quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

BENFICA: DOMÍNIO NO GOOGLE, NÃO NO CAMPO



 Foi a segunda equipa mais procurada em todo o mundo em 2025, mas a sua enorme dimensão não se traduz em resultados. E por muito ruído que faça isso não lhe dá razão. Mesmo que seja ensurdecedor.

O Benfica foi a segunda equipa mais pesquisada no Google a nível mundial em 2025. Os encarnados foram apenas superados pelo PSG, em cujo top 10 figuram os encarnados e os franceses como representantes do futebol.
Este registo é surpreendente e simultaneamente notável e significa que os encarnados tiveram uma projeção internacional que foi muito além de picos de procura ao longo de 365 dias. Foi um fenómeno com consistência e não só circunstancial, mas que pode ser explicado por dois fenómenos: a presença no Mundial de Clubes (a expressão mais pesquisada em Portugal, mais ainda que apagão) e à contratação de Richard Ríos, o futebolista mais pesquisado no ano, à frente de Gyokeres e Rodrigo Mora – o mercado brasileiro pode ter dado um grande contributo para estes números.
De acordo com o Google Trends, estima-se que em termos de volume de tráfego digital em Portugal o Benfica manteve uma média de 4,5 vezes mais pesquisas do que o Sporting e cerca de 3 vezes mais do que o FC Porto ao longo de 2025.
Talvez isto ajude a explicar o permanente dilema em que vive a águia: vítima da sua dimensão, ainda mais contando agora com um dos treinadores mais mediáticos do mundo como é o caso de José Mourinho, cujos gestos, expressões ou palavras extravasam todas as fronteiras. O que corre mal no Benfica ganha proporções bíblicas, proporcionais às alegrias nos bons momentos. O problema (para adeptos e para quem dirige o clube) é que não tem conseguido, nos últimos anos, traduzir isso em resultados. Domina na internet, mas não em campo.
O ano civil termina assim com um retrato interessante: a equipa menos famosa (o Sporting, de acordo com os dados da Google) foi a que cantou vitória em 2025 e a que está bem posicionada para passar à fase seguinte da Champions; a segunda da lista (FC Porto) preparou-se muito bem no verão para sorrir lá para meados de maio de 2026; já o primeiro acaba o ano a produzir muito ruído, insistindo numa narrativa desfasada, que pode ser eficaz nas primeiras horas que se seguem a um jogo de futebol mas perde sentido depois de a poeira assentar.
Até porque já se percebeu que o Benfica não perdeu dois pontos em Braga por causa da arbitragem – ou os erros do juiz foram mais evidentes, por exemplo, que os muitos lapsos de Samuel Dahl, incluindo as constantes dificuldades em defender por dentro que levaram o sueco a fazer penálti? Talvez o Google explique.
Fernando Urbano, in a Bola

O MERCADO DE JANEIRO AINDA PODE SALVAR O BENFICA



 Claro que não há impossíveis, mas nesta altura tudo indica que ficar em segundo lugar ditará o sucesso desportivo do resto da época encarnada. A chave pode estar no mercado de jogadores.

Naturalmente que tudo ficará muito complicado em termos de título nacional para o Benfica se hoje, como se espera, o FC Porto vencer o Aves SAD e alargar para dez pontos a vantagem que leva sobre os encarnados ao cabo de 16 jornadas.
Não há impossíveis no futebol até o serem de forma matemática, já o sabemos, mas acontece que neste caso o Benfica vê à frente, com o fosso a aumentar, duas equipas e não uma. Admitindo que o líder tivesse uma segunda volta e mais uma jornada desastradas e os encarnados 18 jogos imaculados ou perto disso, seria preciso que o Sporting também caísse para o Benfica ser campeão nacional. Ora: se por acaso os dragões vacilarem, é mais crível que o Sporting se motive e agigante na luta pelo primeiro do que caia e permita uma ultrapassagem que seria a todos os títulos notável.
É evidente que ninguém, na Luz, irá assumir a verdadeira dimensão da dificuldade, até porque isso seria contraproducente para os níveis motivacionais da equipa, que vinha em crescendo.
O discurso antiarbitragem, de vitimização a cada jogo em território nacional, dele e dos outros, fará alguma parte do trabalho de que o Benfica precisa até final da época. Em Braga, curiosamente, também não faltaram queixas de arbitragem dos donos da casa, estando o VAR das críticas a analisar se foi José Mourinho ou o diretor de comunicação bracarense o primeiro a chegar ao já incontornável plateau da queixa pós-match.
Mas o mercado de jogadores que abre dentro de dias — e aliás já começou a ser atacado pelos encarnados —, esse sim, será decisivo para um saldo positivo ou negativo na época. O Benfica parece ter liquidez e agora José Mourinho pode escolher. Dois pontos a favor.
Independentemente de um eventual sucesso, já dentro de dias, na Taça da Liga ou de uma conquista, em maio, da Taça de Portugal, será o campeonato a ditar o veredito. E sim, falo essencialmente (apesar da teoria sobre a inexistência dos impossíveis) do segundo lugar, que pode dar acesso à UEFA Champions League.
É nesse objetivo que o Benfica vai focar-se verdadeiramente, sabendo que, se o FC Porto vencer hoje, a tarefa de o alcançar estará no início de 2026 tão difícil como será, para o Sporting, a de tentar o tricampeonato. Difícil não é impossível, longe disso, e um bom ataque ao mercado de janeiro pode ser a chave do sucesso, que terá sempre de começar por não escorregar mais.
Alexandre Pereira, in a Bola

RASTREIO OCULAR



 Em Braga, aconteceu um desafio interessante, em ambiente de jogo grande e com períodos de domínio repartido de alta intensidade. Encontro sem dúvida difícil de dirigir, dado o ritmo e a importância do duelo, mas com a arbitragem, mais uma vez, como triste protagonista e pior equipa em campo. Desta vez, nem foi questão de intensidade, nem de interpretação, só a incompetência levada ao extremo.

Aquilo a que temos assistido justifica uma reciclagem urgente dos árbitros nacionais. Verificar a saúde ocular, rever as regras e visionar a arbitragem de outros campeonatos poderia ser útil. Ao mesmo tempo, o árbitro é o máximo responsável pelo jogo e dá a cara, não devendo ser refém da inércia ou tendência de quem avalia sentado, com meios técnicos que supostamente lhes permitem decidir melhor. Até algo ser feito, VAR à parte, a nossa arbitragem continua a arrastar o seu perfil decadente de muito apito e pouco acerto.
Futebol
Voltando ao jogo vibrante e competitivo que vimos, o que de mais saudável e verdadeiro se viu foi um par de grandes golos de bola corrida. O golo de Pau Victor é espetacular, de puro talento em pouco espaço e controle absoluto no drible até à finalização. O remate de Ausrnes também é um momento especial. De fora da área e quase sem balanço, só poderia resultar em golo se fosse muito puxado a um canto. O último instante para definir o lado para onde rematar é uma das valias que diferenciam o remate do médio do Benfica e que retardam a resposta de quem defende.
Em relação ao penálti, nada a dizer. Segue o atual critério absurdo da bola no braço, em que qualquer jogador que tenha a necessidade de saltar está sujeito a cometer falta. Ou então não se salta, porque quem já saltou sabe que a elevação normal se faz com a ajuda dos braços. Mas, neste caso, não é culpa dos nossos árbitros. O mal é de quem mudou a lei, que ainda se espera um dia poder ser revertida.
A responsabilidade de Dahl nesse lance, que curiosamente podia ter sido atenuada pelo golo limpo que marcou, é posicional e não gestual. O jovem defesa estava demasiado aberto na altura do cruzamento, abrindo espaço exagerado entre si e Otamendi. Esse espaço foi explorado pela desmarcação de Dorgeles e pelo cruzamento perfeito de Zalazar, o melhor jogador do SC Braga.
A anulação do terceiro golo do Benfica é ridícula, envergonhando, mais uma vez, a nossa atrofiada arbitragem. Consegue ultrapassar o escândalo da final da Taça, só não foi tão violento. Não é um simples erro e fica difícil não pensar em má fé.
Critério tático
A opção pela saída a jogar curto desde a própria baliza, no futebol atual vem dividindo os observadores e percebe-se porquê... A propósito desta tendência, a designação identidade própria é algo que muitos treinadores gostam de assumir ter, com indisfarçável orgulho. Falhamos e perdemos, mas temos a nossa identidade.
A vida é bela, mesmo na derrota... Personalidade ou ingenuidade? Em caso de dúvida é insistir ou aliviar? Devemos correr o perigo de sofrer golo, ou jogar longo e poder ganhar a segunda bola? Entretanto, o maior ou menor êxito desta opção tática, dependerá sempre, e muito, da qualidade dos executantes e também da expressão do pressing contrário. É desta relação que deve resultar o critério e a decisão do possuidor da bola. Na saída de bola a gestão é feita ao momento, e muitas vezes mal medida, o que origina frequentemente verdadeiros autogolos que levam a derrotas.
Critério e medição do risco é um desafio atual para quem joga e para quem treina e procura ganhar. Definir um nível máximo de risco não é possível, por não ser mensurável, tal a diversidade e dinâmica que o jogo representa. Têm a palavra os treinadores e os portadores da bola.
Irmandade
Os tempos são hoje bem diferentes daqueles que vivi no futebol profissional. A organização e o rigor são incomparáveis. O departamento clínico tem importância prioritária na saúde das equipas, na defesa dos atletas e do seu rendimento.
O conhecimento médico mais específico é algo que, naturalmente, o treinador não domina. No entanto, em relação a algumas lesões, alguns treinadores acabam por reter, pela sua experiência, algumas noções básicas do eventual estado físico de um qualquer atleta.
As lesões mais graves, quando acontecem, não deixam dúvidas, nem mesmo aos leigos, mas no restante existe uma infinidade de maleitas difíceis de avaliar por amadores. Os jogadores que passam mais tempo lesionados criam, normalmente, laços com os massagistas ou fisioterapeutas, elementos com quem passam mais tempo e em quem depositam as suas esperanças.
O acompanhamento e apoio psicológico regular desses importantes parceiros é também fundamental e algo que o atleta precisa para a sua plena recuperação. Recordo sempre as operações a que fui submetido e o apoio que recebi, passo a passo, quer no Portimonense, quer no Benfica.
Quanto às lesões mais complicadas, como as de Bah e Manu, contraídas exatamente no mesmo jogo, são exemplo de como imprevisível pode ser a respetiva recuperação. Depois de um longo processo, haver um recuo por qualquer razão é altamente frustrante para o atleta afetado. Manu já regressou, mas quanto a Bah, espera ainda por melhores dias.
Rui Águas, in a Bola

HÁBITO DE GANHAR



 "1. O Benfica vai-se habituando a ganhar. É o que parece. Foi suadíssima a vitória tangencial sobre o Famalicão na noite de segunda-feira, na Luz. Mas a sua justiça não tem discussão. O Benfica criou oportunidades, mas só marcou através de uma grande penalidade e sofreu nos minutos finais do encontro frente a um Famalicão que acreditou num desfecho diferente. Mas não passou disso, uma crença que não se concretizou.


2. Foi a 4.ª vitória consecutiva do Benfica em 3 competições. Vitória sobre o Nápoles para a Liga dos Campeões. Vitória em Faro para a Taça de Portugal. E vitórias sobre o Moreirense e sobre o Famalicão para o Campeonato Nacional. Com 9 golos marcados e 0 golos sofridos.

3. É certo que neste período o Benfica jogou e ganhou ao campeão de Itália, mas o adversário que manteve a dúvida sobre o resultado até ao fim foi, honra lhe seja feita, o Famalicão.

4. Se fala, é porque fala; se não fala, é porque não fala. Decidam-se. Não há regulamento que obrigue o treinador do Benfica – ou de qualquer outro clube – a fazer conferências de imprensa nas vésperas de jogos a contar para o campeonato principal. O treinador do Benfica decidiu – sim, decidiu ele, até porque não é imaginável que alguém tenha decidido por José Mourinho –, decidiu, dizíamos, não se prestar a esse serviço banalizando-o à força de repetições. E fez bem.

5. Mas é compreensível o desgosto da comunicação social ao ver-se privada de Mourinho. Sem ele, falarão de quê? Sem palavras do treinador do Benfica, como o poderão acusar de estar a elaborar em mind games malévolos para diminuir os adversários ou para atacar a arbitragem? Nesta última jornada em que o Benfica recebeu o Famalicão, Mourinho não compareceu na sala de imprensa. Já o tinha feito – ou não feito – nas vésperas dos jogos com o Casa Pia, com o Nacional e com o Moreirense, e daí não veio mal ao mundo.

6. Houve dérbi de equipas B, e o Benfica venceu por 1-0 o Sporting. Muito público no Seixal, e valeu a deslocação. O resultado podia ter sido mais dilatado, mas se a equipa foi perdulária contra 11, mais perdulária foi contra 10, e ainda mais perdulária foi contra 9. Ficou a intenção.

7. Foi bom e bonito de se ver. Não só foi bom e bonito como foi um arraso e que arraso. A conquista da 16.ª Supertaça do basquetebol do Benfica, no Pavilhão Dr. Mário Mexia, em Coimbra, resultou de um verdadeiro festival que o resultado ilustra na perfeição. Benfica 91-65 FC Porto. O adversário ofereceu pouco mais do que uma nula resistência ao longo de todo o jogo, e esta foi a 9.ª Supertaça do Benfica nas últimas 16 edições da prova."

Leonor Pinhão, in O Benfica