quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

CEDO MARCAR, CEDO RESOLVER



Um golo de Caroline Møller logo aos 2 minutos foi o suficiente para o Benfica derrotar o SC Braga (0-1) na 1.ª mão da meia-final da Taça de Portugal, colocando-se, assim, na frente da eliminatória.
O Benfica visitou o Estádio Amélia Morais nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, para defrontar o SC Braga na 1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal. As águias venceram, por 0-1.
Ainda havia quem não estivesse acomodado nas bancadas e já o Benfica celebrava no Minho.
Enorme jogada de Catarina Amado pelo lado direito, a qual, com um movimento desconcertante, tirou uma adversária da frente, meteu no interior da área, onde estava Caroline Møller para cabecear sem qualquer hipótese de defesa para Patrícia Morais! Grande golo das Inspiradoras a abrir o ativo (0-1, 2').
Com um arranque de jogo bem animado, aos 12' foi assinalada uma grande penalidade a favor do SC Braga, a castigar falta de Catarina Amado sobre Carolina Rocha.
Malu Schmidt encarregou-se de bater o penálti e... Lena Pauels de o defender! A guarda-redes alemã acertou no lado para o qual a jogadora bracarense rematou (esquerdo) e negou o empate (14').
Num jogo muito disputado a meio-campo, com as duas equipas a tentar desenhar ofensivas às balizas adversárias, aos 26', o Benfica esteve muito perto de fazer o 0-2. Lançada por Catarina Amado, Lúcia Alves recebeu a bola na esquerda da área, preparou o remate e atirou em arco para grande defesa de Patrícia Morais.




O duelo continuou repartido, mas sem grandes oportunidades de perigo. Assim, ao intervalo, as Inspiradoras estavam na dianteira (0-1), graças ao golo de Caroline Møller.
Ao contrário da partida de ritmo elevado que se viveu nos primeiros 45 minutos, a etapa complementar foi totalmente diferente.
Em vantagem, as águias controlaram todos os momentos do jogo, instalaram-se no meio-campo arsenalista, e, embora não tenham causado uma situação de grande perigo, também não permitiram qualquer veleidade às adversárias.
Com as Inspiradoras muito compactas a defender, mantendo o SC Braga remetido ao seu miolo, o tempo foi passando e o duelo terminou com a vitória encarnada por 0-1. A equipa orientada por Ivan Baptista coloca-se, assim, na frente desta eliminatória.
A 2.ª mão da meia-final da Taça de Portugal joga-se no Benfica Campus, no dia 18 de março, às 15h00.
No que à Liga BPI diz respeito, neste domingo, 8 de fevereiro, às 17h30, as águias voltam a defrontar um emblema minhoto, desta feita, o Vitória SC, no Benfica Campus, em desafio da 11.ª jornada da competição.
 
DECLARAÇÕES




Ivan Baptista (treinador do Benfica): "A cara de quem ganha nunca é a cara de quem perde, inevitavelmente. Ainda assim, com os pés bem assentes na terra, sabemos que faltam 90 minutos, e, certamente, o SC Braga não irá ao Benfica Campus passar esses 90 minutos à espera que o jogo acabe. Irá tentar essa reviravolta. Nós estamos com a plena consciência de que será uma batalha também dura. Neste momento, já não estamos com o foco na Taça de Portugal. O jogo de hoje acabou. Felizmente para nós, conseguimos um pequeno passo, que queríamos também muito: sair daqui em vantagem. Acho que foi um jogo repartido. Para ser honesto, o SC Braga também poderia ter saído daqui com um resultado diferente. Primeira parte, acima de tudo, com muitas oportunidades, de parte a parte. Nos primeiros 20/25 minutos, estivemos muitíssimo bem. Depois, o SC Braga conseguiu ter o seu ascendente sobre a partida. Naturalmente, quem está a jogar em casa, quem sabe que vai jogar uma 2.ª mão fora... Tivemos também mérito na defesa do penálti, e uma 2.ª parte diferente, acho que uma 2.ª parte mais fechada. Acertámos a pressão, acertámos a organização defensiva, porque o SC Braga tinha-nos criado muitos problemas no final da 1.ª parte. Acho que a 2.ª parte foi, acima de tudo, uma 2.ª parte de controlo. Uma equipa madura, uma equipa crescida, que sabe que falta muito por decidir, mas que sabe que era importante conseguirmos segurar a vantagem que tínhamos. Saímos satisfeitos, porque realmente conseguimos dar um passo nesta eliminatória, mas vai ser muito perigoso o que aí vem ainda."
Cristina Prieto (avançada do Benfica): "[É um resultado positivo?] Sim, mas, no final, são duas mãos. Levamos vantagem, mas tudo se decidirá no regresso. [Já se defrontaram 3 vezes nesta época, vão para a 4.ª. Começa a ser difícil surpreender o adversário?] Sim, vamo-nos conhecendo mais, elas analisam-nos, nós também, e, no final, é sempre complicado. É um grande clube, trabalha muito bem, e, se nos enfrentamos duas ou três vezes, é mais difícil de fazer as coisas."
SL Benfica

VITÓRIA NO MEIO DO TEMPORAL



Bravos a lutar e a vencer no meio do temporal
O Benfica garantiu a passagem para os oitavos de final da UEFA Youth League ao vencer o Slavia de Praga, por 3-2, em encontro disputado debaixo de condições climatéricas extremamente adversas.
A equipa Sub-19 do Benfica fez da sua bravura a principal arma para superar o Slavia de Praga, por 3-2, em embate dos 16 avos de final da UEFA Youth League, disputado nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, no Benfica Campus, debaixo de chuva intensa.
Na presença do Presidente Rui Costa – acompanhado por vários membros da Direção – e do treinador da equipa principal, José Mourinho, que assistiram ao duelo a partir da bancada, as águias apresentaram um onze com quatro jogadores que já se estrearam ao mais alto nível, no caso Daniel Banjaqui, José Neto, Tiago Freitas e Anísio Cabral.
A partida começou com intensidade, com o Slavia de Praga a assumir marcações individuais eficazes no meio-campo encarnado. Aos 10', Rui Silva criou a primeira situação de perigo para o Benfica, ao surgir, na sequência de um canto, em boa posição, na pequena área, para abrir o ativo, no entanto Petrenko defendeu a dois tempos. Aos 12', Jaden Umeh cabeceou por cima, após cruzamento de Federico Coletta pela direita.
Contudo, o Slavia de Praga adiantou-se no marcador aos 13', por Suleiman, com um remate frontal de fora da área, com a bola a embater no poste direito antes de entrar, sem hipóteses para Diogo Ferreira (0-1). Sob chuva intensa, o Benfica procurou reagir e voltou a criar perigo aos 18', com Gonçalo Moreira a surgir na esquerda, após solicitação de Miguel Figueiredo, mas o cruzamento-remate saiu ao lado.
A equipa encarnada intensificou a pressão e, aos 21', Anísio Cabral tentou a finalização de calcanhar, após cruzamento de José Neto, mas o desvio saiu fraco para a defesa fácil do guarda-redes adversário. Aos 25', Gonçalo Moreira voltou a tentar a sua sorte de fora da área, obrigando Petrenko a uma defesa a dois tempos.
O empate, porém, chegou aos 26', quando Tiago Freitas, ligeiramente descaído sobre a direita, rematou forte, rasteiro e cruzado para o fundo das redes, numa jogada iniciada por Gonçalo Moreira, que assinou a assistência (1-1).
O Benfica manteve-se por cima e, aos 30', Anísio Cabral esteve perto do golo, com um cabeceamento na pequena área, após passe de cabeça de Miguel Figueiredo, mas Petrenko respondeu com uma defesa apertada.
Aos 32', Jaden Umeh acertou com estrondo na barra, finalizando uma excelente saída de bola das águias para o ataque: Anísio Cabral recebeu a bola de costas junto à linha lateral e no meio-campo contrário, rodou e abriu para Daniel Banjaqui. Este conduziu e cruzou para a área, onde Gonçalo Moreira simulou para o irlandês rematar, sem marcação, ao ferro.
O Slavia de Praga voltou a criar perigo aos 41', com Potmesil a rematar para defesa de Diogo Ferreira, ainda que o avançado checo tenha cometido falta sobre o seu marcador direto. Até ao intervalo, Suleiman ainda fez uma nova tentativa de fora da área, aos 44', e, já em tempo de compensação, Pikolon desviou a bola com perigo, passando perto do poste, mantendo-se o empate a um golo no período de descanso.
No início da 2.ª parte, Gil Neves entrou para o lugar de Tiago Freitas, e o reatamento trouxe um jogo mais dividido e confuso nos minutos iniciais. Aos 46', Potmesil voltou a acertar na barra, após um cruzamento-remate. Aos 55', Suleiman bisou após um trabalho individual dentro da área do Benfica, culminado num remate cruzado que colocou o Slavia de Praga novamente em vantagem (1-2).
O Benfica respondeu com várias oportunidades claras. Aos 61', depois de Gil Neves e Jaden Umeh não conseguirem rematar da melhor forma na pequena área, Gonçalo Moreira surgiu para finalizar com sucesso no coração da área, assistido de cabeça por Gil Neves, restabelecendo a igualdade (2-2).
O médio-ofensivo encarnado voltou a destacar-se e reforçou o seu estatuto de melhor marcador de sempre do Benfica na Youth League, com 12 golos, ultrapassando José Gomes (11) e Diogo Gonçalves (11).
Aos 65', o livre de Rui Silva embateu na barreira, e, aos 66’, Vítor Vinha lançou João Afonso e Francisco Silva para os lugares de Federico Coletta e Anísio Cabral. O Benfica continuou a pressionar e, aos 72', Jaden Umeh rematou contra um defesa em boa posição, com Gonçalo Moreira a falhar a recarga num momento em que a chuva se intensificava.
A reviravolta concretizou-se aos 76', com Jaden Umeh a cabecear para o fundo das redes, após um canto teleguiado de Gonçalo Moreira, colocando o Benfica em vantagem pela primeira vez no duelo (3-2). Já perto do final, aos 81', José Neto cortou a bola em cima da linha de pequena área, com o esférico a embater no poste, quando os checos ameaçavam o empate.
 
O Slavia de Praga voltou a criar perigo aos 87', com um remate de Srb na área, após a bola ficar presa na lama junto à marca de penálti, mas o esférico passou por cima da barra. Para segurar o ímpeto ofensivo adversário e qualquer surpresa, Vítor Vinha colocou Ricardo Neto no lugar de Gonçalo Moreira, aos 90'.
Já em tempo de compensação, aos 90'+1', o treinador do Slavia de Praga, Jaroslav Machac, foi expulso por ter entrado em campo e empurrado Rui Silva, num final de jogo marcado pela intensidade e abnegação das jovens águias.
O Benfica ficará a conhecer o seu adversário nos oitavos de final da competição nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, a partir das 12h00.
DECLARAÇÕES




Vítor Vinha (treinador do Benfica): "Um jogo muito difícil, como tínhamos previsto. Tivemos de nos adaptar. O essencial foi a adaptação que fomos tendo ao longo do jogo, perante o que o adversário fez, as condições climatéricas, as soluções que o adversário nos foi dando para chegarmos à baliza. Não é fácil, num jogo destes, entrar a perder, empatar, ficar em desvantagem, voltar a reagir, voltar a agrupar, chegar ao empate e, no final, chegar à vitória. Muitos parabéns aos nossos rapazes, que se mantiveram sempre ligados ao jogo, concentrados. [Impacto da entrada de jogadores como Francisco Silva e João Afonso, num jogo com cariz batalhador em face das condições adversas] Preparámo-nos para um jogo de homem a homem, e depois eles alteraram, abordaram o jogo de uma forma mista em que nós tínhamos de encontrar algumas soluções para conseguirmos chegar à frente. Fomos chegando, eu creio que até fomos somando oportunidades de golo – independentemente dos golos do adversário –, mas não estávamos a conseguir concretizar. Conseguimos marcar 3, o adversário só marcou 2. Estão todos de parabéns. Não quero individualizar, porque, para mim, o essencial – e foi aquilo que eu lhes disse lá dentro – foi a mentalidade competitiva, a mentalidade vencedora que tivemos. Fomos buscar 2 valores muito fortes do Benfica – a nossa raça e a nossa ambição. Foi isso que os nossos jogadores colocaram dentro de campo. [Próxima fase da competição] Neste momento, descansar, esperar pelo sorteio. Independentemente do adversário, o essencial, ou aquilo que eu gostaria mais, era que nós voltássemos a jogar aqui em casa perante os nossos adeptos, para ter o apoio deles, porque merecem. É também para eles que jogamos, que competimos. Eles, claro, ajudam-nos a chegar às vitórias, e isso é que é importante."
SL Benfica

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BENFICA: OS MIÚDOS NÃO SENTEM QUE É IMPOSSÍVEL

 


O Benfica chega a janeiro como chegam os pugilistas que ainda estão de pé, mas já perderam a conta aos golpes. Houve eleições há pouco mais de quatro meses com Rui Costa, ao longo de uma dura campanha, a revalidar o mandato. Antes mudou o treinador. Saiu Bruno Lage, entrou José Mourinho, um dos homens mais preparados do futebol europeu para gerir crises, egos e ruínas. E, ainda assim, o Benfica chegou ao coração do inverno fora da Taça de Portugal, derrotado na Taça da Liga, a nove pontos do líder FC Porto e a cinco do segundo lugar ocupado pelo Sporting. A noite épica frente ao Real Madrid, que permite a continuidade na Champions, tornou-se num balão de oxigénio que perdeu algum volume com o empate em Tondela.

Uma época que começou com ambição, passou a resumir-se a um objetivo curto de chegar ao segundo lugar e um sonho (ainda muito distante) de alcançar a primeiro, além de mais um capítulo europeu prestes a ser escrito com o Real Madrid. Em matéria interna, o resumo faz-se de forma simples: pouco para quem é grande, muito para quem está ferido.
A equipa, é justo dizê-lo, tem melhorado. Está melhor hoje do que há algumas semanas. Mais organizada, mais compacta, menos caótica. E para isso também contribuiu a ida de Aursnes para o meio e a interrupção no futebol anárquico de Ríos. Mas ainda continua com o peso de quem sabe que qualquer erro já não tem margem de correção. Cada jornada de campeonato é uma final, cada falha um epitáfio. O futebol, quando se joga assim, deixa de ser jogo e passa a ser julgamento.
Foi nesse cenário que apareceram os miúdos. Como aparecem sempre. Sem pedir licença. Sem pedir desculpa. Banjaqui tem 17 anos e corre pela direita como quem ainda não sabe que o futebol também pode doer. Anísio Cabral, da mesma idade, pisa a área com a naturalidade de quem ainda acredita que todas as bolas podem ser golo. Foram eles que fabricaram o último frente ao Estrela. Um gesto simples. Um entendimento limpo. Um golo que não muda classificações, mas muda estados de alma. E às vezes é isso que salva um clube de se perder por dentro.
Com eles vieram os sorrisos. A pureza. A alegria. A irreverência. Aquilo que o Benfica parecia ter perdido, antes do jogo com o Real Madrid, e no meio da pressão constante de viver no limite em todas as competições.
Além de Banjaqui e Anísio (que voltaram a jogar frente ao Tondela) podem também juntar-se outros que já se estrearam pela equipa principal, como Diogo Prioste ou José Neto. Todos com a mesma característica invisível e decisiva: cabeça limpa e sonhos até ao céu. A tal leveza que os mais experientes, carregados de expectativas e obrigações, nem sempre conseguem ter.
O combustível dado por sangue novo já resultou antes na Luz. Foi assim com Renato Sanches na primeira época de Rui Vitória, quando ninguém lhe explicou que não podia fazer aquilo. Foi assim com João Félix no ano em que Bruno Lage chegou à equipa principal e recuperou sete pontos ao FC Porto. Foi assim, mais recentemente, com a vitamina João Neves na ponta final da primeira época de Schmidt, fundamental para o Benfica manter o avanço e sagrar-se campeão. O futebol repete-se porque os clubes esquecem-se. E voltam a lembrar-se quando já há pouco a perder.
A distância nove pontos para os dragões, com o Sporting pelo meio, faz com que a matemática se apresente de forma fria e faça com que o título, ainda antes do clássico de segunda-feira, seja ainda uma miragem. Mas pode haver outra vitória. Menos ruidosa. Mais profunda. A afirmação destes miúdos, e um novo milagre na Champions, pode ser o melhor que esta época tem para oferecer na Luz.
José Mourinho tem tido a coragem e visão de os lançar. E eles correspondem. De sorriso aberto, futebol nas pernas e coração cheio. Assim continuem a ter oportunidades. Assim possam gozar da paciência que normalmente é reservada aos reforços de €27 M e €30 M, aqueles que podem somar cinco ou seis jogos cinzentos porque fazem parte do processo de adaptação. O talento de alguns destes jovens merece essa aposta contínua e equilibrada. Mourinho saberá isso melhor do que ninguém.
Depois há o lado magnético com a bancada. A identificação é imediata. Os sócios olham para eles como família. Porque são da casa. Porque cresceram ali. Porque representam a base e a essência do clube.
Com a exceção da Supertaça, ainda conquistada no período de Bruno Lage, a época do Benfica pode terminar sem títulos.. E isso nunca deve ser satisfatório num clube que investiu como nunca e tem condições para outro tipo de campanha. Mas com os sorrisos dos campeões do mundo de sub-17, nem tudo tem de ser depressão.
Às vezes, a maior vitória é perceber que o futuro entra sem medo. Com miúdos que pisam o relvado sem saber que a missão é quase impossível. Que respondem ao desafio sem traumas, cicatrizes ou ressacas de maus resultados. E talvez seja por isso que jogam como se cada segundo fosse eterno e cada jogo pudesse mudar tudo.
Luís Aguilar, in a Bola

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

BENFICA: UM DESASSOSSEGO



É bem diferente encarar um novo desafio com a alegria no rosto e a confiança reforçada. Ganhar ao Real Madrid, e da maneira invulgar e apoteótica que foi, é muito diferente da apreensão que a derrota em Turim, naturalmente, provocou. Porém, o futebol é um desassossego constante e, em Tondela, muita coisa mudou. O onze escolhido por Mourinho nem por isso. Banjaqui só regressou por impedimento de Dedic e António Silva já se esperava que voltasse, pela sua garantida capacidade e pelo descanso que permite a Tomás Araújo, nesta altura o parceiro preferencial de Otamendi.
Quanto ao resto, tudo diferente. A relva é uma parte importante para que a qualidade técnica dos jogadores faça diferença. No caso, as equipas menos dotadas acabam por beneficiar e tirar partido das condições mais adversas em que se joga. A parte física passa a valer mais, equilibrando os duelos pela força e não tanto pela arte das equipas em confronto. Um Tondela trabalhador, agressivo e bem organizado viria a constituir um obstáculo que teve em Bernardo, o guarda redes da equipa, o seu inspirado expoente máximo. Ao contrário de outras equipas, o Tondela soube respeitar o espetáculo, não tendo sido o habitual antijogo a prevalecer, como vemos em muitas outras ocasiões.
O Benfica fez de tudo para vencer e o Tondela o mesmo fez para sobreviver. Não foi um jogo tecnicamente bonito, mas sim especialmente competitivo.
Mourinho vem optando por manter os seus dois jovens alas na equipa titular, porque a resposta destes tem sido boa. Esta solução tem permitido a Sudakov estender a sua qualidade enquanto coordenador do jogo ofensivo da equipa. Para que isto suceda, as costas do talento ucraniano são preenchidas pela eficiente e versátil dupla de médios, Aursnes e Barreiro, da qual o experiente técnico não tem prescindido. Com esta alteração inverteu-se o triângulo do meio campo, com o sacrifício inicial de Enzo ou Manu, jogadores mais posicionais. A verdade é que, mesmo não tendo ganho este último jogo, nem marcado, foram muitas as oportunidades criadas, mesmo em condições meteorológicas tão difíceis.
Velha manha lusa
Relativamente ao tema da relva e das visitas dos grandes, lembro-me que havia um mister ali para os lados da Reboleira (não é esse que estão a pensar...) que proibia os funcionários do clube de cortarem ou tratarem da relva na semana dos jogos caseiros com os grandes, para aumentarem as dificuldades dos craques visitantes.
«Quanto mais esburacado melhor», era a mensagem passada. Claro que era o tempo do vale tudo, e várias eram as manhas utilizadas. Pela antiguidade da história, mesmo sendo verdadeira, vou poupar a identidade do treinador em causa, até porque essa nem era das piores estratégias a que então se recorria. Talvez um dia volte ao assunto.
Pavlidis
É difícil não admirar o esforço e o rendimento de Pavlidis. É fácil perceber a importância que tem na equipa e o quanto ela depende de si. Neste momento, parece-me, Pavlidis não recuperou ainda a sua absoluta confiança depois do episódio do Dragão, seguido do escorregão em Turim.
A fase que atravessa afeta a sua normal convicção, perdendo para a insegurança e para a perda do timing das suas ações. Nos dois últimos jogos, com o Real Madrid e o Tondela, a espontaneidade do avançado grego tornou a não ser a mesma. O primeiro toque não está perfeito quando perto da baliza e o remate perde tempo e espaço. O remate de primeira também não é agora uma opção procurada. O esforço é o mesmo, ou até superior, mas a eficácia está em fase que importa inverter. Até os penáltis, em que era muito seguro e parecia infalível, vêm sendo convertidos com uma menor certeza.
A vida do goleador é o mérito do golo ser, normalmente, dividido com quem assiste ou até com quem recupera a posse de bola. A perdida flagrante não. É da sua exclusiva responsabilidade, algo que pesa no avançado e que temporariamente o diminui. Esta é uma realidade que faz parte, com a qual um atacante tem que lidar, lutando por repor o mais cedo possível a sua eficácia. Entretanto, os jogos não param e as exigências ainda menos. É quando o apoio dos verdadeiros adeptos se torna mais importante.
Real noite
É difícil retratar a noite europeia que se viveu na Luz. A qualidade e a personalidade da equipa do Benfica, naquele que era o jogo-chave, foram o orgulho de qualquer benfiquista.
A propósito, achei muito positiva e satisfatória a tolerância dos adeptos no final deste jogo em Tondela. O que, normalmente e infelizmente, resulta em insultos, quando não se ganha, transformou-se desta vez em aplausos, premiando muito justamente o esforço e não o indesejado empate. Bom exemplo dos seguidores da equipa, que seria bom estabilizar.
Voltando à noite de sonho, e ao final do jogo, foi absolutamente justa a homenagem pública ao comportamento de Courtois, à qual também Mourinho se juntou. As boas atitudes nunca são demais e devem ser promovidas, mas veem-se quase exclusivamente quando se ganha. Desta vez, o gigante belga, mesmo na derrota, vestiu a pele de Trubin, seu companheiro de posição tantas vezes incompreendida, abraçando o colega adversário pela sua inesquecível proeza.

Rui Águas, in a Bola 

Benfica Podcast 581 - Down to the Mud

                           

"O Benfica está a pagar anos de erros" - Entrevista a João Diogo Manteig...