segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O VISIONÁRIO




 


No livro “A descoberta guiada” de Luís Lourenço, José Mourinho aponta: “Jogadores com este nível não aceitam o que lhes é dito apenas pela autoridade de quem o diz. É preciso provar-lhes que estamos certos. A velha história do mister ter sempre razão não é aqui aplicável. (...) O trabalho tático que promovo não é um trabalho em que de um lado está o emissor e do outro o recetor. Eu chamo-lhe a descoberta guiada, ou seja, eles descobrem segundo as minhas pistas. Construo situações de treino para os levar por um determinado caminho. Eles começam a sentir isso, falamos, discutimos e chegamos a conclusões. Mas para tal, é preciso que os futebolistas que treinamos tenham opiniões próprias. Muitas vezes parava o treino e perguntava-lhes o que eles sentiam em determinado momento. Respondiam-me, por exemplo, que sentiam o defesa direito muito longe do defesa central. Ok, vamos então aproximar os dois defesas e ver como funciona. E experimentávamos, uma, duas, três vezes, até lhes voltar a perguntar como se sentiam. Era assim até todos, em conjunto, chegarmos a uma conclusão. É a esta metodologia que chamo a descoberta guiada”. O respeitável Manuel Sérgio, quando professor do special one, na Faculdade de Motricidade Humana, tinha o hábito, de no fim da cada aula, perguntar aos alunos o que queriam fazer no futuro. Chegou o dia de Mourinho, com a segurança que o caracteriza, respondeu: “treinador de futebol”. Manuel Sérgio, achou alguma piada à sua resposta e à forma como o fez e respondeu-lhe, rapidamente, com uma frase que acabou por marcar o treinador português: “Não se esqueça que para saber de futebol tem que se saber mais que de futebol”. O treinador português costuma dizer que este fez a cabeça dele, o professor catedrático conta: “Eu dava aulas de Filosofia das Atividades Corporais em 1981 e ele foi meu aluno. Na época diziam: para ter saúde, corra! Então eu falava que o professor de educação física é um especialista em humanidade. Até hoje o Mourinho diz que eu fiz a cabeça dele. Mostrei que não é só o corpo que está em questão, é a mente. Isso mexeu com ele. Mas eu nunca lhe ensinei futebol.” Para mim, é isto que distingue Mourinho de tudo e de todos. A sua metodologia visionária, a preocupação primordial com a pessoa e não com o atleta, a liderança natural, a genuinidade, a humildade e a sinceridade. Afinal, como diria o carismático professor da FMH: “É a pessoa que se é que triunfa no treinador que se pode ser”. José Mourinho, está sempre um passo a frente. Subiu a punho na vida, é um líder e um vencedor nato, um satisfeito insatisfeito. Em suma, “O líder é o que guia não o que impõe”,pois,"Não me procurarias, se não me tivesses já encontrado".

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