Num duelo da 20.ª jornada da Liga Betclic em que tentou de tudo para chegar ao golo, o Benfica saiu de Tondela com um empate (0-0), que é extremamente penalizador em face das muitas oportunidades que criou.
Nem com 16 remates – sem contar com os bloqueados – e 76% de posse de bola o Benfica chegou ao triunfo no Estádio João Cardoso, no jogo da 20.ª jornada da Liga Betclic. Neste domingo, 1 de fevereiro, empatou (0-0) frente ao Tondela.
Com o duelo com o Real Madrid (4-2) na gaveta, para defrontar os tondelenses, José Mourinho meteu em cima da mesa o seguinte onze: Trubin, Daniel Banjaqui, António Silva, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Sudakov, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.
Ou seja, duas alterações em relação ao desafio europeu com os merengues: entraram António Silva e Daniel Banjaqui, saíram Tomás Araújo e Dedic.
Sob uma chuva intensa – que deixou o relvado muito pesado e encharcado, dificultando o deslizamento da bola –, nos primeiros minutos os encarnados controlaram um certo atrevimento dos homens do Tondela.
Contido esse curto ímpeto dos anfitriões, as águias criaram a primeira situação de real perigo: lançado por Prestianni, Pavlidis entrou na área, mas, confrontado com a pressão de Brayan Medina, não conseguiu rematar nas melhores condições, e o guardião defendeu (11').
Quatro minutos depois, Barreiro caiu no interior da área, mas o árbitro Luís Godinho assinalou falta do... médio do Benfica (15').
Com o Benfica a aumentar o seu pendor ofensivo, aos 21' foi Prestianni a tentar a sorte, com um remate rasteiro, obrigando Bernardo Fontes a ir ao chão para suster o esforço.
Num lançamento longo do seu guarda-redes, o Tondela criou a sua única situação de golo: remate forte para as imediações da área, Dahl falhou a interceção, a bola sobrou para Rodrigo Conceição, e este cruzou para Jordan Siebatcheu tocar de calcanhar, com o esférico a ser devolvido pelo poste (25').
Quase como causa-efeito, quando o relógio passou o minuto 30, o Benfica aumentou o seu caudal ofensivo, construindo vários lances de perigo. O primeiro foi assinado por Prestianni. Em posição central, António Silva entregou para Pavlidis, que, de primeira, soltou o avançado argentino. Com o turbo ligado, o camisola 25 entrou na área e rematou forte e cruzado, mas viu uma enorme intervenção do guarda-redes do Tondela negar-lhe o tento.
No minuto seguinte foi Schjelderup a trabalhar bem na esquerda, a colocar no interior da área, onde Barreiro deixou passar para Pavlidis. O avançado internacional grego rodou sobre um adversário, rematou, mas, na hora do tiro, o guardião estava já muito perto e conseguiu a defesa (34').
Schjelderup, aos 36', foi vítima de uma entrada muito dura de Yaya Sithole, que pisou o avançado encarnado, e apenas viu o cartão amarelo...
Em ritmo diabólico, o jogo desenrolava-se todo no meio-campo e junto à área do Tondela, onde, aos 38', caiu Barreiro, fruto de ter sido agarrado e travado em falta por Bebeto. Numa primeira fase, o árbitro assinalou a infração e apontou para a marca da grande penalidade. Porém, chamado pelo VAR, Luís Godinho foi ver as imagens do lance e considerou que o jogador beirão "não comete infração" sobre o internacional luxemburguês, anulando o penálti...
Já dentro dos últimos 5 minutos do tempo regulamentar da 1.ª parte, Daniel Banjaqui esteve perto de inaugurar o marcador, mas Bernardo Fontes voou para negar o golo do jovem defesa encarnado, que rematou à entrada da área (43').
Nas bancadas, os muitos Benfiquistas desafiavam a chuva e puxavam a bom puxar pelos seus jogadores.
O Benfica continuou a forçar o ataque, mas ao intervalo era o nulo que imperava, o que não traduzia a claríssima superioridade das águias nos primeiros 45 minutos.
Nova parte, a mesma toada. No 2.º tempo, os encarnados entraram com a mesma disposição ofensiva com que tinham terminado a 1.ª metade.
Corria o minuto 54 quando o sempre irrequieto Prestianni ganhou uma bola à entrada da área e tentou desviar de Bernardo Fontes. O guarda-redes conseguiu travar a intenção, mas a bola sobrou para Schjelderup, que devolveu ao jogador argentino. À entrada da área, Prestianni rematou em arco, mas o guardião voltou a defender.
Pouco depois, na direita, excelente combinação entre Prestianni e Daniel Banjaqui. Este último, já no interior da área, deixou o primeiro em boa posição, mas o remate do argentino foi travado por Christian Marques (58').
Rafa e Sidny foram as primeiras apostas de José Mourinho para refrescar uma equipa que jogava em alta rotação, sem abrandar o ritmo. Schjelderup e Daniel Banjaqui recolheram ao banco de suplentes (62').
Na primeira ação no jogo, Sidny, no lado direito do ataque, cruzou diretamente para a cabeça de Pavlidis, que atirou, ligeiramente, ao lado (65').
Completamente instalado no meio-campo adversário, o Benfica voltou a buscar o golo aos 68'. Em posição frontal, Prestianni recebeu de Pavlidis e rematou de primeira, mas a bola passou a rasar o poste esquerdo da baliza do Tondela (68').
As oportunidades sucediam-se, e, aos 74', houve mais uma. Novo cruzamento bem tirado por Sidny, a bola a cair nos pés de Aursnes, que, após dominar, rematou contra Bernardo Fontes.
O tempo corria e o Tondela fechava-se cada vez mais nas imediações da sua área, com o Benfica a tentar de todas as formas visar a baliza adversária. Aos 82', procurou de duas maneiras: a primeira por Aursnes, que, após receber do calcanhar de Sudakov, rematou forte, para... outra intervenção complicada de Bernardo Fontes.
De seguida, o norueguês recuperou o esférico, colocou à boca da baliza, mas um leve desvio do guarda-redes tondelense fez com que Pavlidis não conseguisse encostar para o fundo da baliza.
Antes de a bola ser reposta em jogo, Prestianni e Sudakov cederam os seus lugares a Anísio Cabral e Bruma, respetivamente. Nota para o regresso do camisola 7 aos relvados, após vários meses ausente por lesão.
Aos 89', Bruma recolheu uma bola à entrada da área, ligeiramente descaído para o lado esquerdo, avançou uns metros, tirou as medidas à baliza e chutou forte, mas o disparo foi desviado para fora por um opositor.
Da mesma forma, mas aos 90'+2', foi Dahl a visar as redes adversárias. Em posição frontal, o defesa sueco rematou rasteiro, porém, ligeiramente ao lado.
Sem nunca desistir, aos 90'+5' – o árbitro deu apenas 5 minutos de compensação –, Anísio Cabral apanhou uma bola a jeito, e, à meia-volta, rematou para encaixe de Bernardo Fontes, o Homem do Jogo.
Pouco depois, Luís Godinho deu por terminado o encontro (0-0). Ficou assim sentenciado um resultado extremamente mentiroso em face de 90 minutos de enorme caudal ofensivo de um Benfica que do primeiro ao último instante fez de tudo para chegar à vitória – os 16 remates (sem contar com os bloqueados) e os 76% de posse de bola demonstram bem isso...
As águias recebem agora o Alverca, em partida da 21.ª jornada da Liga Betclic. O pontapé de saída está agendado para as 20h30 de domingo, 8 de fevereiro, no Estádio da Luz.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Prestianni esteve pelo menos três vezes muito perto de marcar. Schjelderup também criou muitos desequilíbrios. Só não houve felicidade do Benfica porque o gigante, desta vez, estava na baliza do Tondela
A figura do Benfica: Prestianni (7)
Aos 2' estava a conduzir a bola sozinho, com muitos adversários pela frente, sinal de que estava ali para lutar e procurar o golo, contra destino que se anunciava difícil. O baixinho desequilibrou no ataque com fintas, combinações e remates, criou e finalizou ocasiões. Veja-se só os disparos com perigo: remate fora da área para boa defesa de Bernardo Fontes, grandão de 1,97 metros; aos 33' lançado por Pavlidis atira para grande defesa do guarda-redes; aos 54' remate em arco muito perigoso, para desvio do brasileiro; aos 58' nova ameaça com perigo; aos 68' disparo de pé esquerdo com a bola a sair perto do poste direito. Pelo meio outros remates, ora desviados por defesas, ora sem força ou ao lado da baliza. Ainda isolou Pavlidis (11') e aos 46' fez a bola passar pela pequena área, mas ninguém encostou. Sempre com compromisso defensivo, saiu esgotadíssimo aos 82'.
Trubin (6) — Aos 3’ já voou para afastar com os punhos um centro ameaçador de Bebeto, aos 12’ sentiu dificuldade em agarrar a bola depois desta perder velocidade na lama, aos 25’ viu bola sair do calcanhar de Jordan Pefok para o poste esquerdo. Primeira meia hora agitada. O grandão da baliza do Benfica teve depois pouco trabalho. Ficou a ver o que estava a fazer o grandão da outra baliza.
Daniel Banjaqui (6) — Ficou em sentido, no início, com a velocidade de Aiko. Também algumas dificuldades em meter os primeiros passes. Mas não deixou de procurar o ataque, somou dois centros perigosos na primeira parte e aos 43’ rematou forte, sem balanço e fora da área, para difícil defesa de Bernardo Fontes. Aos 58', na área do Tondela, meteu Prestianni na cara de Bernardo Fontes. Foi perdendo fulgor e saiu aos 62' por Sidny.
António Silva (7) — Jogou sem complicar — bola para longe — sempre que se exigia, para evitar qualquer risco. Ensaiou dois maus passes longos antes de outros dois muito bons — primeiro a lançar Banjaqui aos 24’ e depois a encontrar Pavlidis (33’), permitindo que este isolasse Prestianni. Bons cortes aos 22’ e 73, de cabeça e com o pé, mostraram que soube estar no sítio certo. Muito sereno.
Otamendi (6) — Aos 25' Jordan Pefok desviou à frente do argentino para o poste, mas o principal mal tinha sido feito por Dahl. Foi somando bons cortes, aos 48' matou um contra-ataque ameaçador de Rodrigo Conceição. Falhou alguns passes longos, especialmente na segunda parte. Foi dos que mais mostraram vontade de vencer. Aos 31' encheu-se de ganas, avançou com a bola controlada e rematou forte fora da área, mas a bola saiu ao lado do poste direito.
Dahl (5) — Apesar de ter combinado várias vezes com Schjelderup ou Sudakov, não teve assim tantos lances positivos no ataque. A defender quase comprometeu aos 25' — má abordagem a um lance, falhou no tempo de corte e permitiu que Rodrigo Conceição cruzasse para Jordan Pefok finalizar com perigo. Aos 90+2' rematou forte ao lado do poste esquerdo.
Barreiro (6) — Formiguinha no meio-campo, sempre numa agitação, pressionou, cortou lances e tentou entregar depressa a bola. Caiu na área num lance com Bebeto na primeira parte, Luís Godinho assinalou penálti, mas reverteu a decisão depois de chamado pelo VAR para analisar as imagens. Com os minutos a passar, surgiu mais perto da área.
Aursnes (6) — Aos 74' esteve perto do golo, mas rematou com dificuldade e sem força contra Bernardo Fontes na pequena área. Aos 82' o guarda-redes voltou a travar-lhe um remate. Prático e com a preocupação de jogar para a frente, num toque de cabeça ainda deixou Schjelderup numa boa posição para marcar (59').
Sudakov (6) — Deu-se sempre ao jogo, combinou várias vezes com Schjelderup, Dahl, Aursnes ou Pavlidis, mas nem sempre tomou a decisão certa, sobretudo perto da baliza. Aos 61', por exemplo, perdeu tempo para rematar na área e perdeu uma oportunidade. Soltinho, bem fisicamente, fez com Pavlidis a primeira linha de pressão.
Schjelderup (6) — A exibição e os dois golos com o Real Madrid encheram-no de confiança, partiu com coragem para o um contra um, saiu-se bem várias vezes, meteu bem a bola em Pavlidis na área, abriu caminho para Dahl subir e rematou sempre que pôde. Aos 59' o pequenito norueguês esteve perto do golo, mas Bernardo Fontes estragou-lhe a festa.
Pavlidis (6) — Aos 11' recuperou uma bola, meteu em Prestianni, foi receber o passe do argentino, mas não conseguiu finalizar. Aos 33' grande passe para Prestianni, aos 35' rodou sobre um defesa, mas estava lá o guarda-redes, aos 65' cabeceou ao lado do poste direito, aos 90+2' entregou de bandeja para disparo de Dahl. Esteve na zona de finalização e criou oportunidades para os companheiros. Jogo de muitos duelos, difícil e de inverno, por isso nem sempre bonito.
Rafa (4) — Entrou aos 62', jogou primeiro ao lado de Pavlidis e depois na direita. Falhou vários passes e o jogo pareceu mais rápido que Rafa.
Sidny (6) — Também entrou aos 62'. Dois bons cruzamentos que Pavlidis e Aursnes não finalizaram. Tentou a sorte na marcação de um livre (contra a barreira) e num remate forte (ao lado).
Bruma (5) — Entrou aos 82' ainda a tempo de rematar forte com o pé esquerdo à entrada da área, mas a bola desviou em Rodrigo Conceição. Aos 90' recuperou a bola e lançou contra-ataque.
Anísio Cabral (6) — Entrou também aos 82'. Esteve muito bem — na primeira ação deu velocidade a um contra-ataque, usou o corpo para receber a bola e entregá-la bem, aos 90+2 meteu boa bola em Pavlidis, aos 90+5', à meia-volta sobre Medina rematou com perigo na área.
Nuno Paralvas, in a Bola
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