domingo, 18 de agosto de 2019

UM AZAR DO KRALJ


Um Azar do Kralj saúda Luís Miguel, que se levanta da cama apostado em melhorar a sua vida e as vidas daqueles que o rodeiam
O Benfica venceu "o Codecity", como diz Vasco Mendonça, que só tem elogios para Pizzi - também conhecido como Luís Miguel - e para Rafa, cujo futebol "é um refrescante e necessário pirete ao analista técnico-táctico que reside em nós"
Vlachodimos
Esqueçam qualquer jogo contra adversários diretos ou final de competição europeia. O verdadeiro teste de Vlachodimos acontecia hoje no Estádio do Jamor. Da última vez que jogara frente ao Belenenses um erro seu fez Bruno Lage parecer um treinador vulgar, pior, um treinador vice-campeão nacional. Hoje quase não teve oportunidade para tirar as teimas, tal foi a avalanche ofensiva do autocarro Codecity, mas a bola lá apareceu na sua cara e Vlachodimos fez uma mancha muito competente, assim garantindo a sua continuidade neste planeta.
Nuno Tavares
Os seus dois jogos na Liga são um autêntico thriller psicológico: o filme arranca com a visão de um jogador talentoso que faz milhões apaixonarem-se pelo seu pé esquerdo, para logo depois pontapear a atmosfera com o pé direito e semear o pânico nesses mesmos adeptos, que vivem agora a angústia de não saber quando é que aquele pé direito voltará a atacar.
Rúben Dias
Muito bem a assistir Kikas para um dos momentos da tarde, a reconciliação definitiva de Vlachodimos com os adeptos. Agora é hora de preparar os pitons e os neurónios para o tal Zé Luís.
Ferro
Combinou de forma muito interessante momentos de falsa lentidão com outros de verdadeira lentidão, mas nunca lhe vi um cabelo fora do sítio ou uma gota de suor a mais do que deveria ostentar. É notável. Enquanto exibir esta personalidade tranquila e lhe juntar aqueles passes de quarterback como o ataque do golo anulado, estará tudo bem.
Grimaldo
Alguém devia perguntar a Grimaldo como é jogar numa equipa tão bonita com sete portugueses em campo, mais que não seja para podermos constatar esse facto. O último a pisar o relvado parece ser um dos favoritos de Grimaldo. A jogada desenhada com Chiquinho e companhia fez algumas das suas combinações com Cervi na época passada parecerem um treino com pinos.
Florentino
Como ultrapassar um adversário que parece estar em todo o lado, nomeadamente no sítio certo, e ser capaz de desarmar qualquer um? Não se ultrapassa. Na melhor das hipóteses, falece-se a tentar. Paz à alma de mais um colectivo de nobres adversários. Os meus sentimentos às famílias metaforicamente enlutadas. Quanto a Florentino, talvez o melhor seja limitar-se a exibições medianas, pelo menos até 2 de setembro.
Samaris
Um pouco distante do pandã a que nos vínhamos habituando com Tino e Gabriel, razão mais do que suficientes para arrancar uma exibição fundamental no próximo sábado e assim reafirmar a diversidade de opções à disposição do mister Lage.
Pizzi
Continua preso no seu Groundhog Day. Longe vão os dias em que duvidava de si próprio e questionava o estranho mundo que o coloca sempre no sítio certo à hora certa. A cada dia que passa, e a verdade é que já não sabemos bem quantos são, Luís Miguel levanta-se da cama apostado em melhorar a sua vida e as vidas daqueles que o rodeiam, procurando sempre um final cada vez mais feliz. Enviem isto a um amigo no Whatsapp, quando no vosso ecrã surgir a legenda "Hater está a escrever…"
Rafa
Cada arrancada de Rafa é um pedido aos adeptos para que pousem os seus smartphones, esqueçam Jonas ou João Félix, e corram com o nosso génio rumo ao trigésimo oitavo título nacional. Numa altura em que muito se fala de ataque posicional, transições e jogo entre linhas, o futebol vertical de Rafa, com vontade de levar tudo à frente, é um refrescante e necessário pirete ao analista técnico-táctico que reside em nós. Mandemos o modelo de jogo às malvas ou, vá, deixemos isso para Bruno Lage. Antes que a cerveja fique morna e nos esqueçamos dos motivos e dos jogadores que nos fizeram apaixonar por isto.
RDT
Na primeira jornada pedi que lhe dessem a cheirar o sangue dos centrais da Liga NOS. Ao invés de ler o meu texto, a estrutura do Benfica optou por manter a protecção ao jogador, que continua a ser caracterizado como um jogador talentoso (que é) e um avançado trabalhador (sem dúvida) que em breve irá dar muitas alegrias aos adeptos. Certo. Ainda assim, teve momentos em que pareceu um talhante vegan. Na hora de matar o borrego deixou que os sentimentos falassem mais alto e rematou frouxo para rejubilo do animal.
Seferovic
Esqueçam os rancores. Agradeçam a Fábio Veríssimo e Carlos Xistra pelo golo anulado. O jogo dera-nos um Seferovic apático ao longo de quase 90 minutos, pelo que foi mais do que justa a lição do árbitro da partida, que, mais do que tomar uma decisão acertada do ponto de vista regulamentar, está no relvado para tomar as melhores decisões do ponto de vista moral. Tens bom remédio, Haris, já no próximo sábado. Vemo-nos lá, amigo.
Chiquinho
Sabem aquele tipo tímido que tem sempre uma solução para tudo? É o Chiquinho, um simples canivete suíço em forma de ser humano, sempre atento à oportunidade, humildemente disponível para servir. Precisas de abrir uma garrafa? O homem tem um abre-garrafas na sola do sapato. Queres fumar uma? Ele tem murtalhas num bolso secreto do casaco. Precisas de um preservativo? Precisavas, ele já está com a tua miúda.
Vinicius
Mais alguns minutos em campo. Discreto, mas também não comprometeu. O seu passe vale agora 23 milhões.

Um Azar do Kralj, in Tribuna Expresso

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sábado, 17 de agosto de 2019

COMEÇA BEM


"Benfica precisa de foco e ambição, sem qualquer soberba ou distracção com rodinhas alheias

O campeonato iniciou-se de forma interessante para o campeão. Vencer o Paços de Ferreira por números claros, até exagerados para o jogo do Paços, e ouvir as notícias vindas de Barcelos constituem um óptimo início e algum galo para o adversário. Verdade que o FC Porto estava mais concentrado no apuramento para a Liga dos Campeões quando jogou em Barcelos e não era esperada aquela eliminação frente aos modestos russos, estreantes nestas andanças. No fim do encontro, a conferência de imprensa de Sérgio Conceição esclareceu os adeptos e as rodinhas no fim dos jogos dão uma certa tranquilidade. No fundo, dada a conjuntura azul e branca, pode-se dizer que o FC Porto é, nesta fase, um clube de rodinhas.
Passadas as rivalidades de tertúlia de café, há sempre alguma(s) graça(s) nestas coisas, a eliminação do FC Porto foi péssima para o Benfica. Desde logo, porque o FC Porto, com uma deslocação a Atenas na próxima quarta feira, jogaria na Luz dia 24 muito mais limitado e cansado.
Depois é uma derrota contra uma equipa do país que disputa connosco o lugar no ranking da UEFA, a Rússia. Por fim, porque sem Liga dos Campeões o FC Porto coloca as fichas todas na prova nacional e nas disputas contra o Benfica.
Este plantel portista parecia curto para fazer uma Liga dos Campeões e três provas nacionais a topo. A derrota contra o Krasnodar devolveu um adversário mais forte ao campeonato, como anunciou o treinador azul e branco no fim da segunda derrota. Sérgio Conceição é um bom treinador e o FC Porto vai ser um forte adversário.
Fica a boa notícia de ver o Benfica subir ao Pote 2 no próximo sorteio europeu. Ao Benfica resta uma enorme concentração competitiva a começar já amanhã. Vamos jogar onde costumamos perder (recentemente) e contra o único emblema que roubou pontos para o campeonato a Bruno Lage.
Queremos vencer no Jamor este ano pelo menos duas vezes. Marítimo e Gil Vicente já mostraram que ao mínimo deslize os favoritos perdem pontos e Bruno Lage foi esclarecedor na conferência de imprensa onde reconheceu estar abaixo do pretendido. Foco e ambição, sem qualquer soberba ou distracção com rodinhas alheias. Só o Benfica nos interessa, só o Benfica nos deve (pre)ocupar, pois como ameaçam os rivais nas televisões isto não é como começa é como acaba. Mas, já agora, começa bem..."

Sílvio Cervan, in A Bola

UMA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA


"1. Na semana passada referi aqui que, a viver o conforto e a euforia após cada vitória, é essencial sabermos conservar a reserva de serenidade que nos prepara melhor para cada próximo desafio. A moderação é própria de quem sabe vencer e confere ao vencedor o devido respeito pelo valor do adversário vencido. Mas o reconhecimento pelas virtudes da contenção dos vencedores também acaba por transceder as nossas cores e irá inevitavelmente alastrar ao campo dos restantes competidores: gradualmente, todos eles aprenderão a saber perder melhor.
A favor desta unanimidade dos comentadores dependentes e independentes, de todo o arco cromático, que hoje enxameiam o espaço mediático e, até, a própria barafunda das redes sociais, ao fim dos dois primeiros jogos oficiais do Benfica de elite, já não hesita em tecer convictamente os maiores encómios, seja aos jogadores mais experientes e aos mais jovens da equipa; seja, afinal, ao consistente desempenho colectivo deles (agora retroactivamente, desde a pré-época); seja, ainda mais, às excelentes capacidades e méritos da personalidade do treinador; seja, mesmo (mirabile visu!) aos milagres da visionária e coerente gestão do Sport Lisboa e Benfica, personificada em Luís Filipe Vieira.
Isso deve-se, senão, a quê? A meu ver, deve-se, evidentemente, a que, sempre cada vez mais felizes e mais acostumados com a sequência de vitórias e de objectivos sucessivamente atingidos, temos sem dúvida vindo a apurar o registo das nossas celebrações. Hoje comemoramos as nossas vitórias e conquistas muito mais frequentemente do que os outros. As alegrias que os nossos melhores nos franqueiam são cada vez maiores e mais intensas. E as tristezas dos que nos perseguem acentuam-se progressivamente.
A nós, para já, basta-nos competir e manter as cadências de esforço. A eles, competir também. Mas, ao mesmo tempo, como já fazem, apenas reconhecer que não conseguem vencer-nos lealmente.

2. Os dirigentes eleitos do Sport Lisboa e Benfica têm responsabilidades acrescidas no que respeita às ideias expendidas no espaço público. Um deles, o vice-presidente da Direcção do Clube e da SAD, José Eduardo Moniz, persiste em empreender sentenças singulares e não devidamente fundamentadas, fora dos lugares convenientes e, sobretudo, excêntricas a ocasiões adequadas.
Evidentemente que, numa instituição de raiz e praxis profundamente democráticas, aqui, até 'a asneira é livre' ... Sendo que, no nosso contexto, o usufruto do conceito possa até ser mais tolerável, se aproveitado por quem, talvez, não disponha do conhecimento profundo de tudo quanto realmente seja e de como se estará já a desenvolver o futuro do Benfica.
Mas, precisamente quando, no Benfica, estamos a viver as presentes circunstâncias casuísticas e históricas, certamente não é aceitável para os sócios benfiquistas que um vice-presidente da Direcção do Clube e da SAD se ponha, por exemplo, a questionar daquelas maneiras os Estatutos que estão em vigor.
Mesmo que, com algum cuidado, pareça pretender dar, como os ferreiros, uma no cravo e outra na ferradura."

José Nuno Martins, in O Benfica

PRIMEIRAS PÁGINAS


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O ESSENCIAL DE ONZE MESES DE FUTEBOL


"No meu caso carrega Benfica! Carrega mesmo! Concretiza os sonhos de cada um de nós. Sabendo sempre que o Benfica nunca perde

1. O pontapé de saída já se multiplicou. E depois da goleada na Supertaça temos de acreditar que vamos viver uma época desportiva com resultados tão inesperados quanto surpreendentes! Em quase todos os estádios, mesmo nos estádios emprestados. Estamos igualmente em plena primeira jornada das duas competições profissionais. E das trinta e seis equipas que participam quinze são acima do Douro! E próximo do Tejo ou abaixo dele apenas catorze! E se olharmos para o Mondego serão vinte e uma acima desse Rio tão emblemático para mim, para os beirões, para Coimbra e para a Figueira da Foz. Que em cada Agosto me faz regressar à infância! Mas esta Liga também acolhe a Madeira e os Açores. Uma Liga NOS, mas do quase encolhida ao Atlântico! E o que constamos é que só o Benfica está envolvido nas três principais competições: Nas duas ligas profissionais (como Benfica B) e na Liga Revelação organizada pela FPF! Já que, nesta prova, o Futebol Cube do Porto não participa! Mas também já vivemos os primeiros jogos das fases de (pré) qualificação para as duas competições europeias. E, hoje mesmo, a Volta regressa ao Porto, e às suas margens, para um final em verdadeira apoteose. Mas centromo-nos no futebol. Neste Agosto temos as três primeiras jornadas e, no seu final, e antes de sabermos quem vai entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, teremos um Benfica - Futebol Clube do Porto. Depois da Supertaça Europeia que para a semana, e com uma arbitragem feminina, se disputará em Istambul. E vivendo a fase final do primeiro e intenso - a todos os níveis... - período de transferências. E com transacções de peso e transferências de largos milhões.

2. Em Setembro, para além do duplo regresso da Selecção Nacional - deslocações à Sérvia e à Lituânia -, viveremos as emoções das primeiras jornadas da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Mas importa ter desde já presente que a quarta jornada da Liga ocorre no primeiro dia de Setembro e só teremos futebol doméstico quinze dias depois. É a primeira grande pausa. Mas com Cristiano Ronaldo e Fernando Santos a chamarem, entre tantos nomes ilustres e de referência - mesmo longe -, a nossa atenção.



3. Chega Outubro e com ele a realização de eleições legislativas mas sem que os programas desportivos dos partidos políticos tenham qualquer interesse ou relevância mediática. O que fica para este mês são duas jornadas da fase de grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa e uma nova pausa de quase quinze dias para os compromissos da nossa Selecção rumo à reconquista do Europeu. Com o determinante encontro com a Ucrânia!



4. Novembro pode - deve! - ser o mês do nosso apuramento directo para o singular Europeu 2020! Agora com uma pausa de cerca de dez dias nas competições internas e sempre com uma eliminatória da Taça de Portugal depois dos compromissos da Selecção. Já tinha ocorrido em Outubro e ocorre agora em Novembro com a realização dos jogos da quarta eliminatória da Taça rainha do futebol português.



5. Dezembro é o mês das classificações finais da fase de grupos da Liga dos Campeões e, logo, com os primeiras contas dos valores arrecadados. Que podem ser ou bem estimulantes ou bem perturbantes. Mas é o mês e que haverá, pela primeira vez nos últimos anos, uma justa pausa natalícia. A décima quarta jornada decorre no fim de semana de 14 de Dezembro e a décima quinta apenas a 5 de Janeiro de 2020! E, decerto, já com algumas chicotadas psicológicas ocorridas e com alguns lances polémicos do VAR  a serem vivamente dissecados. Havendo, no entanto, e em termos de jogo jogado - e não do múltiplo e diferenciado jogo falado! -, os oitavos de final da Taça de Portugal e jogos da fase de grupos da renovada e reconhecida Taça da Liga!



6. E entramos no ano Novo. E Janeiro já é o mês da disputa do dito campeão de Inverno, ou seja, e lá para o seu final, o momento da realização das meias-finais e da final da Taça da Liga. Com Braga a ser o centro e o epicentro! Mas antes teremos as emoções de o Sporting a receber o Porto e, poucos dias depois, receber o Benfica! A que acrescem os quartos de final da Taça de Portugal e, também, e naturalmente, o fecho do segundo período de intermediação de jogadores. Que ganhará uma dimensão específica já que estamos em ano de Europeu. E haverá alguns que se querem mostrar aos diferentes seleccionadores. Participar num Europeu é uma montra de efectiva valorização!

7. E chegaremos a Fevereiro. Aos oitavos de final da Liga dos Campeões e aos dezasseis avos de final da Liga Europa. E às meias-finais da Taça de Portugal. E com realização de quatro importantes jornadas da Liga, incluindo a ida do Benfica ao Dragão!

8. Em Março, e para além das jornadas da nossa Liga, e dos oitavos de final da Liga Europa, apenas está programada uma pausa para os play-off  de acesso ao Europeu. Como acredito que já estaremos apurados decerto teremos uma pausa nos finais desse mês de Março.

9. Abril é o mês do principio das grandes decisões. Internas e europeias. No seu final chegarão as meias-finais da Liga dos Campeões e da Liga Europa e teremos cinco importantes jornadas das nosas Ligas.

10. Maio é o mês de todas as finais. A 17 a última jornada com um Benfica - Sporting. Uma semana depois a final da Taça de Portugal. A 27 a final da Liga Europa em Gdansk, na Polónia. Uma marcante cidade e referência na luta pela liberdade. E no dia 30 o regresso a Istambul, e a um bonito estádio para a final da Liga dos Campeões. E, assim, o futebol europeu escolhe Istambul para a Supertaça - na próxima quarta-feira! - e regressa a uma cidade marcante na história da Humanidade do Mediterrâneo mesmo nos finais de Maio de 2020!

11. E, depois das finais de clubes, Junho é o mês do Europeu de 2020. Com um formato especial e visitando diferentes cidades desta grande Europa. O que sabemos é que somos os campeões europeus em título. E o que sei é que estava em Paris, no emblemático Estádio, naquele 10 de Julho de 2016! Vibrei e chorei. Sofri e aplaudi. Abracei e fui abraçado. Beijei e fui beijado. E cantei, a plenos pulmões, a Portuguesa. E esse dia está sempre presente na minha - nossa - memória. E no futebol, como na vida, ter memória é bem importante. Já que ela nos ajuda a olhar o passado, a sentir o presente e a agarrar o futuro! Boa época desportiva 2019/2020! Nestes onze pontos. Já que o onze é o número, a essência, do Futebol!

12. Onze meses! Mas o décimo segundo jogador é fundamental. Ele é a essência da existência. Ele motiva e embala. No meu caso carrega Benfica! Carrega mesmo! Concretiza os sonhos de cada um de nós. Sabendo sempre que o Benfica nunca perde. De vez em quando não ganha! Mas hoje como ontem acreditamos mesmo! Em cada jogo! Em cada mês. E no final e afinal sorrimos!"

Fernando Seara, in A Bola

UM BENFICA COM IDENTIDADE


"Foi um jogo interessante com dois momentos que justificaram o resultado pesado para o Paços

Penalizador para o Paços
1. Foi um jogo muito interessante, com um resultado que demonstra a superioridade do Benfica, mas penalizador para a atitude do Paços de Ferreira. No fundo, assistimos a um Benfica muito dinâmico, com mais bola, iniciativa ofensiva, contra uma atitude positiva do Paços que tentou sempre chegar à baliza adversária.

O golo e a expulsão
2. Houve dois momentos decisivos para o resultado na Luz: o grande pontapé de Nuno Tavares. Mérito dele e dos seus colegas, pois não é fácil entrar numa equipa da dimensão do Benfica, com todo o seu grau de exigência; por fim, e não menos importante, a expulsão de Bernardo Martins. À margem desses dois momentos, houve um Benfica com excelente controlo da profundidade defensiva, perante um adversário que conseguiu reduzir espaços e impedir o excelente jogo interior encarnado. O Paços mostrou ter chegado à Luz com um plano bem claro de jogo. O resultado pesado justifica-se, sobretudo, pela superioridade numérica do Benfica. Porém, nota para a coragem do treinador pacense por colocar jovens em campo, mesmo estando a perder, e também para o Benfica e para o seu projecto desportivo assente na qualidade da sua formação. Penso que houve mérito de parte a parte num jogo que foi interessante em grande parte do tempo.

Bem diferente da Supertaça
3. Podemos olhar para este jogo, até porque o resultado foi igual, à recente vitória do Benfica na Supertaça. Porém, cada jogo é diferente. Neste caso, aliás, penso que igual terá sido apenas o resultado. Tratou-se, obviamente, de uma abordagem diferente, dinâmicas bem distintas, é impossível fazer comparações. Há algo que, convém sublinhar, pois é evidente neste momento inicial da temporada: nota-se um Benfica muito forte na recuperação de bola, em tentar reduzir ao máximo as dinâmicas do adversário, a atacar e defender de forma compacta, com uma identidade e ideia de jogo bem vincada. Mais do que olhar para a motivação da conquista da Supertaça, dessa confiança, é o traço de identidade que existe. Creio, aliás, que o Benfica será quase sempre assim durante a época. Com estas qualidades.

Mais uma vez... Pizzi
4. É igualmente impossível não destacar o homem do jogo, novamente Pizzi. Voltou a demonstrar que pode jogar como ala tão bem como partindo da sua posição. Mas, mais importante que isso, é a qualidade na sua tomada de decisão. Consegue não só retirar o ritmo de jogo quando é necessário, como fazer o inverso com igual mestria. Depois, nota para o entendimento perfeito que vai fazendo com os restantes colegas de equipa, imprimindo dinâmicas, colocando, quase sempre, um ritmo elevado e que deixa os adversários em dificuldades. Mesmo estando numa fase inicial da temporada, o excelente entendimento demonstrado com Nuno Tavares é algo assinalável e... decisivo, como foi o caso de ontem."

João Carlos Pereira, in A Bola

O CÉU E AS GRANDES AMBIÇÕES, EXCELÊNICIA


"Trabalhar, treinar, esforçar-se? Não, não, nada disso. Estou só a falar de olhar, ver, observar, contemplar, etc.

Céu e ambição
1. - É preciso olhar para o céu na noite escura, ver as estrelas e o seu brilho e ter ambição.
- Isso, que lindo. As estrelas, o céu. Quase me comove, excelência. Se eu tivesse algum jeito para os sentimentos já estaria aqui com o coração a bater.
- Não exagere. Mas sabe, excelência, gosto muito de olhar para o céu e sonhar com vitórias. Abro um buraco e olho para o céu.
- Como?
- Um buraco, para baixo.
- Eu sei que um buraco é para baixo. Mas abre um buraco para olhar para o céu, porquê? Não entendo.
- Devemos descer o mais possível e daí sim, olhar para o céu.
- Porquê, excelência?
- Vou mudar o tom de voz.
- Mude, excelência, mude de tom de voz.
- Aqui vai. Devemos olhar para o que é alto da posição mais modesta possível.
- Bonito. Uma lição. Vou escrever isso aqui no meu bloco.
- Subir para uma torre e daí olhar para o céu, uma hipótese.
- A primeira.
- A primeira. E, no meu entender, hipótese errada.
- Segunda?
- Segunda hipótese: abrir uma cova, um buraco bem fundo, um poço e daí sim: olhar para o céu.
- De um buraco, o céu fica mais alto. É isso, excelência.
- Sim, podemos fazer as contas.
- Vamos a isso.
- Se uma torre tiver cem metros...
- Sim?
- ... E se virmos o céu daí, o céu fica mais baixo cem metros. Isto tendo como referência o nível do mar.
- Exacto. Estou a apontar.
- E se o céu fica mais baixo cem metros podemos ficar com uma ideia errada da grandiosidade do céu.
- Sim, um erro de 100 metros.
- Não é um erro gigante, mas é um erro.
- Já se vossa excelência vir o céu de um poço de dez metros...
- Dez metros.
- O céu fica mais alto...
- Mais alto 10 metros.
- Exactamente.
- Portanto, a questão é esta: Vossa excelência, quer engrandecer o céu ou tirar-lhe força? É esta a questão.
- Ok.
- Portanto, como dizia a vossa excelência: gosto muito de olhar para o céu e sonhar com vitórias. Abro um buraco e olho para o céu.
- Modéstia: abrir um buraco. Ver de baixo.
- Isso.
- E grandes sonhos: olhar para o céu, para o longínquo.
- Isso mesmo.
- Modéstia e grandes vontades.
- E já começou a trabalhar para alcançar essas grandes vitórias com que sonha quando olha para o céu?
- Trabalhar? Não entendo. Como?
- Trabalhar, treinar, esforçar-se?
- Não, não, nada disso. Estou só a falar de olhar, ver, observar, contemplar, etc.
- Então, excelência? Só olha para o céu? E o resto?
- Penso que houve um mal-entendido.
- Sim?
- Sabe qual é o meu lema, excelência? Vou esclarecê-lo.
- Diga. Estou em pulgas.
- Quer ouvir o meu lema de vida?
- Diga, diga!
- Pois bem, é este: a noite é para dormir, o dia para descansar.
- Como?

A noite e o dia


2. - Que bela expressão!
- A noite é para dormir, o dia para descansar.


- Sim, temos de ser implacáveis.
- Mal acordo começo a logo descansar.
- Sem pausas?
- Sem pausas.
- Abro os olhos e Zás.
- Zás? Zás não é demasiado abrupto, excelência?
- Pois. Não é bem zás. É mais ziuuuuuuuu, assim baixinho.
- Vossa excelência acorda e ziiuuuuuu, começa logo a descansar.
- Sim, exacto. Uma transição brusca mas controlada.
- Com os olhos abertos?
- Semicerrados. Para ver a realidade a metade.
- Metade?
- O dia está à minha frente e eu vejo mais ou menos metade do dia. Fico com os olhos assim, semicerrados.
- Estou a ver, excelência.
- Descansar não é dormir.
- Claro que não. Nada disso.
- A noite é para dormir, o dia para descansar... Por vezes acordo mesmo com uma raiva enorme para descansar.
- Raiva?
- Uma raiva mansa, eu diria, uma raivinha.
- Sim, não exageremos, excelência.
- Mas para mim é claro, sempre foi um ponto de honra: ou fazemos as coisas com vontade ou não fazemos.
- Canalizar, portanto, a vontade do homem para essa actividade de baixo esforço que é o descanso.
- Sim, enquanto a noite não chega.
- Descansar até dormir.
- E dormir até acordar para descansar.
- Uma vida repleta.
- Sim, excelência.

O céu, de novo
3. Ou seja, quando vossa excelência olha para o céu, afinal não vê conquistas futuras...
- Não. Nada... Na verdade, agora já posso ser verdadeiro consigo: quando olho para o céu, de noite fico com sono, e de dia fico cansado.
- Entendo, excelência, entendo perfeitamente."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

UM AZAR DO KRALJ


Um Azar do Kralj aconselha a que se dê um paninho com sangue de defesa central da Liga NOS a RDT para este desatar a assassinar
Depois de mais uma goleada do Benfica, agora frente ao Paços de Ferreira, Vasco Mendonça lamenta porque num país desenvolvido a elegância e autoridade com que destrói as esperanças dos seus adversários já teria dado origem a inúmeros versos de canções rap que rimassem com Florentino: hino, menino, desatino, coitadino
ODY
Se isto continuar assim, não vamos precisar de outro guarda-redes na Liga. Aliás, devíamos sortear a titularidade nesta posição entre os adeptos. Todas as semanas um felizardo terá a oportunidade de completar 90 minutos ao serviço do Benfica, bastando para isso permanecer equipado junto à sua baliza enquanto os outros 10 jogadores goleiam os adversários. Quanto a mim, cá estarei para aceitar as críticas motivadas pelo excesso de bazófia.
NUNO TAVARES
Nem os colegas conseguiram disfarçar alguma perplexidade no momento de celebrar o golo da noite com Nuno Tavares. Talvez não esperassem ver mais uma estrela do futebol mundial nascer naquele momento, ou talvez não soubessem que o rapaz rematava tão bem (excepto Pizzi), ou, quem sabe, talvez tenham subestimado o poder da nossa formação. Se é verdade que a maioria de nós ficaria satisfeita em suceder a André Almeida na conquista do Prémio Puskas, Nuno Tavares não se ficou por aí e juntou-lhe mais duas assistências, uma a combinar por dentro, outra a cruzar na ala, como que dizendo "André quem?". Não foi Lage quem pediu competitividade no plantel? Nas palavras do utilizador de Instagram @joaofelix79, "Seixal não falha".
RUBEN DIAS
O nosso capitão corporiza a naturalidade com que entrámos nesta nova época. Ontem, já no oitavo copo de Ravasqueira Sauvignon Blanc, dei por mim a dizer que isto parecia a trigésima quinta jornada do campeonato, tal foi a simplicidade com que arrancámos para uma nova época, como se nada mudasse. Jogadores como Rúben Dias fazem um pairing muito bom com este branco alentejano, que só posso recomendar.
FERRO
Ontem, já no décimo segundo copo de Sauvignon Blanc, dei por mim a pensar na exibição do Ferro, e portanto é normal que tenha pouco para dizer sobre mais uma exibição seguríssima do nosso esteio defensivo.
GRIMALDO
Passou o jogo a tirar notas e espera agora poder reproduzir aquilo que aprendeu com Nuno Tavares.
FLORENTINO
Num país desenvolvido, a elegância e autoridade com que destrói as esperanças dos seus adversários já teria dado origem a inúmeros versos de canções rap que rimassem com Florentino: hino, menino, desatino, coitadino, enfim, acho que percebem a ideia. Triste país este. Ontem foi mais do que já sabemos. Tino continua “in the zone”, a fazer vítimas com aquele magnetismo muito seu, que atrai a bola e o adversário como um mata insetos. É uma espécie de jogo dentro do jogo.
SAMARIS
Sabem aquela sensação de comprar umas Chevignon na Feira de Carcavelos e as calças serem tão boas que uma pessoa não percebia se eram verdadeiras ou simplesmente uma boa imitação cheia de sorte? Samaris não é e nunca será um Gabriel, mas não há-de ser por ele que aparecemos de calças na mão. Rumo ao 38, Andreas.
PIZZI
Mais um sábado normal na vida do maestro. Não há adjectivos que permitam qualificar devidamente a banalidade em que se transformaram estas exibições de Pizzi. Não há nada de superlativo, mas nem por isso deixa de impressionar. Há uns dias descobri um canal de YouTube que consiste no dia a dia de um agricultor. Diz o próprio que já ganha mais com o YouTube do que com a dita agricultura. O Benfica devia considerar um canal de YouTube dedicado exclusivamente às ações de Pizzi, a esta banal sequência de ações que ganham jogos e títulos, no limiar do tédio e da euforia.
RAFA
O treinador do Paços de Ferreira deve agradecer a Rafa o feito de não ter sofrido mais golos do que o Sporting. Noite algo desinspirada do nosso mago, que em condições normais teria elevado a contagem para uns 8.
RDT
Têm que lhe dar um paninho com sangue de um defesa central da Liga NOS. Depois é só esperar que ele reconheça o cheiro e desate a assassinar.
SEFEROVIC
Mais uma época, mais uma Bola de Prata. Só mais 33, Haris.
CHIQUINHO
Tem os pés de um craque, a inteligência de um mago, a velocidade de um artífice ofensivo, o futebol de que esta equipa precisa, e os pelos faciais de um rapper da Azambuja. Assim que tratar deste último ponto vai chegar ao topo do futebol mundial.
VINICIUS
Juntou-se ao panteão de futebolistas que marcaram na sua estreia pelo Benfica, onde se encontram figuras como Sokota, Jankauskas, Franco Jara e Azar Karadas. Não tem outra opção senão continuar a marcar até igualar outros feitos.
JOTA
Poucos minutos em campo, mas os suficientes para criar a última grande oportunidade do jogo e mostrar a Bruno Lage que está presente. Assim que pisou o relvado perguntou aos colegas “ainda vão comer isso?”, e lá foi devorando quaisquer restos de relva que sobrarem no prato. É assim mesmo, miúdo.
Um Azar do Kralj, in Tribuna Expresso

PRIMEIRAS PÁGINAS