segunda-feira, 30 de março de 2026
Polémica no Clássico de andebol: o que se sabe? | TEMA DO DIA
Desporto: Clássico de Domingo- 29/03/2026
BENFICA E O CASO SCHJELDERUP
O futebol é um desporto excecional, vivido tanto fora dos relvados como dentro das quatro linhas. As emoções, os julgamentos apressados sobre quem é bom ou mau jogador e as certezas absolutas que se formam em segundos fazem parte da sua magia e das suas contradições.
Essa paixão poderia ser apenas romântica, não fosse o impacto real que tem nas carreiras e na confiança dos jogadores.
As opiniões pouco fundamentadas chegam maioritariamente das bancadas e dos analistas que não conhecem todos os dados. Mas também os profissionais, dentro dos clubes, erram e tomam decisões das quais acabam por se arrepender.
Essa natureza humana e imprevisível serve para ilustrar o trajeto de Andreas Schjelderup, um dos casos mais interessantes recentes do Benfica.
O jovem extremo norueguês, que já foi rotulado de tudo — desde demasiado verde para se afirmar, emprestado que não voltaria, provável dispensa, até estrela em ascensão —, é hoje fundamental no futebol ofensivo encarnado e brilha também pela seleção da Noruega.
Aos 21 anos — Schjelderup chegou ao Benfica com 18, vindo da Dinamarca, onde liderava a lista dos goleadores mais jovens dos campeonatos europeus —, como tantos outros jogadores jovens, enfrentou o desafio da adaptação: nova língua, novos métodos e uma pressão muito superior à que conhecia. Estas transições jamais são lineares.
Cada jogador tem o seu tempo e a sua sorte para se afirmar. É precisamente aí que o papel de quem os orienta, dos treinadores e das estruturas dos clubes, se torna tão decisivo quanto o talento que trazem nos pés.
Reconhecer quem é realmente bom, além do ruído da opinião pública e das respostas imediatas, é uma capacidade rara e valiosa.
O caso de Schjelderup no Benfica é apenas um entre muitos, e em muitos clubes, mas mostra como o tempo, a paciência e a leitura certa do contexto podem transformar um jovem promissor num jogador determinante. Nem todos chegarão ao topo, mas é essencial que haja quem lhes limpe do caminho as pedras. Ter alguém nos clubes que perceba isso é tanto ou mais fundamental que contratar um bom jogador.
Nélson Feiteirona, in a Bola
Falar Benfica: Os Rapazes da Gomes Pereira #7
domingo, 29 de março de 2026
COMO PODE A GUERRA NO IRÃO CHEGAR AOS CLUBES PORTUGUESES?
Tensão no Médio Oriente tem impacto no preço do petróleo. Este na inflação. E esta na subida da taxa de juro. Aumenta custo de financiamento e custos operacionais. E dos clubes grandes, o Benfica é o clube mais exposto...
No futebol fala-se de tática, jogadores e treinadores. Fala-se pouco de inflação, juros ou petróleo. Mas são muitas vezes estes fatores que fazem a diferença, e uma escalada de tensão no Médio Oriente pode ter impacto direto nas contas das SADs e, por consequência, no sucesso desportivo.4
Planeamento rigoroso
Uma das principais características de quem gere uma SAD é a capacidade de antecipar cenários. O sucesso não se constrói com gestão de curto prazo nem com a corda na garganta. É essencial existir um plano financeiro de médio e longo prazo que resista a oscilações desportivas. Rigor e disciplina não garantem decisões sempre certas, mas asseguram que são tomadas de forma lógica e sustentada, em função da informação disponível em cada momento, sobretudo quando surgem choques externos que obrigam a decisões rápidas. Clubes que planeiam estrategicamente conseguem enfrentar crises sem comprometer o futuro, enquanto os que vivem à beira do limite ficam vulneráveis a choques inesperados.
Impacto externo
Ao longo do caminho surgem sempre fatores inesperados que exigem reação. A atual escalada de tensão envolvendo o Irão é um desses casos. O impacto faz-se sentir sobretudo através da subida do preço do petróleo. Se esta tendência se prolongar, resultará num aumento da inflação. Na Europa, o Banco Central reage normalmente subindo as taxas de juro para controlar a inflação.
Este efeito tem consequências diretas para as SADs: eleva o custo do financiamento, considerando que muitos clubes dependem de dívida de curto prazo ou de refinanciamento constante (como empréstimos obrigacionistas); pressiona os custos operacionais, nomeadamente os FSE (fornecimentos e serviços externos), reduzindo a margem financeira. Em contextos como este, a antecipação e adaptação tornam-se decisivas, não apenas para a saúde financeira, mas também para a performance desportiva, já que restrições orçamentais afetam contratações e manutenção de talento.
Riscos e exposição
Perante este cenário, a preparação para o pior torna-se essencial. Entre os três grandes, os contextos são distintos: o FC Porto poderá beneficiar de uma eventual conquista do campeonato, que lhe daria uma margem financeira adicional pela entrada direta na Liga dos Campeões, embora continue dependente do sucesso desportivo imediato para equilibrar as contas. O Sporting apresenta uma estrutura mais equilibrada, beneficiando das receitas recentes da Liga dos Campeões e de uma política de custos controlada, mas uma quebra nas receitas futuras reduziria essa margem de segurança. O Benfica é estruturalmente o clube mais exposto. Apesar de apresentar capitais próprios robustos, tem a maior estrutura de custos — incluindo massa salarial e FSE. A ausência da Liga dos Campeões, combinada com a subida dos custos de financiamento e a pressão inflacionista, pode criar um desajuste significativo entre receitas e despesas. A isto acresce a necessidade de refinanciamento de dívida (50M€ de empréstimo obrigacionista) e de manter investimento desportivo, para voltar a lutar pelo título em 26/27. Projetos como o Benfica District, particularmente sensíveis ao aumento dos custos de construção e financiamento, reforçam ainda mais esta exposição.
É por estes motivos que uma gestão preparada, que antecipe cenários e tenha planos de contingência, se torna determinante para que os clubes consigam reagir rapidamente a choques inesperados, sejam eles externos ou desportivos. Mais do que reagir, clubes que conseguem antecipar situações imprevistas podem transformar crises em oportunidades: reorganizar estruturas, rever prioridades e investir de forma mais eficiente, aumentando resiliência e capacidade competitiva a médio e longo prazo.
No futebol moderno, vencer no campo é apenas metade do caminho: quem não consegue antecipar choques externos, gerir os custos com rigor e tomar decisões fundamentadas corre o risco de ver todo o sucesso desportivo comprometido antes mesmo do apito final.
A valorizar: Gyokeres
Apareceu quando a sua seleção mais precisava dele. Um hat trick que traz esperança aos adeptos suecos.
A desvalorizar: José Gandarez
José Gandarez voltou a evidenciar um problema estrutural na cultura do clube: a tendência para apontar fatores externos sempre que surgem resultados negativos, em vez de assumir responsabilidades pelas decisões tomadas. O caso da Benfica FM é um exemplo recente. Num momento em que o clube enfrenta pressão financeira e precisa de decisões estratégicas claras, avançou-se com um investimento significativo sem ter a certeza da certificação regulatória. Mais do que culpar a ERC ou outros fatores externos, era essencial explicar aos sócios e adeptos o racional desta decisão e como ela se enquadra na estratégia global do clube. A forma como este processo foi gerido demonstra como escolhas mal fundamentadas podem criar tensões internas e afetar a dinâmica da equipa, sem trazer benefícios concretos. Como se explica um projeto desta natureza sem se ter essa garantia?
Diogo Luís, in a Bola
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