sábado, 28 de fevereiro de 2026

Real Madrid x BENFICA | RESCALDO PLAY-OFF LC (2-1)

                   

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 28 Fevereiro GLORIOSO ATÉ NO ANIVERSÁRIO TEM CRISES PARA RESOLVER!! 🦅🔴

                   

SEMANA HORRIBILIS DO BENFICA



A eliminação, vejam bem, acaba por ser o mal menos mau que aconteceu às águias nesta semana horribilis e arrisco a dizer a que mais danos reputacionais causou ao maior clube português.
A derrota em Madrid não terminou com a jornada europeia do Benfica. Acabou a caminhada dos encarnados na UEFA Champions League com eliminatória perdida mas o afastamento da prova, o plano desportivo, vejam bem, acaba por ser o mal menos mau que aconteceu às águias nesta semana horribilis e arrisco a dizer a que mais danos reputacionais causou ao maior clube português.
Num passado recente, casos judiciais causaram dano, revoluções internas, mas também basicamente internas foram as repercussões mediáticas. Agora, o caso Prestianni foi visto em direto em todo o mundo, mexeu com o mundo todo e o jogo, até certo ponto, passou para plano secundário. Ou seja, a excelente réplica que os encarnados deram ao Real Madrid acaba por ser um dado marginal numa eliminatória ferida de morte desde aquele momento entre Prestianni e Vinícius Júnior.
Sobre o caso já me pronuncie na passada semana e recordo: não se tolera o racismo e ponto. Presumo que o houve do camisola 25 dos encarnados para o 7 dos merengues mas se sim ou não a investigação o dirá, onde o houve sem dúvida foi em todo o lado à volta do caso, o que não me surpreende numa sociedade (a portuguesa, sim, como arriscaria dizer todas em todo o mundo) estruturalmente racista.
Mas depois e durante isto tudo ainda foi o próprio Benfica a escavar mais o buraco onde Prestianni o meteu. Em vez de sair dele, meteu-se mais fundo. Até dou de barato que naquela noite, ainda a receber as ondas de choque do acontecimento, a resposta possa não ter sido respirada a fundo. Mas do gabinete de crise (se é que o houve) não ter saído uma única medida acertada causa-me espanto. Será que estavam todos tão fechados na sua bolha do nacional futeboleirismo que não perceberam o que se dizia do Benfica por esse mundo fora, do dano reputacional causado?
Uma semana inteira para Rui Costa falar e quando o fez… fê-lo à frente da farmácia do aeroporto, com anúncios a medicamentos como pano de fundo e gente a comprar Ilvicos para a gripe. E como se fosse apenas mais um assunto qualquer que o presidente chuta à partida duma deslocação da equipa. José Mourinho, que na noite da Luz metera os pés pelas mãos, não mais apareceu, refugiou-se na BTV e no adjunto. Saiu do hotel da equipa por duas vezes, sem recato, e depois deixou todos pendurados em Espanha e isso, lá, não lhe perdoam como cá. E de todas as comunicações feitas pelos encarnados sobre o caso que realmente importa, o do racismo, nenhuma capaz de repor a imagem internacional do clube, que em oito dias sofreu mais do que nos anteriores 120 anos.
Fez mal o Benfica ao não conseguir sair da bolha do futebol quando o caso a rebentou com estrondo naquela noite no Estádio da Luz. Os encarnados não perceberam que este assunto não podia ter sido tratado como tratam outros, aqueles que têm merecido comunicados atrás de comunicados durante toda a época mas que apenas servem para entreter os programas cá do burgo. Este caso é diferente, é muito mais grave, envolve atores maiores do que o Benfica e o Benfica não percebeu que contra esses o pequeno é ele. E no fim das contas, não soube lidar com um problema que não é só do futebol, é da sociedade, e podia ter pegado nele de forma pioneira. O dano está feito e a marca vai demorar a sarar.

Nuno Raposo, in a Bola 

MERCADO: ALVOS DE INVERNO vs MERCADO DE VERÃO!

                  

FUTURO DE OTAMENDI: NOVA RENOVAÇÃO OU FIM DE CICLO NO BENFICA? ● ONDE ANDA MANU SILVA?

                  

«Achava Rafa um péssimo negócio, mas admito que está a ser uma mais-valia»

                  

Ponto de ordem no Benfica | Comentário às novas informações.

                  

BENFICA PASSA A VIDA DE "JOGO DO ANO" EM "JOGO DO ANO"



A jornada 25 tem clássicos no menu, mas o que será deles sem o que se passar nesta que começa hoje? Se calhar não é à toa que falam no famoso «jogo a jogo». Benfica sabe-o melhor que ninguém.
Em agosto de 2025 já o Benfica andava a disputar jogos do ano, com o acesso à fase de liga da UEFA Champions League a constituir fator decisivo para o que se seguiria da época, inclusivamente no que respeita à maior ou menor aposta no reforço do plantel.
Uma soma relevante de resultados menos positivos nos meses seguintes colocou no caminho dos encarnados outros jogos do ano: a receção ao Sporting, as visitas ao Dragão para a Liga e para a Taça. Curiosamente, poucos diriam que José Mourinho conseguiria transformar os dois últimos desafios da primeira fase da Champions noutros jogos do ano. E seguiu em frente.
Eliminado entretanto da Taça de Portugal e da Allianz Cup — e agora da Champions, mas com sinais encorajadores — o Benfica tem-se segurado no campeonato (é bom lembrar que ainda não perdeu) e de repente parte para o último terço com excelentes possibilidades de conseguir o objetivo mínimo do segundo lugar. Depende de si próprio e, como referido, os últimos indicadores têm vindo a tornar-se cada vez mais positivos.
A questão do título, não sendo de todo impossível, é bastante mais improvável, porque isso significaria não só um resto de temporada exemplar como a queda simultânea dos dois rivais que seguem na frente. Mas a verdade é que os encarnados estão mais perto do segundo lugar do que o Sporting do título (algo que neste momento nem depende apenas do comportamento dos leões).
Dito isto, tenderá a opinião pública a olhar para a jornada 25 como tira-teimas, revelação do futuro ou aumento da incerteza, porque o Benfica recebe o FC Porto e o Sporting vai a Braga.
No entanto o Benfica, mais que os rivais, sabe que o jogo do ano pode estar sempre à espreita na próxima esquina.
Se FC Porto e Sporting vencerem hoje os respetivos compromissos em casa frente a Arouca e Estoril (o que obviamente também não é líquido), a visita encarnada a Barcelos, onde mora uma das melhores equipas nacionais, torna-se jogo do ano para se manter na luta pretendida.
Se um deles ou ambos tropeçarem torna-se jogo do ano porque permite, depois da boa exibição de Madrid, uma aproximação ou duas aproximações que há meses classificaríamos de improváveis.
É por isso que esta jornada 24 se afigura a mais decisiva de todas… até à seguinte. Há um lugar-comum dos treinadores e dos jogadores que falam no «jogo a jogo». Mas também não há lugares comuns sem algum fundo de lógica. Todos o sabem, o Benfica desta época sabe-o ainda melhor.

Alexandre Pereira, in a Bola 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

MOURINHO E UMA METAMORFOSE AINDA INCOMPLETA

 


Durante anos, José Mourinho combateu tudo e todos. Agora, a luta parece ser interior. Entre arrojo renovado e influência recuperada, há ainda limitações por superar

E se José Mourinho for a solução para José Mourinho? E se o que estamos a ver é o técnico a contrariar finalmente a sua pior versão, a escrever ele mesmo a antítese para a tese que o tem deixado obcecado, por concluir, desde Madrid? Esse anti-guardiolismo que sempre lhe fez mal. Depois de talvez ter sempre precisado de um inimigo, funcionado melhor em confronto, pode ter-se reencontrado no conflito interno.
É Mou tão especial que só mesmo ele nos deixaria a argumentar com o nosso próprio intelecto. Advogado no hemisfério esquerdo a apontar para o do direito, ambos de preto e farta cabeleira branca, amarelada com o tempo, enquanto a datilógrafa escreve cada pró e cada contra que, no fim, possam validar uma opinião definitiva, o que quer que isso seja. Quase uma sentença.
Mourinho tem tantas dimensões que parece quase impossível não cair no mesmo erro dos que o idolatram. Porque pode ser o bom ou o mau, ambos ao mesmo tempo ou nenhum deles. Deixa-nos sempre na dúvida, mesmo que tenhamos a certeza. É tão genial, como às vezes parece vazio. Tão arrasador como às vezes se deixa arrasar. Mas nos últimos tempos, algo mudou.
Não são só dois ou três jogos na UEFA Champions League ou uma maior solidez na Liga, ainda que esteja por derrotar o primeiro grande rival. É, parece-me, a evolução. Talvez tenha sido rota de fuga diante de tantos lesionados, mas, mesmo assim, entre outras opções, mais conservadoras, escolheu a inesperada, a mais ofensiva, aquela em que o resto do mundo talvez mais acreditasse e tem-na mantido mesmo agora, quando poderia inverter novamente o sentido.
É isso, porém, não apenas isso. Havia algo que me parecia inevitavelmente perdido. A capacidade de elevar o estado mental dos seus jogadores a ponto de acreditarem ser de classe mundial, como fez no passado com tantos nomes. Talvez tenha exagerado com Otamendi e Tomás Araújo ainda precise de resolver os duelos à primeira para poder ser considerado como tal, mas o que se viu no Bernabéu foi uma equipa psicologicamente preparada. Ainda que tenha perdido. Que não se tenha conseguido transcender em toda a plenitude. A mensagem esteve sempre lá, como esteve no 4-2 na Luz e até na derrota da primeira mão do play-off. O técnico terá reencontrado a ligação direta para a cabeça dos seus jogadores.
Depois, estrategicamente, voltou a provar que ainda tem a leitura de um Kasparov se o relvado fosse um tabuleiro de xadrez. Richard Ríos nos meios-espaços interiores, baralhou os merengues a ponto de Arbeloa ter de reagir com a troca posicional de Carreras por Camavinga. O colombiano abriu o caminho para o primeiro golo e para o que poderia ter sido a remontada à portuguesa.
Será isso suficiente para Rui Costa deixar sair um «Mourinho continua na própria época»? Não sabemos quando o presidente tomou a decisão, até pode ter sido ali, naquele momento, quando questionado pelo jornalista espanhol. E, sobretudo, o racional. Como se costuma navegar à vista na Luz, calculo que não haja projeto. Mourinho é o Ho’dor que na Guerra dos Tronos bloqueia a porta aos inimigos até que o que lhe mandam fazer (Hold the Door) se torna o seu nome. E não espantará ninguém se for mesmo todo o projeto.
No entanto, sem um rumo e o apoio de uma liderança, que prima pela constante ausência, estará mais perto de ganhar do que este ano, mesmo se subtrairmos o tempo que levou a consolidar o modelo encarnado?
E mesmo com a recuperação desse tempo, será este Mourinho dos dois extremos e outros tantos avançados detentor da chave do sucesso para uma maratona como a Liga? Onde o metro quadrado se vende mais caro do que em Madrid. Onde o ataque posicional é fundamental para ultrapassar blocos baixos e nem sempre há espaço para as acelerações de Rafa e companhia. Onde dominar através da posse é, muitas vezes, fundamental para se ter sucesso.
Tatuou os últimos sucessos no ombro direito. Foram provas a eliminar – UEFA Europa League e UEFA Conference League — e, mesmo com maior pujança no último terço, o modelo que está a implementar até inclinou ainda mais recentemente para a transição ofensiva com a introdução de Rafa em vez de Sudakov. Falta, portanto, uma ou duas camadas a esta equipa.
É verdade que os adeptos podem levantar a ideia de que tanto o FC Porto de Francesco Farioli como o Sporting de Rui Borges não são igualmente grandes especialistas quando lhes tapam os caminhos para a baliza, mas têm resolvido melhor os problemas que lhes aparecem pela frente — basta olhar para a classificação — e é o Benfica quem tem de encurtar distâncias. E isso só se faz com outro tipo de jogadores no onze, seja na defesa, onde tudo começa quando se constrói a partir daí, ou no coração do meio-campo e até na alimentação do ataque e na forma como os mais adiantados se associam com os restantes.
O mercado de janeiro mostrou a todos que Mourinho quer aceleração (e também outro tipo de finalizadores e de extremos, mais verticais) em vez de pensamento e criatividade. Só que não basta correr mais rápido do que os adversários ou ter mais altura na área, com cruzamentos a saírem de ambos os flancos, para se vencer sempre.
É aqui que a antítese ainda continua a falhar. Mourinho já joga com um maior número de armas para ferir os rivais, porém, exceto quando ele próximo adiciona complexidade através da estratégia, e isso acontece sobretudo para aproveitar os erros do oponente, tudo parece demasiado linear e facilmente desconstruído no ataque, assim que falta o seu maior combustível, o espaço.
Vamos acreditar que ainda não deixou o estado de crisálida. Que ainda não completou a metamorfose. Que da luta entre tese e antítese ainda sairá a mais bela das sínteses, uma que reúna finalmente a equipa com a cultura do clube, ainda que não muito vencedora nos anos mais recentes. E se encontre em campo a organização defensiva, a voracidade na transição e a criatividade no ataque associativo. Se não o conseguir, temo que volte a falhar por insuficiente.
Luís Mateus, in a Bola

BENFICA: ELIMINADOS PELA EFICÁCIA, FIRMES NOS PRINCÍPIOS

 


Há eliminações que se explicam com facilidade estatística. Outras exigem mais contexto. A do Benfica frente ao Real Madrid pertence à segunda categoria. No fim, o que conta é a eficácia. O Real Madrid foi mais eficaz. Concretizou melhor as oportunidades que criou. E, no futebol de alta competição, sobretudo em eliminatórias europeias, essa diferença é quase sempre decisiva.

O Benfica perdeu. Convém começar por aqui, sem rodeios nem subterfúgios. No Benfica não há vitórias morais. Não podem existir. O resultado é o que fica. A história regista quem passa, não quem se bate bem. Ainda assim, seria intelectualmente desonesto não reconhecer que o Benfica se bateu bem. Competiu. Discutiu a eliminatória. Não foi inferior em organização, nem em intensidade, nem sequer em vários momentos de domínio territorial.
Desta eliminatória há muito a analisar no plano estritamente futebolístico. A qualidade individual de alguns jogadores do Real Madrid fez a diferença em momentos-chave. A arbitragem do primeiro jogo deixou marcas evidentes no desenrolar da eliminatória. Houve decisões difíceis de compreender a este nível. Tudo isto faz parte do jogo. Deve ser discutido, analisado, escrutinado. É matéria de futebol.
O que não faz parte do futebol não deve ser tratado como se fizesse.
O racismo não é um detalhe lateral. Não é um episódio menor. Não é um excesso de fervor competitivo. É intolerável. Sempre. Em qualquer contexto. E é preciso dizê-lo sem ambiguidades.
O que aconteceu no Estádio da Luz com Vinícius Júnior é inaceitável. Houve atos e insultos racistas vindos de pessoas nas bancadas. Foram visíveis. Foram audíveis. Não há espaço para relativizações. Não há provocação que legitime um insulto racista. Não há atitude menos correta que justifique a desumanização de alguém pela cor da pele. Ponto final.
Esteve bem o Benfica ao anunciar a abertura de um inquérito interno para identificar os responsáveis e, caso se confirmem como sócios, avançar com processos disciplinares que podem culminar na expulsão. A credibilidade dos valores não se mede em comunicados inflamados, mede-se em decisões concretas.
Diferente é a situação que envolve Gianluca Prestianni. Vinícius Júnior acusou-o de lhe ter dirigido um insulto racista. Prestianni nega. Entre uma acusação feita em campo, num ambiente de enorme tensão competitiva, e a ausência de provas públicas inequívocas, há um espaço que deve ser preenchido por investigação, não por julgamento sumário.
Não consigo aceitar discursos que tentam minimizar atos racistas com base em alegadas provocações. Mas também não consigo aceitar a condenação automática de alguém apenas porque foi acusado. A presunção de inocência não é um formalismo jurídico. É um princípio civilizacional.
O presidente do Benfica veio dizer que acredita que o jogador não proferiu qualquer insulto racista, acrescentando que, se acreditasse no contrário, ou se tal se vier a provar, o jogador já não seria jogador do Benfica ou deixará de o ser. É uma posição clara: tolerância zero ao racismo.
As duas situações são distintas. Ambas graves, mas diferentes. Numa há evidência objetiva de insultos racistas vindos das bancadas. Noutra há uma acusação que precisa de ser apurada com rigor. Defender uma investigação séria não é desvalorizar a palavra de ninguém. É garantir que a luta contra o racismo é conduzida com firmeza, mas também com responsabilidade.
A luta contra o racismo não se faz com folclore, nem com comunicados apressados de organizações que tantas vezes reagem mais depressa do que investigam. Faz-se com medidas, com sanções quando há prova, com pedagogia e com coerência. O racismo é intolerável. Mas a condenação sem prova clara também corrói os fundamentos que se pretendem defender.
Fechado este capítulo, regressamos ao futebol.
A eliminatória foi decidida por detalhes. Pela qualidade individual de quem resolve em dois ou três lances. Pela eficácia. E também por uma arbitragem no primeiro jogo que condicionou momentos relevantes. Não vale a pena fingir que isso não existiu. Existiu.
Mas esta eliminatória mostrou uma evolução evidente da equipa do Benfica. A recuperação de jogadores lesionados trouxe estabilidade e soluções. As contratações de inverno acrescentaram profundidade. A subida de rendimento de alguns elementos consolidou uma ideia de jogo mais consistente. Hoje, o Benfica não depende exclusivamente do seu onze inicial. Tem banco. Tem alternativas de qualidade semelhante. Tem margem de gestão.
Isso não significa que esteja tudo feito. Significa que o caminho que está a ser seguido está correto. Não há necessidade de revoluções permanentes, nem de alterações estruturais precipitadas num futuro próximo. A tentação de começar de novo a cada época é grande. Mas raramente produz estabilidade.
O Benfica caiu perante o Real Madrid porque, do outro lado, estava uma equipa com jogadores capazes de decidir em segundos aquilo que outros constroem durante minutos. Isso não diminui o que foi feito. Mas também não o transforma em algo que não foi.
Perder faz parte do futebol. O que não pode fazer parte é a perda de identidade. E nisso, nesta eliminatória, o Benfica não falhou. Competiu. Respondeu. Não se encolheu.
Agora é manter o rumo. Sem euforias quando se ganha. Sem dramatismos estruturais quando se perde. Com a mesma exigência de sempre. No Benfica não há vitórias morais. Mas também não há derrotas que apaguem o caminho quando ele está a ser bem trilhado.
Hugo Oliveira, in a Bola

RAFA É O MELHOR REFORÇO DE INVERNO



 A Liga vai entrar no último terço e a partir de agora os resultados vão ser ainda mais decisivos. Qualquer perda de pontos pode ser irrecuperável e os candidatos ao título estão bem cientes disso. De resto, desde o clássico do Dragão, no qual FC Porto e Sporting, como já referi neste espaço, ganharam um ponto, todos têm apresentado a folha limpa.

O Benfica aproveitou aquele empate para reentrar na corrida pelo primeiro lugar e já leva três vitórias consecutivas (Alverca, Santa Clara e Aves SAD). O Sporting também não facilitou, superando Famalicão e Moreirense, e o FC Porto respondeu à surpreendente derrota com o Casa Pia igualmente com dois triunfos, sobre Nacional e Rio Ave.
Vamos ter, acredito, campeonato até ao fim. A fase das decisões aproxima-se e, com o calendário ainda mais sobrecarregado, a gestão dos plantéis vai ser determinante. E aqui os reforços de inverno podem ser fundamentais. E neste capítulo recordo-me sempre do peso decisivo que André Cruz, César Prates e Mbo Mpenza tiveram na quebra do jejum do Sporting, em 1999/2000.
O FC Porto foi a equipa que mais se reforçou. Francesco Farioli apostou, essencialmente, na experiência. Ao Dragão chegaram o consagrado Thiago Silva e os bem conhecidos do treinador Fofana e Moffi, além do jovem Pietuszewski. O extremo polaco de apenas 17 anos tem-se revelado muito útil e é, para já e curiosamente, o reforço mais influente. Em sentido inverso, Eustáquio rumou aos Estados Unidos.
Já o Sporting abdicou, com algum risco, da arma secreta Alisson Santos e deu um prémio de carreira ao sempre competitivo Matheus Reis e contratou os extremos Luís Guilherme e Faye. Ambos, na minha perspetiva, mais numa aposta de médio do que de curto prazo, embora o brasileiro esteja a mostrar que pode ser muito útil na rotação que Rui Borges já colocou em andamento, embora aqui o ex-West Ham ainda não tenha a concorrência de Quenda, também ele a prometer ser um reforço de inverno de peso.
O Benfica prometeu uma pequena revolução, mas acabou por canalizar o investimento no regresso de Rafa e na aquisição do polivalente Sidny Lopes Cabral — o discreto Obrador rumou ao Torino.
Dos três treinadores, Mourinho foi o único que não escolheu o plantel e como tal era bem legítimo que fosse quem tivesse mais reforços, mas a decisão, certamente também com a vertente financeira a ter o seu peso, foi a de jogar pelo seguro. E Rafa, mesmo ainda à procura da melhor forma, depois de dois meses exilado na Turquia, tem correspondido e é, para mim, o melhor reforço de inverno dos três grandes.
Hugo do Carmo, in a Bola

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 27 Fevereiro GLORIOSO COM MAIS PROBLEMAS PARA RESOLVER APÓS ELIMINAÇÃO!! 🦅

                  

Benfica cai em Madrid: a derrota encarnada em cinco pontos | TEMA DO DIA

                  

Tomámos a bancada, faltou tomar o relvado! | Canto do Benfica

                  

BOLA AO CENTRO (T3)- Ep. 186: CAIR ASSIM NAO E ADMISSIVEL!!

                  

PAVLIDIS EM BAIXO: 4 AVANÇADOS BARATOS DESCOBERTOS PELO SCOUTING DE... OUTROS

                  

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Conversas Gloriosas #41 , Real de Madrid e Gil Vicente

                  

ANÁLISE À CAMPANHA EUROPEIA DO BENFICA EM 2025/26! A POLÉMICA COM LOPES CABRAL!

                   

Temporada 5 Episódio 46 (#287) - real vs BENFICA

                   

UMA OUTRA FACE DO BENFICA



 Será impossível apagar a mancha da eliminatória com o Real Madrid, mas com a bola a rolar o Benfica conseguiu deixar uma imagem positiva, a ponto de deixar a sensação de que podia ter feito mais

A Liga dos Campeões ainda não acabou verdadeiramente para o Benfica, mas para desgosto das águias a competição não prossegue no campo, entre as 16 melhores equipas do continente, apenas entre os papéis do polémico processo que envolve Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior.
Se a mancha deixada pela acusação de racismo nunca sairá por completo - mesmo que o argentino venha a ser ilibado -, com a bola a rolar a equipa portuguesa conseguiu mostrar outra face, ainda que sem deslumbrar.
No final de contas o Real Madrid até garantiu novo triunfo na eliminatória - ironicamente com golo decisivo de Vinícius Júnior e duas assistências de Valverde, que deveria ter sido suspenso pela agressão na Luz -, mas o Benfica acreditou (quase) até ao fim, com uma exibição bem mais impositiva do que tinha conseguido oito dias antes, mesmo sem José Mourinho no banco do Bernabéu.
A equipa portuguesa não quis gerir as probabilidades com o relógio e protagonizou uma entrada de grande nível, ao surpreender com a aposta em Richard Ríos. Não pela titularidade do colombiano, antes pela colocação mais à direita, em linha com Barreiro e Aursnes, a pedir diagonais de Pavlidis mais à frente.
Um mau passe de Otamendi permitiu reação imediata do Real ao golo de Rafa, e a equipa de Arbeloa teve margem para fazer acertos e começar a expor o reverso da aposta em Ríos, muitas vezes curto no apoio a Dedic, o que exigia uma segunda ajuda, de Barreiro, a esticar ao limite o acordeão do meio-campo.
Uma má abordagem de Tomás Araújo condenou a esperança no apuramento, mas antes disso o Benfica teve ocasiões suficientes para virar a eliminatória. Quase sempre por Rafa, ou mesmo Schjelderup, já que Pavlidis nunca mostrou a acutilância de que a equipa precisava no Bernabéu.
Se é verdade que a história do Benfica é imcompatível com vitórias morais, do outro lado estava o rei da Liga dos Campeões, mesmo que o momento não seja o mais fulgurante.
Talvez fique a sensação de que o desfecho poderia ter sido outro, mas isso é reflexo da tal imagem diferente que o Benfica apresentou. Não apenas em Madrid, mas nos três jogos disputados com o Real.
Agora com mais tempo para treinar, e apenas 11 jornadas de Liga para disputar, o desafio é provar que o percurso continuará a ser ascendente.
Nuno Travassos, in a Bola

PRESTIANNI NO BERNABÉU, ALGUÉM ACREDITOU... OU QUIS?



 O motivo do Benfica de levar o argentino para Madrid foi tão-só manter a firmeza no caso, mostrar-se inabalável na solidariedade com o jogador, mantendo-o integrado. O clube fê-lo convicto de que a UEFA não voltaria atrás na suspensão, correta, que preservou o futebol do risco de se tornar teatro de hostilidade.

Depois de passar o inferno das primeiras horas do caso Prestianni-Vinicius, das declarações de José Mourinho, de o Benfica ter assumido defesa incondicional do seu jogador desde o primeiro momento, e do anúncio pela UEFA de um inquérito ao alegado abuso racista do jogador encarnado ao brasileiro do Real Madrid, processo inevitável perante a impossibilidade de provar, com absoluta certeza, se a palavra mono — macaco — teria sido de facto proferida, as atenções viraram-se para o provável reencontro dos visados no jogo da 2.ª mão, em Madrid. Explosivo.
No entanto, antes de se voltar a levantar fervura ao caso na perspetiva de novo frente a frente, a UEFA suspendeu preventivamente Prestianni, sob a justificação do inquérito. A justificação formal baseou-se no inquérito, mas a intenção era clara: impedir que o duelo se materializasse, preservando o futebol do risco de se tornar teatro de hostilidade, e protegendo tanto a integridade do jogador como a imagem da competição. Uma decisão cirúrgica, firme, mas que não deixou de gerar polémica: privava o Benfica de um dos seus melhores ativos, peça fundamental na estratégia de tentar virar a eliminatória.
O clube encarnado não se conformou e recorreu, integrando o jogador na comitiva que se deslocou à capital espanhola. Todavia, os seus responsáveis, incluindo José Mourinho, fizeram-no certamente convictos de que a UEFA não voltaria atrás na decisão. O motivo de levar o argentino para Madrid foi tão-só manter a firmeza do clube no caso, mostrar-se inabalável na solidariedade com o jogador, mantendo-o integrado.
No fim, o cenário era o mais equilibrado possível num caso carregado de tensão: a UEFA preservava a competição, o Benfica protegia o seu atleta, e o futebol manteve-se, ainda que por um fio, acima do ruído e da polémica. Porque havia, no meio de toda a tempestade, a consciência de que expor um jovem jogador à hostilidade de um estádio em ebulição seria um risco desnecessário, e que proteger o desporto às vezes passa por decisões duras, mas justas.
Ricardo Jorge Costa, in a Bola

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 26 Fevereiro GLORIOSO ELIMINADO POR CULPA PRÓPRIA E COM DISCURSO PENOSO!! 🦅

                    

SEMPRE OLHOS NOS OLHOS



O Benfica perdeu por 2-1 frente ao Real Madrid na 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. As águias impuseram o seu futebol em muitos momentos do encontro e saíram de cabeça erguida da competição.
Um Benfica personalizado e sem promessas vãs perdeu (2-1) na deslocação ao recinto do Real Madrid, em jogo da 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, disputado nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, no Santiago Bernabéu. As águias terminam a sua participação na prova com uma demonstração clara de competitividade e de qualidade, apenas traída pela eficácia.
Em Madrid, após o embate no Estádio da Luz, na 1.ª mão (0-1), o Benfica apresentou-se com a determinação própria de quem mantinha firme a convicção de que a eliminatória estava em aberto e a passagem à próxima fase era desiderato alcançável.




Sem José Mourinho no banco de suplentes, castigado após a expulsão no duelo anterior, e com o treinador adjunto João Tralhão como rosto de comando – ele que na véspera, na antevisão, deixou claro que a preparação foi no sentido de "ganhar e qualificar" a equipa para a próxima fase –, as águias surgiram em campo com Richard Ríos no lugar de Prestianni (suspenso), face ao onze inicial escalado para o duelo da 1.ª mão.
Se o Benfica alinhou com Trubin, Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Richard Ríos, Rafa, Schjelderup e Pavlidis, a formação merengue colocou o central Asencio e o avançado Gonzalo nos lugares de Huijsen e de Mbappé, respetivamente.
Perante milhares de Benfiquistas a fazerem-se ouvir ainda antes do início da contenda – um apoio apaixonado e incondicional expresso além dos 90 minutos de jogo –, o Benfica partiu para cima do Real Madrid desde o primeiro instante.
Com Richard Ríos em zonas mais interiores no meio-campo e Dedic lançado no corredor direito, o Benfica deu o primeiro esticão com o lateral bósnio a conduzir para dentro e a lançar Schjelderup na esquerda, para que este, posteriormente, finalizasse contra um defesa junto à linha de fundo, ganhando um canto. Aos 4' estava dado o primeiro sinal, e segundos depois Barreiro cabeceou no canto subsequente para defesa de Courtois.




Aos 6', Rafa – servido por Schjelderup – recebeu a bola à entrada da área, ludibriou o aperto de Asencio com um excelente gesto técnico e, já dentro da área de rigor, atirou para nova intervenção do guardião belga.
Uma excelente abertura de Tomás Araújo para Pavlidis, aos 12' – dupla que efetuou frente ao Real Madrid o 100.º jogo oficial com o Manto Sagrado –, levou novamente perigo para o último reduto merengue, o qual viu o passe do goleador grego não sair com a melhor direção para Richard Ríos, ao 2.º poste.
As ameaças conduziram ao golo do Benfica. Decorria o minuto 14 quando a abertura de primeira de Richard Ríos para Pavlidis, a passe de Dedic, abriu campo para o avançado cruzar na área. A bola foi intercetada por Asencio na direção da sua baliza, Courtois defendeu instintivamente para a frente com a perna esquerda e Rafa, a dois tempos, finalizou, abrindo o marcador (0-1) e igualando a eliminatória. Foi o 14.º golo do camisola 27 pelo Benfica na Liga dos Campeões, precisamente no dia em que registou 50 jogos na competição.
A resposta do Real Madrid foi célere. Um cruzamento atrasado de Valverde a partir do lado direito, aos 16', encontrou Tchouaméni em posição frontal e perto da linha limite da grande área. O médio rematou sem hipótese de defesa para Trubin (1-1).
Ferido pelo sucesso da primeira aproximação dos da casa à sua baliza, o Benfica lançou-se em novas incursões ofensivas. Uma delas voltou a deixar as águias perto do golo. Aos 22', Aursnes descobriu Schjelderup em profundidade, no lado esquerdo. O extremo internacional norueguês cruzou para a pequena área e o toque ligeiro de Pavlidis não permitiu o desvio da bola para a baliza contrária. Barreiro, na sequência, após a tabela com Rafa, cruzou novamente com perigo, obrigando Rüdiger a um excelente corte para canto.
Atrevido e personalizado, o Benfica manteve-se sempre equilibrado nos processos ofensivos e defensivos, no entanto, aos 32', viu o Real Madrid chegar ao golo... que acabou por ser invalidado por posição irregular de Gonzalo antes do cabeceamento de Valverde e cuja sequência do lance levou ao remate bem-sucedido de Arda Güler. Leitura correta do VAR.
O Benfica manteve a sua postura e, aos 38', foi Courtois o salvador do Real Madrid: Schjelderup foi para cima de Trent, ultrapassando-o, e acabou por ver a bola intercetada por Asencio terminar num remate forte de Richard Ríos. Mas o esférico foi defendido pelo guarda-redes belga. Uma intervenção-chave, quando já se gritava golo!
Até ao intervalo, o Real Madrid respondeu com duas finalizações perigosas, aos 41' e 45', por intermédio de Arda Güler e de Valverde, ambas desviadas pela defesa encarnada e que levaram a pontapés de canto.
O início da etapa complementar trouxe um Real Madrid mais preocupado em fazer a gestão criteriosa da posse de bola e, aos 48', um cruzamento de Trent, na direita, levou perigo para a baliza à guarda de Trubin. O mesmo Trent, aos 57', rematou forte e rasteiro, na área, sobre a direita, e o esférico saiu rente ao poste esquerdo.
O Benfica, porém, teve sempre olhos para as redes contrárias. Aos 60', surgiu uma nova grande oportunidade de golo: Barreiro tirou a bola a Vinicius Júnior na zona intermediária, endossou-a a Pavlidis, que colocou em Rafa, à entrada da área, para uma trivela desviada ligeiramente por Asencio para a barra!
Aos 69', foi a vez de Pavlidis, desta feita servido por Rafa após recuperação de Aursnes, à entrada da área, rematar forte, com a bola a sair prensada em Rüdiger e a passar rente ao poste direito dos merengues.




Contra a tendência do encontro, o Real Madrid chegou ao golo. Valverde lançou Vinicius Júnior em profundidade, e este, apesar da perseguição de Otamendi, na área, colocou os espanhóis em vantagem com um remate cruzado (2-1).
Sem baixar os braços, o Benfica reagiu aos 82' com nova oportunidade flagrante para marcar. Cruzamento de trivela de Schjelderup a partir da esquerda para a pequena área, onde Rafa desviou subtilmente para o 2.º poste, valendo Álvaro Carreras a afastar o perigo e a bola para a linha de fundo.
Aos 85', Otamendi foi agarrado na área por Trent, na sequência de um livre de Aursnes, mas o árbitro nada assinalou.
Com Barrenechea e Ivanovic nos lugares de Aursnes e Schjelderup, o Benfica procurou fazer um forcing final para chegar à igualdade, mas o Real Madrid geriu a posse de bola e controlou o tempo. Sidny ainda foi a jogo em detrimento de Barreiro, encostando-se à direita do ataque, mas, até final, o ritmo do embate baixou consideravelmente e o resultado não se alterou.
Os aplausos dos Benfiquistas acompanharam a despedida de cabeça erguida do Glorioso na edição 2025/26 da Liga dos Campeões, após o 3-1 no cômputo geral do play-off frente ao Real Madrid, vencedor da prova em 15 ocasiões.
Os comandados de José Mourinho voltam à competição na segunda-feira, 2 de março, frente ao Gil Vicente, em jogo referente à 24.ª jornada da Liga Betclic, agendado para as 20h15, no Estádio Cidade de Barcelos.
SL Benfica

AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:

 Boa atitude não foi suficiente, sobretudo por pouca acutilância ofensiva e dois erros pontuais na defesa, fatais perante equipas como o Real Madrid. Norueguês e Rafa, a espaços, ainda abanaram os merengues.





A figura do Benfica - Schjelderup (7)
Está um caso sério, como que a confirmar a existência de jogadores que precisam de alguma continuidade e muita confiança para mostrarem o verdadeiro potencial. Ou, mais exatamente, para transformar em ato o que se sabe terem em potência. Aparece nos espaços, mostra-se à equipa, recua quando é preciso e quando recebe a bola assume a posse, não necessariamente (ou sempre) com grandes cavalgadas e sobressaltos para a frente, mas também, e muitas vezes, com critério, temporização e análise do que podem os companheiros fazer em seu redor e qual a melhor solução para romper linhas do adversário. Está nos melhores lances de ataque encarnados e aos 68 minutos fica a sensação de que poderia ter coroado a exibição com um golo quiçá decisivo. Não rematou, foi pena.
5 Trubin — Jogo extremamente ingrato para um guarda-redes capaz de resolver sem sobressaltos o que pôde resolver (remates fracos ou à figura, cruzamentos insípidos) e absolutamente impossibilitado, pelas circunstâncias, de evitar os golos do adversário. Nem ele nem ninguém o poderia ter feito.
6 Dedic — Foi dos melhores jogadores do Benfica, sobretudo na primeira parte e nas tarefas ofensivas. Foi visto várias vezes fora da zona atrasada, perfeitamente englobado nas tentativas de ataque encarnadas. É claro, já se sabe, que tinha como adversário direto Vini Jr., e isso não se deseja a ninguém. Aos 32 minutos o brasileiro fez dele gato-sapato na área e ofereceu o que teria sido o 2-1, invalidado por posterior fora-de-jogo de Gonzalo, mas isto não é suficiente para baixar a nota do bósnio. Até porque iniciou a jogada do golo encarnado e aos 70 minutos foi brilhante na dobra a mais um erro central e evitou um golo de Valverde.
4 Tomás Araújo — Tinha sido absolutamente brilhante na primeira mão, desta feita leva uma noite para recordar mas não pelas melhores razões. Sem uma grande tormenta atacante madridista, fica ligado a dois golos do Real, um deles invalidado (o de Guler aos 32 minutos). Neste não chegou ao turco. Aos 80 minutos, no segundo, que valeu, falhou abordagem no meio-campo a Valverde, que isolou Vinícius, e a eliminatória ficou decidida.
4 Otamendi — Exibição mais ou menos plasmada da do companheiro do eixo defensivo. Noite relativamente tranquila, acerto generalizado (belo corte a remate de Guler aos 48 minutos), mas erro capital no primeiro golo espanhol, com um passe disparatado que Tchouameni intercetou para vir, mais tarde, a concluir a jogada.
5 Dahl — Discreto e na maior parte das vezes competente. Foi mais cauteloso no seu flanco, perante a maior ousadia de Dedic no lado contrário, e segurou o lado direito ofensivo do Real sem problemas de maior. Foi muito raro permitir espaço a Alexander-Arnold, que era na realidade o extremo merengue.
5 Leandro Barreiro — Trabalho de sapa no meio-campo e ainda um ou outro atrevimento na frente, um dos quais deu enorme frenesi na área espanhola, aos 60 minutos. Raramente sobressai, mas mata-se a trabalhar e mantém intensidade no jogo.
6 Aursnes — Foi o pêndulo do costume durante a maior parte do tempo. Posicionado à partida no duplo pivô do meio-campo, foi justamente a partir daí que depois surgiu à esquerda, à direita, ao centro, na área do Real, na área do Benfica. Aos 70 minutos teve medo de fazer falta sobre Valverde e quase deixava o capitão madridista marcar, valeu Dedic.




6 Ríos — Era aguardado no meio, formalmente foi interior direito, mas na verdade andou sempre ali numa posição híbrida que conferiu equilíbrio no centro mas teve o preço, às vezes, de deixar Dedic desamparado perante Vinícius Júnior. Um bom jogo global, com notas para a participação na boa jogada do golo de Rafa e para o remate mais perigoso do Benfica, que proporcionou a Courtois mais uma boa defesa nesta eliminatória.
7 Rafa — Desta vez teve espaço para se virar para a baliza e aplicar velocidade ao jogo. Mostrou-se atrevido no drible e na tentativa de remate desde muito cedo, mantendo um jogo assertivo até final. Marcou, oportuno, o golo encarnado, dinamizou vários ataques, arrancou amarelo a Asencio, atirou uma trivela de classe à barra e logo após o 2-1 quase empatava de calcanhar.
5 Pavlidis — Jogo ingrato, em que procurou muitas vezes vir atrás, como tão bem sabe fazer, mas raramente conseguiu espaços. Cruzou para o golo de Rafa e teve um remate perigoso ao lado da baliza de Courtois. Aos 56 minutos podia ter comprometido quando quis sair a jogar à saída da própria grande área.
— Barrenechea — Entrou e chegou a tocar na bola, mas estava tudo decidido e acabado.
— Ivanovic — Ainda teve tempo para uma ou outra iniciativa insípidas.
— Sidny Cabral — Sofreu falta e bateu um livre indireto, já pode dizer que jogou no Bernabéu.
Alexandre Pereira, in a Bola