segunda-feira, 30 de setembro de 2013

LAURENT ROBERT : ENTREVISTA : EPISÓDIOS E MEMÓRIAS DO BENFICA

Outras fotogalerias Laurent Robert não esquece um nome do seu tempo no Benfica, curiosamente aquele que é agora capitão das águias. O francês recordou ao Maisfutebol o quanto Luisão o ajudou quando esteve na Luz, na época de 2005/06.

«Luisão é um bom homem, era o meu grande amigo quando estive em Portugal. Um tipo calmo, profissional, um verdadeiro capitão. Conheci-o em 2001, na Taça das Confederações, quando a França defrontou o Brasil. Já nessa altura gostei dele. Está há quanto tempo no clube? É a 11ª época? Isso é fantástico!»

O antigo médio garante que nunca teve problemas no balneário. Sempre se sentiu em casa. «Dei-me bem com toda a gente, jogadores, equipa técnica, dirigentes. O Benfica é um grande clube, e quando fui para Portugal foi fantástico.»

Um momento de nostalgia atacou Robert, que recapitulou toda a sua carreira durante a conversa: «Nunca na vida pensei chegar onde cheguei. Eu nasci na Ilha da Reunião. Sabe que é bem longe de França? Nunca pensei jogar em França, depois em Inglaterra, Portugal, Espanha, Canadá... Tive muitas oportunidades para jogar futebol. Todos conhecem o Benfica na minha ilha. Foi uma experiência fantástica. Comecei no Montpellier e também daí guardo boas memórias. Depois, veio o Paris Saint-Germain e Paris é Paris, todos os franceses querem jogar no PSG. É fantástico! Depois tive a oportunidade de jogar em Inglaterra, ao lado de Alan Shearer, um tipo que toda a gente conhece, e de ser treinado por Bobby Robson, um grande técnico. Chegou o Benfica, que tinha o Ronaldo Koeman no banco... Tive uma boa vida!»

Laurent Robert despede-se com essa frase, enquanto certamente fica a olhar para o vazio: «Tive uma boa vida!» Não há dúvidas.
«O Benfica foi uma boa experiência para mim. Uma boa equipa, que jogou muito bem, inclusive na Liga dos Campeões. Tenho boas recordações», atira Laurent Robert, em conversa com o Maisfutebol. Aquele golo a Vítor Baía nunca mais lhe saiu da cabeça, pela importância do jogo e pelas dificuldades que o FC Porto sempre colocava aos encarnados. «Sempre que entrei numa equipa tentei dar o meu melhor, mostrar a minha qualidade. Era um jogo muito importante para o Benfica. Sabe que no Benfica não joguei na minha melhor posição? Havia o... Como se chamava? Ah, sim, o Simão! Ele jogava mais sobre a esquerda e eu tinha de jogar do outro lado, mas mesmo assim dei o meu melhor... Nesse jogo tivemos uma oportunidade para um livre direto, a 45 jardas da baliza. Arrisquei, isso faz parte do futebol. Quando rematamos podemos marcar, é uma realidade do jogo. E a bola saiu muito direita junto ao canto e entrou.»

O médio francês não esconde que teria gostado de ter ficado mais tempo. «Assinei por três anos e estive pouco tempo. O Benfica tinha problemas financeiros e, na altura, andava com dificuldades com os salários. Queriam que ficasse e a minha família gostaria de ficar, mas havia questões com os salários e não foi possível. Essa foi a razão por que não fiquei mais tempo.»
«Já me deixei disso, amigo. Já lá vão uns anos. Agora, jogo golfe.» Da relva despediu-se há mais tempo, na Grécia, e depois num clube amador, o Red Star 93, onde fazia uns remates enquanto não se convencia a abandonar. Da bola despediu-se na praia, no futebol de areia, foi essa escapatória que Laurent Robert teve para continuar a jogar. Longe iam os tempos em que sentia nas costas o bafo do Parc des Princes e, mais tarde, o inferno da Luz. Paris Saint-Germain e Benfica vão defrontar-se, agora, na Liga dos Campeões e o antigo internacional francês, hoje satisfeito por ter chegado onde chegou, mantém-se fiel aos dois emblemas. «É para passarem os dois!» Afinal, todos o conhecem na longínqua Ilha da Reunião, a 800 quilómetros a leste de Madagáscar, onde nasceu. Tudo por culpa dos clubes onde jogou, com PSG e Benfica em grande destaque.

Robert parou o carro e atendeu a chamada, um pouco depois da hora combinada. Avisou que o telefone andava «meio louco», e que com o mãos-livres ouve-se ainda pior. Encarou a conversa com um meeinho, descontraído: «Para ser sincero ainda não vi este ano o Benfica. O PSG, sim, tenho visto. É muito forte, está forte como o ano passado e ainda se reforçou com mais internacionais [Cavani e Marquinhos]. Começaram muito bem a Champions League e espero que cheguem à proxima fase. O Benfica vi, no ano passado, a final [da Liga Europa] com o Chelsea. Aqui toda a gente conhece o Benfica, tem andado nos últimos anos na Champions, e também pode qualificar-se para a próxima etapa. Espero que ambos consigam. Não torço por nenhum, mas sim pelos dois. Desejo aos dois o melhor.»

Estando o PSG tão forte assim, como o próprio Laurent Robert afirma, a que poderá aspirar o Benfica na próxima jornada da Liga dos Campeões, em pleno Parque dos Príncipes? Apesar de retirado há algum tempo, o antigo médio partiu para a resposta com a mesma convicção que marcou o famoso golo a Vítor Baía, no Estádio da Luz, sem dúvida o melhor momento que passou em Portugal. «O Benfica é um grande clube, e tem jogado muito bem. Será um jogo difícil, acredito, mas pode aspirar a pelo menos um empate. Para passar o grupo seria bom empatar. Tem muitos adeptos em Paris, o que torna o ambiente muito bom para reforçar a mentalidade. Se o Benfica jogar o seu futebol penso que não terá problemas em conseguir um empate. Paris tem uma atmosfera diferente e o Benfica conhece-a. São duas belas equipas.»

Robert, simpático, fica em alerta. «Pode ser que vá ver o jogo, ainda não sei. Um dia quero ver jogar o Benfica ao vivo e no Parque dos Princípes seria fantástico. Talvez. Quem sabe?»
fonte:maisfutebol

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