segunda-feira, 14 de setembro de 2026
UMA REVIRAVOLTA À BENFICA!
Na 6.ª jornada da Liga Betclic, um bis de Pavlidis contrariou o tento madrugador do Gil Vicente e colocou as águias na frente ao cair do pano. Na compensação, Samuel Soares segurou a vantagem e Prestianni fechou o resultado em 3-1 com mais um golaço.
Num final de tarde de muito calor neste domingo, 13 de setembro, no Estádio da Luz, o Benfica sofreu, mas venceu meritoriamente o Gil Vicente, por 3-1, num desafio da 6.ª jornada da Liga Betclic.
Diante de um "adversário de qualidade", Marco Silva selecionou Samuel Soares, Banjaqui, Tomás Araújo, Lenglet, Dahl, Barrenechea, Barreiro, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis para comporem o onze inicial encarnado, com a intenção de "manter o foco, a mesma qualidade, mas, acima de tudo, os mesmos princípios como equipa", assim como explanou na antevisão.
Deste modo, a única alteração relativamente à equipa inicial da partida anterior (triunfo a meio da semana no terreno do Moreirense, por 0-4, a contar para a 3.ª jornada do Campeonato) foi a entrada de Barrenechea para o lugar de João Palhinha.
O primeiro sinal de perigo surgiu logo aos 2', quando Rafa quase serviu Pavlidis na área com um passe a rasgar, forçando Lucão a defender para canto, à direita. Na cobrança do mesmo, Prestianni cruzou para Barrenechea, que cabeceou por cima.
Ainda assim, foram os gilistas que inauguraram o marcador. À passagem dos 7', no contra-ataque, Gil Martins avançou pela esquerda até à entrada da área, onde serviu Héctor Hernández. De posição privilegiada na área, o espanhol rematou colocado para o 0-1.
As águias tentaram ripostar prontamente. Volvidos dois minutos (9'), Lenglet picou para a direita da área, mas Barreiro atirou para fora, de cabeça.
A ameaça seguinte verificou-se aos 20', quando, à direita do ataque, Prestianni ganhou a bola e cruzou para o coração da área, com Pavlidis a cabecear ligeiramente por cima do alvo.
Cerca de 10 minutos depois (29'), o Benfica conseguiu quebrar a resistência oponente. A partir do meio-campo, Barrenechea colocou a bola na área, e, após uma sucessão de cortes incompletos de Elimbi, Zé Carlos e Ricardo Esgaio, a bola sobrou para Pavlidis à porta da pequena área. Com muita classe, o internacional grego picou a bola sobre Lucão e nivelou o resultado (1-1).
Os encarnados criaram ainda mais duas boas ocasiões até ao descanso: na sequência de uma interceção de Rafa no ataque, Banjaqui tentou a sua sorte de longe, mas disparou ao lado (35') e, a passe de Pavlidis, Schjelderup trabalhou à esquerda da área e rematou prensado para fora (38').
Chegado ao final do 1.º tempo, o placar não espelhava a superioridade das águias.
Durante o intervalo, nota para as homenagens realizadas às equipas de futebol feminino (vencedora da Supertaça), râguebi masculino (campeã nacional) e basquetebol feminino (campeã nacional) do Clube. Os coletivos desceram ao relvado com os troféus e receberam de perto o carinho dos Benfiquistas.
Após um começo de 2.ª parte morno, Marco Silva mexeu na equipa aos 58', lançando João Palhinha e Aursnes e retirando Barrenechea e Barreiro.
Pouco depois (62'), as águias ficaram a centímetros do golo. Lenglet adiantou para Schjelderup, que entrou na área pela esquerda e fez um cruzamento/remate rasteiro. A bola ressaltou em Ricardo Esgaio e, caprichosamente, embateu em cheio na trave.
A turma benfiquista insistia e, aos 68', à direita, Banjaqui fintou o seu marcador, cortou para dentro e cruzou para a área. A bola embateu em dois defesas e sobrou para Pavlidis, que, à queima-roupa, proporcionou uma grande defesa a Lucão.
Dois minutos depois (70'), na cobrança de um livre perto da área adversária, descaído sobre a esquerda, Schjelderup fez a bola sobrevoar a barra, por pouco.
Foi neste contexto que Lukebakio e Echeverri – que se estreou com o Manto Sagrado – foram colocados em jogo aos 72', rendendo Rafa e Schjelderup, respetivamente. Com o empate a persistir no minuto 81, Marco Silva esgotou as suas substituições ao trocar Banjaqui por Jhon Durán.
Com o duelo a caminhar para os minutos finais, o Benfica pressionava cada vez mais em busca do triunfo. Aos 85', sobre a esquerda, Echeverri tabelou muito bem com Aursnes, entrou na área e disparou rasteiro à figura de Lucão.
No minuto subsequente (86'), num livre cobrado de forma inteligente, Echeverri deu para Prestianni à entrada da área, sobre a esquerda, e o camisola 25 atirou em arco à barra, novamente.
Todavia, no desenrolar do lance, Aursnes foi derrubado na área por Tidjany Touré, e o árbitro assinalou pontapé de penálti. Na cobrança do castigo máximo, aos 88', Pavlidis rematou puxado ao ângulo superior esquerdo, completando a justíssima reviravolta no marcador (2-1) e fazendo entrar em erupção o vulcão da Luz, cujas bancadas estiveram preenchidas com 62 455 espectadores.
Apesar da cambalhota tardia, a formação vermelha e branca ainda teve de sofrer para segurar os 3 pontos. Numa jogada bem desenhada aos 90'+2', Tidjany Touré fugiu pela esquerda, cortou para dentro e entregou a Santi García, que deu de primeira para Andreas Lausen, no interior da área. Atento, Samuel Soares saiu velozmente da baliza e, pelo chão, bloqueou o remate. De seguida, o guarda-redes antecipou-se a Tidjany Touré e impediu a recarga ao amarrar a bola. Grande momento do guardião a segurar a vantagem!
No ataque posterior (90'+3'), Echeverri abriu à esquerda para Prestianni, que fletiu para dentro, ultrapassou um oponente na área e fuzilou o ângulo superior direito da baliza. Mais um golaço do internacional argentino a encerrar a contenda, fixando o resultado final em 3-1.
O próximo compromisso do Benfica será referente à 1.ª jornada da fase de liga da Liga Europa, contra o AC Milan, no Estádio San Siro, às 20h00 de quarta-feira, 16 de setembro. Já no domingo (20 de setembro), às 20h30, o Glorioso visita o Estádio do Dragão para enfrentar o FC Porto na 7.ª ronda da Liga Betclic.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Jovem argentino continua a ser o farol da equipa pela persistência mesmo quando as coisas não lhe estão a correr na perfeição e esteve em dois golos e no penálti. Pavlidis e Samuel Soares foram decisivos
O MELHOR EM CAMPO: GIANLUCA PRESTIANNI, 7
A lição dos gilistas estava bem estudada. Sempre que a bola entrava diretamente nos canais, sobretudo em Rafa e em Prestianni e estes se encontravam de costas para a baliza de Lucão, a pressão era imediata e agressiva. Sentiu dificuldades para se virar na direção certa, mas até aí foi melhorando com o decorrer do jogo. Aos 20', colocou a bola para a finalização de cabeça de Pavlidis, mas o grego desperdiçou. Nove minutos depois, foi a sua presença na área, que tantas vezes ensaiou sorrateiramente com Schjelderup, que obrigou Esgaio a um mau corte para o 1-1, assinado com classe por Pavlidis. Na reta final, mesmo cansado, voltou a ser procurado pelos colegas e respondeu: bola à barra aos 86', participação na jogada que resultou no penálti sobre Aursnes logo depois e mais um golaço, ao seu estilo, já na compensação.
SAMUEL SOARES (6) — Um golo sofrido num 1x1 complicado, um ou outro susto e a defesa mais importante da noite, aos 90+2', a sair rápido dos postes para evitar o 2-2 perante Lausen.
BANJAQUI (5) — Primeiros minutos de grande participação no ataque, com Rafa e Barreiro por perto, mas a chama apagou-se com o golo do Gil Vicente, em que divide, embora não em partes iguais, a culpa com os centrais. Tornou-se um pouco trapalhão no 1x1 e ganhou poucos duelos na largura, perante a presença de Gil Martins, e nota-se que precisa de crescer em confiança para alcançar o potencial que todos lhe reconhecem.
TOMÁS ARAÚJO (5) — A exemplo do que aconteceu com o colega do lado, esteve bem melhor com a bola nos pés, do que sem ela. Dificuldades no alinhamento com Banjaqui no golo sofrido, o que permitiu o sucesso do passe nas suas costas. Continuam as dificuldades nos duelos, mas fundamental na quebra de linhas de pressão com o passe, fazendo entrar diretamente a bola nos canais interiores, em Rafa ou Prestianni.
LENGLET (6) — Era o único dos envolvidos no golo gilista que tinha a visão completa do que se estava a passar. E travou quando devia ter ido à dobra. No entanto, meteu inúmeros passes verticais, que fizeram a equipa embalar.
DAHL (5) — Aquele passe desastrado perto do fim, podia ter comprometido a reviravolta da equipa, mas não é só isso. Percebe-se que seja um dos pontos de equilíbrio de uma equipa que muito se projeta, mas foi claramente insuficiente no ataque, quando a equipa tinha de desmontar uma linha de 5. Esforçado e pouco mais.
BARREIRO (5)— As movimentações de sempre, desta vez quase sempre bem bloqueadas, com os gilistas a retirarem a profundidade ao ataque encarnado. Na única que passou, aos 9', cabeceou por cima, após bom passe de Lenglet. Saiu, sem surpresa, aos 58'.
ENZO (4) — Voltou à sua pior versão, sendo incapaz de travar as saídas gilistas para o ataque. O amarelo aos 12', por entrada tardia sobre Zé Carlos, deu o mote para exibição cinzenta. E que poderia ter tido outro tom, se tivesse cabeceado bem logo aos 3'.
RAFA (4) — Muito apagado. Raramente se conseguiu virar sob pressão e acelerar. Quase sempre ausente do fluxo ofensivo, à exceção do arranque, acabou por ficar tempo a mais em campo, com o treinador à espera de um rasgo que valesse a paciência. O elo mais fraco há alguns jogos. Ainda assim, um ou outro momento de atenção na reação à perda.
SCHJELDERUP (6) — Voltou a ser titular e, apesar de a química com Prestianni continuar a ser muito de valorizar, não esteve propriamente feliz. Todavia até isso tem aprendido com o argentino: é preciso continuar a tentar.
PAVLIDIS (7) — O grego é capaz do melhor momento de requinte técnico, como no 1-1, como de ser demasiado cru na finalização, caso das claras oportunidades falhadas aos 20' e 68', com a bola nesta última jogada a vir ter consigo após um ressalto. Acabou por bisar de penálti e manter o belo arranque de temporada, mas pode melhorar na definição das jogadas.
AURSNES (6) — Entrou, recebeu a braçadeira de Tomás Araújo e tocou a reunir. Aos 86', viu uma bola alta e acreditou que podia ganhá-la. E assim sofreu o penálti que garantiu a reviravolta.
PALHINHA (5) — O amarelo na primeira falta condicionou-o. Ainda assim, útil como sempre.
ECHEVERRI (6) — Chegou e assumiu a bola, sem medos. Tentou inúmeras combinações, mostrou a utilidade que pode trazer em espaços curtos. Bons sinais.
LUKEBAKIO (-) — Entrou a recuperar a bola e a Luz vibrou, mas a definição dos cruzamentos continua débil.
DURÁN (-) — Entrou para o assalto final.
In a Bola
BENFICA x Gil Vicente | RESCALDO J6 (3-1)
PAVLIDIS E PRESTIANNI SOMAM GOLOS EM TODOS OS JOGOS!
O MELHOR REFORÇO DO BENFICA...
Depois de muitas dúvidas sobre a construção do plantel, o Benfica fez uma reta final de mercado interessante e montou um plantel que parece pronto. Mais importante: os encarnados têm uma equipa que funciona como tal, ganha de forma convincente e entusiasmante, alinhada com o futebol ofensivo que os adeptos apreciam.
Não há dúvida de que houve contratações-chave — como a do médio João Palhinha — e de que alguns jogadores estão a render muito mais do que no passado, o que nos leva à contratação mais importante da SAD para 2026/27: o treinador.
Não é por acaso que a equipa rende, parece ter fome de resultados e que os mesmos jogadores da época passada pareçam melhores. Olhando para os últimos desafios, Marco Silva tem lançado sistematicamente um onze inicial onde só entram dois reforços — o médio Palhinha e o defesa-central Clément Lenglet. Os outros transitaram e têm apresentado um rendimento que, inclusivamente, tem atrasado de certa forma a entrada em cena de alguns novos jogadores e de outros que regressaram mais tarde após a participação no Mundial. E isto diz algo muito importante.
Não é por acaso que a equipa rende, parece ter fome de resultados e que os mesmos jogadores da época passada pareçam melhores.
Os projetos e as equipas de futebol — tal como o plano de contratações — só fazem sentido, ou pelo menos teoricamente apenas funcionam, quando existe uma ideia muito clara do que se pretende. Marco Silva transmite isso: no modo de atuação e comunicação desde que chegou ao clube, nos jogadores que avalizou como reforços, na definição de um desenho tático preferido que vai consolidando, numa ideia de jogo e numa mentalidade ofensiva que permite um futebol atraente e, ao mesmo tempo, potencia os jogadores do plantel.
É claro que há exceções, que nem todos respondem bem ou no mesmo timing, mas percebe-se o sentido deste Benfica de Marco Silva. Algo que, por exemplo, tínhamos alguma dificuldade em interpretar quando José Mourinho comandou a equipa ou, recuando ao estilo mais atacante de Roger Schmidt — que teve grande impacto na primeira temporada (o Benfica conquistou o título) e também entusiasmava —, mas que pareceu sempre pouco maleável, estático e sem capacidade de evoluir, do ponto de vista do treinador, a diferentes contextos de exigência.
É claro que há exceções, que nem todos respondem bem ou no mesmo timing.
Não quer isto dizer que o Benfica seja um mar de rosas ou que Marco Silva seja o melhor de todos; quer dizer, apenas, que o treinador do Benfica agregou, apontou o caminho e vai dando passos seguros, com as chuteiras na relva e os olhos no futuro. Quando se parte de um início sólido e transparente, tudo parece ficar mais fácil. Depois, depois será futebol e singularidades do futebol português. Mas importante é que não existam dúvidas e Marco Silva ou não tem, ou parece ter poucas.
Nélson Feiteirona, in a Bola
domingo, 13 de setembro de 2026
🔴 BENFICA DESFAZ GIL VICENTE EM JOGO SOFRIDO
Subscrever:
Mensagens (Atom)













