No primeiro desafio de 2026, referente à última jornada da 1.ª volta da Liga Betclic (17.ª), o Benfica venceu o Estoril, por 3-1, neste sábado, 3 de janeiro, no Estádio da Luz.
Para enfrentar o 9.º classificado da competição – "uma equipa que joga bem, que joga um futebol muito interessante", tal como José Mourinho havia sublinhado na antevisão –, o técnico encarnado escalou um onze inicial composto por Trubin, Dedic, António Silva, Otamendi, Dahl, Manu, Richard Ríos, Prestianni, Sudakov, Barreiro e Pavlidis. No entanto, devido a um problema físico no aquecimento, Tomás Araújo entrou para o lugar de António Silva, e Obrador integrou o banco de suplentes.
Assim, as alterações relativamente à equipa titular do anterior compromisso foram as inclusões de Manu e Prestianni e as saídas de Barrenechea e Aursnes.
Num começo de jogo agitado, aos 2', após perfuração de Guitane e um ressalto na área, Begraoui, a meias com Dahl, rematou para enorme defesa de Trubin, e, na recarga, Pedro Amaral cabeceou à malha lateral.
A resposta das águias surgiu no 9.º minuto, quando Dedic recuperou a bola na frente, e, de fora da área, Sudakov disparou ligeiramente por cima da baliza.
Os visitantes voltaram à carga aos 18'. Ricard Sánchez recuperou a bola junto à área atacante e colocou-a em Alejandro Marqués, que, à direita, esbarrou na mancha de Trubin, que saiu bem da linha de baliza. Duas grandes intervenções do internacional ucraniano.
Após um arranque dividido, os encarnados assumiram as rédeas da contenda, detendo a maioria da posse e atacando frequentemente, com a defesa estorilista a cortar múltiplos lances no limite.
Já aos 22', foi a falta de acerto a evitar o tento do Glorioso, com Pavlidis a cabecear por cima, em resposta a cruzamento de Dedic, vindo da direita.
Porém, à passagem dos 28', na área, Otamendi foi agarrado por Ricard Sánchez e abalroado por Alejandro Marqués, que afastou a bola com o braço direito. Inicialmente, o árbitro mandou seguir, mas, após ser alertado pelo VAR para rever o lance, considerou que Alejandro Marqués tinha o "braço em posição não natural" no contacto com a bola, apontando para a marca dos 11 metros.
Chamado à cobrança, Pavlidis enganou Joel Robles e atirou a bola para o lado esquerdo, inaugurando o marcador aos 34' (1-0) e apontando o 1.º golo das águias em 2026.
A formação benfiquista mantinha a superioridade, e, no minuto 41, de fora da área, após boa recuperação de Manu, Sudakov encheu o pé, a bola sofreu um desvio em Jandro e saiu muito perto do alvo.
Assim, foi com naturalidade que o Benfica aumentou a sua vantagem, numa jogada de brilhantismo já no tempo de compensação da 1.ª metade (45'+1'). À esquerda, Barreiro progrediu e temporizou antes de fazer um passe a rasgar teleguiado para Pavlidis, que aguentou a pressão de Bacher e, de primeira, executou um chapéu perfeito sobre Joel Robles, para o fundo das redes (2-0).
Contudo, o Estoril ripostou volvidos apenas 2 minutos (45'+3'), contra a corrente do jogo. À direita, Guitane passou por Sudakov com alguma sorte e cruzou rasteiro. Begraoui simulou o ataque à bola e iludiu a defesa adversária, deixando João Carvalho solto de marcação, o qual rematou colocado à esquerda da baliza (2-1).
No intervalo, as equipas de natação e a equipa masculina de basquetebol do Clube foram homenageadas no relvado da Catedral pelas conquistas, respetivamente, dos Campeonatos Nacionais de Clubes e da Supertaça.
O 2.º tempo começou com Prestianni a tentar a sua sorte de longe, em posição central, atirando potente, ao lado (47').
Numa etapa complementar mais morna, só se voltou a registar perigo aos 65', quando Dahl tabelou com Richard Ríos, entrou na área pela esquerda, fintou Boma e cruzou em esforço, em cima da linha final, para defesa apertada de Joel Robles com a perna.
Em busca do empate, a equipa da Linha mostrou-se num par de ocasiões: aos 66', após um corte de Otamendi, a bola sobrou para Begraoui à direita da área, o qual abanou as malhas laterais, e, aos 68', Guitane subiu pela direita e entregou a João Carvalho à entrada da área, o qual rematou em jeito ligeiramente sobre a trave.
Pouco depois (71'), no lado oposto, na cobrança de um livre ainda distante da área, à esquerda, Sudakov bateu direto, disparando forte a rasar o poste.
Em nova bola parada, desta feita um canto aos 76', na sequência de um cruzamento de Sudakov, Richard Ríos rematou contra Fabrício, e a bola sobrou para Dahl, que cruzou para um cabeceamento de Tomás Araújo, próximo do alvo.
De seguida (77'), José Mourinho promoveu as entradas de Aursnes e Sidny, que se estreou com o Manto Sagrado, após ter chegado ao Clube na terça-feira, penúltimo dia de 2025. Sudakov e Prestianni abandonaram o relvado.
O internacional cabo-verdiano teve um impacto imediato. Aos 80', Sidny recebeu a bola no meio-campo e galgou metros pela esquerda até às imediações da área, onde cruzou rasteiro. Bacher ainda desviou a bola em carrinho, mas, ao segundo poste, Pavlidis encostou para completar o seu hat-trick (3-1) e levantar as bancadas da Luz, preenchidas por 59 865 espectadores. Primeiro jogo, primeira assistência para o reforço de inverno.
Aos 88' – já com Ivanovic em campo, o qual substituiu Pavlidis aos 87' –, Sidny esteve novamente em evidência, ao bater um livre à entrada da área, sobre a direita, fazendo o esférico passar muito perto da barra.
João Rego também foi a jogo, rendendo Barreiro aos 90'+2'.
Antes do apito final, Trubin ainda se voltou a aplicar, amarrando um tiro de Tsoungui de fora da área, na segunda vaga de um livre (90'+3').
Deste modo, o placar não sofreu mais alterações, e, com esta vitória, o Benfica fechou a 1.ª volta da Liga Betclic sem qualquer derrota.
O próximo encontro das águias é às 20h00 de quarta-feira, 7 de janeiro, no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, ante o SC Braga, nas meias-finais da Taça da Liga.
SL Benfica
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Pavlidis, toque de pura classe e promessas de Sidny e Manu (as notas do Benfica)
O Benfica estreou Sidny, e o jovem caboverdiano, atrevido e a querer mostrar serviço, tornou-se, de imediato, na nova coqueluche do Terceiro Anel, ao assistir Pavlidis para o 3-1. Mas foi o grego, autor de um ‘hat-trick’, a grande figura dos encarnados. O seu segundo golo foi uma pequena maravilha. E apareceu Manu a dizer que tem lugar no onze de Mourinho...
Melhor em campo
8 Pavlidis
– Assinou mais um ‘hat-trick’, saltou novamente para a liderança da Bola de Prata, e foi o protagonista do melhor momento de futebol na noite invernosa que se viveu no estádio da Luz: no ‘chapéu’ com que bateu Robles, aos 45+1, revelou talento (execução difícil), querer (ganhou posição num ombro-a-ombro) e personalidade (não teve medo de correr riscos). Mas, além dos golos, Pavlidis, que se deu ao jogo e à luta e procurou pressionar alto, também foi o mais lúcido dos ‘médios’, sempre que procurou jogo em zonas mais recuadas. Contra os ‘canarinhos’, foi o dono da bola e saiu sob uma merecida chuva de aplausos. Fica o senão de viver, demasiadas vezes, sem apoio, numa luta desigual com dois ou três centrais contrários.
7 -Trubin - Sem qualquer hipótese no excelente golo do Estoril (cruzamento de Guitane, simulação de Begraoui, e finalização preciosa de João Carvalho), o guarda-redes ucraniano foi gigante quando, com 0-0 no marcador, defendeu duas bolas de golo, a primeira de Begraoui (2) e a segunda de Marqués (18). Na segunda parte revelou segurança.
4 - Dedic - Razoável a defender (mas pouco atento à cobertura que tinha, quando avançava no terreno), o lateral bósnio foi um verdadeiro desperdício de capacidades, a atacar. Como é possível um jogador que possuiu uma excelente capacidade de aceleração, drible fácil e remate forte, não saber o que fazer à bola quando se acerca da grande área contrária? Muito trabalho para Mourinho.
6 - Tomás Araújo - Era para ter ficado no banco, mas uma lesão de António Silva no aquecimento fê-lo titular. Começou por experimentar dificuldades com Begraoui, mas cedo assentou jogo e realizou uma exibição competente. Surgiu, em diversas ocasiões, a liderar a equipa na saída de bola, com incursões que criaram situações de superioridade numérica ao Benfica.
6 - Otamendi - O ‘patrão’ do costume, sempre bem-posicionado, como no lance em que impediu que a bola rematada por Orellana chegasse a Trubin (19). Esteve na jogado do penálti de Marqués, num lance em que deu a sensação de ter sofrido falta antes da ‘mão’ do ponta-de-lança estorilista.
5 - Dahl – Uma partida nada convincente do lateral sueco, a atravessar uma quebra de forma. Não esteve bem perante os desconcertantes Guitane e Begraoui, nem se destacou particularmente a atacar, pela incapacidade de dar largura e profundidade ao jogo. Com a chegada de Sidny tem a titularidade em risco.
7 - Manu - O ex-vimaranense aproveitou a lesão de Barrenechea para gritar aos quatro ventos que tem lugar na equipa (se calhar, ao lado do argentino ex-Aston Villa...). Impôs-se a meio-campo pela capacidade atlética (ao estilo de João Palhinha), pelo sentido posicional e pela certeza no passe curto. Num jogo contra um Estoril de muitos ataques rápidos, foi precioso para o Benfica. E ainda teve chegada à área, surgindo em posição de faturar aos 26 minutos.
5 - Richard Ríos - Foram 90 minutos esforçados, mas nada inspirados. A forma como cumpriu a missão de ‘playmaker’ foi marcada por inúmeras perdas de bola, nunca parecendo confortável dentro das quatro linhas. É verdade que lutou, mas apresentou-se alguns furos abaixo do que já se lhe viu fazer.
6 - Prestianni - Voltou a ser o principal agitador da equipa, intercalando bons momentos com fases de muito atabalhoamento. De qualquer forma, procurou manter a intensidade da equipa em níveis elevados, e teve dois remates perigosos. Deliciosa a jogada (roleta) que assinou aos 39 minutos; a requerer revisão (pedagógica) a falta que cometeu sobre Pedro Amaral aos 65 minutos.
6 - Barreiro - Apresentou-se contra o Estoril mais em quantidade do que em qualidade, exceção feita ao ótimo passe para Pavlidis no lance do 2-0. Trabalhou muito, ajudou o grego na pressão alta, mas não teve a centelha de inspiração que faz a diferença. Uma exibição... ‘honesta’.
3 - Sudakov - Dois remates desenquadrados, umas quantas incursões bem-sucedidas da esquerda para o meio, e pouco mais. No capítulo da convicção, esteve abaixo do exigível. Inúmeras bolas divididas perdidas por falta de firmeza a meter o pé, incluindo o lance que acabou em golo do Estoril. Tarda em fazer jus aos créditos com que chegou à Luz.
5 - Aursnes - Foi para a ala direita, e ajudou a acalmar Dedic, tapando as incursões estorilistas. Deu um contributo positivo à estabilidade da equipa.
6 - Sidny - Não precisou de muito para conquistar o Terceiro Anel. Revelou atrevimento, intensidade e fome de bola, atributos suficientes para criar uma primeira boa impressão. A isto juntou inegável talento, traduzido, qual cereja no topo do bolo, por uma ótima assistência para o 3-1 de Pavlidis.
- - Ivanovic - Pouco tempo no lugar de Pavlidis, aproveitados para cumprir defensivamente nas saídas de bola dos ‘canarinhos’.
- - João Rego - Assinou o ponto, na vitória do Benfica.
José Manuel Delgado, in a Bola










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