Jogo brilhante da equipa de José Mourinho, a começar pelo planeamento do treinador, apura-a para o play-off. Uma vitória com espírito dos anos 60 e lembrar a todos o que é ser, verdadeiramente, Benfica.
ABSOLUMENTE ÉPICO! O Benfica encontrou-se com a História, e honrou Eusébio, Coluna e todos os ases que fizeram deste clube um gigante que olhou os outros de frente e nunca se deve atemorizar perante o desafio, mesmo que ele se chame Real Madrid.
Por uma noite, os benfiquistas revisitaram aquilo que o clube deve sempre ser. Uma equipa tremenda em campo, solidária na missão, uma bancada em apoio a fazer desta Luz um verdadeiro inferno para o colosso espanhol. Quantos podem dizer que ganharam mais vezes ao Real Madrid do que o contrário? Foi isto que pais passaram a filhos, avós a netos. Esta noite, na Luz, cumpriu-se o Benfica! Com muitos heróis, o último deles um improvável ucraniano, enviado para a linha da frente pelo comandante Mourinho para atirar a águia para o play-off da Liga dos Campeões.
O jogo foi incrível. O Benfica pressionou o Real Madrid, criou oportunidades bastantes e o resultado ao intervalo até deixava um sabor agridoce aos encarnados. Venciam por 2-1, mas era manifestamente pouco para aquilo que tinham feito. Ao intervalo, o Benfica era uma equipa que tinha feito quase tudo bem. Desde logo, na estratégia: José Mourinho acertou em tudo. A criação de oportunidades foi tanta que, quando Mbappé fez o 1-0, só podia haver fúria pelos golos falhados e resignação por um destino anunciado, tantas vezes se o viu nesta Champions. Mas este era um Benfica com espírito de 1960. E onde se antevia descrença, viu-se fé, viu-se raça, viu-se muito bom futebol.
Prestianni, Sudakov e Schjelderup dinamizaram o ataque, mas até Barreiro e Dedic perderam ocasiões. Pavlidis também, mas quando chegou à marca de penálti fez o que lhe é normal e meteu a bola no fundo das redes. Em 45 minutos, o Benfica foi mais rápido, mais forte, mais inteligente que o Real Madrid.
É claro que do outro lado estava um clube que está habituado a dar a volta a situações adversas. Há qualquer coisa que faz sempre duvidar do Real Madrid, mas esse é também um mérito deste Benfica. Na reentrada, esperava-se reação madrilena, mas foi Courtois quem salvou o golo de Pavlidis. O Benfica inclinou-se para o golo, continuou a ser ofensivo e chegou ao 3-1 por um Schjelderup de futuro incerto. As estrelas do Real não tinham ponta de brilho no relvado da Luz. Tanto assim era que ninguém notou Mbappé, o francês passou despercebido e reduziu para 3-2. O que se passou entre o golo do gaulês e o apito final foi a criação de um enredo que levou a noite para a História.
Havia golos em todos os lados, o Benfica esteve dentro do play-off, depois saiu, Bellingham atirou ao lado, Sudakov atirou ao lado e começou a aparecer Trubin. Uma defesa aos 77, uma defesa aos 78, Courtois negava o 4-2 a Barreiro.
Havia tática, claro, mas por essa altura só interessava uma coisa: entrar nos 24 primeiros, fosse como fosse. Não havia golo na Luz, mas havia golos por todo o lado. Nenhum interessava ao Benfica a determinado momento, pelo que teriam de ser mesmo as águias a agarrarem o próprio destino.
O Benfica-Real Madrid foi o último jogo da noite, nem todos os jogadores perceberam que necessitavam de mais um golo, mas quando o árbitro apontou uma falta a meio-campo e o Real Madrid ficou reduzido a nove, Trubin vestiu a capa de herói, foi à área adversária e cabeceou a bola para o 4-2 final. O Benfica chegava ao play-off, mas mais do que isso, viveu aquilo que é ser, verdadeiramente, Benfica!
Luís Pedro Ferreira, in a Bola
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Um jogo para a história. Uma grande exibição do Benfica. Encarnados, uns mais inspirados que outros, foram inexcedíveis em entrega e disciplina tática. E que dizer de Anatoly Trubin, que Mourinho mandou disputar a derradeira bola parada na grande áera ‘merengue’? Nunca mais esquecerá o dia 28 de janeiro de 2026. Aliás, não há quem vá esquecer-se do que aconteceu na Luz. Escreveu-se direito por linhas pouco habituais...
Melhor em campo: Anatoly Trubin, 9
Quem é que vai lembrar-se da grande defesa que fez, aos 34 minutos, quando se esticou todo para a esquerda e defendeu um cabeceamento de Asencio que levava o selo de golo? Ou do fantástico passe de 50 metros que fez para Dedic? Ou, ainda, das defesas que realizou a remates de Vinícius (77) e Rodrygo (78)? Ou de não ter tido qualquer hipótese nos dois golos sofridos? Depois da forma como bateu Courtois no golo que qualificou o Benfica para o play-off — salto com o tempo certo, enquadramento perfeito e um gesto técnico, em que rodou o pescoço, para a seguir desferir a cabeçada letal, ao nível dos melhores – Anatoly Trubin entrou na lenda das mágicas noites europeias da Luz e a proeza que alcançou será passada de pais para filhos. Um instante para a eternidade.
6 - Dedic – Na generalidade, fez um bom jogo. Apoiou bem Prestianni, num flanco esquerdo merengue que sofreu com a ausência defensiva de Vinicius, não teve as hesitações atacantes do costume, e portou-se com grande autoridade nos duelos com o internacional ‘canarinho’. Uma nódoa, porém, manchou a exibição do jogador bósnio. Estava desatento a quem tinha nas costas – por sinal Mbapée - e isso custou ao Benfica o primeiro golo do Real Madrid.
7 - Tomás Araújo - Exibição irrepreensível do central encarnado. Concentrado, decidido, com uma mecanização de movimentos de grande nível com Otamendi, Tomás Araújo, por terra e pelo ar, foi um muro que protegeu a baliza de Trubin. Não se aventurou, como é costume, no ataque, o que se compreende.
8 - Otamendi – Impressionante a vitalidade do campeão do Mundo, a quem os anos não pesam nas pernas. Foi o patrão da equipa; sempre que foi preciso, com o árbitro ou com os adversários, mostrar que o Benfica tinha um líder em campo, esteve lá; ganhou todos os duelos em que participou. E ainda foi sobre ele que foi cometida a grande penalidade que deu o segundo golo dos encarnados.
7 - Dahl – Outra boa exibição, muito certo a defender, especialmente nas antecipações — apenas um erro grave, aos 65 minutos, quando fez um passe tonto para dentro que foi intercetado pelos merengues — Samuel Dahl apoiou Schjelderup a atacar e bateu-se bem com Mastuantono e Rodrygo.
8 - Barreiro – A metade inicial da primeira parte não augurou nada de bom: viu um cartão amarelo aos 10 minutos e perdeu uma bola em zona proibida aos 14. A partir daí fez reset, entrou em modo formiguinha, e passou a estar em todo o lado, recuperando bolas e saindo para iniciativas de contra-ataque. Um dos artífices da boa exibição do Benfica.
8 - Aursnes – O sucesso do plano de jogo do Benfica dependia muito do norueguês, e também de Barreiro. Aursnes esteve imperial, sem um momento de desconcentração, sem um momento em que tenha metido o pé sem convicção, sem um momento em que tenha deixado os madridistas jogar entre linhas. A isto ainda somou o início da jogada, após um ‘roubo’ de bola, do 3-1 do Benfica.
8 - Prestianni – Este extremo que o Benfica usou contra o Real Madrid tinha parecenças fisionómicas com aquele que foi utilizado com o Estrela da Amadora, mas revelou-se um jogador completamente diferente. Concentrado, determinado, a saber o que estava a fazer, Prestianni foi um quebra-cabeças para a defesa merengue, e o exemplo acabado de quem não teve medo nenhum de defrontar os espanhóis.
6 - Sudakov - Ninguém pode dizer que não deu tudo o que tinha e que foi útil ao Benfica, respeitando os ditames táticos de Mourinho. Mas ainda teve situações em que definiu mal o último passe . Pena que uma trivela (60 minutos), muito bem pensada, tenha falhado por pouco a baliza de Courtois.
8 - Schjelderup – O melhor jogo que fez de águia ao peito, a sugerir que uma dispensa seria má política, e a pedir continuidade e confiança. Marcou dois belíssimos golos – cabeceamento de cima para baixo e remate cruzado – trabalhou como se não houvesse amanhã defensivamente e mereceu a estrondosa ovação que ouviu quando foi substituído aos 90+3.
8 - Pavlidis – O goleador Trubin tirou-lhe a possibilidade de ser o melhor em campo. Pavlidis fez tudo bem. Muitas vezes de costas para a baliza espanhola, segurou a bola e deixou a equipa subir, fez duas assistências para os golos de Schjelderup e ainda provou que Turim foi um acidente, batendo a bola dos onze metros, sem hipótese para o gigante belga. Pelo tipo de jogador que é, tem tudo para se entender bem com Rafa.
6 - Barrenechea – Foi ocupar o lugar de Barreiro, aos 83 minutos, passando o internacional pelo Luxemburgo para a posição, mais adiantada, do substituído Sudakov. O médio argentino integrou-se bem no plano de jogo, manteve as linhas apertadas, e tapou bem as iniciativas do Real Madrid, especialmente a partir do momento em que os merengues perceberam que estavam fora dos oito primeiros.
5 - João Rego – Fechou o lado esquerdo do ataque do Real Madrid.
5 - António Silva – Foi fazer de terceiro central, já no lavar dos cestos.
5 - Ivanovic – Batalhou nos instantes finais e ainda foi a tempo de dar um abraço a Trubin.
José Manuel Delgado, in a Bola


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