sábado, 6 de junho de 2020

SEM ALMA


"Qualidade do Benfica aos repelões, sem dinâmicas ou asfixia ao adversário

Passado
1. Expectativa para saber como se apresentaria o Benfica, com possibilidade de saltar para a liderança isolada, depois da derrota do FC Porto, e como seria a qualidade de jogo da equipa de Bruno Lage. No momento da suspensão das competições (uma vitória em oito jogos) atravessava mau momento. Aproveitaria para reagir com alterações estratégicas, qualidade de jogo, dinâmica e intensidade? Entrou num 4x4x2 híbrido (Taarabt, segundo avançado e fazer ligação entre meio-campo e ataque), começou bem, com oportunidades de Rafa (2') e Jardel (10'), mas voltou ao que era antes da pausa. Talvez tenha acusado a pressão de ganhar, houve apagão de alguns jogadores. Pizzi praticamente não existiu, de Rafa viram-se algumas acelerações. Tondela apresentou duas linhas de quatro e controlou sempre os movimentos para o interior de Pizzi e Rafa quando Taarabt fazia diagonais para fora. Gabriel, com capacidade de passe para mudar o centro de jogo, mas lento a aproximar-se do último terço, e Weigl, mais posicional, foram bloqueados pela organização do Tondela.

Saber esperar
2. Tondela somara dois empates e três derrotas nos últimos cinco jogos antes da paragem. Jogou, como se esperava, em bloco baixo, defendendo em 4x4x2 e atacando em 4x2x3x1, com Richard a aproximar-se de Rúben Fonseca a atacar, com dois alas (Murillo e Ricardo Valente) e dois médios-centro (João Pedro e Pepelu( carregados de qualidade no passe e na construção. Controlando o momento defensivo, com solidariedade, capacidade de sofrimento e, sobretudo, muita organização, tentou sair em contra-ataque com princípios bem definidos, não recorrendo ao chutão para a frente, e até teve uma oportunidade por Richard. Aceitou a supremacia do adversário, soube esperar e nunca se perturbou.

Mudanças
3. Com igualdade a zero ao intervalo, Bruno Lage não mexeu na equipa, que respondeu positivamente nos primeiros 15 minutos da segunda parte. Rafa perdeu outra oportunidade. Depois, mais do mesmo. Até que Lage tentou dar mais agressividade ofensiva à equipa. Entrou Dyego Sousa, mas, num primeiro momento, mais para fazer de Taarabt (marroquino desceu para o meio-campo) do que para desempenhar funções de combate na área. Não acrescentou muito. Com as trocas de Vinícius por Seferovic e, mais tarde, de Pizzi por Jota, Benfica acabou com quatro na frente, mas sem arte nem engenho para ultrapassar a organização do Tondela e com a frustração a crescer. Qualidade aos repelões, sem dinâmica ou asfixia. Jogadores recebiam a bola e paravam.

Obrigação
4. Benfica, contra um adversário mais fraco do que o Famalicão, que derrotou o FC porto, tinha obrigação de fazer mais e melhor. Não houve evolução. Contra adversário mais frágil faltou, desde início, presença na área, que dois pontos de lança poderiam oferecer. Nota positiva Jardel, que apareceu solto e confiante. Finalmente: adepto fazem muita falta aos clubes grandes, muitas vezes exigem mais responsabilidades, mais entrega e são decisivos para ajudar a vencer."

Vítor Manuel, in A Bola

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