segunda-feira, 27 de julho de 2026
BENFICA: DEIXEM JOGAR O GONÇALO
A época passada acabou mal, a nova começou pior e na Luz não há tempo para esperar. Equipa grita por sangue fresco e irreverência e ontem era tarde para apostar, de vez, em Gonçalo Moreira
A única boa notícia que o Benfica trouxe do horripilante jogo em St. Gallen foi a possibilidade de, na quinta-feira, na Luz, dar a volta à eliminatória para evitar um dos maiores vexames europeus de que há memória, mas só o facto de a passagem a uma 3.ª pré-eliminatória de Liga Europa estar em risco é revelador do estado de desgoverno a que chegou o clube.
Desde 24 de maio, data da final da Taça de Portugal, que o Benfica sabia que arrancaria a temporada muito cedo e, dois meses volvidos, quase tudo continua por resolver no mercado. É difícil de compreender, por exemplo, que António Silva esteja a jogar com a braçadeira de capitão, quase por favor e com o selo de vendido por não haver outra opção ou que Tiago Gouveia seja utilizado na Suíça horas antes de ser transferido para o México. Na Luz, a temporada 2026/2027 nasce torta e o Benfica parte muito atrás de FC Porto e Sporting para ela.
Ao deixar a segurança do Fulham e o prestígio da Premier League para ser a última boia de salvação de Rui Costa, Marco Silva saberia do monstruoso desafio em que se estava a meter, mas, estou certo, ao meter a mão na massa, é que se terá feito o clique do quão difícil será recolocar o Benfica no caminho certo. Se do planeamento da estrutura quase nada de bom o treinador pode esperar, há, para lá do urgente regresso dos mundialistas, outras notícias de quem já cá está que poderão ser animadoras. José Mourinho fez-lhe vista grossa na época passada (um mísero minutinho em campo, contra o Nacional), mesmo com a equipa a definhar, mas há muito que Gonçalo Moreira merece outro tratamento e pode ser ele o farol de que a equipa precisa.
Aos 20 anos, Gonçalo está na fase em que ou é aposta, ou pode ficar no baú dos esquecidos como tantos outros, e com Sudakov a ser um fantasma da versão do Shakhtar Donetsk, pode ser a hora dele. É certo que a amostra ainda é curta, foi apenas um jogo-treino com o Belenenses, da Liga 3, mas há uma energia contagiante, rapidez de processos e leitura de jogo que não enganam.
Gonçalo Moreira é daqueles que fazem a equipa andar e, hoje, os dedos de uma mão chegam para contar os jogadores do plantel do Benfica com essas valências. Não é por ser da formação que tem de jogar, naturalmente, mas o Benfica até nem se deu mal quando apostou em Ferro, Rúben Dias, Gedson, Florentino e João Félix (2019), ou em António Silva e João Neves (2023), certo?
Francisco Vaz de Miranda, in a Bola
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domingo, 26 de julho de 2026
Falar Benfica: Os rapazes da Gomes Pereira #08
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