quarta-feira, 22 de abril de 2026

BENFICA-IMPRENSA 22 Abril GLORIOSO TEM NOVO ALVO DE MERCADO E ARAÚJO LESIONADO PÁRA INDEFINIDAMENTE!

                 

PEDRO PEDRO PEDRO | EP 15 | Análise da jornada decisiva do campeonato

                 

MÉDIOS ISSA DOUMBIA E MARCEL REGULA ABORDADOS PELO BENFICA!

               

MÉDIOS ISSA DOUMBIA E MARCEL REGULA ABORDADOS PELO BENFICA!

                

BOLA AO CENTRO (T3)- Ep. 197: VITORIA NO DERBI COM SENHORIO!!

                 

MOURINHO COMANDA A VITÓRIA! TUDO SOBRE O DÉRBI NO V+ 🔥

                

3000 inscritos!! 🙏 Um obrigado + Benfica + novidades do canal

                 

Falar Benfica #243, Lisboa novamente vermelha e branca, Moreirense e modalidades

                 

MOURINHO E O "DIREITO" AO COMEÇO DO ZERO



 Mourinho voltou a falar e, como quase sempre, não se limitou ao jogo. Em Alvalade, construiu uma narrativa onde o Benfica surge resiliente e os rivais ficam sob suspeita, relançando o debate sobre mérito, contexto e liderança.

A conferência de imprensa de José Mourinho após a vitória no Estádio de Alvalade foi mais um daqueles exercícios de comunicação que não deixam ninguém indiferente: assertivo, provocador e, como tantas vezes, cirurgicamente polémico.
O treinador começou por sublinhar que o Benfica ainda não perdeu qualquer jogo na Liga e que, nos cinco confrontos já realizados frente aos três primeiros classificados – faltando apenas medir forças com o SC Braga na Luz – também saiu invicto.
De seguida, José Mourinho começou a adensar o teor do discurso. Fez questão de lembrar que o Benfica não venceu o primeiro jogo do campeonato, ainda que a cronologia mereça rigor: esse empate frente ao Rio Ave (1-1), disputado em atraso (1.ª jornada), surgiu já depois de três vitórias consecutivas e antes de novo empate, nos Açores, diante do Santa Clara. O técnico agarrou-se à ideia essencial: a equipa nunca liderou a prova – «o lugar onde queria estar» – e isso, na leitura do treinador, é fator de desgaste emocional… para os «jogadores». «É uma não motivação», definiu. Daí o elogio à «resiliência» de um grupo que, na prática, viveu sempre em perseguição – do lugar em que queria estar, o primeiro.
Mas Mourinho foi mais longe. Falou de vitórias alheias nos descontos, de penáltis discutíveis e até de lances caricatos, como o de Seko «Fofana, que tropeçou na bola», apontando o dedo ao contexto competitivo. E não poupou o Sporting, deixando a crítica embrulhada num pedido de desculpas protocolar «por estar em casa dele»: demasiados triunfos tardios, poucos por «mérito próprio».
O que Mourinho não disse, mas deixou implícito, é que também ele se inclui nesse exercício de resiliência. Chegou com a equipa no terceiro lugar, a cinco pontos do FC Porto, ainda que com um jogo em atraso, mas a verdade é que não foi capaz de a reposicionar na luta, em que, ressalva, nunca esteve. A mensagem parece clara: há trabalho, há contexto e há margem para um novo começo. Depois do triunfo em Alvalade, o capital simbólico cresceu – e dificilmente será irrelevante para Rui Costa, que terá já uma decisão alinhavada.
Mourinho deverá ter querido transmitir que tem a convicção de que lhe assiste o benefício da dúvida de continuar no Benfica na próxima época e de arrancar para esta em igualdade com os rivais? O treinador tem, no mínimo, o direito de ter essa convicção e de achar merecedor de uma oportunidade partindo do zero.
Aliás, o próprio Mourinho tratou de projetar o futuro, garantindo que contará «sem dúvida» com Andreas Schjelderup «e com todos os bons jogadores». Fica, no entanto, a interrogação: que lugar terão aqueles que foram visados – ainda que sem nomes -- após o empate com o Casa Pia, quando o treinador questionou o caráter competitivo do grupo? A mesma ferida foi reaberta, ao lamentar que esse deslize impeça o Benfica de depender apenas de si para chegar ao segundo lugar.
É aqui que a narrativa de Mourinho ganha contornos mais densos. Continuidade com evolução ou rutura com limpeza de balneário? A resposta ainda não existe, mas a pergunta já está feita – e, conhecendo o protagonista, dificilmente ficará sem consequência. A não ser que ocorra um volte-face, surpreendente, no próximo defeso, e a real e legítima segunda era de José Mourinho no Benfica fique adiada. Quiçá para sempre.
Ricardo Jorge Costa, in a Bola

O CAMPEONATO DO BENFICA NÃO É GANHAR AO SPORTING



O Sport Lisboa e Benfica é, por natureza, um clube de vitórias. Não se trata de retórica nem de memória seletiva. Trata-se de identidade. O Benfica nasceu para ganhar, não para se conformar.
A década de 90 marcou o período mais crítico da nossa história contemporânea. Um clube financeiramente fragilizado, desportivamente errático, institucionalmente vulnerável. A crise não foi circunstancial, foi estrutural. E exigiu decisões difíceis, muitas delas incompreendidas no seu tempo, mas determinantes para a reconstrução. Como escreveu José Saramago, é preciso sair da ilha para ver a ilha. Foi isso que o Benfica fez. Com custos. Com erros. Mas com direção.
Escrevo longe de Portugal, numa noite de domingo, após uma vitória frente ao Sporting Clube de Portugal que, paradoxalmente, me deixa insatisfeito. Porque há vitórias que não resolvem o essencial. Ganhar um dérbi tem valor, mas não define uma época. Não corrige um percurso. Não substitui um projeto. Mesmo o segundo lugar, a concretizar-se, não responde àquilo que o Benfica deve ser. O nosso campeonato não é esse.
Esta reflexão não nasce do impulso do momento. Precede o jogo. Resulta de uma inquietação mais profunda. O Benfica de hoje revela sinais preocupantes de regressão. Não tanto pela posição classificativa, mas pela ausência de um rumo claro. Falta visão estratégica. Falta coerência na decisão. Falta densidade no pensamento.
A gestão em regime de contingência tem consequências inevitáveis. O insucesso desportivo não é um acaso, é um padrão. A política de contratações evidencia inconsistência. A instabilidade técnica tornou-se recorrente. Os custos acumulam-se, dentro e fora de campo. Paralelamente, a marca Benfica perde tração. Projetos anunciados e não concretizados, hesitações em dossiês estruturais, perda de protagonismo em temas centrais como os direitos televisivos. A Cidade Desportiva permanece uma promessa adiada. O Benfica District, uma incógnita prolongada. Estes sinais, tomados em conjunto, configuram mais do que episódios. Configuram uma tendência.
Há seis meses, os sócios pronunciaram-se de forma inequívoca. Rui Costa foi eleito com a maior votação de sempre. Um mandato robusto, sustentado numa confiança clara. Mas a confiança, em instituições exigentes, é sempre condicional ao desempenho. E o tempo de mandato que falta (mais de três anos!) não pode ser uma extensão do que já se verificou.
O que hoje se observa é um Benfica desprovido de intensidade competitiva. Uma equipa sem a expressão emocional que historicamente a caracterizou. Falta energia, falta convicção, falta aquela tensão positiva que distingue quem compete para ganhar de quem apenas cumpre calendário. E essa insuficiência não se explica apenas por fatores técnicos. Tem origem no ambiente organizacional, na cultura interna, no grau de exigência que a estrutura impõe a si própria.
Este cenário contrasta, de forma evidente, com o comportamento dos adeptos. A presença constante, o apoio incondicional, a mobilização permanente. O Benfica continua a ser sustentado por uma base social que não abdica, que não desiste, que não negoceia a sua paixão. É precisamente por isso que o clube não pode falhar nesse compromisso implícito.
O momento exige mais do que correções pontuais. Exige densidade. Exige competência. Exige uma reconfiguração rigorosa da estrutura, com recurso às melhores soluções disponíveis. Porque, no Benfica, os resultados não são um efeito colateral. São a própria razão de ser.
Sem essa inversão, o risco é claro: a banalização competitiva. Um Benfica previsível, permeável, desprovido da autoridade que historicamente impôs. Um Benfica onde o adversário entra na Luz com expectativa, não com respeito. Esse seria um desvio inaceitável àquilo que o clube representa.
Não é tempo de roturas inconsequentes nem de conflitos estéreis. É tempo de construção séria. De agregação qualificada. De reconhecimento de que a complexidade do momento exige abertura e inteligência coletiva. Foi essa leitura que Manuel Vilarinho teve ao integrar Luís Filipe Vieira no projeto desportivo. Não por conveniência, mas por necessidade estratégica.
Os estatutos do Benfica não impedem a criação de um Conselho Estratégico. Um órgão consultivo, plural, apto a integrar diferentes perspetivas e competências.
Por essa razão, solicitei ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral que a criação deste Conselho seja levada a votação na próxima Assembleia. Porque organizações complexas não se fortalecem em circuito fechado. Fortalecem-se na diversidade de pensamento, na capacidade de escrutínio e na inteligência coletiva.
O universo benfiquista dispõe de capital humano qualificado. De ideias estruturadas. De experiências relevantes. Muitos dos candidatos às últimas eleições apresentaram contributos que merecem ser considerados. A divergência, quando bem enquadrada, não fragiliza. Enriquece.
A eventual ausência da UEFA Champions League agravará as exigências. Do ponto de vista financeiro, desportivo e reputacional. Não há margem para ilusões. O Benfica precisa de recuperar, em tempo útil, a sua capacidade competitiva plena.
A crítica, quando fundamentada, não deve ser evitada. Deve ser integrada. Porque aquilo que nos une ultrapassa largamente aquilo que nos distingue. O Benfica é, por definição, uma comunidade exigente.
Benfica não se explica. Sente-se. E quando esse sentir é pleno, indisciplinado e intransigente, não admite concessões nem tolera desvios. Não se revê na mediania, nem se satisfaz com o acessório. Porque, no Benfica, ganhar não é uma aspiração circunstancial. É critério. É referência. É ser Benfica.
O Benfica precisa de todos, e tenho a certeza que todos os benfiquistas estarão presentes.

Bruno Batista, in a Bola