Pavlidis bisou em Chaves e conduziu os encarnados à próxima eliminatória da Taça de Portugal
Quatro jogadores da formação do Benfica no onze inicial é novidade da era José Mourinho, mas o jogo convidava. Uns chegaram tarde das seleções, outros estavam guardadinhos para Newcastle, onde terça-feira há jogo de capital importância para os encarnados, pois derrota significa condenar seriamente o apuramento para a fase seguinte da competição e, ao mesmo tempo, tramar Rui Costa na corrida pela reeleição no Benfica.
Pavlidis a festejar em Chaves - Foto: Miguel Lemos/Kapta+
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VÍDEO: grande golo de Pavlidis abre o marcador em Chaves
Mas perder em Chaves e ser eliminado da Taça de Portugal também seria um presunto difícil de digerir para os encarnados, pelo que José Mourinho, como prometera na confererência de Imprensa, apresentou uma equipa que não estava para brincadeiras. Filipe Martins, treinador deste Barcelona de Trás-os-Montes, não desiludiu e mostrou também que estava em campo para assinalar o quilómetro 0 para o Jamor.
O Benfica ainda lutava, todavia, para impor-se quando, sem que algo de especial o justificasse, chegou ao golo. Minuto 8, interceção deficiente de Muscat, bola sobrava para Pavlidis e golaço. Pé direito, bola cruzada, a aninhar-se na rede lateral esquerda da baliza flaviense.
Pavlidis, ponta de lança do Benfica - Foto Miguel Lemos/Kapta+
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Pavlidis: «Ainda temos de evoluir em muitas coisas»
O golo mais madrugador deste Benfica de Mourinho sugeria tranquilidade. Sugeria... Aos 12', Samuel Soares começou, pois, a mostrar nervoso miudinho, deixando escapar bola fácil, que deveria ter morrido entre as mãos. No instante seguinte segurou bola que nascia na cabeça de Pedro Pinho, mas era o Benfica que prosperava e aos minutos 18 e 19 ameaçava inclusivamente agravar as expectativas flavienses. Pavlidis, porém, errava o alvo e Lukebakio, isolado, permitia a defesa de Gudzulic, sérvio do Chaves.
Os equipamentos 'blaugrana' começavam então a justificar a alcunha e em dois minutos quase chegavam à igualdade: Samuel Soares, sempre ele, no melhor e no pior, primeiro desviando bola de Pedro Pinho, depois deixando escapar mais uma bola das mãos, que só por muita sorte não acabou nas redes da sua baliza. Até ao intervalo, Lukebakio (32') ainda aqueceu as mãos ao guardião do Chaves e Pau Victor errou a baliza encarnada por pouco.
José Mourinho, treinador do Benfica - Foto: Miguel Lemos/Kapta+
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Mourinho: «Não estou contente, esperava um bocadinho mais»
José Mourinho estava avisado em relação às intenções do Chaves de Filipe Martins, que era visto com linha de cinco mas jogava como um 3x4x3, e decidiu mudar. João Rego, a surpresa do onze inicial, dava o lugar ao mais óbvio Schjelderup.
O jogo não estava bonito e ao minuto 56, o que parecia ser um ataque prometedor do Chaves, transformou-se, por falta de qualidade na saída, em ocasião para o Benfica, disparo de Enzo Barrenechea, nova defesa do guarda-redes. O Benfica não enchia as medidas, mas jogava perto da baliza do Chaves e aos 58' Kiko Pereira fez mesmo falta sobre António Silva para penálti, não considerada por David Silva. Não havendo VAR, no contra-ataque Samuel Soares impediu que o Chaves chegasse à igualdade.
Pavlidis bisou frente ao Chaves - Foto: Miguel Lemos/KAPTA+
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Vídeo: Pavlidis marca e dá tranquilidade ao Benfica
As coisas aqueciam, Pavlidis tentava uma vez mais, mas dentro da área não ultrapassava Gudzulic. Era o minuto 61 e Schjelderup já fazia a diferença na esquerda. O extremo norueguês era a seta que incomodava os flavienses e quando estes arriscavam mais no meio-campo ofensivo do Benfica quase pagavam caro. Lukebakio não conseguiu transformar belo cruzamento de Schjelderup em golo, logo a seguir era Barrenechea a oferecer a Gudzulic a defesa da noite.
Adivinhava-se e chegaria. Mais um bom golo de fora da área do filósofo grego, que terminou aos 79' com o jejum da equipa, que vinha dos jogos com Chelsea e FC Porto, e confirmou que tem presença com fartura... fora da área. Benfica dá passo na direção do Jamor.
Nuno Reis, in a Bola
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA
Avançado grego do Benfica marcou os dois golos com remates de fora da área, fortes e colocados. Foi o maior destaque dos jogadores encarnados e, sejamos justos, talvez o único a merecê-lo...
Pavlidis (8)
A bola, cortada de forma deficiente por Muscat, foi parar ao pé direito do número 14 da Luz, que deu dois passos à frente e enviou-a para o fundo da baliza à guarda de Gudzulic. Excelente primeiro golo do grego. Tentou ainda algumas incursões durante o resto do primeiro tempo, mas sem êxito. Esteve pouco em jogo durante quase toda a segunda parte, mas, à entrada do minuto 80, recebeu um passe ligeiro de Sudakov e, tal como no golo inicial, rematou de fora da área e fez o 2-0. Não tocou muitas vezes na bola, mas foi, de forma clara, o homem do jogo. Sem o grego em campo, o Benfica ainda estaria em Chaves à procura de abrir o marcador. Pavlidis vale o seu peso em ouro.
(4) Samuel Soares - Múltiplos pequenos erros que colocaram em perigo a sua baliza em bolas aéreas, falhando o soco ou deixando cair a bola. Bem melhor num remate de longe de Pedro Pinho, embora sem elevado grau de dificuldade. Segundo tempo mais sossegado.
(5) Dedic – Seguro a defender e razoável a atacar. Não foi em Chaves o lateral que encantou os adeptos no arranque da temporada, rondando sempre a mediania.
(6) António Silva – Exibição quase gémea da de Tomás Araújo. Bons cortes, alguns deles a evitar perigo maior junto de Samuel Soares, sendo que ainda sofreu falta para grande penalidade ao minuto 58.
(5) Dahl – Não aqueceu nem arrefeceu. Continua sem encantar na lateral esquerda e desta vez, mesmo frente a adversário de escalão inferior, não deu nas vistas. Não foi à Seleção da Suécia, ficou no Seixal, mas apresentou-se sem grande ritmo em Chaves.
(5) Aursnes – Não está ao nível que encantou os benfiquistas, agora jogando sobre a direita. Defendeu bem, mas foi menos influente a atacar a baliza do Chaves. Segue em busca de regressar ao melhor momento.
(6) Barrenechea – Mais um cartão amarelo para a lista do médio argentino, mais uma exibição relativamente mediana a defender e bem mais espetacular a atacar, com um bom remate de longe defendido por Gudzulic a abrir a segunda parte e, sobretudo, grande desvio de cabeça, no último quarto de hora, para defesa muito apertada do guarda-redes do Chaves.
(6) Sudakov - Só se deu por ele quando teve a bola nos pés. Quando ela estava longe, parecia desfocado do jogo, não defendendo (ou defendendo mal) e não criando qualquer pressão sobre o portador da bola. Esteve, porém, diretamente envolvido nos dois golos do Benfica, sobretudo no segundo em que fez o passe (curtinho, é certo) para o remate fulgurante de Pavlidis.
(6) Lukebakio - Começou por tentar ir para cima dos adversários diretos, mas o primeiro momento de destaque foi num mau atraso na direção de António Silva, bem resolvido pelo capitão dos encarnados. Quase de seguida, aproveitou uma falha de um adversário, fugiu pela esquerda e, na área flaviense, rematou forte, mas contra o corpo de Gudzulic. Voltou a pôr à prova, pouco depois, o guarda-redes do Chaves, num remate de longe. Segundo tempo menos conseguido e acabaria substituído.
(3) João Rego – Sem bola, ninguém brilha. E Rego, acima de muitos, precisa de bola para ser útil. Não a teve e sentiu dificuldades para entrar no jogo. Viu o cartão amarelo pouco antes da meia hora e, após intervalo, não reentrou.
(5) Schjelderup – Entrou ao intervalo e esteve bem melhor do que João Rego. Tentou ir para cima dos adversários em velocidade, uma ou duas vezes as jogadas até lhe saíram bem, mas nada criou de muito perigo.
(5) Leandro Barreiro – Substituiu Lukebakio quando o Benfica vencia apenas por 1-0 e ainda havia 15 minutos para jogar. Procurou equilibrar ainda mais o meio-campo e, embora cumprindo, não esteve em nenhum lance a merecer destaque.
(-) Ivanovic – Saltou para o onze a dez minutos do final e teve apenas um remate bloqueado pela defesa do Chaves.
(-) João Veloso – Entrou aos 88’ e teve oportunidade para se mostrar mais um pouco a José Mourinho, depois de ter entrado, igualmente perto do fim, frente ao Gil Vicente. Sem tempo.
(-) Ivan Lima – Estreia na equipa principal para o jovem (20 anos) da formação do Benfica. Entrou aos 88’, sem possibilidades de brilhar ou de falhar.
Rogério Azevedo, in a Bola






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