quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

MAS SE POR CASO O FC PORTO PERDER 3-1 COM O ESTORIL, NÃO PASSA NADA...😏

 

Alberto Mota, in Facebook

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CANCELO CULTURE

 


"Uma exibição fenomenal de João Cancelo cancelou um FC Porto que se agigantou em boa parte do jogo, nunca deixando sossegar totalmente os catalães. E, de facto, uma boa fatia da 1.ª parte deste Barcelona-FC Porto foi a continuação do domínio exercido pelos azuis-e-brancos aquando da recepção aos catalães no Estádio do Dragão. Um domínio e controle que atestam os benefícios de ter uma equipa com propósito e organizada, intensa, ligada, aguerrida com bola e sem bola, mesmo contra uma equipa infinitamente mais talentosa, mas que demora a encontrar um propósito claro para as montanhas de criatividade que possui. Assim, com surpresa ou não, o FC Porto escondeu (até não poder mais) o talento dos blaugrana, ao mesmo tempo que, com simplicidade e objectividade, foi-se acercando da baliza de um Iñaki Peña que saiu melhor que as normais encomendas. Isto é, melhor do que a história de habituais guarda-redes suplentes do Barça – tradicionalmente muito inferiores em qualidade ao habitual titular. E depois de vários testes (sem sucesso) a Iñaki, o golo de Pepê, nascido na insistência, prova o porquê de Sérgio Conceição não poder abdicar da matriz mais conhecida do seu jogo. O FC Porto era então uma equipa muito mais ligada, muito mais fluída e, em suma, muito mais perigosa. Contudo, o golo dos dragões, deu novo propósito aos de Xavi que, reanimados por um fabuloso João Cancelo, cresceram imediatamente no jogo. Não ao ponto de amordaçar totalmente o Dragão, mas ao ponto de no fimpoderem reclamar para si uma vitória que já mostrou vários aspectos daquela que poderá ser a melhor versão – ao contrário, por exemplo, daquilo que tinha acontecido na 2.ª jornada quando visitaram a Invicta.
Sim, este é um Barcelona que deixa dúvidas. Mesmo quando as vitórias se acumulavam e se teciam loas a João Félix&cia, o que era mostrado parecia não ser suficiente. Isto porque falamos do FC Barcelona. Um clube que carrega o pesado histórico de ter tido, por várias vezes, uma equipa que revolucionou o futebol, ao mesmo tempo que enchia o olho a quem o seguia. Equipas sempre com líderes inquestionáveis e uma proposta que congelava totalmente as oposições. Pois bem, este Barça demora em apresentar as duas coisas. Não só não domina imperialmente (porque hoje todas as equipas são melhores com bola, ao mesmo tempo que bloqueiam os espaços interiores sem ela) como demora a encontrar star quality suficiente para se tornar inquestionável. E desta versão, ainda sem um propósito claro, a esse objectivo de ser Rei e Senhor da Europa, vai um buraco onde equipas com qualidade como o FC Porto se metem.
É nesse gap que Sérgio Conceição encontrou espaço para ver a sua equipa mandar, em vários períodos, no Olímpico LLuís Companys (como já havia feito no Dragão). Uma equipa prática que foi, por exemplo, tentando sair curto e apoiado, mas que encontrou soluções quando não o pôde fazer. Uma equipa que não tricotou demasiado, mas que temporizou somente o suficiente para encontrar as movimentações certas. Em suma, um conjunto inteligente que, mais uma vez, não deixou o Barça reavivar o Paradigma 74, aquele que controla e amordaça sem apelo nem agravo os oponentes. Contudo, a noite perfeita que Sérgio pediu era algo manifestamente difícil de ser obtido. Isto é, enquanto o Barça navegou naquele limbo sem chama e sem (mais uma vez) propósito, foi mais fácil encontrar espaços ao mesmo tempo que foi mais simples roubar a bola, e tempo de domínio aos catalães. O problema é que as estratégias assentam sempre numa relação manta/corpo. A tão falada analogia das mantas curtas cobre também na perfeição a explicação para o facto de, mesmo no melhor período dos dragões, a sua linha defensiva ter de estar permanentemente alerta.

FC Porto apostado em fechar zonas interiores ṇo conseguiu trancar a parte de fora da organiza̤̣o ofensiva. Xavi deu ordens para que as zonas exteriores fossem encontradas de forma c̩lere e simples. Aqui, Cancelo e Lewandowski por fora Рno lance do primeiro golo dos cataḷes. Por essas zonas andaram tamb̩m Raphinha, Pedri e Jọo F̩lix.

Isto porque, o Barcelona, mesmo não encontrando caminhos interiores, usou e abusou de um jogo directo para os espaços exteriores. Ora, um FC Porto que se esticava no terreno para discutir o jogo não podia ter os seus alas (Pepê e Galeno) a proteger o lado de fora de João Mário e Zaidu, ao mesmo tempo que precisava deles para esticar o seu jogo. Algo que os blaugrana aproveitaram por via de jogo bastante directo, nunca dando tempo aos dragões de montarem uma organização defensiva que pudesse cobrir os espaços onde João Félix, Raphinha e até Pedri apareciam. A linha de quatro ficava assim curta e o jogo ia entretendo o espectador com situações frequentes perto das duas balizas. Sim, o FC Porto assumia esse risco (nunca baixando totalmente para controlar esse aspecto exterior, pois perderia poder de fogo na frente), mas o Barcelona assumia outros tantos [riscos]. Não só o aproveitamento dessas situações foi escasso, como a linha defensiva demasiado alta via-se enrascada para controlar as muitas situações de perda e as posteriores incursões dos dragões.


O lance prossegue com João Mário a fechar em Cancelo. Mas o génio do lateral português do Barcelona (e o espaço que encontrou) provaram-se demais para uma linha defensiva um tudo ou nada distante. A aposta de Sérgio Conceição em montar linha de cinco nestas circunstâncias poderia ter alargado Pepe para uma cobertura mais eficaz. Ainda assim, caso fosse Varela a saltar para a linha defensiva, Eustáquio teria de baixar também para cobrir João Félix (e já estava atrasado pois tinha ido disputar a bola com Pedri.. Este é um lance onde a rapidez de Pedri a encontrar Cancelo define depois o posicionamento da organização defensiva portista. Depois, com o espaço referido e sem a cobertura ideal, Cancelo fez o resto.

Algo que, sem o talento de classe mundial de João Cancelo, redundaria certamente num podia dar para os dois lados. Mas foi absolutamente fantástica (quase assombrosa) a forma como resgatou uma equipa apática e (pela última vez) sem propósito, fazendo das suas incursões o ponto alto e mais perigoso de uma organização ofensiva que tem ficado a léguas da expectativa. Contudo, a forma com que Cancelo fez parecer fácil ziguezaguear defesa portista adentro, acordou o orgulho da equipa – que, como já referido, subiu (por toda a 2ª parte) os níveis de atenção e intensidade para um nível muito mais aceitável de se ver na Cidade-Condal. E enquanto por Portugal estaremos certamente, a esta hora, a fazer disto (e do golo de João Félix, assistido por… João Cancelo) um desnecessário Benfica-Porto, talvez o foco da conversa devesse ser outro: a forma como a intensidade do FC Porto tornou os dois jogos para o Barça numa subida com um nível de inclinação que não se faz a passo. É que os catalães tiveram mesmo de encontrar o que Sérgio Conceição não abdica para equilibrarem o jogo (e talvez a época, veremos). E nem assim impediram o FC Porto de ter mais duas ou três incursões que poderiam ter rendido (pelo menos) um ponto, as quais ficaram presas na já habitual falta de definição dos portistas nesses momentos-chave.

Barcelona-Porto, 2-1 (João Cancelo 32′ e João Félix 57′; Pepê 30′)"

E TODOS ENFRENTAVAM O SOL AO LADO DO RUÍDO DO TROVÃO



 "A Itália discutia Gigi, que não servia para a Squadra Azzurra, que não se podia comparar com Rivelino


Na hora dedicada ao ditado, o padre aproximava-se de Luigi com um rolo de cadarço e amarrava-lhe a mão esquerda à madeira dura do assento. A mãe, que trabalhava a dias em casa deste e daquele não teve outro remédio do que enfiá-lo num seminário depois da morte de Hugo, o marido, atingido por um estilhaço de ferro na cabeça durante o trabalho numa fábrica de peças de automóveis situada em Legnano, não longe de Milão. A Batalha de Legnano, que opôs a Liga de Itália aos exércitos de Frederico Barbarossa, ao tempo do Sacro Império Romano, ficou para sempre marcada na História de Itália e o nome da cidade é cantado com orgulho no hino nacional, Il Canto Degli Italiani:
“Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò
Stringiamoci a coorte
Siam pronti alla morte
Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò, sì!
Dall’Alpi a Sicilia
Dovunque è Legnano…”.
Dos Alpes à Sicília, por toda a parte há Legnano, numa tradução apressada como apressada era a forma de Gigi Riva chegar ao golo. Luigi pode ter sido obrigado a fazer ditados com a mão direita, a esquerda presa com corda, mas o seu pé esquerdo viveu em liberdade. A violência do seu pontapé era temida pelas defesas contrárias com o medo de quem sabe que uma tempestade se forma ao longe pronta a cair sobre as suas cabeças a qualquer momento. Rombo di Tuono: o Ruído do Trovão. Carlo Vulpio escreveu um livro sobre Riva. Tem como título Il sogno di Achille. Logo de início é o próprio Riva que conta: “A primeira coisa de que tive consciência na vida foi da minha pobreza”.
“L’Italia chiamò!”. A Itália chamou Gigi Riva para vestir a camisola azul, daquele azul intenso que era emblema da Casa deSavola, no tempo da monarquia, pela primeira vez em 1965. Já passara o exame de avançado centro valente e poderoso na Associazione Calcio Legnano e escolhera viver na Sardenha e jogar no Cagliari, esse clube de sofredores meticulosos, sempre ameaçados pelo horror da descida às catacumbas da Série B mas, ao mesmo tempo, de peito impante, porque na sua ilha houve, na época de 1969-70, um grupo de homens abnegados e corajosos capazes de se baterem e vencerem todas as grandes ‘squadras’ de Itália: Albertosi e Reginato, Tampucci, Cera, Niccolai e Tomasini, Domenghini, Nené, Martiradonna e Mancin, Poli, Brugnera, Greatti e Zignoli, Gori e Nastasio… Os Filhos da Guerra: todos nascidos durante a II Grande Guerra. Os filhos do impossível: Cagliari, vencedor do Scudetto.
O treinador era Manlio Scopigno, Il Filosofo.
“Poema eterno de alegria e de tragédia vivido na ilha de todos os sonhos”, escreveu Vulpio. Pela secura dos montes da Sardenha, a sul da Córsega, separadas ambas pelo Estreito de Bonifácio, rodeada pelo Mar Tirreno, um vento de felicidade soprava na direção do continente e era Gigi Riva que o conduzia à custa das rajadas do seu pé esquerdo. “A minha primeira memória é a de ser pobre”, repetiu muitas vezes ao longo da sua carreira massacrantemente marcada pelas lesões. Talvez a Itália e os italianos esperassem de Gigi que fosse o líder do título mundial de 1970, no México, depois da importância que teve na conquista do Europeu de 1968. Mas o Rombo di Tuono estava também amarrado por todo o lado esquerdo e não apenas pela mão como no seu tempo infantil de padres estúpidos. Carente, Gigi refugiou-se dentro de si e regressou ao lugar íntimo de menino pobre que nunca deixou de ser. Depois da alegria, uma tragédia sem poema. A Itália discutia Gigi. QueGigi não era mais Gigi, que não servia para a Squadra Azzurra, que não se podia comparar o seu pé esquerdo com o pé esquerdo estrondoso de Rivelino, esse sim, o pé esquerdo que dominava os trovões e fazia com que as tempestades obedecessem à sua vontade. Gigi perdeu e perdeu-se. Piero Salis procurou-o na letra de uma canção chamada Quando Gigi Riva Tornerà:
“Crescerà la solidarietà/Ci sarà un po’ più di umanità
E sapremo piangere davvero
Quando il sogno ci confermerà
Che non passerà più lo straniero
Quando Gigi Riva tornerà”.
Tornara-se um símbolo. Um símbolo da luta pela solidariedade, pela liberdade, pela capacidade de sofrer até às lágrimas e que não era vergonha de chorar através do coração. Um grito coletivo contra o medo de falhar:
“Niente più paura ormai ci fa
Su, su, su, su
Che siamo i primi
Tutti insieme verso il sole
Tutti insieme verso il sole”.
Ainda apareceu no Mundial de 1974, estrela apagada de uma Itália desgraçada, um jogo apenas, frente à Argentina. Solitário Gigi. Nunca conseguiu fugir à imagem de homem triste. Mesmo que todos, todos com ele, se erguessem e enfrentassem o sol."

ESCUMALHA VENDIDA...

 


🚨 O FC Porto perde 3-1 e está fora da Taça da Liga. É a 6.ª derrota em 21 partidas.

𝗗𝗘𝗦𝗧𝗔𝗤𝗨𝗘𝗦 𝗡𝗔 𝗖𝗢𝗠𝗨𝗡𝗜𝗖𝗔𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗦𝗢𝗖𝗜𝗔𝗟: ✅ Benfica em crise! ✅ Rafa no fim da linha. ✅ Roger Schmidt não fala português.

/MasteringPT/

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

O BENFICA NÃO PODE CAIR

 


"1. Peço perdão porque o assunto não é fresco, mas é poético. Quer dizer, poético à sua maneira. O presidente do FC Porto, que dizem não estar na sua melhor forma (vá lá saber-se o que isso quer dizer), passou uma hora na semana passada a ser alegadamente entrevistado na SIC em horário nobre. Perante o facto, pode-se dizer, sem medo de errar, que a entrevista o que teve mais nobre foi, justamente, o horário. E assim começa a poesia.


2. Foi então na SIC que, cinco minutos antes de dizer ao seu entrevistador que nunca foi da sua índole imiscuir-se na vida dos outros clubes e que se recusava liminarmente a tecer comentários sobre os assuntos do Benfica, disse, o presidente do FC Porto, que as contas do Benfica estariam igualzinhas ás do seu clube não fosse o Benfica ter vendido Gonçalo Ramos no arranque da temporada.

3. Foi pena, uma lástima mesmo, que o entrevistador é humano e, assim sendo, tem de pensar muito bem, para aí uma dez vezes, antes de se aventurar a contrariar o presidente do FC Porto desmentindo-o com as suas próprias palavras. Isso seria épico ainda que desaconselhável por um número importante de razões.

4. Façam o favor de reconhecer que o entrevistador é humano e, assim sendo, tem de pensar muito bem, para aí umas dez vezes, antes de se aventurar a contrariar o presidente do FC Porto desmentindo-o com a suas próprias palavras. Isso seria épico ainda que desaconselhável por um número importante de razões.

5. No dia seguinte a o presidente do FC Porto ter dito na SIC que seria incapaz de dizer que o Benfica tinha vendido Gonçalo Ramos em Agosto e que, só por isso, não estava na ruína em que está o clube a que preside, foi notícia nos jornais que o Paris Saint-Germain ia acionar a opção de compra de Gonçalo Ramos. Vai, assim, o Benfica receber agora a importante maquia que o presidente do FC Porto garantiu ter o Benfica recebido no pino do verão. É ou não é clarividência?

6. Taça de Portugal. O Benfica eliminou o Famalicão e terá agora como adversário nos oitavos de final da prova o Sporting de Braga. Trata-se de uma repetição porque na temporada passada os mesmos dois clubes encontraram-se nos quartos de final da competição. Em 2023 o jogo foi em Braga, e o Benfica caiu num jogo levado até às grandes penalidades. Neste ano o jogo é na Luz, e o Benfica não pode cair.

7. Está complicada a vida do Benfica na Europa. Na noite de quarta-feira aconteceu uma primeira parte de grande nível contra o Inter e, depois, uma segunda parte menor. A aventura termina só em Salzburgo. É importante não esquecer este pormenor."

Leonor Pinhão, in O Benfica

CADOMBLÉ DO VATA

 


"Ninguém me pode acusar de impaciência ou histerismo com as exibições ou resultados menos conseguidos do SLB 23/24. Todo eu tenho sido comedimento, compreensão e até credulidade. Acontece que já vi muito Benfica para saber que épocas começadas aos trambolhões também acabam no Marquês regadas a champanhe, cerveja e vinho barato, porque às vezes basta um click para as coisas se comporem de forma imparável e é a espera por esse momento que mantém o Balão da Ilusão cheio.
A vitória caída do céu no derby com consequente subida ao trono tinha de ter sido “o” momento. No domingo fiquei a saber que não foi e o meu Balão da Ilusão rebentou. Puta que os pariu a todos. Deitar fora a liderança quando o rival se prepara para encarar 2 jogos complicados deixou-me de rastos. Ainda por cima com um empate a zeros. Não há nada que me irrite mais do que um 0x0 contra uma equipa pequena. É pior do que perder. Quando perdemos, o adversário fez pela vida. O estéril nulo mostra-nos incapazes contra incapazes. Estavam os dois nus na cama, olharam-se olhos nos olhos e foram jogar Minesweeper no telemóvel.
Numa Liga onde o que separa os grandes dos pequenos é uma fossa das Marianas, perder 7 pontos na piscina das crianças é desesperante e pode muito bem ser fatal a menos que haja alterações no modus operandi. E aqui vamos passar à frente a questão dos laterais que temos mas não temos, os 3 Kikin Fonsecas a quem pedimos golos, as opções tácticas e técnicas duvidosas ou os capitães que nunca aparecem a dar a cara nos desastres, para nos centrarmos na principal factor de erosão das nossas hipóteses de título nacional.
Schmidt tem de repensar urgentemente a forma como lida com os pesos pesados do plantel. Engordar vacas sagradas custou-nos caro nos últimos anos e já está a cobrar portagem novamente. João Mário e Rafa não têm capacidade para serem indiscutíveis no SLBenfica e é inaceitável no futebol do séc. XXI ter em campo 1 elemento que não produz 1 acção defensiva durante 90 minutos. Di Maria nem se dá ao trabalho de esticar o pé quando o adversário em posse de bola, passa a menos de 1m dele lentamente e no momento defensivo nem sabe se lá atrás está Bah ou Aursnes, de tão longe que olha para o lateral. À espera de um rasgo que pelo andar da carruagem, vai ser cada vez mais raro, hipotecamos o equilíbrio da equipa e a cadência de entrada de taças de campeão nacional no Museu Cosme Damião."

DE FUTEBOL SABE RUI COSTA

 


"Verdadeiramente importante é o trabalho de Roger Schmidt a partir do momento em que foi contratado pelo Benfica e, até ver, o saldo é positivo

Não aconteceu uma desgraça em Moreira de Cónegos e Roger Schmidt tem razão ao afirmar que o Benfica teve oportunidades para marcar, tal como o seu brioso adversário, que até entrou melhor no jogo, controlando, assumindo a iniciativa e perturbando os encarnados, no primeiro quarto de hora.
O treinador alemão começa a empurrar com a barriga um problema por ele criado e para o qual não encontra solução. Há três jornadas, quando empatou na Luz com o Casa Pia, disse mais ou menos o mesmo: «Tivemos grandes oportunidades mas não decidimos o jogo.»
Na antevisão desse jogo, Schmidt confessou perceber a frustração dos adeptos, mas não sentia o lugar em risco. Agora, antes de defrontar o Moreirense, foi mais ousado na arte de prometer, afirmando que «toda a gente vê que estamos a melhorar», o que significa que «estamos de volta» e a posição na Liga (liderança) é «a consequência disso».
Apesar deste discurso positivo, não fica bem a Schmidt continuar a lamentar-se pelos jogadores que saíram (Enzo Fernández, Grimaldo e Gonçalo Ramos), em vez de integrar e motivar os que entraram e pôr na ordem os que se julgam com estatuto para afrontarem os adeptos, como mais uma vez sucedeu com Rafa Silva.
Vistas as coisas com a sensatez necessária, repito-me, nenhuma desgraça aconteceu. O empate espelha o equilíbrio observado, com mérito para o Moreirense que jogou muito bem. Já o tinha feito diante do FC Porto, mas está mais adulto. Praticou um futebol harmonioso, flexível e que se sente confortável em todos os espaços do campo. Rui Borges tem todos os motivos para se considerar um treinador feliz e não mentiu ao declarar que a sua equipa, em função das oportunidades criadas, poderia ter «saído com golos», isto é, ter vencido o jogo.
Escrevi neste espaço, não me recordo quando, que estaria na hora de Rui Costa ter uma conversa séria com Roger Schmidt, de patrão para empregado, e aclarar uma série de pontos mal esclarecidos. O presidente continua a ter total confiança no seu treinador, mas é preciso que este lhe retribua, de modo a justificar a renovação de contrato por números generosos e nivelados por padrões europeus.
Foi uma aposta de risco, admito, porque antes de chegar ao Benfica, em termos de títulos, o currículo do alemão era assim como o futebol que a equipa pratica, pobrezinho. Mas isso assume pouca relevância e deve sossegar os adeptos, porque de futebol e de treinadores sabe Rui Costa. Verdadeiramente importante é o trabalho de Schmidt a partir do momento em que foi contratado e, até ver, o saldo é positivo.

Pouco nobre
Um dos temas mais aguardados na próxima conversa em família que o Conselho de Arbitragem promove, uma vez por mês, para dar conhecimento público das conversas entre árbitros de campo e VAR em todos os lances avaliados no ecrã disponível no relvado, terá a ver com o penálti que devia ter sido assinalado e não foi contra o FC Porto, no jogo com o Famalicão, por intervenção irregular de Eustáquio na grande área portista.
Assim lido, creio que o caso em apreço nem se enquadra no espírito da redação do comunicado do CA. Apesar da Imprensa de Lisboa, expressão que me ocorre à boleia da ironia do presidente portista, ter considerado que ficou pontapé de penálti por assinalar a favor do Famalicão, por infração de Eustáquio, o qual, na sua área, desviou com o braço, zona do cotovelo, um remate de Gustavo Sá, a verdade é que o lance não foi avaliado no ecrã disponível no estádio. Provavelmente, por ser tudo demasiado claro, no entendimento de árbitro e VAR.
O árbitro António Nobre, pelo gesto que fez, e dono da certeza, mandou seguir. Na opinião dele, a bola bateu no peito de Eustáquio, tudo legal, portanto. Em relação a Rui Costa, o VAR, depreende-se que a observação que fez coincide com a opinião do árbitro, mas só saberemos quando o som da conversa for divulgado. Se é que houve conversa!... O especialista Duarte Gomes escreveu em A BOLA que ficou um «pontapé de penálti por assinalar (nas imagens claro e óbvio), que pressupunha intervenção do VAR». Neste sentido, para nenhuma dúvida subsistir, nada melhor do que tornar pública a comunicação entre ambos.
Igualmente reprovável foi a dualidade de critérios em dois lances muito semelhantes e também com influência na história do jogo. Zaydou Youssouf teve entrada antidesportiva (pisão fora de tempo) sobre João Mendes, viu o segundo amarelo e consequente vermelho. Tudo correto, mas, vinte e tal minutos antes, Evanilson pontapeou Gustavo Sá na zona do tendão de Aquiles, uma falta considerada grosseira e perigosa que justificaria o cartão vermelho. António Nobre, porém, foi de uma doçura inexplicável, talvez devido à zona do campo em que a falta foi praticada…
Não saiu cartão de nenhuma cor do bolso do árbitro, mas teve de sair de campo o jogador famalicense, logo a seguir, fisicamente limitado. Assim, Sérgio Conceição lá saberá por que disse, no final da partida, que não se importava de ganhar por meio a zero. É que da outra metade devem tratar os nobres do antigo reino do Bonjardim…"