Um Benfica eficaz e pragmático teve na sua capacidade de pressão na última linha contrária o segredo do triunfo (3-0) sobre o Vitória SC, neste sábado, 21 de março, em duelo da 27.ª jornada da Liga Betclic. No Estádio da Luz, perante 61 634 espectadores, as águias somaram mais 3 pontos e subiram à 2.ª posição (à condição).
Conquistados os 3 pontos na jornada anterior, em Arouca (1-2), José Mourinho, de regresso ao banco de suplentes após a contestação do castigo decretado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), promoveu 3 alterações no onze face ao último embate na competição.
Sem poder contar com António Silva (suspenso), o treinador apostou em Barrenechea para uma parceria de centrais com Tomás Araújo – que capitaneou a equipa. Rafa deu o seu lugar a Sudakov no corredor central no apoio a Pavlidis, enquanto Prestianni surgiu na direita do ataque, em detrimento de Lukebakio. As águias apresentaram-se com o seguinte onze: Trubin, Bah, Tomás Araújo, Barrenechea, Dahl, Barreiro, Richard Ríos, Prestianni, Sudakov, Schjelderup e Pavlidis.
Antes do apito inicial, nota importante para o tributo dos adeptos na Catedral a Silvino, ovacionado com aplausos durante o minuto de silêncio determinado pela FPF.
Assumindo o controlo e a iniciativa de jogo, em particular no meio-campo contrário, o Benfica submeteu o Vitória SC a um intenso domínio territorial nos primeiros minutos, mas sem que se traduzisse em oportunidades claras para marcar.
Pavlidis foi protagonista do primeiro sinal de perigo precisamente aos 13', quando, servido por Schjelderup com uma bola picada nas costas da linha defensiva, atirou de pé esquerdo por cima da barra.
O aviso ficou dado e a ameaça traduziu-se em golo aos 15'. A excelente recuperação de Richard Ríos no meio-campo ofensivo, perante Samu, e uma cavalgada incisiva na área contrária levou a que no interior da zona de rigor, descaído sobre a direita, rodopiasse e assistisse Prestianni. O jovem internacional argentino, vindo de trás, rematou rasteiro e colocado, possibilitando apenas que Charles tocasse na bola de raspão com o seu pé direito. Estava feito o primeiro da partida (1-0).
O Benfica manteve o seu domínio durante alguns minutos e ainda se viu a tentativa de Richard Ríos, aos 22', fora da área e de pé esquerdo, em alvejar a baliza contrária: a bola saiu muito ao lado e por alto.
Paulatinamente, a formação vimaranense começou a gerir melhor a posse de bola. A troca do esférico perante alguma expectativa do lado encarnado fez com que a tendência do jogo fosse diferente a partir de meio da 1.ª parte.
Nélson Oliveira, aos 31', correspondeu ao cruzamento a partir de Tony Strata na direita e levou a bola a passar rente ao poste esquerdo da baliza defendida por Trubin.
O Benfica voltou a mostrar-se perigoso aos 39'. A recuperação de Bah possibilitou a Pavlidis um excelente passe longo para Schjelderup. O internacional norueguês progrediu pela esquerda, entrou na área e, depois de se livrar do marcador direto, finalizou em força para defesa apertada de Charles.
Esta foi a última ação perigosa antes do período de descanso, o qual ficou marcado pela homenagem à equipa de futsal, com a sua presença no relvado, pela conquista da Taça da Liga.
Coube a Bah tentar visar a baliza dos minhotos no início da 2.ª parte. Decorria o minuto 48 quando o lateral dinamarquês atirou de longe, fora da área, por cima do alvo, após uma incursão de Prestianni pelo seu corredor.
O Vitória SC dispôs de uma oportunidade para marcar aos 52'. Miguel Nogueira, após fletir da direita para o centro, rematou forte, a bola desviou em Barrenechea, e Trubin efetuou uma defesa de recurso e por instinto com os pés. Na sequência, Nélson Oliveira disparou em arco, levando o esférico a sair rente ao poste direito.
O Benfica sentia dificuldades com a postura visitante, no entanto, aos 55', Richard Ríos voltou a mostrar-se determinante na edificação do triunfo encarnado. Novamente numa ação de pressão sobre o portador da bola, num momento de construção, o médio internacional colombiano apertou Beni Mukendi, retirou-lhe o esférico e serviu Pavlidis, que, sem marcação, na área, teve uma finalização implacável perante o desamparado Charles (2-0).
Os comandados de José Mourinho tinham acabado de dar um passo determinante para averbar os 3 pontos, mas o Vitória SC tentou entrar na disputa do jogo 2 minutos depois. Samu, com um remate em força e fora da área, obrigou Trubin a aplicar-se com categoria. Mais tarde, aos 66', foi o central Óscar Rivas, também de longe, a procurar a baliza encarnada, mas o esférico saiu muito por cima do alvo.
O técnico dos minhotos já tinha lançado quatro suplentes quando o Benfica ampliou a sua vantagem no marcador, graças a um golo de Beni Mukendi na própria baliza. A insistência de Bah, na direita, levou a um cruzamento para o coração da área aos 74'. Pavlidis tocou no esférico ao 1.º poste, mas a força que a bola levava fê-la ir contra a perna esquerda do camisola 16 do Vitória SC, aninhando-se, depois, no fundo das redes à guarda de Charles (3-0).
José Mourinho mexeu então na equipa, lançando Sidny e Rafa nos lugares de Schjelderup e Sudakov, aos 77'. No mesmo minuto, Rafa esteve muito perto de marcar. O passe de Prestianni deixou o 27 no duelo com um defensor contrário, ultrapassando-o dentro da área. Em condições de finalizar na cara de Charles, viu o guardião evitar o 4.º golo encarnado.
Aos 80' foi João Mendes a finalizar, fora da área, com a bola a sair cruzada e perto do poste direito da baliza encarnada.
Com Lukebakio, Ivanovic e Manu em campo, em detrimento de Prestianni, Pavlidis e Barreiro, respetivamente, o Benfica apresentou maior frescura no ataque ao último terço, ainda que o momento fosse de gestão dos tempos de jogo e da vantagem.
Ainda assim, e a fechar o embate, a tabela entre Ivanovic e Lukebakio levou a que o extremo belga rematasse, no coração da área, de pé esquerdo, para fora, desperdiçando uma soberana oportunidade de golo aos 90'+2'.
Pouco depois, o duelo terminou e o Benfica somou mais 3 pontos na competição, os quais lhe permitem atingir a 2.ª posição na tabela classificativa, à condição.
Tendo pela frente uma pausa para os compromissos das seleções nacionais, o Benfica volta a jogar no início de abril, quando se deslocar ao terreno do Casa Pia, em desafio da 28.ª jornada da Liga Betclic.
In SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Colombiano generoso a defender e a atacar, recuperou duas bolas e transformou-as em assistências
O melhor em campo: Richard Ríos (7)
Ter Leandro Barreiro sempre ao lado ou nas costas fez-lhe bem, permitindo-lhe pisar terrenos mais adiantados e fazer algo que poucos sabem fazer mesmo bem na equipa: pressionar, desarmar e entregar. Concentradíssimo, aos 15 minutos tirou a bola a Samu, sem pedir licença, disparou para a área, livrou-se do último defensor, deixando a bola morta a Prestianni, mesmo prontinha para o remate fatal, 1-0. Aos 22' tentou a sorte, mas errou por muito, aos 55' aproveitou mais uma asneira do V. Guimarães e mais uma boa fase de pressão: Beni hesitou e perdeu a bola para o colombiano, que rapidamente serviu Pavlidis, nada egoísta no momento de tomar a melhor decisão. Cozinhou e ajudou a matar a fome do grego. A generosidade não foi exclusiva de situações ofensivas, também ajudou a defender. Não foi 'chef', foi mesmo chefe, liderando a equipa e servindo golos.
Trubin (7) — Primeira parte descansada, segunda parte de trabalho importante. Boa defesa aos 52', detendo com as pernas bola disparada por Miguel Nogueira e que sofreu ligeiro desvio em Barrenechea, e aos 55' nova parada relevante, neutralizando tentativa de Samu. Fez pouco, mas fez bem.
Bah (6) — Cauteloso, começou por pouco arriscar e mal foi visto em terrenos próximos da área vimaranense na primeira meia hora. Uma boa recuperação aos 34', seguida de passe de qualidade para Sudakov, que desaproveitou, já perto da área vimaranense, foi primeiro momento alto no encontro. Aos 49' procurou o golo, mas a bola saiu muito por cima da trave, seria dele, todavia, a jogada de insistência que deu origem ao 3-0 e que terminou com autogolo de Beni.
Tomás Araújo (6) — Exibição relativamente tranquila, sendo o mais experiente dos centrais e, note-se, o único central de raiz. Talvez por isso não fosse visto a desequilibrar do ponto de vista ofensivo.
Barrenechea (6) — Cumpriu a missão no papel de central adaptado, com um ou outro erro ao nível da marcação ou do passe. Sem brilho, mas sem razões para lamentar a forma como se exibiu.
Dahl (6) — Talvez tivesse ordens para ajudar o companheiro de equipa argentino, que estava adaptado a central, e não subiu e atacou como gosta. Seguro a defender, concentrado, fiável.
Barreiro (6) — Sem brilho, sem golo, sem risco, mas jogando como um verdadeiro número 6, capaz de preencher espaços defensivos e ofensivos. Libertou Ríos e ajudou a prender adversários.
Prestianni (7) — Desbloqueou o resultado para os encarnados logo aos 15 minutos, quando as coisas estavam mornas, com remate na passada, simples, rasteiro, sem rodeios, eficaz como deveria ser. 1-0. Trabalhou muito, até mesmo defensivamente, mas reapareceu em destaque na segunda parte, servindo bem Rafa, deixando o colega de frente para a baliza e em posição de marcar. Foi promovido à titularidade e não defraudou.
Sudakov (5) — Com a bola no pé, sabe o que faz, mas nunca esteve em posição de marcar ou assistir. Fez um remate frontal que foi intercetado, fez-se também notar por uma perda de bola comprometedora aos 53', possibilitando ataque do V. Guimarães.
Schjelderup (6) — Moralizado, é dos primeiros a chegar-se à frente para tentar desequilibrar. Serviu em habilidade Pavlidis aos 13', com uma primeira fuga à defesa vimaranense, aos 39' escapou novamente à marcação e disparou para golo, mas na direção de Charles, que afastou a bola. Segunda parte foi menos enérgica.
Pavlidis (7) — Primeira ocasião aos 13', falhada, mas era difícil: disparou de primeira bola de Schjelderup, mas vinha pelo ar, difícil, e errou o alvo. Sobressaiu no passe, com grande lançamento para Schjelderup aos 39 minutos, aos 42' fez mais uma abertura de qualidade para o norueguês. A travessia do deserto, seis partidas seguidas sem conhecer o sabor do golo, terminou aos 55', finalizando com competência, em zona frontal, 2-0. Depois, um desvio falhado para a baliza traiu Beni, que fez autogolo: 3-0.
Sidny (4) — Entrou aos 77' e não fez a diferença no flanco esquerdo.
Rafa (5) — Entrou aos 77' e segundos depois poderia ter marcado, mas Charles defendeu.
Ivanovic (5) — Entrou aos 82' e com qualidade. Bela jogada aos 90+2', tabela e passe, com Lukebakio, que o internacional belga desperdiçou incrivelmente.
Lukebakio (4) — Entrou aos 82' e poderia/deveria ter marcado. Mau gesto técnico aos 90+2', errando por muito a baliza, mesmo sozinho e com o melhor pé, o esquerdo.
Manu — Entrou aos 85', contra a antiga equipa. Discreto.
In a Bola








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