Numa partida da qual saiu com muitas queixas em relação à arbitragem, um Benfica em inferioridade numérica desde os 54' não conseguiu segurar uma vantagem de 0-2 e empatou (2-2) no reduto do Famalicão, na 32.ª jornada da Liga Betclic.
Em inferioridade numérica, o Benfica não conseguiu segurar a vantagem de 0-2 construída na 1.ª parte e trouxe apenas 1 ponto do reduto do Famalicão (2-2), em partida da 32.ª jornada da Liga Betclic disputada neste sábado, 2 de maio, da qual saiu com fortes razões de queixa da arbitragem.
As águias apresentaram-se em campo com um onze com quatro alterações relativamente à vitória sobre o Moreirense (4-1), da jornada transata: Dedic, Prestianni, Schjelderup e Ivanovic renderam Bah, Lukebakio, Rafa e Pavlidis e alinharam ao lado de Trubin, António Silva, Otamendi, Dahl, Aursnes, Richard Ríos e Barreiro.
Desde o apito inicial, o Benfica dominou o jogo a seu bel-prazer, condicionando a saída de bola do Famalicão e criando perigo com um futebol envolvente.
Aos 8', os encarnados chegaram a balançar as redes por Ivanovic, mas o golo foi prontamente anulado pelo auxiliar: as linhas traçadas pelo VAR confirmaram um adiantamento de 50 centímetros do internacional croata relativamente ao penúltimo defensor.
As atenções voltaram a centrar-se na área do Famalicão, aos 10'. Ivanovic chegou primeiro à bola do que Realpe e foi pontapeado no pé de apoio pelo equatoriano. Numa primeira instância, o árbitro mandou seguir o jogo, mas, alertado pelo VAR, foi rever as imagens e assinalou penálti a favor do Benfica. Na conversão, Schjelderup desferiu um potente remate para o lado esquerdo, Carevic ainda tocou na bola, mas não evitou que esta seguisse o caminho das redes.
Instalada no meio-campo adversário, a formação orientada por José Mourinho continuou a carregar em busca de ampliar a vantagem.
Com naturalidade face à superioridade demonstrada no jogo, o 0-2 chegou aos 20'. Após uma prolongada troca de bola, Schjelderup partiu do lado esquerdo, serpenteou com classe por entre a defesa adversária e fez o cruzamento atrasado para Richard Ríos. Com tranquilidade, o colombiano fez o domínio, puxou a bola para o pé direito e visou a baliza, com o disparo ainda a sofrer um desvio em Realpe antes de entrar na baliza.
Logo no ataque seguinte (21'), o Benfica esteve muito perto do 0-3. Ivanovic aproveitou uma má abordagem de Realpe na zona do meio-campo, ultrapassou Justin de Haas e seguiu isolado na direção da baliza. Perante a mancha de Carevic, o avançado picou a bola, mas Justin de Haas recuperou posição e impediu que a bola seguisse na direção da baliza deserta.
Incapaz de responder, o Famalicão ficou à mercê de mais investidas das águias e, aos 31', surgiu um dos lances capitais do encontro. Em mais uma arrancada pelo lado esquerdo, Schjelderup entrou na área e o seu disparo embateu no braço esticado de Rodrigo Pinheiro. Contudo, o árbitro nada assinalou, e o VAR não deu indicação para ir ao monitor rever o lance. Penálti claro a favor do Benfica, que ficou por assinalar.
Aos 42', o Famalicão acertou o seu primeiro remate enquadrado da partida. Trubin afastou a punhos o cruzamento de Gil Dias e a bola voltou para o pé esquerdo do avançado, que rematou de longe para uma defesa segura do guarda-redes do Benfica.
Antes do intervalo, aos 45'+1', o 0-3 ficou à distância de centímetros. Ivanovic recebeu o esférico no lado esquerdo, cortou para dentro e, da extremidade da área, disparou forte em arco a rasar o poste direito da baliza famalicense.
A 2.ª parte iniciou-se na mesma toada da 1.ª, com o Benfica a dominar com bola e o Famalicão longe da baliza à guarda de Trubin.
No entanto, aos 54', o jogo sofreu uma reviravolta. Após uma entrada sobre Mathias de Amorim, Otamendi foi admoestado com um cartão amarelo, mas, alertado pelo VAR, Gustavo Correia foi rever as imagens. Na sua decisão final, cancelou o amarelo e expulsou o capitão das águias com um cartão vermelho direto por "falta grosseira".
Em inferioridade numérica, José Mourinho compôs o setor defensivo com a entrada de Barrenechea para o lugar de Prestianni, aos 57'. No lance seguinte, já aos 58', Gustavo Sá surgiu isolado na pequena área e cabeceou para fora.
Na sequência de uma paragem de cerca de 4 minutos para a troca de um dos auxiliares pelo 4.º árbitro, devido a lesão, os anfitriões reduziram (1-2). Realpe fez o passe longo para o lado esquerdo, Mathias de Amorim fez a receção orientada e rematou rasteiro. A bola sofreu um ligeiro desvio em Dedic e traiu Trubin.
Galvanizado pelo golo, o Famalicão partiu para o ataque e José Mourinho voltou a mexer, lançando Bah para o lugar de Schjelderup, aos 72'.
Aos 78', novo erro de arbitragem com impacto no resultado. Van de Looi arriscou o remate de longe e a bola saiu diretamente pela linha de fundo. Todavia, Gustavo Correia considerou que o esférico desviou em Richard Ríos e assinalou um pontapé de canto inexistente. Desse mesmo canto, resultou o 2-2: Mathias de Amorim cruzou para a boca da baliza e Umar Abubakar antecipou-se a Trubin para marcar. O lance ainda esteve em análise pelo VAR por eventual posição irregular do avançado do Famalicão, mas o golo acabou mesmo confirmado.
De seguida, José Mourinho tentou refrescar o ataque com a entrada de Rafa por Ivanovic (85') e o camisola 27 encarnado testou a pontaria logo aos 87'. O seu remate de primeira embateu na muralha defensiva dos minhotos quando se dirigia para a baliza.
A chegada dos 90 minutos regulamentares trouxe consigo a decisão do árbitro de dar... 15 minutos de tempo adicional.
Tentando recuperar a vantagem nas bolas paradas, o Benfica dispôs da sua última oportunidade para marcar aos 90'+3'. Após um lançamento lateral, Richard Ríos dominou a bola com o peito junto à linha de fundo e, de ângulo muito difícil, levou o esférico a rasar a quina da baliza.
Até ao apito final, foi o Famalicão a criar perigo: aos 90'+10', Rodrigo Pinheiro encheu o pé e acertou na barra. No ressalto, a bola ainda tocou em Trubin e saiu pela linha de fundo.
Na próxima jornada da Liga Betclic (33.ª), o Benfica enfrenta o SC Braga. O jogo vai decorrer no Estádio da Luz, em data e hora a definir.
SL Benfica
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Com a expulsão de Otamendi 'acabou' o jogo dominado pelo Benfica e 'começou' a outra partida da tarde em Famalicão, com os encarnados a permitirem o empate, mas a segurarem o segundo lugar
A figura: Schjelderup (7)
Continua num excelente momento. Mostrou-se inspirado desde o início, tornando a vida de Rodrigo Pinheiro um pequeno pesadelo do ponto de vista defensivo. Ao primeiro minuto já estava a cometer uma falta sobre o norueguês, aos 17 poderia mesmo ter visto cartão amarelo por nova jogada dura. Depois de ser decisivo em Alvalade, Schjedelrup voltou a marcar de penálti, embora Carevic tenha ficado perto de o defender, e pouco depois inventou mais uma boa jogada para o golo de Richard Ríos. Até ao momento de viragem do jogo — a expulsão de Otamendi — continuou a ser o mais perigoso dos encarnados, tendo estado envolvido em jogadas de possível ampliação da vantagem. Já depois de o capitão ver o vermelho e o Famalicão reduzir, foi sacrificado para a entrada de Bah.
5 Trubin — Tocou pela primeira vez na bola aos 14 minutos e na primeira parte só teve de sair a um cruzamento e defender um remate fraquinho na recarga. Nada a fazer no primeiro golo famalicense, mas no segundo fica a sensação de que poderia ter sido mais lesto a sair na direção de Abubakar. No tremendo remate de Rodrigo Pinheiro aos 90+10 minutos quase foi rei da infelicidade, mas a bola que tabelou nas pernas dele saiu para canto.
6 Dedic — Exibição em crescendo, que terminou com esgotamento físico pelo que trabalhou. Uma ou outra distração não lhe retiram a nota positiva. E muito menos o infortúnio de a bola ter batido nele após o remate de Mathias de Amorim para o 1-2. Subiu para médio direito com a entrada de Bah.
6 António Silva — Seguro durante todo o jogo, sobretudo na fase em que a equipa recuou e por isso a bola passou a estar muito mais vezes na sua zona de ação. Nota alta para uma interceção, à meia hora de jogo, a um passe de Gustavo Sá que prometia perigos.
3 Otamendi — Incompreensível como um jogador com a experiência de Otamendi se coloca a jeito para uma expulsão-VAR que, na verdade, dada a repetição deste tipo de lances em vários jogos, só peca por acontecer poucas vezes. Pisar ostensivamente o tornozelo de um jogador que tem o pé apoiado é grosseiro. E feio. Ainda por cima em lance absolutamente inofensivo. Uma precipitação que esteve na base de dois pontos perdidos, apesar de o ponto conquistado saber a vitória.
5 Dahl — Pouco exuberante e com uma ou outra desatenção que poderia ter custado mais caro, nomeadamente quando ficou especado a ver Gustavo Sá antecipar-se-lhe e cabecear ao lado quando tinha tudo para marcar, logo ali a seguir à saída de Otamendi.
6 Ríos — Na fase normal do Benfica esteve quase sempre colado à linha de jogadores que apoiavam Ivanovic, e assim surgiu em boa posição para marcar o 2-0. Mas também apareceu a defender, com corte de luxo sobre Gustavo Sá aos 28 minutos. Importante na pressão encarnada sobre a saída de bola minhota.
7 Aursnes — O senhor das transições. Recuava para junto dos centrais nas saídas para o ataque e depois lá aplicava aqueles passes de filigrana para os extremos, sobretudo Schjelderup. É o homem dos equilíbrios e aparece em quase todos os bons momentos da equipa, que ontem teve muitos até à expulsão. Depois também vestiu o fato-macaco, obviamente.
5 Prestianni — Exibição meio-discreta, ainda que com bons apontamentos. Andou mais vezes pelo meio que pela direita, dada a inclinação natural do Benfica para o lado de Schelderup e a tentativa de dar corredor a Dedic. Escolha natural para o sacrifício quando Otamendi viu vermelho, a fim de entrar Barrenechea.
6 Leandro Barreiro — Esteve apagado na fase boa da equipa, mas revelou-se importantíssimo na hora de recuar linhas e não perder o jogo. É certo que Mathias ganhou sobre ele no 1-2, mas quer à direita, quer depois à esquerda foi determinante nos equilíbrios exigidos.
7 Ivanovic — Início tremendo, altamente pressionante e a não deixar os famalicenses construirem a partir de trás. Sofreu o penálti do 1-0 e aos 21 minutos quase fazia o 3-0 com toque sublime da bola sobre Carevic, que depois Justin de Haas conseguiu cortar.
4 Barrenechea — Entrou para terrenos estranhos, no centro da defesa, e fica com o pecado de ter deixado Abubakar caminhar sozinho para o golo do empate.
6 Bah — Ajudou na fase difícil, compensando algum cansaço de Dedic e conseguindo, até, esticar a equipa para a frente em duas ou três ocasiões.
5 Rafa — Entrou para impor algum respeito ao Famalicão e lutou o que pôde. Aos 87 minutos sacudiu a pressão com um remate forte que deu canto a favor do Benfica e permitiu à equipa respirar após minutos bem difíceis.
Alexandre Pereira, in a Bola






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