quinta-feira, 24 de maio de 2018

O NOSSO QUERIDO FUTEBOL PORTUGUÊS


"1. Os clubes em Portugal têm vindo a investir em conhecimento nos últimos anos. É notório o aumento de quadros qualificados em várias áreas como a medicina, jurídica ou comunicação mas ainda nos falta dar passos mais incisivos rumo à modernidade. O caso do não licenciamento para as competições europeias do Desportivo das Aves é paradigmático: só o puro amadorismo pode justificar que uma sociedade desportivo da Liga, dita profissional, não tenha levado a cabo o respectivo processo. E nem o custo serve de desculpa: são 2500 euros.
Mas pior que a incúria só mesmo a cegueira. No rescaldo da conquista da Taça de Portugal, o presidente da SAD, Luíz Andrade, veio culpar a Federação Portuguesa de Futebol, mesmo admitindo o não cumprimento das regras. Ou seja, é como preencher o boletim do Euromilhões, não o entregar no quiosque, acertar nos números e no fim culpar a Santa Casa da Misericórdia. Uma reacção destas só é compreensível à luz da frustração de ver €5 milhões a voar (a entrada directa na Liga Europa).
2. Promete ser mais uma polémica à portuguesa: seja qual for a decisão do caso Santa Clara, há o risco de o campeonato da Liga 2 emperrar na homologação. Não sendo jurista para determinar quem tem razão (e como me dizem alguns advogados, a lei tem sempre duas caras), continuo espantado com a inexistência de um mecanismo (podíamos admitir informático) que detecte, a priori, a utilização irregular de um jogador. Mais grave: que um clube o faça por três vezes.
3. Bruno de Carvalho até poderia contratar José Mourinho e Cristiano Ronaldo nem isso lhe daria legitimidade para continuar a liderar o clube. Um presidente que culpa os próprios jogadores pelo ataque de Alcochete não é um lapsus linguae; é a desculpabilização do horror. Em suma: uma vergonha."

Fernando Urbano, in A Bola

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