sábado, 2 de março de 2013

MLS : O ANO EM QUE O " SOCCER " ATINGE A MAIORIDADE



O ano em que o "soccer" atinge a maioridade

Autor: ANTÓNIO RIBEIRO, 21 ANOS, ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO

 
A cidade de Filadélfia desempenhou um papel fundamental em diferentes episódios da História dos Estados Unidos da América. Recebeu os pais fundadores, que juntos foram signatários da Declaração da Independência (1776) e da Constituição dos EUA (1787). Serviu até de capital temporária, no final do século XVIII, enquanto Washington D. C. se erguia após os danos da Guerra Revolucionária Americana. Hoje, vai ser palco do pontapé de saída da 18.ª edição da Major League Soccer, a principal competição de futebol para clubes norte-americanos e canadianos.

Ao consultar a constituição do plantel anfitrião, os Philadelphia Union, podemos encontrar um nome bastante familiar: Freddy Adu. Depois da passagem falhada pela Europa, o jogador que Pelé tanto acarinhou e, inclusive, declarou ser o seu próprio sucessor, continua a exibir-se discretamente na última temporada e meia. Os tempos em que Adu brilhava na MLS com apenas 15 anos, fazem parte de um passado distante, muito por via do salto qualitativo perpetrado pela competição.

A MLS não é passível de ser comparada com as grandes ligas de clubes mundiais, por se encontrar ainda, do ponto de vista histórico, numa fase primária. Construída num país com pouca cultura futebolística, tem vindo a conquistar adeptos, ano após ano, seguindo uma modelo rígido que almeja o nivelamento orçamental entre as equipas, bem como a aposta crescente em atletas nacionais. Confesso que, a oportunidade de poder assistir aos primeiros passos de uma competição dotada de um potencial humano inegável, é algo que me cativa.

O presente ano pode revelar-se essencial no processo de afirmação do futebol que se pratica por terras do “Tio Sam”. Isto porque três emblemas da MLS estão presentes nos Quartos-de-final da Liga dos Campeões da CONCACAF, torneio que, desde a sua renovação em 2008/09, nunca foi ganho por equipas norte-americanas. Além disso, o vencedor da competição vai a Marrocos disputar o Mundial de Clubes de 2013, factor que pode constituir, num eventual triunfo, a possibilidade de afirmação do verdadeiro valor do “soccer”.

Seattle Sounders, LA Galaxy , Sporting Kansas City e Houston Dynamo perfilam-se como os principais candidatos aos lugares cimeiros da classificação em 2013. Este último, orientado pelo escocês Dominic Kinnear desde 2006, com resultados notáveis (vencedor da MLS Cup em 2006 e 2007, finalista em 2011 e 2012), apresenta-se como o conjunto mais forte. Adicionou o avançado Omar Cummings (ex-Colorado Rapids) à criatividade de Brad Davis e Boniek Garcia, sem esquecer a solidez garantida pelo sector defensivo.

Existe também uma certa expectativa relativamente à performance competitiva de equipas substancialmente renovadas como é o caso dos Portland Timbers, onde actua o ex-portista Diego Valeri, e dos New York Red Bulls, capitaneados por Thierry Henry.

A título individual, não convém perder de vista a estrela das camadas jovens dos EUA, Jose Villarreal (LA Galaxy), que já despertou a curiosidade de muitos adeptos. CJ Sapong (Sporting Kansas City) e Darren Mattocks (Vancouver Whitecaps), são outras figuras que prometem despontar para o continente europeu num futuro breve.

A Major League Soccer em 2013 vai começar com a ausência por tempo indeterminado de um dos melhores jogadores norte-americanos de sempre, Landon Donovan, que assumiu desgaste emocional no início do ano. A competição não deixa, porém, de atingir a idade adulta. Fá-lo com a esperança de um crescimento a passos largos, procurando assim minorar o fosso que existe entre a MLS e as principais competições de clubes, e dissolver o preconceito do “soccer”.

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