quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

AGORA SÓ UMA NOITE PERFEITA

 


Era grande a expectativa a envolver esta nova visita do Real Madrid ao Estádio da Luz para defrontar o Benfica na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.

Era consensual que o facto de serem dois jogos e o segundo dos quais fora, elevava grandemente a dificuldade deste novo confronto com o gigante espanhol.
As duas equipas tinham, entretanto, cumprido no respetivo campeonato, vencendo os respetivos jogos. Do lado espanhol, a resolução fácil do encontro de receção à Real Sociedad (4-1), permitiu o descanso absoluto de Kylian Mbappé, circunstância bastante inconveniente para o Benfica, por se tratar da principal ameaça do ataque madrileno.
Do lado benfiquista, ao contrário, a ausência de Aursnes era a principal incerteza, que acabaria contrariada pela presença sempre positiva do precioso médio norueguês. Além da desejada integração de Dedic e Aursnes, a escolha de Mourinho voltava a recair em Rafa e não em Sudakov, talvez a única dúvida que subsistia. A velocidade e agressividade de Rafa, que não esteve feliz, terá inclinado para si a preferência do seu treinador.
Quanto ao jogo, foi desta vez bem mais medido taticamente por ambas as equipas, no que diz respeito ao risco, comparado ao jogo anterior, em função das características diferentes do duelo. O respeito tático pelo adversário foi mútuo e bem visível, com as equipas muito juntas, quer na defesa, quer depois na manutenção da posse de bola.
O Real foi mais dominador, com um meio campo que se mostrou mais sólido e agressivo, fundamental para a sua superioridade. Na frente, teve os seus dois avançados a mostrarem-se sempre perigosos mesmo em espaços curtos, apoiados por um setor intermédio agora reforçado por Valverde, um verdadeiro portento que fez diferença.
O único, vistoso e decisivo golo aconteceria logo no reinício da segunda metade por Vinícius Júnior, cujo festejo provocatório acabou por criar uma longa turbulência que em nada ajudou à necessária reação do Benfica.
No seguimento do golo, o avançado brasileiro acusou Prestianni de racismo, algo que a ter acontecido deve ser fortemente criticado. A equipa abanou, mas conseguiu reagir, também pela entrada de Ríos, Sudakov e Sidny Cabral, que animaram a equipa, conseguindo voltar a chegar à frente com mais gente, embora sem criar oportunidades claras.
Nota final para a não amostragem do segundo cartão amarelo a Vinícius, que ainda podia fazer diferença no resultado, em falta claramente merecedora desse castigo. No seguimento acontece a expulsão de José Mourinho, que protestou energicamente, percebendo como importante poderia ainda ser a superioridade numérica no tempo que faltava.
Claro que com este resultado as dificuldades crescem e agora em Madrid procura-se a noite perfeita, como resposta a uma incómoda desvantagem, mas mínima.
Afazeres domésticos
Por cá, enquanto ainda ecoa o escândalo das bolas escondidas, mais uma rábula lusa inesquecível de má, o Benfica vencia nos Açores com alguma segurança, diminuída, embora, por uma intervenção infeliz de Trubin.
Tivemos outro exemplo de como o futebol, e também a vida, nos trazem, em pouco tempo, sentimentos tão opostos. Para alguns dos adeptos, o pobre Trubin regressou à condição de réu vulgar pelo erro cometido, depois de passar por herói imortal, ainda há poucos dias. Nada de novo, portanto. Com a missão então cumprida no campeonato, importava recuperar do desgaste, das emoções e das poças açorianas, antes do complicado teste europeu de ontem.
Quanto ao relvado açoriano, que é o último classificado da Liga no que diz respeito à qualidade, fica mais uma interrogação: Tanto investimento, ano após ano, em jogadores maioritariamente estrangeiros, e por isso teoricamente mais caros, não justificaria alguma renovação do local onde se joga? O arquipélago é lindo, mas o futebol não deixa de ser também um importante veículo de promoção que precisa da melhor imagem.
Os famosos investidores saberão disso ou é-lhes indiferente? E o governo regional, dorme ou não se importa?
Velha escola
Porque há coisas que são cada vez menos admissíveis e ações que devem ser exemplarmente punidas, penso ser um bom motivo para recuperar mais uma história da velha escola, vivida enquanto jogador. Passados tantos anos, voltamos a práticas que, na nossa tenrinha ingenuidade, julgávamos enterradas para sempre. As equipas grandes pedem grandes jogadores, mas também grandes pessoas, que, pelo menos, se respeitem entre si e ao público, através de comportamentos condizentes.
Fui um dos jogadores do Benfica, já lá vão uns anos, que se equipou no corredor de acesso ao balneário visitante do antigo estádio das Antas, também antes de um clássico.
O produto químico que inocentemente alguém tinha derramado antes da nossa chegada ao estádio tornava o ar irrespirável e a nossa presença impossível.
Como agora, imagino que essa feliz e respeitadora iniciativa tenha partido de alguém que nada mandava e que a ideia também lhe tenha surgido sem a ajuda de ninguém...A vantagem em relação ao episódio épico das bolas escondidas é que, dessa vez, como em várias outras, as tropelias aconteciam longe dos olhos do público.
Incompatibilidades
Voltando ao tema dos treinadores e a algo difícil de entender, é como se permite que um mesmo treinador dirija duas equipas, numa mesma época e no mesmo campeonato.
Por exemplo em Itália, por onde passei de raspão como jogador, os treinadores só podiam treinar uma equipa na mesma competição. Nesse âmbito, o clube também estava impedido de oficializar um novo técnico antes de garantir o acordo de rescisão com o anterior.
Não parecendo nada difícil de implementar ou entender, é uma medida lógica que defende o despedido e dá oportunidade a outros, que ainda por cima, são mais que muitos. Ao mesmo tempo, evita incompatibilidades competitivas óbvias, de alguém poder defrontar a equipa que ainda na semana anterior tinha sido sua. Jogar contra e no dia seguinte a favor, faz sentido? Não me parece nada.
Rui Águas, in a Bola

CAVALHEIRISMO E CHOQUE PRESTIANNI - VINÍCIOS JR.

 


A história de um jogo nunca devia estar focada numa situação como a do argentino e do brasileiro; quase nada importou mais, nem mesmo a declaração de Rui Costa

Houve um dia em que o maior ídolo da História do Benfica escondeu nas cuecas a camisola daquele que era o melhor jogador do Real Madrid e sua referência futebolística. Esses eram outros tempos, em que imperavam algumas faltas duras em campo, mas prevalecia o cavalheirismo entre homens de uma mesma batalha.
Havia uma altura, também, em que os jogadores não tinham problemas em falar entre eles sem terem de se esconder atrás de uma mão a tapar a boca ou, como fez Prestianni, atrás de uma camisola. Como disse, e bem, um jornalista espanhol que questionou Mourinho na sala de imprensa, «quem faz isso é porque algo quer esconder».
A acusação sobre o argentino é grave e real, Mbappé afirmou ainda que o alegado insulto foi repetido cinco vezes, e a suspeita aumenta por um gesto de ocultação que se tornou comum nos relvados. À falta de prova concreta, a «verdade» será vista consoante a cor pela qual se torce e por quem se acredita, com uns a argumentarem a espontaneidade e veemência do protesto de Vinícius e outros a lembrarem episódios passados do brasileiro. O que disse Prestianni e o que ouviu Vinícius só eles terão certezas, mas o argentino já não se livra [pelo menos, ver-se-á o que fará a UEFA] da suspeita e o episódio vai acompanhar-lhe toda a carreira, como a de Vinícius Jr é já marcada por situações do género.
Um problema destes, o racismo, não é clubístico, é muito maior do que uma fronteira ou uma nacionalidade, ou modalidade. Ser jovem e inexperiente ou velho e «veterano de guerra» também não dá o direito a ninguém de insultar um outro pela cor da pele.
Aquele cavalheirismo em campo dos tempos de Eusébio e Di Stéfano é uma ilusão nos dias de hoje. Uma «arte» que tanto Real Madrid e Benfica [e não só] apregoaram como valor diluiu-se no tempo, e o que devia ser regra é agora exceção. Os jogadores de Benfica e Real Madrid deviam saber para o que iam, que um encontro destes tem «pedigree», reflete uma nobreza futebolística - mesmo que hoje, os jogadores dos encarnados não sejam tão bons em comparação com os dos merengues como eram na década de 1960. Houvesse um vislumbre de cavalheirismo na Luz e a beleza do golo de Vinícius Jr. não ficaria para segundo plano, assim como a declaração de Rui Costa a afirmar que Mourinho continuará no Benfica.
Ficámos a saber a ideia do presidente para o Benfica. Faltou, e falta, saber se o treinador o confirma.
Luís Pedro Ferreira, in a Bola

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 19 Fevereiro GLORIOSO PREOCUPADO COM AS REPERCUSSÕES DO CASO PRESTIANNI! 🦅🔴

                    

SE ESTIVESSE INOCENTE DAVA DOIS ESTALOS EM VINÍCIUS JR.



 Tenho a certeza de que Prestianni não é racista. Mas admito que possa ter dito uma frase racista. Só ele sabe. Sei que muito do que se passou é de mau gosto... Que a intolerância deve ser com TODAS as formas de discriminação. Se Vinícius tiver razão, Prestianni que peça desculpa; se o argentino falar a verdade, estão a reação do próprio e do Benfica foi muito mole...

«A ignorância não é apenas ausência de conhecimento, é recusa em compreender», frisa Umberto Eco, cujo décimo aniversário da morte se assinala esta quinta-feira. O escritor, filósofo, professor e semiólogo italiano falava da ignorância como «o terreno mais fértil ao ódio». De resto, «a intolerância nasce frequentemente da ignorância».
Evoco Umberto Eco ao ler e ouvir tudo o que se tem escrito e dito sobre o alegado insulto racista de Prestianni a Vinícius Jr. Racismo é ignorância, sim, mas é também medo de abraçar a diferença e enriquecer com isso; é o exercício ignóbil da ofensa com base numa característica genética. É discriminação. E todas são abomináveis: cor de pele — sejam brancos, negros, vermelhos, amarelos ou castanhos —, religião, orientação sexual, peso, nível económico, etc. Todas as formas de discriminação devem provocar o mesmo grau de indignação.
Não sei se Prestianni chamou «macaco» a Vinícius Jr. Mas digo que não apreciei a reação mole do Benfica — que quer provar em vídeo que os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que disseram que ouviram — nem a defesa de Prestianni — que garante que não insultou o avançado brasileiro e acrescentou que «interpretou mal algo que pensa ter ouvido». Meus amigos, se qualquer um de vós que me lê neste momento fosse injustamente acusado de racismo perante o mundo inteiro e com poder para danificar irremediavelmente a imagem… como reagiriam? A lamentar que possa ter sido mal interpretado? Que ninguém pode ter ouvido? Ou, como filho de boa gente, haveria de sentir o sangue a ferver e dar dois sopapos na cara do mentiroso?
Também não gosto que se acuse Vinícius Jr. de ser uma espécie de rei das queixinhas de racismo... Até poderia ser, mas a única questão é: foi alvo de racismo ou inventou? Tudo o resto é fumo para não se responder ao essencial.
Acredito que Prestianni é racista? Não. Não faz sentido. Tem companheiros negros na equipa, por quem dá tudo em campo. Tem adversários negros e, a ter insultado, terá escolhido apenas um alvo. Acredito que uma pessoa que não é racista pode ter comportamentos racistas — talvez porque não teria gostado da forma como Vinícius Jr. festejou o golo, que os adeptos e jogadores do Benfica terão considerado insultuosa. Se Vinícius Jr. fosse gordo, seria chamado de pote de banha; se usasse óculos, «seria caixa de óculos»; se usasse batom para o cieiro, seria insultado de gay... O facto de ser mais um desabafo e um protesto do que uma tentativa de insulto racista atenua? Nada.
Atenção: o racismo e o antirracismo, por vezes, podem cruzar-se em terreno perigoso: o da intolerância. Este é um caso em que nem é preciso começar a ensinar no infantário que todos os seres humanos são iguais: todas as crianças o sabem até desaprenderem com maus exemplos. O racismo é ignóbil. Também já o senti.
O ator Morgan Freeman perguntava um dia: sabem quando sabemos que o racismo desapareceu? No dia em que não for preciso falar dele. Sonho com o mesmo dia.
Não é do nosso julgamento que Prestianni tem de ter medo: é do da consciência. Se for culpado, que peça desculpa, aprenda e siga em frente — não gosto de sentenças para a vida inteira; se está inocente, a minha solidariedade — é horrível essa acusação.
Jorge Pessoa e Silva, in a Bola

PRESTIANNI & VINI JR: A MINHA LEITURA DO QUE ESTÁ A ACONTECER NO BENFICA

                   

VINÍCIUS JÚNIOR ACUSA PRESTIANNI! ARGENTINO EM PROBLEMAS? ● MOURINHO FICA PARA A PRÓXIMA ÉPOCA!

                   

Falar Benfica #234