar de uma economia que é quase do tamanho da de Espanha, e já tem dificuldades em competir com Portugal. Porque nós, apesar de tudo, com esta arte, às vezes engenho, de cada um tentar fazer o melhor para si e de pôr o modelo a funcionar com alguma tensão, temos conseguido fazer crescer o produto em Portugal. Como eu disse, se não alterarmos a situação como está, ninguém vai gostar do resultado final.
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