segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O BENFICA PRECISA DE REVOLTA

 


As primeiras partes dos jogos com o SC Braga — primeiro para o campeonato (2-2) e depois nas meias-finais da Taça da Liga (1-3) — voltaram a revelar um Benfica descaraterizado, em sentido contrário ao crescimento que parecia consolidado, depois de muito sofrimento.

Esse progresso tinha ficado visível em partidas como o empate com o Sporting (1-1) e a vitória frente ao Nápoles, na Liga dos Campeões (2-0), entre outros desafios internos e europeus onde, ainda assim, faltou alguma sorte.
Entre os adeptos, muitos apontam o dedo ao treinador José Mourinho, outros aos jogadores, e vários à Direção, pela forma como preparou a temporada e montou o plantel. A verdade é que a responsabilidade se distribui entre todos, cada um no seu domínio. As dificuldades atuais do Benfica, a distância para os principais rivais e a falta de mais argumentos demonstrada nas provas europeias confirmam que muita coisa falhou.
Entre os adeptos, muitos apontam o dedo ao treinador José Mourinho, outros aos jogadores, e vários à Direção, pela forma como preparou a temporada e montou o plantel.
Tudo isso exige uma análise profunda para preparar uma nova época que, na Luz, seguramente nenhum benfiquista desejará parecida com esta. Ainda assim, creio que é nos jogadores do Benfica que deve recair agora o foco, sobretudo no importante e passional desafio da próxima quarta-feira, os quartos de final da Taça de Portugal frente ao FC Porto.
Tal como antes do empate com o Sporting, poucos acreditarão que o Benfica pode impor-se no Dragão, mas é precisamente nessa desconfiança que o plantel deve encontrar força para contrariar todas as previsões. Apesar das lesões de jogadores importantes, de outros que não se encontram em momento de plena forma e da suspensão do defesa-central e capitão Otamendi, o Benfica é Benfica.
O plantel deve encontrar força para contrariar todas as previsões.
Chegou a hora — talvez novamente — de colocar revolta e qualidade em campo, mostrando que há alma para competir, independentemente do contexto adverso. O dedo de José Mourinho terá sempre peso grande, tanto na estratégia como na ideia de jogo, mas serão os jogadores os primeiros responsáveis por lutar e reconquistar a confiança dos adeptos. Os mais jovens não podem ter medo de mostrar que merecem jogar e os mais experientes devem assumir a liderança dentro de campo.
Os mais jovens não podem ter medo de mostrar que merecem jogar e os mais experientes devem assumir a liderança dentro de campo.
A época 2025/26 pode não estar totalmente perdida para as águias, mas está longe de ser de sucesso, mesmo que o Benfica ainda lute pelos seus principais objetivos. Mais tarde se avaliarão as consequências e o que será preciso mudar, mas, no imediato, o essencial é que esta equipa entre em campo com alma, equilíbrio tático e crença diante do atual líder do campeonato.
O tratamento de choque de José Mourinho, após a derrota com o SC Braga (o treinador fez críticas duras depois do desafio), parece ter esse propósito: abanar, despertar e provocar uma boa revolta nos jogadores. Afinal, são eles que jogam, que fazem história e que os adeptos recordarão — pelos melhores ou piores motivos — como os que estiveram à altura do Benfica ou não.
Nélson Feiteirona, in a Bola

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