quarta-feira, 14 de abril de 2021

ONTEM, POR VOLTA DAS 20H...!!!

 


"Só de olhar para a TV estamos drogados! Que dose de cavalo, minha Nossa Senhora."

DARWIN | A EMOÇÃO DE QUEM SENTE O PESO DA CAMISOLA



 "Darwin Nuñez foi apresentado no SL Benfica a 4 de setembro de 2020. O avançado, de apenas 21 anos, custou à equipa encarnada 24 milhões de euros e tornou-se a contratação mais cara da história do clube – e do futebol português. Na cerimónia de apresentação, Rui Costa afirmou que o uruguaio, ex-jogador do UD Almería, era um reforço de peso e que será um dos grandes avançados da década, no futebol mundial.

Darwin prometeu dar o melhor de si, marcar golos e ajudar a equipa o máximo que conseguisse. Com estas declarações, e com uma cláusula de rescisão no valor de 150 milhões de euros, é impossível não sentir uma responsabilidade acrescida. Apesar do jogador ter assegurado que estes dados monetários não eram um peso, a verdade é que nunca deixam de o ser. Com este peso e responsabilidade vem também outro sentimento – a emoção. E de facto, Darwin e os sentimentos fortes parecem andar de mãos dadas.
Tudo começou nesse dia 4 de setembro. Depois de ter recebido a camisola do clube com o número nove, número que enverga, das mãos de Rui Costa, o jogador beijou o símbolo do clube e mostrou estar emocionado. Mas a história não ficava por aqui.
O uruguaio foi aposta de Jorge Jesus logo na primeira jornada da Liga NOS, frente ao FC Famalicão, fez as assistências para o primeiro e quinto golos da partida, mas não marcou nenhum golo. Mais jogos se passavam e os golos teimavam em não aparecer. Até que esse jejum terminou. Ao minuto 42 do jogo frente ao KKS Lech Poznań, a contar para a fase de grupos da UEFA Europa League, um cabeceamento fulgurante do jogador permitiu que as “águias” se adiantassem no marcador. Escusado será dizer que o uruguaio não conseguiu esconder a raiva que sentia até ao momento, por não conseguir faturar ao serviço da equipa.
A partir desse momento a tempestade parecia ter chegado ao fim, e o jogo frente ao Rangers FC demonstrou que Darwin sabia qual era o verdadeiro peso de vestir o Manto Sagrado. O jogador entrou aos 60 minutos e alterou o rumo do jogo. A equipa lisboeta perdia por 3-1, mas o jovem avançado decidiu que esse não era o resultado justo. Aos 77 minutos assistiu Rafa e aos 91′ marcou o golo do empate. Mais uma contribuição fulcral que permitiu que a equipa continuasse na competição. 
Competições europeias à parte, na Primeira Liga o panorama não é o mais desejado pelo jogador. Até ao momento, tem cinco golos marcados e sete assistências, em 22 jogos, sendo que foi titular em 18 e suplente utilizado em quatro. Psicológico afetado, falta de confiança e exibições que ficavam aquém do esperado, a questão do peso da camisola parecia assombrar o jogador, visto que já não marcava desde fevereiro. No entanto, é importante referir que foi um dos muitos jogadores afetados pela COVID-19 e, a juntar a isso, sofreu uma lesão em março que, segundo Jorge Jesus, ainda o “incomoda um pouco em alguns movimentos de velocidade e travagem”.
Como se costuma dizer “depois da tempestade vem a bonança”. No último jogo, frente ao FC Paços de Ferreira o jejum foi novamente quebrado. Seferovic assistiu o “menino” do SL Benfica, que fez o 5-0 aos 89 minutos de jogo. E se no início se podia falar de emoção, agora este tema ganhou ainda mais destaque. Nos festejos, Darwin não conteve a emoção e, abraçado pelos colegas de equipa, desfez-se em lágrimas.
No final do jogo, o treinador elogiou-o e confessou que a qualidade que o avançado outrora tinha demonstrado em campo vai voltar. E assim esperam os adeptos. Não só pelo investimento que SL Benfica fez para o contratar, mas também porque pode ser uma peça fundamental para ajudar a equipa na reta final da Primeira Liga. Exibições menos positivas à parte, o mais importante a reter é que só quem passa por situações como estas é que sabe e sente o verdadeiro peso de vestir esta camisola. Darwin não é exceção."

O TREINADOR E PROFESSOR JOSÉ TEOTÓNIO LIMA



 "Grande impulsionador do basquetebol profissional do Benfica, mais do que vencer jogos tinha a preocupação de estruturar a equipa


José Teotónio Lima foi treinador do basquetebol do Benfica e duas fases distintas: primeiro entre 1956 e 1965, e depois entre 1972 e 1975. Com a sua chegada ao clube, veio a esperança de uma estrutura mais organizada e da conquista de mais títulos para a equipa.
Em Agosto de 1956, enfrentava a sua primeira prova enquanto treinador para o I Torneio Internacional de Vigo entre o Benfica e o Real Madrid, tendo-se mostrado fundamental para estudar o plano de reestruturação da equipa e delinear uma estratégia para o futuro: 'Necessitava de contactar imediatamente com os jogadores e vê-los actuar em jogos expressivos, daqueles que não deixem ficar dúvidas, a fim de poder estudar um plano de remodelação para o futuro', disse na altura ao jornal O Benfica.
Em Outubro de 1960, na véspera de mais um Campeonato de Lisboa de Honra, o Benfica tinha nos seus ombros o título de campeão, muito graças ao seu treinador: 'Nos anos em que tenho treinado equipas do clube, a minha preocupação foi lançar as bases', explicou defendendo a prática constante de treinos. 'É preciso trabalhar muito mais, é necessário treinar quase todos os dias'.
Os seus valores como treinador foram rapidamente reconhecidos e, em Novembro de 1960, foi nomeado secretário-técnico do Instituto Nacional de Educação Física, a mesma instituição na qual se licenciou.
Na época de 1960/61, a modalidade destacava-se no Clube, tendo a equipa alcançado o título de campeão nacional de basquetebol. 'O Benfica alcançou, plenamente, o objectivo em vista quando resolvera concorrer a prova máxima do basquetebol português. (...) todas as palavras não serão de mais para realçar o mérito do triunfo do conjunto do Benfica, verdadeiro triunfo da unidade, êxito só possível devido ao verdadeiro espírito de equipa que sempre reinou em todos os momentos', escrevia-se no jornal O Benfica.
A 14 de Dezembro de 1960, o Benfica completa pela primeira vez na Taça dos Clubes Campeões Europeus de basquetebol, um dos objectivos traçados pelo professor. Apesar da derrota, o treinador, com a sua atitude positiva, disse: 'Julgo que o Benfica não deslustrou. Obrigamo-los a jogar e isso era o que pretendíamos'.
Poderá encontrar a história das vitórias das equipas de basquetebol do Benfica na área 3 - Orgulho Eclético no Museu Benfica - Cosme Damião."

Cláudia Paiva, in O Benfica

JUSTIÇA MICROSCÓPICA



 "Há por aí muita gente a dizê-lo à boca cheia, sobretudo entre os simpatizantes do clube de Alvalade - que, em terra de cónegos, aquilo foi um roubo de igreja. Mas sejamos claros: o que a uns pareceu um escândalo, a outros terá parecido uma decisão sensata e justa - invalidar o golo do Pote por um fora-de-jogo de dois centímetros.

Proponho-me sugerir uma terceira via para apreciar o caso: aquilo foi um excesso de zelo e foi, sobretudo, um equívoco. Por quê? Simples:
Não há condições tecnológicas suficientemente fiáveis que permitam determinar, com rigor e acima de qualquer dúvida, a objectividade da infração. Desde logo, porque o instrumento tecnológico é sempre manipulado por seres humanos cuja percepção do real é inelutavelmente condicionada: o objecto observado é sempre afectado e contaminado pela situação do observador - conforme proclamou Heisenberg (1901-1976), ao estabelecer o princípio da contingência observacional, da “indeterminação objectiva” e a que prefiro designar como a indeterminabilidade do objecto, porque este é sempre esquivo por via do condicionamento gerado pela carga situacional do sujeito que observa. Sim, os pensamentos, as emoções e o sistema de crenças constituem aquilo que o grande filósofo espanhol, Julian Marias (1914-2005), consagrou como “a estrutura empírica” da existência individual.
Além do mais, nós, os humanos, não somos particularmente dotados para captar o movimento. Exemplo?
O nosso planeta, que é, digamo-lo assim, a nave na qual viajamos na imensidão do espaço, no seu movimento de translação à volta do sol, viaja a uma velocidade na ordem dos 107000 km/hora e roda sobre o seu próprio eixo a uma velocidade aproximada de 1700km/hora e, não fora a irrevogável declaração científica do contrário, e juraríamos, a pés juntos, estarmos parados no mesmo lugar, ou, para sermos mais rigorosos, só aceitaríamos os movimentos lentos, precisamente aqueles que se coadunam com o ângulo da nossa limitada percepção.
Eis, pois, uma razão mais que ajuda a explicar o facto de raramente haver consenso entre especialistas na análise e avaliação dos lances duvidosos nos jogos do fim-de-semana. E, sintomaticamente, tal divergência é particularmente flagrante sobretudo nos jogos em que intervêm os ditos clubes grandes, precisamente os que mais avassaladora torrente passional alimentam: um benfiquista e um sportinguista raramente estarão de acordo sobre o penálti assinalado ou por assinalar - cada um observa o facto a partir do seu próprio condicionamento.
Está bem de ver, pois, que o actual protocolo do VAR enferma de uma fragilidade congénita e insuperável: consagra e impõe o primado do critério do rigor, quando a prioridade deveria ser atribuída à ludicidade, elemento constitutivo deste desporto, para além de que é, como vimos, inviável uma observação totalmente exacta e rigorosa: o VAR não vê o que é realmente visível, mas aquilo que quer ver, uma vez que o seu olhar está inelutavelmente condicionado pela sua concreta situação, como sugestivamente e de forma lapidar, escreveu o poeta espanhol Ramón de Campoamor (1817-1901):
“En este mundo traidor
Nada es verdad ni mentira
Todo es del color
Del cristal con que se mira”.
E Vergílio Ferreira (1916-1996) afirmava frequentemente: “vê mal quem só vê o que se vê bem”. 
 Estamos, em suma, perante o mito da tão reclamada objectividade, além de ser essa pretensão de total rigor claramente dissonante com o carácter lúdico da actividade em análise. Bem vistas as coisas, estamos no domínio da fruição, não tanto da lei - esta desempenha, neste caso, um papel subsidiário em relação àquela. A hierarquia é clara: à cabeça, o jogo (que, para sê-lo verdadeiramente, deve nortear-se mais pelos impulsos do coração que pelos ditames da cabeça) e só depois vem a lei (a normatividade) e com a exclusiva missão de garantir a genuinidade ludico-agonística deste desporto.
Qualquer jogo, independentemente da sua gestualidade específica, deve, por força de sua própria natureza, privilegiar uma certa poeticidade a que deve submeter-se o rigor da própria matemática. Como proclamou Gaston Bachelard (1884-1962), a ciência constrói-se também com a políssémica ingerência da poesia, descartando, com isso, a vã pretensão de um rigor objectivista.
Que fazer então? Convocar o bom senso (Popper) e negociar um novo protocolo que, no que ao capítulo do fora-de-jogo diz respeito, acolha e acautele um espaço razoavelmente seguro de tolerância a prever justamente a falibilidade do juiz. Sugiro um valor a rondar os 10/15 centímetros - e, deste modo, fica consagrado o desígnio de resgatar o jogo das amarras do formalismo e de favorecer a criatividade atacante. E eis como em coisa de uns escassos centímetros se pode jogar o futuro do futebol!"

CICLO POSITIVO



 "A nossa equipa de futebol tem vindo a atravessar um bom momento, com exibições e resultados condizentes com as aspirações de todos os benfiquistas.

Presentemente encontra-se num ciclo de sete vitórias consecutivas em competições oficiais, igualando a melhor série da temporada, alcançada no início da época.
Muito já se falou dos problemas que afetaram o plantel, tornando-se mais evidente, depois de ultrapassados, a influência negativa dos mesmos no rendimento desportivo da equipa.
Das sete vitórias seguidas nos últimos sete jogos constam seis relativas à Liga NOS, perfazendo a melhor série de triunfos na prova na presente época. O Benfica é o clube que mais pontos conquistou na segunda volta do Campeonato, só sendo superado neste particular, analisando as seis principais ligas europeias, pelo Inter, em Itália.
Os pontos somados são uma consequência da melhoria dos índices competitivos da equipa, podendo estes ser constatados através de outros dados.
Por exemplo, no plano do desempenho defensivo, a "folha limpa" nas últimas sete partidas de competições oficiais resulta da maior segurança defensiva a nível coletivo. É preciso recuar a 2013/14 para se encontrar uma série mais prolongada. Na Liga NOS são também sete os jogos sem golos sofridos, só havendo três ciclos mais duradouros em toda a história benfiquista na competição.
No extremo oposto, a produção ofensiva tem sido aproveitada por Seferovic, autor de oito golos nos últimos sete jogos, sete nos últimos cinco (leva 20 desde o início da época, 16 na Liga NOS, sem qualquer grande penalidade). A equipa marcou 17 golos ao longo dos últimos sete jogos, perfazendo uma média de 2,42 golos por jogo (1,97 até ao início deste ciclo; 1,47 em janeiro e fevereiro), só não indo além de um tento no desafio com o Marítimo, no qual se contou o desperdício de três oportunidades de golo flagrantíssimas.
Por coincidência ou talvez não, desde que o rendimento da equipa subiu têm-se multiplicado informações falsas, presumindo-se a intenção de desestabilizar. Ainda ontem foi emitido mais um comunicado a desmenti-las e que agora reiteramos: o Clube não está no mercado à procura de quem quer que seja para reforçar a sua estrutura diretiva do futebol profissional.
Neste momento, apenas interessa ao plantel, à estrutura do futebol profissional e à direção do Sport Lisboa e Benfica, no que a tudo o que envolve o futebol diz respeito, vencer as oito partidas que faltam do Campeonato e a Taça de Portugal.
No imediato, o único objetivo da equipa passa por vencer o desafio com o Gil Vicente, um adversário que nos criou dificuldades na primeira volta e que se encontra no trio dos décimos classificados da Liga NOS. Ganhar para somar mais três pontos é o enfoque do plantel e é para tal que tem vindo a trabalhar arduamente ao longo da semana.
De Todos Um, o Benfica!"

LEONOR PINHÃO - BTV - 13 ABRIL 2021

                                                   

CHORAM OS JORNALEIROS, CHORAM OS COMENTADEIROS, E CHORAM EM GRANDE...


 

terça-feira, 13 de abril de 2021

TENS TODA A RAZÃO

 


"O Sporting não dá vouchers, oferta de cortesia prevista na lei, prefere antes ter funcionários do clube na altura dos factos, acusados de crimes de corrupção ativa a árbitros.

Sim, porque por mais que o clube tenha sido protegido e a comunicação social tente desvalorizar, é bom salientar que os casos de corrupção e três arguidos - um deles funcionário do clube - vão a tribunal responder pelos crimes.
É só mais um episódio de corrupção, dinheiro e árbitros que liga o @Sporting_CP."

A GENÉTICA DO FUTEBOLISTA PORTUGUÊS



 "Atualmente Portugal é uma fábrica de talentos verdadeiramente incrível. Nos últimos 60 anos produzimos talentos como Eusébio, Chalana, Futre, Figo, Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, entre outros. Mas afinal qual é a origem deste talento no jogador português?

Durante o período republicano, os futebolistas portugueses eram vistos como talentosos, virtuosos e por apreciarem o contacto com a bola. No entanto, em termos de rotinas de treino tinham bastantes lacunas. É apontado ao jogador português a pouca disciplina de treino e de exercícios físicos e ao mesmo tempo detetava-se nas equipas em Portugal dificuldades em agrupar todos os seus elementos, uma vez que o futebol ainda não era profissional em Portugal, ao contrário por exemplo, de em Inglaterra [1]. Aliás sobre este assunto, Carlos Vilar, um dos precursores do futebol em Portugal, após a partida entre o Carcavelos e o Benfica, considerou que os jogadores portugueses estavam longe de possuir um espírito desportivo e sacrifício e, por esse motivo, o seu sucesso era fugaz. Em relação a este raciocínio de Carlos Vilar não podemos deixar de dizer que ao contrário do que acontecia noutros países o futebolista português era nesta fase totalmente amador e tinha que dar prioridade, como é evidente, ao seu trabalho/sustento.
Não obstante, a crítica à conduta dos atletas portugueses na questão do treino, hábitos de vida, tática e corrida era habitual na imprensa, sendo que se acreditava que a conduta inglesa era a mais correta. Mesmo no Desporto em geral havia um problema de berço em Portugal, que se arrastou até aos dias de hoje, que reflete numa incipiente aposta no espírito desportivo. Ou melhor, podemos explicitar tudo isto no pouco investimento que existiu nesta área.
Voltando ao futebol, Cosme Damião, histórico jogador e dirigente do Benfica percecionava um jogador ideal como combatente, paciente, enérgico e rápido a decidir, que seria um dos mais preciosos dons [2]. Por outro lado, o capitão benfiquista via no futebol uma escola de trabalho, em virtude de conservar a saúde, o vigor do espírito e ensinar o método, a precisão, a ordem e mais que tudo confirmar que são os pequenos esforços que, conjugados, realizam as grandes obras [3].
Apesar de tudo a evolução do futebol em Portugal foi-se sustentando e com a profissionalização (nos anos 60) e a maior seriedade do futebol em Portugal levou-nos a produzir uma série de talentos para o mundo. Porque apesar das dificuldades iniciais a vontade do jogador português em estar com a sua amiga bola, sempre esteve lá. É genético."

OPERAÇÃO ALTURA: O EXEMPLO DO BASQUETEBOL ESPANHOL



 "Operação Altura é um processo de deteção de jovens desportistas que na sua fase de crescimento e de desenvolvimento motor tenham altura e estatura acima da média. Na nossa vizinha Espanha, nos anos 50 do século passado, o basquetebol espanhol, apesar do seu desenvolvimento interno, não conseguia obter resultados desportivos que o conduzissem aos lugares de pódio nas competições internacionais. Feita a devida análise chegaram à conclusão que o principal motivo era a falta de jogadores altos que equilibrassem a luta nas tabelas, com os países do leste da Europa, e marcassem e evitassem a marcação de pontos nas zonas próximas do cêsto. O treinador Pedro Ferrandiz, um mestre na formação de jogadores e na condução de equipas, então responsável pela escola de jogadores de basquetebol do Real Madrid convidou, através da comunicação social, todos os jovens com mais de 1,80 m de altura a prestarem provas de acesso às equipas juvenis do clube madrileno. A então denominada “Operação Altura” teve um êxito espectacular com a participação de cerca de uma centena de jovens (+1,80m) que deram origem à constituição de novas equipas na categoria de juvenis do Real Madrid.

Nos anos 60, o reconhecido treinador António Diaz Miguel, selecionador nacional de Espanha durante muitos anos e, mais tarde, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984, organizou uma Operação Altura, em Pamplona, em que participaram jogadores do país Basco e da Catalunha, que se tornaríam históricos do baloncesto de nuestro hermanos (Achen Guruceta, Shegun Aspiazu, Moncho Monsalve, Joan Fa e Henrique Margall). O Real Madrid, equipa pioneira neste processo de captação de jovens calmeirões para as suas equipas de basquetebol continuou a organizar estas acções alargando a sua área de intervenção, à escala nacional, a todos os jovens que tivessem menos de 18 anos de idade e mais de 1,95m de altura.
Entretanto, nos anos 70, com a adopção do sistema de deteção de calmeirões (Operação Altura) pelos principais clubes de basquetebol de Espanha foi possível, com paciência e muito trabalho, transformar jovens altos, magricelas e descoordenados do ponto de vista motor, em atletas de alto rendimento que levaram a seleção espanhola à conquista da medalha de prata no Europeu Barcelona-1973. Nesta seleção destaque para Rafael Rullan, Luis Santillana e os irmãos Estrada uma nova geração de jogadores calmeirões saídos das Operações Altura, que teve continuidade nos anos seguintes com o aparecimento de Josean Querejeta, Vicente dela Fuente, Fernando Arcega e Pepe Sillero.
Do conjunto de calmeirões que se tranformaram em jogadores de alto rendimento e tiveram enorme influencia nos êxitos internacionais do basquetebol espanhol, selecionei aqueles que tiveram maiores êxitos desportivos e que ao longo dos anos tive a oportunidade de acompanhar das mais diversas formas:
Rafael Rullan (2,07 m e 110 Kg). Nascido em Palma de Maiorca (1952) fez a sua estreia em competições internacionais nos Jogos da FISEC em Lovaina-1969, defrontando entre outras a seleção portuguesa da qual eu era responsável. A sua envergadura aos 17 anos de idade fazia uma diferença abismal naquele escalão etário. Continuei a acompanhar o seu percurso de atleta profissional ao longo da sua carreira de cerca de 20 anos, como habitual frequentador dos Torneios de Natal do Real Madrid, Copas do Rey de Espanha e Torneios Intercontinentais de Clubes/Torneios McDonald. Enquanto jogador da equipa do Real Madrid conquistou 14 ligas ACB, 9 Copas do Rey, 3 Ligas dos Campeões Europeus, 3 Taças Intercontinentais, 1 Eurocopa, 1 Mundial de Clubes e pela seleção espanhola participou em 161 jogos tendo conquistado a medalha de prata no Eurobasket Barcelona-1973. Foi, no meu entender, o primeiro jogador espanhol a ter sucesso no mundo da “Bola ao Cêsto” ao demonstrar nas muitas competições em que participou a importância decisiva dos calmeirões no percurso vitorioso a nível internacional do basquetebol dos nossos vizinhos ibéricos.
Fernando Romay (2,12m e 110 Kg). Jovem galego nascido na Corunha (1959) e que aos 14 anos já tinha +2,00 metros de altura foi descoberto pelo Real Madrid. Assistimos a todas as suas exibições integrado na seleção espanhola no Campeonato Europeu de Juniores realizado em Santiago de Compostela-1976. O seu progresso era evidente, de jogo para jogo, no confronto directo com os gigantes da então Jugoslávia (1º) e URSS (2º), tendo a seleção do país vizinho ficado na 3ª posição. Romay jogou no Real Madrid, entre 1976 e 1993, pelo qual conquistou 7 títulos da liga ACB, 5 Copas do Rey, 2 Ligas dos Campeões Europeus, 3 Eurocopas, 3 Taças Intercontinentais de clubes, 1 Copa Korac e 1 Mundial de clubes. Foi uma referência internacional na posição de Poste devido à sua envergadura e domínio no jogo interior, tendo representado a seleção de Espanha em 174 encontros, ao serviço da qual ganhou a medalha de prata no Eurobasket França-1983 e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984.
Neste histórico processo de captação de jovens calmeirões através da “Operação Altura” do Baloncesto de “nuestros hermanos”, surgiram os irmãos Fernando e António Martin, nascidos em Madrid, tendo sido descobertos e encaminhados para o jogo de “A Bola ao Cesto” para as equipas de formação dos Estudiantes de Madrid:
Fernando Martin (2,08 m e 100 Kg). A primeira vez que o vi jogar foi no Torneio de apuramento para o Europeu de Juniores organizado pela Federação Portuguesa de Basquetebol no Pavilhão do Restelo (1979), quando eu exercia as funções de Director Técnico. A sua estatura aliada a uma energia contagiante na luta nas tabelas e uma movimentação ofensiva deveras eficiente na área restritiva, eram sintoma de um grande atleta e jogador talentoso em perspectiva. Em 1981 foi transferido para o Real Madrid com o qual venceu 3 Ligas ACB, 3 Copas do Rey, 2 Eurocopas e 1 Taça Korac. Ao serviço da seleção espanhola foi Campeão Europeu de Cadetes Síria-1979. Pela seleção senior foi medalha de prata no Eurobasket (1983) e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984. Foi o primeiro jogador espanhol a ingressar na NBA (Portland Trail Blazers-1986/87) pelo qual actuou em 24 encontros, contudo uma arreliadora lesão obrigou a uma paragem de vários meses que lhe deu cabo da época desportiva. Tendo em vista uma cautelosa recuperação da longa paragem entendeu no final da época regressar ao Real Madrid. Infelizmente, em 3 de dezembro de 1989, faleceu num acidente de automóvel. Fernando Martin era, na década de 80, um dos maiores ídolos do desporto espanhol. 
António Martin (2.10 m e 106 Kg). Irmão de Fernando, deu continuidade ao prestígio da família Martin no basquetebol espanhol. Actuou 11 épocas no Real Madrid pelo qual conquistou 5 Ligas ACB, 4 Taças do Rey, 1 Supertaça de Espanha, 1 Taça dos Campeões europeus, 3 Eurocopas e 1 Taça Korac. Pela seleção espanhola que representou em 76 ocasiões conquistou a medalha de bronze no Eurobasket Roma-1991. Após a conclusão da sua carreira de jogador foi director do basquetebol do Real Madrid no período (2005 a 2009) e, posteriormente (2018), foi eleito e ainda se mantém como Presidente da Liga profissional do basquetebol espanhol, quer dizer, da “Association Clubes Baloncesto” (ACB), a mais prestigiada liga nacional no mundo do basquetebol, logo a seguir à NBA.
Jorge Garbajosa (2,07 m e 111 Kg). Nasceu em 1977 em Torrejon de Ardoz na província de Madrid. Começou a jogar nas equipas de formação do Baskonia da cidade de Vitoria, clube onde deu início à sua carreira profissional e jogou durante 6 épocas (1994/2000) e, pelo qual, venceu uma Taça do Rey (1998/99). No período entre 2000/04 representou os italianos do Benetton Treviso tendo conquistado 2 títulos da liga profissional de Pallacanestro, 2 Taças de Itália e 2 Supertaças. Nas duas épocas seguintes (2004/06) regressou a Espanha para jogar no Unicaja de Málaga, tendo vencido a Liga ACB e a Copa do Rey na temporada de (2005/06) e sido nomeado o melhor jogador (MVP) das duas competições. Quer dizer, entre (1994/2006) jogou em 3 distintos clubes de enorme prestígio do basquetebol europeu (Baskonia, Treviso e Unicaja) tendo participado em 362 jogos nas competições espanholas e 105 encontros na Euroliga com exibições de alto rendimento. Em 2016 (aos 29 anos de idade), recebeu um convite dos Toronto Raptors (NBA), tendo assinado um contrato por 3 épocas (2006/2009) com a equipa canadiana. As suas qualidades depressa o levaram ao cinco inicial onde pontificava o All Star Chris Boss.
Depois de uma grande época ao serviço dos Raptors lesionou-se com alguma gravidade o que conduziu a uma longa paragem, pelo que a recuperação não foi fácil, tendo acabado por rescindir e regressar a Espanha. Após a recuperação jogou pela equipa russa do Khimki de Moscovo (2008/09), pelo Real Madrid (2009/11) e pelo Unicaja de Málaga (2011/12) onde terminou a sua carreira de Jogador. Ao serviço da seleção de Espanha, nos FIBA Eurobasket foi medalha de bronze no Turquia-2001, medalha de prata nos Suécia-2003 e Espanha-2007 e, ainda, medalha de ouro no Polónia-2009. Também foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos Beijing-2008 e Campeão Mundial no Japão-2006. Depois de uma excelente carreira como jogador profissional e face a uma situação de demissão do anterior presidente da federação espanhola, Jorge Garbajosa decidiu candidatar-se à liderança da mesma, tendo sido eleito para o mandato (2016/2020), durante o qual realizou um excelente trabalho, argumento principal para a sua reeleição para o actual mandato (2020/2004). Um percurso notável de jogador experiente a gestor respeitado do organismo máximo do Baloncesto Espanhol. Enhorabuena.
Pau Gasol (2,15 m e 110 Kg). O filho mais velho de uma família da Catalunha, com 3 rapazes de distintas idades, nasceu em 1980. Começou a jogar na equipa da escola “Basket Llor Sant Boi” e, quando foi considerado um calmeirão habilidoso, foi encaminhado para o “UE Cornella” que era um clube de formação de jogadores de basquetebol ligado ao FC Barcelona. Na época de 1997/98, com 16 anos de idade, ingressou no Barcelona com o qual foi campeão nacional junior, sendo a partir daí convocado para as diferentes seleções nacionais de jovens. Conquistou a medalha de ouro no Torneio Albert Schweitzer em Mannheim-1998 (Alemanha), medalha de ouro no Europeu Sub-18 em Varna-1998 (Bulgária), medalha de ouro no Mundial Junior em Lisboa-1999 (Portugal) e medalha de bronze no Europeu Sub-20 em Ohrid-2000 (Macedónia). Tive a oportunidade de assistir ao mundial realizado em Portugal e constatei que Pau Gasol, para além de ter sido o jogador mais influente da seleção vencedora, possuía capacidades atléticas e motoras excelentes (altura, estatura, coordenação motora e habilidade na manipulação da bola), o que se veio a confirmar pelas inúmeras ofertas de bolsas de estudo de universidades da NCAA. No entanto, a opção familiar foi a de continuar a jogar em Espanha integrado na equipa senior do Barcelona. Nas épocas (1999/2001) em que jogou na equipa principal do clube catalão, a última foi a mais relevante através das suas excelentes exibições que levaram à conquista da Copa do Rey e da Liga ACB, a juntar à sua prestação na seleção senior espanhola que conquistou a medalha de bronze no Eurobasket na Turquia-2001.
Entretanto, inscreveu-se no Draft da NBA, tendo sido escolhido pelos Atlanta Hawks, contudo foi trocado para os Memphis Grizzlies. Foi o 2º jogador espanhol a entrar na liga profissional norte americana, actuando pelos Grizzlies durante as primeiras 7 épocas (2001/08). Posteriormente, jogou nos Los Angeles Lakers (2008/14), Chicago Bulls (2014/16), San Antonio Spurs (2016/19) e Milwaukee Bucks (2019). Durante a sua carreira como atleta profissional na NBA foi: Rookie do ano (2001/02), All-Rookie Team (2001/02), 2 vezes campeão da NBA (2008/09 e 2009/10), 4 vezes All-NBA Team (2008/09, 2009/10, 2010/11 e 2014/15) e participou em 6 All Star Games (2006, 2009, 2010, 2014, 2015 e 2016). Com a seleção de Espanha conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 e nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 e, ainda, a medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Foi Campeão Mundial em Tóquio-2006 e nos Eurobasket foi medalha de bronze no Turquia-2001, medalha de prata no Suécia-2003 e no Espanha-2007, medalha de ouro no Polónia-2009, no Lituânia-2011 e no França-2015. Um percurso notável do melhor jogador da história do Baloncesto Espanhol. Após uma paragem de 2 anos, na recuperação de uma lesão complicada, regressou recentemente a Espanha (aos 40 anos de idade) e inscreveu-se no Barcelona na tentativa de poder vir a ser incorporado na seleção de Espanha que vai participar, em Julho, nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2021. Oxalá consiga.
Marc Gasol (2,11 m e 115 Kg), o segundo filho da família Gasol, nasceu em 1985, quer dizer, 5 anos depois de Pau. Em 2001, quando Pau foi contratado pelos Memphis Grizzlies (NBA) toda a família foi viver para os USA, nos arredores de Memphis no estado de Tennessee. Enquanto Pau actuava nos Grizzlies, Marc foi estudar para o Lausanne Collegiate School e jogava pela respectiva equipa nos campeonatos escolares. Concluído o High School (2003), resolveu regressar a Espanha para jogar na liga ACB em representação do FC Barcelona. Jogou na equipa catalã entre (2003 e 2006) pela qual realizou 87 encontros e depois ingressou no Basquet Girona da ACB (2006 a 2008) com o intuito de ganhar experiência competitiva (91 jogos) e uma maior valorização desportiva para poder entrar na NBA. O objectivo foi alcançado na medida em que foi considerado o jogador mais valioso (MVP) da liga ACB na sua derradeira época em Espanha (2007/08).
Marc Gasol, que já tinha sido selecionado no Draft/2017 pelos Lakers, fez parte do pacote que envolveu a transferência de Pau para a equipa de Los Angeles e, como tal, ingressou nos Memphis Grizzlies. No período entre (2008 e 2019) efectuou 769 jogos nos quais marcou 11.684 pontos. Foi nomeado o melhor defensor da NBA na época (2012/13) e participou em 3 ocasiões no All Star Game (2012, 2015 e 2017). Na temporada (2019/20) assinou pelos Toronto Raptors onde foi uma peça fundamental na conquista do título da NBA, o grande objectivo de qualquer jogador da liga profissional norte americana. Após esta notável experiência resolveu aceitar um convite dos Lakers na tentativa de conquistar mais um título da NBA, ainda antes de terminar a carreira profissional. Ao serviço da seleção nacional espanhola nos Eurobasket, foi medalha de prata no Espanha-2007, medalha de ouro no Polónia-2009 e Lituânia-2011, medalha de bronze no Eslovénia-2013 e Turquia-2017. Nos Jogos Olímpicos de Beijing-2008 e Londres-2012 conquistou a medalha de prata e foi Campeão Mundial FIBA no Japão-2006 e na China-2019. Pelo facto de ainda estar em actividade na NBA e ter uma larga experiência em competições internacionais deverá integrar o grupo de jogadores espanhóis que participarão nos JO de Tóquio.
Finalmente, gostaria de me referir aos irmãos Hernangomez, nascidos em Madrid e criados numa família de basquetebolistas. A mãe, Margarita, foi jogadora internacional pela seleção espanhola vencedora do campeonato Europeu-1993 e o pai, Guillermo, jogou no Real Madrid e nos Estudiantes. Willy e Juancho são, há alguns anos, jogadores profissionais na NBA:
Willy Hernangomez (2,11m e 113 Kg). Nascido em Madrid há 26 anos, começou a praticar basquetebol nas equipas de formação do Las Rozas (2007/2009), tendo a sua estatura chamado a atenção do Real Madrid para onde foi jogar (2009/11) tornando-se profissional a partir de 2011. Com o objectivo de ter mais tempo de jogo e ganhar experiência competitiva foi emprestado ao Sevilha (2013/2015). Em 2015, concorreu ao NBA Draft tendo sido escolhido pelos Philadelphia 76ers, sendo de imediato negociado com a formação dos New YorK Knicks. Está na 7ª época na liga profissional norte americana tendo actuado nos New York Knicks (2016/17/18), Charlotte Hornets (2018/19/20) e, actualmente, representa os New Orleans Pelicans. Ao serviço das seleções nacionais de jovens participou no Torneio Albert Schweizer (2012) (cinco ideal), foi medalha de ouro no Europeu Sub-18 Breslávia-2011 e medalha de prata no Europeu de Sub-20 em 2014. Nos Eurobasket foi medalha de ouro no França-2015 e medalha de bronze no Turquia-2017. Nos Jogos Olímpicos Rio-2016 ganhou a medalha de bronze e conquistou a medalha de ouro no Campeonato Mundial na China-2019.
Juancho Hernangomez (2,06 m e 97 Kg) 25 anos de idade, também começou nas equipas de formação do Clube Las Rojas e após uma curta passagem pelo Real Madrid foi jogar para o Clube Baloncesto Majadahonda nos dois anos seguintes. Em 2012, foi contratado pelo Estudiantes de Madrid e, progressivamente, foi ganhando espaço na equipa principal tendo, na época de 2015/16, conquistado o prémio do melhor jogador jovem da liga espanhola (ACB Best Young Player Award). Em 2016, Juancho fez parte da lista dos jogadores internacionais candidatos ao NBA Draft tendo sido selecionado pela equipa dos Denver Nuggets. Na 2ª época (2017/118) foi-lhe diagnosticada uma mononucleose pelo que apenas participou em 25 encontros. Nas 4 épocas (2016/20) ao serviço dos Nuggets participou em 191 jogos tendo sido apurado para os playoffs em 2019. No final da época foi transferido para os Minnesota Timberwolves onde joga com o compatriota Ricky Rubio, Base da seleção de Espanha. Fez parte das seleções jovens espanholas conquistando a medalha de bronze no Europeu Sub-18 na Letónia-2013 e a medalha de prata nos Europeus Sub-20 efectuados na Grécia-2014 e em Itália-2015. Pela seleção senior ganhou a medalha de bronze no Eurobasket Turquia-2017 e foi Campeão Mundial no China-2019.
Estes gigantes do basquetebol espanhol são o resultado do investimento e excelente trabalho efectuado pelos treinadores na formação de jogadores de alto rendimento, de diferentes gerações, nos principais clubes de basquetebol do país vizinho com jovens que foram detetados nas Operações Altura. Esta opção orientada para a formação dos novos talentos conduziu o basquetebol espanhol à conquista das grandes competições internacionais que o colocaram na liderança do ranking europeu e na 2ª posição no ranking internacional, logo atrás dos USA. Face ao êxito alcançado nas últimas 4 décadas, as Operações Altura são consideradas em Espanha, o ponto de partida do trabalho contínuo de aperfeiçoamento e especialização de jogadores de basquetebol, pelo que continuam a ser realizadas anualmente pelos clubes, nas diferentes regiões espanholas, com o objectivo de dar continuidade à formação dos novos talentos do “Baloncesto de Nuestros Hermanos”.
No final da década de 70, organizámos no nosso país uma Operação Altura (iniciativa conjunta da DGD e FPB) e detetámos alguns jovens altos com realce para um calmeirão algarvio (José Silvestre) que cresceu até aos 2,10 m, que foi recrutado pelo SL Benfica e, mais tarde, jogou no Imortal de Albufeira. Integrou uma das melhores seleções nacionais de sempre (treinada por Adriano Baganha e Helder Marques) da qual faziam parte os jogadores: Henrique Vieira, Pedro Miguel e Mário Leite (Bases), Tó Ferreira, Carlos Seiça, Fernando Sá e Jorge Barbosa (Extremos) e Steve Rocha, Mike Plowden e José Silvestre (Postes). Assisti aos jogos desta nossa seleção no torneio de apuramento para o Europeu realizado em Reykjavik (Islândia) no qual vencemos as outras 3 seleções participantes (Dinamarca, Islândia e Suécia).
Esta orientação no processo de formação de jovens talentos calmeirões requer muito esforço, dedicação e algum investimento. A opção do basquetebol nacional tem sido a mais insensata, quer dizer, mandar vir jogadores estrangeiros baratos para jogarem nos clubes que participam nas principais competições nacionais. Os jogadores estrangeiros, na sua maioria norte americanos, preenchem a maioria do tempo de jogo e, como tal, os jogadores nacionais não adquirem experiência competitiva. Existe uma mentalidade, que se tornou viral, de não se investir na valorização permanente dos talentos que vão surgindo. Os talentos também não abundam devido ao ineficiente trabalho efectuado na formação de jogadores, de há uns anos a esta parte. Nem com os Nuestros Hermanos, mesmo aqui ao lado, queremos aprender."