No Estádio do Dragão, o Benfica perdeu, por 1-0, frente ao FC Porto, em jogo dos quartos de final da Taça de Portugal. Os encarnados construíram várias chances para marcar, mas acabaram por não chegar ao golo.
No clássico que se realizou nesta quarta-feira, 14 de janeiro, no Estádio do Dragão, o Benfica perdeu, por 1-0, frente ao FC Porto. Nos quartos de final da Taça de Portugal, as águias criaram oportunidades suficientes para levar a partida, no mínimo, para prolongamento, mas a bola, simplesmente, não entrou.
Trubin, Dedic, Tomás Araújo, António Silva, Dahl, Richard Ríos, Aursnes, Barreiro, Prestianni, Sidny (titular pela primeira vez) e Pavlidis. Foi este o onze escalado por José Mourinho para o embate frente aos dragões, com vista às meias-finais da prova-rainha.
O primeiro lampejo ofensivo do encontro foi assinado pelo Benfica e saiu dos pés de Prestianni. Jogada rendilhada pelo lado esquerdo, com a bola a chegar a Dahl, que a levantou para o coração da área. Aí, Pavlidis amorteceu para Barreiro, o médio tocou para Prestianni, e o argentino rematou por cima do alvo (11').
No decorrer do lance que terminou com o remate do camisola 25, Sidny cruzou e a bola sofreu um desvio no braço esquerdo de Pablo Rosario na grande área. O árbitro nada assinalou e mandou seguir o jogo (10')...
Cinco minutos depois, golo do FC Porto. Na direita, Gabri Veiga cobrou um canto para o interior da área, com Bednarek a saltar mais alto e cabecear para o interior das redes (1-0, aos 15').
Aos 19' foi a vez de Trubin se evidenciar entre os postes, com uma dupla intervenção. Na primeira opôs-se a remate de Gabri Veiga, e, logo de seguida, na recarga, travou o tiro de Froholdt. Coube a Martim Ferreira o último remate, que saiu ao lado.
A partir deste lance, o Benfica pegou no controlo do jogo e não mais o largou, e aos 24' ficou perto do empate...
Numa segunda vaga de um ataque encarnado, Dedic recuperou uma bola em zona alta do terreno, desenvencilhou-se de 3 adversários e, à entrada da área, rematou ligeiramente por cima.
Dois minutos volvidos, nova ameaça benfiquista, que resultou de um canto a favor do FC Porto...
Richard Ríos aliviou a bola, Prestianni recebeu-a, acelerou e soltou Sidny na esquerda do ataque. Já no interior da área, no ombro a ombro com Pepê, o internacional cabo-verdiano atirou ao lado da baliza (26').
Com os caminhos para as redes de Diogo Costa tapados, o jogo desenrolava-se no meio-campo, onde a luta era muita e os encarnados tentavam sair da teia montada pelos homens da casa.
Aos 42', Richard Ríos saiu bastante maltratado de uma disputa de bola faltosa com Gabri Veiga. Muito queixoso do braço direito, o médio internacional colombiano foi forçado a abandonar o terreno de jogo, substituído por Sudakov (44').
Já para lá do tempo regulamentar da 1.ª parte, aos 45'+8', duas grandes oportunidades de golo para o Benfica, com a primeira a pertencer a Prestianni. O avançado argentino foi da direita para o meio e entrou na área. Numa disputa de bola, o esférico ficou à mercê de Barreiro, que rematou para enorme defesa de Diogo Costa com o pé direito. A bola continuou na posse dos encarnados, chegando a Aursnes, que libertou Dedic na direita. Em boa posição, o defesa atirou por cima.
Instantes depois, Fábio Veríssimo deu por terminada a 1.ª parte, com o marcador a ser favorável ao FC Porto (1-0).
Após o intervalo, o Benfica aumentou o seu domínio territorial, instalou-se, definitivamente, no meio-campo portista, procurando visar a baliza azul e branca de todas as maneiras e feitios.
O primeiro sinal de perigo veio dos pés de Pavlidis, que, após receber de Prestianni – excelente receção orientada, a lançar, de pronto, o avançado grego –, rematou forte, mas para as mãos de Diogo Costa (50').
Aos 58', novamente o guarda-redes luso a negar o empate. Na direita, livre junto à linha lateral para Sidny bater. Com os companheiros todos tapados no interior da área, o defesa optou por bater muito chegado à baliza, com Diogo Costa a ter de se aplicar para tocar a bola para canto, pois, caso contrário, Sudakov estava pronto para desviar para golo.
No minuto seguinte, outra vez as águias perto do 1-1, e, desta vez, Diogo Costa nada podia fazer.
Na insistência do pontapé de canto cobrado no lado esquerdo do ataque, Prestianni, em esforço, conseguiu evitar que a bola saísse pela lateral, colocou-a na área, onde Pavlidis recebeu e tocou para Tomás Araújo. De primeira, o camisola 44 rematou em jeito, mas a bola passou muito perto do poste direito, com o guardião adversário pregado ao relvado (59').
Incansáveis, os Benfiquistas presentes no Dragão não desarmaram no apoio aos seus jogadores, e, mesmo em minoria, fizeram-se ouvir muito mais alto do que os adeptos da casa.
A enfrentar uma equipa muito compacta e fechada na área, o Benfica tentava furar a resistência portista, quer pelos flancos – principalmente na direita, onde Dedic foi sempre uma flecha –, quer pelo meio – Sudakov funcionou sempre como o maior organizador de jogo encarnado.
De modo a tentar escapar ao aglomerado de portistas nas imediações da área, Tomás Araújo recebeu a bola a meio do meio-campo contrário, avançou uns metros e, ainda longe do alvo, rematou forte e rasteiro, mas Diogo Costa amarrou (65').
Para refrescar o ataque e o intenso jogo ofensivo que estava a colocar em prática no relvado do Dragão, aos 74', José Mourinho lançou Schjelderup no lugar de Prestianni.
O tempo corria e, a 13 minutos do final, a primeira ação do internacional norueguês no jogo terminou num lance polémico na área azul e branca.
Na esquerda, Schjelderup cruzou, a bola morreu nas mãos de Diogo Costa, mas, no momento em que Barreiro a atacou, terá sido pisado por Rodrigo Mora no interior da área. O médio internacional luxemburguês ficou bastante queixoso, mas nada foi assinalado...
Ivanovic, aos 83', na vez de Sidny, foi a derradeira aposta do treinador encarnado para chegar à igualdade, que esteve mesmo muito perto de acontecer ao 90'.
Após trabalhar bem na esquerda do ataque, Schjelderup centrou a bola para a boca da baliza, onde Pavlidis, sem oposição, não conseguiu meter o pé no tempo certo, acabando por o esférico ressaltar para trás.
A jogada protagonizada pelo melhor marcador do Benfica nesta temporada – 24 golos em 33 jogos – foi mesmo a derradeira chance encarnada no clássico (1-0).
As águias terminam assim a sua prestação na Taça de Portugal, voltando agora as baterias para a Liga Betclic, competição em que, neste sábado, 17 de janeiro (20h30), defrontam o Rio Ave, na 18.ª jornada.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
7) Tomás Araújo
O melhor do Benfica: a defender e a rematar. Sacou imensos cortes frente a diversos adversários (brilhante o que fez, aos 14’, sobre Borja Sainz), mostrando-se imponente em lances rasteiros. Não teve qualquer hipótese de evitar o golo de Bednarek, até porque não era ele quem estava a marcar o polaco. Aventurou-se no ataque quando a hora de jogo se aproximou e teve o golo nos pés, aos 60’ e aos 65’. Primeiro, recebendo passe atrasado de Pavlidis e rematando ao lado e, de seguida, obrigando Diogo Costa a defesa segura. Evitou ainda que remate de Rodrigo Mora criasse perigo ainda mais real, oferecendo o corpo à bola. Tomás Araújo foi o bombeiro que Mourinho precisava e quase foi o incendiário que o treinador necessitava...
(6) Trubin - Abriu o jogo com dupla defesa a remates de Gabri Veiga e Froholdt, mais difícil o segundo, por muito mais perigoso. A cabeçada de Bednarek que decidiu o jogo e a eliminatória leva potência demasiada para que o guarda-redes ucraniano pudesse fazer algo mais do que observar. Leve hesitação perto do intervalo, não saindo da baliza quando a bola sobrevoava a pequena área, com Borja Sainz a desviar com perigo. A segunda parte foi mais tranquila e, já na compensação, recebeu permissão de José Mourinho para subir à área adversária para, num canto, desviar para a cabeça de Pablo Rosario, com a bola a sair por cima.
(6) Dedic - Obrigou a atenção tremenda pela presença de Borja Sainz na esquerda do ataque portista, teve capacidade para pegar muitas vezes na bola e tentar criar perigo junto da área de Diogo Costa. Ameaçou com um remate perigoso de pé esquerdo aos 24’ e, logo de seguida, entrou bem e cedeu a bola a Aursnes, que rematou ao lado.
(6) António Silva - Esteve em dúvida até quase ao início do jogo, mas não deu mostras de qualquer problema físico. Não teve lances de elevado grau de dificuldade pela frente e, quando foi obrigado a impor o físico, impôs. Não teve ponta de culpa no golo do FC Porto (o marcador de Bednarek era Barreiro) e teve ainda dois ou três lançamentos perigosos a tentar servir homens da frente.
(5) Dahl - Mediano a defender, mediano a atacar. Não passou por momentos de pânico, mas também não conseguiu ser o lateral que necessita uma equipa da dimensão do Benfica.
(5) Richard Ríos - Nem estava a jogar mal, sem medo de contactos físicos, sobretudo com Pepê, tentando ainda ser atrevido na aproximação à área portista. Porém, em cima do intervalo, caiu desajeitadamente e sofreu lesão, aparentemente com gravidade, no ombro/braço direito. Saiu para entrar Sudakov.
(6) Aursnes - Andou muito tempo no meio do turbilhão dos possantes médios do FC Porto e quase sempre conseguiu passar incólume pelas dificuldades. Formou com Ríos a dupla de médios e perto do intervalo, quando o colombiano saiu lesionado, passou a ser Barreiro o seu parceiro preferencial. Poderia ter rematado melhor, pouco antes da meia hora, mas o remate saiu levemente ao lado.
(6) Prestianni - Entrou bem, caindo inúmeras vezes em cima de Kiwior. Teve remate por cima da baliza aos 11’ e, em cima da meia hora, teve o ponto alto, quando lançou Sidny pelo meio, com o neerlandês a finalizar mal. A partir daí, baixou de rendimento, não mais criando perigo.
(4) Leandro Barreiro - Quando alguém com 1,74 metros aparece a marcar outro de 1,89 metros, em lances de bola parada, a probabilidade de sentir dificuldades é clara. Barreiro marcava Bednarek no canto que deu origem ao 1-0 e, claro, quando a bola saiu do pé de Gabri Veiga e chegou à cabeça do polaco, o luxemburguês foi impotente para evitar o desvio fatal. Tentou antecipar-se no corpo a corpo, mas sem sorte. Quinze centímetros são quinze centímetros. Teve o golo no pé esquerdo já na compensação do primeiro tempo, mas o remate saiu menos forte do que desejaria e Diogo Costa defendeu com facilidade.
(4) Sidny Cabral – Iniciou o jogo numa luta titânica com Martim Fernandes. Perdeu mais duelos do que ganhou e ficam na mira as dificuldades que sentiu, aos 26’, quando recebeu bola profunda de Prestianni e atrapalhou-se na hora de rematar à baliza de Diogo Costa, pressionado por Pepê. Depois de ter jogado 25 minutos frente ao SC Braga, saltando do banco, foi ontem titular pela primeira vez. Está ainda a ambientar-se a uma nova realidade, mas os 108 minutos já realizados de águia ao peito não deixam água na boca dos benfiquistas.
(6) Pavlidis - Não deve ter havido um metro quadrado de relvado que o grego não tenha pisado. É avançado, mas pareceu médio. É avançado, mas pareceu extremo. Remate perigoso a abrir a segunda parte, defendido por Diogo Costa. Correu como poucos, lutou como poucos, mas falhou o que raramente tem falhado em ano e meio de Benfica. Em cima do minuto 90, ia aproveitando cruzamento rasteiro de Schjelderup, mas pareceu atrapalhar-se com a benesse da defesa portista e acabou, na pequena área, por falhar aquilo que, repete-se, raramente falha.
(4) Sudakov – Entrou frio aos 43’ após a lesão de Ríos e frio continuou ao longo do jogo. Não jogou tão encostado ao lado esquerdo, consequência do recuo de Barreiro (que estava a jogar pelo meio), mas não teve ainda momentos de esplendor que levaram o Benfica a contratá-lo no último verão.
(5) Schjelderup – Pouco mais de 25 minutos em campo em que se mostrou agressivo a atacar a bola e que teve como ponto alto a bola rasteira que colocou à disposição de Pavlidis, em cima dos 90’, mas que o grego desperdiçou.
(-) Ivanovic – Menos de dez minutos em campo para, partindo de trás, tentar criar perigo. Não passou disso.
Rogério Azevedo, in a Bola










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