O Benfica não conseguiu trazer pontos na visita à Juventus (2-0), da 7.ª jornada da fase de liga, e deixou de depender de si próprio nas contas do apuramento para o play-off da Liga dos Campeões.
Mesmo construindo várias oportunidades, incluindo um penálti desperdiçado por Pavlidis, o Benfica foi derrotado pela Juventus, por 2-0, no duelo desta quarta-feira, 21 de janeiro, da 7.ª jornada da fase de liga e dificultou as contas da qualificação para o play-off da Liga dos Campeões.
Em Turim, José Mourinho lançou de início Trubin, Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Sudakov, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis, repetindo o onze utilizado na vitória sobre o Rio Ave (0-2), para a Liga Betclic, do passado sábado, 17 de janeiro.
Fintando a pressão alta da Juventus com saídas de qualidade, o Benfica foi a primeira equipa a criar perigo. Aos 8', Dedic conduziu o ataque pelo lado direito e serviu Sudakov. Este puxou a bola para o pé direito e, de fora da área, desferiu um potente remate travado por Di Gregorio.
Respondeu a Juventus no minuto seguinte (9'), com Trubin a aplicar-se para travar um disparo de Kenan Yildiz. O internacional turco voltou a estar em evidência com um remate de pé direito que saiu perto do poste direito da baliza encarnada, aos 18'.
Aos 23', o Benfica construiu mais uma excelente iniciativa ofensiva. Schjelderup desarmou um adversário à entrada da área da Juventus e o esférico sobrou para Sudakov, que disparou de pé esquerdo para uma grande defesa de Di Gregorio. Pavlidis ainda se fez à recarga, mas Kelly tirou o pão da boca ao grego e afastou o perigo da área.
Insistiram as águias, que, aos 26', voltaram a ficar perto do golo. Em carrinho, Otamendi ganhou a bola a David no meio-campo da Juventus e o esférico sobrou para Prestianni. Este, em boa posição, rematou em arco por cima da barra.
Denotando dificuldades para desmontar a defesa das águias em bola corrida, os anfitriões ameaçaram de bola parada. Na sequência de um canto marcado por Cambiaso, McKennie fez o desvio ao primeiro poste e Miretti, livre de marcação, cabeceou por cima, aos 36'.
Até ao intervalo, o Benfica beneficiou de um livre perigoso à entrada da área da Juventus, que Sudakov atirou contra a barreira, aos 40'. Na sequência, já aos 41', Dahl testou a pontaria de longe, a bola desviou num defesa e sobrou para Pavlidis, que foi desarmado quando tentava visar a baliza bianconera.
No regresso dos balneários, as águias subiram ainda mais as linhas, condicionaram a Juventus e, aos 51', voltaram a estar perto do 0-1. Sudakov ganhou a posse na raça à entrada da área adversária e serviu Pavlidis. O grego puxou o esférico para o pé direito e atirou em arco, mas o seu remate sofreu um desvio em Locatelli e saiu pela linha de fundo.
Aos 54', foi a vez de Trubin brilhar. Kalulu disparou pelo lado direito, fez o cruzamento atrasado e McKennie rematou de primeira para uma excelente intervenção do camisola 1 das águias com o pé direito.
Demonstrando maior eficácia, a Juventus acabou por fazer o 1-0 no minuto seguinte (55'). Thuram progrediu pelo corredor central, tabelou com David, puxou a bola para o pé direito e rematou colocado junto ao poste esquerdo sem hipóteses para Trubin.
Galvanizada pelo golo, a Vecchia Signora viveu o seu melhor momento no encontro e ampliou para 2-0, aos 64'. Na sequência de um passe de Locatelli, McKennie recebeu a bola à entrada da área. Mesmo cercado por camisolas encarnadas, conseguiu desembaraçar-se da marcação, tabelou com David e, isolado perante Trubin, atirou para as redes.
Arregaçando as mangas, o Benfica reagiu e, aos 68', esbarrou no ferro. Na marcação de um canto, Sudakov cruzou a bola para o coração da área e Aursnes viu o seu cabeceamento embater no poste direito, com Di Gregorio batido.
No minuto seguinte (69'), José Mourinho lançou Ivanovic e Barrenechea para os lugares de Schjelderup e Sudakov, e, aos 72', após um bom trabalho coletivo, Locatelli deu o corpo à bola para intercetar um disparo de Pavlidis que seguia na direção da baliza.
Sacudindo momentaneamente a pressão encarnada, a Juventus esteve muito perto do 3-0, aos 74'. Francisco Conceição cruzou para o segundo poste, Dedic fez o desvio para a própria baliza e Trubin defendeu a bola contra o poste com uma palmada.
Já depois de Aursnes ter rematado de longe ligeiramente ao lado (76'), Barreiro foi pontapeado no interior da área da Juventus por Bremer. Num primeiro momento, o árbitro mandou seguir o jogo, mas, alertado pelo VAR, foi rever as imagens, considerou o contacto faltoso e assinalou penálti, aos 80'.
No entanto, um novo momento de infortúnio impediu o Benfica de reduzir: Pavlidis escorregou no momento da cobrança e atirou ao lado, já aos 81'.
Aos 85', Pavlidis rodou sobre Kelly e fez o passe em profundidade para Ivanovic. Este invadiu a área em velocidade, mas foi desarmado in extremis por Kalulu. No consequente canto, Barrenechea tentou colocar a bola no ângulo superior direito da baliza, mas Di Gregorio, bem posicionado, fez a defesa.
Até ao apito final, as águias não desistiram de reentrar na discussão da partida, mas não mais conseguiram criar oportunidades claras.
Consumada a derrota no Juventus Stadium, o Benfica está obrigado a vencer na próxima quarta-feira, 28 de janeiro, o Real Madrid, no Estádio da Luz, e esperar por outros resultados favoráveis na 8.ª e derradeira jornada da fase de liga para seguir em frente na Liga dos Campeões.
Antes, às 18h00 de domingo, 25 de janeiro, terá pela frente o Estrela da Amadora, também em casa, em duelo válido para a 19.ª jornada da Liga Betclic.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Guarda-redes com três defesas de elevado grau de dificuldade evitou males maiores. Dedic como que controlou a estrela Yildiz, Barreiro sempre em alta rotação e muitos — demasiados — num plano baixinho.
A figura: Trubin (6)
Muitas vezes diz-se que quando alguém está a ter uma ação que já se sabe que será inconsequente está a tentar parar o vento com as mãos. Trubin bem tentou parar o vento gélido do norte de Itália com as mãos ou até com as pernas, como aconteceu naquele remate de McKennie (53'). Antes disso, com uma estirada para a esquerda impediu os 'bianconeri' de se colocarem em vantagem numa fase bem precoce do encontro (8'). Já com o resultado em 0-2, executou uma parada dificílima (74') quando Tomás Araújo ainda cometendo autogolo. Nos golos sofridos nada a fazer que as bolas eram impossível de defender. Numa equipa com muitos — demasiados — num plano baixinho, o ucraniano ergueu-se para um patamar bem razoável. Mas estava escrito que o Benfica perderia e, por vezes, não se consegue mudar um destino traçado.
Dedic (6) — O bósnio ficou encarregue de travar a estrela da Juventus, Yildiz e cumpriu, como que controlando o turco, que fugiu muitas vezes para se soltar. Ainda se incorporou no ataque, mas devem-se contar pelos dedos duma mão as vezes em que foi servido convenientemente. Não foi brilhante, porém, pelo menos, razoável.
Tomás Araújo (4) — Num jogo de futebol a linha entre o bem e o mal, o herói e o vilão, é sempre muito ténue, demasiado ténue, como se comprovou com o 44 das águias. Estava o jogo a correr-lhe de feição e a cotar-se como um dos melhores quando abordou de forma deficiente o duelo físico com Jonathan David, perdeu-o, a bola sobrou para Khephren Thuram e este inaugurou o marcador.
Otamendi (5) — Parece ter sido contagiado pelo colega do lado e foi ele, a meias com Aursnes, quem falhou no lance do segundo golo da Juventus, permitindo uma impensável troca de bola na sua área num encontro de Champions. Todavia, como é seu timbre, assumiu a liderança do setor recuado dos encarnados e teve um ou outro remate de cabeça com algum perigo na grande área contrária. Tem 37 anos mas continua a esvaziar o tanque por completo a cada jogo.
Dahl (5) — Ficou a meio da ponte, entre o ir e o ficar, entre o defender e o atacar mas, pelo menos, ao contrário de alguns companheiros de equipa, não comprometeu.
Leandro Barreiro (6) — O luxemburguês está longe de ser um predestinado mas a cada lance dá tudo o que tem e empresta uma intensidade ao jogo que não passa despercebida ao treinador. Numa incursão à área contrária, sofreu penálti indiscutível que Pavlidis desperdiçou mas o aí culpa não foi sua.
Aursnes (4) — Após um primeiro tempo discreto, estava a subir os níveis de intensidade e de participação no jogo quando dividiu com Otamendi as culpas no segundo golo da vecchia signora. Ainda teve fôlego e ânimo para atirar uma bola ao poste de cabeça (69’) e mais um remate que passou perto (76’) mas, diga-se, este Aursnes não parece o mesmo de um passado, ainda assim, não muito distante.
Prestianni (4) — Demasiado curto e inconsequente, tomou quase sempre as piores opções e com uma apetência incompreensível para se colocar na boca do lobo, ou seja, à mercê dos adversários. A ilustrar esta tendência para os passos em falso, aos 25 minutos, em posição de servir Dedic que se incorporava no ataque com perigo, decidiu rematar à baliza, com a bola a passar muitíssimo por cima da baliza de Di Gregorio.
Sudakov (6) — Dois remates enquadrados da águia na primeira parte e os dois do ucraniano, o segundo dos quais com perigo (23’). Após o intervalo tentou organizar o futebol ofensivo encarnado, ainda pegou na batuta, mas a orquestra estava desafinada… Quando Mourinho quis mais agressividade, retirou-o do campo e, diga-se, sem que a equipa tenha ganhado grande coisa com a mudança.
Schjelderup(4) — Fez o básico para um extremo: pegou na bola e encarou o defesa contrário, sem nunca ter sido ou demasiado rápido ou tecnicista, o que convém numa equipa da dimensão do Benfica. Louve-se, no entanto, o empenho defensivo, ajudando muitas vezes Dahl a fechar aquela faixa. Mas saiu e toda a gente deve ter percebido porquê…
Pavlidis (4) — Há dias em que as santos caem do altar e foi isso que aconteceu com o grego em Turim. Na primeira parte foi demasiado trapalhão, na segunda melhorou mas só teve dois remates (um ao lado e outro intercetado) e no penálti os deuses da bola viraram-lhe as costas e escorregou. E como o Benfica precisava de um golo naquela altura…
Barrenechea (5) — Organizou um pouco um meio-campo que ameaçava entrar em espiral de asneiras e ainda teve um remate de cabeça à figura (86’).
Ivanovic (5) — Entrou com vontade, colou-se mais à esquerda, mas sem grande impacto na partida.
João Rego (4) — Não mudou uma linha do texto já escrito.
Hugo Forte, in a Bola









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