segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

ESTREIA DE SONHO



O Benfica voltou à Luz, neste domingo, 25 de janeiro, para vencer o Estrela da Amadora por 4-0, em jogo da 19.ª jornada da Liga Betclic. Num início de noite repleto de emoções (homenagens a Eusébio e a Miklós Fehér), e de sonhos concretizados (estreias de Banjaqui e de Anísio Cabral), também Rafa regressou a "casa".
Em relação ao compromisso anterior, frente à Juventus, para a Liga dos Campeões, José Mourinho procedeu a 3 alterações na sua equipa inicial: saíram Dedic, Tomás Araújo e Schjelderup, tendo as suas posições sido ocupadas por Banjaqui (estreia a titular na equipa principal, aos 17 anos, do campeão do mundo e da Europa, em Sub-17), António Silva e Sidny.
Rafa, que regressou ao Clube (reforço de inverno), começou no banco, assim como o jovem avançado da Formação, Anísio Cabral. Assim, as águias foram a jogo com o seguinte onze: Trubin, Banjaqui, António Silva, Otamendi, Dahl, Barrenechea, Aursnes, Sidny, Prestianni, Sudakov e Pavlidis.
Apesar da goleada aplicada pelas águias ao Estrela, o primeiro lance de perigo até pertenceu aos visitantes, aos 2': após atraso de Otamendi para Trubin, que ficou curto, Leandro Antonetti tocou para lá do alcance do guarda-redes, mas, na dobra, António Silva fez um grande corte.






Aviso dado, aviso entendido, e o Benfica lançou-se aos amadorenses, com a determinação de resolver o jogo. Aos 8', Sidny cruzou da esquerda para a grande área, onde Aursnes se desmarcou, ganhou espaço e, perante Renan Ribeiro, disparou. A bola saiu bem perto do poste direito dos tricolores.
Aos 13', foi Banjaqui a acelerar pela direita e a cruzar para uma zona onde Sidny aparecia, pronto para marcar à sua ex-equipa. Valeu um corte da defensiva tricolor; atrevido, logo no minuto seguinte, o mesmo Banjaqui ganhou espaço à entrada da área contrária e puxou o pé esquerdo atrás, para um disparo que levou o esférico a passar junto ao alvo. Endiabrado, aos 17', e na cobrança de um livre direto, Sidny atirou uma bomba de pé esquerdo, forçando uma grande defesa a Renan Ribeiro, para canto.
O Benfica crescia, crescia e começava a justificar uma diferença no placar da Catedral. Aos 19', Aursnes colocou em Pavlidis, mas um corte, no limite, de Kevin Jansson, impediu a conexão com o pé do internacional grego, que já se preparava para encostar.
Aos 21', a Luz levantou-se e quase se gritou golo! Um cruzamento venenoso de Sidny, pela ala canhota, num pontapé de canto, fez a bola atravessar toda a carreira de tiro das águias: Aursnes, com a cabeça, e Pavlidis, com os pés, não finalizaram para golo por muito, muito pouco.
Chegados ao minuto 29, o mesmo número da camisola que Miklós Fehér usou no Benfica, a Catedral pôs-se de pé e dedicou uma arrepiante homenagem – a primeira do desafio –, com todos a entoarem o nome do húngaro, falecido no dia 25 de janeiro de 2004, há 22 anos. Os anos passam, mas os Benfiquistas nunca esquecem a partida de um dos seus, perdido numa malograda noite de chuva, em Guimarães.




De volta ao jogo, aos 32', uma falta dura de Stoica sobre Otamendi valeu o amarelo ao jogador visitante, enquanto o capitão das águias ficou a contorcer-se com dores. Acabaria por recuperar, mas foi mais um sinal de que os da Reboleira queriam cerrar fileiras até ao intervalo, mantendo as suas redes invioladas e levar o nulo para o balneário.
Mas tal não aconteceria, porque a classe de Sidny no passe e a capacidade finalizadora de Pavlidis deram as mãos, ao minuto 42. O camisola 15 bateu um canto perfeito do lado direito do ataque do Benfica para o meio da área estrelista, e lá, a voar bem alto, como uma verdadeira águia, apareceu o internacional grego a cabecear. A bola ainda tocou na zona interior da barra, completamente fora do alcance de Renan Ribeiro. Estava desbloqueada a contenda (1-0).
Mas, quem pensou que a 1.ª parte terminara, enganou-se. Animada pelo golo, a equipa encarnada esteve pertíssimo de dilatar a vantagem em 3 ocasiões, antes do intervalo: aos 45'+3', num remate forte de Pavlidis por cima da barra; aos 45'+4', num tiro de Dahl, para defesa de Renan; e, no mesmo minuto, numa finalização de Banjaqui às malhas laterais.
Para a 2.ª parte, José Mourinho trocou Barrenechea por Barreiro, enquanto o Benfica se manteve com o pé no acelerador, procurando fechar o duelo com mais golos. E os 54 548 adeptos presentes nas bancadas puderam, então, explodir num par de celebrações, quase de rajada!
Aos 52', em disputa com Sidny, Jefferson Encada derrubou o jogador do Benfica na área, sendo assinalada a devida grande penalidade. Com grande tranquilidade e potência no remate, Pavlidis carimbou o bis no jogo. Uma bomba imparável do internacional grego, com o esférico ainda a tocar na barra (2-0, aos 55'). Contas feitas, são 19 golos do camisola 14 para a Liga Betclic, reforçando, assim, o estatuto de goleador-mor da competição.
Três minutos depois, nova festa: um passe longo de Trubin para a frente de ataque, uma disputa aérea de Pavlidis, no meio-campo do Estrela, e a bola a chegar a Sidny. O avançado meteu uma mudança abaixo, arrancou em grande velocidade para a área contrária e, à saída de Renan Ribeiro de entre os postes, faturou, numa finalização colocada ao poste mais distante (3-0, 58'). Uma estreia a marcar pelas águias.




Com a partida dominada e controlada, José Mourinho trocou Prestianni por Schjelderup (60'). A toada manteve-se e, aos 68', Sidny esteve perto do bis, mas o seu estoiro de pé direito não foi para a baliza. Dois minutos depois, o Estrela ainda ameaçou – uma das raras vezes em que o conseguiu fazer nos 90' –, por Stoica, mas Otamendi fez um grande corte. O lance também foi anulado por fora de jogo (70').
Ao minuto 73', aconteceram as saídas de Sudakov e de Aursnes, para as entradas de Prioste (estreia nesta temporada) e de… Rafa. Das bancadas, foi notória a reação dos Benfiquistas ao regresso do camisola 27 à Catedral, com muitos aplausos ouvidos, nesta (re)estreia com o Manto Sagrado.
Já aos 83', outra estreia absoluta, a de Anísio Cabral (17 anos), para o lugar de Pavlidis. Outro campeão do mundo Sub-17 a ir a jogo pela mão de José Mourinho.
E, na primeira vez que tocou na bola, cerca de 1 minuto depois de pisar o relvado da Luz (84'), o avançado deixou marca. Banjaqui cruzou da ala direita para Anísio Cabral, que, numa antecipação de cabeça, desviou com um toque de classe para o fundo da baliza estrelista. Grande golo desenhado pelos dois campeões do mundo Sub-17!
Os aplausos das bancadas, a brindar o talento dos jovens made in Benfica Campus, misturaram-se com aqueles relacionados com o assinalar do minuto que também correspondia ao aniversário de Eusébio: o Rei completaria 84 anos, neste domingo.
Até ao derradeiro apito do árbitro, o jogo não teria mais golos, mas, no final, equipa e adeptos celebraram um triunfo claro e uma excelente exibição, numa partida repleta de momentos para recordar. Sidny viria a receber o prémio de Man of the Match.
O Benfica volta a jogar no Estádio da Luz na quarta-feira, 28 de janeiro, frente ao Real Madrid, na 8.ª e última jornada da fase de liga da Liga dos Campeões. O jogo está marcado para as 20h00. Quanto ao próximo compromisso para a Liga Betclic, será em Tondela, no dia 1 de fevereiro, às 20h30.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Final de jogo de sonho para os adolescentes Daniel Banjaqui e Anísio Cabral. Em dia de estreias, o primeiro assistiu no golo do segundo. Sidny foi o agitador de serviço (também marcou) no dia da redenção de Pavlidis
O melhor em campo: Sidny (8)






Do início ao fim, foi quem mais teve capacidade de agitar o mesmo, sobretudo quando a monotonia ameaça tomar conta do jogo da equipa. Veloz, enérgico, com capacidade de chegar à linha de fundo, aplicar o drible, fazer muitos cruzamentos, usar com igual facilidade os dois pés, combinar com os companheiros, surgir em zonas de finalização e também finalizar. Aos 8' meteu a bola na área para Aursnes quase marcar, aos 14' estava na área para concluir com perigo um centro de Banjaqui, mas a bola foi cortada, aos 17' marcou um livre (bola por cima da barreira) que Renan defendeu, aos 42' marcou o canto para o golo de cabeça de Pavlidis, aos 52' sofreu penálti que o avançado grego converteu, aos 58', isolado, teve frieza para assinar o terceiro da equipa, aos 68' e 77' voltou a ameaçar. Fez muito e bem.
Trubin (5) — Aos 5' não chegou a tempo de um mau atraso de Otamendi, mas António Silva salvou-os. De resto, pouco trabalho teve. Mas esteve no terceiro golo — pontapé longo mal desviado por Schappo acabou nos pés de Sidny.




Daniel Banjaqui (8) — Aos 9' levantou os braços a pedir bola. Queria ser protagonista na estreia a titular e não imaginaria que o seria. De que maneira. Sem problemas a defender, apesar de um par de passes errados, foi superofensivo, aos 13' serviu Sidny na área depois de arrancada pela direita, aos 14' ameaçou Renan com um disparo de pé esquerdo à entrada da área, aos 24' estava a tentar cabecear na área, aos 44' deixou Stoica para trás, numa iniciativa individual, e centro para Sidny, aos 45+4' rematou com perigo à malha lateral, aos 62' encontrou Pavlidis em boa posição na área. Mas o melhor estava guardado para o fim. Ainda com força, aos 84', fugiu pela direita e cruzou para o golo de Anísio. Festejaram como adolescentes.
António Silva (7) — Seguríssimo a defender, sem dar espaço a Antonetti, evitou um golo aos 2', na proteção a Trubin e Otamendi. Também andou pelo ataque — cabeceamento perigoso aos 6' e remate à figura de Renan. Grande passe, ainda, a servir a velocidade de Banjaqui aos 13'.
Otamendi (5) — Mau atraso, sob pressão, quase proporcionou golo a Antonetti aos 2'. Também falhou o tempo de entrada sobre o avançado aos 71' que poderia ter custado caro. Foram as únicas falhas num jogo tranquilo, no qual somou várias intervenções seguras.
Dahl (6)— Remate perigoso aos 45+3' foi o ponto alto de exibição tranquila, sem grande problemas defensivos e com muitas ações no ataque.




Aursnes (6) — Com larga área de ação e liberdade, tanto estava a cortar linhas de passe e a recuperar bolas, como a finalizar na área. Aos 8' apareceu na área, antecipou-se a Luan Patrick com um toque e rematou cruzado com muito perigo. Aos 21' chegou atrasado, por pouco, para desviar para golo de cabeça. Aos 44' viu amarelo por agarrar Jorge Meireles, mas evitou males maiores e o erro tinha sido cometido por Sudakov.
Barrenechea (4) — Sem energia, talvez por ter perdido a forma, viu cartão amarelo por entrada fora de tempo e falta sobre Jorge Meireles. Pouca ou nenhuma influência.
Prestianni (3) — Pouco ou nada positivo. Falhou dribles, perdeu bolas, na direita (onde começou) e na esquerda. Sem impacto positivo no jogo, saiu aos 60'.
Sudakov (4) — Jogou no apoio a Pavlidis e decidiu quase sempre mal — no passe (aos 45' esteve na origem de contra-ataque perigoso do E. Amadora), sobretudo junto à área adversária, e no que tinha de fazer para dar seguimento positivo aos lances de ataque. Precisa de fazer muito mais e melhor.
Pavlidis (8) — Noite de redenção depois do falhanço no clássico com o FC Porto e do penálti desperdiçado com a Juventus. No primeiro remate (cabeceamento) marcou. Depois foi letal no penálti — disparo ao ângulo esquerdo. Deu-se ao jogo, acertou nos passes e combinou com os companheiros.
Barreiro (6) — Deu mais rotação ao meio-campo e fez circular, mais rapidamente, a bola. Ajudou muito mais que Barrenechea na pressão. Bom passe para Sidny (68').




Schjelderup (6) — Entrou animado e com os olhos na baliza e nos companheiros na área. Dois bons passes para Rafa e Pavlidis.
Diogo Prioste (6) — Dos pés saíram passes com a precisão das tacadas de um bom jogador de snooker. Adulto na ocupação de espaços. Entrou bem no jogo.
Rafa (6) — Dois passes muito bons e rápidos para Pavlidis (78') e Sidny (84'). Num contra-ataque, foi possível ver que, 622 dias depois de ter jogado pela última vez pelo Benfica, ainda corre com a velocidade de pápa-léguas.
Nuno Paralvas, in a Bola

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