domingo, 30 de agosto de 2026

PALHINHA É FACADA NO CORAÇÃO DOS SPORTINGUISTAS



 Acabou a novela: João Palhinha é jogador do Benfica. E por quatro anos. Um reforço de peso para Marco Silva e simultaneamente um fantasma para o… Sporting.

João Palhinha queria muito regressar a Portugal e cedo se percebeu que tal era possível, dado que não entrava nos planos de Kompany no Bayern, embora a contratação nunca se tenha afigurado fácil, dado o elevado vencimento. Durante algum tempo pensou-se que o médio poderia voltar ao Sporting, ao qual esteve vinculado entre 2013 e 2022, mas os leões acabaram por virar-se para a contratação do espanhol Sergi Altimira.
Foi legítima a posição da Administração liderada por Frederico Varandas. Palhinha obrigava a um elevado investimento e sem retorno financeiro, dada a idade do internacional português: 31 anos.
Além de convencer o gigante alemão, que começou por pedir 25 milhões de euros, a libertá-lo, havia ainda a questão dos ordenados, bem acima do teto salarial praticado em Alvalade.
Diferente pensou o Benfica. Numa posição tão legítima como a do Sporting, Rui Costa decidiu oferecer a Marco Silva um jogador de eleição, que, não tenho dúvidas, será uma mais-valia para os encarnados. Um médio defensivo poderosíssimo, que conhece de trás para a frente as ideias do treinador. De resto, estiveram juntos duas épocas no Fulham, do qual se transferiu para o Bayern por 50 milhões de euros há apenas… dois anos.
Na Luz, a questão desportiva sobrepôs-se à financeira. O inverso sucedeu em Alvalade. Uma equação simples de compreender, mas que não é fácil para os adeptos aceitar. Afinal, Palhinha era um símbolo para os sportinguistas, que se reviam no médio. Tanto assim era que Varandas se viu obrigado a explicar publicamente o porquê da não contratação quando percebeu que ia rumar ao eterno rival.
Considero que Palhinha fazia falta ao Sporting, tanto dentro como fora de campo. Além da qualidade indiscutível — confesso que sou fã do médio e neste mesmo espaço dei conta da injustiça que foi não ter sido chamado para o último Mundial —, tem também uma forte liderança, da qual, pelo que se pôde observar nas primeiras jornadas, os leões me parecem carenciados depois da revolução operada no plantel, que redundou nas saídas de, por exemplo, Hjulmand, Diomande ou Trincão.
Por tudo isto, considero que a contratação de Palhinha foi uma facada no coração dos sportinguistas. Ver o médio com a camisola do Benfica vai doer a muitos leões, que no momento da apresentação ficaram a saber que o médio é sócio dos encarnados há 21 anos. Um ligeiro bálsamo para quem o considerava apenas e só sportinguista, digo eu.
Para já, Palhinha vai ser um fantasma para os sportinguistas, mesmo que Altimira esteja a impor-se sob as ordens de Rui Borges e seja mesmo até ao momento um dos principais reforços, mas resta esperar pelos resultados...
Se o experiente médio defensivo tiver um papel de relevo e o Benfica festejar no final da temporada, a fuga do internacional português para a Luz vai fazer mossa em Alvalade. Caso contrário, é Frederico Varandas quem vai sair por cima.

Hugo do Carmo, in a Bola 

A PROPÓSITO DE PALHINHA



Um texto que pretende deixar bem claro tudo aquilo que um bom profissional deve fazer, e que pode servir de reflexão àqueles adeptos que ainda vivem no tempo em que a lei da opção escravizava os jogadores, cerceando-lhes os direitos…
Não há forma do futebol português se libertar de uma doença irritante e profundamente canhestra chamada «clubite». Porquê essa necessidade de exigir que um jogador pago para dar o melhor de si, sinta pela instituição o mesmo amor cego, lírico e apaixonado, não obstante legítimo, que um adepto sente, no topo da bancada? Não chega jogar bem; é como se os sócios dos clubes gostassem de ser enganados pelas juras de amor eterno, que só são eternas enquanto duram, o que é, convenhamos, é um disparate de todo o tamanho.
Não chega jogar bem; é como se os sócios dos clubes gostassem de ser enganados pelas juras de amor eterno.
O futebol moderno é, por natureza, desapaixonado nas secretarias e frenético no relvado. O que deve pedir-se a um profissional não é paixão de infância, é brio. É que corra, que se esfarrape, que não encolha a perna e jogue até ao limite das suas forças. Se fizer isto tudo com honestidade, cumpriu a sua parte. A sua alma pertence-lhe a ele. Será que André Villas-Boas, quando treinava o Marselha, não queria ganhar ao FC Porto? Ou Frederico Varandas, quando defrontava o Sporting como médico do V. Setúbal, não torcia pelo triunfo sadino? Ou Rui Costa, que até marcou na Luz ao Benfica, nunca deu tudo nos encarnados, nos ‘viola’ ou nos ‘rossoneri’?
O futebol moderno é, por natureza, desapaixonado nas secretarias e frenético no relvado.
Saltemos, então, para o caso de João Palhinha. Um homem forjado nas escolas do Sporting, que ‘dava a vida’ em cada lance, mas que guardava a quota de sócio do Benfica na carteira desde os dez anos. E então? Alguma vez correu menos por causa disso? Alguma vez se poupou para proteger o coração encarnado? Claro que não. Foi exemplar porque sabia perfeitamente a diferença entre a sua obrigação aos domingos e a nostalgia dos seus afetos privados.
Valerá a pena, aqui chegado, falar de Rui Jordão, um príncipe, dentro e fora das quatro linhas, que depois de ter brilhado no Benfica, foi estrela cintilante do Sporting, sem nunca renegar o passado. Jordão era sportinguista e mesmo assim, no ano do centenário do clube de Cosme Damião, compareceu a um almoço de velhas glórias do Benfica. Foi lá por respeito aos amigos e a um clube que representou, mas teve a delicadeza soberba de recusar manifestações que fossem para além disso . Não precisou de ser falso para com o Sporting, nem mal-educado para com o Benfica. Foi apenas um senhor.
Valerá a pena, aqui chegado, falar de Rui Jordão, um príncipe, dentro e fora das quatro linhas, que depois de ter brilhado no Benfica, foi estrela cintilante do Sporting.
No meio do turbilhão de um jogo, as camisolas são a nossa pele e a pele dos nossos companheiros. Ali, embora haja lealdade à direção, aos adeptos e à história do clube, tudo se resume a um ‘nós’ contra ‘eles’, ao companheiro do lado que está a suar a mesma camisola e a defender a mesma trincheira, e aos ‘outros’, que nos querem derrotar.
O futebol de elite agradece um bocado menos de dramatismo e muito mais dignidade.
Tudo o resto — as discussões azedas sobre quem ama mais o quê — é apenas conversa para encher o tempo nos cafés. O futebol de elite agradece um bocado menos de dramatismo e muito mais dignidade. A dignidade que está em cada profissional que atravessa a carreira sempre de cabeça erguida.

José Manuel Delgado, in a Bola 

PRESTIANNI E A RUA COMO LABORATÓRIO

 


Omiúdo recebe a bola. O treinador grita: «Dois toques.» O miúdo obedece. Domina. Passa. Corre para o lugar marcado. O treinador aplaude. Tudo limpo. Tudo rápido. Tudo certo.

É assim que se começa a fabricar um jogador moderno. Também pode ser assim que se começa a estragá-lo. Nunca houve tantos campos perfeitos. Tantos treinadores preparados. Tantos dados sobre crianças de 12 anos. A velocidade. A potência. O pé dominante. O número de decisões certas. O futebol sabe quase tudo sobre elas. Só não sabe quem seriam se as deixassem em paz.
Pablo Aimar contou o problema de uma forma difícil de esquecer. Irrita-o ouvir que já não existem jogadores criativos depois de centenas de treinos automatizados. É como ensinar uma criança a tocar piano seguindo sempre a mesma partitura e, anos depois, acusá-la de não saber improvisar.
Primeiro, tiramos-lhe a liberdade. Depois, perguntamos onde ficou a imaginação.
A academia não é o inimigo. Protege. Alimenta. Ensina. Dá relva, médicos, ginásios, acompanhamento escolar. Apanha um miúdo com talento e oferece-lhe uma estrada onde antes havia pedras. O problema começa quando também lhe diz por onde deve passar em cada curva.
Batistuta lamentou o desaparecimento daquele avançado que vivia para o golo. O 9 à antiga. Como ele. Como Vieri. Como tantos outros que não têm lugar no futebol moderno. Homens reconhecíveis pela função, pelo instinto, pela maneira de respirar dentro da área. O jogo, viciado na intensidade e no GPS, transformou-os em trabalhadores completos. Todos pressionam. Todos defendem. Todos interpretam o espaço. Todos cumprem.
Parece sensato. Mas quase tudo o que mata lentamente parece sensato. Falta ao jogador, por vezes, um lugar onde se possa perder. Esse lugar era a rua. A rua não tinha cones. Tinha buracos. Não tinha árbitro. Tinha discussões. Não tinha treinador. Tinha o maior, o mais velho, o dono da bola. As balizas eram duas pedras. O campo acabava num passeio, num muro ou no primeiro carro mal estacionado.
Ali, o jogo não ensinava respostas. Criava problemas. A bola saltava mal. O espaço era curto. O adversário era mais velho e não queria saber da pedagogia. Era preciso sobreviver. Usar o corpo. Esconder a bola. Inventar um túnel. Descobrir um passe onde ninguém via passagem. Aprender que a vergonha de perder a bola durava menos do que a alegria de voltar a pedi-la. Ninguém dizia ao miúdo para ser criativo. A criatividade era a única saída. Esse tipo de jogador está em vias de extinção. Por isso, é ainda tão saboroso ver alguém como Prestianni.
A fazer um grande arranque de época, com apenas 20 anos, o miúdo argentino joga como se ainda trouxesse a rua agarrada às botas. Recebe a bola e procura o adversário. Não para fugir dele. Para o desafiar. Ainda acredita que uma finta pode servir para chegar à baliza. Ou apenas para provar que era possível. Pertence a essa espécie cada vez mais rara. A daqueles jogadores que rasgam o guião e fazem as suas próprias regras quando têm a bola. A desobediência pela banalidade é a melhor arma de Prestianni.
O Brasil construiu uma parte da sua grandeza nesses lugares. Na praia. Na várzea. No asfalto. Na favela. Em campos tortos onde a geometria oficial não servia. Garrincha não driblava apesar das pernas tortas. Driblava com elas. Romário encontrava espaço onde nem dava para montar uma cabine telefónica. Ronaldinho tratava a bola como um brinquedo porque, antes de se tornar profissão, tinha sido isso. E, para ele, nunca deixou de ser isso. O seu brinquedo preferido.
O Brasil tem hoje academias melhores. Centros de treino de qualidade. Metodologias importadas. Jovens mais fortes, mais rápidos, preparados para chegar à Europa aos 17 anos e perceber o que o treinador lhes pede.
É o progresso, dizem. Mas o progresso tem sempre uma fatura. Ao aproximar-se da Europa, o Brasil também se afasta de si próprio. Produz laterais que sabem entrar por dentro. Médios que dão equilíbrio. Extremos que pressionam. Jogadores prontos para o sistema. Verdade. Mas antes o sistema é que tinha de estar pronto para eles.
Não se trata de pedir o regresso romântico a uma infância pobre. A rua também era abandono. Também era falta de condições. Ninguém deve confundir carência com método. Um buraco no asfalto não é um plano de formação.
Mas havia naquele caos uma coisa preciosa. Tempo sem adultos. Tempo sem instruções. Tempo para fazer uma coisa inútil muitas vezes até ela se tornar genial.
As academias querem eliminar o erro. A rua precisava dele. Um drible falhado não saía no relatório. Não custava a titularidade. Custava uma gargalhada dos outros. E a resposta chegava na jogada seguinte.
Hoje, um miúdo perde a bola e olha para o banco. Antes, perdia a bola e tentava outra loucura. Quem olha para o banco procura autorização. Quem olha para a bola procura uma solução.
O futebol moderno não expulsou os artistas. Fez algo mais eficaz. Educou-os para não incomodarem. Ensinou-lhes o momento certo para arriscar, a zona certa para fintar, a percentagem aceitável de perigo. Deu-lhes liberdade dentro de um quadrado desenhado no chão. Uma liberdade vigiada.
Depois aparecem treinadores a pedir jogadores capazes de desbloquear jogos fechados. Querem alguém que veja o que os outros não vêem. Alguém que rompa uma linha. Alguém que invente. Mas a invenção não nasce por ordem. O rasgo não vem no plano semanal.
A solução não é destruir a academia. É abrir-lhe uma janela. Criar espaços onde o treinador se cale. Onde não haja limite de toques. Onde o melhor jogador não seja o que erra menos, mas o que imagina mais. O caminho passa por levar a rua para dentro do laboratório. Não a pobreza. Não o abandono. Não a falta de meios. A liberdade.
O futebol precisa de jogadores bem formados. Claro que precisa. Mas também precisa de um miúdo que receba a bola, ouça o treinador gritar «dois toques» e, por um segundo, finja que não ouviu.
Luís Aguilar, in a Bola

MARCO SILVA MUDA O MEIO CAMPO NA RETA FINAL DO MERCADO?

                  

sábado, 29 de agosto de 2026

Puerta aberta: médio colombiano quer o Benfica | MERCADO FLASH

                  

SEM PENINHA DO PALHINHA

 


Só eu e a minha família é que temos noção daquilo que eu tive de abdicar para estar aqui.

João Palhinha, na oficialização como reforço do Benfica.
João Palhinha foi oficializado ontem como reforço do Benfica, com contrato até 2030. Aos 31 anos, e depois de quatro temporadas fora de Portugal, o médio volta a Lisboa. Para trás deixou um lucrativo salário no Bayern, e ontem admitiu que abdicou de muito para rumar à Luz, mas confesso que não tenho pena — nem ele a pretende; quando explicou a situação não me pareceu que fosse para obter compreensão ou simpatia.
Objetivamente, é verdade. Palhinha deixou muito dinheiro na Baviera para poder voltar a Portugal. Mas ninguém lhe apontou uma arma. E a felicidade que procura, em campo — numa equipa onde possa sentir-se importante, num clube onde era muito desejado, com um treinador que o conhece bem — e fora dele — com a proximidade dos dois filhos —, tem custos, neste caso financeiros.
Se o dinheiro fosse o mais importante, Palhinha podia ter ficado em Munique, mesmo sem jogar, ou rumado a outras paragens. Não teria dificuldade em encontrar clube que lhe pagasse o mesmo, ou quase.
Aos 31 anos, depois de quatro épocas fora do país, e separado da mãe dos filhos, deu prioridade à vida familiar e à realização desportiva. É compreensível. E por muito menos que vá receber, é difícil sentir pena por alguém que terá um salário líquido entre 2,5 e 3 milhões de euros por época. Talvez não chegue para os netos, mas é suficiente para os filhos nunca terem de trabalhar na vida.
Hugo Vasconcelos, in a Bola

BENFICA JÁ CONHECE O CAMINHO NA LIGA EUROPA! MILAN É O GRANDE DESAFIO!

                  

BENFICA-IMPRENSA 29 Agosto GLORIOSO CONHECE OS SEUS ADVERSÁRIOS E TEM O MERCADO À PERNA DE NOVO!!🦅