segunda-feira, 14 de junho de 2021

MÃEZINHA JÁ SOU DOUTOR (20)



 O meu amigo Hernâni diz que eu sou muito egocêntrico o que é redondamente mentira. O que eu gosto é de falar de mim e das minhas histórias o que é diferente de centrar o mundo em mim. Eu sei que existem outras pessoas, mas não as conheço tão bem como a mim e, por isso, para não cair no erro de as analisar sem fundamento remeto-me a mim e às minhas circunstâncias. De vez em quando, vem-me à mente uma análise que um crítico literário fazia a alguma literatura construída por jovens que estudam na universidade as coisas das letras. Dizia ele que os novos literatos escrevem muito bem só que falham na mensagem já não tinham mundos interiores para desbravar. Eu, pelo menos, tenho muitos mundos para escalpelizar. Posso não conseguir ter a arte para ir buscar ao tinteiro as ideias que me justifiquem, mas que tenho muitos mundos é inegável. Há alguns de quem dizem que a sua vida dava um filme. A minha vida dava uma cinefilia completa, com filmes de terror, amor e aventura.

Hoje, vou contar uma história interessante que, como é normal em mim, saiu do que é a normalidade. O processo do meu doutoramento. Antes disso um aparte. Não sei se há muitos antigos combatentes da guerra do Ultramar que tenham regressado a casa com a “moleirinha” avariada e tenham consigo fazer um doutoramento. Deve haver alguns, mas poucos, pois ter a capacidade de vencer o stresse pós-traumático com voos noosféricos consequentes não é tarefa fácil. Não estou a falar dos “veraneantes” em Luanda, Lourenço Marques ou Bissau. Estou a falar daqueles que com uma arma nas mãos passaram muito noite de vigília no mato e a dispararam em várias ocasiões.
Há uma confissão que tenho de fazer para ser honesto. Eu vim da guerra meio-maluco, mas tenho de reconhecer que fui para a guerra maluco inteiro. Por isso, a guerra atenuou a coisa. Olhem lá não estou a brincar. Tirando o perigo a pairar como uma sombra sobre a nossa cabeça, coisa de que nos esquecemos ao fim de uma semana, nunca na guerra passei por algo parecido com os excessos e desconfortos induzidos pela minha preparação nos Rangers. Foi bem seguir o lema desportivo fundamental “treinar duro para competir fácil”. Bem, fiz a guerra e regressei a casa com uma ambígua certeza – não saber quem era nem para onde ia. E, para acalmar as angústias existenciais que o sem sentido da vida catalisam, optei por entrar na mais angustiante das existências – ser empregado bancário. A coisa durou um ano e nem o Sartre me salvou. Tive de fugir desse Eldorado o mais rapidamente possível antes que o fato e gravata me ficassem indelevelmente colados ao corpo.
Abreviemos a coisa e passemos para o que interessa. Entrei, com alguma coragem diga-se, nesse mundo solar e maravilhoso que se chama Desporto e Educação Física. E, depois de muitas vicissitudes, cheguei ao doutoramento. Entreguei a tese a 8 de fevereiro e o prazo para a entrega terminava quatro dias depois. As razões para ter andado devagar foram várias, mas nenhuma relacionada com o desporto favorito de muitos portugueses – a sornice. Só de uma vez, o oxímetro do Centro de Medicina Desportiva esteve avariado nove meses e eu sem poder fazer as provas. O Mário Silva, que era na altura o melhor especialista de 1.500 metros de Portugal, treinado pelo meu ex-aluno, colega e amigo Ramiro Rolim, e que eu queria na minha amostra, veio duas vezes de Braga ao Porto para fazer os testes. Das duas vezes a maquineta avariou e já não houve uma terceira possibilidade, perdi o Mário Silva para o meu estudo. Assim, os prazos foram-se esgotando, mas sem total culpa minha. Alguma teria, pois, poderia ter andado um pouco mais depressa se as minhas ocupações fora da faculdade não me tivessem ocupado tanto tempo. Contudo, trabalhei bem e no mesmo ano do meu doutoramento 1995 editei um livro “A Dietética do Desportista” prova que não era sornice o meu mal.
Vamos então analisar parte do processo. O meu projeto inicial era realizar um estudo sobre as alterações microestruturais induzidas no músculo esquelético por diferentes tipos de treino de força – máxima, explosiva e resistência de força. Tinha alunos disponíveis para o estudo, tinha adquirido o aparelho para o treino de força (mais uma vez o António Marques a resolver o problema), tinha o técnico das biopsias preparado, o meu colega médico José Alberto Duarte. Ele tinha treinado em mim. Fui o primeiro biopsiado desportivo em Portugal. O meu músculo andou a ser mostrado aos alunos nas aulas de Biologia durante vários anos. Parece que a nível microestrutural eu era muito bonito. Por razões que não julgo conveniente trazer à colação neste momento esse projeto falhou. Resolvi fazer uma coisa mais aplicada e pragmática. Circulava, no início dos anos de 1990, um livro do Carlos Alvares do Villar “La Preparación Física nel Futbol basada nel Atletismo” que era quase uma bíblia para muitos preparadores físicos principalmente em Espanha. Juntando as duas populações a que eu tinha acesso – futebolistas e velocistas, meio-fundistas e fundistas do Atletismo resolvi comprovar que as adaptações induzidas pelo futebol tinham pouco que ver com as do Atletismo, pelo que a utilização de exercícios desinseridos do contexto futebolístico só poderiam fazer parte da preparação inespecífica do jogador de futebol, ou seja, poderiam ajudar a resolver alguns problemas como a melhoria da velocidade, da força e da flexibilidade em jogadores que tivessem défices nestas vertentes da condição física. Nunca poderiam seriam considerados essenciais para o futebol, mas meros exercícios complementares.
Bem, apontaram-me como orientadores do meu processo de doutoramento duas ínclitas figuras que me recuso a dizer o nome pois ainda são vivos e poderiam vir atrás de mim para me bater. Um português, outro estrangeiro que em português só sabia dizer “ai lôve iú”. Paralelamente à recolha dos dados comecei a fazer a revisão da literatura pois estive cerca de um ano a estudar a imensa bibliografia que compulsei. Como o meu orientador “camóne” não me podia ajudar muito na estruturação da tese em português foquei-me no orientador luso.
Enviei-lhe cerca de 50 páginas para ele dar o seu veredicto e apontar eventuais correções. Ao fim de um mês: - Professor, por favor, diga algo sobre o que escrevi. Ao fim de três meses: - Professor, por favor, diga algo sobre o que escrevi. Ao fim de seis meses: - Professor, por favor, diga algo sobre o que escrevi. Desisti do orientador e comecei a escrever a tese sozinho com a profunda ajuda do José Maia na Estatística e a ajuda do José Soares e do Júlio Garganta em alguns capítulos do documento.
- Professor a tese está acabada! Por favor passe a autorização para eu a entregar. Olhou para mim como se eu fosse marciano, assinou o documento e desandou como se eu tivesse sarna.
Chegou o momento. Preparei a defesa com a exposição de slides que estavam numerados de 1 a 40. Como eu tinha o tempo limitado e cada slide era um mundo de informação reduzi o número para 18. No dia anterior, treino a minha exposição no salão nobre da reitoria com o França, o homem dos meios audiovisuais, a ajudar na parte técnica da tarefa. A certo momento o França dá uma de aselha e o carreto com os slides cai ao chão espalhando slides por todo o sítio. Um dos slides, com informação essencial sobre o VO2max comparativo entre futebolistas e corredores do Atletismo, desliza para debaixo do estrado e por lá ficou. Com certeza, ainda lá está hoje.
No outro dia, quando chego ao ponto de apresentar esse slide e vejo que faltava, com uma calma olímpica que eu desconhecia em mim, disse: - Era suposto estar aqui um slide com a seguinte informação. E passei a discorrer sobre o slide em falta pois tinha toda a tese memorizada quase até às vírgulas. Tinha de acontecer algo mesmo no momento terminal. Nunca a vida me aconteceu de forma calma e natural. Sempre a fazer surf nas vagas alterosas das acontecências existenciais.
Todos os elementos do júri do meu doutoramento me outorgaram a nota máxima: Suma cum lauda. Houve um que não me atribuiu essa nota. Sabem quem? Se disseram o meu orientador português, acertaram.
Eu tinha de ser mesmo original. Devo ser o único caso no mundo académico em que o orientador deu uma nota inferior ao júri ao seu doutorando.
Mãezinha, já estavas no céu quando me doutorei, mas como podes ver o teu filhinho querido até nos momentos pró o contra apareceu sub-reptício.
Já agora uma coisa nada supérflua. Eu pensava que quando realizasse o doutoramento ia ficar assim uma espécie de guru iluminado com resposta para tudo e preparado para definir as novas tábuas da lei. Pensei que quando fosse na rua os transeuntes se baixassem em referência à minha suprema sabedoria. Nada disso aconteceu e somente ganhei uma superior consciência da minha ignorância. Faz-me lembrar a seguinte história. Um dia, um professor muito vaidoso, sentou-se num banco por detrás do qual estava um nicho de um santo. Quem passava por lá reverenciava o santo julgando o professor que era o reconhecimento da sua excelência. Quando saiu do banco já ninguém lhe tirava o chapéu ou o reverenciava. Isto significa o quê? Que nós só momentaneamente transportamos o prestígio que a Universidade nos outorga. Fora disso nada mais somos que simples homens e mulheres condicionados pelas acontecências da existência. Mãezinha! Apesar de tudo fui feliz.
José Augusto Santos, in a Bola

DESAPARECE O MATTAMOUROS E APARECE O RUI PEREIRA. UM BAILADO...


 

sábado, 12 de junho de 2021

RAFA SILVA | A ETERNA SAÍDA DA ETERNA PROMESSA

 


"Há um ano, o agente de Rafa Silva deixava no ar a perspetiva do extremo se mudar para a Liga Espanhola ou Inglesa, assumindo que o seu cliente gostava de chegar ao topo do futebol europeu. A verdade é que o jogador permaneceu no Sport Lisboa e Benfica e esteve em 46 partidas, apontando nove golos e somando dez assistências.
No entanto, um ano volvido volta a especular-se sobre a permanência ou saída do ex-SC Braga e CD Feirense. Jorge Jesus parece querer mantê-lo, vendo em Rafa um jogador de qualidade e experiente. Todavia, o peso que as contas encarnadas vão ter no mercado de verão 2021 podem implicar a venda dos ativos mais rentáveis.
Incluindo Rafa. Aos 28 anos, esta pode ser uma das últimas janelas de oportunidade para angariar um montante razoável com a transferência do extremo português. Num momento de necessária renovação desportiva e de obrigatório equilibrar das contas, a saída de Rafa poderá revelar-se uma necessidade.
Apesar de as suas qualidades intrínsecas lhe serem sobejamente reconhecidas, o extremo nunca chegou verdadeiramente a explodir e a alcançar o patamar prático que o seu potencial teórico fazia antever.
Exceção feita à temporada 18/19 (e, em certa medida, esta transata), em que de facto mostrou qualidade com consistência, as épocas de Rafa de águia ao peito foram sempre plenas de altos e baixos.
E, parecendo que não, Rafa Silva já leva cinco temporadas de SL Benfica. Ainda assim, continua a falar-se do jogador como se de um rapaz de 20 anos se tratasse. Ainda se espera o momento da explosão, o momento em que Rafa demonstra ser um desequilibrador com golo, em que o extremo mostra capacidade para ser um jogador regular.
Parece-me claro que, a chegar, esse momento não terá lugar com Rafa no SL Benfica. Naturalmente, o internacional português não deixa de ser um bom futebolista e será sempre vital saber substituí-lo.
Contudo, pesando o que Rafa já deu e o que pode dar ao SL Benfica, atentando no valor de mercado do jogador (23 milhões de euros, segundo o Transfermarkt), relembrando a vontade já demonstrada pelo mesmo de jogar no estrangeiro, tendo em conta a necessidade de fazer dinheiro por parte do clube e considerando que este pode ser o momento ideal para libertar Rafa, não me oporia à sua saída (se oposição ainda significa alguma coisa no regime vigente no SL Benfica)."

O NARIZ QUE SALVOU A ITÁLIA

 


"Gino Bartalli, o italiano alegre do nariz triste, ganhou vida e recuperou a coroa do Tour. Em Itália já não havia lugar para a política...

Se havia algo saliente em Gino Bartalli era, sem dúvida, o nariz. Escreveram-se, em Itália, livros e livros sobre Gino: Una Bici Contro il Fascismo; L’Uomo d’Acciaio che Salvó l’Italia; Campione Toscano; Un ‘Santo’ in Bicicleta; Un Naso in Salita. Era mesmo aqui que eu queria chegar: à obra de Massimo Guglielmi. Em português podíamos chamar-lhe: Um Nariz Montanha Acima. Belo título por sinal.
Terceiro dos quatro filhos de um pequeno proprietário de terras de Ponte de Ema, não longe de Florença, Gino era, sem dúvidas, senhor do seu nariz. Embirrou desde miúdo com as enxadas e as ceifeiras. Tratou de avançar com o seu próprio negócio e passou a vender ráfia aos produtores de vinho que a usavam para forrar as garrafas de chianti. Em seguida arranjou um emprego numa fábrica de bicicletas e, a partir daí, nunca mais a vida deixou de correr-lhe sobre rodas. Começou a competir com 13 anos e fez-se profissional aos 21. Pelo meio casou-se com um rapariga chamada Adriana Bani. A boda foi consumada pelo cardeal Della Costa e recebeu bênção papal e tudo. Foi a forma de Pio XII lhe agradecer a bicicleta que Gino lhe enviara de presente.
Há um episódio na vida de Gino Bartali, O Nariz que Salvou a Itália, que todos contam, cada um à sua maneira. Gino estava numa esplanada sobre a praia, em Cannes, tomando notas para a etapa do dia seguinte da Volta à França. Decorria no dia 14 de julho de 1948. Um homem de gabardina esperara pacientemente em frente à praça de Montecitorio. Não era um homem sequer, apenas ainda um fedelho. Viajara entre Génova e Roma para assassinar Togliatti, o chefe do Partido Comunista Italiano. Disparou por quatro vezes. Três balas atingiram Togliatti, uma delas na cabeça. A quarta perdeu-se. Os jornais da tarde berravam em manchete: Togliatti colpito a morte in Piazza Montecitorio.
A Itália entrou em convulsão. Por toda a parte havia movimentos de revolta, cenas de pancadaria, os passeios sujos de sangue. O país precisava de Gino Bartalli, tal como precisara dele durante a II Grande Guerra para formar uma rede clandestina que permitiu a fuga de centenas de perseguidos pelo regime nazi-fascista.
O empregado do hotel surgiu na esplanada e dirigiu-se a Bartalli. Havia um telefonema urgente à sua espera, Gino sobressaltou-se. Pegou no auscultador e ouviu uma voz do outra lado: «Pronto, Gino, ciao, sono Alcide De Gasperi...». Ao sobressalto seguiu-se a incredulidade. O primeiro-ministro de Itália? A que propósito?
De Gasperi traçou o quadro negro dos confrontos que tinham tudo para degenerar numa guerra civil. Precisava de um momento de distração, Ou melhor: de um momento de união. Perguntou: «Gino, puoi vincere il Tour?» Gino tinha 34 anos, gastara muito as pernas em duras compitas nas montanhas de Espanhas, Itália e França. Não era à toa que lhe chamavam l’Intramontabile. Sabia que estava perante a tarefa impossível, a vinte minutos de distância do líder, Louis Bobet. Mas respondeu com o seu sotaque de ferro: «Eccellenza, il Tour non lo so, ma la tappa di domani la vinco».
A etapa do dia seguinte era uma etapa para soldados do pelotão: Cannes-Briançon-Aix-les-bains. O que se segue é uma das lendas da Volta a França: Bartalli voa na frente de todos os seus opositores, pedala furiosamente como se trouxesse toda a Itália nos pés, os franceses estão boquiabertos, já não o imaginavam capaz de algo tão violento. Gino ganha a etapa. E também a do dia seguinte. De repente, o Tour está de olhos postos em Ginettacio.
A Itália está também de olhos postos em Bartalli. A raiva acalma. Discutem-se nos cafés as etapas que aí vêm e esquece-se a política.
Paolo Conte escreve uma música sobre Gino. Toda a gente a aprende de cor:
«Oh, quanta strada nei miei sandali 
quanta ne avrà fatta Bartali 
quel naso triste come una salita
quegli occhi allegri da italiano in gita 
Io sto qui aspetto Bartali
scalpitando sui miei sandali
da quella curva spunterà
quel naso triste da italiano allegro».
O italiano alegre de nariz triste está no coração de todos os compatriotas. Em plena sessão do parlamento, o deputado Tonengo, do Partido Democrata-Cristão, inicia o seu discurso com a notícia de que Gino Bartalli acaba de vencer mais uma etapa da Volta a França, a etapa decisiva. As palmas estralejam. Nas aldeias da sua Toscânia natal, rebentam foguetes e surgem festas espontâneas pela madrugada. No dia 16 de julho, os jornais italianos só têm um assunto com o qual encher as primeiras páginas: Gino Bartali ha vinto al Tour De France. La guerra civile è scongiurata. Gino Bartali ha salvato la patria. Gino do nariz triste. Uma vitória no Tour dez anos após a primeira..."

MATTAMOUROS NO NOJO E RASCORD, QUE INTERESSANTE. NÃO É PAU MANDADO DIZ O DITO...


 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

NÃO GOLO!!!

 


"Assim se continuam a decidir Campeonatos em Portugal. 1 golo para cada lado, vitória do Sporting.
Há alguém que vá defender o Benfica hoje?"

SL BENFICA | SERÁ PRECISO MAIS UMA LIMPEZA NA LUZ?

 


"A época de 2020/2021 vai ficar marcada na memória de todos os benfiquistas. Com um investimento que rondou os 100 milhões de euros (98,5 milhões, concretamente), os adeptos do SL Benfica esperavam que a equipa tivesse um desempenho formidável, digno dos maiores “colossos” da Europa. As expectativas estavam altas, mas o resultado final foi tudo menos positivo. Aliás, já não se via um SL Benfica com um rendimento tão baixo há alguns anos.
Com a onda negativa de resultados os adeptos começaram a apontar possíveis culpados. Para uns a culpa era do treinador, Jorge Jesus, para outros o problema vinha do topo – a direção de Luís Filipe Vieira. É certo que o clube estava numa fase péssima e foi Rui Costa quem deu a cara, dizendo que é em momentos como este que se vê quem tem capacidade para representar um clube com a dimensão do SL Benfica.
Apesar de ter vindo falar aos adeptos, as declarações proferidas pelo ex-jogador foram em vão. Quase nada se alterou e a equipa continuava a ter resultados muito aquém do esperado. Dentro de campo não se via um coletivo, mas sim um conjunto de bons jogadores.
E como se costuma dizer “jogadores com qualidade individual há muitos, mas equipas há poucas”. E as águias eram o exemplo perfeito dessa frase: com tantos jogadores de renome (Vertonghen, Darwin, Everton, entre outros), o cenário que se via dentro de campo parecia surreal. Estava praticamente cada um por si e não se via aquela ligação a que os adeptos estavam habituados.
Se dentro de campo o panorama não era nada favorável, era legítimo pensar que no balneário o ambiente também não era o melhor e, com a saída de Rúben Dias, essa suspeita aumentava cada vez mais. Até que começaram a surgir vídeos dos “pré” e “pós” jogos, que demonstravam a relação entre os jogadores e elementos da equipa técnica. Alegria e diversão não faltavam, mesmo tendo resultados menos bons.
Nas últimas jornadas o cenário veio alterar-se. A esperança de ver o SL Benfica que outrora conhecemos reacendeu-se. As exibições estavam a melhorar, bem como os desfechos dos jogos. Um exemplo disso foi o jogo contra o Sporting CP, sendo que os encarnados foram a única equipa a quebrar a invencibilidade dos leões.
O campeonato, a Taça da Liga, a Supertaça Cândido de Oliveira e a Liga Europa estavam perdidos. A única solução para pôr um ponto final na crise que o clube viveu esta época era vencer a Taça de Portugal. Era o último desafio, mas nem esse foi ultrapassado com sucesso. Estava de volta a revolta dos adeptos. Uns pediam a demissão do presidente e/ou treinador, outros exigiam uma medida de intervenção urgente – a “limpeza” do balneário. Nada se fez e essa revolta começou a ganhar cada vez mais dimensão, até que chegou o caso de Nuno Tavares.
Há uns dias atrás, surgiu um vídeo, nas redes sociais, que pode ser tido como um bom exemplo para o ambiente que se vive no balneário da equipa da Luz. O português estava com um amigo que mencionou o facto de Grimaldo ser titular ao invés de Nuno Tavares. O lateral esquerdo respondeu que se não vingar no SL Benfica, vingará noutro lado qualquer.
O vídeo tornou-se viral e começaram a surgir imensas críticas relativas à atitude do jogador. Passado umas horas, Nuno Tavares recorreu às redes sociais para se desculpar pela “atitude irrefletida” que teve. A acompanhar o texto estava uma foto do português com Grimaldo.
De notar que o espanhol reagiu à publicação dizendo “Tamo juntos, mano”. Apesar de ter pedido desculpas publicamente, esta atitude do português não só demonstrou um enorme desrespeito por um colega de equipa e de profissão, como também pelo clube. Ser falado por motivos como este é tudo menos positivo para um jogador.
Esta atitude deve ser tida em conta e deve ser o mote para pensar no que se deve fazer para a próxima época. A questão que se coloca agora é: “será que este exemplo pode ser visto como um caso isolado, ou será uma demonstração do mau ambiente que existe entre colegas de equipa?”. Seja qual for a resposta, é certo que é preciso fazer alguma coisa para que os adeptos encarnados voltem a ver um SL Benfica forte, unido e ganhador."