domingo, 15 de março de 2026

REAÇÃO E CRENÇA



A perder por 1-0 ao intervalo no terreno do Arouca, o Benfica reagiu na 2.ª metade do encontro da 26.ª jornada da Liga Betclic, empatando no arranque desta etapa, por intermédio de Richard Ríos, e completando a reviravolta (1-2) ao cair do pano, com um golo de Ivanovic.
Trubin, Bah, Tomás Araújo, António Silva, Dahl, Richard Ríos, Barreiro, Lukebakio, Schjelderup, Rafa e Pavlidis constituíram o onze titular das águias para a visita ao 11.º classificado da competição (à chegada a esta ronda), neste sábado, 14 de março.
Deste modo, comparativamente ao anterior compromisso, foram 4 as alterações na formação inicial, com Bah, António Silva, Barreiro e Lukebakio a substituírem Dedic, Otamendi, Barrenechea e Prestianni.
A contenda arrancou com a equipa da casa a colocar-se na frente. Aos 3', Barbero cabeceou contra o braço de António Silva, dentro da área. Inicialmente, o árbitro assinalou pontapé de canto, mas, por indicação do VAR, José Bessa foi ao monitor rever o lance.
"Após revisão, o jogador número 4 [António Silva] tem o braço numa posição não natural. Decisão final: penálti", anunciou o juiz da partida. Barbero bateu a bola para o lado esquerdo de Trubin – o guardião voou para o lado contrário – e abriu o marcador, já à passagem do 7.º minuto (1-0).
Na resposta, aos 12', Lukebakio bateu um canto à direita para o segundo poste, de forma muito puxada à baliza, e Arruabarrena evitou que Bah cabeceasse de posição privilegiada com um preponderante soco na bola.




Apesar da ação madrugadora, a metade inaugural não teve muita chegada às balizas, e o lance de perigo seguinte surgiu apenas volvidos 20 minutos (32'). Numa jogada em tudo idêntica, Lukebakio, na cobrança de um canto à direita, cruzou para o lado contrário da área, onde, com tudo para marcar, Bah cabeceou muito próximo do poste.
Os arouquenses também tornaram a ameaçar na 1.ª parte, quando, aos 38', à direita, Diogo Monteiro cruzou para o segundo poste, e Barbero cabeceou um pouco ao lado do alvo.
À beira do descanso, no tempo de compensação (45'+4'), Bah lançou a bola na profundidade, Rafa contornou Arruabarrena com um toque de cabeça, mas, de ângulo reduzido, à direita da área, atirou à malha lateral.
Contrariamente, a etapa complementar foi muito mais agitada. Logo aos 47', na recarga de um tiro de Barbero bloqueado por Tomás Araújo, Hyun-ju, na pequena área, disparou ao lado, com a bola a desviar ainda em Bah.
Três minutos depois (50'), na frente oposta, à direita, Lukebakio tabelou com Bah, trabalhou sobre um defesa e rematou cruzado e rasteiro para defesa apertada de Arruabarrena.




No canto consequente, do lado esquerdo, Schjelderup bateu para a pequena área, e Richard Ríos, solto de marcação, bateu o guarda-redes com um cabeceamento potente (1-1), nivelando o resultado.
Os encarnados estavam por cima, e continuavam a rondar as redes adversárias. Aos 57', Rafa serviu Pavlidis, que, à entrada da área, descaído sobre a direita, disparou a rasar o poste mais próximo. No minuto seguinte (58'), Schjelderup fugiu pela esquerda, invadiu a área, fletiu para dentro e rematou rente ao poste direito.
Na sequência de um período de afastamento das balizas, os anfitriões voltaram à carga: Fukui recuperou na frente, subiu pela esquerda e atirou para defesa atenta de Trubin (70'); o mesmo jogador encheu o pé de fora da área para encaixe do internacional ucraniano (70'); e, também de posição exterior, Gozálbez rematou, a bola sofreu um ligeiro desvio em António Silva e saiu um pouco ao lado do poste esquerdo (71').
No 74.º minuto, a equipa técnica benfiquista promoveu 4 substituições, lançando Dedic, Prestianni, Sudakov e Ivanovic para os lugares de Bah, Lukebakio, Rafa e António Silva.
Volvidos 6 minutos (80'), o médio ucraniano bateu um canto à direita para o primeiro poste, e Barreiro correspondeu com um cabeceamento ao lado.
Nas duas derradeiras aproximações do Arouca, Dylan Nandín rematou de forma acrobática para defesa incompleta de Trubin, com Puche a cabecear para as luvas do guarda-redes ucraniano na segunda vaga (82'), e, à direita, Gozálbez cruzou para um cabeceamento ligeiramente desenquadrado de Dylan Nandín (84').




Na última mexida dos encarnados, Anísio Cabral rendeu Schjelderup, aos 85'.
Aproveitando a frescura e irreverência dos suplentes utilizados, o Glorioso, sem nunca perder a crença, pressionou em busca do triunfo, criando múltiplas oportunidades na reta final.
Acabado de entrar, Anísio Cabral cabeceou por cima, em resposta a cruzamento de Sudakov oriundo de um canto à direita, aos 87'. Dois minutos depois (89'), Prestianni entrou na área pela esquerda, a bola saiu prensada num defesa na direção da baliza, e Arruabarrena defendeu caprichosamente com o rosto. Já nos últimos segundos do tempo regulamentar (90'), Sudakov, à esquerda da área, abanou as malhas laterais, com um tiro que ainda foi desviado por um defesa.
No decorrer do tempo de compensação, Anísio Cabral cabeceou para defesa de Arruabarrena, num canto à esquerda de Sudakov (90'+1'), e, posteriormente, à esquerda, o jovem português cruzou largo para o lado oposto, onde Dedic desviou para fora (90'+2').
Deste modo, foi mesmo preciso esperar pelo último dos 6 minutos de tempo extra decretados para o Benfica completar a cambalhota no placar. Barreiro ganhou a bola no meio-campo, conduziu a transição e entregou a Prestianni à esquerda, o qual cruzou para o lado oposto da área, onde Ivanovic – que recebeu o prémio de Man of the Match –, de ângulo reduzido, finalizou de forma colocada, com a bola a beijar o poste esquerdo antes de abanar as redes (1-2) e lançar uma enorme ebulição nas bancadas coloridas de encarnado do Estádio Municipal de Arouca. Fantástico momento benfiquista!
Até ao apito final, Dedic e Trezza ainda acabaram expulsos com cartões vermelhos diretos devido a uma quezília entre ambos.
O próximo desafio do Benfica é às 18h00 de sábado, 21 de março, no Estádio da Luz, contra o Vitória SC, a contar para a 27.ª jornada da Liga Betclic.
SL Benfica
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Avançado já tinha sido decisivo no clássico e ofereceu vitória aos 90+6'. Leandro Barreiro, que marcou contra o FC Porto, esteve na origem do golo da reviravolta. Schjelderup saiu esgotadíssimo, sem mais nada para oferecer, depois de ter oferecido muito.


Melhor em campo — Ivanovic (7)
Tinha dado sinais, no clássico, de que as notícias da morte dele tinham sido, claramente, exageradas. Ofereceu, então, o golo do empate a Leandro Barreiro. Seis dias depois do clássico voltou a ser decisivo, 87 dias depois voltou a marcar pelo Benfica. Gesto técnico de matador — remate cruzado de primeira após centro largo de Prestianni. Estava no sítio certo para fazer o que se pede a um bom avançado. Entrou bem no jogo. Aos 76’ segurou bem uma bola na área, para dar seguimento a lance perigoso. Aos 87’ rematou, mas a bola foi desviada para canto. Há vida, afinal, em Ivanovic e, com isso, continua o Benfica a viver.
Trubin (6) — Quase sem aquecer e já tinha sofrido um golo. Atirou-se para a direita, Barbero rematou para o lado contrário. Aos 39’ apanhou um valente susto — Barbero cabeceou entre Tomás Araújo e Bah e a bola saiu perto do poste direito, ainda se atirou, mas nunca defenderia a bola. Mais em jogo na segunda parte. Aos 48’ desviou para canto um remate de Lee na pequena área, quando todos estavam a ver o segundo golo do Arouca. Aos 82’ defesa difícil, em voo, a travar disparo acrobático de Dylan e, logo de seguida, agarrou cabeceamento fraco de Puche.
Bah (5) — Pareceu soltinho e leve, começou a aparecer no ataque a partir dos 15’. Aos 32’, sozinho na pequena área, no canto mais distante ao canto apontado por Lukebakio, cabeceou ao lado do poste direito, quando deveria ter feito melhor por estar sem oposição. Aos 39’ viu Barbero cabecear com perigo e perto do fim da primeira parte, num passe longo, isolou Rafa. Menos influente e sem fôlego para a segunda parte. Saiu aos 73’.
António Silva (4) — No primeiro minuto, estava a cortar uma bola de cabeça, aos 3’ tentou cortar de cabeça, mas fê-lo com a mão — penálti. Sentiu dificuldades com Barbero, ganhou e perdeu lances, tentou passes longos. Em dificuldades físicas, num passe errado, ofereceu a possibilidade de o Arouca marcar aos 70’. Substituído, insatisfeito, aos 73’.




Tomás Araújo (4) — Barbero também lhe causou problemas, aos 39’ deixou o avançado cabecear com perigo. Aos 85’ também permitiu que Nandín cabeceasse com perigo. Menos eficaz no passe longo, tentou duas finalizações na área, sem sucesso.
Dahl (5) — Mesmo nem tudo saindo bem, foi dos poucos com intensidade de início ao fim. Desequilibrou em três ações ofensivas, embora sem consequências positivas para a equipa.
Richard Ríos (4) — Precipitou-se muitas vezes, a bola parecia queimar quando foi pressionado, tomou muitas decisões más, errou passes, jogou poucas vezes de frente para o adversário, foi incapaz de queimar metros com bola. Andou à procura do lugar dele em campo e também falhou em alguns momentos de pressão e quando teve de aplicar o físico. Estava no sítio certo e cabeceou, sem saltar, para o primeiro golo da equipa, após canto apontado por Schjelderup.
Leandro Barreiro (6) — Foi preciso esperar pelo fim para emergir o melhor do médio luxemburguês — aos 90+6’ ganhou a bola na pressão ao adversário, conduziu-a no meio campo do Arouca e entregou-a a Prestianni, que serviu Ivanovic. Dá sempre tudo do início ao fim, mesmo que o que tenha a dar nem sempre seja ouro.
Lukebakio (5) — Entrou, verdadeiramente, no jogo na segunda parte, depois de 45’ sem fazer a diferença. No segundo tempo, partiu para cima dos adversários, aplicou o drible, foi mais vertical e cruzou com mais perigo. Aos 50’ quase marcou, num disparo cruzado de pé direito na área, defendido por Arruabarrena, depois de deixar um defesa pelo caminho.
Rafa (4) — Aos 45+4, lançado por Bah, tirou Arruabarrena do lance com um toque de cabeça e, de ângulo reduzido, atirou ao lado do poste esquerdo. Também bons lançamentos para Schjelderup (52’) e Pavlidis (57’), em lances ameaçadores de ataque. Foi pouco. Sobretudo porque quase tudo o resto lhe saiu mal.
Schjelderup (6) — Meteu a bola na cabeça de Ríos, na marcação de canto, para o primeiro golo. Aos 58’ quase marcou — arrancou pela direita, tirou Diogo Monteiro da frente e rematou cruzado ao lado do poste esquerdo. Fez mais que isso. Combinou bem com Rafa, Lukebakio, Dahl ou Pavlidis e foi quase sempre a melhor solução para os ataques do Benfica. Saiu esgotadíssimo, sem mais nada para oferecer, depois de ter oferecido muito.
Pavlidis (4) — Mais um jogo infeliz do avançado, que prolonga a seca de golos. Teve, na verdade, apenas uma oportunidade para fazê-lo, mas o disparo, de baixo para cima, na área, saiu bem ao lado da baliza. Longe do jogo na primeira parte, infeliz na segunda, perdeu muitas bolas e não foi a referência que a equipa precisou.
Dedic (3) — Entrou aos 73’, arrancou duas vezes ao estilo dele, definiu mal uma vez, quando não soube a quem entregar a bola depois de criar superioridade. Aos 90+2’ quase finalizou depois de um cruzamento difícil de Anísio Cabral. Borrou a pintura quando viu o vermelho por desentendimento desnecessário com Trezza.
Sudakov (5) — Ainda conseguiu pegar no jogo algumas vezes, quase sempre bem, e aos 90’ rematou com perigo ao lado do poste esquerdo.
Prestianni (7) — Agitado e com genica, começou bem e acabou melhor. Aos 76’ meteu uma boa bola na área para Ivanovic, aos 89’ inventou um lance perigoso pela esquerda, deixou adversários para trás e quase marcou, mas Arruabarrena defendeu com a cara. Aos 90+6’ recebeu a bola de Leandro Barreiro e serviu Ivanovic, na perfeição, para o golo da vitória.
Anísio Cabral (5) — Entrou a cinco minutos do fim e com influência no jogo. Dois cabeceamentos após cantos, um para cima, outro para as mãos de Arruabarrena. Centro da esquerda (um pouco largo) para finalização de Dedic. Aos 90+4 ainda meteu uma boa bola em Pavlidis.
Nuno Paralvas, in a Bola

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