sexta-feira, 18 de setembro de 2020

UMA MÃO CHEIA



 Famalicão 1-5 Benfica: Uma mão cheia de golos no regresso de Jesus.

Waldschmidt, Everton, Grimaldo e Rafa assinaram os golos da vitória 'encarnada'. Guga fez o golo famalicense.
Melhor começo era difícil: na primeira partida da Primeira Liga o Benfica goleou o Famalicão por 5-1. Waldschmidt estrou-se na equipa e assinou um 'bis' num jogo em que os encarnados ainda contaram com golos de Everton, Grimaldo e Rafa. O golo do Famalicão foi marcado por Guga.
Depois da derrota na Grécia, Jorge Jesus mexeu na equipa promovendo quatro alterações quando comparado com o onze inicial apresentado em Salónica: saíram Seferovic, Pizzi, Weigl e Pedrinho para a entrada de Darwin, Waldschmidt (ambos em estreia oficial), Rafa e Gabriel.
Já João Pedro Sousa apenas pode contar com dois jogadores do seu último onze inicial na I Liga 19/20: mantêm-se Toni Martinez e Gustavo Assunção. Muitas caras novas neste Famalicão.
Os dois estreantes encarnados foram os primeiros a chegarem perto da baliza com diferentes níveis de perigo: primeiro foi Darwin, após livre batido por Taarabt, com o uruguaio a atirar muito por cima da baliza de Zlobin aos seis minutos, No minuto seguinte Waldschmidt atirou à malha lateral da baliza famalicense.
O Benfica tinha mais bola na partida e ao 19.º minuto chegou ao golo por um dos estreantes da equipa: Waldschmidt, após passe de Darwin, surgiu na cara de Zlobin e picou o esférico por cima do guardião do 'Fama' assinando o primeiro golo oficial pela equipa e o primeiro golo da edição de 2020/2021.
Apesar do susto que a equipa da casa provocou logo após o primeiro golo, as 'águias' não precisaram de muito tempo para celebrar o segundo: saída rápida do ataque encarnado pela direita, após passe longo de Gabriel, com André Almeida a colocar em Everton 'Cebolinha' que à entrada da área rematou para o fundo das redes do Famalicão aos 21 minutos da partida.
Dois minutos, dois golos dos dois reforços: as duas contratações davam-se a conhecer à Primeira Liga.
O Benfica continuava a colocar pressão nos famalicenses que tinham dificuldade em sair a jogar e passavam boa parte do tempo dentro do seu meio-campo. Com mais iniciativa o Benfica acabaria por chegar ao terceiro ainda antes do intervalo.
Grimaldo foi chamado a marcar um livre direto e apontou um golaço aos 42 minutos da partida, deixando as águias com uma vantagem de três golos antes do regresso aos balneários.
A perder por três, João Pedro Sousa promoveu duas mudanças no Famalicão, com a entrada de Ibrahim e Patrick William para as saídas de Calvin e Jorge Pereira. Com as mudanças, o 'Fama' entrou a atacar nos primeiros minutos, mas sem conseguir converter isso em golos e o Benfica voltou a tomar conta do jogo e a marcar.
Combinação de Everton com Rafa, com o brasileiro a passar para o remate do ribatejano que apontou o quarto golo da partida aos 52 minutos de jogo.



O resultado era largo, mas o Benfica não dava sinais de abrandamento, acabando por chegar ao quinto golo 14 minutos depois do tento de Rafa.
Nova combinação de Darwin com Waldschmidt, com o uruguaio a entrar na grande área pelo corredor direito e a passar para o alemão que só teve de encostar à entrada da baliza. Uma mão cheia de golos aos 66 minutos.
Depois de sofrer o quinto, o Famalicão chegou ao golo de honra no minuto seguinte. Lameiras, pela esquerda, deixa Grimaldo para trás e cruza para o remate de Guga no centro da área aos 67'.
O Benfica voltou a ameaçar aos 77 minutos quando a bola passou muito tempo perto de Zlobin, mas sem uma finalização certeira dos encarnados. Aos 80 minutos o VAR entrou em cena pela primeira vez esta época para analisar uma possível mão de Del Campo no interior da área, mas a entender que não houve motivo para grande penalidade.
Lameiras já depois do minuto 90, atirou com estrondo ao poste mas o resultado não voltou a mexer e o Benfica começa a Primeira Liga com chave de ouro com uma folgada vitória e com boas indicações dos reforços da equipa, no regresso de Jorge Jesus à Primeira Liga.

AFINAL QUEM TEM MEDO QUE O VIEIRA CONTINUE PRESIDENTE?



 Operação Lex. Luís Filipe Vieira entre os 17 acusados. Três são juízes

O Ministério Público concluiu a acusação da Operação Lex. Há 17 acusados e três são juízes: Rui Rangel, o principal arguido; Fátima Galante, mulher do desembargador apesar de estarem separados há anos e Luís Vaz das Neves, que já foi presidente da Relação de Lisboa. Luis Filipe Vieira, presidente do Benfica, irá responder pelo crime de recebimento indevido de vantagem.
A investigação da Operação Lex chegou ao fim com uma acusação contra 17 arguidos. Maria José Morgado, responsável pela investigação, vai acusar três magistrados: Rui Rangel, o principal arguido; Fátima Galante, mulher do desembargador apesar de estarem separados há anos e Luís Vaz das Neves, que já foi presidente da Relação de Lisboa. Luis Filipe Vieira, presidente da SAD do Benfica também está entre o rol de 17 acusados e vai responder pelo crime de recebimento indevido de vantagem por ter, alegadamente, aliciado Rui Rangel com bilhetes para jogos viagens ao estrangeiro a troco de informação sobre um processo no Tribunal Fiscal de Sintra que envolvia a empresa do filho.
Os três juízes estão acusados de corrupção. Vaz das Neves, que foi presidente da Relação de Lisboa, também é acusado de abuso de poder por ter entregado manualmente um processo que envolvia Álvaro Sobrinho a Rui Rangel. No entanto, João Rodrigues Martins, advogado do empresário angolano que chegou a estar entre os arguidos, não é acusado e viu o MP arquivar as suspeitas contra si.
José Veiga, ex-empresário de futebol e antigo homem-forte do Benfica para a modalidade, também está entre os acusados.
De acordo com um comunicado enviado pelo Ministério Público, entre os crimes imputados aos 17 acusados está corrupção, usurpação de funções, abuso de poder, fraude fiscal, recebimento indevido de vantagem e branqueamento. O MP calcula que os arguidos tenham conseguido uma vantagem indevida no valor de 1,5 milhões de euros e que tenham provocado um rombo ao Estado em cerca de 474 mil euros.
Entre os acusados está Otávio Correia, funcionário judicial da Relação de Lisboa
Foram extraídas certidões para outros processos e Orlando Nascimento, ex-presidente da Relação de Lisboa, deverá ser investigado por abuso de poder.

PEDRO ROCHA



 "O que todos temíamos aconteceu - Pedro Rocha partiu. Mas deixou-nos uma fantástica equipa de atletismo. Verdadeiro mestre na arte de criar campeões, destacava-se pela sua capacidade em detectar jovens talentosos que treinava como ninguém. Em 2012, a prof. Ana Oliveira lançou-lhe o desafio de abraçar o projecto do SL Benfica, e a sua competência confirmou-se. Se a nossas equipas de atletismo atingiram a hegemonia da modalidade nesta década, devemo-lo em grande parte à sua sagacidade. Especialista no fundo e no meio-fundo, destacou-se também como técnico nacional da Federação Portuguesa de Atletismo. Graças à sua visão e capacidade, ganhámos mais de 30 títulos nos seniores, e nas camadas jovens perdi a conta às conquistas. Pelas suas mãos passaram alguns dos melhores atletas da actualidade. Destaco os grande feitos de 2012 e 2013, anos em que a nossa equipa de juniores se sagrou campeã europeia de corta-mato. Desse lote sobressaíram Samuel Barata, Rúben Silva, Adrião Rodrigues, Bruno Varela, Miguel Borges, Hélder Costa, Rúben Pessoa, Miguel Marques e André Pereira. Também sob sua orientação, conquistámos vários campeonatos nacionais de pista coberta e ao ar livre. O seu último grande feito foi o decacampeonato, no passado dia 15 de Agosto, em Lisboa, no qual sobressaiu o fenomenal Samuel Barata. O Pedro partiu com apenas 54 anos e deixa-nos um enorme legado e um imenso vazio. Voltar a ganhar sem ele vai ser mais difícil. Tenho a certeza de que o seu nome será imortalizado pelo SL Benfica. À sua família, aos seus amigos, aos seus colegas e aos seus atletas, apresento as minhas sentidas condolências."


Pedro Guerra, in O Benfica

FAZER A NOSSA PARTE



 "1. Claro que dói. Evidentemente que dói. Mas 'isto' é o futebol, e precisamos de voltar à terra e ao cenário em que vivemos e reconhecer que a mais adequada atitude que podemos adoptar numa circunstância tão dura como a da derrota de terça-feira na Grécia não é senão a da serena análise que Jesus assumiu no fim do jogo.

2. Realmente, o que define o jogo do futebol são os golos, e nessa noite os nossos adversários marcaram mais um golo do que nós. Eles ganharam.
3. Ao fim de escassas cinco semanas de preparação, esse é o triste registo que fica do primeiro jogo oficial que disputámos nesta época, sendo que, se nós próprios deixássemos, a derrota poderia, infelizmente, deixar marca para toda a temporada. Ou mais ainda.
4. Desde logo, porque nos próximos tempos não podemos alimentar a legítima ilusão de cumprir o mesmo desígnio de, pelo menos, disputar pela décima primeira temporada consecutiva a fase de grupos da maior competição europeia.
5. Será então por isso que vamos ficar derrotados e de cabeça baixa para o resto da época? Evidentemente que não. Por isso, evidentemente que os Benfiquistas não alinham na conversa de chacha do jornalismo militante da Impresa, das comadrices da Cofina ou da informação já quase submersa da Global, que começaram logo com o mesmíssimo bota-abaixo dos que há décadas padecem das dores de cotovelo.
6. Como se viu, nem o contexto em que a pré-qualificação foi neste ano disputada (numa só mão; fora de casa, apesar da condição de 'cabeça de série' que inutilmente a UEFA nos atribuía; e também, por exemplo, sem que a conjuntura covid tivesse recomendado aos organizadores de Nyon a utilização de cinco substituições que irá manter-se nas suas competições ao longo dos meses...), a verdade é que nem a própria equipa já havia completado a assimilação dos processos técnico-tácticos e dos índices físicos que o Treinador naturalmente lhe quererá imprimir para os esplendores da alta competição.
7. No grande Futebol, nada, nunca, está ganho, como se viu. Essa lição serena igualmente nos chegou (e para mim, de certo modo, inesperadamente...) no apreciável registo de sensatez que Jorge Jesus soube imprimir às suas conclusões em Salonica, ao deixar implícito que, muitas vezes, é a partir das mais imprevisíveis derrotas que se preparam as mais saborosas vitórias.
8. A vida continua. E agora, a começar por nós, temos de continuar sem desânimo, a fazer a nossa parte para que os atletas sintam o nosso respeito e, sobretudo, a nossa confiança neles, já hoje, sexta-feira, em Famalicão - apenas cerca de setenta e duas horas depois da Grécia e com uma longa viagem pelo meio.
9. O resto - venha de onde vier -, para já, é só conversa mole. Pior: é a conversa de chacha do costume, dos mais rasteiros antibenfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

À PROCURA DE RUMO?





 "O SL Benfica falhou a presença na edição deste ano da Champions League, ao perder com o PAOK, num jogo que foi decidido a uma mão, devido à pandemia que se abateu no mundo inteiro. E é mesmo de uma pandemia que estamos a falar, uma vez que um pouco antes do COVID-19 já se começava a afigurar que algo não estaria certo naquilo que tinha sido operado no início de 2019 e que nos levou à conquista de um campeonato e de uma goleada ao Sporting na Supertaça. O que veio depois daí foi sucinto, mas no fundo, a consequência de uma ausência de estratégia desportiva que norteia a principal modalidade do clube.

Apesar da saída de Jorge Jesus em 2015, o Benfica ainda conseguiu dois campeonatos com Rui Vitória e outro com Bruno Lage, sendo que os outros dois foram conquistados por um FC Porto que de talento ou qualidade ao nível de jogadores se cinge a uma mão cheia deles e pouco mais. O Benfica, quando poderia ter sido, ou pelo menos, tentado a ser penta abdicou de investir na construção das falhas que já existiam num plantel, que se pensou na altura em que todas as soluções estariam no Seixal.
No Seixal, está muita qualidade, e isso é um facto! Mas não é uma qualidade que permita ao clube apostar de olhos fechados para dar uma estabilidade que não consegue com jogadores no primeiro ano de sénior. É sempre preciso acrescentar experiência, para que os imberbes que vêm do Benfica Campus possam crescer e aprender diariamente com os mais velhos. E ao longo do tempo isso foi passando e a melhoria que se exigia para a equipa não chegava. Na época passada, o investimento mudou de lado e começou a ser mais notório, mas a escolha do mesmo trouxe sempre dúvidas. Ninguém questiona a qualidade Julian Weigl, por exemplo, mas seria mesmo necessário ter o internacional alemão, quando temos Florentino? Não poderiam ter sido aproveitados os milhões gastos junto do Borussia Dortmund em dois laterais com qualidade?
E é aqui que se nota que o Benfica parece perdido e que procura um rumo. De quem será a responsabilidade de não se ter investido num plantel, que ao longo dos anos, foi sendo delapidado em qualidade?
O Benfica, hoje em dia, como que parece que se está a juntar nuns cacos, que mais dia, menos dia, se iriam juntar no chão. Os desequilíbrios dos plantéis eram uma realidade e ninguém tinha a coragem de dar um murro na mesa ou tentar mostrar que a solução não era aquela que se pensava que seria.
Pior… Se Bruno Lage não tem apostado em João Félix, provavelmente a extraordinária metade da época 2018/2019 não teria o fim que teve, mostrando mais uma vez que a estratégia adoptada nunca foi a melhor.
E o que é preciso mudar? Que rumo tem de ter a equipa profissional do Benfica para que realmente a hegemonia seja uma realidade? Porque brincar com os números pode ser espectacular, mas dizer que o Benfica ganhou 5 dos últimos 8 campeonatos é o mesmo que dizer que dos últimos 3, só ganhou 1, ou que nos últimos 10 ganhou os mesmos 5. Confusos? Confuso é pensar que numa equipa desportiva que tem (ou deveria ter) como principal objectivo ganhar as competições em que se encontra, prefira enaltecer os resultados financeiros e esteja dependente deles para encontrar sustentabilidade, através da venda de activos. É certo que ganhou algumas vezes neste processo, mas o dinheiro gasto em contratações duvidosas, para não lhe chamar outra coisa, foi surreal. A quantidade de jogadores que assinou contrato com o clube e que nem sequer vestiu a camisola encarnada é inconcebível para um clube que deveria ter cuidado melhor da sua planificação e estratégia.
E isso demonstra que, ao mesmo tempo em que houve episódios destes, não se foi cuidando do que era necessário, que era o de reforçar a equipa em posições onde havia efectivamente lacunas. E isto foi acontecendo, ao longo dos anos. E ao longo dos anos, estes hábitos e vícios foram-se mantendo e acumulando na gestão diária do clube.
A qualidade foi diminuindo e não houve o cuidado de precaver o futuro de forma a manter uma estabilidade necessária para o tão desejado crescimento europeu que tanto era / foi apregoado. E é esse o principal problema e falta de rumo do Benfica. O que é que se quer? O que é que se pretende? Que tipo de estratégia se tem para o futebol profissional do Benfica? Obviamente, que a resposta ideal e óbvia é “Ganhar”. Mas para ganhar, terá de ser de forma sustentada e para isso são necessárias criar bases que permitam esse crescimento e se quisermos chamar, dinâmica.
Dinâmica de vencer, de compreender que tipo de estratégia é necessária e que decisões tomar. A aposta no Seixal será para manter, como é óbvio, mas não poderá ser o turbilhão dos miúdos estarem 6 meses a 1 ano e depois serem vendidos como se de mercadoria se tratassem, sem que tenham hipótese alguma de vestir a camisola na equipa principal, para depois, passados anos, se lamentarem e dizerem que querem acabar a carreira no “clube do coração”.
Tem de haver comprometimento com o clube e aguentá-los o máximo, porque sabemos que o mercado não perdoa. E Ruben Dias tem sido o melhor exemplo do que se escreveu mais acima. E quantos mais “Rubens Dias” o Benfica aguentar, maior compromisso existe e o sonho se pode realizar.
Mas para isso acontecer, o paradigma tem de mudar, e este ano, curiosamente com o mesmo treinador que saiu em 2015, isso começa paulatinamente a acontecer. Vertonghen é um bom exemplo e Cavani poderia ter sido outro. E é com estes exemplos que as equipas crescem, aliando qualidade a irreverência e experiência a talento.
É olhar para a estrutura do Benfica e ver onde se tem falhado e corrigir. É não estar dependente de uma pessoa que quer, pode e manda. É explicar que não é assim que funcionam as organizações de sucesso e se o Benfica quer ser A empresa de sucesso desportivo que o clube tem de ser, terá de funcionar como um todo e não como um individual. Porque, “de todos, um”. Era este o rumo que eu gostava que fosse discutido, mas acima de tudo, exigido e efectuado. E neste momento, e infelizmente, não vejo nenhum dos três desejos a ser concretizado."

MORE THAN FOOTBAL



 "Nenhum de nós passa indiferente pelos tempos conturbados que atravessamos. Foi quase como se, de repente, a humanidade acordasse de um qualquer entorpecimento e redescobrisse o óbvio: apesar de a sociedade ser cada vez mais virtual e cada vez mais nos podermos e devermos relacionar à distância, na verdade o mundo é feito de pessoas reais, e são essas que valem. Os estádios perderam o bruaá e o frémito dos adeptos, mas o futebol não se deixará diminuir por esta adversidade, está lá! Está lá, feito de e para pessoas reais. Está lá, feito de e para pessoas reais. Está lá como sempre, mas parece mais desapaixonado a quem assiste. As transmissões repovoam com muita imaginação e edição os sons e as dinâmicas do estádio, mas tudo isso mostra ser pouco para quem assiste e muito pouco para quem joga. Faltou-nos isso, a todos, é incontornavelmente assim. Mas todas as ramificações sociais do futebol permanecem intactas, num estado mais ou menos latente conforme os limites que a pandemia lhes impõe. A paixão colectiva resiste, adensa-se e adia-se, molda-se à realidade dos dias, recua mesmo por vezes, forçada pelo desânimo, mas redobra em vigor a cada novidade que pulsa no desporto-rei. E nesta dialética contínua em que todos vivemos entre comportamento e risco, vamos ganhando espaço no mundo real, físico, das três dimensões, dos cheiros e dos abraços saudosos, dos apertos de mão de cortesia que em menos de um mês migraram para os cotovelos sem dó nem piedade. Não nos deixaremos abater porque essa massa humana, feita de pessoas reais, a que Desmond Morris chamou um dia 'tribo do futebol', está bem intacta e vivente. Ela é um dos cimentos da sociedade em que vivemos, quer se queira, quer não, e leva o futebol a fazer coisas pela vida e pelas vidas que são inexplicáveis para quem nele veja apenas uma bola, uma baliza e um chuto. Porque não tenhamos ilusões: dizer que o futebol é mais que futebol não é um exercício de retórica balofa, o futebol é, isso sim, muito mais que o futebol. Senão, veja-se o que fazem os clubes por essa Europa fora: More tham Football!"


Jorge Miranda, in O Benfica

SEMANADA...



 "1. Os erros não são novos. O Benfica está fora da Champions League depois de perder o jogo contra o PAOK. Revi o jogo com mais atenção, acho que até fizemos uma primeira parte boa. Não estamos tão dependentes dos cruzamentos como o ano passado - o que é um alívio. Mas também não estamos assim tão diferentes. Tivemos boas combinações que normalmente pararam em Seferovic ou na organização defensiva do PAOK, que nunca conseguimos demonstrar. O suíço é muito lutador e por isso é que a primeira aposta do novo treinador pelo terceiro ano consecutivo, mas para combinar com Everton, Pizzi e Pedrinho, não estou convencido que seja a melhor opção. Acabámos por perder o jogo por causa de dois contra-ataques. O defesa esquerdo do PAOK entrou pelo nosso meio campo a dentro e uma vez que passou a linha de médios e encontrou a linha defensiva desorganizada foi tudo muito fácil para ele. Já no ano passado tínhamos imensos problemas na transição defensiva. Estes erros não são novos. Fica a ideia de que JJ não viu os jogos do Benfica.

2. O que mudar? O nosso meio campo e os nossos laterais são um grupo de bons rapazes. Têm que ter mais atitude. Acho que Gilberto tem que ser titular, pela combatividade que pode trazer à equipa e que André Almeida não tem demonstrado desde há um ano. Acho que um meio campo com Florentino e Weigl perde algum poder de fogo no ataque, mas daria as coberturas necessárias à equipa para não estar constantemente a sofrer golos de contra-ataque. Florentino não é um jogador que faça muitas faltas, mas recupera muitas bolas. E num ataque com todas as opções que JJ tem, a ausência de Taarabt é possível de contornar. O que não é possível contornar é sofrer tantos golos em contra-ataque.
3. Quem vender? É a pergunta que temos que fazer agora. O Benfica vai estar vendedor nos próximos dias porque se não terá um problema de liquidez algures a meio da temporada. Estamos a falar de um problema que pode mesmo chegar até a não ter capacidade de pagar salários, como eu demonstrei na quarta-feira. Na minha opinião, e visto que também poderemos ter um problema com o Fair-Play Financeiro também, o Benfica deveria tentar vender jogadores cujo o valor contabilístico já esteja muito amortizado - de maneira que as mais-valias fossem maiores - e jogadores que tivéssemos já soluções no plantel para tapar as suas saídas. Esses jogadores, na minha opinião, são Chiquinho, Cervi, Rafa ou Pizzi, e Gabriel. Todos têm mercado. A venda de quatro deles poderia resultar num encaixe de 50-60 milhões. E neste momento temos mais do que soluções no plantel para que eles saiam. No caso dos avançados ficaríamos com Everton, Pedrinho, Jota, Diogo Gonçalves, Waldschmidt, Gonçalo Ramos, Pizzi ou Rafa (aquele que não vendêssemos) e poderíamos sempre incorporar algum dos miúdos da equipa B como o Úmaro Embaló ou o Tiago Dantas. No caso de Gabriel, vai ser o quarto médio de uma equipa onde só jogam dois de cada vez. Não faz sentido, na minha opinião, vender Rúben Dias visto que não temos uma alternativa credível. Nem faz sentido vender Carlos Vinícius, porque é um jogador que tem um book-value muito alto (14 milhões) e como tal as mais-valias que uma venda poderia dar não seriam muito significativas para aquilo que teríamos que gastar para arranjar um avançado de qualidade. Relembro que para o resultado líquido, um dos parâmetros que a UEFA olha no Fair-Play Financeiro, apenas contam as mais-valias e não o valor total da venda.
4. Políticos na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira. Para ser sincero eu nem entendo bem a necessidade de uma Comissão de Honra. Entendo que candidatos desconhecidos precisem de uma espécie de Comissão de Honra que lhes dê credibilidade e visibilidade. Não percebo o que é que uma Comissão de Honra acrescenta a Luís Filipe Vieira. Acho que ninguém iria votar em Luís Filipe Vieira porque António Costa (ou outro qualquer) o apoiava. Acho também que é essencial que exista um distanciamento entre o mundo político e o mundo do futebol. Não é uma questão de ser o PS ou o PSD ou outro partido qualquer. Havia políticos de todas as facções na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira. Ainda bem que saíram. E só espero que tenham aprendido a lição. Isto já tinha acontecido na Comissão de Honra de Pinto da Costa e já na altura tinha dado confusão. Esta é, para mim, a pior parte disto tudo. Eles já sabiam que ia dar confusão e tudo isto foi em vão. A Comissão de Honra não dá votos.
5. A Liga NOS é a segunda Liga Europeia com mais faltas por jogo. Todas as semanas duas equipas entram em campo para serem assaltadas à mão armada por três homens vestidos normalmente de preto. É essencialmente isto. Os árbitros portugueses são os segundos árbitros da Europa que mais faltas apitam por jogo. Piores que os portugueses só os sérvios. No top10 de quem apita MAIS faltas estão também as Ligas da Bulgária, Roménia, Grécia, Polónia e República Checa - só Ligas de Topo, como podem ver. No Top10 de quem apita MENOS faltas estão Ligas como a Premier League, Bundesliga, Liga Holandesa, Sueca, Dinamarquesa e Norueguesa. Portugal tem excelentes jogadores. Provavelmente mais perto da Liga Francesa (tirando o PSG) do que muitos pensam. Tem excelentes treinadores. Tem excelentes projectos e por consequência excelentes dirigentes - mais em clubes do meio da tabela do que nos três grandes, na minha opinião. Mas não tem excelentes árbitros. Os árbitros estragam o futebol português. Não vamos crescer como Liga enquanto se apitarem tantas faltas, porque estão constantemente a parar o jogo e só estragam o espetáculo. É um assalto à mão armada.
6. Atenção ao Silvestre Ferreira. Silvestre Ferreira é um ala da equipa de Futsal que regressou este ano ao Benfica depois de um empréstimo ao Elétrico. Talvez seja muito prematuro dizer, mas gostei mesmo muito do que vi num dos jogos desta pré-época, onde marcou três golos. Acho que pode ser mais uma boa surpresa da equipa de Futsal. Pode ser um jogador para ficar no clube durante muito tempo e quiçá ser capitão. Estejam atentos. Também gostei de Fits. Parece mais o Fits antes de vir para o Benfica. A tomar mais iniciativa e a demonstrar o seu talento técnico. E gostei do Jacaré, um pivot clássico. A equipa de Futsal promete.
7. Basquetebol em suspenso. Já o Basquetebol parece ter tido alguns casos positivos de covid-19 e ficou suspenso. O Campeonato só começa daqui por um mês, mas esta paragem não deve ajudar.
8. Fim-de-semana importante no Voleibol. Este fim-de-semana, o Voleibol Feminino joga contra o SC Espinho a eventual subida para a Primeira Divisão. Já o Voleibol Masculino poderá ganhar a Supertaça, o primeiro título da temporada."

PRIMEIRAS PÁGINAS DO LIXO JORNALEIRO


 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

ESTE PARECE A ANA GOMES A FAZER CAMPANHA ELEITORAL


 

ISTO NÃO É DAR A CARA Ó RUIZINHO?

 




Vieira: «Se for condenado sairei pelo meu pé da presidência do Benfica»

Presidente das águias reage às recentes notícias sobre os casos judiciais que o envolvem
Numa nota enviada à imprensa, Luís Filipe Vieira reagiu aos recentes desenvolvimentos relativos a questões judiciais que o envolvem, deixando claro que, se for condenado, tomará a iniciativa de sair pelo próprio pé da presidência do Benfica. Ainda assim, Vieira assegura que se encontra de "consciência tranquila".
Na mesma nota, Luís Filipe Vieira anunciou que retirou da sua comissão de honra todos "os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do Governo", nomeadamente António Costa e Fernando Medina.
Leia a nota completa:
"Depois de assistir nos últimos dias a uma das campanhas mais hipócritas e demagógicas de que tenho memória, entendo ter chegado o momento de reagir.
Vivemos tempos em que a justiça passou a ser feita no Facebook, nas redes sociais e nos media. Tempos em que os juízes foram substituídos por jornalistas e comentadores que, num registo de excessos, sem conhecimento dos factos, mas com a cumplicidade de quem os vai parcialmente alimentando com o único objetivo de contaminar a perceção pública, vão minando o espaço mediático. Tempos em os jornais preanunciam condenações e em que líderes partidários e políticos mais populistas, propositadamente, esquecem um dos princípios básicos em que se assenta o nosso Estado de direito. Tempos em que falta seriedade e rigor. Tempos em que, quando a justiça finalmente chega, já não há justiça. Tempos em que o bom-nome e a reputação das pessoas se perdem na avalancha mediática que atropela qualquer presunção de inocência.
Nos últimos quatro dias, António Costa, Fernando Medina e muitos outros foram atacados de forma incompreensível e torpe, não pelo apoio que enquanto sócios do Sport Lisboa e Benfica entenderam dar-me, como já o tinham feito em 2012 e 2016 sem que se tenha assistido a qualquer tipo de alarido, mas, precisamente, pela perceção pública que, de forma concertada, os media foram ‘construindo’, deturpando e usando como catalisador de uma campanha populista de difamação.
Repito o que já disse, estou de consciência tranquila e, se for condenado, no futuro, em algum dos processos de que nestes dias tanto se fala, serei o primeiro a tomar a iniciativa, saindo pelo meu pé da presidência do Sport Lisboa e Benfica.
É tempo de os líderes partidários, e alguns dos políticos que mais se indignaram nestes dias, estarem mais preocupados em combater a tendência de transformar em sentença transitada a notícia de uma suspeita ou de uma acusação judicial.
A presença numa comissão de honra esgota-se aí, não se prolonga para lá da eleição. Foi assim no passado e seria também assim nesta janela eleitoral. Como é meu dever, tenho de agradecer a todos os benfiquistas que até agora decidiram manifestar-me o seu apoio, mas não posso permitir que instrumentalizem o Sport Lisboa e Benfica e a minha comissão de honra em lutas políticas que nada têm que ver com o Clube a que presido e a cuja presidência serei recandidato. Não posso tolerar que este clima difamatório se prolongue, nem que seja aproveitado para atacar de forma indevida o carácter e a seriedade de quem se limitou a expressar-me, enquanto sócio, o seu apoio.
Nesse sentido, e agradecendo a todos a disponibilidade manifestada, tomei a iniciativa de retirar da minha comissão de honra todos – todos – os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do Governo. É triste que, 46 anos depois do 25 de Abril, se tenha de censurar quem livremente decidiu manifestar-me o seu apoio, mas o populismo e a demagogia dos dias de hoje obrigam-me a fazê-lo de forma a terminar com uma polémica injustificada e profundamente hipócrita.
Luís Filipe Vieira"