Num terreno difícil, o Benfica venceu o Santa Clara por 1-2, em jogo da 22.ª jornada da Liga Betclic. Os golos das águias foram assinados por Pavlidis e por Paulo Victor (na própria baliza), ainda na 1.ª parte.
Madura e controladora, a equipa do Benfica venceu o Santa Clara, por 1-2, na 22.ª jornada da Liga Betclic, nesta sexta-feira, 13 de fevereiro. Pavlidis – o Man of the Match – apontou um golo e participou ativamente noutro, materializando a superioridade encarnada.
Com o Oceano Atlântico como esplendoroso pano de fundo e ainda com o sol a marcar presença – tal como muitos Benfiquistas –, o Benfica entrou no Estádio de São Miguel com duas alterações em relação ao duelo da ronda transata – 2-1, frente ao Alverca: Aursnes (lesionado) e Sidny cederam os seus lugares a Barrenechea e António Silva, respetivamente, com Tomás Araújo a ocupar a lateral direita. Estes 3 futebolistas juntaram-se a Trubin, Otamendi, Dahl, Barreiro, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis para fazerem os 11 escolhidos por José Mourinho.
O equilíbrio que pautou os primeiros instantes foi interrompido por uma investida de Pavlidis pelo lado direito do ataque encarnado, corria o minuto 5. O internacional grego cruzou para o 1.º poste, onde Rafa dividiu o lance com Gabriel Batista, com a bola a sair ao lado do poste direito.
Esta jogada foi o toque de alerta das águias, que desde este momento até ao intervalo não mais deixaram o meio-campo adversário... à exceção do primeiro e único lampejo ofensivo do Santa Clara, 6 minutos depois (11'). Klismahn arrancou pela esquerda, cruzou tenso para a pequena área, onde saiu Trubin para sacudir, com Barreiro a completar alívio.
Na resposta, o Benfica chegou ao golo (15'). Na direita, Barreiro deu para Tomás Araújo, que soltou para Prestianni. O avançado argentino meteu no interior da área, com Frederico Venâncio a afastar. A bola sobrou para Tomás Araújo, que, com conta, peso e medida, convidou Pavlidis a voar para o 0-1.
Belo e bem trabalhado desenho ofensivo benfiquista concluído com o 20.º golo de Pavlidis nesta edição da Liga Betclic – prova em que é o melhor marcador – e o 28.º no total de todas as competições!
Completamente instalados no meio-campo adversário, os encarnados estiveram muito perto de voltar a fazer funcionar o marcador. Passe de rotura de Tomás Araújo para Rafa, com o avançado a receber junto à linha divisória – e bem ao seu jeito –, a acelerar, a entrar na área e a rematar para parada difícil de Gabriel Batista (25').
Já dentro do último quarto de hora da 1.ª parte, Prestianni tabelou com Barreiro, e o médio internacional luxemburguês caiu no interior da área, após contacto com Frederico Venâncio. O árbitro mandou jogar; o VAR não interveio e, em vez de penálti, foi assinalado canto para o Benfica.
Mais uma vez pelo lado direito, aos 33', o Benfica orquestrou nova situação de golo. Movimento desconcertante de Prestianni a soltar Rafa, que rematou às malhas laterais.
Cheirava a golo, e onde houve fumo, houve fogo, neste caso... o 0-2. Se até aqui as águias tinham atacado preferencialmente pela direita, foi pela esquerda que dilataram a vantagem.
Serpenteando, Pavlidis ultrapassou Pedro Ferreira, correu área dentro e meteu para Prestianni – de calcanhar e a meias com Paulo Victor – desviar para o fundo da baliza insular (0-2, aos 38'). Depois de numa primeira fase atribuir o tento ao avançado argentino, a Liga acabou por considerar que se tratou de um autogolo do jogador do Santa Clara.
Aos 43', à esquerda, Schjelderup cruzou para cabeceamento de Pavlidis, em esforço. Prestianni ainda tentou captar o esférico, mas foi impedido de o fazer pelo número 64 do Santa Clara, Paulo Victor, que pisou o pé esquerdo do internacional argentino, na área, em cima da linha de fundo. Mas o árbitro António Nobre não assinalou penálti, nem o VAR interveio.
Com dois remates certeiros a favor da equipa orientada por José Mourinho, o intervalo chegou ao Estádio de São Miguel (0-2).
A 2.ª parte começou praticamente com o golo do Santa Clara, sem que nada o fizesse prever. Num pontapé de canto cobrado no lado esquerdo, Klismahn bateu para o coração da área, onde Gonçalo Paciência penteou e desviou a bola na direção da baliza. Trubin parecia ter o lance controlado, mas, traído pelo péssimo estado do relevado, viu a bola sofrer uma alteração de trajetória, acabando por entrar, sem que o guardião ucraniano o conseguisse evitar (1-2, aos 47').
Sabendo que este tento galvanizava os homens orientados por Petit e que o estado do terreno não permitia jogadas muito rendilhadas, o Benfica ativou o modo de controlo. Sem o volume ofensivo do 1.º tento, as águias passaram a dominar todos os tempos e ritmos de jogo... sempre com os olhos postos na baliza contrária.
Numa dessas incursões, aos 62', Pavlidis pareceu ser tocado por Sidney Lima dentro da área. Mais uma vez, nem António Nobre, nem o VAR viram motivos para grande penalidade...
O minuto 68 serviu para José Mourinho refrescar a equipa com a entrada de Sidny para o lugar de Schjelderup.
O Benfica não criava nenhuma clara oportunidade para aumentar a vantagem, mas, por outro lado, também não deixava que o Santa Clara se entusiasmasse. Como se diz na gíria, a melhor defesa é o ataque, e, desse modo, as águias continuavam mais perto da baliza de Gabriel Batista do que o Santa Clara da de Trubin, controlando qualquer ideia de contraofensiva.
Chegados ao 79', surgiram mais 2 fatores que não foram novidades no jogo. No primeiro, novamente o treinador do Benfica a mexer na equipa, desta feita com a entrada de Sudakov para o lugar de Rafa; no seguinte... novo lance polémico na área do Santa Clara.
Livre cobrado por Prestianni para a zona do 2.º poste, e bola afastada pela defensiva contrária. Até aqui nada de estranho, mas, no decorrer da jogada, Otamendi foi agarrado por Luís Fernando. Novamente nada a ser sancionado – fosse pelo árbitro, fosse pelo VAR – e o jogo seguiu...
A última alteração efetuada por José Mourinho levou Manu para o terreno de jogo, recolhendo Prestianni ao banco, corria o minuto 90.
Dois minutos volvidos, segundo cartão amarelo e respetivo vermelho para Lucas Soares, e o Santa Clara a ter de completar os 5 minutos de compensação com 10 unidades.
Pouco depois, soou o apito final de António Nobre, efetivando a vitória do Benfica nos Açores, por 1-2 – 3 pontos importantes. Uma missão cumprida com sucesso e baseada na maturidade e no controlo.
Com um golo e uma participação decisiva em outro, Pavlidis foi o Man of the Match.
Na 23.ª jornada da Liga Betclic, os encarnados recebem o AFS, em duelo que se realiza às 18h00 de sábado, 21 de fevereiro.
Antes, há novo embate europeu frente ao Real Madrid, na 1.ª mão do play-off de apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. O pontapé de saída está marcado para as 20h00 de terça-feira, 17 de fevereiro, no Estádio da Luz.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Pavlidis brilhou na primeira parte e impediu que o erro de Trubin na segunda tivesse consequências maiores
Melhor em campo: Pavlidis (7)
Um golo, uma assistência, uma primeira parte de luxo do grego, um dos que conseguiram adaptar-se melhor ao relvado pesado, onde mudar de direção requeria um pequeno bailado para não se escorregar — o que torna a brilhante jogada que deu origem ao segundo golo ainda mais impressionante. Pavlidis conseguiu deixar Pedro Ferreira para trás, ganhar a linha e cruzar no momento certo para Prestianni (mesmo que tenha sido Paulo Victor a metê-la lá dentro...). Antes, já tinha inaugurado o marcador na pequena área, finalizando no sítio certo cruzamento perfeito de Tomás Araújo, e depois (43') esteve perto do segundo golo, mas o centro de Schjelderup foi menos perfeito. Depois, na segunda parte, desapareceu, mas o principal trabalho estava feito: a salada grega evitou que o frango de Trubin causasse indigestão.
Trubin (3) — Primeira parte tranquila, sem remates à sua baliza, mas revelando atenção em centro venenoso de Klismahn aos 11' e, logo a seguir, a sair da baliza para evitar que a bola chegasse a Vinícius. Na segunda parte... borrou a pintura. No primeiro remate do Santa Clara à baliza — de Gonçalo Paciência, de cabeça, após canto —, Trubin abordou mal o lance, contou que a bola saltasse mais do que saltou, foi para agarrá-la... e ela passou-lhe por entre as pernas. Aos 54' não facilitou, encaixando remate de longe de Lucas Soares, mas aquele tremendo frango podia ter custado bem caro, e sobretudo deixou o Benfica no arame toda a segunda parte, quando de outra forma até podia ter pensado num descanso ativo.
Tomás Araújo (7) — Voltou à lateral direita, onde tanto jogou com Bruno Lage mas onde ainda não tinha sido utilizado por José Mourinho. E em boa hora o fez. Entrou atrevido, envolvendo-se bem no ataque, com combinações com Prestianni, e arrancou o cruzamento perfeito para Pavlidis inaugurar o marcador. Depois, mesmo com queixas no joelho direito, ainda lançou Rafa para uma das melhores oportunidades da primeira parte. Seguro a defender.
António Silva (5) — Foi quem mais caiu em cima de Gonçalo Paciência e ganhou e perdeu lances, mas contestou-os o suficiente para reduzir a influência do ponta de lança do Santa Clara — até no lance do golo: saltou com Paciência, impediu que o cabeceamento saísse com força, mas não contava que Trubin falhasse uma recolha que parecia fácil.
Otamendi (6) — Mais solto que o parceiro do lado, mas também teve alguns choques com Gonçalo Paciência, levando quase sempre a melhor. Limpou muitos lances e várias vezes surgiu no caminho da bola, travando remates do Santa Clara antes que eles chegassem à baliza.
Dahl (6) — O Benfica procurou mais a direita a atacar e por isso o sueco não se viu muito no ataque, mas quando apareceu fê-lo com critério e qualidade. A defender, não deu hipóteses.
Leandro Barreiro (6) — Algo trapalhão — deixou escapar duas boas situações na área, na reta final do encontro, uma por mau domínio de bola, outra com remate disparatado —, mas emprestou tremenda dinâmica à equipa, conseguindo ganhar metros no ataque e fazer todas as compensações necessárias a defender.
Enzo Barrenechea (5) — De regresso ao onze, pouco ou nada mostrou para fazer esquecer Aursnes. Sim, esteve seguro a defender, sem grandes erros — mas Klismahn, no seu raio de ação, foi o açoriano mais perigoso. Sim, esteve certinho a atacar — mas cada passe a mais de 15 metros era uma aventura.
Prestianni (7) — Foi o principal desequilibrador do início do jogo, muito ativo pelo corredor direito, e acabou por estar na jogada que abriu o marcador — tentou primeiro centro antes da bola chegar a Tomás Araújo. Esteve também no segundo — foi Paulo Victor quem marcou na própria baliza, mas foi a diagonal do argentino, da direita para o meio, para tentar finalizar a jogada de Pavlidis, que arrastou o lateral do Santa Clara para a zona perigosa.
Rafa (6) — Não foi decisivo (bom remate aos 25', mas Gabriel Batista defendeu), mas foi muito importante, sobretudo na segunda parte, pela forma como conseguiu receber rodeado de adversários e ganhar faltas ou soltar-se para desequilibrar. E não foi decisivo, na verdade, porque Schjelderup e Leandro Barreiro, aos 52' e 53', desperdiçaram na área passes cantados do 27.
Schjelderup (5) — Se Pavlidis foi quem melhor se adaptou ao relvado, o norueguês foi quem mais dificuldades sentiu, escorregando várias vezes. Pouco influente, mas trabalhou muito na defesa.
Sidny Lopes Cabral (6) — Entrou aos 68' e dois minutos depois já tinha arrancado um belo centro para Tomás Araújo, que Romão impediu que chegasse ao destino, e um remate ameaçador ao primeiro poste. Jogou de olhos na baliza e esteve perto do 3-1 na compensação.
Sudakov (5) — Lançado aos 79' para o lugar de Rafa, teve boa ocasião de livre direto mas escorregou e acertou na barreira. Acabou na direita do meio-campo, para ajudar a segurar Romão.
Manu Silva (—) — Entrou para a compensação, para ajudar a segurar a vantagem. Não teve tempo para muito, mas contribuiu com falta inteligente sobre Djé Tavares para parar contra-ataque.
In a Bola






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