segunda-feira, 6 de abril de 2026

A UM PASSO DO HEXA



 Assente na eficiência com que atacou a baliza adversária, neste domingo, 5 de abril, a equipa feminina de futebol do Benfica superou o Torreense (2-0), na 15.ª jornada da Liga BPI, no Benfica Campus, e ficou ainda mais perto de se sagrar campeã nacional pela sexta temporada consecutiva.

Logo aos 3', após passe de Lúcia Alves, Anna Gasper colocou a bola dentro da baliza das visitantes, mas a árbitra assistente assinalou fora de jogo da média alemã.
Pressionantes, as Inspiradoras tiveram ascendente claro sobre o emblema de Torres Vedras. Aos 9', Diana Silva aproveitou um mau passe de uma adversária, recuperou a bola e rematou à figura de Rute Costa.
Na luta pelo acesso à Champions League, o Torreense, 3.º classificado, soube defender e travar a mobilidade no ataque das águias. Apenas de bola parada, a formação visitante conseguia aproximar-se da baliza encarnada.
Bem no encontro, aos 20', o Benfica adiantou-se no marcador. A partir do corredor esquerdo, Nycole Raysla efetuou o cruzamento para a área, Rute Costa afastou a bola para a frente e Diana Silva, oportuna, no coração da área, atirou colocado para o 1-0.
Numa tarde de calor, o ritmo de jogo caiu. Aos 30', Lúcia Alves caiu na área do Torreense, sendo que a árbitra não considerou qualquer sanção de uma defensora das adversárias.




Aos 40', em disputa de bola com Jenna Tivnan, também Diana Silva foi derrubada na área do Torreense. A juíza Filipa Cunha mandou jogar.
Na resposta, na sequência de uma bola em profundidade, Ava Seelenfreund tentou o chapéu a Lena Pauels, errando o alvo.
A terminar a primeira metade, Nycole Raysla, com espaço, arriscou o remate cruzado de pé esquerdo. Rute Costa evitou o 2-0 com uma defesa para canto. Ao intervalo, o Benfica vencia, por 1-0.
No arranque da etapa complementar, tal como na primeira metade, as águias marcaram. Aos 52', Nycole Raysla encostou para o fundo da baliza, mas foi sancionada posição irregular de Diana Silva, autora do passe para a internacional brasileira.
O Torreense tentou reagir e pouco depois de ter entrado em campo, Mia Klammer serviu Ava Seelenfreund. Na área encarnada, a atacante das visitantes atirou ao lado (60').
O embate prosseguiu equilibrado com a formação treinada por Gonçalo Nunes a tentar acercar-se da área encarnada. Às investidas do Torreense, o Benfica respondeu com organização defensiva.
Inteligentes, as comandadas de Ivan Baptista chegaram ao 2-0. Caroline Møller recuperou a bola no meio-campo adversário, combinou com Nycole Raysla e abriu para a esquerda onde Anna Gasper, com um passe perfeito, ofereceu o golo a Diana Silva. A avançada, eleita a Melhor em Campo, não perdoou e bisou (85').
Com o triunfo quase garantido, o Benfica geriu até ao final, o resultado manteve-se (2-0) e as Inspiradoras estão perto de revalidar o título, pois têm 8 pontos de avanço sobre o 2.º classificado quando faltam 3 rondas para o final da competição.
Vencendo o SC Braga na antepenúltima jornada do Campeonato, no dia 25 de abril (sábado), na próxima ronda, as águias sagram-se hexacampeãs nacionais. Para já, segue-se a paragem competitiva para os compromissos das seleções nacionais.
DECLARAÇÕES




Ivan Baptista (treinador do Benfica): "Foi um jogo difícil e equilibrado em muitos momentos, como tem sido apanágio nos embates contra o Torreense, que é uma boa equipa desta Liga BPI. Batem-se bem, têm um bom elenco e estão bem treinadas. Naturalmente, não é uma equipa fácil, mas, dentro desse equilíbrio, considero o resultado mais do que justo. É verdade que não conseguimos ser dominantes nos 90 minutos, mas não há equipas no mundo que o consigam fazer. Cumprimos o nosso objetivo de uma forma mais adulta do que nos últimos jogos contra o Torreense, porque chegámos à vantagem e conseguimos segurá-la. Fizemos alguns ajustes durante o jogo, dentro das respostas que tínhamos de dar. Hoje, fomos felizes e continuamos a nossa caminhada. Está perto do fim, mas ainda não acabou. [Dois pontos para o hexacampeonato] O objetivo não são esses dois pontos. O objetivo é somar mais nove pontos até ao final do Campeonato. É esse o objetivo interno a que nos propusemos: fazer uma segunda volta melhor do que a primeira e, para isso, temos de ganhar os três jogos que restam. Se conseguirmos cumprir isso, o título será uma consequência. [Jogo sem sofrer golos] O primeiro passo para a evolução é termos essa consciência de que não fomos perfeitos, de que, aqui e ali, não tivemos os ajustes ideais. Mas a verdade é que o entusiasmo, o espírito coletivo e a entreajuda ajudaram-nos em alguns momentos. Acho que é de ressalvar um trabalho coletivo que começa numa pressão muito forte e alta, e que, depois, termina com uma estabilidade que temos tido na baliza, com as guarda-redes que têm jogado. Vamos continuar a trabalhar para isso. Por alguma razão somos o melhor ataque e a melhor defesa do Campeonato."
SL Benfica

BENFICA-IMPRENSA 6 Abril GLORIOSO VOLTA A ENTRAR EM CAMPO MAS TEM NOVA DOR DE CABEÇA PARA O DERBI! 🦅

                

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O SPA DOS HORRORES



 Quando a liderança desvaloriza, legitima. E quando legitima, perpetua. Não é apenas uma questão de palavras. É uma questão de cultura. E a cultura constrói-se tanto pelo que se diz e se faz como pelo que se aceita.

Há momentos em que o desporto deixa de ser um espelho da sociedade para passar a ser um amplificador das suas piores fragilidades. O episódio ocorrido no jogo de andebol entre FC Porto e Sporting não é, por si só, o centro do problema. É apenas mais um sinal de um ambiente que há muito ultrapassou os limites do aceitável.
O alegado incidente no balneário, suficientemente grave para levar o Sporting a pedir uma audiência governamental, acabou por expor algo maior. Não se trata de um odor tóxico, nem de um jogo. Trata-se de um clima. Um clima que se instalou, cresceu e normalizou. Um clima que já não surpreende. E essa é a parte mais inquietante.
Frederico Varandas foi ouvido pela ministra do Desporto, Margarida Balseiro Lopes, com a intenção de denunciar aquilo a que chamou um «comportamento miserável» dos dragões ao longo da época. Pouco depois, André Villas-Boas passou pelo mesmo gabinete. À saída, escolheu o tom. Um tom leve, quase jocoso, que transformou episódios sucessivos em ruído habitual. Falou em enviar bolas, cones e toalhas para Varandas. E ao bom estilo da ironia de Pinto da Costa, sugeriu que os dragões iriam preparar um spa para receber o Sporting, com camas em condições e toalhas de veludo, reduzindo a questão a uma ironia logística quando o problema é, há muito, estrutural.
É aqui que a história se torna preocupante. Porque quando a liderança desvaloriza, legitima. E quando legitima, perpetua. Não é apenas uma questão de palavras. É uma questão de cultura. E a cultura constrói-se tanto pelo que se diz e se faz como pelo que se aceita.
Os episódios acumulam-se. Uma televisão no balneário de Fábio Veríssimo foi o pontapé de saída. As bolas e os cones que desaparecem durante um jogo importante são a continuação. E até as toalhas de Rui Silva, que foram desaparecendo nesse jogo, lembrando a final da CAN, é algo que André Villas-Boas considera dentro dos limites do desporto.
São vários gestos que, isoladamente, podem parecer irrelevantes, mas que juntos desenham um padrão. Um padrão de pressão, de desconforto, de tentativa de condicionamento. Um padrão que, repetido vezes suficientes, deixa de ser exceção para passar a ser método.
Nada disto é novo. O que é novo é a sensação de regressão. Havia uma expectativa, talvez ingénua, de que uma nova geração de dirigentes trouxesse outra linguagem, outro comportamento, outra responsabilidade. Uma forma diferente de competir fora de campo. Mais transparente. Mais adulta. Mais consciente do impacto que cada gesto tem num país onde o futebol não é apenas um jogo.
Em vez disso, assistimos a uma reedição de práticas antigas, agora com um verniz mais sofisticado, mas com a mesma lógica de fundo. A lógica de que vale tudo desde para vencer. De que a fronteira pode ser empurrada, testada, dobrada.
O problema não é apenas o que acontece dentro dos recintos. É o que acontece fora deles. A normalização. A banalização. A ideia de que faz parte. De que é rivalidade. De que é assim. Como se o desporto tivesse regras diferentes das restantes esferas da vida pública.
Não tem. Não pode ter.
Quando um presidente de um dos maiores clubes do país relativiza comportamentos que colocam em causa a integridade competitiva, está a enviar uma mensagem clara. Não apenas para os adeptos, mas para todo o ecossistema desportivo. A mensagem de que a linha pode ser esticada. Sempre um pouco mais até deixar de existir. Até rebentar.
Entretanto, as instituições observam. Liga, FPF e Governo. Todos com margem para agir. Todos com responsabilidade. E todos, demasiadas vezes, a optar pela prudência silenciosa. Pela gestão do momento. Pela esperança de que o tempo resolva aquilo que a liderança não resolve. É uma estratégia confortável, mas raramente eficaz.
Desta vez, o Ministério Público decidiu avançar com um inquérito, admitindo a possibilidade de crimes de natureza pública antes do jogo de andebol entre as duas equipas. É um sinal. Um sinal claro de que o assunto é sério. Demasiado sério. De que se estão a ser ultrapassadas todas as barreiras do aceitável. E devia servir de motivação para que as autoridades desportivas e governamentais deixassem de assobiar para o lado. Porque o problema não é apenas jurídico. É cultural. E os problemas culturais não se resolvem apenas com processos. Resolvem-se com posicionamento. Com liderança. Com exemplo.
O desporto português não precisa apenas de investigação. Precisa de autoridade. Precisa de consequências. Precisa de um ponto de rutura. Precisa que alguém diga, de forma inequívoca, que há um limite. E que esse limite não é negociável.
Quando a agressividade do futebol começa a contaminar outras modalidades, algo se perdeu. O andebol, como todas as modalidades, deveria ser um espaço de competição limpa, não um prolongamento das guerras de bastidores do futebol. E, no entanto, aqui estamos. A falar de balneários, de odores, de provocações pouco ou nada subtis transformadas em estratégia.
Tão inquietante como o episódio é a reação ao mesmo. Ou a falta dela. É a facilidade com que se desvaloriza. Com que se sorri. Com que se transforma o sério em anedota. Como se tudo isto fosse apenas parte do espetáculo.
Há uma linha invisível que separa a rivalidade da degradação. Alguns clubes estão perigosamente perto de atravessá-la por completo.
E quando isso acontece, o desporto deixa de cumprir a sua função mais básica. Deixa de ser um espaço de confronto leal para passar a ser um território de suspeita permanente, onde tudo se contamina, até aquilo que deveria estar protegido.
Não há vitória que compense. Pelo contrário. Há uma derrota silenciosa, partilhada, que não entra nas estatísticas nem levanta troféus. Uma derrota que se instala devagar, que corrói a confiança, que afasta quem ainda acredita que isto pode ser diferente.
E essa derrota é de todos. Dos dirigentes que alimentam o clima, das instituições que hesitam, do poder político que tarda em agir.
Mas também é de quem olha e aceita.
Porque há feridas que não se veem no fim de um jogo, mas que ficam. E essas são sempre as mais difíceis de sarar.
Luís Aguilar, in a Bola

Liga 25/26 Jornada 28 ⚫ CASA PIA VS BENFICA 🔴 (ANTEVISÃO) BENFICA TENTA RAPHAËL GUERREIRO E ANDRÉ

                

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