sábado, 16 de fevereiro de 2019

"SÓ A MACACADA NÃO PERDE DESCULPA"


Em Portugal só a macacada não pede desculpa. Pede desculpa Bruno de Carvalho a Carlos Barbosa, pede desculpa Jorge Andrade a João Félix. pede desculpa José Nuno Martins a Jorge Andrade. Matéria não tem faltado, de facto, para tanto arrependimento. Mas a macacada, não, a macacada não pede desculpa a ninguém.
As desculpas, por norma, aceitam-se. Uma pessoa ofende uma outra pessoa ou instituição num qualquer momento de desvario e, caindo em si. acabará sempre por pedir desculpa a quem ofendeu. Rezam as crónicas, por exemplo, que João Félix aceitou o pedido de desculpa de Jorge Andrade. João Félix, enquanto jogar em Portugal, vai continuar a levar pancada à farta e a rebolar por todos os campos do país enquanto Jorge Andrade, para seu desgosto, nunca mais se verá livre da fama de ter sido ele a fornecer a ideia. No entanto, mais importante do que tudo isso, é que ambos são gente de boa índole. Conclusão feliz? Sim, felicíssima para os parâmetros do nosso futebol faltando apenas conhecera opinião da RTP sobre o incidente produzido, proferido e difundido a coberto das suas instalações estatais.


No campeonato das ofensas existe, como não podia deixar de acontecer, uma tabela classificativa. Haverá até ofensas que se podem classificar como indesculpáveis e são essas, justamente, as que ocupamos fundos da tabela. Outras serão justamente classificadas como injustas ou infantis ou despropositadas ou infelizes ou inócuas ou vulgares ou (e estas são as mais raras) inteligentes.
No campeonato das ofensas, as piores, na minha opinião, são as que se podem classificar liminarmente de estúpidas. Tão estúpidas que até o ofendido ou os ofendidos as agradecem pelo seu grau de contraproducência. Temos como exemplo claro, claríssimo, de uma ofensa estúpida e contraproducente aquele ‘pasodoble’ com que a instalação sonora do Estádio da Luz brindou a equipa do FC Porto no momento em que saia de campo derrotada do encontro da 7ª jornada do campeonato corrente. A reação portista ao toureio insultuoso levado da Luz produziu uma série consecutiva de 18 jogos-18 vitória – que catapultou a equipa de Conceição para urna liderança confortável na Liga e ainda que, nos últimos tempos, o nível desse conforto tenha diminuído um bocadinho, apenas um bocadinho, a estupidez fez-se pagar bem cara.
Nesta semana houve dois dérbis. O balanço que o Benfica deve fazer desses jogos implica pragmatismo e um exercício urgente de modéstia porque se, para a Liga, o Benfica saiu de Alvalade apenas com uma certeza (se chegar ao fim da prova com o mesmo número de pontos do que o Sporting terá vantagem porque empatou como rival na 1ª volta e ganhou-lhe na 2ª volta) já para a Taça de Portugal, jogada a 1ª mão da meia-final na Luz o Benfica tem apenas por certo que uma vantagem tangencial com um golo sofrido em casa não é nada de especialmente invejável o resto é trabalho.
Leonor Pinhão

O RISCO


"Sim, correu bem e, nesse sentido, pode Bruno Lage puxar dos galões; e se tivesse corrido mal? Como explicar tanta mexida?

Arriscou Bruno Lage muito, ontem, na Turquia, ao escolher um onze cheio de jovens para este regresso do Benfica à Europa depois do insucesso na Liga dos Campeões? Sim, arriscou. Foi uma espécie de jogador de casino, disposto a jogar na fé e na sorte. Arriscou demasiado? Na minha opinião, sim, arriscou demasiado. Mas ganhou. E pode, por isso, puxar os galões.
Bruno Lage não se ficou, afinal, apenas pela surpresa de deixar em Lisboa os titulares Grimaldo e Pizzi e o regressado e muito talentoso Jonas. Se alguém, como eu, supôs que o risco de Lage se ficasse por aí, espanto maior foi ver o onze escolhido pelo treinador dos encarnados: aos jovens Rúben Dias (21 anos), Ferro (21 anos) e João Félix (19 anos), todos previsivelmente titulares, Bruno Lage resolveu juntar ainda de uma só vez mais os jovens Yuri Ribeiro (22 anos), Gedson (20 anos) e Florentino Luís (19 anos).
Uma autêntica equipa de bebés que jogou, lutou e foi feliz e que acaba por trazer para Lisboa não apenas uma surpreendente e fantástica vitória (nos tempos que correm, é sempre fantástica uma vitória europeia fora de casa), como ainda uma vitória que não pode deixar de ser considerada extraordinária tendo em conta o terreno onde foi obtida, o sempre dificílimo campo do Galatasaray mais o seu ambiente muito hostil para os adversários.
Mas se tivesse corrido mal? Como explicaria Bruno Lage a quantidade de surpreendentes opções que fez e o surpreendente número de jovens que decidiu, sem qualquer motivo aparente, incluir no onze?
Pode o treinador do Benfica falar, como falou no final do jogo, de gestão do plantel, de fadiga muscular, de não querer, nesta altura, perder mais jogadores para as leões e, portanto, ter considerado melhor optar por jogadores muito menos rodados - muitíssimo menos rodados a este nível, é uma realidade, como Corcia, Yuri Ribeiro, Florentino Luís ou até mesmo Franco Cervi e Salvio.
Mas foi ou não foi um grande risco prescindir, de uma assentada, de seis mais habituais titulares?
E, já agora, têm Samaris e Gabriel assim tantos jogos nas pernas que não justificassem continuar a dar no onze da águia a boa resposta que têm vindo a dar desde que Lage chegou ao comando da equipa? Era preciso, ao mesmo tempo, mudar os dois laterais - depois de deixar Grimaldo em casa, o treinador dos encarnados também deixou André Almeida no banco?
Como se diz atrás, Lage não se limitou a deixar em Lisboa os titularíssimos Grimaldo e Pizzi, mais um Jonas que é só o melhor jogador da equipa e acaba de regressar à competição. Fez muito mais. Fez um onze para a equipa principal do Benfica que não há muito tempo parecia sempre muito mais um onze da equipa B do Benfica do que a equipa A.

Não sei - sem qualquer ironia - se o que Bruno Lage fez ontem na Turquia foi também para agradar ao presidente do clube, fanático da ideia de que um Benfica made in Seixal será mais do que suficiente para ter sucesso em Portugal e na Europa. O que sei, volto a sublinhar, é que ao deixar também de fora do onze jogadores como André Almeida, Samaris e Gabriel, o treinador das águias fez o que provavelmente nenhum outro treinador teria feito, chamem-lhe a isso coragem, ousadia ou simplesmente... um disparatado risco.
Sim, Lage ganhou a aposta que fez. E, nesse sentido, não valerá a pena bater mais no ceguinho ou especular sobre o que poderia ter acontecido se a coisa lhe tivesse corrido para o torto.
Creio que deverá, no entanto, Bruno Lage reconhecer que apostou muito alto. E, especulando ou não, com mais ou menos subjectividade, a verdade é que não tivesse sido aquele punhado de boas (e uma ou duas fantásticas) defesas de Vlachodimos e o Benfica talvez não estivesse realmente a esta hora a celebrar ter vencido pela primeira vez na Turquia com seis jogadores da formação do clube no onze.
Foi um Benfica tão jovem que a exibição não podia deixar - era quase uma inevitabilidade - de o reflectir. Teve a equipa coisas realmente muito boas - irreverência, espírito colectivo, genica, intensidade, compromisso, agressividade ofensiva mas também coisas más: mais frequentes perdas de bola do que seria esperado, irregularidade defensiva e, sobretudo, pouca posse de bola, muito em resultado da previsível inexperiência.
Foi o Benfica, nalguns momentos, ao mesmo tempo uma equipa criativa e a procurar jogar rápido e igualmente imatura no modo como nem sempre conseguir ter controlo sobre o jogo; repito, não fosse aquele conjunto de defesas de Vlachodimos, duas delas, que me recorde, absolutamente fantásticas, e poderia o regresso da águia a Lisboa ter sido difícil de digerir.
É verdade que também não está este Galatasaray tão forte como no passado e, nesse sentido, também isso contribuiu de algum modo para a feliz noite dos encarnados na Turquia. Em todo o caso, o que fica para a história é, queira-se ou não, o sucesso num jogo difícil de uma equipa do Benfica que certamente não deixará de surpreender a Europa pela quantidade de jogadores com menos de 22 anos no onze que iniciou o jogo e, sobretudo, pela quantidade de jogadores (nada menos de seis, sublinhe-se) da formação do clube. E ainda mais Jota, que estava (e ficou) no banco, e vai ter de continuar a esperar pelo momento, sempre assinalável, de se estrear na principal equipa das águias.

 o Sporting de Keizer continua a sua peregrinação em busca de voltar ao plano que viveu até ao final do ano, no primeiro mês e meio, sensivelmente, de orientação do treinador holandês.
A derrota de ontem, em casa, diante dos espanhóis - a terceira nos últimos cinco jogos - já quase pode diluir por completo o impacto do sucesso que a equipa teve (porque teve) na Taça da Liga, na parte final do último mês de Janeiro, há, portanto, apenas três semanas.
Os sportinguistas estarão zangados e com total razão e o risco é sempre o mesmo: o de verem a insatisfação transformar-se em descrença, desânimo e desilusão.
E esses são muitas vezes sentimentos que arrastam perigosamente as equipas e as impedem de recuperar com maior rapidez. Parece o caso do Sporting, cujo estado de espírito parece, agora, demasiadamente abalado para que o futebol da equipa possa exibir a alegria que já exibiu com este mesmo treinador.
O Sporting de Keizer parece realmente uma equipa a viver o conflito entre o que quer e o que pode. Parece uma equipa desconfiada de si própria e das próprias capacidades e que naturalmente acaba por se entregar mais facilmente à frustração à medida que acumula insucessos.
Mesmo quando parece ter ainda alguma alma o leão mostra não ter cabeça, como foi o caso da exibição de ontem, frente a um Villarreal que está, na Liga espanhola, verdadeiramente pelas ruas da amargura.
Mesmo considerando mais ou menos certas ou mais ou menos erradas algumas opções que Marcel Keizar tem vindo a fazer nos últimos tempos, a verdade é que todos reconhecerão com maior ou menos facilidade que o Sporting não tem, na verdade, um plantel à altura dos desafios que deve enfrentar, em Portugal e na Europa.
Claro que podem discutir-se, sublinho, algumas das decisões do treinador, claro que pode analisar-se com mais profundidade o rendimento deste ou daquele jogador. Mas, infelizmente para o Sporting, serão sempre os resultados a ditar a circunstância e o modo como se avalia trabalho de treinadores e equipas.
E depois do que sucedeu ontem, qualquer mau resultado, este domingo, com o Sporting de Braga (e um empate já será um mau resultado para os sportinguistas), num jogo que inevitavelmente será jogado num clima de excepcional intensidade, poderá colocar Keizer e jogadores num plano de incontornável desespero emocional.


Não sei, com toda a sinceridade, se o Sporting, interna e externamente, estará devidamente preparado para o viver!



Consegui, por seu lado, o FC Porto um animador resultado em Roma, que lhe confere, pelo menos, o direito de sonhar com uma fantástica qualificação para os quartos de final da Champions. E sonha, ironia das ironias, graças, muito em especial, ao desempenho de um jogador já tantas vezes dado como definitivamente acabado no universo portista, e cuja contratação o próprio presidente dos portistas qualificou de «péssimo negócio... a não repetir», quando à contratação do espanhol se referiu, em detalhe, numa entrevista dada... em 2016!
Pois foi esse Adrian Lopez, que custou uma pequena fortuna e, como se compreende, muito custou ao FC Porto pagar, que esta semana reacendeu ao FC Porto a chama destes oitavos de final e que pode valer mais de 10 milhões em caso de passagem aos quartos de final.
O futebol é isto mesmo!"

João Bonzinho, in A Bola

OBS: Grande azia a do Bonzinho..

AGORA A CABEÇA VALE MAIS


"Estamos a finalizar o segundo terço das competições, momento em que já se consegue perceber melhor as tendências mais marcantes de uma competição. A pressão aumenta para todos, alguns colocam em causa o processo quando se perde, as dúvidas são muitas, o equilíbrio emocional de todos é decisivo para atingir os objectivos. E quando digo todos, são mesmo todos. Dos jogadores ao responsável pela rouparia, do departamento médico ao presidente. Se existe ruído, entenda-se não acreditar que se atinge o que se pretende, esse efeito rapidamente passa para muitos mais elementos do grupo. A cabeça vale mais nestas alturas do que tudo o resto. É preciso ganhar, mas por vezes isso não acontece. Nesses momentos todos têm que ser solidários, contudo, normalmente isso não acontece. Há sempre quem aponte o dedo a seguir o esconda. Só que já cometeu o erro. O grupo parte-se. Isto é o que os treinadores não devem permitir, quando lhes é permitido. O normal é serem eles considerados culpados. São afastados. Contrata-se outro. Volta-se a ganhar e a escolha foi acertada. Perde-se, e repete-se o processo. Como por vezes brincava com os nossos jogadores, tudo tratado nada resolvido. Um círculo vicioso que só é vencido com vitórias. Todos as querem, mas poucos as conseguem. A equipa está mais defendida quando os seus membros, nomeadamente os jogadores, têm uma cultura de clube que lhes permite atingir o que muitos não vêem nem sentem. Nesta fase, a que define em definitivo os objectivos, não basta talento ou capacidade física. É necessário que os líderes tenham capacidade para assumir o jogo. Dentro e fora do campo. Na vitória e no insucesso. Todos têm um grande desafio. Os que jogam para ser campeões e os que lutam pela manutenção. Todos têm que manter a cabeça no lugar para aumentarem as possibilidades de sucesso. Quem falhar está a favorecer o adversário. São 3 meses duros. Por vezes nunca mais acabam."

José Couceiro, in A Bola

PRIMEIRAS PÁGINAS


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

THE BOYS FROM SEIXAL BRILHAM NA VITÓRIA DO BENFICA


"Foi um Benfica em versão Youth League que saiu vitorioso do terreno do Galatasaray na 1ª mão dos 16 avos de final da Liga Europa. O avançado suíço continua a dar cartas improváveis e fez o 16º golo da época, enquanto o regressado Salvio esteve ao nível habitual dos últimos tempos: golo e lesão. Tentos de uma vitória por 2-1 que coloca os encarnados com pé e meio na fase seguinte

Um, dois, três, quatro, cinco, seis. É a conta que Lage fez (com a dívida licença artística de um bom provérbio) e que vai fazendo com os meninos do Seixal, que continuam a jogar como se estivessem no centro de treinos enquanto se estreiam nas competições europeias. Sem desprimor pela margem sul, claro. Seis produtos da formação e seis alterações na equipa do Benfica que manteve o estado de graça e somou mais uma vitória na era do antigo técnico dos Bês. Sem goleada, desta feita, mas com um marcador de 2-1 na casa do Galatasaray que dá aos encarnados o primeiro triunfo na Turquia.
Os números são como o algodão, não enganam e mostram bem o que tem sido o percurso recente do Benfica.16 golos marcados nos últimos três jogos a que se juntam os dois averbados esta noite no Ali Sami Yen, que deixam as portas dos oitavos de final escancaradas e que são mais uma prova de força de uma equipa que nem precisou de jogar a alta rotação frente a um adversário sempre complicado. 
Sim, é sempre muito repetido que jogar na Turquia é complicado, com as equipas adversárias a terem que enfrentar ambientes infernais e adeptos fervorosos por detrás de clubes que vendem cara a derrota. E é repetido pela simples razão que é verdade, como o comprovam os sete jogos que os encarnados já tinham feito no país sem uma vitória. Estatística, mais uma, que Bruno Lage encarregou-se de superar.
Com um onze que pareceu sempre relativamente à vontade em campo, apesar dos naturais períodos de pressão turca. Com Gedson e Florentino (em estreia nas competições europeias) a fazer o duo do meio-campo, o Benfica começou dividir as operações com o Galatasaray, sem que nenhuma equipa tivesse claro ascendente de jogo.
Caberia aos homens da casa a primeira (meia) oportunidade da partida, com Vlachodimos a afastar uma bola perigosa dentro da grande área aos 18 minutos e, logo a seguir, Onyekuru a rematar ao lado após cruzamento do lado ocupado pelo também estreante Yuri Ribeiro. O lateral made in Seixal esteve no pior e no melhor do Benfica, ao acusar algumas dificuldades defensivas mas também a somar uma ou outra incursão interessante pelo meio-campo adversário. Numa delas, esteve mesmo na origem do primeiro golo do jogo. Dos seus pés saiu uma bola para a área que acabou no braço de Marcão (a quem havemos de voltar, para seu infortúnio) e depois na marca da grande penalidade. Aí coube ao regressado Salvio a responsabilidade, com o argentino a não acusar a pressão e a a colocar os encarnados em vantagem aos 27 minutos de jogo.
O tento surgiu numa fase de maior ascendente dos turcos, que acusaram a desvantagem e permitiram ao Benfica um controlo mais efetivo da partida, com algumas transições falhadas que podiam ter dado mais perigo. Nesse campo Salvio (apesar do golo) e Cervi foram de menos para as intenções encarnadas que ainda assim não saíram goradas com a vantagem garantida para a segunda parte. 

Perdido entre Chaves e Istambul
Os segundos 45 minutos trouxeram um Galatasaray com vontade renovada e a criar mais perigo junto da defensiva encarnada. Belhanda e Feghouli não davam descanso, sobretudo o último, muitas vezes no raio de acção e a incomodar Yuri Ribeiro. Foi por isso sem surpresa que o empate foi restabelecido aos 54 minutos, com Luyindama a saltar sem a devida oposição do muito em jogo Yuri e a dar nova esperança aos adeptos turcos.
Assalto turco que acabou por não se intensificar da forma esperada, até porque uma mudança forçada operada por Bruno Lage pouco antes do golo do Galatasaray acabou por ser benéfica a longo prazo para o jogo encarnado. Salvio lesionou-se, a braçadeira passou para Rúben Dias (capitão em todos os escalões do futebol do Benfica) e para o seu lugar entrou Gabriel, que ajudou a controlar o jogo na fase mais complicada. Com a boa fortuna do golo da vitória ter surgido não muito depois, quando pouco o fazia prever.
Foi dos pés do novo capitão que saiu o lançamento longo para a corrida de Seferovic, que aproveitou nova falha de Marcão para se isolar e rematar sem hipóteses para o fundo das redes aos 64 minutos. Entre Chaves e Istambul, o antigo atleta do Desportivo ainda estava perdido nas marcações e contribuiu para um golpe nas aspirações da sua equipa que acabou por revelar-se decisivo. 
Galatasaray que, sem grande convicção, ainda foi à procura pelo menos do golo do empate, que Vlachodimos fez questão de impedir, com uma grande intervenção, aquele que seria o bis de Luyindama aos 85 minutos. Não mais se mexeu o marcador que acabou com uma vantagem de 2-1 para o Benfica e um pé e meio nos oitavos de final da Liga Europa. Com o contributo cada vez mais presente dos Boys from Seixal."

RUMO CERTO


"A primeira vitória em solo turco teve impacto na Europa do futebol pela ‘Primavera Encarnada’. Ainda mal o jogo de Istambul tinha terminado e já a prestigiada ‘Marca’, em Espanha, baptizava a proeza que tinha acabado de acontecer: “El Baby Benfica se lleva el ‘duelo de Champions’ ante el Galatasaray”.
Não se tratou apenas de vencer. Mais do que ganhar, desta vez, foi como se ganhou. Com uma equipa inicial com 22 anos (!) de média de idade (e com 6 jogadores da formação) a superar o campeão da Turquia no seu próprio estádio. Um importante passo para se chegar à eliminatória seguinte da Liga Europa, mas com a consciência de que foi apenas... um passo. E com a certeza de que as grandes caminhadas se fazem com muitos passos.
Ontem provou-se que o rumo e a estratégia definida de aposta na formação tem todo o sentido: estreia de mais 3 jogadores como titulares em competições da UEFA (Ferro, Yuri Ribeiro e Florentino), num jogo em que Rúben Dias terminou a noite com a braçadeira de capitão… aos 21 anos!
Os reforços de inverno, como se comprova, estavam mesmo no Seixal e fazem parte de um plantel onde – sem excepção – todos contam e onde a conciliação entre juventude e experiência é o factor-chave.
Na próxima segunda-feira, na Vila das Aves, é tempo de regresso ao campeonato nacional. Lá iremos ter, com toda a certeza, o apoio inexcedível da onda vermelha, num jogo de grande dificuldade – e importância – para o caminho que, juntos, queremos percorrer. Porque todas as reconquistas se fazem de mãos dadas!"

SEFEROVIC, PORQUE NÃO HÁ DÚVIDA QUE O FUTEBOL SE JOGA COM A CABEÇA


"O avançado suíço tem sido decisivo no bom momento do Benfica

Quem viu Seferovic conquistar metros a Marcão, para depois ganhar na luta de corpo e atirar com classe ao ângulo da baliza do Galatasaray, deve ter tido dificuldades em lembrar-se do que era este mesmo jogador há coisa de um ano.
O avançado suíço deu uma volta completa no destino, para se apresentar agora em grande momento. Confiante, autoritário, criativo e ligeirinho.
Seferovic corre, recupera bolas, tabela, toca de calcanhar, assiste e faz golos. Muitos golos.
Por alguma razão, aliás, é nesta altura o jogador com mais golos marcados no campeonato em 2019, entre todos os jogadores que actuam na Europa.
De dispensado a indispensável, portanto, foi uma questão de meses. E jogos, e minutos. Bastou-lhe afinal ter alguma continuidade, fazer o primeiro golo, e o segundo e o terceiro, para virar a cabeça do avesso. Hoje acredita que pode tudo, e acreditando fica mais perto de o poder.
Seferovic é, no fim de contas, a melhor prova que existe neste momento no futebol português de que o futebol é um desporto que se joga na cabeça dos jogadores: se eles confiarem que sim, mas confiarem mesmo cegamente que sim, então muito provavelmente vão tornar-se decisivos.
Como está a ser o suíço.
É naturalmente mais fácil, claro, fazer tudo isto numa equipa que está a jogar bem e vive, também ela, muito confiante. Como é o caso do Benfica. Mas boa parte do momento fulgurante da formação encarnada deve-se ao contributo do ponta de lança.
É certo que agora já há Jonas, mas a verdade é que Seferovic não corre: voa. Nas nuvens."

10.0


"Os mesmos que se riram do sketch dos Gato Fedorento em que Ricardo Araújo Pereira, na pele de um adepto, diz que o Benfica vai ganhar 15-0 são agora aqueles que estão escandalizados com o 10-0 do último fim-de-semana.
Desde quando é que se critica a equipa que alcança este volume de golos?
Se o Benfica em 14 remates à baliza fez 10 golos, ia fazer o quê? Pedir para descontar metade dos golos?
O que esperavam os vigilantes da moral e dos bons costumes que acontecesse quando um jogador surgia em boa posição para fazer golo: que desse meia volta e jogasse para trás?
Ridículo.
Não vi no jogo do Estádio da Luz um propósito passível de humilhar o adversário nem nada que se pareça. O que vejo, isso sim, é que há gente a falar de futebol sem nunca ter conhecido o jogo, nem sequer ter praticado desporto.
O que aconteceu foi que a uns tudo correu bem e os outros naquele dia tudo correu mal: foi um daqueles finais de tarde em que não deviam ter saído de casa.
Agora não duvidem do profissionalismo e das intenções de uns e outros. Porque o que se viu neste Benfica-Nacional no futebol. Apenas futebol.
Ponto final, parágrafo."

PRIMEIRAS PÁGINAS: MIÚDOS À SOLTA EM ISTAMBUL


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

UM AZAR DO KRALJ


Galatasaray-Benfica? Não. Um Azar do Kralj tem outras coisas importantes em mente: qual é a cláusula de rescisão de Bruno Lage?
O Benfica venceu pela primeira vez na Turquia, com seis jogadores formados no Seixal em campo, e Vasco Mendonça ficou encantado.
Vlachodimos
Grande defesa aos 85 minutos. Foi o irmão mais velho de que os meninos do Seixal precisavam naquela final de tarde em Istambul.

Corchia
Boa exibição do lateral que, tal como os restantes reabilitados de Bruno Lage, aparenta ser muito melhor do que nos pareceu até há 1 mês e pouco. É um tema delicado que justifica a marcação de um Prós e Contras para debater quem deve ser titular no próximo jogo, se Corchia ou Puskas.
Rúben Dias
Imperial e justamente premiado por isso. Há quem queira ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Rúben Dias quer arrancar umas pernas a adversários e ser capitão do Benfica. Tal como tudo o que o miúdo conseguiu até aqui, também hoje o momento pareceu chegar subitamente, porque temos sido mal habituados a esperar demasiado.
Ferro
Ainda há 2 semanas parecia o mais tenrinho do quarteto defensivo e hoje foi vê-lo limpar o centro da defesa como quem manda nisto tudo. Em suma, mais um que dará a vida por Bruno Lage. Ao contrário do que vemos nos filmes, em que o protagonismo cabe geralmente a uma mulher mais experiente, seja um quarentão de Setúbal a transformar estes miúdos em homens.
Yuri Ribeiro
Agora mais a sério, talvez devêssemos considerar um número limite de jogadores do Seixal no onze. Ou qualquer coisa assim.
Florentino
Obrigado por tudo, Ljubomir. Felicidades na próxima etapa da tua carreira.
Gedson
Bom regresso ao onze, primeiro a fazer de Gabriel e depois a fazer de Pizzi, com um ou outro erro de Gedson. Como qualquer miúdo da sua idade, Gedson podia optar pelo caminho fácil e revoltar-se contra a figura paternal de Bruno Lage, mas não.
Salvio
"Até estava a jogar bem, marcou um golo, e depois lesionou-se" - um dia será este o título da biografia de Salvio.
Cervi
Nunca o desespero foi tão bem representado num pé esquerdo.
João Félix
Até os turcos já sabem qual o antídoto. Exibição fustigada por sucessivas caneladas de adversários invejosos. Deixem o nosso menino jogar. É para isso que os adeptos pagam bilhete, incluindo os da equipa adversária.
Seferovic
Se eu volto a ouvir alguém chamar cepo a Seferovic, acho que dou cabo da minha vida.
Gabriel
Apesar de alguns passes menos acertados, continua a mostrar que tem tudo para se tornar BFF de Florentino num futuro muito próximo.
Krovinovic
Entrou para o lugar de Cervi. Fez a média de idades da equipa descer para 22 anos e a tensão arterial de quem viu jogar Cervi descer para 12.
Samaris
Falemos de coisas importantes: qual é a cláusula de rescisão de Bruno Lage?

Um Azar do Kralj