"Gonçalo Paciência, avançado do Eintracht Frankfurt, na zona mista do Estádio da Luz, deu conta da surpresa dos seus companheiros de equipa quanto à qualidade evidenciada por João Félix. Sabendo-se que o jovem benfiquista, autor de um hat trick frente aos germânicos, tem sido um dos destaques da Liga portuguesa, percebe-se como o nossa competição interna não tem qualquer expressão para lá de Badajoz.
Daí que seja pertinente perguntar quanto valem os golos nas provas europeias e quanto valem os golos na Liga indígena?
A jornada europeia, onde o FC Porto foi participante da Champions, teve também o condão de nos mostrar como os clubes portugueses são disciplinados a falar de arbitragem quando estão no contexto da UEFA.
Os dragões, sempre de dedo nervoso no gatilho quando se trata de disparar sobre os árbitros dos jogos em que participam, e também sobre os árbitros dos jogos em que o Benfica participa, limitaram-se alguns reparos cândidos depois de uma partida, em Liverpool, em que reclamaram três grandes penalidades e uma expulsão. Esse comportamento só se explica porque a UEFA dá-se ao respeito e e respeitada, enquanto que a Liga portuguesa não tem força para se impor aos clubes que estão na sua génese.
Não haja dúvidas de que, sem que se passe a olhar para o fenómeno do futebol de forma global, transcendendo interesses individuais, o caminho dos clubes portugueses será o do afastamento sistemático e progressivo dos grandes palcos internacionais. Curiosamente, ninguém parece preocupado por este declínio irreversível..."
José Manuel Delgado, in A Bola

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