terça-feira, 30 de junho de 2026
#AndebolBenficaFem | Obrigado, Luís Monteiro
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DAZN F1 - A Red Bull não quis ganhar o Grande Prémio?
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Benfica campeão: está a nascer uma hegemonia? | 5 PARA 4
UM BIS DE ALMA E CORAÇÃO
Na negra da final do play-off da Liga Placard, o Inferno da Luz empurrou o Benfica a uma vitória sobre o Sporting, por 4-3, e à conquista de um Bicampeonato que é de todos.
Bicampeões nacionais! O Benfica venceu neste domingo, 28 de junho, o Sporting por 4-3 no jogo 5 da final do play-off da Liga Placard e juntou o 10.º título do seu palmarés aos troféus da Taça de Portugal e da Taça da Liga.
No tudo ou nada pela decisão do campeonato, fez-se jus à expressão "Só há um Benfica". Num Pavilhão Fidelidade que acolheu 2319 espectadores – entre eles o Presidente Rui Costa – jogadores da equipa de futebol profissional e de outras modalidades do Clube juntaram-se no apoio ao Glorioso nas bancadas.
Com André Correia, Diogo Almeida, Peléh e Raúl Moreira de fora por opção, as águias entraram no dérbi com enorme determinação e o minuto 7 foi palco das primeiras emoções fortes.
Léo Gugiel abriu as hostilidades com um incrível remate que fez a bola alojar-se no ângulo superior esquerdo da baliza do Sporting. Um golaço do guarda-redes do Benfica na génese do 1-0.
Segundos depois, surgiu o 2-0. Após uma reposição de bola de Arthur, André Coelho disparou de longe e o esférico atravessou uma floresta de pernas até anichar-se na baliza.
Em êxtase, o público esteve perto de festejar o 3-0 na jogada seguinte. Kutchy roubou a bola a um adversário, mas, isolado, atirou às malhas laterais.
Aos 8', o Sporting respondeu, mas André Coelho evitou males maiores com um corte em cima da linha de golo. Na sequência, Léo Gugiel cresceu na baliza para travar dois remates seguidos de Tomás Paçó à queima-roupa.
Apanhado no ritmo frenético do dérbi, o Benfica chegou às 5 faltas logo aos 9'. Com muito tempo para jogar até ao intervalo, a 6.ª infração acabou por chegar aos 12': após reverem as imagens, os árbitros detetaram uma infração de Diego Nunes. Tomás Paçó avançou para a cobrança, mas esbarrou em Diogo Carrera, que tinha sido lançado na baliza para o lance de bola parada.
No entanto, aos 15', os leões acabaram mesmo por reduzir (2-1). Allan Guilherme fez a parede e tocou para Tomás Paçó, que desviou a bola de Léo Gugiel.
Com 23 segundos para o intervalo, nova oportunidade para o Sporting. Alex Merlim desarmou Diego Nunes no meio-campo e serviu Allan Guilherme, que não conseguiu bater a oposição de Léo Gugiel.
A primeira oportunidade da 2.ª parte foi para o Benfica. Carlos Monteiro recuperou a bola no meio-campo leonino e tocou-a para Higor que, só com Bernardo Paçó pela frente, atirou por cima, aos 25'.
Estava dado o mote para minutos de loucura no dérbi. Aos 26', Diogo Santos aproveitou um ressalto na área encarnada e, à meia-volta, fez o 2-2.
A resposta dos encarnados foi imediata. Pany Varela rompeu pela esquerda e cruzou atrasado. Diego Nunes rematou para defesa incompleta de Bernardo Paçó. Na recarga, Silvestre não perdoou e recolocou as águias em vantagem.
Mas, aos 27', o Sporting restabeleceu a igualdade. Tomás Paçó recebeu a bola à entrada da área, rodou sobre Afonso Jesus e disparou forte para o 3-3.
O momento definidor do bicampeonato nacional chegou aos 31'. Diego Nunes trabalhou bem pelo lado direito, fintou Felipe Valério e foi carregado em falta no interior da área leonina. Penálti a favor do Benfica e Kutchy assumiu a responsabilidade: atirou colocado junto ao poste esquerdo e marcou o 4-3.
Aos 36', Léo Gugiel afastou um remate de Wesley para o poste e, aos 38', Alex Merlim foi lançado como guarda-redes avançado no 5 para 4 do Sporting.
Nos derradeiros segundos da partida, Léo Gugiel segurou a vantagem com uma grande defesa e, na sequência, Arthur não conseguiu acertar na baliza vazia.
Logo de seguida, o Benfica recuperou a bola e Tomás Paçó viu o cartão vermelho após rasteirar Jacaré pelas costas. O lance ainda foi alvo de revisão no suporte vídeo, mas a dupla de arbitragem manteve a decisão.
O soar da buzina lançou o Pavilhão Fidelidade para minutos de autêntica loucura. Quando se entoava o "Ser Benfiquista", o público invadiu o campo e engoliu os jogadores em fervorosos festejos. Benfiquismo no seu mais puro estado a pulsar em toda a quadra, num quadro de enorme comunhão entre toda a família encarnada.
Posteriormente, os jogadores encarnados recolheram ao balneário e foram chamados um a um até ao palanque. Unidos e rodeados de familiares, ergueram o troféu da Liga Placard e tiveram direito a uma sonora ovação dos adeptos, que, uma vez mais, desempenharam um papel fulcral na conquista de mais um título.
No cair do pano da comemoração, ainda houve tempo para a entrega do prémio de Melhor Guarda-Redes da final a Léo Gugiel e para uma homenagem a Jacaré, que encerrou a sua passagem pelo Clube com chave de ouro.
DECLARAÇÕES
Cassiano Klein (treinador do Benfica): "Primeiro, agradecer muito aos adeptos pelo carinho que nós estamos a receber deles. Está a ser incrível, é uma sinergia. Hoje, conseguimos o bicampeonato aqui dentro, a sentir esse carinho e estamos aqui a dividir essa alegria. É algo muito marcante para nós. [Entrada dos Benfiquistas na quadra] É o amor, é a paixão que eles nos conseguem transmitir. E onde sinto mais isso é quando vamos jogar fora de casa. Mesmo que os adeptos da equipa da casa os queiram abafar, eles não se entregam, estão nos 40 minutos. São o maior exemplo para nós, um exemplo de persistência, de consistência. Nós usamos muito isso: se eles não se entregam, nós também não nos podemos entregar. E hoje sentimos essa sinergia de todos aqui. É algo que, realmente, eleva o nível da equipa. Nós fizemos um grande jogo. Muito obrigado pelo carinho."
SL Benfica
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Uma final de loucos e as águias na frente | 5 PARA 4
MAIS PERTO DO TÍTULO
Que dérbi! No jogo 3 da final do play-off da Liga Placard, neste domingo, 21 de junho, o Benfica venceu o Sporting após desempate nas grandes penalidades (8-7), isto depois de uma igualdade no tempo regulamentar (4-4) e no prolongamento (5-5). Que noite no Pavilhão Fidelidade! Prevaleceu a alma do Glorioso!
Com a série empatada (1-1), as águias, sempre muito apoiadas pelos Benfiquistas, procuraram o golo num dérbi que começou com ritmo intenso.
Com diversos remates na fase inicial, Tomás Paçó atirou à base do poste esquerdo, aos 2'. De imediato, o Benfica respondeu com dois disparos consecutivos que ameaçaram a baliza leonina.
Cassiano Klein promoveu o regresso de André Coelho, optando por deixar André Correia, Peléh, Tchuda e Raúl Moreira de fora.
Além do Presidente Rui Costa, também os futebolistas António Silva e Samuel Soares marcaram presença no pavilhão. Na quadra, as estruturas defensivas de ambos os contendores mostraram organização, mas, aos 7', o Benfica dispôs de uma soberana ocasião. André Coelho abriu para Arthur, que, sem oposição, rematou de pé esquerdo. Bernardo Paçó defendeu.
Aos 11', num livre a castigar falta sobre Kutchy, uma jogada ensaiada ditou o 1-0. O Benfica baralhou os visitantes quanto ao marcador da bola parada e Diego Nunes passou para André Coelho que rematou de primeira ao ângulo. Que momento!
Poucos segundos depois, também de livre, Tomás Paçó ameaçou e Léo Gugiel disse presente.
O dérbi estava frenético e num lance a que habituou os Benfiquistas, o guarda-redes encarnado subiu no terreno e atirou rente ao poste direito.
Em mais uma bola parada, o campeão nacional chegou ao 2.º tento. Em relação ao 1-0, os papéis inverteram-se: André Coelho colocou a bola ao segundo poste, onde Diego Nunes, sem marcação, encostou para o fundo das redes (2-0, aos 12').
Os verdes e brancos reagiram e Merlim, na sequência de uma reposição lateral, reduziu, aos 13'.
O Benfica manteve o ímpeto e foi mais rematador. Porém, numa transição rápida, Felipe Valério atirou à trave, aos 15'.
Num dérbi empolgante, num erro dos leões, Carlos Monteiro recuperou a bola, progrediu e aumentou a contagem (3-1, aos 16'), celebrando com os adeptos.
No entanto, os visitantes reduziram por intermédio de Pauleta, que fez o 3-2, aos 18', após assistência de Felipe Valério, que cruzou a partir da esquerda.
Eletrizante, o jogo que contou com 2159 adeptos prometia mais remates certeiros e logo de seguida André Coelho fez estremecer a barra.
Num encontro em que os Matinados foram o Match Day Sponsor, ao intervalo, período no qual a equipa Sub-17 de futsal encarnada foi homenageada pela conquista do Campeonato Nacional, o Benfica estava na frente: 3-2.
No reatar do jogo, logo aos 22', num contra-ataque conduzido por Silvestre e por Arthur, o internacional canarinho finalizou e Bernardo Paçó negou-lhe o golo.
Com ascendente em quadra, os encarnados tentaram ampliar. Aos 25', Afonso Jesus e Carlos Monteiro não conseguiram superar o guarda-redes leonino.
Depois, Higor desperdiçou mais uma ocasião junto da baliza adversária, aos 29'. Do outro lado, o Sporting tentava ultrapassar a boa organização defensiva encarnada, sem sucesso.
Já o Benfica, acutilante, conseguiu criar bastas oportunidades para dilatar o marcador, errando o alvo ou esbarrando na eficiência do guardião oponente.
Nada estava decidido e das poucas vezes que houve espaços para os verdes e brancos, Léo Gugiel correspondeu.
Até que, num erro de Bernardo Paçó, subido no terreno, as águias recuperaram o esférico e Carlos Monteiro assistiu André Coelho, que bisou no dérbi (4-2, aos 34').
Ainda no mesmo minuto, o Sporting, muito eficaz, aproximou-se. Pauleta faturou e colocou o score em 4-3. Aos 36', o mesmo jogador igualou.
Zicky ameaçou aos 38' e Léo Gugiel negou o golo. Cumprido o tempo regulamentar, o dérbi avançou para prolongamento (4-4).
No tempo extra, uma defesa de Léo Gugiel projetou as águias para uma transição rápida e conclusão perfeita de Higor! Benfica em vantagem mais uma vez, aos 43'.
Com ambas as formações com cinco faltas, a primeira metade do prolongamento terminou com 5-4 favorável ao Glorioso.
Num ambiente extraordinário, nos cinco minutos seguintes, com o Sporting em 5x4 (Merlim como guarda-redes avançado), o Benfica defendeu bem e Léo Gugiel também tapou a baliza nos dois disparos mais perigosos por parte dos visitantes. A 29 segundos do final, a equipa leonina dispôs de um livre de 10 metros devido à sexta falta das águias. Tomás Paçó bateu e marcou com Diogo Carrera na baliza (5-5).
Até ao final, Lúcio Rocha ainda rematou, mas Bernardo Paçó defendeu. A decisão estava reservada para as grandes penalidades. Na baliza encarnada, Diogo Carrera foi a opção nos 3 primeiros castigos máximos.
Na série de cinco, André Coelho, Kutchy, Silvestre e Higor marcaram, enquanto Afonso Jesus não converteu. Do outro lado, Diogo Carrera defendeu o 5.º penálti, apontado por Merlim. Depois, na morte súbita, Carlos Monteiro, Diego Nunes, Jacaré e Pany Varela não vacilaram. Diogo Carrera parou a tentativa de Zicky e o Benfica ganhou por 8-7.
Com este triunfo, as águias estão a uma vitória da revalidação do título. Vencendo na quinta-feira, 25 de junho, no Pavilhão João Rocha, no 4.º desafio da final, agendado para as 20h30, o objetivo será cumprido.
DECLARAÇÕES
Cassiano Klein (treinador do Benfica): "É um jogo muito dinâmico. As emoções no desporto atrapalham. Tínhamos um trabalho para fazer, que era vir aqui e vencer o jogo, tínhamos de nos focar somente nisso. Os golos acontecem para um e para o outro. As tomadas de decisões equivocadas acontecem e eu vejo que fomos uma equipa muito consistente. Lutámos muito e essa sinergia dos nossos adeptos é fascinante, é fascinante. Houve um momento em que a nossa equipa estava muito desgastada e, sem dúvida nenhuma que esse carinho, essa alma que eles colocam aqui no pavilhão, nos ajudou muito. Temos uma competição ainda em andamento e esperamos recuperar agora para fazermos um grande jogo na próxima partida. [Prejudicados por não serem eficazes?] É um jogo muito rápido, muito dinâmico. É sempre desafiante para as equipas, para todos. Neste jogo, onde se procura ter vantagem em qualquer momento, em cada oportunidade tem de se acreditar. E hoje, nos dois primeiros golos, conseguimos uma vantagem que, com certeza, nos manteve vivos na partida. Feliz pelos jogadores, porque foram eles que tiveram a competência. Porque uma coisa é pensar, outra coisa é executar. Naquele momento, eles foram muito eficientes e conseguimos o resultado graças a essas situações e a outros comportamentos que tivemos. Há coisas muito ricas numa equipa. Por exemplo, o André Correia não foi chamado para nenhum jogo da reta final e foi um dos que mais nos ajudou agora, passando a mensagem para o Carrera. Nessas coisas, eu vejo que é isso que vale uma equipa. Todos a ajudar, todos a contribuir. Os outros jogadores que também não estavam passaram uma sinergia muito grande. Mas o André Correia, que não conseguiu jogar, e a maneira como ele encarou, emocionado no final, pela alegria do Carrera, realmente é algo que nos orgulha bastante. [Importância de ter dois match points para ser campeão] A reta final é importante, mas, durante a época, trabalha-se muita coisa. E é ali, longe dos holofotes, que muitas coisas acontecem. Claro que agora é um momento muito da superação também, e entra a questão mental. Ter um grupo onde se consiga ter mais jogadores para se dividir essa carga, é muito importante. E nestes dois próximos jogos, acredito que a equipa que vai conseguir surpreender a outra, é aquela que chegar com energia para jogar estes grandes jogos. [O apoio das bancadas] Só quem veste esta camisola pode entender o sentimento, não é simples. Isso mexe sempre muito comigo, porque quando fazemos uma coisa que amamos, como eles aqui, eles amam isto aqui, isto aqui para eles é tudo. E nós sentimos isso no campo, isso é que é o mais fantástico. Eles conseguem passar essa sinergia para nós e essa unificação de campo com as bancadas, com certeza, é algo a mais para nós. Espero contar ainda, neste próximo jogo, que eles [os adeptos] vão lá ajudar-nos muito."
Léo Gugiel (guarda-redes do Benfica): "Costumo dizer que isto é o Benfica. Além de qualidade técnica e de esforço, nós temos de deixar sempre a alma em campo. Refletimos muito nos últimos dias, o que faltou muito no segundo jogo lá, e hoje a nossa postura, o mínimo que tinha de ser era lutar até ao último milésimo de segundo, foi isso que fizemos e fomos recompensados com uma grande vitória nos penáltis. Penso que se calhar devia ter sido no tempo normal, não aconteceu, erguemos a cabeça, fomos muito fortes mentalmente, muita resiliência entre todos nós, e fomos coroados com uma grande vitória nas penalidades, o que nos deixa muito fortes para o próximo jogo, porque, afinal de contas, ainda nos falta uma vitória, então, há que ter os pés bem assentes na terra, porque vai ser uma grande luta na quinta-feira. Trabalhámos fortes o ano inteiro, agora não é momento para tranquilidade, é sempre estar em alerta, mesmo depois desta vitória. No ano passado nós estávamos a perder por 2-1 a série final, conseguimos fazer uma remontada, então isso serve de alerta agora para o nosso lado. Estamos no match point, mas temos de estar muito concentrados, muito focados para ir com tudo no próximo jogo, para deixar tudo em campo. No final, quem sabe já saia com o título de campeão. E agora falando do público, agradecer a todos os que vieram, foi uma festa incrível. Espero que estejam juntos connosco até ao final porque nós vamos dar tudo por eles também."
SL Benfica
segunda-feira, 22 de junho de 2026
BOLA AO CENTRO (T3)- Ep. 207: UMA EPOCA EM PREPARAÇÃO!!! 🦅🔴
Benfica resiste a assédio turco e segura Pavlidis | MERCADO FLASH
domingo, 21 de junho de 2026
CASSIANO KLEIN E A CORAGEM DE MEXER NO QUE PARECIA DEFINIDO
Quando um treinador chega a um grande, sobretudo a um grande que vive há anos à sombra de uma hegemonia rival, não lhe basta treinar bem. Tem de convencer. Tem de mexer em hábitos instalados. Tem de tocar no orgulho do balneário sem o ferir. E, acima de tudo, tem de ganhar.
Cassiano Klein chegou ao Benfica com esse peso às costas e respondeu da melhor forma possível: conquistou o campeonato nacional e juntou-lhe ainda a Taça da Liga logo na primeira época. Na presente temporada voltou a deixar a sua marca ao conquistar a Taça de Portugal e continua na luta pela Liga Placard, numa final de play-off frente ao Sporting, que regista, para já, uma igualdade a um jogo.
Só isso já justificaria o reconhecimento. Mas o caso de Cassiano Klein merece uma análise mais profunda do que aquela que os títulos, por si só, permitem.
O Benfica precisava de um abanão. Não apenas tático, mas emocional. Precisava de recuperar a convicção de que podia voltar a discutir o poder no futsal português sem entrar em campo com a sensação de ter sempre algo a provar. E foi precisamente isso que Cassiano trouxe: devolveu competitividade, retirou peso mental e reintroduziu uma ideia fundamental nas equipas vencedoras: os jogos grandes não são um problema, são uma oportunidade.
No futsal moderno, como disse Ricardinho:
− Um treinador não muda apenas a tática, muda a mentalidade da equipa.
É precisamente nessa dimensão que identifico o maior impacto de Cassiano Klein. O Benfica não mudou apenas na organização do jogo; mudou na forma como compete, reage à pressão e enfrenta os momentos decisivos. Curiosamente, o próprio treinador brasileiro rejeita a ideia de transformação imediata baseada apenas no discurso. Para Cassiano, tudo começa na confiança humana:
− A confiança nasce de uma escolha de ser leal e procurar ajudar as pessoas no momento em que mais precisam. No desporto e na vida, é muito fácil ter pessoas próximas nas horas boas. Mas é quando as coisas ficam difíceis que percebemos em quem podemos confiar.
Penso que foi precisamente essa visão que esteve na base de uma das decisões mais inteligentes da sua chegada ao Benfica: entrar no balneário sem ideias pré-concebidas nem preconceitos sobre o grupo que encontrou. Assumiu-me:
− Ouvi muitas coisas negativas e positivas sobre este grupo, mas preferi fazer a minha própria análise. O que todos vimos foi a grandeza deste grupo. Tenho muita gratidão e orgulho em dividir o balneário com eles.
Mas importa sublinhar algo essencial: nenhum treinador transforma uma realidade sozinho. O sucesso de Cassiano Klein nasce também de um alinhamento coletivo que importa valorizar. Desde logo, da sua equipa técnica. No futsal, o trabalho há muito deixou de pertencer apenas ao treinador principal. A preparação física, a análise de adversários, o treino específico e o detalhe estratégico resultam de uma estrutura, de uma equipa multidisciplinar. Quando existe alinhamento na ideia e na metodologia, o treinador ganha consistência e a equipa ganha identidade.
Depois há a própria estrutura do clube. O Benfica continua a ser uma organização sólida no futsal, com estabilidade, exigência e condições de trabalho de topo no futsal mundial. Quando um treinador encontra um contexto que acredita no projeto e lhe oferece suporte para implementar ideias, as probabilidades de crescimento aumentam significativamente.
E depois há os jogadores. São eles que transformam conceitos em realidade dentro de campo. São eles que executam, competem, assumem riscos, tomam decisões e resolvem jogos. Cassiano define essa ideia de forma particularmente interessante:
− Ninguém consegue vencer sozinho um jogo. É impossível um jogador ganhar a cinco adversários. Tudo o que falamos e treinamos é sobre ligação na defesa e no ataque. Isso é inegociável.
Essa noção coletiva acabou por se tornar uma das marcas mais evidentes deste Benfica. Uma equipa mais agressiva sem bola, emocionalmente mais disponível para competir e muito mais intensa nos momentos de pressão. O próprio treinador admite que essa mudança foi construída diariamente:
− Fomos desafiando os jogadores a fazer coisas diferentes. A ser mais agressivos defensivamente e melhores sem bola. E criámos uma competição muito forte nos treinos, porque é aí que vejo acontecer grande parte do crescimento das equipas.
Nesse contexto, faz todo o sentido recordar uma ideia frequentemente defendida por Jorge Braz:
− As grandes equipas não são apenas talento. São compromisso diário.
Esse compromisso, que é construído no treino, na exigência e na cultura competitiva, parece hoje uma das imagens de marca da equipa encarnada.
Também André Lima já destacou várias vezes aquilo que muitos treinadores brasileiros acrescentam ao futsal europeu:
− Os treinadores brasileiros trazem intensidade, exigência e uma cultura de treino muito forte.
E esse perfil encaixa claramente naquilo que Cassiano Klein tem vindo a demonstrar: intensidade competitiva, exigência permanente e coragem para mexer em zonas de conforto. Curiosamente, quando questionado sobre as diferenças entre o futsal brasileiro e o português, Cassiano evita comparações simplistas:
− Não vejo muitas diferenças. São dois países fortíssimos na modalidade. Portugal tem enorme riqueza tática e competir nestas duas ligas é uma grande aprendizagem.
Talvez seja por essa visão que se explique, também, a facilidade com que se adaptou ao contexto competitivo português.
Há ainda um fator impossível de ignorar: os adeptos. O futsal do Benfica vive muito da energia emocional das bancadas. Nos jogos grandes, nos momentos difíceis e nas fases decisivas, esse apoio transforma-se numa força competitiva real. Quando treinador, jogadores, estrutura e adeptos caminham na mesma direção, cria-se algo difícil de travar. E talvez aqui esteja outra das ideias mais fortes deixadas por Cassiano Klein. Ao contrário da obsessão moderna pelo jogo do fim de semana, o treinador brasileiro coloca o foco quase exclusivamente no processo:
− Não penso nos jogos. Penso no treino seguinte. Toda a gente quer vencer competições, mas o verdadeiro desafio é levantar-se todos os dias depois das derrotas e continuar. O que vejo nos vencedores é que continuam independentemente do que acontece.
Treinadores que passam sem deixar marca raramente geram debate. Já aqueles que alteram dinâmicas e desafiam rotinas tendem sempre a dividir opiniões. No caso de Cassiano Klein, parece evidente que estamos perante um treinador que não passa despercebido. Possivelmente é por isso o seu nome comece já a surgir entre os treinadores mais reconhecidos do futsal internacional, não apenas pelos títulos conquistados, mas pela forma como conseguiu alterar o estado competitivo de uma equipa.
Joel Rocha disse um dia:
− Treinar não é apenas preparar o jogo, é preparar pessoas.
É precisamente aí que reside a essência do impacto de Cassiano Klein. Clareza na mensagem. Coragem na mudança. Capacidade para fazer um grupo acreditar mais em si próprio. Quando um treinador consegue isso, deixa de estar apenas a orientar uma equipa. Passa a transformar uma cultura competitiva.
O futsal português ganha com treinadores assim. Treinadores com ideias, personalidade e coragem para mexer no guião. Porque os campeonatos não se fazem apenas de talento; fazem-se também de quem consegue devolver ambição, convicção e identidade competitiva a um grupo. Cassiano Klein fez isso no Benfica. E fê-lo da forma mais difícil, mudando aquilo que muitos julgavam já demasiado enraizado para ser transformado.
Nota final: Um obrigado ao Cassiano Klein por ter colaborado neste artigo.
Tiago Guadalupe, in a Bola
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