quarta-feira, 19 de agosto de 2026

LIGA EUROPA 26-27 🔴 BENFICA VS AARHUS ⚪ (ANTEVISÃO) ● OFICIAL: CIRCATI É REFORÇO DO BENFICA!

                  

BENFICA x Aarhus | ANTEVISÃO PLAY-OFF LE

                 

MARCO SILVA E LUKEBAKIO



 Marco Silva é um treinador habitualmente tranquilo na área técnica e as sete expulsões que regista, por protestos com as equipas de arbitragem, em 560 jogos oficiais, atestam-no. Nas conversas com os jogadores, o ex-técnico do Fulham prima pela sobriedade, registo que mantém nas conferências de Imprensa pós-jogo, nas quais por norma não se lhe conhece nenhuma opção pela realidade virtual, preferida por muitos dos seus colegas nos dias em que as coisas não correm bem.

Mas, como não há regra sem exceção, na partida com o Casa Pia, estava já o resultado em 7-0, Marco teve aquilo que na gíria se chama um passanço com Dodi Lukebakio. O internacional belga tinha entrado aos 78 minutos e 120 segundos volvidos foi apanhado em fora de jogo, após passe de Richard Ríos.
Marco Silva não gostou e teve direito a uma detalhada cobertura televisiva, enquanto expressava a sua frustração. Mas haveria razão para tanta azia com Lukebakio, responsável por um dos cinco foras de jogo dos encarnados na partida de Rio Maior?
O que terá desagradado sobremaneira a Marco Silva foi a forma desligada como o belga entrou em campo, e esse lance, do minuto 80 é a tradução perfeita dessa displicência. Lukebakio estava encostado à linha lateral do lado direito, a dois palmos do árbitro assistente, e tinha visão perfeita quanto ao posicionamento de todos os defensores dos gansos. Percebeu que Ríos, que estava sem oposição, ia endossar-lhe o esférico, mas nem mesmo assim cuidou de se manter on side, um erro de principiante só explicável pela falta de concentração. E isso desagradou a um treinador que já se viu que não quer períodos mortos, exigindo aos seus jogadores que se mantenham ligados a 100 por cento ao jogo.
Não sei se o internacional belga, autor do golo do empate em Edimburgo, vai ser emprestado ao Besiktas; se, por ter jogado (já com compensação) apenas 14 minutos contra o Casa Pia, será primeira opção contra o Aarhus, na quinta-feira; e também não imagino o que treinador do Benfica espera dele para o resto da época. Sei, isso sim, que numa noite de tranquilidade quanto ao resultado e de uma exibição muito bem conseguida, Dodi Lukebakio conseguiu levar Marco Silva aos arames.
José Manuel Delgado, in a Bola

VENDER OU TER DE VENDER?



Um clube forte não é necessariamente aquele que não vende. É aquele que consegue escolher quando vende, quem vende e em que condições vende.
Durante muitos anos, o futebol português aprendeu a fazer muito com menos recursos do que os seus principais concorrentes. Formámos jogadores, desenvolvemos treinadores, descobrimos talento antes dos outros e construímos equipas capazes de competir internacionalmente com organizações de dimensão económica muito superior. Essa capacidade tornou-se parte da nossa identidade e uma das maiores forças do futebol português.
Mas o futebol mudou. As diferenças económicas aumentaram, os grandes mercados cresceram e a capacidade financeira tornou-se cada vez mais determinante. Perante esta realidade, há uma discussão que devemos fazer sem preconceitos: o futebol português precisa de mais investimento externo para continuar a crescer e competir?
E esta necessidade não diz respeito apenas aos clubes de média dimensão ou àqueles que enfrentam maiores dificuldades financeiras. Também os grandes clubes portugueses terão provavelmente de encontrar novas formas de capitalização se quiserem manter, de forma sustentada, a capacidade de competir com a elite europeia.
Portugal continuará a ter uma vantagem importante: sabemos formar e valorizar talento. O nosso modelo tem produzido jogadores para os melhores campeonatos do mundo e gerado receitas muito relevantes através das transferências. Não devemos abandonar aquilo que fazemos bem. Devemos fazê-lo cada vez melhor.
Mas existe uma diferença fundamental: vender talento faz parte do modelo português. Ter de vender talento é diferente.
Um clube forte não é necessariamente aquele que não vende. É aquele que consegue escolher quando vende, quem vende e em que condições vende. A verdadeira autonomia não está em recusar o mercado, mas em não depender permanentemente dele para equilibrar a sua atividade.
Quando uma venda resulta de uma decisão estratégica, o clube controla o processo. Pode avaliar o momento desportivo, o potencial de valorização, a capacidade de substituição e a proposta recebida. Quando a venda é uma necessidade financeira, essa margem de decisão diminui.
Construir uma equipa competitiva exige qualidade, mas também continuidade. Se os melhores jogadores permanecem pouco tempo, os treinadores são obrigados a reconstruir constantemente processos e dinâmicas. Portugal tem demonstrado enorme capacidade para encontrar substitutos, mas existe um valor competitivo associado ao tempo que nenhum mercado consegue substituir.
É aqui que o investimento externo pode assumir uma importância estratégica.
Não para impedir os clubes portugueses de venderem, nem para alterar a nossa capacidade de desenvolver jogadores. Mas para permitir que vendam por estratégia e não por obrigação. Para que um jogador possa permanecer mais uma época quando fizer sentido, para que uma proposta possa ser recusada quando não corresponde ao valor pretendido e para que a construção da equipa não esteja sempre condicionada pela necessidade do próximo mercado.
Nos grandes clubes portugueses esta discussão ganha particular relevância.
Benfica, FC Porto e Sporting possuem história, dimensão, marcas internacionais, milhões de adeptos e uma reconhecida capacidade de gerar talento. Mas nas competições europeias enfrentam organizações inseridas em realidades económicas profundamente diferentes, com receitas televisivas e comerciais muito superiores e uma capacidade de investimento difícil de acompanhar. E esse é um desafio que não podemos continuar a adiar.
Discutir novas formas de capitalização não significa diminuir os nossos clubes. Pode significar precisamente aumentar a sua capacidade competitiva.
Nos restantes clubes profissionais, o investimento poderá ter um impacto ainda mais estrutural. Muitos necessitam de melhorar centros de treino, academias, scouting, áreas médicas, tecnologia e recursos humanos. Sem capital, algumas dessas transformações serão inevitavelmente mais lentas.
Mas há uma distinção essencial: investir não é simplesmente financiar.
Colocar dinheiro num clube para contratar jogadores pode melhorar uma equipa durante uma época. Construir uma academia, melhorar um centro de treino, profissionalizar departamentos, desenvolver novas receitas ou introduzir conhecimento e tecnologia pode melhorar um clube durante muitos anos.
Por isso, a pergunta não pode ser apenas quanto está disposto a investir. Devemos perguntar qual é o projeto, qual o horizonte temporal, que conhecimento traz, onde pretende investir e que clube existirá cinco ou dez anos depois.
Existe ainda uma dimensão que nunca poderá ser ignorada: a identidade.
Um clube de futebol não é uma empresa como qualquer outra. Representa uma cidade, uma região, famílias e gerações de adeptos. Carrega símbolos, memórias e sentimentos que nenhum balanço financeiro consegue quantificar.
Quem investe num clube não adquire apenas uma participação numa sociedade. Assume responsabilidade sobre uma instituição que existia antes de chegar e que deverá continuar depois de partir.
É possível internacionalizar uma estrutura acionista sem internacionalizar a alma de um clube. Capital externo, acompanhado por regras claras, boa governação e respeito pela história das instituições, pode coexistir com a preservação daquilo que torna cada clube único.
Portugal também não deve esperar que os investidores apareçam apenas quando os clubes precisam urgentemente de dinheiro. Deve criar condições para atrair capital quando existe capacidade de escolher.
Há uma enorme diferença entre procurar investimento por necessidade e escolher investimento por estratégia.
Capital sério procura projetos credíveis, organizações transparentes, estabilidade regulamentar, informação financeira clara e boa governação. Quanto melhor organizarmos o futebol português, melhores investidores poderemos atrair.
A discussão não deve, portanto, ser simplesmente entre aceitar ou rejeitar investidores. Deve ser sobre que capital queremos, com que regras e para cumprir que objetivos.
O investimento externo pode ser uma das ferramentas para acelerar esse crescimento, desde que seja utilizado para fortalecer os clubes e não apenas as equipas.
O objetivo não pode ser simplesmente ter mais dinheiro para gastar. Deve ser construir organizações mais fortes, criar património, aumentar receitas, melhorar infraestruturas, reter talento e dar aos decisores maior liberdade para escolher.
Porque vender continuará a fazer parte do futebol português. E ainda bem que assim é. Desenvolver jogadores e colocá-los nos melhores campeonatos do mundo é também uma demonstração da qualidade do nosso trabalho.
O que devemos procurar é outra coisa: deixar de vender porque temos de vender e passar, cada vez mais, a vender porque decidimos que é o momento certo.
Talvez seja essa uma das maiores diferenças entre sobreviver no mercado e ter força para competir nele.
E talvez seja também por aí que deva começar a discussão sobre o próximo passo do futebol português.

Carlos Carneiro, in a Bola 

MARCO SILVA NÃO TEVE CUIDADO (E AINDA BEM)



 Um elogio à conferência de imprensa do treinador do Benfica em Rio Maior e uma reflexão sobre as ideias assumidas pelo próprio, o que ajuda sempre a compreender melhor as opções

Marco Silva ainda brincou, no rescaldo da goleada ao Casa Pia, ao dizer que precisava ter cuidado com o que dizia, mas a conferência de imprensa de anteontem foi a prova de que vale a pena ter uma comunicação «honesta e aberta».
É verdade que fica sempre mais fácil falar depois de uma goleada por 7-0, mas o treinador do Benfica não muda propriamente o discurso consoante o resultado. Claro que nem tudo se diz publicamente, e que a seguir a uma escorregadela há menos vontade de falar, mas é de louvar que Marco Silva — que também não está imune a dias menos felizes — tenha estado 20 minutos a dissertar abertamente sobre as ideias que tem para a equipa.
E não foi apenas para explicar a reação ao lance em que Lukebakio adormeceu em posição irregular, no flanco direito, ou admitir que também «não estaria com boa cara» se tivesse perdido a titularidade como Trubin.
Marco não escondeu que o zero do Casa Pia no marcador foi tão ou mais importante do que o sete do Benfica. Está à vista de todos que a equipa, ao dia de hoje, dá mais garantias ofensiva do que defensivamente. A responsabilidade é coletiva, mas é indiscutível que a qualidade e quantidade de opções é mais limitada à retaguarda. «Temos de trabalhar sem bola, os alas andarem para a frente e para a trás», disse o técnico, que vê melhorias na reação à perda de bola mas sabe que é no ataque que está mais descansado, como comprovou o jogo de Rio Maior.
É preciso ver, em todo o caso, até onde vai o voto de confiança em Sudakov. Marco não esconde que é o jogador com o perfil mais próximo daquilo que pretende para o terceiro médio, e que a equipa até o tem servido nas costas da linha média, mas depois falta criatividade e decisão ao ucraniano, como se viu naquele penálti em andamento com o Casa Pia, para o qual André Gomes não devia ter defesa possível. Rafa e Prestianni são vistos pelo técnico como aceleradores, embora o argentino seja descrito como «o mais versátil» dos desequilibradores. Tem sido o melhor, a par de Pavlidis, mas talvez seja preciso tirar proveito dessa versatilidade para abrir espaço a Schjelderup, mais merecedor dessa oportunidade do que propriamente Lukebakio, tendo em conta o rendimento da época passada.
O tempo ajustará os planos iniciais de Marco Silva, sem esquecer que o mercado de transferências está aberto até 4 de setembro. Para já o treinador do Benfica não está a ter cuidado nas conferências. Ainda bem.
Nuno Travassos, in a Bola

SILÊNCIO, QUE VAI COMEÇAR UM JOGO DE FUTEBOL!

 


E foi logo a abrir na primeira jornada do campeonato que o silêncio voltou a impedir que o colorido do estádio do SL Benfica voltasse a contar com o cântico dos adeptos, sedentos de ao vivo reencontrar o seu espaço de aplauso pela sua cor clubística, gritando e vibrando com o peso da sua bandeira, numa profunda relação de apoio participativo.

Parece que se voltava a repetir o que na época de 2019/20, em tempos de COVID, o mundo do espetáculo desportivo impedia a satisfação de um dos legados mais importantes na competição desportiva, que é a presença dos adeptos.
Todos sabemos que as equipas fazem do público o seu 12.º jogador e, desse eco desencadeado do empenhamento e discussão de cada lance até à última gota de suor, fazem a reconstrução substantiva do rendimento para o êxito. O futebol sem adeptos transforma-se num jogo sem alma. Contudo, em equipas habituadas a ter pouco público, ou até com adeptos de difícil controlo pelo abuso duma discussão permanente, com o uso do seu dedo em riste e vozeirão com gritos lancinantes contra os jogadores que falham, pode não parecer nada favorável. Sem público, os jogadores podem entrar mais relaxados, acusando um défice de concentração, na esperança de ver escondidos alguns erros cometidos pelo medo de perder, ou encobertos os sentimentos de coragem e ousadia de quem tudo faz para ganhar, podendo causar tábua rasa do elogio através do aplauso ou da confrontação crítica por via da represália.
Ainda recordando esse largo tempo da impossibilidade de presença dos adeptos nos estádios, verificaram-se de forma genérica, em alguns dos campeonatos, resultados em queda significativa no rendimento das equipas que jogavam em casa. Enquanto antes desta tomada de decisão de imposição de ausência dos adeptos nos estádios, as equipas que jogavam em casa obtinham 45% de vitórias, 20% de empates e 35% de derrotas, sem público o registo de observação tomou uma configuração praticamente invertida, assumindo 45% as vitórias dos visitantes, etc.
Pela ausência dos adeptos ainda se viram beneficiados as posições dos guarda-redes e dos árbitros. Os primeiros pela maior possibilidade de comunicação com a equipa e os segundos pela maior tranquilidade na gestão do julgamento dos lances, dada a inexistência da pressão externa que geralmente faz aumentar o estado de tensão a quem compete julgar o jogo. No âmbito da observação e qualificação do jogo, observou-se um maior número de passes, diminuindo-se o número de dribles, sendo a qualificação da dinâmica do jogo justificada pela lei da espectativa, diminuindo o domínio de pressão em zonas de ataque e defesa, vendo-se ainda diminuídas o número de faltas e penáltis assinalados para as equipas que jogavam em casa e, no setor da arbitragem, um aumento de mostragem de cartões a essa equipas comparativamente às equipas visitantes.
Daí, e voltando à atualidade, a presença do adepto no espetáculo ser um dos aspetos mais significativos para o desenvolvimento do jogo. O futebol vai ganhando vida pelo eco gerador de expressões de afeto, envoltos duma vibrante coreografia, acumulando vivências admiráveis cobertas de alegria e paixão.
Mas, neste caso do jogo que marcou de forma nefasta a primeira jornada do nosso campeonato, a culpa da sua origem não pode morrer solteira. Quem foi ou foram os responsáveis pela sentença da ausência de adeptos ou o tal jogo de castigo? Qual a identificação desse estado de malvadez que levou a esses inqualificáveis imbecis que atiçaram o ato em repetição constante? Os ditos adeptos, que se dizem amantes do clube, foram devidamente identificados? Qual a pena que lhes foi vaticinada? Apenas lhes foi impedido durante um curto espaço de tempo de assistir a espetáculos desportivos? O clube, que se viu fustigado por esse ato de malvadez, se é que tem de responder e arrecadar com as consequências, que medidas deverá tomar para que tal não volte a acontecer?… São tudo questões, quanto a mim, a ter em conta para respostas absolutamente categóricas em relação a essas bestas esplêndidas que de forma frequente se envolvem em situações conflituosas, explorando as suas razões através de estados de cólera e euforia, provocando situações que dão origem a uma labareda de situações com efeitos verdadeiramente escaldadas de dramatismo.
Temos de encontrar no belo jogo de futebol um ato de cultura, vida e festa. E ainda tudo fazer para que da sua prática possam sobrar notícias de generosidade e duma inatacável honestidade de processos, podendo ver-se aglutinada um nível de relação entre as pessoas, onde as noções do belo, do estético e do ético possam estabelecer acordos duma admirável existência.
Quem não pretender fazer parte deste desejo coletivo, refinado pelos valores da honestidade de comportamentos e firmeza de convicções éticas, haverá sempre um lugar alternativo para estar, ou adormecer no silêncio da sua frágil existência, ou ouvir o relato numa qualquer Esquadra de Polícia, repensando o futuro, encostados às grades da ocasião.
José Neto, in a Bola

O Cantinho Benfiquista | Ep234 [PT] | Fé no Mister!

                  

ZONA DRS - Ep.59: ACABARAM-SE AS FERIAS & ZANDVOORT GP!! 🏎️🏁