Rui Costa disse sábado, no discurso presidencial de comemoração dos 122 anos do Benfica, que a equipa de futebol irá lutar «até ao último fôlego» pelo título desta época. Continuando a ser matematicamente possível, o presidente dos encarnados nunca poderia dizer algo que tivesse como significado atirar a toalha ao chão, mas todos os benfiquistas estarão conscientes de que se trata de um objetivo muito difícil de concretizar, com o FC Porto a liderar o campeonato com 10 pontos de distância (mais um jogo). A suceder, seria algo de incrível.
Porém, mais de acordo com o que está realmente nas mãos da equipa comandada por José Mourinho, o que o Benfica terá de conseguir é fazer bem o trabalho dele, ganhar todos os jogos até final do campeonato e mostrar capacidade principalmente nos duelos com os principais rivais — em casa com o FC Porto, depois do jogo de amanhã em Barcelos; em Alvalade, na jornada 30; e em casa frente ao SC Braga, na jornada 33. Será fundamental fazer prova de força para corresponder ao apoio que entretanto conseguiu recuperar, para mostrar aos adeptos que se o Benfica não conseguiu melhor esta temporada não foi por falta de determinação.
Se José Mourinho continuar a ser o treinador na próxima temporada — Rui Costa já disse a um canal espanhol que «vai continuar», mas falta um esclarecimento institucional — será a prova dos nove para este projeto. Em 2025/2026, resta pouco pelo que lutar. O campeonato parece amarrado e a Liga dos Campeões esfumou-se num play-off com o Real Madrid inesperadamente dramático, mas que também mostrou um Benfica com personalidade.
A polémica relacionada com o alegado insulto racista do extremo Prestianni ao avançado merengue Vinícius Júnior não deixou o clube e os seus jogadores desfrutar do palco da Liga dos Campeões e do mediatismo que ele oferece. No jogo de Madrid, o Benfica teve de se apresentar de cara fechada, sem Mourinho nas conferências ou no banco (fora expulso no jogo de Lisboa). Encanto teve apenas a exibição em campo, em que os encarnados, apesar da derrota por 1-2, se bateram de igual para igual com o Real Madrid e fizeram os espanhóis suster mais vezes a respiração do que certamente desejariam ou esperariam.
Há sinais positivos: a equipa parece mais unida, o público voltou a acreditar e José Mourinho está a reconstruir a confiança que o clube precisa para entrar na próxima temporada com ambição renovada.
Mas, como bem sabemos, vitórias morais não ficam na história e desta campanha o que o Benfica deve retirar é convicção para o futuro a médio prazo. E deve ser essa mesma convicção a nortear-lhe a luta até final do campeonato. Sabendo, com franqueza, que o último fôlego dificilmente chegará para o 39. No entanto, há sinais positivos: a equipa parece mais unida, o público voltou a acreditar e José Mourinho está a reconstruir a confiança que o clube precisa para entrar na próxima temporada com ambição renovada. Há algumas épocas que o clube não consegue entrar desportivamente com serenidade e segurança, com consequências que se conhecem.
Nélson, Feiteirona, in a Bola
