Será impossível apagar a mancha da eliminatória com o Real Madrid, mas com a bola a rolar o Benfica conseguiu deixar uma imagem positiva, a ponto de deixar a sensação de que podia ter feito mais
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
UMA OUTRA FACE DO BENFICA
A Liga dos Campeões ainda não acabou verdadeiramente para o Benfica, mas para desgosto das águias a competição não prossegue no campo, entre as 16 melhores equipas do continente, apenas entre os papéis do polémico processo que envolve Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior.
Se a mancha deixada pela acusação de racismo nunca sairá por completo - mesmo que o argentino venha a ser ilibado -, com a bola a rolar a equipa portuguesa conseguiu mostrar outra face, ainda que sem deslumbrar.
No final de contas o Real Madrid até garantiu novo triunfo na eliminatória - ironicamente com golo decisivo de Vinícius Júnior e duas assistências de Valverde, que deveria ter sido suspenso pela agressão na Luz -, mas o Benfica acreditou (quase) até ao fim, com uma exibição bem mais impositiva do que tinha conseguido oito dias antes, mesmo sem José Mourinho no banco do Bernabéu.
A equipa portuguesa não quis gerir as probabilidades com o relógio e protagonizou uma entrada de grande nível, ao surpreender com a aposta em Richard Ríos. Não pela titularidade do colombiano, antes pela colocação mais à direita, em linha com Barreiro e Aursnes, a pedir diagonais de Pavlidis mais à frente.
Um mau passe de Otamendi permitiu reação imediata do Real ao golo de Rafa, e a equipa de Arbeloa teve margem para fazer acertos e começar a expor o reverso da aposta em Ríos, muitas vezes curto no apoio a Dedic, o que exigia uma segunda ajuda, de Barreiro, a esticar ao limite o acordeão do meio-campo.
Uma má abordagem de Tomás Araújo condenou a esperança no apuramento, mas antes disso o Benfica teve ocasiões suficientes para virar a eliminatória. Quase sempre por Rafa, ou mesmo Schjelderup, já que Pavlidis nunca mostrou a acutilância de que a equipa precisava no Bernabéu.
Se é verdade que a história do Benfica é imcompatível com vitórias morais, do outro lado estava o rei da Liga dos Campeões, mesmo que o momento não seja o mais fulgurante.
Talvez fique a sensação de que o desfecho poderia ter sido outro, mas isso é reflexo da tal imagem diferente que o Benfica apresentou. Não apenas em Madrid, mas nos três jogos disputados com o Real.
Agora com mais tempo para treinar, e apenas 11 jornadas de Liga para disputar, o desafio é provar que o percurso continuará a ser ascendente.
Nuno Travassos, in a Bola
PRESTIANNI NO BERNABÉU, ALGUÉM ACREDITOU... OU QUIS?
O motivo do Benfica de levar o argentino para Madrid foi tão-só manter a firmeza no caso, mostrar-se inabalável na solidariedade com o jogador, mantendo-o integrado. O clube fê-lo convicto de que a UEFA não voltaria atrás na suspensão, correta, que preservou o futebol do risco de se tornar teatro de hostilidade.
Depois de passar o inferno das primeiras horas do caso Prestianni-Vinicius, das declarações de José Mourinho, de o Benfica ter assumido defesa incondicional do seu jogador desde o primeiro momento, e do anúncio pela UEFA de um inquérito ao alegado abuso racista do jogador encarnado ao brasileiro do Real Madrid, processo inevitável perante a impossibilidade de provar, com absoluta certeza, se a palavra mono — macaco — teria sido de facto proferida, as atenções viraram-se para o provável reencontro dos visados no jogo da 2.ª mão, em Madrid. Explosivo.
No entanto, antes de se voltar a levantar fervura ao caso na perspetiva de novo frente a frente, a UEFA suspendeu preventivamente Prestianni, sob a justificação do inquérito. A justificação formal baseou-se no inquérito, mas a intenção era clara: impedir que o duelo se materializasse, preservando o futebol do risco de se tornar teatro de hostilidade, e protegendo tanto a integridade do jogador como a imagem da competição. Uma decisão cirúrgica, firme, mas que não deixou de gerar polémica: privava o Benfica de um dos seus melhores ativos, peça fundamental na estratégia de tentar virar a eliminatória.
O clube encarnado não se conformou e recorreu, integrando o jogador na comitiva que se deslocou à capital espanhola. Todavia, os seus responsáveis, incluindo José Mourinho, fizeram-no certamente convictos de que a UEFA não voltaria atrás na decisão. O motivo de levar o argentino para Madrid foi tão-só manter a firmeza do clube no caso, mostrar-se inabalável na solidariedade com o jogador, mantendo-o integrado.
No fim, o cenário era o mais equilibrado possível num caso carregado de tensão: a UEFA preservava a competição, o Benfica protegia o seu atleta, e o futebol manteve-se, ainda que por um fio, acima do ruído e da polémica. Porque havia, no meio de toda a tempestade, a consciência de que expor um jovem jogador à hostilidade de um estádio em ebulição seria um risco desnecessário, e que proteger o desporto às vezes passa por decisões duras, mas justas.
Ricardo Jorge Costa, in a Bola
SEMPRE OLHOS NOS OLHOS
O Benfica perdeu por 2-1 frente ao Real Madrid na 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. As águias impuseram o seu futebol em muitos momentos do encontro e saíram de cabeça erguida da competição.
Um Benfica personalizado e sem promessas vãs perdeu (2-1) na deslocação ao recinto do Real Madrid, em jogo da 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, disputado nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, no Santiago Bernabéu. As águias terminam a sua participação na prova com uma demonstração clara de competitividade e de qualidade, apenas traída pela eficácia.
Em Madrid, após o embate no Estádio da Luz, na 1.ª mão (0-1), o Benfica apresentou-se com a determinação própria de quem mantinha firme a convicção de que a eliminatória estava em aberto e a passagem à próxima fase era desiderato alcançável.
Sem José Mourinho no banco de suplentes, castigado após a expulsão no duelo anterior, e com o treinador adjunto João Tralhão como rosto de comando – ele que na véspera, na antevisão, deixou claro que a preparação foi no sentido de "ganhar e qualificar" a equipa para a próxima fase –, as águias surgiram em campo com Richard Ríos no lugar de Prestianni (suspenso), face ao onze inicial escalado para o duelo da 1.ª mão.
Se o Benfica alinhou com Trubin, Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Richard Ríos, Rafa, Schjelderup e Pavlidis, a formação merengue colocou o central Asencio e o avançado Gonzalo nos lugares de Huijsen e de Mbappé, respetivamente.
Perante milhares de Benfiquistas a fazerem-se ouvir ainda antes do início da contenda – um apoio apaixonado e incondicional expresso além dos 90 minutos de jogo –, o Benfica partiu para cima do Real Madrid desde o primeiro instante.
Com Richard Ríos em zonas mais interiores no meio-campo e Dedic lançado no corredor direito, o Benfica deu o primeiro esticão com o lateral bósnio a conduzir para dentro e a lançar Schjelderup na esquerda, para que este, posteriormente, finalizasse contra um defesa junto à linha de fundo, ganhando um canto. Aos 4' estava dado o primeiro sinal, e segundos depois Barreiro cabeceou no canto subsequente para defesa de Courtois.
Aos 6', Rafa – servido por Schjelderup – recebeu a bola à entrada da área, ludibriou o aperto de Asencio com um excelente gesto técnico e, já dentro da área de rigor, atirou para nova intervenção do guardião belga.
Uma excelente abertura de Tomás Araújo para Pavlidis, aos 12' – dupla que efetuou frente ao Real Madrid o 100.º jogo oficial com o Manto Sagrado –, levou novamente perigo para o último reduto merengue, o qual viu o passe do goleador grego não sair com a melhor direção para Richard Ríos, ao 2.º poste.
As ameaças conduziram ao golo do Benfica. Decorria o minuto 14 quando a abertura de primeira de Richard Ríos para Pavlidis, a passe de Dedic, abriu campo para o avançado cruzar na área. A bola foi intercetada por Asencio na direção da sua baliza, Courtois defendeu instintivamente para a frente com a perna esquerda e Rafa, a dois tempos, finalizou, abrindo o marcador (0-1) e igualando a eliminatória. Foi o 14.º golo do camisola 27 pelo Benfica na Liga dos Campeões, precisamente no dia em que registou 50 jogos na competição.
A resposta do Real Madrid foi célere. Um cruzamento atrasado de Valverde a partir do lado direito, aos 16', encontrou Tchouaméni em posição frontal e perto da linha limite da grande área. O médio rematou sem hipótese de defesa para Trubin (1-1).
Ferido pelo sucesso da primeira aproximação dos da casa à sua baliza, o Benfica lançou-se em novas incursões ofensivas. Uma delas voltou a deixar as águias perto do golo. Aos 22', Aursnes descobriu Schjelderup em profundidade, no lado esquerdo. O extremo internacional norueguês cruzou para a pequena área e o toque ligeiro de Pavlidis não permitiu o desvio da bola para a baliza contrária. Barreiro, na sequência, após a tabela com Rafa, cruzou novamente com perigo, obrigando Rüdiger a um excelente corte para canto.
Atrevido e personalizado, o Benfica manteve-se sempre equilibrado nos processos ofensivos e defensivos, no entanto, aos 32', viu o Real Madrid chegar ao golo... que acabou por ser invalidado por posição irregular de Gonzalo antes do cabeceamento de Valverde e cuja sequência do lance levou ao remate bem-sucedido de Arda Güler. Leitura correta do VAR.
O Benfica manteve a sua postura e, aos 38', foi Courtois o salvador do Real Madrid: Schjelderup foi para cima de Trent, ultrapassando-o, e acabou por ver a bola intercetada por Asencio terminar num remate forte de Richard Ríos. Mas o esférico foi defendido pelo guarda-redes belga. Uma intervenção-chave, quando já se gritava golo!
Até ao intervalo, o Real Madrid respondeu com duas finalizações perigosas, aos 41' e 45', por intermédio de Arda Güler e de Valverde, ambas desviadas pela defesa encarnada e que levaram a pontapés de canto.
O início da etapa complementar trouxe um Real Madrid mais preocupado em fazer a gestão criteriosa da posse de bola e, aos 48', um cruzamento de Trent, na direita, levou perigo para a baliza à guarda de Trubin. O mesmo Trent, aos 57', rematou forte e rasteiro, na área, sobre a direita, e o esférico saiu rente ao poste esquerdo.
O Benfica, porém, teve sempre olhos para as redes contrárias. Aos 60', surgiu uma nova grande oportunidade de golo: Barreiro tirou a bola a Vinicius Júnior na zona intermediária, endossou-a a Pavlidis, que colocou em Rafa, à entrada da área, para uma trivela desviada ligeiramente por Asencio para a barra!
Aos 69', foi a vez de Pavlidis, desta feita servido por Rafa após recuperação de Aursnes, à entrada da área, rematar forte, com a bola a sair prensada em Rüdiger e a passar rente ao poste direito dos merengues.
Contra a tendência do encontro, o Real Madrid chegou ao golo. Valverde lançou Vinicius Júnior em profundidade, e este, apesar da perseguição de Otamendi, na área, colocou os espanhóis em vantagem com um remate cruzado (2-1).
Sem baixar os braços, o Benfica reagiu aos 82' com nova oportunidade flagrante para marcar. Cruzamento de trivela de Schjelderup a partir da esquerda para a pequena área, onde Rafa desviou subtilmente para o 2.º poste, valendo Álvaro Carreras a afastar o perigo e a bola para a linha de fundo.
Aos 85', Otamendi foi agarrado na área por Trent, na sequência de um livre de Aursnes, mas o árbitro nada assinalou.
Com Barrenechea e Ivanovic nos lugares de Aursnes e Schjelderup, o Benfica procurou fazer um forcing final para chegar à igualdade, mas o Real Madrid geriu a posse de bola e controlou o tempo. Sidny ainda foi a jogo em detrimento de Barreiro, encostando-se à direita do ataque, mas, até final, o ritmo do embate baixou consideravelmente e o resultado não se alterou.
Os aplausos dos Benfiquistas acompanharam a despedida de cabeça erguida do Glorioso na edição 2025/26 da Liga dos Campeões, após o 3-1 no cômputo geral do play-off frente ao Real Madrid, vencedor da prova em 15 ocasiões.
Os comandados de José Mourinho voltam à competição na segunda-feira, 2 de março, frente ao Gil Vicente, em jogo referente à 24.ª jornada da Liga Betclic, agendado para as 20h15, no Estádio Cidade de Barcelos.
SL Benfica
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— SL Benfica (@SLBenfica) February 25, 2026
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Boa atitude não foi suficiente, sobretudo por pouca acutilância ofensiva e dois erros pontuais na defesa, fatais perante equipas como o Real Madrid. Norueguês e Rafa, a espaços, ainda abanaram os merengues.
A figura do Benfica - Schjelderup (7)
Está um caso sério, como que a confirmar a existência de jogadores que precisam de alguma continuidade e muita confiança para mostrarem o verdadeiro potencial. Ou, mais exatamente, para transformar em ato o que se sabe terem em potência. Aparece nos espaços, mostra-se à equipa, recua quando é preciso e quando recebe a bola assume a posse, não necessariamente (ou sempre) com grandes cavalgadas e sobressaltos para a frente, mas também, e muitas vezes, com critério, temporização e análise do que podem os companheiros fazer em seu redor e qual a melhor solução para romper linhas do adversário. Está nos melhores lances de ataque encarnados e aos 68 minutos fica a sensação de que poderia ter coroado a exibição com um golo quiçá decisivo. Não rematou, foi pena.
5 Trubin — Jogo extremamente ingrato para um guarda-redes capaz de resolver sem sobressaltos o que pôde resolver (remates fracos ou à figura, cruzamentos insípidos) e absolutamente impossibilitado, pelas circunstâncias, de evitar os golos do adversário. Nem ele nem ninguém o poderia ter feito.
6 Dedic — Foi dos melhores jogadores do Benfica, sobretudo na primeira parte e nas tarefas ofensivas. Foi visto várias vezes fora da zona atrasada, perfeitamente englobado nas tentativas de ataque encarnadas. É claro, já se sabe, que tinha como adversário direto Vini Jr., e isso não se deseja a ninguém. Aos 32 minutos o brasileiro fez dele gato-sapato na área e ofereceu o que teria sido o 2-1, invalidado por posterior fora-de-jogo de Gonzalo, mas isto não é suficiente para baixar a nota do bósnio. Até porque iniciou a jogada do golo encarnado e aos 70 minutos foi brilhante na dobra a mais um erro central e evitou um golo de Valverde.
4 Tomás Araújo — Tinha sido absolutamente brilhante na primeira mão, desta feita leva uma noite para recordar mas não pelas melhores razões. Sem uma grande tormenta atacante madridista, fica ligado a dois golos do Real, um deles invalidado (o de Guler aos 32 minutos). Neste não chegou ao turco. Aos 80 minutos, no segundo, que valeu, falhou abordagem no meio-campo a Valverde, que isolou Vinícius, e a eliminatória ficou decidida.
4 Otamendi — Exibição mais ou menos plasmada da do companheiro do eixo defensivo. Noite relativamente tranquila, acerto generalizado (belo corte a remate de Guler aos 48 minutos), mas erro capital no primeiro golo espanhol, com um passe disparatado que Tchouameni intercetou para vir, mais tarde, a concluir a jogada.
5 Dahl — Discreto e na maior parte das vezes competente. Foi mais cauteloso no seu flanco, perante a maior ousadia de Dedic no lado contrário, e segurou o lado direito ofensivo do Real sem problemas de maior. Foi muito raro permitir espaço a Alexander-Arnold, que era na realidade o extremo merengue.
5 Leandro Barreiro — Trabalho de sapa no meio-campo e ainda um ou outro atrevimento na frente, um dos quais deu enorme frenesi na área espanhola, aos 60 minutos. Raramente sobressai, mas mata-se a trabalhar e mantém intensidade no jogo.
6 Aursnes — Foi o pêndulo do costume durante a maior parte do tempo. Posicionado à partida no duplo pivô do meio-campo, foi justamente a partir daí que depois surgiu à esquerda, à direita, ao centro, na área do Real, na área do Benfica. Aos 70 minutos teve medo de fazer falta sobre Valverde e quase deixava o capitão madridista marcar, valeu Dedic.
6 Ríos — Era aguardado no meio, formalmente foi interior direito, mas na verdade andou sempre ali numa posição híbrida que conferiu equilíbrio no centro mas teve o preço, às vezes, de deixar Dedic desamparado perante Vinícius Júnior. Um bom jogo global, com notas para a participação na boa jogada do golo de Rafa e para o remate mais perigoso do Benfica, que proporcionou a Courtois mais uma boa defesa nesta eliminatória.
7 Rafa — Desta vez teve espaço para se virar para a baliza e aplicar velocidade ao jogo. Mostrou-se atrevido no drible e na tentativa de remate desde muito cedo, mantendo um jogo assertivo até final. Marcou, oportuno, o golo encarnado, dinamizou vários ataques, arrancou amarelo a Asencio, atirou uma trivela de classe à barra e logo após o 2-1 quase empatava de calcanhar.
5 Pavlidis — Jogo ingrato, em que procurou muitas vezes vir atrás, como tão bem sabe fazer, mas raramente conseguiu espaços. Cruzou para o golo de Rafa e teve um remate perigoso ao lado da baliza de Courtois. Aos 56 minutos podia ter comprometido quando quis sair a jogar à saída da própria grande área.
— Barrenechea — Entrou e chegou a tocar na bola, mas estava tudo decidido e acabado.
— Ivanovic — Ainda teve tempo para uma ou outra iniciativa insípidas.
— Sidny Cabral — Sofreu falta e bateu um livre indireto, já pode dizer que jogou no Bernabéu.
Alexandre Pereira, in a Bola
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
DOMÍNIO AVASSALADOR BEM RECOMPENSADO
Com uma brilhante exibição na totalidade do embate dos oitavos de final da UEFA Youth League, o Benfica superou o AZ Alkmaar, por 6-2, e assegurou a passagem para os quartos da prova.
Com uma exibição e um resultado igualmente categórico, a equipa Sub-19 do Benfica venceu a congénere do AZ Alkmaar, por 6-2, nos oitavos de final da UEFA Youth League. O duelo realizado nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, no Benfica Campus (Campo n.º 1), valeu o apuramento para os quartos da Liga dos Campeões jovem.
Tendo apelado à organização e à concentração dos seus comandados na antevisão do embate, Vítor Vinha escalou um onze inicial composto por Leonardo Lopes, Daniel Banjaqui, João Fonseca, Gonçalo Oliveira, Nilson Semedo, Rafael Quintas, Miguel Figueiredo, Gonçalo Moreira, Federico Coletta, Jaden Umeh e Francisco Silva.
Pela frente, os jovens benfiquistas, 2.ᵒˢ classificados da fase de liga da competição, tinham um adversário com "qualidade individual e coletiva para fazer a diferença", que havia eliminado o Glorioso na edição anterior do certame e que, na presente temporada, chegou a esta fase da prova pelo caminho dos campeões nacionais, deixando para trás o Lincoln Red Imps, o Aston Villa e o Borussia Dortmund.
A contenda não poderia ter começado melhor para as águias. Após uma defesa confortável de Leonardo Lopes face a remate exterior de Budko, o guarda-redes lançou uma boa saída de bola coletiva. No seguimento, Gonçalo Moreira abriu para Federico Coletta à direita, o qual, com um cruzamento preciso, fez a assistência para o cabeceamento certeiro de Francisco Silva (1-0). Marcador inaugurado no decorrer do 2.º minuto!
Sem abrandar, os encarnados continuaram a criar perigo, com Federico Coletta a disparar cruzado para intervenção apertada de Schipper (5') e Francisco Silva a fazer um desvio ligeiramente ao lado do poste esquerdo (6').
Assim, foi com justiça e naturalidade que o Benfica aumentou a sua vantagem. À passagem dos 20', novamente pela direita, Daniel Banjaqui cruzou tenso, e Jaden Umeh surgiu no meio a finalizar de pé direito, em vólei, colocado ao canto inferior direito da baliza (2-0).
Já depois de Leonardo Lopes se aplicar com grande categoria para sacudir uma tentativa de Kovács a partir do meio-campo (22'), os comandados de Vítor Vinha voltaram a abanar as redes. Aos 24', João Fonseca executou um excelente passe longo para Jaden Umeh, que disparou para bloqueio providencial adversário. O esférico sobrou para Francisco Silva na área, e este não perdoou de posição privilegiada (3-0). Dois golos de rajada!
Contudo, contra a corrente do jogo, o AZ Alkmaar reduziu a discrepância de grande penalidade, assinalada devido a uma dividida entre João Fonseca e Hessel de Wit na área. Chamado à cobrança, Kovács converteu o castigo máximo, no 27.º minuto (3-1).
Apesar do revés, o Glorioso não tremeu e voltou à carga, com Schipper a bloquear um remate cruzado de Rafael Quintas com uma mancha (30'), a segurar um cabeceamento de Francisco Silva (34') e a desviar um tiro de Federico Coletta para o poste (37').
Deste modo, a formação benfiquista tornou a marcar antes do descanso. À direita, Gonçalo Moreira bateu um canto para a área, a bola ressaltou e sobrou para Francisco Silva, que, oportuno, atirou a contar para completar o seu hat-trick, aos 38' (4-1).
Até ao final do 1.º tempo, Gonçalo Moreira rematou prensado em Tycho de Wit, com a bola a sair um pouco ao lado do alvo (42').
O Benfica manteve a seriedade e intensidade na 2.ª metade, e, consequentemente, continuou a criar múltiplas oportunidades: Jaden Umeh (48'), Gonçalo Moreira (51') e Federico Coletta (57') dispararam desenquadrado na área, e Schipper afastou um cruzamento/remate de Gonçalo Moreira vindo de um livre (56').
Fruto deste domínio, as águias sentenciaram o triunfo com mais 2 tentos em menos de 10 minutos. Aos 58', numa veloz arrancada pela esquerda, Jaden Umeh progrediu do meio-campo até à área e cruzou para Gonçalo Moreira, que aplicou uma cabeçada potente na bola para o 5-1.
Embora Schipper ainda tenha feito uma enorme defesa perante um remate em arco de Rafael Quintas de fora da área (61'), o guarda-redes não teve hipóteses de evitar o 6.º golo encarnado, à passagem dos 65'. Num canto à direita, Gonçalo Moreira cruzou para o centro, e João Fonseca endossou para o segundo poste, onde Miguel Figueiredo, igualmente de cabeça, emendou para o fundo da baliza (6-1).
Resultado de tamanho desnível no placar, o ritmo foi mais lento até ao fim da partida, e a ameaça seguinte verificou-se aos 74', quando Jaden Umeh atirou à entrada da área para defesa a dois tempos de Schipper. No contra-ataque deste lance, os neerlandeses diminuíram a sua desvantagem, por intermédio de Kovács, que bisou com um tiro à entrada da área (6-2).
Sereno, o coletivo vermelho e branco continuou por cima e geriu o remanescente do encontro, deixando mais duas ameaças, protagonizadas por jogadores vindos do banco: João Afonso, à direita da área, rematou por cima (76'), e Stevan Manuel, no semicírculo, fez o esférico sair muito próximo do poste direito (86').
O apito final confirmou a justíssima passagem do Benfica para os quartos de final da UEFA Youth League, fase na qual medirá forças com o Inter, na condição de visitante, no dia 17 ou 18 de março.
DECLARAÇÕES
Vítor Vinha (treinador do Benfica): "Creio que foi um jogo quase perfeito da nossa parte. Os nossos jogadores conseguiram perceber muito bem, muito rapidamente, aquilo que eram as dinâmicas ofensivas e defensivas do AZ. Estão de parabéns, fizeram um excelente jogo. Estivemos muito organizados, muito fortes. Explorámos muito bem o que tínhamos trabalhado. Marcámos 6 golos, creio que poderíamos ter marcado mais um ou outro. Sofremos 2, mas o objetivo está cumprido. Valorizámos os nossos jogadores, contribuímos para a sua formação, vencemos o jogo e estamos na próxima fase. [Campanha na prova] Tem sido um percurso excelente. Creio que com este resultado provavelmente seremos agora o melhor ataque da competição. Temos apenas uma derrota neste percurso [Chelsea, 5-2] em que o resultado podia ter sido outro. Temos feito um percurso muito meritório, jogue quem jogar. Temos utilizado diferentes jogadores. Tivemos de sacrificar aqui o [Tiago] Freitas, que tinha estado connosco, para colocar o [João] Fonseca e ajudar-nos aqui com um bocadinho mais de solidez defensiva. Têm-se revelado apostas acertadas. Temos de continuar o nosso caminho, e quando chegarmos a Milão logo teremos de decidir, pensar sobre o jogo. Até lá, ainda temos muito pela frente, temos jogos de campeonato, em diferentes competições dos nossos jogadores, e, quando lá chegarmos, havemos de pensar sobre o assunto. Mas sempre com o intuito de honrar o nosso símbolo e passar mais uma eliminatória. [Geração cheia de talento] Nestes 3 dias a mensagem foi muito clara para os nossos jogadores: nós somos a melhor formação do mundo, ou uma das melhores formações do mundo, porque temos muitos e bons jogadores, muito talento. Agora é preciso trabalhar o talento, é preciso que eles cresçam, é preciso que eles entendam o que é o jogo, o que é o futebol, subindo patamares, ou seja, a exigência de cada patamar, o que é necessário, o que é preciso, a mentalidade, sobretudo a mentalidade, o que é o nosso clube, aquilo que vão encontrar no mais alto patamar, que é a nossa equipa principal, se lá chegarem. O que é jogar no Estádio de Luz, ter a exigência dos nossos adeptos em grande número, e, portanto, é para isso que trabalhamos. Tentamos que eles se preparem ao máximo, mas hoje deram uma grande demonstração de que estamos no caminho certo com eles. Portanto, estão de parabéns."
SL Benfica
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