quinta-feira, 5 de março de 2026

DAZN F1 - Antevisão ao GP da Austrália

                  

CADA UM FAZ A SUA CLASSIFICAÇÃO E DEPOIS LOGO SE VÊ

 


Os três grandes podiam criar a sua própria classificação, e esta seria analisada a cada terço do campeonato com fatores de ponderação. Só falta convencer FIFA e UEFA.

Há um desafio que lanço a mim próprio todos os anos, mas depois percebo que só com uma bolsa para dissertação de mestrado ou mesmo tese de doutoramento seria possível sustentar tal atividade: monitorizar, jogo a jogo, competição a competição, todas as queixas sobre arbitragem de cada um dos três maiores clubes portugueses. Mas não apenas isso: assinaladas as queixas, verificar entre todos os especialistas (não sei se têm noção de quantas pessoas estamos a falar, entre jornais, televisões, rádios, redes, podcasts, vídeocast, protocast e afins), verificar entre especialistas, retomo a ideia, quantas dão ou não razão a cada uma das queixas. Fica a sugestão para um estudante afoito, eu desisti.
Uma dica: normalmente, o número de queixas é inversamente proporcional ao lugar na classificação, mas pode ser só um acaso, daí a necessidade de a ciência provar uma tendência e não apenas alimentar perceções.
Esta época, por exemplo — e ao contrário do que sucede com o número de pontos na tabela classificativa — já não há jornadas que cheguem para destronar o campeão das queixas. Até pode aumentar a intensidade de qualquer dos adversários (o que acontecerá se o campeão das queixas afinal for também campeão dos pontos), mas em número de ocorrências é virtualmente impossível.
Se conseguíssemos convencer FIFA e UEFA, talvez fosse interessante inaugurar um novo modelo competitivo em Portugal — e tanto se fala em modelos competitivos, na verdade.
Era assim: cada um dos três candidatos crónicos ao título criava a sua classificação própria, que seria analisada à 11.ª, 22.ª e 33.ª jornadas mediante determinados critérios de ponderação. Analisada a classificação à penúltima jornada... em princípio o desacordo seria o mesmo que é hoje, mas pelo menos todos tinham sido ouvidos.
Critérios de ponderação? Claro: para cada decisão que achamos errada de um árbitro que opiniões contam? Apenas as que nos favorecem ou todas as outras? Que imagens podemos ver — as do nosso canal de televisão ou todas?
Uma adenda: se a meio do campeonato alguma equipa (provavelmente o SC Braga) estiver em condições de discutir o título, tem também direito à sua classificação, mas com ponderação de 50 por cento, que isto não é chegar aqui e ser grande sem mais nem menos.
Querem apostar que o campeão seria o mesmo?
Alexandre Pereira, in a Bola

O GABINETE DE COMUNICAÇÃO DO BENFICA ADORMECEU

 


Numa aldeia distante, existia uma companhia de teatro que era o orgulho de toda a comunidade. A sala onde atuavam estava permanentemente a abarrotar pois a fama da companhia era tal que vinha gente de todo o lado para a ver. Cada peça era um sucesso maior que o anterior. Mas, um dia, tudo mudou. Com um dos atores residentes doente, a companhia foi buscar para o substituir um jovem de uma aldeia vizinha que, logo após o primeiro ensaio, fez um vídeo nas redes sociais onde informou que se recusava a continuar e acusava o encenador de o ter agredido por se ter esquecido de meia dúzia de falas.

O caos que se seguiu à publicação foi épico. A direção da companhia reuniu-se de imediato e a sua principal preocupação foi defender o encenador. «Há que proteger os nossos», dizia o presidente. «Atacar a reputação de um é atacar a reputação de toda a companhia», reforçava o seu vice. Decidiram então publicar um comunicado onde afirmavam total confiança no encenador e onde, em tom combativo, afirmavam que não tolerariam tentativas de manchar o nome da companhia. No dia seguinte, contudo, o jovem rapaz reiterou as acusações. E o presidente da companhia, em resposta, gravou um vídeo onde o acusava de estar a difamar o encenador que, acrescentava, era «tudo menos um tipo agressivo».
A polémica escalou. A companhia cerrou fileiras na defesa intransigente do encenador, mas, ao contrário do que esperavam, as coisas começaram a correr mal. Os habitantes da aldeia vizinha começaram a afirmar que a companhia estava mais preocupada com a sua reputação do que com a gravidade da acusação e consequente investigação dos factos. E na própria aldeia já se comentava à boca pequena que era estranho a companhia sair em defesa do encenador antes sequer de existirem averiguações dos factos.
Às tantas, a direção da companhia percebeu que o problema já não era apenas o eventual incidente, mas a forma como o tinham gerido e, aflitos, pediram ajuda a um especialista em comunicação.
Quando o especialista chegou e analisou o que tinha sido feito levou as mãos à cabeça. Teria sido tão simples fazer um comunicado a dizer «fomos informados de uma acusação grave ocorrida durante um ensaio e levámos a mesma com a máxima seriedade. Vamos apurar os factos com imparcialidade e, enquanto isso, pedimos respeito por todas as partes envolvidas». Assim mesmo, sem defender, sem atacar e contendo o problema. Mas como nada disto acontecera, tornou-se necessário implementar uma estratégia de contenção de danos. Mais difícil, mais morosa e mais imprevisível.
E agora vem a parte interessante, verdade? Porque o nome desta companhia de teatro podia perfeitamente ser Sport Lisboa e Benfica. E basta olharmos para a comunicação realizada pelo clube encarnado depois do que aconteceu entre Prestianni e Vinícius Jr., para percebermos o motivo. Acontece que, ao contrário da companhia que criei para a história que abriu esta crónica, o Benfica dispõe de um departamento de comunicação profissional o que torna ainda mais incompreensível a forma como a comunicação à volta deste caso foi gerida até determinado ponto.
Que fique claro que não pretendo vir aqui crucificar jogadores. É óbvio que, nesta história, um deles mente. Mas eu não sei qual. Acontece que, aquando das primeiras comunicações, o Benfica também não sabia (e não faço ideia se já saberá entretanto). Dito isto, sou incapaz de compreender como é que um departamento de comunicação profissional, num caso desta gravidade, não refreia os ímpetos da Direção e não escreve um comunicado sensato onde se limite a afirmar os princípios do clube e o seu compromisso com uma futura investigação.
Falamos de um clube de futebol de enorme dimensão, com orçamento milionário e uma estrutura altamente profissional. Mas parece que estamos a falar da companhia de teatro da aldeia. Porque foi tudo errado na comunicação do Benfica que, de forma óbvia, tentou fechar a narrativa demasiado cedo.
E não, não estamos a falar de uma coisa de somenos importância ou de um arrufo normal entre jogadores. Estamos a falar de uma acusação de enorme gravidade porque o racismo coloca em causa aqueles que são os nossos valores fundamentais enquanto sociedade. Inaceitável do ponto de vista social, eticamente condenável e moralmente inqualificável, o racismo não é apenas pessoal ou circunstancial: evoca memórias históricas, injustiças estruturais e desigualdades persistentes. E parece que alguém no Benfica, apressado que estava a tentar proteger o clube e o jogador, se esqueceu que a forma como se comunica nestes casos revela, antes de tudo o resto, o lugar que os valores ocupam na hierarquia das instituições.
Timing, tom, estratégia… Tudo absolutamente errado numa fase inicial. Tudo a tresandar a amadorismo e a abraçar o erro clássico da comunicação na gestão de crises institucionais: confundir lealdade interna com responsabilidade social. Porque se emocionalmente pode ser compreensível querer defender o que veste a camisola da nossa cor, do ponto de vista institucional é obrigatório perceber que a comunicação é feita para fora. E cá fora, na sociedade, lugar onde, por acaso, também estão os patrocinadores dos clubes, o que se espera é ver imparcialidade e compromisso com os valores fundamentais que nos regem.
O Benfica, com a sua comunicação, tomou um partido previamente à existência de uma investigação. E optou por defender uma pessoa em vez de reforçar um princípio.
Num caso como o que aconteceu entre Prestianni e Vini Jr., é preciso, antes de tudo o resto, reafirmar que há valores que são inegociáveis. E isso não acontece quando a primeira resposta é a proteção de um ativo.
Aquilo que me parece é que, para defender Prestianni, o Benfica se desprotegeu a si próprio. Porque a comunicação, tal como as ações, vem sempre acompanhada de consequências. E neste caso, acredito, respaldada pelo que tenho lido na comunicação social fora de Portugal, que o Benfica assumiu um risco reputacional desnecessário.
Sabem aquele chavão que diz que a primeira impressão é a que fica? Isso também acontece com a comunicação. E por mais que o Benfica tente agora emendar a mão, o enquadramento mental do público está definido. Agora tudo tresanda a controlo de danos.
O clube não precisava de ter agido de forma precipitada e de correr para escolher um lado nas horas imediatamente a seguir ao jogo, mas precisava de escolher bem as palavras que ia lançar para fora. E falhou clamorosamente.
Havia um problema relacionado com uma acusação de racismo. O Benfica criou um segundo. E se o primeiro será resolvido pelas instâncias adequadas, o segundo só o próprio clube poderá resolver. Porque a falta de maturidade institucional que transpareceu na forma como o Benfica começou por comunicar neste caso é absolutamente inaceitável. E não há número suficiente de referências a Eusébio que a possam mascarar agora.
Boa comunicação institucional não é cerrar fileiras cedo. É ser intransigente na defesa de valores fundamentais e criar espaço para que a verdade tenha tempo de aparecer. Alguém devia afixar isto na parede do gabinete de comunicação do Benfica.
No pódio
Nos últimos anos o Sporting tem dado um salto gigantesco em termos de qualidade do marketing — já falei inclusivamente sobre o tema neste espaço. E hoje é altura de referir, em particular, o branding. Apoiada pelos títulos recentes do clube, mas com muito mérito dos seus profissionais, a marca Sporting tem crescido de forma exponencial e consistente. Esta semana, a divulgação da colaboração com a espanhola Scalpers, em forma de coleção cápsula, foi mais um reflexo da vitalidade de uma marca que a cada dia se posiciona com mais força e maior identidade.
Carmen Garcia, in a Bola

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 5 Março GLORIOSO CONSTERNADO COM A LESÃO DE AURSNES E RAZIA DE PAVLIDIS!! 🦅

                  

ALERTA NA LUZ! AURSNES ESTÁ FORA DO CLÁSSICO! QUEM JOGA?

                  

ZONA DRS - EP. 40: ARRANQUE DA EPOCA & MELBOURNE GP!! 🏎️🏁

                  

5 JOVENS JOGADORES QUE SÃO BONS REFORÇOS PARA O BENFICA!

                   

«O Benfica merece ser 3º? Sim! Esta comunicação é para os adeptos»

                   

quarta-feira, 4 de março de 2026

PRESTIANNI: FORA DE JOGO À PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA?



 Eis o que se sabe sem suposições: o Benfica jogou contra o Real Madrid em Lisboa. Vinícius marcou o magnífico golo da vitória do Real. Festejou com gesto ordinário para os adeptos do Benfica. E depois insultou Prestianni. Logo a seguir, desatou a correr e disse ao árbitro que o extremo argentino lhe tinha chamado «mono», macaco em português.

O árbitro acionou o protocolo anti-racismo, o jogo esteve suspenso, e só retomou alguns largos minutos depois. Prestianni negou sempre ter chamado macaco a Vinícius. Mbappé diz que ouviu o jogador do Benfica, que tinha a camisola à frente da boca, chamar macaco ao astro brasileiro cinco vezes. Mbappé, claro, é do Real Madrid e tem interesse em apoiar Vinícius na suspensão de Prestianni. Mas Mbappé estava longe do internacional jovem pela Argentina quando isso aconteceu. Aliás, também Vinícius estava a uns metros de Prestianni, que terá falado através da camisola, que abafa naturalmente o som. E, claro, no relvado o ruído de fundo é enorme, por força dos sons emitidos pelos 64.876 espectadores.
Em resumo, é impossível provar o que disse ou não disse o futebolista argentino. E daqui não é possível sair. E, sem qualquer evidência, e mesmo depois de o jogador ter afirmado não ter cometido qualquer ato de racismo, a UEFA julgou-o na praça pública e, ao suspendê-lo por um jogo, declarou-o culpado. E o Benfica perdeu em Madrid por 2-1. Nunca saberemos como seria sem o caso Prestianni, mas sabemos que o Benfica foi claramente prejudicado pela UEFA.
Na Idade Média, e noutras idades das trevas, também era assim. As pessoas acusadas pelos poderosos, ou noutros casos pelas multidões, eram consideradas culpadas e tinham de provar a sua inocência. Ora, a prova da inocência é chamada prova diabólica, por ser impossível de fazer. Por isso existe a presunção de inocência, a necessidade de provar a culpa de alguém. Até essa prova ser feita, todos somos inocentes, mesmo que do crime mais vil.
Diga-se que Vinícius é um extraordinário jogador e já foi vítima de racismo. O artigo 14.º do Regulamento Disciplinar da UEFA diz o seguinte: quem «insultar a dignidade humana de uma pessoa (…) por quaisquer motivos, incluindo cor da pele, raça, religião, origem étnica, género ou orientação sexual, incorre numa suspensão de pelo menos 10 jogos ou outro período especificado (…)». Ninguém tem dúvidas de que chamar macaco a alguém viola este artigo. Como ninguém tem dúvidas que o racismo é altamente censurável. E que chamar, como Vinícius fez — quanto a isso os especialistas em leitura labial estão certos —, burro e cagão de m****, também viola o artigo 14.º. E é também injurioso. A UEFA decidiu, pois, que insultos provados são menos sérios do que insultos não provados nem ouvidos por terceiros, desde que estes sejam raciais.
E o regulamento da UEFA permite, de facto (art.º 49.º), este tipo de medidas preventivas e nem sequer obriga a «(…) ouvir as partes e/ou os inspetores de ética e disciplina (…)». Ou seja, a UEFA cumpriu as regras à letra? Sim mas decidiu mal. Mesmo as medidas provisórias exigem indícios fortes da prática da infração. Que não existem. Tão grande é o embaraço que o presidente da FIFA veio sugerir que tapar a boca deve dar cartão vermelho!
Se de facto houvesse vídeos, gravações ou testemunhos credíveis, a decisão aceitar-se-ia. Deste modo, não. E pior, esta decisão condiciona fortemente o inquérito que existirá. A tendência para condenar Prestianni será muito forte, nem que seja para a UEFA não ficar mal vista pela decisão que tomou sem ouvir ninguém. Até agora ninguém sabe (e não creio que venha a saber-se) se o argentino proferiu algum insulto racista. O que fica é que Vinícius acusou Prestianni. E, por isso, sem provas nenhumas, o jovem jogador tem a sua carreira prejudicada. Chamar justiça a isto é grave.
Direito ao Golo
O Direito ao Golo esta semana é do Benfica. Jogar diante do Real Madrid nunca é fácil. Jogar após tudo o que aconteceu, ainda menos. Perdeu, é verdade, mas não foi inferior ao adversário no jogo jogado. Chegou a silenciar o Bernabéu. Um silêncio que na Luz teria dado muito jeito.
João Caiado Guerreiro, in a Bola

VITÓRIA PARA O CLÁSSICO



 O Benfica vive há muito a incómoda realidade de não poder sequer empatar e era mais do que nunca fundamental vencer o Gil Vicente.

Tal como era esperado, o início de jogo foi complicado para o Benfica em Barcelos. O Gil Vicente fez as honras da casa, confirmando com orgulho o seu bom momento e contrariando a procura do Benfica pela superioridade. A pressão subida e a intensidade gilistas impediam a aproximação à área, conseguindo manter o Benfica longe da sua baliza.
Para este jogo, o Benfica mudou pouco, como se esperava, tendo em conta a ameaça que o trajeto interessante do seu adversário representava. António Silva foi uma das poucas novidades, no seu caso relativa, porque previsível, pela alternância regular que tem mantido com Tomás Araújo. Prestianni também foi aposta, com a mesma dinâmica que tem convencido Mourinho, aparentemente sem marcas, depois da grande tempestade que viveu.
Pavlidis, desta vez sem marcar, mas como sempre muito ativo e importante, percorreu com mais frequência o lado direito, quer no apoio frontal, quer na desmarcação de rutura, dividindo o espaço atacante com Rafa, que ocupou o lado oposto. Rafa foi, desta vez, um avançado mais declarado e não um segundo avançado como vem sendo. No centro do jogo, Mourinho optou novamente por dois médios, repetindo o obrigatório Aursnes, mestre da coordenação e do passe, novamente acompanhado de Barreiro, um verdadeiro operário que defende por dois e ainda aparece na área contrária.
Como sabemos, o Benfica vive há muito a incómoda realidade de não poder sequer empatar e, antes do clássico decisivo que aí vem, era mais do que nunca fundamental conseguir a vitória. Iniciar bem a semana era o que se pretendia. A vitória foi conseguida com esforço e mérito, na sequência sempre pesada da eliminação europeia.
Resultado suado, mas justo, combatendo as dificuldades que o Gil colocou no início do jogo. Dificuldades essas que, na segunda parte, aumentaram com o episódio de Aursnes. A saída do mais importante jogador da equipa deixou marcas e, pouco depois, uma distração grave provocava a dúvida no desfecho do jogo. Sentindo o perigo, o Benfica reagiu de forma imediata, até ver conseguida a preciosa vantagem.
Nota para mais uma demonstração categórica e decisiva de Schjelderup e para o incrível registo de António Silva. Com tão pouca idade, chegou aos 100 jogos pelo Benfica, conseguindo ainda assinalar este marco importante com um dos golos da equipa.
Saber esperar
Schjelderup é um bom exemplo a seguir pelos jovens talentosos que pretendem fazer carreira. Trabalhar bem diariamente e saber esperar são duas virtudes obrigatórias para que os sonhos futebolísticos se realizem. O jogador norueguês tem feito o seu caminho em crescendo, suportando os normais períodos de pouca utilização, resultantes da concorrência que sempre existe nos clubes grandes.
Neste tipo de casos, a humildade e persistência, somados a um bom ambiente familiar e a um agente racional, que não tenha demasiada pressa em ganhar dinheiro, são ótimos condimentos para uma carreira de sucesso. Agarrar a oportunidade, como diziam os antigos, é o que vem fazendo com brilho o habilidoso ala do Benfica, mais uma vez protagonista em Barcelos.
Estratégias
É sabido o défice existente entre as nossas equipas médias no confronto com os três mais poderosos clubes, normalmente colecionadores de troféus. A tendência normal das equipas mais modestas, principalmente nas visitas aos grandes, é, muitas vezes, além de cerrar fileiras e rezar aos céus, prescindir do ponta de lança, optando por um jogador mais móvel e rápido.
Sacrificar o avançado titular da equipa mais débil já foi quase uma regra e representava mais um reforço moral para a pouca crença do próprio mister, mas que no fim raramente resultava. Em vez de se manter a estrutura habitual, escolhia-se a surpresa e a teoria da velocidade.
Hoje, as equipas procuram exibir o seu futebol, sem alterar o perfil do seu jogo habitual. As nuances táticas a que se recorre, em função do poderio adversário, são mais territoriais. Pressionar ou esperar, mais à frente ou mais atrás. Nesta jornada, o golo do Gil Vicente, marcado por Héctor Hernández, que ainda pôs em causa a vitória do Benfica, resulta da valência extra que um avançado sempre representa.
Faz parte
«O risco faz parte» e «não há jogadores insubstituíveis» são duas expressões historicamente futeboleiras, mas a verdade é que há ausências de jogadores mais difíceis de mascarar.
O intervalo dos jogos traz a interrupção do esforço e o desejado descanso, mas para quem está muscularmente fragilizado, traz também o arrefecimento muscular e a necessidade de reativação para o segundo tempo. Mesmo que na atualidade os meios de avaliação física sejam bem mais precisos, consegue-se imaginar como este processo natural pode ser arriscado para quem já está clinicamente sinalizado.
Durante a minha carreira, passei por várias lesões musculares na face posterior da coxa, tal como Aursnes em Barcelos. Por vezes, pensava que não aguentaria o esforço e acabava por conseguir jogar, mas também me aconteceu o contrário. Por isso, há sempre uma margem de dúvida e risco, que mesmo a evolução da ciência ainda não consegue anular.
A perspetiva de Aursnes jogar o clássico é agora mais duvidosa. Ser obrigado a sair, a poucos dias do jogo capital, não deixa bons sinais. A maturidade do jogador e o conhecimento do próprio corpo pode, no entanto, e como prevenção, ter precipitado a sua saída. Era bom conseguir inverter o que, nesta altura, parece improvável.
Rui Águas, in a Bola