O Tribunal Arbitral do Desporto deu razão ao Sporting e a Nuno Santos no âmbito do recurso da decisão do Conselho de Disciplina que aplicou ao jogador uma sanção de oito jogos de suspensão e uma multa de 3570 euros. Tal castigo advém da queda do acrílico de proteção do camarote onde estavam vários jogadores leoninos que não participaram na decisão da Supertaça contra o FC Porto e feriu, com alguma gravidade, uma menina que assistia ao jogo com o pai. Quando foi conhecido o castigo, escrevi que o Conselho de Disciplina tinha tido “mão pesada”, insinuando que esta decisão seria injusta. O TAD veio agora dar razão ao jogador e a quem, como eu, acreditava ser um excesso.
Na Pelota Basca, um desporto desconhecido em Portugal, a Federação Internacional (FIPV), baseando-se num artigo da Lei do Desporto de Espanha, de 2023, autorizou a participação do País Basco como seleção autónoma nas provas internacionais, levando o país vizinho a recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). O jornal Marca apelidou a decisão de «escândalo histórico no desporto espanhol». Sim, em Espanha, com os problemas das autonomias, tal decisão parece ser crime de lesa-majestade! Tanto que a mesma lei tenta afastar o futebol desta possibilidade. Se a UEFA um dia aceitar dividir a seleção de Espanha em várias, será, provavelmente, o fim de uma grande potência do futebol. Mais um verdadeiro escândalo?
No ténis a discussão não é política, mas económica. E aqui o paralelismo com o mundo do futebol é evidente. Uma vez mais, decisões judiciais fora dos tribunais desportivos podem ter um peso decisivo no desporto. Recorde-se que ainda recentemente o Tribunal de Justiça da União Europeia veio considerar que a Superliga de futebol era legal! O que aconteceu no ténis? Um grupo de jogadores, que inclui Novak Djokovic, agrupados na Associação de Jogadores Profissionais, acusou os órgãos governantes do ténis de serem um cartel e usarem o poder para prejudicarem o jogo e os tenistas. Como é de rigor nestas coisas, os jogadores dizem ser uma questão de princípios e não dinheiro. Mas é de dinheiro que se trata. Financiados por mais um bilionário americano, Bill Ackman, os atletas pretendem melhorar as suas condições e romper o monopólio da Associação ATP. Um processo já foi iniciado nos tribunais de Nova Iorque, mas outro será intentado na União Europeia. Parece-me que todos os atletas querem mais dinheiro, mais poder, pois na verdade as federações desportivas são enormes burocracias que sorvem quantidades inusitadas de dinheiro que deviam ir para atletas e clubes. Nós só nos lembramos dos jogadores milionários, mas a maioria dos desportistas é, no máximo, remediada. Atenção a este assunto, pode mudar muita coisa no desporto mundial.
O Direito ao Golo vai para Geovany Quenda, um adolescente extraordinário que passou a ser o jogador de futebol, com menos de 18 anos, mais caro de sempre. Mérito de Frederico Varandas: recebe já 51 milhões de euros e ainda vai poder contar com Quenda mais uma época.
João Caiado Guerreiro, in a Bola
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