sábado, 6 de junho de 2020

SOUBE A POUCO, MUITO POUCO


"Benfica recupera um ponto ao rival e sai por baixo em termos anímicos desta jornada. Jogamos um campeonato atípico

Recomeçou o campeonato e cedo se percebeu que nada está decidido. O primeiro jogo Portimonense - Gil Vicente mostrou que nada está resolvido na luta pela despromoção.
No segundo jogo, Famalicão e FC Porto mostraram que nem a questão do título nem dos lugares de acesso à Europa estão perto de estar decididos, quando mais a ordem classificativa dos candidatos.
Vai haver campeonato até ao fim. Vai ser assim em todas as lutas e até à última jornada.
Neste campeonato com menos emoção nas bancadas, não falta emoção no sofá. Neste campeonato, até se discute as condições desportivas económicas com que se vai chegar disputas dos próximos anos.
Depois do resultado de Famalicão, o jogo da Luz trazia ainda mais dramatismo e expectativa. Não porque decidisse o título, mas porque decidia o estado de humor e de ânimo dos candidatos na luta pelo título. Benfica e FC Porto vão lutar por este título sem tréguas.
O Benfica, ao empatar com o Tondela, deu ao FC Porto um ânimo extra e perdeu (mais) uma hipótese de se afirmar na frente.
O regresso de Gabriel traz qualidade, mas há muito a melhorar se realmente o Benfica quer luar por este título. Soube a pouco, muito pouco.
Benfica e FC Porto oferecem sucessivas prendas aos rivais. Por muito respeito que mereça o Tondela, este era um jogo que o Benfica devia ganhar.
O Benfica recupera um ponto ao rival e sai por baixo em termos anímicos desta jornada. Jogamos um campeonato atípico.
Assistir a um jogo num estádio vazio não foi experiência que tivesse gostado. Em certo sentido, isto é a negação do futebol e da razão pela qual gostamos dele. Detestei assistir ontem ao jogo no Estádio da Luz.
Sessenta pontos para cada candidato, mas nenhum deve estar orgulhoso. Vai haver luta pelo título mas se pudesse haver um pouco mais de futebol também era bom.
Neste momento, alegrias os adeptos só têm nos jogos dos rivais. Isso é pouco e é mau."

Sílvio Cervan, in A Bola

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