terça-feira, 6 de agosto de 2013

O COWBOY DO ALVALIXO


Bruno de carvalho, o desafiador
Jorge Mendes também não escapa. O mais influente empresário do futebol português é um dos alvos mais recentes de Bruno de Carvalho: depois de os jornais terem noticiado a proposta de 10 milhões de euros para a aquisição de Rui Patrício, que fez chegar a Alvalade em nome do Mónaco, levou uma nega e vários recados de volta.
Perante o mais bem-sucedido intermediário na venda de jogadores a actuar em Portugal – boa parte dos principais encaixes de FC Porto e Benfica nos últimos anos tiveram a sua mão –, o novo presidente do Sporting manteve-se fiel ao estilo desafiador que tem adoptado: ao fim de quatro meses no cargo, já abriu frentes de combate com árbitros, jogadores, empresários, bancos, ex-dirigentes, comentadores e jornais, além de ter cortado relações com o FC Porto. Jorge Mendes, que na sua carteira de clientes tem nomes como Cristiano Ronaldo ou José Mourinho, é só mais uma batalha.
Se é cedo para avaliar os efeitos desta estratégia, já não é precipitado concluir que Bruno de Carvalho justifica em pleno o rótulo de candidato da ruptura com que foi a votos em Março.
Não se trata apenas de se sentar no banco de suplentes e festejar as vitórias no relvado. Nem de se equipar à jogador – às vezes até dá uns toques na bola – e distribuir autógrafos. É um facto que nenhum dos seus recentes antecessores se prestou a tal, mas a grande mudança não está na imagem: desde a chegada de José Roquette ao poder, em meados da década de 90, nunca o Sporting tinha afrontado meio mundo do futebol de forma tão incisiva.
Só nos últimos 10 dias o site do clube publicou mensagens categóricas dirigidas a Jorge Mendes, ao brasileiro Elias e ao empresário do francês Turan.
Emprestado ao Flamengo, Elias denunciou oito meses de salários em atraso para justificar a sua saída em Janeiro, ainda na presidência de Godinho Lopes. O Sporting desmentiu, alegou que as declarações são uma estratégia para negociar a desvinculação definitiva e prometeu “agir em conformidade”.
Uma declaração de guerra idêntica à que mereceu o empresário de Turan, depois de ter acusado os ‘leões’ de tratarem o jogador como “mercadoria” e de o manterem “prisioneiro”, por não contarem com ele e não o deixarem sair para França: «As afirmações configuram crime de difamação, pois são totalmente falsas. O departamento jurídico vai iniciar os devidos procedimentos”.
Recados para Jorge Mendes
Já com o representante de Rui Patrício, a corda não esticou até partir. Houve ironia: “É uma proposta, com certeza, meramente exploratória”. Houve aviso: “O Sporting não vai pactuar com manobras de primeiras páginas de jornais para tentar desestabilizar o jogador”. E houve lição: “Os empresários têm de aprender que, quanto mais quiserem fazer negócio com o Sporting pelos jornais, menos negócio farão”.
Mas não houve ruptura. A porta continua aberta e até o preço foi tornado público por Bruno de Carvalho: 15 milhões de euros, pagos no prazo que o Sporting definir.
A primeira grande evidência desta nova forma de estar em Alvalade surgiu 15 dias após a tomada de posse. Bruno de Carvalho convocou a imprensa e abriu as hostilidades contra a banca credora, acusando-a de cativar todas as receitas e de estrangular as finanças do clube. A pressão pública resultou e em menos de 48 horas foi alcançado o acordo com o BES e o Millenium BCP para a reestruturação financeira.
Antes já tinha atacado os árbitros – merecendo críticas da APAF, associação que os representa – e uma semana depois iniciava uma série de ataques à imprensa e aos empresários de jogadores, com os de Bruma, o israelita Pini Zahavi e guineense Catió Baldé, sempre em ponto de mira.
O FC Porto e as bananas
Quando os ‘dragões’ divulgaram a venda de João Moutinho ao Mónaco por 25 milhões de euros, numa operação que envolveu ainda mais 45 milhões pelo colombiano James Rodríguez, Bruno de Carvalho fez de Pinto da Costa o alvo. “Foi um mau negócio”, começou por classificar. À resposta do líder portista de que tinha vendido uma “maçã podre” por bem mais do que o Sporting conseguira três anos antes, reagiu com alusões às escutas do Apito Dourado: “O Sporting não é dado a frutas, mas não somos bananas”.
Onze dias depois cortava relações institucionais com o FC Porto, na sequência de uma discussão azeda com o administrador da SAD portista Adelino Caldeira, que se recusou a cumprimentá-lo na final da Taça de Portugal de andebol.
Godinho Lopes e Dias da Cunha, ex-presidentes do Sporting, também não passaram incólumes. Foram desafiados a comparecer na assembleia-geral de 30 de Junho. “Tenho muita coisa para lhes dizer. Se não forem, ficará o recado”. Nem um nem outro aceitaram o repto.
Nesta cruzada contra tudo e contra todos os que, no seu entender, ferem os interesses do Sporting, houve ainda espaço para dedicar um comunicado a artigos de opinião de dois jornalistas sobre a reestruturação financeira. Pedro Santos Guerreiro foi criticado por ter feito uma “sátira deselegante” e Camilo Lourenço por “ignorância” sobre o assunto. Não será arriscado dizer que Bruno de Carvalho não ficará por aqui
fonte:sol.pt.

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