sábado, 30 de julho de 2022

VENERAÇÃO? NÃO. RECONHECIMENTO? SIM!

 


"Luís Miguel Afonso Fernandes assinou pelo SL Benfica em 2013. Após um empréstimo ao Espanyol na época 2013/2014, Pizzi começou a envergar o Manto Sagrado em 2014/2015. Até então, o bragantino, que tinha dado nas vistas no clube da sua terra, chamou a atenção do SC Braga. Passou pelo caminho duro dos empréstimos: Ribeirão, SC Covilhã e Paços de Ferreira. Na passagem pela "capital do móvel" corria a época de 2010/2011 e o Luís Miguel ficou-me na retina. Fez um hat-trick em pleno Estádio do Dragão e terminou a temporada com 11 golos marcados. A sua capacidade de definição no último terço não era comum e estava ali alguém que era diferenciado nesse aspeto tão importante de um jogo de futebol.
Voltou novamente à cidade dos arcebispos, mas acabou por assinar pelo Atlético de Madrid no mercado de inverno da época 2011/2012. Sem espaço na capital espanhola, acabou por novamente entrar na rota dos empréstimos, desta feita, ao Deportivo da Corunha. Aí voltou a mostrar todo o seu valor - 8 golos em 36 jogos - e o SL Benfica fechou a contratação do português. Era a grande oportunidade para se impor ao mais alto nível do futebol português. E assim foi.
Pizzi foi um dos melhores criativos da última década do futebol português. E o que é um criativo? Um jogador que quer que o jogo passe por ele desde a construção até ao momento da decisão. Fosse à direita, à esquerda ou no meio, mais longe ou mais perto da área, Pizzi queria sempre a "redondinha" para colocar a equipa a jogar. E como qualquer criativo não basta colocá-lo como "número 10" para que as suas melhores qualidades apareçam de forma regular. Para que um criativo possa sobreviver na loucura que é um jogo, os seus colegas devem estar perfeitamente enquadrados com tudo o que ele pode fazer. É a equipa a jogar com o jogador. Sendo Pizzi um criativo, toda a equipa tem que lhe dar as melhores condições para receber a bola. E foi isso que aconteceu nos seus melhores anos de Benfica. Os criativos rendem mais quanto maior for a identificação dos colegas com o seu futebol E aqui chegamos ao "Deus" Jonas. Jonas e Pizzi, Pizzi e Jonas. Quantas vezes vimos aquele lindo futebol associativo que maravilhava o Inferno da Luz e nos levou a um "tetra" histórico. Foi fantástico! Pizzi foi uns médios mais criativos que Portugal teve ao longo dos últimos anos. É isto que penso quando me lembro do Luís Miguel Afonso Fernandes. Não foi um dos melhores de sempre do meu clube, mas foi um criativo vencedor que sempre respeitou o emblema que envergava ao peito! Vejo muitos Benfiquistas, por essas redes sociais fora, a dizer que o Pizzi sai pela porta pequena do SL Benfica. Eu não sinto isso.
Concordo que estava em final de ciclo pelo seu menor rendimento e pelo facto de não possuir características que vão ao encontro das ideias do novo treinador. Agora leio por aí que o Pizzi era o líder de um núcleo que fez a cama aos últimos treinadores... MENTIRA! MENTIRA! MENTIRA! Não sou eu quem o diz. É o Bruno Lage, o Rui Vitória e o Jorge Jesus. Aquele incidente no final do jogo no Dragão (que nunca devia ter saído do balneário) serviu a várias pessoas para encontrarem o bode expiatório para os péssimos resultados. Onde já se viu um jogador, que até era um dos capitães, ficar chateado por uma vergonhosa derrota frente a um grande rival? Pizzi sentiu o momento e exprimiu a sua insatisfação, como tantas e tantas vezes acontece em vários balneários por esse mundo fora (só que essas reações ficam dentro de quatro paredes...). Basta ver que, no dia da sua despedida, os seus colegas e elementos da estrutura não se coibiram de demonstrar todo o seu apreço por um grande profissional e amigo, que foi peça importante em várias conquistas do SL Benfica. 94 Golos, 92 Assistências, 360 jogos. Não são 9 jogos, nem 9 assistências, nem 36 jogos. Se queremos referências e jogadores fiéis ao clube, também temos de os reconhecer, nunca perdendo toda a exigência que um clube como o nosso tem que ter.
Por isso, digo que o Pizzi não merece uma estátua. Não merece um jogo de despedida. Mas merece reconhecimento, porque foram 8 épocas, 4 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 2 Taças da Liga e 3 Supertaças. Tem o seu lugar na história centenária do SL Benfica! Para mim serás o Pizzi do Benfica, o "Iniesta dos pobres" e, portanto, bato a minha continência, Luís Miguel Afonso Fernandes!"

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