quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

EXIBIÇÃO PENOSA



Na meia-final da final four da Taça da Liga disputada nesta quarta-feira, 7 de janeiro, o Benfica não se encontrou na 1.ª parte, foi derrotado pelo SC Braga, por 1-3, e perdeu a hipótese de lutar pela revalidação do título conquistado em 2024/25.
As águias apresentaram-se no relvado do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, com apenas uma alteração relativamente ao onze que entrou em campo na vitória frente ao Estoril, por 3-1, na 17.ª jornada da Liga Betclic: Aursnes substituiu Prestianni e juntou-se a Trubin, Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Manu, Richard Ríos, Barreiro, Sudakov e Pavlidis.
Logo aos 4', o Benfica criou uma dupla oportunidade para marcar. Dedic arrancou pelo lado direito e cruzou para a pequena área. Pavlidis fez o desvio para uma defesa por instinto de Hornícek e a bola sobrou para Sudakov, que, em queda, atirou à figura do guarda-redes do SC Braga.
No entanto, as águias não conseguiram dar sequência à boa entrada, e o SC Braga cresceu no jogo. Aos 9', Otamendi cometeu falta sobre Zalazar fora da área encarnada, mas João Pinheiro assinalou penálti. No entanto, alertado pelo VAR, reverteu a decisão e assinalou o respetivo livre direto, que Zalazar atirou contra a barreira.
Aos 16', Barreiro galgou metros no lado direito e cruzou para Pavlidis. Este, à entrada da área, amorteceu a bola para Richard Ríos, que desferiu um potente remate ligeiramente ao lado da baliza à guarda de Hornícek.
Na resposta, o SC Braga inaugurou o marcador. Zalazar recebeu a bola no lado direito e cruzou rasteiro para o interior da área, onde Pau Victor fez a receção orientada e rematou de pronto de pé esquerdo para o 0-1, aos 19'.






Com evidentes dificuldades em conduzir a bola até à área contrária, o Benfica acabou por ser vítima de uma abordagem passiva no 0-2. Aos 33', Lagerbielke recuperou a posse junto sua área e a bola foi parar aos pés de Zalazar. O uruguaio arrancou ainda no seu meio-campo, passou por Sudakov e Otamendi e, já dentro da área, rematou para as redes à saída de Trubin.
A resposta do Benfica surgiu dos pés de Dahl. Aos 37', o lateral das águias intercetou um passe de Vitor Carvalho à entrada da área do SC Braga, mas o esférico ganhou velocidade e seguiu para Hornícek, e, aos 41', puxou a culatra atrás e viu o compatriota Lagerbielke intercetar o seu remate cruzado com o peito.
Até ao intervalo, outra ocasião de perigo junto à baliza de Trubin. Aos 45'+3', Pau Victor recuperou a bola no meio-campo do Benfica e serviu Zalazar no lado direito. O uruguaio cruzou atrasado e Ricardo Horta rematou forte e de primeira às malhas laterais.
No regresso dos balneários, José Mourinho trocou Manu por Prestianni. As águias voltaram para a 2.ª parte mais enérgicas, partindo para o cerco à área dos arsenalistas.
Aos 50', Sudakov atirou ao lado na marcação de um livre prometedor e, no minuto seguinte, voltou a visar a baliza adversária: Lagerbielke, em carrinho, intercetou o remate do ucraniano e evitou males maiores para a baliza de Hornícek.
No contra-ataque, já aos 52', a defesa do Benfica não conseguiu intercetar o cruzamento de Zalazar, e Pau Victor rematou em arco para uma grande defesa de Trubin.
Com o jogo mais partido, os encarnados voltaram à carga e, aos 55', espaço para um lance polémico na área do SC Braga. Richard Ríos cruzou para a pequena área e a bola tocou no braço de Vitor Carvalho, que disputava o lance com Barreiro. O árbitro nada assinalou e o lance acabou avaliado pelo VAR, que também entendeu não existir motivo para a marcação de penálti a favor do Benfica.
No entanto, aos 62', João Pinheiro não hesitou em assinalar um castigo máximo por carga evidente de Paulo Oliveira sobre Pavlidis no interior da área minhota.
Chamado à cobrança, já aos 64', o avançado grego atirou para o meio da baliza e Hornícek caiu para o seu lado direito. O Benfica chegava, assim, ao 1-2 e voltava à discussão do jogo.






Aproveitando o balanceamento dos encarnados no ataque, reforçados com a entrada de Sidny por Sudakov (64'), o SC Braga continuou a explorar as costas da defesa e criou perigo aos 66'. Fran Navarro arrancou pelo corredor central, entrou na área e, no um contra um frente a Trubin, desviou a bola do guarda-redes. Contudo, Tomás Araújo recuperou a posição e impediu que esta entrasse na baliza com um corte providencial.
Aos 74', numa jogada de insistência, Richard Ríos recebeu a bola de Prestianni e disparou forte para defesa incompleta de Hornícek, que reagiu rapidamente e arrojou-se ao solo para negar a recarga vitoriosa a Pavlidis.
Já com Ivanovic no lugar de Aursnes (80'), o SC Braga acabou por revelar grande eficácia e sentenciou o 1-3 de bola parada. Na marcação de um livre junto à linha lateral, Zalazar cruzou para a área e a bola encaminhou-se para a baliza após sofrer um desvio em Tomás Araújo. Trubin ainda conseguiu evitar o golo num primeiro momento, mas, na recarga, Lagerbielke balançou as redes.
Na sequência de um cruzamento de Prestianni desde o lado direito, Pavlidis tentou encurtar distâncias aos 86', mas o seu cabeceamento saiu ao lado.
Dois minutos volvidos (88'), um novo lance duvidoso na área do SC Braga. Ivanovic saltou com Lagerbielke e a bola sofreu um desvio na mão do central sueco. Uma vez mais, nem João Pinheiro, nem o VAR detetaram qualquer infração, e a partida seguiu.
Aos 90', porém, o árbitro demonstrou mão pesada com Otamendi, expulsando-o por acumulação de amarelos, aparentemente por protestos, após um lance em que o capitão das águias foi claramente carregado em falta junto à linha lateral. A partir daí, o Benfica não mais conseguiu aproximar-se da área contrária até ao apito final.
O próximo desafio do Benfica está aprazado para as 20h45 da próxima quarta-feira, 14 de janeiro: enfrenta o FC Porto, no Estádio do Dragão, em duelo válido para os quartos de final da Taça de Portugal.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Pavlidis marcou e ameaçou, quase sozinho, claramente desamparado numa equipa rica em asneiras e desinspiração
A figura: Pavlidis (7)




Não precisou de 5 minutos para ameaçar a baliza minhota, desviando com perigo, em zona frontal, bola perfeita de Dedic, obrigando Hornicek a trabalhar. Serviu com oportunidade Richard Ríos aos 16', deixando o colombiano em posição de disparar, e manteve-se sempre ligado ao jogo, mesmo na primeira parte fraquinha da equipa. Na segunda voltou mais forte, à boleia de mais algum apoio, sobretudo de Prestianni, sofrendo e convertendo penálti do 1-2, que relançava a equipa. De cabeça, por duas vezes, e com os pés outras tantas, ainda fez sonhar os benfiquistas, mas o grego vai sozinho no Cavalo de Tróia do Benfica. Mesmo quando chega à zona de decisão raramente tem apoio para fazer estragos na defesa adversária. Antes do jogo, pediu futebol ofensivo e dominador, mas não foi o que teve.
Trubin (6) — Primeira parte dramática, sem erros ou méritos, somente duas viagens para ir buscar a bola ao fundo das redes. No lance do segundo golo, perante Zalazar, ainda tropeçou/escorregou face ao mau estado do relvado, mas só ele saberá se isso influenciou a saída da baliza e a mancha. Bem diferente, todavia, foi a segunda parte, pois começou a trabalhar logo aos 52', atirando-se para desviar bola de golo de Pau Víctor. Ainda defendeu a bola desviada pelo corpo de Tomás Araújo, mas Lagerbielke foi mais rápido e confirmou o 3-1, ali mesmo em frente ao ucraniano.
Dedic (5) — Belo cruzamento para Pavlidis, ao minuto 4, oferecendo na perfeição a oportunidade de fazer o primeiro golo. Numa primeira parte paupérrima da equipa, destoou, mantendo o seu flanco ligado, ajudando a equipa a chegar à área. Com o andamento da partida também a chama do bósnio foi desaparecendo, mais a mais com trabalho para fazer lá atrás.
Tomás Araújo (3) — Que noite. Para começar, abordagem errada no 0-1. Otamendi estava desposicionado (tinha ido à linha fazer o lugar de Dahl) e Tomás não se limitou a marcar Pau Víctor, procurou a antecipação, lendo mal a jogada. Não conseguiu, foi enganado, perdeu, golo do SC Braga. Reapareceu bem, com um belo passe para Dahl ao minuto 30, uns 50 metros, direitinho. Evitou, aos 65', o 1-3, intercetando bola de Fran Navarro que já tinha passado por Trubin e ia para a baliza, mas na origem do lance está mais uma desatenção. Não era mesmo o jogo de Tomás Araújo, como se viu no 1-3. Quase fazia autogolo, sem responsabilidade, pois a bola desviou no corpo dele e seguiu para a baliza, onde Trubin defendeu. O problema foi a recarga de Lagerbielke.
Otamendi (3) — Ao minuto 9 derrubou Zalazar e por um triz não fez penálti, mas tinha o pé de fora da área. Viu um cartão amarelo inibidor e pagou o preço de uma asneira de Aursnes, cujo erro possibilitou o ataque minhoto. Abordagem claramente falhada no lance do 0-2, demasiado brando na tentativa de desarme de Zalazar, provavelmente condicionado pelo tal amarelo. Foi competitivo, foi errando e acertando, mas perdeu a cabeça perto do final, protestando como não podia e vendo o segundo amarelo e o vermelho. Expulso e fora do clássico com o FC Porto para a Taça de Portugal.
Dahl (4) — Por uma ou duas vezes procurou visar a baliza, sempre com a bola a ficar a meio caminho, e muitas dificuldades para manter seguro o seu flanco, onde aconteceram cavalgadas épicas de Zalazar e não só.




Ríos (6) — Belo remate aos 16', errando por pouco a baliza, bom cruzamento aos 40', disparo violento de longe, aos 73', obrigando Hornicek a defender a dois tempos. Momentos de um jogo de sacrifício, em que esteve praticamente sozinho no meio-campo do Benfica.
Manu (3) — Lento, pesado, fora de forma, a passar ao lado do jogo e dos lances de perigo minhotos.
Aursnes (4) — Perdeu a bola em zona perigosa, bem perto da sua área, ao minuto 9, e daí resultou um cartão amarelo para Otamendi e quase nasceu penálti para o SC Braga. Aos 31' disparou duas vezes, na segunda fez a bola sair por cima da trave, e raramente apareceu com qualidade. Lento, parece estar mesmo a precisar de descanso.
Barreiro (5) — Apareceu a trabalhar bem a bola por mais do que uma vez no primeiro quarto de hora, mas foi depois combinando boas e más ações, irritando a plateia. Aos 48' ganhou falta em zona perigosa, mas estava claramente em fora de jogo, não assinalado. O trunfo maior do seu jogo são as pernas e a pressão ofensiva e defensiva que poucos na equipa acompanham.
Sudakov (4) — Logo ao minuto 4', uma recarga para as mãos de Hornicek. No 0-2, gritante falta de velocidade, perdendo para Zalazar em toda a linha numa corrida de 50 metros, mas também falta de vontade de fazer a falta. Livre direto deficiente aos 49' e mais remates na segunda parte, mas sem colocar dificuldades a Hornicek.
Prestianni (5) — Saltou do banco logo após o intervalo, com pilhas, com energia, com talento, influenciando positivamente a equipa. Belo cruzamento aos 54' e boa combinação com Pavlidis no lance do 1-2. Aos 68' viu amarelo, mas entrada a pés juntos sobre Ricardo Horta era para vermelho.
Sidny (5) — Entrou aos 64', um disparo à baliza, um bom cruzamento. Queria ação.
Ivanovic (4) — Entrou aos 80' e não alterou a ordem das coisas.
Nuno Reis, in a Bola

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