Será impossível apagar a mancha da eliminatória com o Real Madrid, mas com a bola a rolar o Benfica conseguiu deixar uma imagem positiva, a ponto de deixar a sensação de que podia ter feito mais
A Liga dos Campeões ainda não acabou verdadeiramente para o Benfica, mas para desgosto das águias a competição não prossegue no campo, entre as 16 melhores equipas do continente, apenas entre os papéis do polémico processo que envolve Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior.
Se a mancha deixada pela acusação de racismo nunca sairá por completo - mesmo que o argentino venha a ser ilibado -, com a bola a rolar a equipa portuguesa conseguiu mostrar outra face, ainda que sem deslumbrar.
No final de contas o Real Madrid até garantiu novo triunfo na eliminatória - ironicamente com golo decisivo de Vinícius Júnior e duas assistências de Valverde, que deveria ter sido suspenso pela agressão na Luz -, mas o Benfica acreditou (quase) até ao fim, com uma exibição bem mais impositiva do que tinha conseguido oito dias antes, mesmo sem José Mourinho no banco do Bernabéu.
A equipa portuguesa não quis gerir as probabilidades com o relógio e protagonizou uma entrada de grande nível, ao surpreender com a aposta em Richard Ríos. Não pela titularidade do colombiano, antes pela colocação mais à direita, em linha com Barreiro e Aursnes, a pedir diagonais de Pavlidis mais à frente.
Um mau passe de Otamendi permitiu reação imediata do Real ao golo de Rafa, e a equipa de Arbeloa teve margem para fazer acertos e começar a expor o reverso da aposta em Ríos, muitas vezes curto no apoio a Dedic, o que exigia uma segunda ajuda, de Barreiro, a esticar ao limite o acordeão do meio-campo.
Uma má abordagem de Tomás Araújo condenou a esperança no apuramento, mas antes disso o Benfica teve ocasiões suficientes para virar a eliminatória. Quase sempre por Rafa, ou mesmo Schjelderup, já que Pavlidis nunca mostrou a acutilância de que a equipa precisava no Bernabéu.
Se é verdade que a história do Benfica é imcompatível com vitórias morais, do outro lado estava o rei da Liga dos Campeões, mesmo que o momento não seja o mais fulgurante.
Talvez fique a sensação de que o desfecho poderia ter sido outro, mas isso é reflexo da tal imagem diferente que o Benfica apresentou. Não apenas em Madrid, mas nos três jogos disputados com o Real.
Agora com mais tempo para treinar, e apenas 11 jornadas de Liga para disputar, o desafio é provar que o percurso continuará a ser ascendente.
Nuno Travassos, in a Bola

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