segunda-feira, 20 de abril de 2026
#39 - Sporting - Benfica - Luta pela Champions renasce
BENFICA VENCE DÉRBI E ATACA MILHÕES DA CHAMPIONS!
domingo, 19 de abril de 2026
BENFICA ENCOSTADO À PAREDE E A PERGUNTA QUE CONTINUA SEM RESPOSTA
Ontem deu-se um passo importante na Liga, mas pensar na centralização é pensar demasiado no telhado quando as fundações ainda falham; no meio disto tudo as águias vão ficando à margem.
Nenhuma revolução se faz sem conflito e como era expectável não houve unanimidade na escolha do modelo de comercialização no âmbito da centralização dos direitos televisivos da Liga. Ainda assim, é assinalável que 92 por cento tenham rumado na mesma direção, o mesmo quer dizer que, entre os grandes, apenas o Benfica votou contra.
A posição dos encarnados vem na sequência de outras mais recentes no mesmo sentido, em contraste com o alinhamento de Sporting e FC Porto (desavindos nas guerras de alecrim e manjerona, mas em consonância num tema muito mais estrutural). Ainda ninguém sabe ao certo quanto é que valerá o bolo, a partir de 2028, mas só por milagre os grandes vão manter os valores que auferem atualmente.
A diferença está na forma como cada um aceita a perda no presente e planeia ganhos no futuro. Os encarnados optaram por uma fuga para a frente, abandonando as negociações e pedindo que o Decreto-Lei seja adiado por dois anos, alegando porque este não é o momento certo. A questão é saber: quando será esse momento, à qual obviamente Rui Costa não parece ter resposta.
Isto coloca, portanto, o Benfica encostado à parede: ou se mantém isolado, escudado na sua indiscutível grandeza social (maior que todos os outros) e admitindo cenários disruptivos e populistas que passam por uma saída de Portugal ou mais cedo ou mais tarde será forçado a ir a jogo e aceitar modelos e regras negociados por outros.
Mas mais importante que estados de alma é a pergunta que todos os clubes, do maior ao mais pequeno, deviam fazer: como fazer um produto melhor? Ontem não era dia para discuti-lo, mas dá a sensação de que muitos responsáveis querem apenas empurrar o tema com a barriga, como se a centralização fosse a cura para todos os males.
O número elevado de equipas na I Liga, uma Liga 2 sem capacidade de gerar receitas face às despesas e cuja configuração devia ser discutida, estádios vazios e sem proporcionarem experiências de século XXI aos espectadores e que condicionam transmissões televisivas apelativas, bilhetes proporcionalmente mais caros (em média) face ao poder de compra de outros países europeus, bancadas vazias, regulamentos disciplinares obsoletos e uma justiça desportiva lenta e complexa afastam adeptos e investidores, travando uma internacionalização que, à sua escala, seria possível. Só que isto não ganha votos nem garante eleições...
Fernando Urbano, in a Bola
O CONTINENTE QUE VIROU ILHA.
"O Sport Lisboa e Benfica atravessa hoje um momento particularmente preocupante do ponto de vista institucional e estratégico. Mais do que resultados desportivos ou ciclos naturais de gestão, o que está em causa é algo mais profundo: a evidente perda de liderança e, mais grave, a erosão da sua capacidade de influência no ecossistema do futebol português.
A recente Assembleia Geral extraordinária da Liga expôs essa fragilidade de forma inequívoca. O Benfica votou contra o processo para a comercialização dos direitos televisivos já no modelo de venda centralizada — e fê-lo sozinho. Isolado. Este facto, por si só, seria impensável há poucos anos. O Benfica sempre foi um clube agregador, com peso, capaz de liderar e mobilizar vontades. Era o “continente” onde muitos outros clubes se reviam e seguiam. Hoje, surge como uma ilha, distante, sem pontes, sem capacidade de arrasto.
Um clube com a dimensão e a história do Benfica não pode atuar de forma reativa, nem dispersa. Precisa de antecipação, de influência consolidada e de uma visão clara sobre o caminho a seguir. Quando essas peças falham, o resultado é este: isolamento, perda de relevância e incapacidade de condicionar decisões estruturais para o futuro do futebol português.
O Benfica deixou de liderar. E, num contexto onde a influência é determinante, deixou também de ser ouvido. Isso não é apenas um sinal de fraqueza momentânea — é um alerta sério sobre a incapacidade como elemento estrutural deste Benfica."
João Gabriel, in Linkedin
Antevisão | Sporting CP vs. SL Benfica
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