terça-feira, 26 de maio de 2026

BENFICA: O GUIÃO DE UMA ÉPOCA SEM CONTROLO



 O ano do Benfica foi desastroso. Têm existido tantos episódios que, por vezes, parece que estamos perante uma verdadeira telenovela.

Episódio 1: Supertaça e Champions
A época começou com a conquista da Supertaça e a qualificação para a fase de liga da Liga dos Campeões. Pelo caminho ficou, entre outras equipas, o Fenerbahçe, de José Mourinho. Apesar do sucesso inicial, um empate frente ao Santa Clara (marcado por uma escorregadela de Otamendi) e uma derrota com o Qarabag serviram de argumento para Rui Costa e a sua administração despedirem Bruno Lage. A ideia que ficou foi a de que estes dois resultados foram o pretexto para trazer um trunfo que garantisse votos nas eleições.
Episódio 2: A chegada do salvador
José Mourinho chegou ao Benfica como o homem que devolveria o clube à glória. Foi também o treinador que, enquanto adversário, dizia que o plantel encarnado era riquíssimo. Rapidamente mudou de opinião. O discurso passou de uma equipa recheada de soluções para um grupo limitado e mal construído.
Na apresentação, Mourinho deixou uma frase que incendiou os adeptos: «Alguém pode dizer não ao Benfica?» Naquele momento parecia impossível. Mourinho, muito mais do que um líder de balneário, transmitia a ideia de ser uma figura capaz de devolver exigência, identidade e até estabilidade emocional ao clube.
Episódio 3: A primeira conquista
A primeira e única conquista de Mourinho não aconteceu dentro das quatro linhas, mas fora delas. A sua chegada teve impacto direto na reeleição de Rui Costa e criou a esperança de que finalmente existiria alguém capaz de reorganizar um clube perdido em várias frentes.
No relvado, esperava-se uma equipa vencedora. Na comunicação, aguardava-se uma estrutura mais preparada para lidar com pressão e crises. No planeamento do futebol, exigia-se mais credibilidade e capacidade de decisão. Mourinho passou rapidamente a ser visto como uma solução global. Uma contratação quatro em um, que acabava por concentrar demasiadas expectativas numa única pessoa.
Episódio 4: O exemplo do Dragão
O Benfica foi ao Dragão para não perder. O próprio Mourinho assumiu isso no final do jogo. O problema é que o Benfica raramente entra em campo, em Portugal, apenas para sobreviver. O objetivo era evitar ficar a sete pontos da liderança. Acabou o campeonato a oito, com a agravante de o FC Porto já ter tirado o pé do acelerador nas últimas jornadas. Ficou uma imagem de um Benfica receoso, curto emocionalmente e demasiado preocupado em limitar danos.
Episódio 5: A Taça da Liga e o mercado
Sem grande evolução exibicional e com resultados europeus inconsistentes, a Taça da Liga parecia a grande oportunidade para Mourinho conquistar o primeiro título no clube. Depois da eliminação do Sporting, o SC Braga surgia como o principal obstáculo. Mais uma vez, o Benfica falhou num momento decisivo.
Seguiu-se o mercado de inverno. Depois de tantas críticas ao plantel, esperava-se uma intervenção forte e criteriosa. A realidade foi diferente. Chegaram Sidny e Rafa, um jogador de 33 anos, parado desde novembro e com um dos salários mais elevados do plantel. A ideia de um projeto sustentado deu lugar à sensação de gestão ao sabor do vento.
Episódio 6: A Noite épica e o caso Vinícius
O grande momento da temporada aconteceu frente ao Real Madrid na Champions. Uma exibição memorável, que terminou de forma épica, com um golo de Trubin a garantir a passagem à fase seguinte da Champions, quando poucos acreditavam.
Mourinho voltou ao centro das atenções mundiais e saiu claramente reforçado. Poucas semanas depois surgiu o caso entre Vinícius e Prestianni.
O Benfica teve aí uma oportunidade para mostrar maturidade comunicacional. Voltou a falhar. Em vez de controlar a narrativa, entrou numa discussão pública sobre versões e interpretações, deixando o nome do clube correr o mundo pelas piores razões.
Episódio 7: A Liga Virtual
Sem conseguir acompanhar os rivais na classificação real, o Benfica apostou grande parte da sua comunicação na crítica às arbitragens. Durante algum tempo, muitos adeptos aceitaram essa narrativa. O problema é que chega sempre um momento em a realidade ultrapassa a ficção. Normalmente, quando um clube passa demasiado tempo a discutir fatores externos é porque deixou de conseguir controlar os internos.
Episódio 8: Quem manda no Benfica?
O último episódio talvez seja o mais revelador de todos. Em março, Mourinho colocou-se à disposição para renovar contrato. Rui Costa respondeu lembrando que ainda existia mais um ano de ligação entre as partes. O tema parecia fechado. Entretanto surgiu o interesse do Real Madrid e o discurso mudou. Mourinho passou a adiar qualquer decisão, afirmando estar totalmente concentrado na luta pelo segundo lugar.
Já a três dias do final da temporada, revelou ter recebido uma proposta de renovação — mais tarde descrita pelo próprio como «uma muito boa proposta» — e anunciou que iria analisar no fim da Liga. Mourinho passou a dispor de todos os elementos decisivos: uma proposta formal, uma janela curta de decisão e a possibilidade de condicionar o futuro imediato do clube.
Num grande clube, isto dificilmente acontece. Os grandes clubes não vivem suspensos de uma decisão individual, por mais influente que seja o protagonista. Definem o seu rumo, antecipam o planeamento e controlam o calendário. Aqui, pelo contrário, o planeamento da próxima época ficou inevitavelmente dependente de uma resposta pessoal.
Num verão ainda condicionado por um Mundial e por um mercado que pode arrancar tarde, essa indefinição ganha mais peso. Talvez seja aqui que a temporada volta ao ponto de partida: um Benfica que começou a época a reagir aos acontecimentos e termina a aguardar, novamente, por uma decisão que não controla.
Por fim, para fechar a novela, fica apenas uma última pergunta: será que Mourinho vai dizer não ao Benfica?
A VALORIZAR: BRUNO FERNANDES
Eleito unanimemente o melhor jogador da Liga Inglesa. Uma época fantástica de um jogador excecional. Este feito é ainda maior por o ter sido conseguido num Manchester United em reconstrução. É atualmente o líder indiscutível da nossa Seleção em todas as dimensões: qualidade, personalidade, liderança e exemplo.
Diogo Luís, in a Bola

¡EL MADRID EN CAOS! LA VOTACIÓN DESATA LA TENSIÓN

                   

BENFICA-IMPRENSA 26 Maio GLORIOSO PERDIDO NA PREPARAÇÃO DA NOVA ÉPOCA POR CAUSA DA NOVELA MOURINHO!!

                    

OS AMERICANOS E O BENFICA

 


No passado dia 23 de abril, a Entrepreneur Equity Partners assinou um acordo para a compra dos 16,38% da Benfica SAD detidos pelo Grupo Valouro e pelo seu acionista José António dos Santos, conhecido no universo benfiquista como o rei dos frangos.

Trata-se de um fundo de investimento norte-americano ligado ao desporto e ao entretenimento, com participação na gestão de arenas desportivas e espaços de espetáculo. Com esta operação, investidores americanos passam a deter mais de 21% da SAD encarnada, uma vez que a Lenore Sports Partners já havia adquirido 5,24% do capital em 2025.
Importa, porém, clarificar uma questão essencial: o Benfica clube continua a controlar a SAD. Detém cerca de 67% do capital e é o único titular das ações de categoria A, que conferem direitos especiais. As ações agora adquiridas pertencem à categoria B e não atribuem esses privilégios. Este é um ponto importante.
Os estatutos da SAD foram desenhados precisamente para garantir esse controlo. O clube tem direito de preferência na transmissão das ações, pode amortizar ações de categoria B em determinadas circunstâncias, dispõe de poder de veto nas decisões estruturantes e pode nomear um administrador com direitos reforçados no conselho de administração.
Em resumo: enquanto mantiver a maioria do capital e o controlo dos órgãos sociais, quem manda na SAD é o Benfica. Mas isso não significa que os novos acionistas sejam irrelevantes. Muito pelo contrário.
A SAD está cotada em bolsa, depende de financiamento externo e necessita de preservar credibilidade junto de investidores e credores. Quem investe cerca de 40 milhões de euros não o faz para assistir da bancada. Quer influência, informação e capacidade de participação nas grandes decisões estratégicas.
Aliás, basta olhar para os números: a cotação bolsista recente avaliava a SAD em cerca de 170 milhões de euros, mas esta operação implicou uma valorização próxima dos 250 milhões. Quem paga muito acima do valor de mercado acredita que o ativo vale bastante mais e, como é lógico, espera retorno.
É difícil imaginar que estes investidores estejam interessados apenas nas receitas televisivas ou nas mais-valias desportivas. O potencial do chamado Benfica District, os naming rights do estádio, a expansão internacional da marca ou até futuras operações relacionadas com jogadores deverão fazer parte da equação.
A entrada de acionistas com experiência no mercado desportivo mais sofisticado do mundo pode, aliás, representar uma oportunidade. Os americanos dominam como ninguém a indústria do entretenimento e do espetáculo desportivo. Podem trazer novas competências de gestão, inovação comercial, profissionalização e valorização da marca.
O problema é outro. José António dos Santos há muito dava sinais de querer vender a sua participação. Perante esse cenário, teria sido desejável que a Direção do Benfica tivesse antecipado o processo, procurado investidores alinhados com uma visão estratégica para o clube e conduzido a operação em vez de apenas reagir a ela.
No FC Porto, e também no atual Sporting, dificilmente uma situação destas teria acontecido desta forma. Mais uma vez, a liderança de Rui Costa parece correr atrás dos acontecimentos em vez de os controlar. Reage, adapta-se, tenta limitar danos, mas raramente define o jogo. E tem mais probabilidades de perder.
E no futebol, como na gestão, quem passa o tempo a correr atrás da bola dificilmente consegue controlar o jogo.
O Direito ao Golo desta semana vai para o Torreense. Extraordinária e merecida vitória na Taça de Portugal. Parabéns aos de Torres Vedras pela inédita conquista: um clube da segunda divisão ganhar a Taça não tem precedente! E também para Afonso Eulálio, o ciclista português liderou a Volta a Itália durante nove dias, e está agora no segundo lugar da classificação geral. Fantástico!
João Caiado Guerreiro, in a Bola

🚨 ESCÂNDALO! IGNORAM A HUMILHAÇÃO DO SPORTING… E SÓ FALAM DE MOURINHO!

                  

BOLA AO CENTRO (T3)- Ep. 204: ENTÃO ZÉ, OU VAIS OU FICAS?!!! 🦅🔴

                  

🔥 INACREDITÁVEL! TORREENSE GANHA A TAÇA AO SPORTING… E A NOVELA MOURINHO NÃO ACABA!

                  

BENFICA 2026-27 ● OS ADVERSÁRIOS DO BENFICA NA LIGA EUROPA! O COMEÇO DA PRÉ-ÉPOCA E O NOVO TREINADOR