quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A GUERRA ENTRE OS TREINADORES


"O clima de se cortar à faca que tem marcado o futebol português fora das quatro linhas foi, até agora, de alguma forma temperado pelo modo cordato como os treinadores se têm conduzido e também pelo comportamento normalmente correcto dos jogadores. Curiosamente, outros anos houve em que se verificou exactamente o contrário: os dirigentes até assumiram posturas civilizadas, mas era raro o clássico que não acabasse em sururu...
A finalizar a última semana, porém, a agressividade verbal entre os treinadores conheceu significativa escalada, o que não pode deixar de merecer um olhar preocupado. Se desaparecer mais esse espaço de urbanidade, os jogadores, normalmente o ele mais fraco nestes processos, pela juventude e não só, ficarão como a última fronteira da sanidade, o que é, no mínimo, sui generis.
É sabido que os treinadores usam os mind games como forma de colher benefício para as suas equipas e desde que não sejam ultrapassados determinados limites, não vem mal nenhum ao mundo de uma ou de outra picardia. O problema com que nos deparemos hoje é de saber se o risco já não foi pisado e se aquilo que foi entretanto dito não terá já provocado danos irreperáveis em relações pessoais.
Curiosamente, Rui Vitória foi o alvo dos dois mais violentos ataques entre técnicos nos últimas anos, em Portugal: primeiro foi Jorge Jesus a dizer que não o considerava treinador; e agora, a semelhança entre o técnico do Benfica e o boneco do filho, feita por Sérgio Conceição, transportou a querela para um patamar que deve entristecer e preocupar a classe dos treinadores."

José Manuel Delgado, in A Bola

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