quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Como o Benfica se TORNOU isto!? MAIS 4!
PRESTIANNI E SCHJELDERUP SÃO OS DIABOS DE MARCO SILVA!
Moreirense x BENFICA | RESCALDO J3
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
MARCO SILVA: NÃO AGRADAR A TODOS
O treinador do Benfica assumiu a decisão sobre excluir Bruma. Já assumira outras decisões técnicas o que diz algo do perfil do treinador
A liderança no desporto mede-se nos momentos de tempestade, mas também nos de bonança. Ao assumir que a exclusão de Bruma do plantel é uma decisão técnica, portanto sua, Marco Silva demonstra o seu perfil de líder. Num ambiente frequentemente tóxico e propenso à diluição de responsabilidades, assumir a decisão traz benefícios para a autoridade pessoal do treinador assim como para a estabilidade do clube. Em relação ao próprio Marco Silva, esta frontalidade constrói credibilidade. Ao não se esconder atrás de frases feitas ou da direção, Marco Silva, ao responder como respondeu, consolida o perfil de um líder de convicções, com coragem para tomar decisões que podem ser impopulares, e dar a cara por elas. Como a de manter Lukebakio, por exemplo.
Na perspetiva da comunicação de liderança, assumir a autoria protege a sua integridade profissional. Se a escolha correr bem, reforça o seu estatuto de comandante; se falhar, fica registado que agiu por convicção e não por pressão externa. No fundo, ficou claro que não foi por ingerência da gestão que Bruma não faz parte das escolhas.
Para o Benfica, enquanto instituição, o ganho reputacional é grande também. Ao centralizar em si o foco da decisão, e ao ser percecionado como sincero nas palavras, Marco Silva atua ainda como escudo da estrutura encarnada, pois põe cada responsável no seu lugar. A direção fica livre do desgaste mediático e de possíveis acusações.
Além disso, estanca-se a especulação: quando um líder afirma taxativamente «fui eu que quis assim», esvaziam-se teorias que costumam alimentar semanas de debate. A conferência do treinador ficou também marcada por Sudakov. Os jogadores respeitam a transparência, mesmo quando ela é dura. Marco Silva não abriu o jogo sobre «os sinais» que dão a titularidade a Sudakov, mas no balneário só tem de se assumir as coisas como assumiu para fora a questão Bruma. E manter o critério. O grupo ganha um sentido renovado de justiça e fica claro qual é o padrão de exigência e que as regras se aplicam a todos.
Em suma, Marco Silva demonstra que comunicar bem não é agradar a todos, mas sim assumir a responsabilidade com clareza. Ao chamar a si a decisão sobre Bruma, projeta a imagem de um líder maduro, convicto e inabalável. Exatamente o que um clube com a dimensão das águias exige. E um ensinamento, sem dúvida, dos anos de Premier League. O Benfica está melhor em campo que na época passada. E na sala de imprensa não fica atrás.
Luís Pedro Ferreira, in a Bola
NEM TUDO SÃO MAIS-VALIAS
O mercado fechou. Finalmente. Durante dois meses voltou a cumprir-se aquele ritual do futebol em que nós, os adeptos, passamos mais tempo a discutir jogadores que ainda não chegaram do que aqueles que já estão no clube. Todos os dias aparece um nome novo, uma negociação iminente, um avião a caminho, uma fotografia num aeroporto e, claro, o inevitável «acordo praticamente fechado».
No Benfica esse ritual é vivido com esteroides. Mas, olhando agora para o princípio e para o fim do mercado, saíram jogadores importantes. Mudou a defesa, mudou o meio-campo e mudaram algumas das alternativas no ataque. Chegaram jogadores para ocupar esses lugares, mas também para dar à equipa características que não tinha.
Por isso, mais interessante do que fazer a tradicional conta entre milhões gastos e milhões recebidos é perceber se o Benfica terminou o mercado com uma equipa melhor. Porque um bom mercado não é necessariamente aquele em que se vende mais caro ou se compra mais barato. É aquele que deixa o clube mais perto de ganhar.
Comecemos por Palhinha.
É impossível olhar para este mercado sem olhar para ele. Não apenas pelo que custou, mas porque é provavelmente a contratação que mais altera a personalidade da equipa. Palhinha não chega para ser mais um médio. Chega para dar ao Benfica algo que muitas vezes lhe faltou nos últimos anos: agressividade competitiva, capacidade de recuperação, presença física, experiência e uma certa dose de desconforto para quem joga contra nós.
Aos 31 anos não é uma contratação para vender daqui a dois anos por 60 milhões. E ainda bem. Um clube de futebol não pode organizar todas as suas contratações como se estivesse a gerir uma carteira de ativos. Às vezes é preciso comprar jogadores para jogar futebol. E, sobretudo, para ganhar.
O Benfica tem de continuar a descobrir talento, a formar jogadores e a comprar jovens que possam valorizar. Isso faz parte do seu modelo e seria irresponsável abandoná-lo. O problema é quando a valorização dos jogadores passa a ser mais importante do que a valorização da equipa.
Por isso gosto da contratação de Palhinha. Não porque seja o melhor negócio financeiro deste mercado. Gosto porque parece ter sido feita a pensar primeiro na equipa e só depois na folha de Excel.
Lenglet entra um pouco na mesma lógica. Pode discutir-se a idade, o salário ou se os melhores anos da carreira já ficaram para trás. Mas traz experiência e conhecimento do jogo. Depois das mudanças no centro da defesa, o Benfica precisava também de alguém que chegasse pronto.
Circati está no outro lado da equação. É muito mais jovem, tem margem para crescer e potencial de valorização. E é este equilíbrio que me parece saudável. Nem todos têm de chegar à Luz aos 20 anos para sair aos 23.
Depois há Jhon Durán.
É uma das contratações mais intrigantes deste mercado. Tem características físicas pouco comuns e oferece uma alternativa diferente para o ataque. E isso é importante.
Durante demasiadas épocas olhámos para o banco do Benfica e encontrámos jogadores diferentes no nome, mas demasiado semelhantes naquilo que ofereciam à equipa. Não basta ter dois jogadores por posição. Há jogos em que é preciso velocidade, outros em que é preciso presença física, outros em que é preciso técnica e magia e outros ainda em que é preciso vestir o fato-macaco.
Echeverri é outra aposta interessante. É jovem, tem talento e chega com possibilidade de continuidade. O Benfica pode ser uma excelente plataforma de desenvolvimento, mas não deve transformar-se numa academia de aperfeiçoamento de jogadores para os clubes mais ricos da Europa. Se um jogador crescer na Luz, jogar, errar, aprender e valorizar, o Benfica tem de poder beneficiar disso.
Até aqui, tudo bem.
O problema é que um mercado não se avalia apenas por quem entra. Também se avalia por quem sai.
Há vendas praticamente impossíveis de recusar. Quando aparecem propostas por valores muito altos, um clube como o Benfica tem de saber vender. Faz parte da sua realidade económica.
Mas vender bem e vender no momento certo não são necessariamente a mesma coisa.
Dedic é um bom exemplo. Financeiramente, percebe-se a operação. Desportivamente, tenho mais dúvidas. Era jovem, tinha espaço para crescer e parecia ainda longe do limite da sua valorização. Talvez tenha sido uma excelente venda. Só o tempo dirá se também foi uma boa decisão desportiva.
António Silva deixa-me uma sensação diferente. Durante algum tempo acreditámos que estávamos perante o próximo grande central formado no Seixal e um daqueles jogadores capazes de proporcionar uma transferência verdadeiramente extraordinária. Não aconteceu. Isso não significa que tenha sido uma má venda. Significa apenas que ficou bastante distante daquilo que chegámos a imaginar que António Silva poderia valer.
Depois há Richard Ríos.
Há pouco mais de um ano foi feito um investimento muito significativo num jogador que deveria assumir um papel central no meio-campo do Benfica. Uma época depois sai por empréstimo.
Pode existir uma explicação técnica perfeitamente legítima. O treinador pode entender que outros médios lhe dão mais garantias. E nenhum jogador deve permanecer no plantel apenas porque custou muito dinheiro.
Mas fica uma pergunta. Quando um investimento desta dimensão deixa de ser prioritário ao fim de uma temporada, falhou o jogador, mudou a ideia de jogo ou comprou-se sem saber exatamente para quê?
Olhando para o resultado final, parece-me que o plantel tem mais soluções e, sobretudo, jogadores com características diferentes. Há experiência, juventude, capacidade física e talento. No papel, há mais opções.
Palhinha pode tornar-se fundamental. Circati pode ser uma excelente contratação. Echeverri pode entusiasmar a Luz. Durán pode explodir. Outros vão surpreender e alguns vão desiludir.
É por isso que setembro é provavelmente o pior mês para avaliar mercados. Em setembro todos os reforços têm potencial, todas as apostas parecem inteligentes e todas as opções de compra parecem excelentes negócios.
Depois chega novembro.
E janeiro.
E, sobretudo, abril e maio.
É aí que percebemos se comprámos jogadores ou se construímos uma equipa.
Porque no final de um mercado podemos discutir milhões, cláusulas, mais-valias, opções de compra e potencial de valorização. Podemos até fazer contas e declarar vencedores e vencidos antes de a bola começar a rolar.
Mas há uma conta que continua a ser mais importante do que todas as outras.
A dos títulos.
Hugo Oliveira, in a Bola
BOAS DECISÕES DE LUCIANO GONÇALVES
Pode parecer contraditório defender menos divulgação e, simultaneamente, exigir maior transparência. Não é.
A transparência institucional não consiste em mostrar tudo. Consiste em garantir que nada relevante fica impossível de escrutinar.
O árbitro não é o protagonista do jogo e a arbitragem não deve ceder à tentação de o transformar nisso. O seu protagonismo deve, tanto quanto possível, terminar com o apito final.
Não faz sentido ser o próprio Conselho de Arbitragem, presidido por Luciano Gonçalves, a prolongar ou ressuscitar polémicas através de comunicações sobre decisões tomadas semanas ou meses antes, quando o jogo passou e a polémica desapareceu.
A arbitragem não precisa de comunicar mais. Precisa de decidir melhor e de conseguir demonstrar, quando necessário, a solidez dos processos através dos quais decide.
Pela mesma razão, é do interesse dos próprios árbitros que a crítica razoável às suas exibições não seja penalizada.
A liberdade de expressão é incontornável em 2026 e o escrutínio acompanha todos os poderes: político, judicial, económico ou desportivo. A arbitragem não pode pretender constituir uma exceção.
Uma polémica que poderia terminar no fim do jogo prolonga-se pela instauração do processo, acusação, decisão e sucessivos recursos. Meses depois, quando praticamente ninguém discutiria aquela arbitragem, é o próprio sistema que volta a colocá-la na agenda.
O adepto não precisa de conhecer semanalmente a classificação atribuída a cada árbitro. Precisa de confiar que existe um sistema de avaliação sério, tecnicamente competente e independente.
Muito mais importante para quem está no estádio ou em casa é a transparência durante o jogo.
Se o VAR existe para corrigir erros claros e óbvios, deve existir um limite temporal para a sua intervenção.
Um erro claro e óbvio não pode precisar de vários minutos, sucessivas repetições e diferentes ângulos para se revelar. Se, depois de analisadas repetidamente as imagens, a dúvida permanece, a conclusão é lógica: o erro, a existir, não era claro nem óbvio.
Nesse caso, deve prevalecer a decisão tomada no campo.
Há ainda uma alteração simples que contribuiria para mudar a perceção sobre o VAR.
Quando o jogo está parado durante longos minutos à espera de uma decisão do VAR, por que razão a realização televisiva mostra quase permanentemente o árbitro que está no relvado?
É ele quem aparece rodeado pelos jogadores, num estádio em tensão, enquanto milhares de pessoas aguardam para saber se a decisão será confirmada ou corrigida.
Mas, naquele momento, não é ele quem está a decidir.
Quem analisa as imagens e determina se deve existir intervenção está sentado diante dos monitores na Cidade do Futebol.
Então mostre-se o VAR. Não para o transformar em protagonista, mas para identificar corretamente quem está, naquele momento, a assumir a responsabilidade pela intervenção.
Se o árbitro de campo já comunica ao estádio e à televisão uma alteração decidida após intervenção do VAR, é difícil compreender por que razão quem provocou essa alteração continua sem rosto.
E esta ideia conduz a uma questão aparentemente diferente, mas que nasce do mesmo problema.
Um estádio não é território da equipa da casa. E um adepto do adversário numa bancada não é um invasor.
A Liga tem de condenar publicamente e regulamentar com urgência penalizações pesadas para as sociedades desportivas que, por decisão própria e sem determinação das forças de segurança, proíbam a exibição de símbolos da equipa adversária no seu estádio.
Esta prática foi-se instalando discretamente no futebol português. É um erro colossal.
Não protege o futebol. Ensina que a camisola do adversário é uma provocação, que existem territórios onde determinadas cores não podem entrar e que a melhor maneira de evitar o conflito é esconder quem é diferente.
Naturalmente, existem setores reservados aos adeptos visitantes e razões de segurança que podem justificar separações em determinados jogos. Mas segurança é uma coisa; transformar todo o estádio em território exclusivo do clube da casa é outra.
O adversário não é um inimigo.
Benfica, FC Porto e Sporting não teriam a dimensão que hoje possuem se apenas um deles existisse. Uma parte da grandeza de cada um foi construída pela necessidade permanente de competir com os outros dois.
Um adversário forte obriga-nos a competir, inovar e melhorar. Daí resulta uma das aparentes contradições mais interessantes do desporto: queremos derrotar o nosso maior rival, mas devemos querer que ele continue suficientemente forte para nos desafiar.
Num tempo em que as redes digitais nos fecham cada vez mais em comunidades onde encontramos sobretudo quem pensa como nós, o estádio pode ser um dos poucos lugares onde continuamos fisicamente ao lado de quem escolheu o outro.
É precisamente por isso que é absurdo expulsar o diferente das bancadas.
No fundo, os dois problemas têm mais em comum do que parece.
Não precisamos de esconder o VAR para proteger a arbitragem, de punir a crítica razoável para defender os árbitros ou de esconder a camisola adversária para garantir a segurança.
Precisamos de instituições sólidas, regras claras e de aprender a conviver com aquilo que faz parte da própria essência da competição: o adversário, a decisão, o erro, a crítica e o conflito.
Uma indústria madura não elimina o conflito escondendo-o. Cria regras para o civilizar.
Na arbitragem, sabendo quem decide. Nas instituições, podendo escrutinar como se decidiu. Nas bancadas, aprendendo a estar ao lado de quem escolheu o outro.
É uma das funções mais importantes que o futebol pode desempenhar numa sociedade cada vez mais fechada em tribos: ensinar-nos a conviver com a diferença sem transformar o outro num inimigo.
Rui Pedro Soares, in a Bola
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