sexta-feira, 22 de maio de 2026

MAIS DO QUE UM TREINADOR



No desporto de alto rendimento, o sucesso regular depende de vários ingredientes em simultâneo, em que quase ou todas as peças do puzzle têm de estar num nível elevado para que os resultados surjam.
Posto isto, José Mourinho foi contratado pelo Benfica com o intuito de resolver várias peças do puzzle que a direção do clube considerou estarem a falhar e para os quais entendia que o treinador Bruno Lage não seria, ou não teria, a solução. Na narrativa da direção, Mourinho elevaria os níveis para um patamar de excelência. As alterações surgiriam a tempo das eleições e, independentemente da qualidade ou dos defeitos dos dois treinadores, seria fácil fazer a conta de 1+1: José Mourinho permitiria várias consequências positivas e, entre elas, uma campanha eleitoral com menos oscilações.
José Mourinho, como todos os treinadores com vários anos de carreira e, neste caso específico, com um currículo muito apetrechado, tem um perfil de liderança bem identificado e enraizado. Como treinador, possui um conjunto de competências, mas neste caso, fruto de ter treinado os maiores clubes do mundo em contextos muito exigentes, tem também uma visão holística de como um clube deve estar organizado e uma forte convicção nas suas melhores práticas.
Mourinho chegou ao Benfica numa altura em que o clube demonstrava (e continua a demonstrar) ter uma estratégia pouco robusta e uma cultura organizacional confusa, a juntar às constantes alterações na liderança da equipa de futebol e na direção desportiva, com investimentos elevados e resultados opostos aos pretendidos. E Mourinho não é o tipo de treinador que tem de exigir maior autonomia ou poder. É um treinador que, face à carreira que construiu, tem uma cláusula implícita nos seus contratos verbais: merece ter mais poder e autonomia do que um treinador com uma carreira dita normal.
Mas ter mais autonomia numa estrutura pouco robusta, dispersa e confusa é como ter mais dinheiro numa casa onde se gasta mal ou dar mais tempo a quem não tem horários. Quando se recruta um treinador, a cultura organizacional, a estratégia e os valores devem ser um ponto de partida. E não um ponto a meio ou final consoante o perfil de treinador que se contrata. Quando tentamos enfiar uma peça num local onde a mesma não pertence, é uma questão de tempo. Vencer será um acaso apesar da estratégia ou estrutura e nunca por causa da estratégia ou estrutura.
É desta autonomia que falo, e será um dos pilares para resolver um dos desafios que o Real Madrid terá para o treinador setubalense: ser capaz de resolver algo maior do que ser apenas treinador. É reencontrar aquilo que deve ser a cultura de disciplina e exigência na equipa de futebol. É tentar encontrar novos Modric e Kroos para serem os líderes dentro de campo e em espaços onde ele não está nem pode estar. Não sei responder se Mourinho será ou não o treinador ideal para os problemas táticos atual plantel. Mas quem o contrata fá-lo com a convicção de que terá capacidade para devolver as peças do puzzle que não existiram nos últimos meses: disciplina e completo alinhamento entre treinador e direção.
Isto não significa que os treinadores anteriores fossem maus, nada disso. A direção do Real Madrid admite, com isto, que delega mais uma função no treinador português e que para isso, este tem de ter determinadas competências e que deve assumir a responsabilidade de fazer algo que a direção não conseguiu. Se lhe der autonomia e com ela responsabilidade, poder e significado, Mourinho pode resolver alguns dos problemas na cabeça da direção. Porque a equipa do Real Madrid tem muito mais falta de disciplina, cultura organizacional, rigor e compromisso do que falta de talento, e todos sabemos que ter atletas caros e talentosos, não chega.
No Benfica faltou aquilo que já vinha a faltar nas épocas anteriores e por isso, qualquer que fosse o treinador, o problema seria maior ou menor, mas nunca seria resolvido de modo estrutural. Isto não quer dizer que tudo o que aconteceu de mau foi responsabilidade do clube e tudo o que aconteceu de bom foi responsabilidade do treinador, nada disso. Mas considerar, nos dias de hoje, que o problema do clube encarnado é o treinador é o mesmo que pensar que o problema da economia nacional se resolve passando o pagamento do vencimento de mensal para semanal.
Há um match que não foi feito na Luz: entre a estratégia, a cultura organizacional que o clube gostaria de ter e não a que verdadeiramente tem, o treinador e o perfil de liderança e gestão desse treinador. Isto fará parte do sucesso ou do insucesso de quem chegar à Luz e fará parte do novo desafio de José Mourinho, seja em Madrid ou noutro clube qualquer. Mourinho pode agradar ou não relativamente àquilo que consegue aportar às suas equipas, mas tem duas enormes qualidades que face a estruturas difusas, continuam a ser rainhas: comunicação situacional e uma enorme capacidade de ler o ambiente em redor.
Florentino Pérez, com 26 anos à frente do clube madridista, aposta no português após 13 anos. Desde 2013, o Real Madrid trocou nove vezes de treinador e repetiu dois nomes nesse período: Zidane e Ancelotti. Passados 13 anos, muita coisa mudou. E a maturidade do presidente leva-o a procurar um treinador que gosta de gerir conflitos através do confronto, que conhece bem a casa, conhece a pessoa com quem vai lidar diretamente e com quem já viveu alegrias e deceções.
Mourinho sabe melhor do que ninguém que não pode ser o Mourinho de 2010. Provavelmente, nem o conseguiria ser. O ecossistema do desporto de alto rendimento mudou de forma vertiginosa e exige novas abordagens. O que não mudou, e dificilmente mudará tão cedo, é a base do sucesso de uma organização de topo: liderança eficiente, cultura organizacional robusta e alinhada entre todos, talento e competências, uma excelente estratégia e recursos capazes de responder aos objetivos.
Rui Lança, in a Bola

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