Numa demonstração de crença e qualidade até ao último segundo, o Benfica superou o Sporting, por 1-2, neste domingo, 19 de abril, no Estádio José Alvalade, numa partida da 30.ª jornada da Liga Betclic.
Com a ambição, enaltecida na antevisão, de "ganhar e, obviamente, respeitar a natureza, respeitar a essência daquilo que é um dérbi", José Mourinho apostou em Trubin, Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Richard Ríos, Aursnes, Prestianni, Barreiro, Schjelderup e Ivanovic para comporem o onze inicial das águias.
Deste modo, o treinador promoveu três alterações na equipa titular, comparativamente ao compromisso anterior, com Tomás Araújo, Aursnes e Ivanovic a entrarem para os lugares de António Silva, Rafa e Pavlidis.
Após um adiamento de 15 minutos do pontapé de saída – devido a um atraso na chegada do autocarro encarnado ao recinto, por constrangimentos de trânsito –, a contenda começou com duas ocasiões para a equipa da casa.
Aos 5', após uma recuperação de bola no meio-campo opositor, Geny Catamo enquadrou-se na grande área e rematou de pé esquerdo, tendo o esférico desviado em Aursnes. Trubin defendeu rente à relva com o braço direito, mas o esférico subiu para embater na barra da baliza.
No seguimento do canto consequente (6'), o duelo repetiu-se, com Geny Catamo, à entrada da área, a disparar rasteiro e colocado para uma bela intervenção de Trubin. Na recarga, de ângulo apertado, Pedro Gonçalves atirou à malha lateral.
A resposta benfiquista não tardou. Volvidos dois minutos (8'), na cobrança de um canto à direita, Aursnes cruzou para Otamendi, que, ao primeiro poste, cabeceou potente para uma exigente estirada de Rui Silva.
As bolas paradas continuavam a trazer perigo, e, num canto à direita aos 13', depois de Trubin afastar o cruzamento de Trincão com o punho esquerdo, a bola sobrou para Pedro Gonçalves à esquerda da área, o qual rematou desenquadrado.
Seguiu-se uma oportunidade clamorosa para os leões. Chamado ao monitor para rever um lance na área vermelha e branca entre Aursnes e Trincão no minuto 14, João Pinheiro assinalou o castigo máximo, por considerar que "o jogador número 8 pisou o adversário", tal como o próprio comunicou.
Na cobrança do penálti, já à passagem dos 19', Luis Suárez atirou rasteiro para a direita, mas Trubin leu bem, mergulhou para o lado certo e defendeu com grande categoria!
Os coletivos davam boa réplica um ao outro, e, num canto à direita aos 25', Otamendi ganhou nas alturas e cabeceou para uma interceção de Morita com o braço. Deste modo, o Benfica dispôs igualmente de um pontapé de penálti, assinalado de imediato e confirmado pelo VAR.
Com grande confiança, Schjelderup assumiu a cobrança, pousou a bola, puxou o pé direito atrás e soltou uma bomba para o meio da baliza oponente (0-1)!
Embora o Glorioso ainda tenha criado perigo pouco depois – quando, aos 31', Schjelderup arrancou pela esquerda e cruzou para a pequena área, onde Diomande desviou na direção da própria baliza, e Rui Silva amarrou –, o dérbi, sempre muito disputado e repleto de duelos, afastou-se das balizas até ao intervalo, exceção feita a um tiro transviado de fora da área de Trincão, que escorregou na execução do mesmo (45').
Findado o descanso, a etapa complementar abriu com Dahl, na ressaca de um canto, a encher o pé de fora da área e a rematar para encaixe de Rui Silva (46').
Os leões abanaram os ferros também no começo desta metade. No 50.º minuto, Trincão fugiu pela direita e serviu Pedro Gonçalves, que, no lado oposto, à entrada da área, recebeu a bola e, de pé direito, atirou ao poste mais próximo.
Dois minutos depois (52'), prolongando a toada de parada e resposta, Prestianni, à direita, cruzou rasteiro, Ivanovic não dominou à entrada da área, e o esférico seguiu para Schjelderup, que apareceu à esquerda em velocidade e, de primeira, disparou rasteiro para uma grande defesa de Rui Silva.
Posteriormente, o Sporting atacou com maior frequência, embora não tenha criado uma chance clara: Maxi Araújo fez o cruzamento desde a esquerda, e Geny Catamo finalizou ao lado (54'); Hjulmand tentou a sua sorte de muito longe, mas errou o alvo (55'); e Geny Catamo cruzou para remate de Pedro Gonçalves, mas Trubin segurou com tranquilidade (59').
Ripostando prontamente (59'), as águias tornaram a ficar muito perto do golo. Prestianni conduziu o contra-ataque da direita para o meio e endossou para Schjelderup, que, à esquerda da área, disparou a centímetros do poste esquerdo.
Do outro lado, aos 64', Maxi Araújo ganhou a bola a Prestianni junto à linha lateral esquerda e colocou-a em Pote, que serviu Morita. À entrada da área, o japonês rematou em arco ligeiramente ao lado do poste direito.
Após tamanha insistência ofensiva das duas equipas, o placar voltou a mexer aos 72'. À direita do meio-campo, Debast cruzou com precisão para o segundo poste, onde Morita saltou mais alto e cabeceou para o empate (1-1).
Moralizada, a formação verde e branca voltou à carga no minuto seguinte (73'). Na sequência de uma recuperação de bola, Geny Catamo atirou forte à entrada da área para defesa apertada de Trubin.
Face a este cenário, José Mourinho colocou António Silva, Lukebakio, Rafa e Pavlidis em jogo aos 78', os quais renderam Tomás Araújo (que saiu com queixas físicas), Prestianni, Schjelderup e Ivanovic.
Os suplentes utilizados agitaram o encontro, e, logo aos 82', pela direita, Lukebakio escapou a um agarrão de Maxi Araújo, avançou para a área e cruzou de trivela para o lado oposto, onde Barreiro, solto de marcação na pequena área, com tudo para marcar, atirou sobre a trave, de primeira.
O internacional belga voltou a estar em evidência no minuto 88, quando encontrou Otamendi na cobrança de um canto à direita, mas o capitão encarnado cabeceou ao lado.
Também vindo do banco, o sportinguista Daniel Bragança, aos 90', disparou rasteiro de fora da área, um pouco à direita do alvo.
Com os dois coletivos a lutarem pela vitória até ao último suspiro, o tempo de compensação do dérbi foi uma autêntica montanha russa de emoções.
Aos 90'+1', Debast esticou para Trincão, que cortou da direita para o meio e isolou Rafael Nel na área. O avançado contornou Trubin e encostou para a baliza deserta, mas o golo foi prontamente anulado por fora de jogo do jovem atacante, infração posteriormente confirmada pelo VAR.
Já na frente contrária, através de uma excelente jogada, os comandados de José Mourinho conseguiram mesmo regressar à dianteira aos 90'+3' e conquistar os 3 pontos.
Após uma dinâmica troca de bola coletiva, Richard Ríos, no centro, abriu à esquerda para Barreiro, que, com classe, deu de primeira para Rafa, na área. Em esforço, sob grande pressão, o camisola 27 conseguiu controlar com o primeiro toque, de pé direito, e atirar a contar, com o segundo, de pé esquerdo (1-2), levando à loucura os ensurdecedores Benfiquistas no Estádio José Alvalade, que se fizeram sentir ao longo de todo o embate.
Barrenechea substituiu Barreiro (90'+4') para os derradeiros instantes do desafio, e, no assalto final sportinguista, Trincão, à entrada da área, ainda arriscou o remate em arco, mas o esférico saiu ao lado do poste esquerdo (90'+6'), e o resultado não sofreu mais alterações.
Com o triunfo ante o rival, o Glorioso ascendeu ao 2.º lugar da classificação, ultrapassando o Sporting – de quem tem 1 ponto de vantagem –, que tem um compromisso em atraso.
No próximo desafio, referente à 31.ª jornada da Liga Betclic, o Benfica recebe o Moreirense, no Estádio da Luz, às 18h00 de sábado, 25 de abril.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Aursnes abriu as portas, Trubin fechou-as e Rafa escancarou-as (as notas do Benfica)
José Mourinho diz que com o norueguês a música é outra e tem toda a razão. Ucraniano com um momento para mais tarde recordar ao defender o penálti e a entrada do internacional português mesmo ali na fase final do encontro foi crucial para a vitória
O melhor em campo: Aursnes (8)
O norueguês sabe tudo e mais alguma coisa do jogo em termos estratégicos e comprovou-o de novo, como se ainda existissem dúvidas. Mourinho lamentou a ausência do 8 e chegou a dizer que com ele a música é outra e tal deve-se ao facto do escandinavo ter os compassos, saber tocar todos os instrumentos e ainda ter fôlego suficiente para compensar quando algum dos companheiros falha uma 'nota'. Só ficou com a pequena falha de ter cometido penálti sobre Trincão, mas como Trubin defendeu o remate de Luis Suárez acabou por ser um mal menor. E o esquerdino dos leões até se pode 'queixar' do que lhe fez a partir daí, nunca permitindo que se libertasse em demasia. De resto, se para se chegar a uma vitória tem de se abrir várias portas, foi isso mesmo que Aursnes fez. Ah, e desbloqueou na jogada para o segundo golo.
Trubin (8) — Ainda o jogo tinha acabado de despertar e já o ucraniano, embora de forma pouco ortodoxa, tinha feito uma defesa dificuldade a remate de Geny depois da bola ter desviado num companheiro. Ainda titubeou um pouco pelo meio até que teve «aquele momento para mais tarde recordar» quando travou o remate de Luis Suárez no penálti. Momento gigante para qualquer guarda-redes ainda para mais num dérbi que é sempre eterno. Portanto, se Aursnes abriu várias portas, Trubin fechou-as.
Dedic (5) — Não teve a propensão ofensiva de outros encontros o que se percebe porque Mourinho tentou ao máximo bloquear o lado esquerdo do ataque leonino, uma vez que se Pote tem estado desinspirado, Maxi Araújo é sempre uma mota de alta cilindrada. No lance do golo do Sporting, distraiu-se com Morita e o japonês marcou.
Tomás Araújo (6) — Para quem esteve algum tempo parado devido a lesão muscular não se notou por aí além e até teve um corte fantástico a uma incursão de Luis Suárez (66’). É, de longe, o central mais rápido dos encarnados e o jeito que isso dá frente a uma equipa que aposta muito nas diagonais curtas para ganhar amplitude em espaço reduzido.4
Otamendi (7) — Foi o primeiro a deixar os adeptos do Benfica com o grito de golo prestes a sair das gargantas (8’) quando num remate de cabeça muito bem colocado obrigou Rui Silva a uma enormíssima defesa. Isto foi no ataque, e cá atrás foi gigante. Por esta hora, Luis Suárez ainda estará a tentar sair-lhe do bolso. E convém não esquecer que é dele o cabeceamento que levou Morita a cometer penálti.4
Dahl (6) — Geny Catamo decidiu na fase inicial da partida deixar a cabeça do sueco em água mas até ao intervalo foi-se recompondo. Sem nunca atingir uma bitola muito elevada, fez um jogo de menos a mais.
Richard Ríos (6) — Muito rotativo a meio-campo mas continua a denotar dificuldades quando os jogos estão mais fechados. Quando este se abriu, já na fase final, foi como se tivesse recebido um cheque de milhões. Com o campo com as vistas mais alargadas, participou na jogada do segundo golo.
Prestianni (6) — Muito dinâmico, sobretudo na primeira parte, começando na direita mas em algumas ocasiões derivando ao flanco contrário para desbloquear a defesa contrária. E no processo defensivo deu uma boa ajuda.
Leandro Barreiro (6) — Importante na primeira fase de pressão à construção do adversário, obrigando sobretudo Gonçalo Inácio a falhar muitos passes. Parece ter quatro pulmões mas a avaliação fica um pouquinho mais baixa porque falhou um golo cantado (82’) a passe de Lukebakio. Porém, ainda deu contributo para o segundo golo.
Schjelderup (8) — Frieza nórdica na conversão da grande penalidade quando o momento estava efervescente. Sempre em altíssima rotação, ainda assinou um cruzamento que por pouco não redundou em autogolo de Diomande (31’) e já na segunda parte poderia ter colocado a vantagem encarnada num mais confortável 2-0 quando fez enorme sprint e rematou cruzado (52’) mas Rui Silva fez uma parada fantástica e o impediu de festejar outra vez. Ainda executou mais um remate perigoso, antes de sair completamente esgotado, percebendo-se perfeitamente porquê.
Ivanovic (6) — Sem qualquer margem para dúvida que foi a grande surpresa preparada por Mourinho para o onze, na sequência do mau momento de Pavlidis. O croata, como se diz na gíria, é um armário, mas com rodas porque tem mobilidade. Não se furta ao choque e salta sempre da pressão à primeira linha de construção contrária. Não dispôs de grandes oportunidades de marcar mas nunca se resignou.
Pavlidis (6) — A seca de golos resultou numa ida para o banco mas quando entrou em campo ainda deu de beber à águia ao participar no lance do segundo golo. Pouco? Muito? O suficiente.
Lukebakio (6) — O belga tem uma forma demasiado individual de abordar o jogo mas a verdade é que despertou um ataque que estava algo amorfo. Pela frente teve o raçudo Maxi Araújo mas não se escondeu.
Rafa (8) — Andavam muitos benfiquistas a mal dizer da contratação do extremo mas desta vez tiveram de engolir as palavras, pois foi o internacional português que decidiu um jogo que — adiante se verá — poderá ser decisivo para chegar aos milhões da Champions.
António Silva (5) — Controlou bem os movimentos contrários.
A Bola








