quarta-feira, 10 de junho de 2026
DEZ DIAS QUE MUDARAM O BENFICA
José Mourinho está de volta ao Real Madrid. No Benfica santos da casa não fazem milagres. E Mourinho passou de ser um dos melhores treinadores do mundo para ser um mais ou menos. Acontece que os outros não esquecem que José Mourinho venceu duas vezes a Champions, ou a sua predecessora, com equipas relativamente fracas, nem que é um vencedor.
Quando comparadas com as superpotências do futebol, Real Madrid e quejandos, o FC Porto e o Inter que venceram a Champions tiveram um excecional treinador. Provavelmente, o melhor do mundo deste século. Que continuou a vencer mesmo na sua fase menos boa: no Man. United e na Roma. E mesmo no Totenham foi despedido na véspera de levar o clube à primeira final em muitos anos. Só na Turquia a coisa não foi tão bem. Digam-me um treinador que tenha treinado um clube português depois de fazer um palmarés destes? Pois…
Quem viu isso, como já tinha visto na fase menos boa de Ancellotti, foi Florentino Pérez, o presidente do Real Madrid. Florentino, que manteve, ou melhor, elevou o Real Madrid a um nível ainda mais estratosférico, escolheu Mourinho. Reconhece-lhe qualidades e capacidades que Rui Costa não reconhece. O Presidente do Benfica tem receio de se comprometer: está sempre pronto a esquecer-se de apoiar qualquer um que seja contestado. O ricochete, claro, acaba sempre por apanhá-lo e deixa-o sempre pior. Os adeptos perdoam erros, mas não perdoam a indecisão.
Rui Costa teve muito tempo para contratar Mourinho e para o apoiar. Foi preciso saber do interesse do Real Madrid para se lembrar que tinha um grande treinador. Mourinho serviu a Costa para vencer as eleições do Benfica. Depois, como as coisas não correram logo bem, esqueceu o assunto. Agora, foi entalado pela cláusula que permitia a Mourinho, durante dez dias úteis, rescindir o contrato com um custo mais baixo. Mesmo sem ter sido exercida (do mal o menos!) esta cláusula abriu a possibilidade de Mourinho sair. E Mourinho vai para o Real Madrid. A manutenção da validade da cláusula era um convite a essa saída! A reputação de Mourinho, e a sua qualidade, são excecionais. Em menos de um ano, ajudou a vencer as eleições no Benfica e no Real Madrid!
Esta cláusula, foi louvável em tempo de eleições: Rui Costa não sabia se seria reeleito e não queria comprometer o próximo presidente. Porém, logo após a reeleição, o presidente do Benfica teve ampla oportunidade para renegociar o contrato assegurando três ou quatro anos de Mourinho mas não o fez.
Positiva, no entanto, a capacidade de Rui Costa de ir buscar Marco Silva. Um ótimo treinador.
A vida em Portugal é mais agradável que noutros países, e treinar o Benfica é treinar um grande clube, mas Mourinho teve sempre para onde ir. O presidente do Benfica não pode atuar como se fosse um fã: tem que ter uma estratégia, coragem e persistência. Não se pode desistir de um treinador por dá cá aquela palha. Veja-se Varandas com Amorim, que não ganhou logo, ou agora com Borges!
O Direito ao Golo vai para Vasco Vilaça, duas vitórias em duas provas do Mundial de Triatlo é fantástico. E para Afonso Eulálio, que venceu a camisola da juventude (a branca) e ficou em sexto no Giro de Itália. Notável.
João Caiado Guerreiro, in a Bola
RENOVAR E VENDER SCHELDERUP
Andreas Schjelderup tornou-se no principal ativo do Benfica, mas pode não ser contraditório renovar com o norueguês e vendê-lo
A ascensão de Andreas Schjelderup no Benfica é um dos casos positivos da época encarnada. O norueguês encontrou dificuldades de adaptação a um contexto competitivo mais exigente do que aquele que conhecia quando chegou e a primeira temporada a full-time na equipa principal mostrou que precisava de crescer: na retina ficará sempre o lance do 2-2 do Arouca em plena Luz, em 2024/25, com Schjelderup a não recuar e a ver de longe alguém que devia ter acompanhado marcar o golo que invertia a vantagem no campeonato a favor do Sporting.
Também passou por um caso pessoal difícil com a justiça dinamarquesa e que deve ser considerado na análise ao seu rendimento. Ultrapassada essa questão, ficou mais preparado mentalmente, enquanto Mourinho lhe deixava recados.
A exibição de gala diante do Real Madrid, na Liga dos Campeões, e posteriores desempenhos confirmaram por fim a expectativa: o Benfica tinha em mãos um ativo de bom valor desportivo e financeiro, assim mantivesse a personalidade competitiva, que cresceu de forma evidente a partir daí. É precisamente por isso que a intenção de renovar contrato faz sentido.
No entanto, uma renovação não significa necessariamente que Schjelderup vá permanecer muitos anos na Luz. Pelo contrário, pode até acelerar uma transferência. As renovações são frequentemente instrumentos de gestão de ativos. Não se renova apenas para manter um jogador, faz-se também para controlar melhor o seu futuro, sobretudo num modelo que os clubes em Portugal têm de seguir: a venda regular de futebolistas. Se Schjelderup melhorar o seu vínculo, o Benfica ganha força negocial perante interessados e afasta o risco de entrar em fases contratuais mais delicadas.
A ausência da Champions representa sempre um impacto significativo nas receitas de qualquer clube. Sem essa fonte de rendimento, aumenta a pressão para gerar encaixes através de vendas. Pela idade, margem de progressão e projeção internacional com a presença no Mundial 2026, Schjelderup encaixa perfeitamente no perfil de jogador capaz de originar uma transferência de maior dimensão.
A notícia de uma possível renovação pode, porém, mexer com potenciais interessados, que do outro lado do negócio sabem que o jogador vai ficar mais mais caro. Assim, a rapidez da ação é essencial, porque, como se percebe, renovar e vender pode não ser contraditório. Sobretudo em tempos de alguma necessidade.
Luís Pedro Ferreira, in a Bola
O CAMPEÃO do Mundial 2026 já está escolhido? 👀
PLANETA FUTEBOL - Ep.2: PORTUGAL E AS OREVISO*ES DO MUNDIAL!!
terça-feira, 9 de junho de 2026
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