Na antecâmara da visita a Alvalade, Jorge Jesus puxou dos galões de líder e lembrou que tanto o Sporting como o FC Porto gostariam de estar na posição do Benfica na classificação da Liga.
«Quem não queria estar na posição do Benfica, líder do Campeonato à 20.ª jornada com seis pontos de avanço sobre o segundo classificado? Mais confiança do que isto só se tivesse nove, dez ou onze pontos. É um fator que nos dá imensa confiança para este jogo. Aconteça o que acontecer, vamos estar sempre em primeiro e em melhor posição do que qualquer um dos nossos adversários», constatou.
Para Jorge Jesus, uma derrota no “derby” deixaria os leões em posição delicada na corrida ao título.
«Ficaria mais difícil porque tem dois rivais à frente, isto partindo do princípio que o outro rival [FC Porto] também ganha. Se fosse só um seria mais fácil recuperar», referiu, rematando:
«Esta é uma etapa rainha, vamos ter duas ou três até final do Campeonato. Queremos chegar na frente, se vencermos esta etapa ficamos melhor».
E será a inexperiência da linha mais recuada do Sporting um fator a explorar?
«A experiência baseia-se muito no conhecimento dos jogadores, não na idade. É verdade que os jovens têm menos conhecimento mas também há quem tenha muito e não se sinta a falta de experiência na capacidade individual defensivamente. Acho que são jogadores de qualidade, mas esse é um problema do treinador do Sporting e não meu. Nada vamos mudar em função desse pormenor, vamos manter a nossa ideia de jogo. Se os adversários tiverem capacidade para nos parar, é problema deles e não nosso», frisou, admitindo, contudo, que o maior traquejo dos encarnados poderá desequilibrar a balança no confronto deste domingo.
Mas fez uma ressalva: «Se analisarmos as duas equipas percebemos que há muito equilíbrio e muita juventude de ambos os lados, bem como jogadores que nunca jogaram derbies. Não é por aí que qualquer das equipas poderá ter desculpas»,.
Questionado se este é o Sporting mais forte dos últimos anos, Jorge Jesus fez a seguinte avaliação:
«Não sei se é o mais forte, mas é o que tem mais anos juntos. Estes jogadores jogam há muito tempo juntos, não com o mesmo treinador, mas conhecem-se muito bem e têm-se vindo a valorizar de ano para ano. Não sei se tem mais qualidade mas tem mais opções, que do meio-campo para a frente mantêm a equipa sempre num nível alto».
Jorge Jesus deposita total confiança em Artur Moraes para substituir Júlio César no “derby” com o Sporting, lembrando que o guarda-redes tem experiência suficiente para lidar com a pressão em Alvalade.
«Não é tudo normal, como é óbvio. O Júlio tem vindo a jogar, o Artur nem tanto; disputou alguns jogos na Taça da Liga. Mas é um jogador com muitos anos de futebol, não é nenhum menino. Aquilo que nós falámos foi em função do jogo e não de “tens de estar tranquilo na baliza” ou “confio muito em ti”... Isso já não é conversa para ele», frisou o treinador dos encarnados em conferência de Imprensa.
Jorge Jesus, de resto, não se mostra preocupado com eventuais limitações do número 1 das águias com a bola nos pés.
«Quando eu jogava não se exigia a qualidade técnica com os pés aos guarda-redes. Mas também é verdade que ele não defende com os pés, fá-lo ofensivamente. Raramente um guarda-redes tem ações técnicas com os pés, isso é mais no andebol. Não é isso que caracteriza a qualidade do guarda-redes ou que possa pô-lo num estado mais desconfortável que outro», argumentou.
Jorge Jesus não dá como certa a ausência de Nico Gaitán no “derby” com o Sporting, em Alvalade.
«Hoje [sexta-feira] treinou-se e amanhã vai treinar-se outra vez. Não tenho uma certeza absoluta se poderá ir para o banco. Domingo de manhã faremos um teste para tirar as dúvidas. Não há uma balança para medir se está mais próximo ou mais longe do jogo. Falta algum tempo e isso pode dar-nos alguma esperança», comentou o treinador em conferência de Imprensa.
Foi com ironia que Jorge Jesus reagiu à notícia que dava conta da suposta exigência do treinador em passar a auferir seis milhões de euros por ano para renovar contrato com o Benfica.
«A única coisa que o número 6 me diz é que temos seis pontos de avanço. É um facto indesmentível. O resto... O presidente e eu já falámos sobre o meu problema contratual. Nada há para falar, é mais uma coisa para vender. Não alimento essa polémica», desvalorizou.

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