segunda-feira, 1 de junho de 2020

BENFICA ATÉ DEBAIXO DE ÁGUA


"Um adepto do Benfica preferiu ficar com a cabeça à chuva do que usar um barrete dos holandeses

Dias antes do Benfica defrontar o Feyenoord para a 1.ª mão dos quartos de final da Taça dos Clubes Campeões Europeus 1971/72, o treinador dos holandeses, Ernst Happel, teceu declarações acerca dos 'encarnados' que inflamaram o ambiente da partida, 'uma perfeita mistificação futebolística, que não passava de equipa medíocre, de onze cultivado tecnicamente e ao nível de uma escassa instrução primária'. As palavras do técnico criaram enorme mal-estar junto dos adeptos benfiquistas e foram um tónico para os jogadores, que entraram em campo motivados para provar o contrário.
Com um excelente início de jogo, 'o Benfica meteu num chinelo o Feyenoord', contudo, por falta de acerto dos atacantes 'encarnados', a partida terminou com a vitória dos holandeses por 1-0. A boa imagem deixada pelos portugueses fez com que, no final do encontro, o treinador adversário se retratasse: 'estou, sinceramente, arrependido daquilo que disse sobre o Benfica (...) é muito mais forte do que pensava'.
Porém, o orgulho dos benfiquistas estava ferido. Não havia nada a fazer! Na 2.ª mão, os adeptos prepararam uma recepção monstruosa: «o Estádio da Luz, que apresentava o aspecto ciclópico de uma das suas maiores enchentes, o 'velho Benfica'. O Benfica das noites de gala europeia». Se nas bancadas os 'encarnados' apresentaram a sua melhor versão, em campo também não foi diferente. A equipa entrou muito forte e precisou apenas de cinco minutos para inaugurar o marcador.
A chuva intensificou-se e, na bancada à frente das cabines da rádio, estava 'um garoto que assistia ao jogo, ao lado de um holandês que obviamente se 'despistara' do seu lugar'. Ao aperceber-se que o miúdo tinha a cabeça encharcada, o rival ofereceu-lhe o seu barrete. No entanto, o 'rapaz olha para a barrete, lê o dístico «Feyenoord» e esboça um sorriso amarelo e recusa'. O holandês insistiu e o garoto 'acabou por aceitar, mas continuou com a cabeça descoberta à chuva'. Há feridas que demoram a sarar!
Em campo, os 'encarnados' responderam com golos à provocação do técnico holandês, marcaram três golos em 'quinze minutos de ouro e de aço (o ouro da técnica e o aço da determinação) (que) perdurarão por muitos anos na memória de mais de setenta mil pessoas', triunfaram por 5-1 e apuraram-se para a fase seguinte.
Nessa época, o Benfica sagrou-se campeão nacional. Saiba mais na área 6 - Campeões Sempre no Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

O LEITE FARÁ BEM ÀS ÁGUIAS?

"Por não serem animais mamíferos, as águias não consomem leite. No entanto, as águias do SL Benfica parecem estar prestes a adquirir 1,96m de Leite. O guardião brasileiro do Boavista FC, Helton Leite, estará a caminho dos ainda campeões nacionais, confiando nas notícias veiculadas.
A confirmar-se a sua chegada aos encarnados, o futebolista de 29 anos será sombra de Vlachodimos, acreditando, mais uma vez, que todas as notícias desportivas nacionais são verdadeiras (um mau princípio). Desta forma, o guardião grego permanecerá no clube da Luz. Ficaria desta forma solucionada a problemática da alternativa ao titular da baliza encarnada e, quiçá, a problemática do seu sucessor.
Com a contratação de Helton, Varela e Zlobin deverão conhecer o fim dos seus vínculos ao SL Benfica. Já Svilar deverá ter a oportunidade de dar seguimento à sua evolução num outro clube português, por empréstimo dos encarnados. Kokubo será, acredito, o eleito para fazer a ponte entre a titularidade na equipa B e a posição de terceiro guarda-redes do plantel principal.
“Gosta muito da ideia de jogar no SL Benfica” (pai de Helton Leite sobre o filho, ao jornal O Jogo, dia 26 de maio de 2020)
Apesar da idade, não se pode asseverar que as águias adquirem um guarda-redes experiente. Pelo menos não no panorama internacional. As duas épocas que está prestes a completar no Bessa constituem a sua primeira experiência fora do Brasil. No seu país natal, Leite destacou-se no Botafogo de Futebol e Regatas, clube carioca ao qual os axadrezados adquiriram o seu passe.
Ainda assim, os dez anos de experiência sénior dar-lhe-ão, por certo, uma bagagem interessante. Todavia, mesmo sem a bagagem de guarda-redes que Júlio Cesar, que, não há muito tempo, se despediu dos encarnados, tem, Helton Leite aparenta ter qualidade, ou qualidades, que o tornam um bom activo para as águias rentabilizarem desportivamente (financeiramente, já não haverá grande proveito a usufruir).
Fazendo (bom) uso da sua envergadura e altura, o brasileiro tem demonstrado competência nas bolas aéreas e nos remates de meia altura para cima, bem como no encurtamento dos espaços, graças à larga passada, e na execução da “mancha”. Tem igualmente revelado ser destemido e inteligente nos duelos um para um com jogadores adversários, incluindo nas saídas aos seus pés. Helton Leite revela alguma agilidade e rapidez e, sobretudo, capacidade técnica nos confrontos directos com adversários. A sua capacidade de encaixe a remates de meia e longa distância é para lá de razoável. Por outro lado, remates de curta distância – sobretudo se rentes à relva – provocam-lhe dificuldades, não sendo a sua agilidade por vezes suficiente para compensar as suas dimensões físicas (1,96m e 92Kg). Contudo, Helton Leite consegue, por inúmeras vezes, fazer uso da sua capacidade mental e do conhecimento alargado que tem das lides da sua posição para suprir as eventuais lacunas físicas que possa apresentar.
O seu jogo de pés, ainda que não muito conhecido, não pode ser considerado mau. Ainda assim, a equipa técnica encarnada terá que empenhar algum tempo no trabalho de pés do guardião brasileiro. Eu acredito que esse empenho terá frutos, visto que quem se há pronunciado sobre a forma de trabalho de Leite revelou sempre que o “90” dos boavisteiros é dotado de excelente carácter, motivação e vontade de trabalhar.
Após duas épocas sem uma alternativa credível a Vlachodimos, os encarnados preparam-se para – por fim! – contratar um digno concorrente à titularidade da baliza benfiquista. Ainda por cima, o “módico” pagamento é de cerca de dois milhões de euros. Na presunção de que Helton assina pelos encarnados e de que nenhuma lesão o impede de mostrar serviço e todo o seu talento (como há acontecido no Boavista FC, na corrente época), afigura-se-me seguro afirmar que Leite fará muito bem às águias."

PRIMEIRAS PÁGINAS DOS TUGA LIXO


domingo, 31 de maio de 2020

DUPLA MARAVILHA!!!

"Aí está. Bruno de Carvalho está de volta depois da surreal absolvição no caso Alcochete, mesmo com todos as provas que foi efectivamente o mandatário do acto terrorista aí cometido.
E, estando de volta, está também de regresso a famosa Aliança do Altis, a qual foi também fruto das mentes doentes de Bruno de Carvalho e do Fugitivo de Vigo. Francisco Marques, Manuel Tavares e Nuno Saraiva foram apenas os peões destacados para a execução do plano. A vergonhosa reunião Anti-Benfica onde foi delineada a estratégia de destruição da marca Benfica sem olhar a meios para o fazer.
https://www.cmjornal.pt/desporto/detalhe/alianca-para-tirar-dominio-ao-benfica
Pois bem, os veículos dessa campanha começam já a aquecer os motores e preparam-se para voltar em força novamente, sem a oposição firme e definitiva que se exige do Benfica, na pessoa do seu Presidente e direcção.
Record atribuiu na edição de hoje as medalhas de ouro e prata ao Branca de Carvalho e ao Fugitivo de Vigo num claro sinal que está aí para as curvas para através do seu Director e fanático lagarto Bernardo Ribeiro ser um dos pilares da Aliança do Altis.
Venha de lá o circo novamente! Cá estaremos para fazer a defesa do Benfica, à falta de quem de direito o faça."

OS 5 MELHORES JOGOS DA ERA JORGE JESUS NO SL BENFICA

"Dado o tropeção monumental de Bruno Lage na última fase pré-pandemia, o nome de Jorge Jesus regressou à agenda dos benfiquistas quanto à eterna discussão sobre a figura do treinador da equipa principal.
Neste caso, o saudosismo por seis anos marcantes fala mais alto em certa parcela de adeptos, que defenderão o seu regresso até às ultimas instâncias, apoiando-se no argumento de que nunca viram um SL Benfica tão forte; outros, agarrando-se às estatísticas e ao argumento da paciência obrigatória em projectos como o do Seixal, entregam-se com toda a confiança aos destinos do técnico setubalense.
Seja como for, a história recente do Benfica tem em Jorge Jesus uma figura preponderante, elevando os níveis competitivos da equipa e repondo-a no frontão do futebol português, com a mesma eficácia e regularidade dos anos áureos: trabalho que Rui Vitória e Bruno Lage souberam continuar, com abordagens diferentes e comportamento distinto.
Mas já que aqui estamos, valerá a pena relembrar os jogos capitais da era Jesuíta no reino da Águia – jogos que definiram temporadas e aqueles encontros que demonstraram todo a capacidade do técnico de 63 anos, agora campeoníssimo ao leme do Mengão Flamengo.

1. SL Benfica 8-1 Vitória FC (2009/2010) – Existiam ainda desconfianças várias. Isto apesar da promessa feita por Jesus na sua apresentação, dizendo que a equipa ia… «jogar o dobro» da que fora orientada por Quique Flores.
A pré-época deu sinais nesse sentido, com bom futebol e automatismos a serem criados à velocidade da luz; o 4-1-3-2 que serviria de base para os anos vindouros encaixou na perfeição e o Torneio de Amesterdão foi conquistado com toda a naturalidade.
Porém, nos jogos oficiais, o empate na estreia com o CS Marítimo e a vitória tirada à cabeçada em Guimarães não tinham mostrado ainda a verdadeira força daquele fantástico conjunto de jogadores.
À terceira jornada, o Vitória sadino veio confuso à Luz e os 8-1, com 5-0 ao intervalo, foram espectáculo de enorme calibre, com nota artística em doses industriais. A onda encarnada pode finalmente explodir e levar ao ‘colinho’ uma equipa que só parou de atropelar adversários em Maio, quando chegou ao Marquês.
Eternizado ficou o enorme raspanete de Jorge Jesus à equipa pelo golo sofrido em cima dos 90’, consequência de um desentendimento entre Quim e David Luiz: a confirmação de que a exigência era, definitivamente, outra.
Do outro lado, Carlos Azenha desculpava a derrota com o facto de a equipa estar ainda em… «construção». Ex-adjunto de Jorge Jesus e com ele às avessas, tentou surpreender com o 5-3-2, mas ficou longe do efeito desejado.
Demonstrou desde cedo inaptidão como técnico principal, consolidando a ideia de ser um intelectual do jogo sem propensão para tarefas de comando. Confirma definitivamente ser um erro de casting quando, na jornada seguinte, é derrotado (0-4) pelo U. Leiria em pleno Bonfim.
Fernando Oliveira, presidente de um histórico aflito de dinheiros, mostrou-lhe imediatamente a porta da saída e soltou um famoso desabafo: «Com tantos tremores de terra que já tínhamos, [Carlos Azenha] foi mais um». 

2- SL Benfica 5-0 Everton (2009/2010) – Se nas provas nacionais havia já ritmo cruzeiro, uma derrota em Atenas na segunda jornada europeia antevia ultimato britânico na recepção ao Everton FC de David Moyes.
Yakubu, Cahill, Fellaini, Coleman, Howard: os Toffees traziam as estrelas da companhia para Lisboa, apesar de terem a enfermaria cheia. As ausências na defesa até ajudam a explicar o descalabro, mas até Saviola desmanchar estratégias aos 14’, a equipa ainda aguentou o ímpeto benfiquista.
A verdadeira diferenciação de qualidade viria numa entrada de rompante na parte seguinte, com três golos em seis minutos, fixando os 4-0 aos 52 minutos. Se Jorge Jesus e a sua obra de arte eram já apreciados dentro de portas, aquele festival foi o início da recuperação do prestígio internacional que se seguiria nos anos seguintes.
E se antes do jogo o técnico português afirmava não ser «jogo decisivo», certamente outra opinião teve quando preparou a equipa para ir a Inglaterra vencer novamente, por 0-2, e garantir o apuramento para a próxima fase. Demasiado fácil.

3. FC Porto 0-2 SL Benfica (2010/2011) – Era o poderoso FC Porto de André Vilas Boas. Jesus ainda não tinha ganho no Dragão, contava por derrotas os jogos lá realizados e, dois meses antes, tinha sido trucidado quando Roberto encaixou cinco bolas na sua baliza.
Depois da saída de Ramires e a lesão prolongada de Rúben Amorim, o lugar de interior direito estava entregue a um menino chamado Salvio, ainda pouco confortável a compensar defensivamente a equipa. Se o ataque era demolidor, a fragilidade encarnada era aproveitada por equipas mais equilibradas como aquele Porto, num 4-3-3 que engolia Javi García, muitas vezes polícia sinaleiro na enorme estrada em que se tornava aquele meio-campo.
Mas, Jesus aprendeu e demonstrou neste jogo a evolução que teria contornos permanentes nas épocas seguintes: puxou César Peixoto para junto do espanhol, montou um duplo pivot e estancou as transições supersónicas comandadas por Hulk. Não foi certamente apenas por isso a vitória clara naquele dia, mas a capacidade de reinvenção foi fulcral para a evolução subsequente a que se existiu no seu sistema nas épocas seguintes, onde o equilíbrio substituiu a procura despreocupada do golo.

4. Manchester United FC 2-2 SL Benfica (2011/2012) – O Benfica não se qualificava para os oitavos desde 2005, igualmente em derradeiro jogo contra Alex Ferguson. Jesus, depois de fracassar no ano anterior na maior prova, provou ter aprendido com os erros.
Chegado à quinta jornada, o empate era suficiente para as águias se qualificarem e o golo inaugural, aos 3’, mostrou ao que a equipa vinha. Jesus tinha dito na conferência de imprensa que um bom resultado era ganhar e a equipa assim tentou, exibindo-se a grande nível e silenciando Old Trafford em largos períodos do encontro.
Confronto olhos nos olhos com os campeões ingleses, vergando-os a um domínio natural assente na qualidade técnica de Gaitán e Aimar. Umas semanas antes, aquele United tinha atropelado o Arsenal por… 8-2!

5. Juventus FC 0-0 SL Benfica (2013/2014) – Como as grandes epopeias são aquelas em que os heróis derrotam gigantes monstros e ultrapassam incontáveis dificuldades, o herói Benfica não poderia ser diferente.
A grande história começa-se a escrever no dealbar da segunda metade, quando Mark Clattenburg mostra o vermelho a Enzo Pérez. Faltavam 23 minutos para o final e a equipa via-se sem o seu motor, o que obrigou Jesus a mostrar todo o seu manancial táctico: faz entrar Almeida para apoiar Rúben Amorim, e obriga Markovic e Gaitán a acompanharem os alas adversários, locomotivas que faziam girar a engrenagem do 3-5-2 de Conte, que dinamitaria a Premier League anos depois.
A Juventus montou o cerco mas não se pode dizer que tenha feito mossa. Ao posicionamento irrepreensível do… X encarnado, juntou-se a frieza sobrenatural que só Jan Oblak sabia ter em alturas de maior pressão.
Nos descontos, e já com nove jogadores por força da lesão de Garay, o Benfica revelava toda a sua valia numa simples, mas ousada, armadilha de fora-de-jogo: há canto do lado direito para os da casa. Com seis minutos na compensação, todos sobem, até Buffon, no esforço final em procura do golo que dava direito a disputar a final no seu próprio estádio.
Assim que Pirlo cruza, a linha benfiquista avança de forma sincronizada. Há um cabeceamento fraco, Oblak defende para o lado, a bola sobra para Pogba, mas a bandeirola sobe, naturalmente. O craque francês fica confuso; quando se apercebe e olha para trás, já os jogadores encarnados assumiam as posições para o livre indirecto…"

PRIMEIRAS PÁGINAS DOS PASQUINS DESPORTIVOS TUGAS


sábado, 30 de maio de 2020

VENCER POR NÓS


"Dir-se-ia que, agora, os motores já estão naquela fase do aquecimento pleno. O ponto-morto ficou para trás e, portanto, de mudança engatada, com o motor a soar o surdo som da potência que a tensão dos músculos do pé direito deixa experimentar e o volante bem agarrado por mãos firmes, só falta a hora de ligarem o semáforo da partida. Para nós, as dez voltas ao circuito nesta decisivíssima fase final da corrida apenas valem por mais uma época; para alguns dos nossos concorrentes, praticamente pode valer-lhes a vidinha inteira...
O destino é assim: enquanto uns estão sempre prontos para disparar para o Futuro, outros, ou só pensam que a pista está cheia de buracos, ou tentam, mas é, descobrir atalhos e carreiros informais que lhes encurtem o caminho, a ver se ninguém dá pela golpada...
Mas, de uma vez por todas, é importante que a gente saiba fazer a destrinça e tenha consciência do que valeu o Benfica, num dos períodos mais difíceis da nossa História contemporânea. Mesmo que os nossos piores adversários e inimigos, ou até alguns idiotas úteis, se desdobrem em malabarismos e manigâncias para tentarem apoucar a dimensão das coerentes atitudes que o nosso Glorioso Clube pôde e soube implantar, para responder aos gigantescos desafios da tragédia.
O Benfica atravessou o tempo da calamidade sempre com um posicionamento confiante, logo afirmado desde o primeiro momento em que o país teve de fechar. E, depois, foi com uma impressionante cadência de sucessivas decisões e actos que veio provando à saciedade a verdadeira dimensão da sua grandeza institucional. Seja como for, agora que vimos experimentando essa estranha espécie da 'nova normalidade', inquestionavelmente ficam para a história de Portugal nestes dias os insofismáveis exemplos, sempre pioneiros, da solidariedade, da confiança, da credibilidade e das capacidades que, hoje mais do que nunca, definem o Sport Lisboa e Benfica e, ao mesmo tempo, caracterizam o homem fora do comum que felizmente o dirige num cenário (ainda) tão difícil e complexo. Mas, de novo, aí temos, então, à porta o Futuro: o voltam as mesmas exigências de sempre dos Benfiquistas.
A imposição de responsabilidade máxima volta a incidir sobre os ombros dos nosso Técnicos e dos nossos Atletas - esses mesmos ombros que nesta circunstância inédita e histórica assumem a honra de envergar o Manto Sagrado.
Agora, a hora passa a ser 'a hora' deles. Assim saibam eles honrar o impressionante exemplo que receberam do Glorioso Clube que tão bem os acolheu.
E como dizem os Sócios do Benfica, assim sejam eles capazes de 'ousar um lugar na nossa História' e 'vençam por nós'!"

José Nuno Martins, in O Benfica

BENFICA E BAYERN


"O Benfica deve trabalhar para ter uma hegemonia em Portugal idêntica àquela que o Bayern fez por merecer na Alemanha

Na próxima semana já temos telefutebol. Vem com alterações, sem adeptos e alguns receios. Vejamos, na Alemanha o regresso parece corado de êxito. Há futebol, há golos e já percebemos que o vencedor será o habitual, o Bayern vai ganhar uma vez mais.
O Benfica deve trabalhar para ter uma hegemonia em Portugal idêntica àquela que o Bayern fez por merecer na Alemanha. É um caminho, uma ambição que deve ser trilhada no respeito pelos adversários e pela competição. O valor das vitórias do Bayern tem muito mais significado quando vemos a qualidade do Dortmund ou do RB Leipzig.
O Benfica tem de nivelar por cima e não esperar ganhar pelo desnorte financeiro dos rivais. A nossa exigência connosco mesmo não pode abrandar. O Benfica sempre soube recriar esta ambição e sempre soube superar as dificuldades e transformá-las em oportunidades.
Para a semana, regressa o futebol, mas desta vez não houve pré-época, não vimos os jogadores que estão em forma, não vimos as promessas e certezas em torneios de exibição e, no entanto, foram três meses sem competição. Não sabemos quem está bem e quem está mal, quem vem melhor e quem estará pior, quem surpreende pela positiva e pela negativa. Há 18 incógnitas a entrar em competição. Em rigor ninguém sabe o valor de nenhuma equipa. Para mim o Tondela parece-me o Real Madrid de Lafões e só sabemos que equipa de amarelo. Todo o respeito a expectativa para o jogo de quinta-feira, 4 de Junho. Benfica-Tondela para descarregar toda a ambição de uma época.
Para já o medo das lesões levou os responsáveis pelo nosso futebol a aumentar para cinco as substituições autorizadas, ou seja, meia equipa pode ser alterada.
Foi publicado ontem uma lista dos emblemas mais valiosos do mundo, o Benfica subiu no ranking. Esse facto aumenta o orgulho, as sobretudo redobra as nossas obrigações competitivas. As condições económicas e financeiras são meios para atingir os fins desportivos e não um escopo em si mesmo. O objectivo é ganhar títulos, o nosso maior capital está nas vitrinas do museu e no maior desafio são as novas taças que lhes queremos somar."

Sílvio Cervan, in A Bola

SERÁ QUE ME VOU LEMBRAR DO GOLO DE KIMMICH?

"Ao comentar em directo o golo de Joshua Kimmich, frente ao Dortmund num estádio vazio, Luís Cristóvão disse, e cito de memória, “tenho a certeza que 100% dos nossos espectadores se vão lembrar deste golo por vários anos”. Lamento, meu caro Luís, acho que o belíssimo golo de Kimmich cairá rapidamente no nosso esquecimento.
A memória colectiva está a esfumar-se. Não só no futebol: a quantidade de séries, discos, filmes ou livros a que temos acesso rápido e facilitado faz com que seja difícil acompanhar “as tendências”. Tirando casos pontuais, conseguimos esquecer rapidamente um golo que vimos dezenas de vezes num determinado fim-de-semana, e que foi partilhado por milhões de pessoas nas redes sociais porque rapidamente surgiu outro que o substituiu no nosso imaginário. Nos anos 90, delirámos uns anos seguidos com os golos de Ronaldo em Barcelona, sofremos com a sua lesão, quando ele regressou no Mundial asiático os golos ao Compostela ou ao Valência pareciam que tinham acontecido…há menos de um ano.
Em tempos de pandemia, a maioria dos órgãos de comunicação social ligados ao desporto teve que parar e ir ao baú: contar histórias de jogadores antigos, revisitar jogos do passado, recordar efemérides. No meio da angústia que muitos de nós vivemos, para quem gosta de futebol esta ida ao passado foi um bálsamo. Na vertigem dos dias pré-covid, às vezes era difícil ter tempo para acompanhar tudo o que se passa, quanto mais parar para recordarmos coisas de há 20 ou 30 anos. Espero que esta opção (?) estratégica dos últimos meses possa ter alguma continuidade.
Mas não só os órgãos de comunicação social têm essa responsabilidade. As próprias organizações devem tentar parar para pensar nos modelos competitivos. A juntar à habitual profusão de informação sobre futebol – variada e com qualidade, basta saber e querer procurar – somos ainda diariamente confrontados com outro tipo de abundância, a dos jogos grandes. Todos os fins-de-semana, ou melhor, todos os dias de um período que começa na sexta à noite e muitas vezes acaba na segunda à mesma hora, temos direito às vezes a mais do que um jogo especial para assistir, sempre em latitudes variadas para satisfazer o maior número de pessoas possível. E depois até a maior competição de futebol da Europa, a Liga dos Campeões, cai nesta lógica. Demasiados jogos pouco competitivos durante demasiado tempo – na fase de grupos até pode haver muitas vertentes tácticas para apreciar mas eu perco-me no catálogo futebolístico da mesma forma que fico sem saber por onde ir na página inicial da Netflix. E se fosse então pegar no exemplo da Liga Europa ou da Taça da Liga em Portugal - é mesmo necessária uma competição sobre a qual teremos pouquíssima coisa a dizer dentro de 20 anos? Em 2040, numa próxima pandemia e quando o futebol voltar a parar três meses será que os media vão relembrar jogos da taça da liga? Duvido.
A solução não passa, evidentemente, pela criação de super ligas europeias. A elitização do futebol não é o caminho, mas sim a inclusão: dar a oportunidade a mais equipas de poderem ter as suas páginas douradas rememoradas quando o futebol não for possível de ser jogado e só nos restar vasculhar o baú. Porque, como adeptos neutrais, é com enorme gozo que gostamos de recordar ou conhecer a história de vencedores inesperados como Hellas Verona, Zaragoza, Lens, Roma, Boavista ou Nottingham Forrest. Mas se só houver espaço para brilharem sempre os mesmos, ainda que com as suas próprias narrativas, mais rapidamente chegaremos a um ponto de saturação."

CAMPEÃO DE VOLTA


"Quase três meses depois, o futebol português voltará a entrar em campo. E, para nós, futebol português, escreve-se com sete letras: Benfica. É já próxima quinta-feira, num Estádio da Luz sem cor, que a nossa equipa terá de voltar a ganhar. Depois disso, terá mais nove partidas para recuperar a liderança e festejar (de que forma, agora não interessa) o 38.º campeonato. Não é obviamente o regresso que os adeptos desejavam.
O futebol sem público é como comida sem sal, e mesmo através da televisão perde grande do seu encanto. Temos visto algumas partidas da liga alemã à porta fechada, e, com aquele ambiente enfadonho, silencioso e incolor, por muito que brilhem os artistas, é difícil manter 90 minutos de atenção. Claro que com o Benfica em campo será diferente, pois a importância do resultado trará outras sensações - embora não sejam decerto comparáveis àquilo que estamos habituados a viver nas bancadas da Luz. Enfim, é o que há, neste tempo que nunca mais acaba.
Futebolisticamente, espera-se que o mau momento de Fevereiro e início de Março tenha ficado para trás. Espera-se um Benfica, pelo menos, ao nível daquele que conseguirá 18 vitórias nos primeiros 19 jogos deste campeonato, que então nos valeram uma vantagem pontual que chegou a parecer decisiva. Depois, entre penáltis falhados, menor fulgor e alguma infelicidade, deixámos escapar a liderança. É hora de recuperar a confiança e partir para a recuperação. É hora de voltarmos para o nosso lugar: o primeiro. E, para tal acontecer, teremos de ultrapassar, um por um, os adversários que ainda temos pelo caminho. Venha o Tondela!"

Luís Fialho, in O Benfica