quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

JÁ ASSUMIMOS AS NOSSAS INSUFICIÊNCIAS É HORA DE NÃO DEIXAR PASSAR...

 


"Para memória futura
... pelos pingos da chuva erros arbitrais absolutamente decisivos nos jogos do Benfica e Porto.
> No Famalicão-Porto tivemos um penálti perdoado a Eustáquio aos 40 minutos de jogo. A intenção do médio do Porto de jogar a bola com o braço foi de tal forma clara e óbvia que impressiona como passou ao lado do árbitro (António Nobre) e, pior ainda, do VAR (Rui Costa).
> Ainda no Famalicão-Porto tivemos uma expulsão perdoada a Evanilson aos 57 minutos de jogo. Curioso que António Nobre foi o mesmo árbitro que não hesitou em expulsar Musa no Boavista-Benfica. A dualidade de critérios entre árbitros em lances do mesmo tipo é um grave problema; a dualidade de critérios do mesmo árbitro em lances do mesmo tipo é pior, é a incompetência - para não lhe chamar outra coisa - a interferir diretamente na verdade desportiva da competição.
> No Moreirense-Benfica ficou por exibir um cartão vermelho a Marcelo, aos 50 minutos de jogo, por entrada que colocou em perigo a integridade física de Kökcü. Por mal que tenha jogado, seria seguramente mais fácil ou provável o Benfica chegar à vitória com o Moreirense reduzido a dez unidades.
Não devemos branquear as nossas insuficiências exibicionais com erros arbitrais. Mas não podemos deixar que erros arbitrais passem impunes por causa das nossas insuficiências exibicionais.
Esta época está carregada de inconcebíveis erros arbitrais com influência clara na pontuação, sempre em favor dos mesmos: Porto e Sporting."

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

VENCER ACIMA DE TUDO

O PROENÇA QUE SÓ O PRÓPRIO VÊ

 


"A nomeação de Pedro Proença para a presidência das Ligas Europeias, que acumulará com a Liga Portugal e com a provável candidatura à liderança da Federação Portuguesa de Futebol, tem sido vendida pelo próprio e pela sua entourage como prémio por um alegado «excelente trabalho» feito no futebol português nos últimos anos. Percebe-se a tentativa de aproveitamento político, todavia estaremos todos conscientes de que não passa disso mesmo, certo? Ou, então, o nível de exigência que Proença tinha consigo mesmo nestes três mandatos era demasiado baixo.
É hoje o futebol português enquanto espetáculo melhor do que há oito anos, quando Proença venceu pela primeira vez as eleições? É a Liga mais competitiva não só entre as suas fronteiras como também quando comparada a diferença para as Big Five? Estão os clubes portugueses mais fortes na Europa? Consegue o campeonato seduzir mais talento e retê-lo durante mais tempo? Angaria cada vez mais telespectadores lá fora? Têm os estádios mais gente? Há menos ruído e controvérsia? É a justiça desportiva mais célere e eficaz? Estão os clubes mais sustentáveis financeiramente? Se 90 por cento das respostas a estas questões for positiva o trabalho da Liga é «extraordinário». Com metade, podemos catalogá-lo como «bom». Uma única resposta com um sim, mesmo hesitante, já dá um «medíocre» esforçado.
Só que para tudo isto ou quase, a resposta é não. Em algumas questões, o jogo por cá até estará pior. É claro que as respostas dependem sempre das perguntas e, nesse sentido, talvez Proença e os seus pares façam as erradas. Se assim é será importante que as revejam, já que não haverá grandes dúvidas de que estas são as fundamentais para o futebol português, e não aquelas que se respondem com contas positivas do organismo e poucas chatices nas AG."

COMO É IMPOSSÍVEL RESPONDER QUASE MIL COMENTÁRIOS, AQUI VAI!

 


"1. Ontem fiz quase 900 quilómetros para assistir àquela exibição desastrada. Como escrevi ainda a quente no final do jogo, não se aproveitou absolutamente nada: do banco ao relvado, do relvado ao banco, nem uma mísera nota positiva onde nos agarrarmos. Apenas os adeptos, que então no norte são absolutamente brutais no apoio continuado e incondicional à equipa, estiveram ao nível do que é ser Benfica.
2. Sugiro, porém, cuidado com o seguinte: concentrar a ira toda no Roger Schmidt, achar que o problema está só nele, que tudo se resolve com o seu despedimento compulsivo, é a melhor forma de não resolver nada e ficar tudo na mesma. O próximo treinador - já agora, quem quer o despedimento do Roger Schmidt tem uma ideia de solução imediata para apresentar? - vai sofrer com os mesmos problemas estruturais do clube. À cabeça deles o seu nefasto aburguesamento, que se reflete numa deficiente cultura de vitória, numa dramática ausência daquilo a que sempre designámos por "mística", numa incapacidade de reagir colectivamente às adversidades.
3. Pede-se à SAD uma profunda capacidade de refletir rapidamente, já hoje, sobre os erros e depois, e só depois de estes definidos e listados, se devem apresentar as soluções. Com ou sem Roger Schmidt - a SAD é que tem de saber, não eu que não vivo o dia a dia do clube por dentro, que não vejo treinos nem frequento o balneário -, com ou sem Roger Schmidt, dizia, estamos ainda a tempo de ganhar tudo internamente. Mas é preciso que haja capacidade e coragem para mudar o que tem que ser mudado. Estarei cá para apoiar quaisquer que sejam as medidas."

ÉS DO SPORTING OU DO PORTO?

 


"Aos jornalistas é inatacável, hoje e sempre, a sua liberdade de imprensa

Roger Schmidt resolveu, após o Benfica-Sporting, ganho contra dez jogadores e já nos descontos, questionar o profissionalismo de um jornalista da RTP que lhe fez uma pergunta simples e lógica: «Acha o resultado melhor do que a exibição?» O treinador alemão não gostou e perguntou, por duas vezes, se ele era «do Sporting ou do Porto?».
O Sindicato dos Jornalistas e o CNID emitiram de imediato comunicados a criticar as declarações de Roger Schmidt, não só invocando a Liberdade de Imprensa, mas exigindo um pedido de desculpas. No Art.º 38 da Constituição da República Portuguesa pode ler-se que «é garantida a Liberdade de Imprensa», mas as garantias dadas aos jornalistas pela Constituição não proíbem que se lhes façam também perguntas, já que o treinador tem garantida a sua liberdade de expressão.
E aqui começa a luta de liberdades. É por causa da liberdade de imprensa que o jornalista pode questionar. Mas logo à partida o treinador tem a sua liberdade de expressão limitada, já que tem de comparecer na conferência de imprensa e na flash interview - art.º 91 do Regulamento das Competições da Liga Portugal. Se faltar o clube pode ser multado - art.º 87.º-B do Regulamento Disciplinar da Liga.
Após o jogo da Taça de Portugal, entre o Benfica e o Famalicão, o treinador encarnado não foi à sala de imprensa. Esta ausência deveu-se a mais um episódio com jornalistas na antevisão do jogo: a liberdade imperiosa numa democracia levou alguns a combinarem não mais fazer perguntas em inglês a Schmidt. Como o treinador não percebe português e o Benfica não arranjou tradutor, o treinador exerceu a liberdade de expressão ficando em silêncio. Isto, apesar da multa, em si mesma, ser violadora da liberdade de expressão do treinador, já que ficar calado é um direito.
Noutras culturas mediáticas é normal os jornalistas assumirem as suas preferências clubísticas e políticas. Em Portugal os jornalistas preferem apresentar-se como independentes, apesar de todos terem preferências, o que é normal. Nenhuma tradição é melhor que a outra, há vantagens e desvantagens em ambas.
Penso também que trabalhadores estrangeiros que exercem funções em Portugal devem fazer um esforço para falarem a nossa língua, sobretudo os que são figuras públicas. Todos se recordarão da primeira conferência de imprensa de José Mourinho no Chelsea, onde num inglês correto mostrou ao que ia: respeito. Schmidt não fala uma palavra de português e chateado já puxou várias vezes dos galões da sua liberdade de expressão. Aos jornalistas é inatacável, hoje e sempre, a sua liberdade de imprensa. Mas neste caso ninguém colocou, nem tem poderes para isso, em causa as garantias constitucionais da nossa democracia. Não há uma liberdade melhor do que a outra, há apenas liberdade, aquela que me permite dizer que o direito ao golo vai para perguntas inteligentes, para os jornalistas que respeitam a génese da sua profissão e para a liberdade, a de falar e a de ficar calado."

SCHMIDT EM BOM PORTUGUÊS E O ABSURDISTÃO CÁ DO BURGO

 


"O alemão tem sentido a pressão sobretudo no momento do confronto com os jornalistas, mas isso será mesmo sinal de que está perdido?; é justo pedir a cabeça de um campeão tão cedo na temporada?

O homem não é perfeito. Logo, não há treinadores perfeitos. Se mesmo Guardiola, talvez o melhor que até agora a História do jogo viu, tem as suas debilidades, que provavelmente nunca resolverá por completo por mais equações que invente e reformule, o que dizer dos outros?
Como todos os pares, Roger Schmidt não é perfeito, tenhamos isso, desde já, bem claro. Está, se quisermos aprofundar o tema, muito mais longe da perfeição do que outros, caso contrário estaria num país onde provavelmente a língua em que se dirige aos jornalistas seria tudo menos tema.
Quem analisou o seu passado, sabe que quando o alemão chegou à Luz ainda perseguia a melhor versão de si mesmo. Diziam-no os escassos títulos e o equilíbrio ainda não encontrado em campo.
No Benfica, começou por correr bem, talvez até bem demais. Acertou nas peças em que tinha de acertar, viu coisas que ninguém tinha visto (Chiquinho como médio-centro, por exemplo), fez apostas que nenhum outro tinha feito (João Neves e Gonçalo Ramos, neste caso de uma forma mais efetiva) e, se é verdade que acabou com uma margem curta, as águias passaram de um terceiro lugar distante dos rivais para um título de campeão e uma boa prestação na Liga dos Campeões.
Mesmo assim, houve gente insatisfeita, só capaz de olhar para os defeitos. É difícil dizer que tenha acabado a temporada em estado de graça. Se o teve em algum momento perdeu-o com a derrota diante do FC Porto e com o que aconteceu depois.

A Europa que penaliza a falta de consolidação
Nesta época é na Europa, precisamente, que tem falhado. Não se esperava tão pouco, mas é precisamente aí que mais se penalizam estruturas por consolidar, o tempo de reconstrução que não se conseguiu encurtar com um bom mercado.
Na Liga, é 1.º, seja a curto ou a longo prazo, já bateu dois dos três rivais, ganhou a Supertaça. Vai ser campeão? Não sei, porém também não é claro que não o será. Quando todos apontavam o descalabro, sobreviveu. E, sobretudo, e é o que mais valorizo concorde ou não com o processo e algumas das suas decisões, já se reinventou várias vezes, sem que com isso tenha perdido a identidade. Está perdido? Pode nunca encontrar uma solução que o mantenha vencedor, mas tenho dúvidas de que o esteja. Melhor, estará a reagir mal à pressão no contacto com os jornalistas, contudo a maior parte das decisões mantém a linha anterior.
É verdade que neste país tudo é volátil, mas pensar-se na cabeça de Schmidt antes de um dérbi, mesmo que o perdesse, é surreal. Pensar-se agora depois de um nulo em Moreira de Cónegos continua a sê-lo. Temos tantos exemplos de treinadores que estiveram épocas sem nada ganhar, inclusive por cá, que agora até se cai em cima de quem já ganhou quando se veem fragilidades. É só estranho para mim? Vivemos numa espécie de Absurdistão.
É verdade, peço desculpa aos fervorosos críticos! Schmidt podia ter aprendido português. Não o fez e tornou-se novo escândalo nacional. O alemão podia ter feito o que fez Guardiola ou o que faz sempre Mourinho. Ou até Roberto Martínez. Apresentava-se já a falar na língua do país para onde vinha trabalhar. É uma opção. Nem todos têm essa apetência. Melhoraria a comunicação com a Imprensa? Tenho dúvidas. Ou achamos que a sua irascibilidade de fácil detonação, que os resultados positivos foram camuflando e que não é novidade nem nele nem nesta Liga, naquela célebre rábula do «é do Sporting ou do FC Porto», teria sido menor falta de respeito para os jornalistas se tivesse sido em português?
Melhoraria a comunicação com os jogadores? Não necessariamente. É uma forma de respeito pela cultura e pelo país? Talvez sim, mas há tantas outras formas de o demonstrar. É, de certeza, uma forma de cair no goto, começar a ganhar pontos junto da Imprensa. Preparar o futuro. E, mesmo assim, olhe-se para o tempo que o selecionador nacional teve de resistir a críticas. Talvez haja mesmo quem ainda não esteja convencido, mesmo depois de ter caído o recorde na fase de apuramento.
Falar português não é uma questão de respeito, é sim, mais uma vez o politicamente correto, que para mim vale pouco. Se o técnico o tivesse considerado necessário já há muito o teria aprendido, ou estaremos todos a esquecer que ele não está a usar a língua materna para comunicar?

Mercado a apontar para a rotação e não para real reforço
Vem aí o mercado, e o Benfica terá de ser mais assertivo do que nunca, já sem o fôlego que os prémios de uma Liga dos Campeões poderiam ter dado. O que tem transpirado não faz perspetivar para já mais do que dar um pouco mais de profundidade ao grupo, o que poderá parecer pouco face ao momento de alguns jogadores – Rafa, joga sempre e cada vez menos, define ainda pior quando a equipa precisa sobretudo de uma boa tomada de decisão, aproxima-se do final de contrato e, ainda por cima, parece pouco tolerante à crítica dos adeptos – e mesmo Di María – que já vive o drama de querer fazer coisas que a idade não lhe permite – talvez sejam os casos mais flagrantes.
A última crítica, embora recorrente desde a saída de Vlachodimos, apontada a Schmidt é que terá perdido o balneário e que não tem transparecido nas partidas. Não é por correr ou lutar menos que o Benfica tem sofrido, a atitude mantém-se a um nível que o discernimento demora a alcançar.
Não quero dizer com tudo isto que se deve deixar de ser crítico com o alemão. Que se deixe de ser exigente e de se questionar, bem pelo contrário. Apenas que a crítica deve, sim, ser justa. Acho que, nisso, Schmidt também merece respeito."

Luís Mateus, in A Bola

A SAGA CONTINUA...



 


"E assim acaba o fim de semana. Mais 3 pontos para o Calor da Noite, à custa de mais uma arbitragem escandalosa às mãos de António Nobre e Rui Costa (o árbitro no VAR irmão de Paulo Costa, dirigente do Conselho de Arbitragem). Menos 2 pontos para o Benfica, à custa de erros próprios e de mais um erro claro, evidente, premeditado, propositado, repetido de Fábio Melo no VAR. Três actuações como VAR nos tempos recentes, três actuações com erros gravíssimos, sempre a prejudicar o Benfica: Moreirense há 3 anos num jogo em que sonega ao árbitro ângulos do lance de penalti que pediu ao árbitro para reverter, Braga no ano passado para a Taça de Portugal que ditou a eliminação do Benfica e onde deixa um penalti claro por marcar e hoje novamente em Moreira onde deixa passar uma expulsão claríssima a Marcelo, jogador do Moreirense.
De todos estes erros, o Benfica ou o seu Presidente nunca falou publicamente. Depreendemos com isto que o Presidente do Benfica gosta de ser sodomizado e prevê-se por isso que o silêncio continue e que Fábio Melo, um andrade fanático de Valongo, continue livre e alegremente a ser nomeado como VAR para jogos de Benfica e do seu clube do coração.
Deliciem-se com o registo de imagens relativas a António Nobre e à garantia de isenção que o mesmo oferece.
Ou os sócios do Benfica arranjam forma de avançar para eleições antecipadas para, entre muitas outras coisas mas principalmente, evitar a Centralização dos Direitos Televisivos ou o Benfica corre o sério risco de daqui a meia dúzia de anos não existir, pelo menos da forma que sempre o conhecemos. A situação é grave como nunca. O Benfica é saco de pancada de tudo e todos, compete num campeonato encharcado de árbitros andrades e lagartos (aí colocados nos últimos anos pela trupe Fontelas, Bertino e Paulo Costa - não esquecer também o papel fundamental de Bruno de Carvalho ao injectar na arbitragem fanáticos lagartos como Fábio Veríssimo, entre muitos outros) e onde até os comentadores da estação oficial de transmissão de jogos da Liga Portuguesa são fanáticos andrades e lagartos com orientação anti-benfiquista (vide exemplo de Luis É com o Peito Lobo).
(...)"

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

UM CRETINO É UM CRETINO...



 Nuno "ressabiado" Farinha - o tal que foi corrido por ser "bufo" (ou seja, por desrespeitar a instituição SLBenfica) - afirmou aos microfones da CNN Portugal que, ao contrário do habitual, o treinador Roger Schmidt foi de fato de treino para o jogo em vez do seu "outfit".

Para este sujeito, Schmidt nunca o tinha feito.
Segundo o próprio, esta atitude do alemão é demonstrativo da falta de liderança e de quem não está preocupado com o respeito pelos adeptos. Atitude essa, que inclusive, leva a que os jogadores percam a compostura (como se viu com Rafa, no final do jogo). Mostram uma imagem de desleixo do treinador do SLBenfica.
Se alguém quiser ter mais ideias LUNÁTICAS, chegue-se à frente. Mas alerto que vai ser difícil superar esta... Boa sorte a todos. 😏
Exemplos:
✅ Arouca - Benfica
✅ Varzim - Benfica
✅ Lusitânia - Benfica
✅ Benfica - Famalicão
✅ Midtjylland-Benfica

O PÉSSIMO EXEMPLO DE CRISTIANO RONALDO

 


"Inaceitável o gesto de Cristiano Ronaldo acusando o árbitro de estar ‘comprado’


Acredito que mesmo o mais fiel admirador de Cristiano Ronaldo se perguntará, com alguma perplexidade, como pode a maior figura do desporto mundial perder ainda a cabeça, aos 38 anos, com a desfaçatez com que Cristiano a perdeu, no feriado desta sexta-feira, durante o clássico Al Hilal-Al Nassr, jogo maior da jornada da Liga da Arábia Saudita que opôs, também, os treinadores portugueses Jorge Jesus e Luís Castro.
O péssimo exemplo dado pelo capitão da seleção portuguesa fica seguramente registado como um dos mais inaceitáveis que se viram esta temporada nos palcos dos principais jogos das melhores ligas mundiais, e creio que apenas nos resta esperar, desejar e acreditar que Cristiano Ronaldo se sinta, a esta hora, verdadeiramente arrependido dos gestos que teve no decorrer do grande jogo que opôs a sua equipa ao líder do campeonato saudita, treinado por Jesus.
A grandeza de Cristiano Ronaldo (que em momentos como este é inevitavelmente atingida) devia torná-lo incapaz, sobretudo aos 38 anos e com o notável percurso profissional que tem, de expor em campo atitude tão inqualificável como a de acusar o árbitro de estar comprado pelo adversário, à boa maneira de um certo faroeste muito próprio de décadas como as de 80 e 90, em campeonatos profissionais de dimensão terceiro-mundista.
O gesto de Cristiano Ronaldo, insinuando claramente o recebimento por parte do árbitro de dinheiro do adversário para prejudicar o Al Nassr e beneficiar o Al Hilal, não é um pormenor sem importância nem uma daquelas reações mais admissíveis sempre que se trata de um jogo com temperatura inevitavelmente mais escaldante como era o caso do jogo entre os principais candidatos ao título da Arábia Saudita.
Naturalmente escrutinado pela dimensão e impacto mundial que tem, Cristiano Ronaldo sabe muito bem o que deve ou não deve fazer num campo de futebol e não precisa que lho digam. A competir, não é a primeira vez, aliás, que Cristiano tem publicamente um gesto feio, para não lhe chamar outra coisa, mas creio (correndo o risco de estar errado) que nunca o víramos ser protagonista de uma atitude tão desprestigiante como a que assumiu no jogo de sexta-feira. Fê-lo com um permanente e indisfarçável sorriso irónico e por mais de uma vez exibiu, com as mãos, claro sinal de dinheiro alegadamente pago ao colombiano Wilmar Roldán Pérez, de 43 anos, o árbitro escolhido para o jogo grande da jornada, na linha da opção tomada pela federação saudita de recorrer a árbitros estrangeiros, com as insígnias da FIFA, para dirigir as partidas da Liga do país.
Mesmo admitindo que o juiz da partida possa ter cometido erros, e erros suficientemente grosseiros, porventura até com eventual influência no resultado, o que Cristiano Ronaldo fez não pode aceitar-se vindo de qualquer que seja o atleta profissional, e muito menos, como parece mais do que evidente, de um dos maiores desportistas mundiais de sempre. É profundamente imaturo, muito irresponsável e abre perigosamente caminho a exemplos que atentam contra a mais básica dignidade do jogo e contra a mais simples ética de comportamento que se exige aos profissionais e a figuras com tamanha responsabilidade pública.
No passado, já se viu o árbitro colombiano Roldán Pérez envolvido em semelhantes situações controversas, muito semelhantes, aliás, às que motivaram agora fortes críticas dos responsáveis do Al Nassr, nomeadamente do treinador português Luís Castro.
Mas ao mais alto nível do desporto profissional, nenhum erro de arbitragem, ou qualquer outro, pode justificar o tipo de acusações e de gestos de Cristiano Ronaldo, feitos à vista de toda a gente e aos olhos de todo o mundo.
Na luxuosa bolha em que vive, talvez lhe seja indiferente o julgamento feito. É pena. A grandeza não vem da arrogância ou da obsessão pelo sucesso. Vem da humildade e do respeito. E Cristiano saberá que o seu lugar na história do desporto não merece ser diminuído."

JURÁSEK, KOKÇU E...VLACHODIMOS?

 


"O sorteio para a fase final do Euro 2024 arrancou sorrisos aos adeptos portugueses – e não foi só por aquele inusitado momento dos estranhos e intrusos gemidos…
Turquia, Chéquia e alguém que venha do play-off teoricamente mais fraco. Nada mau!
Agora que já esfregámos as mãos de contentamento, convém parar e olhar para trás, antes de pensar no que está pela frente.
Sempre disse que tenho medo é dos grupos ‘fáceis’ ou ‘acessíveis’. As favas contadas, para Portugal, foram sempre difíceis de contar.
É verdade que, no atual modelo, a fase de grupos do Europeu serve mais para encontrar as oito piores equipas do que apurar as melhores. Mas é bom não facilitar. Afinal, mesmo quando fomos campeões estivemos tão perto de ser eliminados.
A Turquia tem uma boa equipa. Talvez muitos adeptos portugueses só conheçam o benfiquista Kokçu, mas há muito mais.
Vincenzo Montella só pegou na seleção em setembro, a tempo de vencer o grupo de apuramento.
Tem guarda-redes fiáveis, defesas rijos (Soyuncu, Demiral ou Çelik) talento num meio-campo liderado por Çalhanoglu – e à espera que Arda Guler jogue no Real Madrid - e avançados competentes (Yazici, Karaman, ainda Under e os jovens talentos Yildirim ou Yildiz). Acima de tudo, os turcos têm um conjunto coeso e equilibrado, que pode ser forte.
A Chéquia não tem selecionador. Deverá ser um checo (nunca teve um estrangeiro) mas até poderá ser um alemão ou um português – porque não?
Seja como for, os checos, liderados pelo ‘farol’ Soucek, podem ser difíceis de bater. É certo que já não têm o talento de 1996 ou 2008 (em 2012 já em fim de linha) mas podem ser guerreiros incómodos.
A escola de Praga exporta facilmente talentos para Alemanha, Itália, Países Baixos – e Portugal. Há uma nova geração ansiosa por brilhar nos grandes palcos. Convém não subestimar.
Depois, o play-off. Uma incógnita, claro. Serão Grécia e Geórgia mais fortes do que Cazaquistão e Luxemburgo? Março dirá. E haverá tempo de preparar o adversário que daí sair.
Seria interessante reencontrar os gregos (ai 2004…) já que vamos tropeçar na história de outros europeus, como 2008, quando tivemos República Checa e Turquia no caminho – e vencemos ambos.
Pela terceira vez consecutiva, Portugal fica no Grupo F, o tal que dá mais tempo para preparar o primeiro jogo, como recordou Roberto Martínez.
As semelhanças podem terminar por aí. Preferimos passar em primeiro. Nas últimas duas edições fomos terceiros no grupo. E como estivemos perto de fazer as malas em 2016…"