quinta-feira, 19 de março de 2026

BENFICA ENTRE PENSAMENTOS, PALAVRAS, ATOS E OMISSÕES

 


O discurso de Rui Costa com Pedro Proença na plateia pode ser interpretado como afronta simbólica ao poder que o Benfica contesta. Mas só palavras serão insuficientes para que exista mudança

A cerimónia de atribuição dos galardões Cosme Damião, no âmbito das celebrações do 122.º aniversário do Benfica, mesmo tendo passado entre os intervalos da chuva, sobretudo depois da qualificação do Sporting para os quartos de final da Liga dos Campeões, deveria justificar uma reflexão que poucos irão ou estarão interessados em fazer.
O presidente do Benfica convidou o presidente da Federação Portuguesa de Futebol à festa para lhe dizer que o maior clube português não aceita o que se está a passar no futebol português. Voltou à Taça de Portugal que, no entender dele, «tiraram» ao Benfica, protestou com o «exemplo gritante», sem especificar, que se passou em Arouca, considerou inqualificável o castigo de Mourinho «por factos que, reconhecidamente, não aconteceram», exigiu respeito e considerou imperativo «lutar com as mesmas armas dos rivais».
Mais do que palavras vãs ou profundas, consoante a interpretação ou gosto de cada um, o discurso de Rui Costa, com Pedro Proença na plateia, pode ser interpretado como uma afronta simbólica ao poder que o Benfica contesta. Isso, em si, não é pouco, nem deveria ser ignorado. Mas, na perspectiva do Benfica, que reclama mudanças, não se pode esgotar no fim da noite em que se entregam prémios.
Rui Costa não terá feito um ato de contrição sobre os erros ou pecados da presidência, embora tenha afirmado que não fugirá da responsabilidade, referindo-se à equipa de futebol, cuja época estará pouco melhor que perdida. Não sabemos, na verdade, o que assumir a responsabilidade significa, mas já será mais fácil adivinhar os pensamentos daqueles que gostam do Benfica e veem a equipa apenas a lutar pelo segundo lugar.
Num momento de dificuldade desportiva e que poderá ter consequências financeiras graves, caso a equipa não participe na próxima edição da Liga dos Campeões, num momento que poderá ser de viragem, com a construção do Benfica District, faltam mais palavras de Rui Costa, ou seja, mais explicações.
Não tenho dúvidas de que o presidente do Benfica só tem a ganhar se esclarecer dúvidas ou contestar críticas, se falar de futebol, do treinador, de jogadores, de árbitros ou presidentes, de golos ou falhanços. Não foi assim que ganhou as eleições?
O desconhecimento daquilo que está a ser feito, para contrariar ou mudar o que entende estar mal no futebol português, e a falta justificações para algumas opções que não são compreendidas são terreno fértil para fazer germinar os piores sentimentos, a contestação e até as teorias da conspiração.
Quanto menor for o espaço para omissões, por outro lado, mais bem preparada estará qualquer Direção para enfrentar os desafios. E, no entanto, as omissões a que assistimos estão longe de poderem ser interpretadas como desafio, insubmissão ou confrontação ao status quo que se pretende mudar, como sinais de tranquilidade, estabilidade, firmeza ou solidez.
O Benfica precisa, ainda, de atos. E já agora que todos, especialmente sócios e adeptos, possam compreender. Já escrevi várias vezes que somos mais aquilo que fazemos do que aquilo que dizemos. O Benfica será também mais aquilo que fizer.
Nuno Paralvas, in a Bola

MARCEL REGULA INTERESSA AO BENFICA! CONFIRMADO PELO PRÓPRIO PRESIDENTE!

                

Modalidades Benfica | EP.176

                

Paddock Club - Antonelli à altura de Russell na luta pelo título?

                 

TRAJETO FIRME RUMO AO JAMOR



Com um resultado agregado de 5-1 ante o SC Braga nas meias-finais, o Benfica selou a passagem para a final da Taça de Portugal.
Após vencer a 1.ª mão por 0-1, o Benfica voltou a levar a melhor sobre o SC Braga, por 4-1, e garantiu a presença na final da Taça de Portugal. A partida da 2.ª mão das meias-finais da prova-rainha realizou-se nesta quarta-feira, 18 de março, no Benfica Campus.
Encarando o desafio "com o máximo de seriedade" – ideia transmitida na antevisão do confronto –, Ivan Baptista escalou um onze inicial composto por Lena Pauels, Marit Lund, Nycole Raysla, Caroline Møller, Lúcia Alves, Carole Costa, Diana Silva, Catarina Amado, Pauleta, Diana Gomes e Anna Gasper.
No primeiro remate da contenda, concretizou-se o 0-1. Logo no 3.º minuto, ainda no círculo do meio-campo, Malu Schmidt encheu o pé e executou um impressionante chapéu a Lena Pauels, empatando a eliminatória (1-1).
Apesar da contrariedade madrugadora, as águias reagiram bem. Aos 6', na área, Nycole Raysla disparou à malha lateral, e, aos 9', num canto, Maria Miller cortou um desvio de Caroline Møller em cima da linha.




Embora as encarnadas dominassem, as bracarenses conseguiram ripostar numa transição. No minuto 12, Malu Schmidt fugiu pela esquerda e, já na área, a meias com Carole Costa, atirou ligeiramente ao lado.
Continuando a pressionar em busca da reviravolta, Diana Silva fez um cruzamento/remate de fora da área para defesa de Patrícia Morais (13'), Nycole Raysla viu a sua tentativa prometedora na área ser bloqueada por Inês Maia (16'), e Catarina Amado, à direita da área, rematou a rasar o poste direito (22').
Após tamanha insistência, o golo surgiu, com justiça, à passagem do minuto 26. À direita, Lúcia Alves encontrou Anna Gasper na área, a qual picou para o centro, onde Nycole Raysla, de costas para a baliza e sob pressão, conseguiu controlar, rodar e finalizar de forma colocada (1-1). As Inspiradoras recolocavam-se em vantagem nas meias-finais.
Na resposta, volvidos 3 minutos (29'), Malu Schmidt apareceu na quina da pequena área, mas errou o alvo.
De seguida, o duelo afastou-se das balizas, e, até ao descanso, só Lúcia Alves é que tornou a criar perigo, já no tempo de compensação (45'+4'), com um tiro potente e cruzado para defesa apertada de Patrícia Morais.
Com uma entrada a todo o gás na etapa complementar, as comandadas de Ivan Baptista sentenciaram a passagem para a final da prova-rainha. Aos 49', num canto à esquerda, Marit Lund colocou na área, a defesa visitante bloqueou um disparo de Caroline Møller, e a bola sobrou para Diana Silva, que, de posição privilegiada, completou a cambalhota no marcador (2-1).
Na sequência de mais duas ameaças – remate de Diana Silva na pequena área intercetado por Inês Maia (59'), e tentativa longínqua de Pauleta por cima da trave (60') –, as benfiquistas apontaram um par de tentos de rajada.
No 61.º minuto, lançada à direita por Lúcia Alves, Diana Silva cruzou para o coração da área, onde Caroline Møller cabeceou em força ao canto inferior esquerdo para o 3-1.
Já depois de Lúcia Alves também ter tentado a sua sorte do meio-campo – Patrícia Morais segurou a dois tempos (63') –, Catarina Amado tabelou com a camisola 13 à direita, entrou na área e, de ângulo reduzido, fez a bola sobrevoar a guarda-redes e aninhar-se no fundo das redes. Grande execução a fixar o resultado final em 4-1, aos 67'.
Com o vencedor da eliminatória praticamente definido, o ritmo de jogo diminuiu, mas o Glorioso ainda ficou perto de dilatar o desnível, nomeadamente aos 80', quando Anna Gasper correspondeu a um cruzamento de Nycole Raysla vindo da esquerda com um desvio para a barra.
Para além deste lance, Lúcia Alves (85') e Ana Clara Oliveira (90'+2'), sob forte pressão adversária, remataram para intervenções de Patrícia Morais, e, do lado minhoto, Cris Vieira finalizou ao lado (90'+2'), e Maria Alagoa, de longe, testou a atenção de Lena Pauels, que amarrou o esférico (90'+5').
Com o bilhete para o Jamor assegurado – onde vai encontrar o FC Porto –, o Benfica volta a entrar em ação já às 11h00 de domingo, 22 de março, na Madeira, visitando o Estádio da Imaculada Conceição, casa do Marítimo, num encontro da 14.ª jornada da Liga BPI.




DECLARAÇÕES
Ivan Baptista (treinador do Benfica): "Fica o caráter. Não é fácil, depois de termos feito 90 minutos em Braga, trazermos uma vantagem que era uma vantagem importante, mas que era muito marginal. Sofremos um golo aqui – da forma como foi – logo no 1.º minuto. O caráter que a equipa demonstrou foi o que nos valeu. Foi uma equipa que dominou o jogo de início a fim. Ficou 4-1, teria ficado um resultado bem mais dilatado. Também não espelha aquilo que é a qualidade do nosso adversário: é uma equipa positiva, que gosta de jogar bem futebol. Hoje o Benfica foi simplesmente melhor. Foi melhor e tem sido melhor em toda esta prova. Foi o primeiro jogo em casa que fizemos na Taça de Portugal. Precisamente o último jogo antes de conseguirmos chegar à final. Isso demonstra muito aquilo que foram as dificuldades que fomos encontrando nesta prova. Assumimos naturalmente o favoritismo, assumimos naturalmente que tínhamos de dominar este jogo, embora tivéssemos essa vantagem e essa margem muito pequena no início do jogo. Fica o caráter de uma equipa vencedora, que quer muito conquistar esta prova e demonstrou hoje, mais uma vez, a qualidade que tem. Vamos agora novamente focar naquilo que é o principal objetivo da época: o Campeonato."

SL Benfica 

quarta-feira, 18 de março de 2026

QUINTA FINAL FOUR CONFIRMADA



O Benfica está na final four da UEFA Youth League pela 5.ª vez! Depois de 2013/14, 2016/17, 2019/20 e 2021/22 – ocasião em que conquistaram a prova –, os encarnados voltam a marcar presença nesta fase, em que têm a companhia de PSG, Real Madrid e Club Brugge, com este último a ser o adversário da meia-final, no dia 17 de abril. Nos quartos de final, a formação orientada por Vítor Vinha venceu o Inter de Milão, por 2-3.
Para chegar ao triunfo no duelo desta quarta-feira, 18 de março, no Youth Development Training Center, o treinador encarnado escalou um onze composto por Diogo Ferreira, Daniel Banjaqui, Rui Silva, Gonçalo Oliveira, José Neto, Rafael Quintas, Federico Coletta, Miguel Figueiredo, Anísio Cabral, Tiago Freitas e Jaden Umeh. Gonçalo Moreira, o melhor marcador benfiquista na prova (9 golos), ficou de fora, devido a castigo.
Foram precisos 17 minutos para chegar o primeiro momento de frisson no desafio. No meio da rua, de forma inesperada, o central Rui Silva encheu o pé e atirou forte e colocado, valendo ao Inter uma enorme defesa de Alain Taho.
Mas, aos 26', a bola entrou mesmo. Numa jogada de insistência, na direita, Daniel Banjaqui tirou um cruzamento milimétrico para a cabeça do italiano Federico Coletta, que só teve de encostar para o fundo das redes, inaugurando o marcador no seu país natal (0-1, aos 26')!
Na resposta, Mosconi surgiu pela direita, e rematou ligeiramente ao lado, com o esférico ainda a resvalar no ferro (28').
O 0-2 esteve perto de aparecer em Milão, corria o minuto 39. Após recuperar a bola, Daniel Banjaqui galgou uns metros com a bola controlada, colocou mais à frente, onde Tiago Freitas deixou passar para Jaden Umeh, que preparou o remate e atirou. A bola sofreu um desvio e só não entrou porque Alain Taho fez uso dos reflexos e defendeu.
Pouco depois, novamente o guarda-redes do Inter a negar a festa ao Benfica, desta feita a Anísio Cabral. O avançado surgiu na cara do guardião italiano, tentou passar pelo mesmo, mas este voltou a impor-se (42').
A justificar um resultado mais avolumado, os encarnados foram para o intervalo a vencer, por 0-1, e a realizar uma exibição muito competente.




O jogo reatou, mas a toada não mudou: o Benfica sempre por cima, com o controlo do desafio e mais perto de ampliar a vantagem. Aos 55', Federico Coletta recuperou uma bola, lançou Anísio Cabral, que fugiu a dois adversários, entrou na área, mas, na hora de atirar à baliza, foi desarmado.
Foi a última ação do avançado no encontro, que, nesse instante, deu lugar a Francisco Silva. Já com o atacante em campo, os benfiquistas chegaram ao 0-2.
Se na 1.ª parte, o cruzamento de Daniel Banjaqui tinha sido soberbo, aquele em que Jaden Umeh colocou a bola na cabeça de Tiago Freitas não lhe ficou nada atrás. Na esquerda, o camisola 11 enviou a bola tão adocicada, que o médio só a teve de pentear para o fundo das redes (0-2, aos 58').
Contra a corrente do desafio, o Inter conseguiu reduzir: bom lance e boa finalização de Aymen Zouin (1-2, aos 61').
Controlando o maior assédio italiano nos momentos que se seguiram ao golo, o Benfica, aos 77', fez o 1-3, em mais uma jogada de grande qualidade.
Em posição frontal, após uma boa simulação, Eduardo Fernandes soltou Daniel Banjaqui no interior da área; o defesa encarou o guarda-redes e... tocou para o lado, onde Francisco Silva só teve de encostar para o fundo das redes (1-3, aos 77').
De bola parada, o Inter voltou a reduzir: livre de Marello e Anas El Mahboubi a cabecear para dentro (2-3, aos 88').
Até ao final, o melhor que o Inter conseguiu foi fazer um livre cobrado por Maye passar muito perto do poste direito da baliza de Diogo Ferreira (90'+3').
O Benfica venceu, por 2-3, e qualificou-se para a final four da UEFA Youth League, que se vai realizar em Lausanne (Suíça). As meias-finais jogam-se no dia 17 de abril, enquanto a final está prevista para 20 de abril.
DECLARAÇÕES




Vítor Vinha (treinador do Benfica): "Um jogo muito difícil, como antevíamos. Uma equipa muito física a do Inter, com muita qualidade individual, e só uma equipa como a nossa, também muito forte, com uma grande capacidade, sobretudo mental, para dar resposta em todos os momentos, é que podia vencer aqui hoje. O jogo inicia-se de uma forma muito dura, muito difícil, com as equipas a estudarem-se, mas a perceber-se imediatamente que ia ser um jogo complicado, de 90 e tal minutos. Superiorizamo-nos, marcamos golos, logo a seguir o Inter consegue entrar outra vez no jogo, numa falha nossa que acontece. Faz parte. Voltamos a reagir, voltamos a ficar por cima, voltamos a sofrer aqui no final, para dar um bocado de emoção, mas bateu tudo certo. Os nossos jogadores estão altamente de parabéns. São fantásticos, são bravos, gostam de se colocar à prova. Chegamos novamente às meias-finais da Youth League, que é algo muito importante para o nosso clube. Temos de conseguir, ano após ano, chegar cada vez mais próximo deste patamar. Uma palavra de parabéns para os nossos jogadores, que foram fantásticos. Mesmo a malta que não veio, como o Gonçalo Moreira, que ficou em Lisboa a torcer por nós. Todos os outros, também. Muito bem o [Gonçalo] Oliveira a liderar aqui a nossa equipa; o [Tiago] Parente entrou também para ajudar; o [Tiago] Freitas esteve inexcedível naquilo que era a luta, naquilo que era o trabalho. Deram grande suporte a todos os nossos jogadores mais jovens e ajudaram a que eles sobressaíssem. Juntos, fizemos aqui um conjunto muito, muito, muito bom. Estão todos parabéns."




Gonçalo Oliveira (defesa-central e capitão do Benfica): "Acho que foi um jogo muito competitivo, onde duas equipas quiseram impor a sua identidade. Acho que soubemos gerir bem o jogo, ter bola, saber também defender, que é uma das coisas mais importantes. Conseguimos chegar ao golo. Na 2.ª parte entrámos fortes também, a querer impor novamente o nosso jogo, a querer fazer mais golos. Não baixámos as linhas. Depois, naturalmente, à medida que o jogo vai seguindo, a emoção vai aumentando e tivemos de baixar um pouco as linhas. Não foi problema para nós, levámos ali dois golos de esquema tático, que podiam não ter sido feitos, mas conseguimos a
vitória. Estamos na final four, estamos onde queríamos estar, e estamos muito felizes com isso."




Federico Coletta (médio do Benfica): "Jogámos muito bem, mantivemo-nos sempre no jogo. Quando sofremos o golo, mantivemos a calma, conseguimos controlar a bola e depois ganhámos. Merecemos esta vitória e agora estamos focados na meia-final. Neste momento temos de descansar, precisamos de manter a calma, precisamos de continuar a treinar e, claro, agora vamos lutar para ganhar. Isso é o mais importante para o Clube e para nós. É especial para mim, uma sensação diferente, em casa, contra uma equipa italiana. Estou muito feliz por estar aqui, por fazer parte desta equipa e vamos continuar a lutar."

SL Benfica

BENFICA- IMPRENSA 18 Março RUI COSTA EXIGE RESPEITO PELO CLUBE E ATACA A ARBITRAGEM DURANTE A GALA!🦅

                

QUEM DECIDE O FUTURO DO FUTEBOL PORTUGUÊS?



 O futebol português vive de emoções intensas. Todas as semanas discutem-se resultados, decisões de arbitragem, momentos de forma das equipas e escolhas dos treinadores. Faz parte da natureza do jogo e da paixão que o envolve. No entanto, no meio desse debate constante, raramente paramos para refletir sobre uma questão mais profunda: quem decide verdadeiramente o futuro do futebol português?

O desenvolvimento de uma modalidade não depende apenas do que acontece dentro das quatro linhas. Depende sobretudo das decisões estratégicas que são tomadas fora do campo e que moldam o presente e o futuro do jogo. No caso do futebol português, essas decisões resultam de uma complexa rede de instituições, organizações e agentes que, de formas diferentes, influenciam o rumo da modalidade.
A Federação Portuguesa de Futebol assume naturalmente um papel central neste ecossistema. Cabe-lhe definir as grandes linhas de desenvolvimento do futebol nacional, desde as seleções até às políticas de formação, passando pela arbitragem e pelo crescimento global da modalidade em Portugal. A sua capacidade estratégica tem sido determinante para consolidar o prestígio internacional que o futebol português conquistou nas últimas décadas.
Ao mesmo tempo, a Liga Portugal desempenha uma função fundamental na organização das competições profissionais e na valorização económica do futebol de clubes. É no contexto competitivo da Liga que se constrói grande parte da visibilidade, do valor comercial e da projeção internacional do futebol português.
Mas o sistema não se esgota nestas duas instituições. Os clubes continuam a ser o verdadeiro coração do futebol. São eles que formam jogadores, que mobilizam adeptos, que investem em infraestruturas e que mantêm viva a ligação entre o jogo e as comunidades. O papel dos clubes na definição do futuro do futebol português é, por isso, incontornável.
A este quadro juntam-se ainda as organizações internacionais, como a UEFA e a FIFA, cujas decisões influenciam diretamente a estrutura das competições, os calendários internacionais, as regras do jogo e até os modelos económicos que sustentam o futebol global. Perante esta multiplicidade de intervenientes, torna-se evidente que o futuro do futebol português não depende de uma única entidade. Depende antes da capacidade de todos estes atores trabalharem com uma visão estratégica comum.
Portugal demonstrou, ao longo dos últimos anos, que tem conhecimento, talento e capacidade para competir ao mais alto nível. As conquistas das seleções nacionais, o reconhecimento internacional dos nossos jogadores e treinadores e a reputação da nossa formação são provas claras disso mesmo. Contudo, o futebol moderno exige cada vez mais planeamento, coordenação e visão de longo prazo.
Num contexto internacional cada vez mais competitivo, onde novas ligas emergem com forte capacidade de investimento e inovação, o futebol português precisa de continuar a pensar o jogo de forma estratégica. Isso implica reforçar a cooperação entre instituições, clubes e diferentes agentes do futebol, garantindo que as decisões estruturais são tomadas com uma visão clara sobre o futuro que queremos construir. Pensar o futebol não é apenas analisar o jogo em si. É compreender o seu ecossistema, refletir sobre os modelos de governação, promover o desenvolvimento sustentável da modalidade e garantir que o futebol português continua a afirmar-se no panorama internacional.
Porque, no final, o verdadeiro desafio não é apenas vencer no presente. É criar as condições para que o futebol português continue forte, competitivo e respeitado nas próximas décadas. Fora das quatro linhas devemos estar juntos a defender o futebol. Dentro delas, que fale apenas o jogo.
Reforçar o 6.º lugar no 'ranking' UEFA
A vitória do FC Porto em Estugarda, na 1.ª mão dos oitavos de final da Liga Europa trouxe uma ótima notícia para o futebol português. O 6.º lugar no ranking UEFA ficou selado esta época, o que quer dizer que em 2027/2028, Portugal terá seis clubes nas provas europeias e três na UEFA Champions League — os dois primeiros na fase de liga e o terceiro classificado na 3.ª pré-eliminatória. Ainda assim, o ideal será procurar reforçar este 6.º lugar no ranking UEFA através das participações dos clubes portugueses que ainda estão a disputar competições europeias.
Tudo porque, na próxima época, a UEFA deixará de ter em consideração a época 2021/2022 — só considera as últimas cinco épocas, contando com a que está em curso —, precisamente a pior da… Bélgica. É que o futuro 7.º classificado e maior ameaça a Portugal em 2026/2027 tem feito bons resultados na UEFA Europa League e UEFA Conference League nas últimas temporadas. E conta ainda com a vantagem de a pior época dos últimos cinco anos dos clubes belgas na UEFA (2021/2022) deixar de entrar nas contas da UEFA em 2026/2027.
Importa, por isso, que os clubes portugueses que ainda têm aspirações europeias esta época possam chegar o mais longe possível para que Portugal some o maior número de pontos. De forma a podermos arrancar 2026/2027 bem posicionados para mantermos o 6.º lugar no ranking UEFA. Desde 2022/2023 que Portugal não tinha direito a participar na Champions com três equipas, mas o melhor ano dos últimos cinco em termos de competições europeias reabriu essa porta. Que não queremos fechar tão cedo.
Carlos Carneiro, in a Bola

BENFICA APONTA PARA DAVITASHVILI! A RENOVAÇÃO DE ANTÓNIO SILVA! E A SECA DE GOLOS DE PAVLIDIS!

                

O QUE SIGNIFICA A RENOVAÇÃO DE OTAMENDI? PRÓS E CONTRAS!